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Cão símbolo da luta contra a vivissecção aguarda um lar há quatro anos

Depois de explorado em experimentos dolorosos, o cão Perninha escapou da morte junto com outros 13 cães que foram todos adotados. Menos ele.

Perninha, que ganhou esse nome porque manca, foi a única cobaia não adotada. Foto ONG Cão Sem Dono

Perninha foi cobaia da Universidade Federal de Viçosa em Minas Gerais (Brasil), em 2015, com apenas um ano de idade. Ele passou dois meses em dolorosos experimentos que incluíam o rompimento dos ligamentos do joelho para provocar nele uma doença chamada orteoartrite, que é crônica e incurável. Perninha era um cão sem teto, jovem e saudável.

Após a tortura a que foi submetido junto com outros 13 cães, teve a liberdade decretada por ação judicial – um fato inédito no Brasil. Nunca antes um juiz havia decretado a soltura de cobaias em pleno processo de experimentação – resultado da pressão popular e da mídia. A ANDA, inclusive, cobriu todo o processo de soltura de cães desde as primeiras manifestações de ativistas.

Perninha era um cão saudável, mas foi induzido a uma doença com a qual terá que conviver pelo resto da vida. Foto Cão Sem Dono

O tratamento para o problema ao qual Perninha foi cruelmente induzido poderia muito bem ser testado em animais que realmente tivessem a doença. Muitos cães morrem porque seus tutores não podem pagar tratamentos, no entanto, volumosas verbas ainda são destinadas para experimentos como esses que adoecem animais saudáveis para curar os doentes – brutal contradição.

Todos os companheiros de “cela” de Perninha e ele próprio tiveram sequelas. Perninha, aliás, recebeu esse nome porque passou a mancar. Ele foi levado para o abrigo da ONG Cão Sem Dono, em SP, junto com outros 6 cães do experimento, mas apesar de muito bonzinho, só ele não foi adotado.

Em 2017 Perninha chegou a ter um lar, mas foi devolvido em 2019 e continua num abrigo. Foto ONG Cão Sem Dono

Em 2017 Perninha finalmente ganhou um lar, mas este ano o devolveram para a ONG alegando problemas financeiros e de saúde. Agora Perninha está de novo no abrigo com um olhar mais triste . Ele, que é um símbolo da luta contra a vivissecção – uma das piores formas de escravidão, com sofrimento físico e emocional – continua à deriva, sem lar.  Manca, mas é independente e aceita bem a medicação que precisa tomar pelo resto da vida como os demais cães que passaram por esse experimento.

Para adotá-lo entre em contato pelo facebook da ONG ou escreva para faleconosco@caosemdono.com.br

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

 

 

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Oficiais resgatam 94 pássaros em operação realizada em Viçosa

Divulgação
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Em uma operação realizada pelo pelotão aquático e o serviço de inteligência do Batalhão Ambiental (BPA), foram resgatados 94 pássaros silvestres, sendo a maior parte proveniente do comércio na feira livre de Cajueiro. A operação foi desencadeada ainda em Viçosa, em Alagoas.
Entre os animais socorridos estavam quatro papagaios, um trinca ferro e dois pintassilgos, animais estes raros de serem vistos. Eles foram entregues ao Cetas do Ibama.
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Como estão os cães resgatados da Universidade de Viçosa

Doug finalmente com o com o protetor Francisco depois de uma longa e dolorosa espera. Descrição: O protetor Francisco tem nos braços o cão Doug, de porte médio, preto e branco. O cão parece sorrir acompanhando o largo sorriso de seu salvador. Foto: Andressa Antunes
Doug finalmente com o com o protetor Francisco depois de uma longa e dolorosa espera. Descrição: O protetor Francisco tem nos braços o cão Doug, de porte médio, preto e branco. O cão parece sorrir acompanhando o largo sorriso de seu salvador. Foto: Andressa Antunes

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

O cão Leônidas ficou quase cego. Felipe sente dor, manca e quase não se levanta. Átila não pode sequer ver água que urina de medo. Além deles, todos os outros 13 cães, resgatados por ONGs e protetores independentes, no último dia 4, da UFV – Universidade Federal de Viçosa (MG), onde eram mantidos como cobaias, estão com cortes nas patas e muito assustados. Os animais foram libertados devido a uma ordem judicial expedida no dia 3 deste mês.

