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Relatório lista crimes contra animais cometidos com auxílio da internet

Por Natalia Cesana (da Redação)

Foto: Reprodução/Lastampa

Um negócio ilegal que movimenta 3 bilhões de euros. Tudo fundamentado em corridas de cavalo, disputadas entre animais, contrabando de fauna exótica, pesca, tráfico de filhotes e comércio de cães. Está tudo registrado no relatório Zoomafia (acesse aqui), elaborado pela Liga Antivivissecção (LAV), informa o jornal italiano Lastampa.

O comércio de animais sempre se apresenta como um fenômeno dividido entre a “histórica” ilegalidade – corridas de cavalos, assassinatos, caça e pesca, rinha de cães, canil comerciais – e novas fronteiras criminais – tráfico de animais, inclusive filhotes, via internet. O relatório da LAV aborda cada capítulo desta complexa realidade da máfia animal.

O primeiro item são as corridas de cavalo, um crime “clássico” que movimenta um terço do volume de negócios. Em 2010, 12 corridas foram interceptadas pela polícia, 129 pessoas denunciadas e 62 cavalos apreendidos. Em treze anos (1998-2010), quando a LAV começou a coletar dados para o relatório Zoomafia, foram denunciadas 2.997 pessoas, apreendidos 1.032 cavalos e 92 corridas interceptadas.

Por trás dessas corridas ilegais existem cavalos massacrados, feridos gravemente, mutilados, mortos nas ruas e jogados no lixo.

A prática está na internet também: há uma rede com centenas de vídeos de cavalos obrigados a correr pelas estradas. Muitas dessas filmagens têm “trilha sonora” com canções melódicas dedicadas a cavalos e às corridas clandestinas.

O comércio de cães e o tráfico animal movimentam, por sua vez, 500 milhões de euros. É algo estável, pois a administração de canis ilegais (superlotados, com estrutura inadequada sob o aspecto higiênico-sanitário) só é possível graças a acordos com os governos locais. Em 2010, foram encontrados vários canis ilegais por toda a Itália, de norte a sul.

As intervenções e operações contra a importação ilegal de filhotes vindos de países do leste europeu trouxeram, em dois anos, a apreensão de milhares de animais, centenas de microchips implantados, registros de saúde preenchidos e visitas veterinárias. A importação ilegal de filhotes, de fato, é feita por grupos organizados que usam modalidades operativas refinadas e possuem uma rede de apoio e conivência. Entretanto, começam a aparecer as primeiras sentenças de condenação a estes traficantes.

O relatório lista a seguir as lutas entre animais, um crime que movimenta algo em torno de 300 milhões de euros. Esta prática parece não ter fim, pois já foi encontrada uma cobra píton de três metros sendo utilizada como esconderijo de cocaína pura e para intimidar os rivais.

Outro capítulo do Zoomafia refere-se à “malandragem oceânica”, um comércio de 300 milhões de euros em que organizações criminais saqueiam os mares por meio de pesca feita com explosivos. Moluscos e ouriços são capturados para serem vendidos clandestinamente a restaurantes e consumidores complacentes.

Outro protagonista do relatório é a internet: os números são alarmantes, principalmente a forma como ela é utilizada para atividades ilegais contra os animais, pois difunde imagens e vídeos de mortes, atos de violência, comércio e tráfico de animais, coleta de apostas em competições e promove atividades ilegais danosas aos animais.

Dados da Procuradoria Italiana atestam que a cada duas horas surgem novas informações sobre crimes contra animais. Em 2010, ocorreram 2.160 casos e em 40% deles, a Procuradoria deu uma resposta à LAV.

“É oportuno recordar que o número de crimes oficiais representa apenas uma parte dos efetivamente cometidos. Muitos, por terem sido cometidos de forma velada, não são registrados. Claro que o número de crimes desconhecidos sobre o total de crimes reais – o chamado número obscuro – varia de acordo com o tipo, sobretudo em função da gravidade. O crime de maus-tratos aos animais, pela sua natureza, tem um número obscuro altíssimo”, explica Ciro Troiano, representante da LAV e responsável pelo relatório.

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Mafioso italiano utilizava crocodilo para intimidar empresários

Um chefe da Camorra (máfia italiana) utilizava um crocodilo para intimidar empresários e fazê-los pagar a contribuição exigida por seu clã na cidade de Orta di Atella, na província de Caserta, na Itália – anunciou hoje a Direção Investigativa Antimáfia da Itália (DIA). 

O animal – que era explorado e obrigado a fazer com que os comerciantes pagassem o pizzo (contribuição obrigatória exigida pela máfia) ou a atender às demandas de mafiosos – foi descoberto na casa de Antonio Cristofaro no último dia 18, quando a DIA entrou na residência para procurar armas.

Além do crocodilo, os agentes encontraram um completo sistema de vigilância em vídeo e um colete à prova de balas, normalmente usado por Cristofaro.

O crocodilo encontrado ficava no terraço do último piso da casa, localizado em um condomínio. Após a descoberta, foi feita uma denúncia por guarda ilegal de animais e maus-tratos.

Polícia italiana apreendeu um crocodilo que era usado por um mafioso de Nápoles. (Foto: Reprodução/Napoli la Repubblica/G1)
Polícia italiana apreendeu um crocodilo que era usado por um mafioso de Nápoles. (Foto: Reprodução/Napoli la Repubblica/G1)

A divulgação da descoberta recebeu duras críticas de entidades de proteção dos animais. A LAV (Liga Antivivissecção), organização que há dez anos mantém o Observatório Zoomafia e estuda a exploração criminosa dos animais, afirmou que não são poucos os episódios que ligam animais raros ou exóticos a homens da máfia.

Há algum tempo, policiais descobriram que o chefe da máfia de Puglia, Eugenio Palermiti, se trancou em uma gaiola e agrediu um pit bull com as mãos para demonstrar sua força.

Para a LAV, a utilização do animal para extorsão é “aparentemente paradoxal, está inserida em um contexto cultural e criminal no qual os animais, como as pessoas, são meros instrumentos para a afirmação dos interesses do clã”.

Em 2008, o número de casos descobertos envolvendo o uso de animais para intimidar duplicou na comparação com 2007.

A LAV lembrou ainda que o tráfico de animais exóticos tem crescido e movimenta 500 milhões de euros por ano. Já a venda de exemplares embalsamados e o tráfico de animais para a alimentação humana movem cerca de 5 milhões de euros.

Com informações do Ansa Latina

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