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ANDA move ação para transferir orangotango Sansão de zoo para santuário

Reprodução/Facebook/Zoológico de São Paulo

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) acionou a Justiça para solicitar a guarda definitiva do orangotango Sansão, que vive no Zoológico de São Paulo, e garantir a transferência do animal para um santuário.

Sansão está com seu bem-estar comprometido por ter uma vida solitária no zoológico – já que ele vivia com outros dois animais no passado – e por ficar mais de 16 horas preso na área de cambiamento, espaço reduzido onde os animais são mantidos no período em que o parque está fechado para visitantes. O assédio da visitação pública diária também é citado na ação.

O processo expõe ainda um flagrante de comportamento estereotipado e repetitivo de Sansão que comprova o estresse sofrido por ele.

A ANDA solicita a transferência do orangotango para o Instituto Anami, no Paraná, onde ele poderia desfrutar de um recinto com mais de 400 metros quadrados e 12 metros de altura, com estruturas que enriquecem o ambiente, na companhia da orangotango fêmea Katai. O santuário, que é especializado em grandes primatas, não permite visitação pública, o que garantiria paz e tranquilidade a Sansão.

Na ação, a ANDA também alerta o judiciário sobre o risco iminente do zoológico ser privatizado por conta do Projeto de Lei (PL) 529/2020, enviado recentemente à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

“Ao ser administrado pela iniciativa privada, o zoológico se tornará um negócio e a situação dos animais tende a se agravar ainda mais em nome do lucro e da redução de custos”, afirmou o coordenador da área jurídica da ANDA, Leandro Ferro.

“Essa espécie é 97% semelhante aos humanos. Imagine passar a vida toda isolado, 16 horas por dia trancado num pequeno quarto e, quando solto, ter de lidar com assédio dos visitantes? Não experimentados nós mesmos o desconforto do isolamento com esta crise sanitária que estamos passando?”, completou.

Ativista pelos direitos animais, Ferro considera que a transferência de Sansão para o santuário é de fundamental importância, já que o local dispõe das condições necessárias para promover qualidade de vida ao animal. “Caso Sansão seja resgatado, tanto ele quanto Katai, sua futura companhia, vão desfrutar de uma melhora substantiva em seu bem-estar, por estarem em companhia um do outro e Sansão, finalmente poderá ter uma vida mais próxima do que teria na natureza, sem o assédio diário do público frequentador e sem passar mais de 16 horas preso em espaço extremamente reduzido e inóspito como acontece hoje no zoológico de São Paulo”, disse.

O advogado que representa a ANDA na ação judicial, Frederico dos Santos França, explicou que foram oferecidos no processo todos os elementos necessários para que o juiz decida favoravelmente à transferência de Sansão.

“Nosso pedido está perfeitamente em consonância com a Constituição Federal, que dispõe de artigos que visam a proteção à fauna e à flora. Esperamos que o juiz decida antecipadamente pela transferência de Sansão para o Instituto Anami, e utilizaremos de todos os meios jurídicos para atingirmos esse objetivo”, reforçou.

ANDA transforma a vida de animais através de ações judiciais

Em 2019, a ANDA conseguiu liminarmente na Justiça o resgate do Chimpanzé Black do Zoológico de Sorocaba para o Santuário dos Grande Primatas localizado na mesma cidade paulista. Black se adaptou ao santuário e pode socializar com uma fêmea.

Neste ano, foi feita uma perícia judicial no santuário que confirmou a melhora substancial no bem-estar de Black em sua nova casa. O processo ainda está aguardando decisão definitiva.

Além do chimpanzé, a elefanta Bambi também foi beneficiada por uma ação judicial que contou com a participação da ANDA. Em agosto deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a transferência da elefanta do Zoológico Municipal Dr. Fábio Barreto, em Ribeirão Preto (SP), para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT).

A ação foi movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e contou com a importante participação da ANDA, que desempenhou o papel de “amicus curiae” – isso é, o responsável por fornecer informações aos tribunais para que os magistrados tenham base para tomar suas decisões.

Com cerca de 56 anos de idade, Bambi foi explorada pela indústria circense por quase toda a vida e passou pelo Zoológico de Leme antes de ser transferida, em 2014, para Ribeirão Preto, onde vivia em condições degradantes.

Confira a íntegra da ação judicial do caso Sansão clicando aqui.

 

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