Entre os oito cães levados para SP pela ONG Cão Sem Dono, um está com urina preta e outro, ao ser colocado na mesa da veterinária para checagem de sua saúde, não se mexeu, ficou paralizado pelo pânico. À princípio, uma coisa é certa segundo a veterinária Michelly da Cão Sem Dono: todos foram induzidos a osteoartrite, uma doença incurável e, por conta disso, precisarão tomar antiinflamatórios e remédios contra dor pelo resto da vida sendo que eles têm apenas entre 1 e 4 anos de idade. Ou seja, jovens e já condenados a uma enfermidade comum a animais mais idosos e obesos, e bem pouco comum em cães sem raça definida.

Todos os 16 cães resgatados revelam sequelas dos experimentos, especialmente nas patas onde foram feitas cirurgias. Descrição: Cão branco com mancha marrom clara na cabeça e dorso, sentado fora da UFV, deixa evidente incisões feitas em sua pata traseira. Foto: Cão Sem Dono
Todos os 16 cães resgatados revelam sequelas dos experimentos, especialmente nas patas onde foram feitas cirurgias. Descrição: Cão branco com mancha marrom clara na cabeça e dorso, sentado fora da UFV, deixa evidente incisões feitas em sua pata traseira. Foto: Cão Sem Dono

E isso tudo é só um breve resumo, pois, todos os animais estão sendo avaliados por veterinários para levantamento de laudos que podem constatar os danos físicos e psicológicos causados por terríveis experiências ao longo dos últimos dois meses. A ativista independente Gabriela Vasconcelos de Paula deixou Belo Horizonte especialmente para ir à Viçosa resgatar Leônidas e Alôncio: “Fui a última a chegar e só restavam eles. Minha motivação não foi simplesmente adotar, mas tirá-los daquele inferno e dar amor. Leônidas tinha lesões nos olhos e quase não enxergava, além das incisões na perna. Alôncio também tem irritação nos olhos e está mais prostrado. Não possuem nenhum impulso de agressividade e são muito dóceis, mas se assustam ao menor ruído ou movimento”.

Ela conta que ambos estão comendo e bebendo normalmente: “Deu para perceber que ficaram muito felizes quando os resgatamos e essa felicidade deles foi uma coisa emocionante. No entanto, passaram por um trauma muito grande e precisarão de muito carinho e tratamentos veterinários”.

Leônidas ficou com lesões dos olhos, além das incisões em uma das patas, o que sugere que pode ter sido submetido a mais de uma experimento ao mesmo tempo. Descrição: Close de cão marrom com olho bastante vermelho. Foto: Gabriela Vasconcelos
Leônidas ficou com lesões dos olhos, além das incisões em uma das patas, o que sugere que pode ter sido submetido a mais de uma experimento ao mesmo tempo. Descrição: Close de cão marrom com olho bastante vermelho. Foto: Gabriela Vasconcelos

Beatriz Silva, da ONG Bendita Adoção, também notou muito medo em Felipe e Átila, sobreviventes que estão sob sua guarda: “Só de ligar a mangueira ou ver uma vassoura eles urinam. Se alguém fala alto perto deles também se assustam. Não quero imaginar o horror que passaram para ter tanto medo assim. Mas o dia do resgate foi o primeiro do resto de nossas vidas juntos. Adeus sofrimento! Que a tortura do Instituto Royal e em Viçosa sirva de exemplo para isso terminar”, comenta.

Francisco José Mendes Duarte, da Sovipa – Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais, ficou com o cão Doug e diz que ele passa bem e se mostra animado apesar das sequelas. Doug também passará por um minucioso exame de saúde. Francisco vem lutando pela adoção de Doug desde que o cão foi retirado do CCZ para ser inserido nas pesquisas e estava disposto a levá-lo para casa independente do seu estado de saúde. Ele contou como foi rever o Doug em outra matéria da ANDA.

Alôncio é muito dócil, mas está muito traumatizado e se assusta fácil. Descrição: Cão marrom claro de aparência jovem, de pé, mostra irritação nos olhos. Foto: Andressa Antunes
Alôncio é muito dócil, mas está muito traumatizado e se assusta fácil. Descrição: Cão marrom claro de aparência jovem, de pé, mostra irritação nos olhos. Foto: Andressa Antunes

Vicente Define, da Cão Sem Dono, conta que a ONG enviou três carros de SP para Viçosa para pegar os oito animais que já estão em um sítio de Itapecerica da Serra: “Quando a Sovipa nos contatou a ideia era retirar os cães de Viçosa temendo que pudessem ser recuperados depois pela UFV. Então aceitamos o desafio e criamos um grupo no whats app com essa finalidade”. A Cão Sem Dono pretende lançar campanha anti-vivissecção com a ajuda dos sobreviventes da UFV. Nos EUA, por exemplo, um cão e uma gata que sobreviveram à câmara de gás, que até hoje funciona naquele país para controle animal, viraram símbolo da luta contra esse cruel método e fazem campanhas em diversas cidades.

A Cão Sem Dono também investirá em acupuntura e tratamentos alternativos, além dos tradicionais, mas já tem sob sua guarda 315 animais, então está pedindo ajuda para enfrentar o longo processo de recuperação dos oito sobreviventes. Para ajudar acesse o facebook da ONG.

Felipe e Atila quando ainda estavam no canil da UFV. Descrição: Dois cães marrons de porte médio olham para a câmera. Foto: Divulgação
Felipe e Atila quando ainda estavam no canil da UFV. Descrição: Dois cães marrons de porte médio olham para a câmera. Foto: Divulgação

A posição da UFV

Em nota pública e também em entrevista cedida ao G1 a UFV declarou que tem feito todos os testes dentro das normas e que buscará punição judicial a todos que caluniaram a universidade dizendo que os animais foram maltratados. É verdade que a UFV teve permissão para essas pesquisas por Orgãos criados para isso como CNPq, mas dizer que os animais não sofreram é bastante fora da realidade. Não existe vivissecção sem dor ou angústia, e muito menos sem sequelas graves – essa matéria relata apenas algumas.

Inclusive, em 2013, uma matéria do Estado de Minas já contava a história de alunas de universidades mineiras que abandonaram o curso de Veterinária devido as aulas práticas onde podiam ver claramente o sofrimento das cobaias.

Então, a pergunta que fica para a UFV e outras universidades que insistem em métodos arcaicos é: por que não se modernizar e investir em pesquisas que não incluem o uso de cobaias? Quantos jovens poderiam se tornar excelentes veterinários e não o fazem por não encontrarem nas universidades uma ciência mais ética e moderna?

Ao deixar a UFV cão demonstra tranquilidade. É como se soubesse que estava sendo salvo. Descrição: Cão preto com patinhas brancas, de médio porte, de pé, deixando a UFV com um dos protetores. Foto: Cão Sem Dono
Ao deixar a UFV cão demonstra tranquilidade. É como se soubesse que estava sendo salvo. Descrição: Cão preto com patinhas brancas, de médio porte, de pé, deixando a UFV com um dos protetores. Foto: Cão Sem Dono

A UFV está perdendo uma grande oportunidade de adotar, perante seus alunos e público, uma postura ligada à Nova Ciência. A partir desse caso que tem comovido o Brasil e já atravessa as fronteiras do país, mais sensato seria a UFV se dispor a uma discussão em torno do assunto visando conhecer métodos alternativos – e são muitos! Tratamentos de certas doenças podem, por exemplo, ser testados em animais que realmente possuem essas enfermidades tornando-se pacientes e não cobaias.

A UFV está diante de uma grande chance de reconhecer o anseio popular e de seus futuros alunos, e fazer algo a respeito. Uma entidade com quase 90 anos de idade deveria estar madura o suficiente para não temer o novo e acolher novas ideias mais condizentes com o mundo contemporâneo. Não é hora de ameaçar alunos, professores, protetores ou pessoas que discordam de seus métodos de ensino. É hora de se modernizar – o que serve também para Orgãos reguladores e financiadores dessas pesquisas. E é hora também da mídia em geral tirar esse assunto do porão e dar a devida importância as inovações para evitar esse sofrimento da vivissecção que é um dos mais terríveis e, lamentavelmente, persistente em pleno século XXI.

O Brasil tem, por exemplo, um pesquisador ganhador do prêmio internacional Lush Prize concedido para pesquisas científicas sem uso de cobaias. É o biólogo formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Róber Bachinski. O biólogo e pesquisador Sérgio Greif é outra fonte de conhecimento para universidades dispostas a adotar uma postura científica moderna. Veja o que ele diz sobre essas experiências em recente entrevista à ANDA.

Os cães passarão por exames minuciosos para avaliação completa de sua saúde. Descrição: Cão de aparência bem jovem, branco e marrom e claro e olhar meigo olha para a câmera. Foto: Cão Sem Dono
Os cães passarão por exames minuciosos para avaliação completa de sua saúde. Descrição: Cão de aparência bem jovem, branco e marrom e claro e olhar meigo olha para a câmera. Foto: Cão Sem Dono

Para conhecer as pesquisas da UFV com animais

A veterinária Andrea Pacheco Batista Borges é a líder das pesquisas da UFV no campo veterinário. Há 15 anos ela realiza experimentos com animais vivos na universidade. As pesquisas atuais e que estão autorizadas para os próximos meses, novamente com uso de cobaias, somam o valor de R$ 584.042,80 em financiamento por Orgãos públicos e empresas privadas. A consulta desses projetos é pública e na descrição (curiosamente bastante sucinta) dos mesmos cita-se a utilização de cães SRD. Esses 16 cães, por exemplo, foram retirados do CCZ de Viçosa onde gozavam de plena saúde e aguardavam adoção. Todas as 94 pesquisas de Andrea, datadas desde 2000, com sua breve descrição e valor do financiamento, podem ser acessadas no link.

Escreva para mídia e CNPq

Uma forma de ajudar que mais animais sejam libertados do martírio da vivissecção é escrevendo para veículos de comunicação e pedindo que o assunto seja abordado com especialistas que podem apontar métodos alternativos e universidades que já se modernizaram no Brasil e exterior. Pedir uma postura mais moderna do CNPq também é importante. O Orgão costuma dizer que dá preferência a pesquisas com métodos alternativos se eles puderem ser adotados. Alguns e-mails:
http://www.cnpq.br/web/guest/fale-conosco
pautas@mg.rederecord.com.br
jornalismo@alterosa.com.br (TV SBT)
producaobh@alterosa.com.br
horizontenoticia@tvhorizonte.com.br
redetvmg@gmail.com
fantastico@redeglobo.com.br

Cão recebe carinho e curte a grama ao sair a UFV. Descrição: Cão branco e marrom deitado confortavelmente num gramado recebe afago de duas pessoas. Foto: Cão Sem Dono
Cão recebe carinho e curte a grama ao sair a UFV. Descrição: Cão branco e marrom deitado confortavelmente num gramado recebe afago de duas pessoas. Foto: Cão Sem Dono

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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Veja como foi hoje o resgate dos cães de Viçosa

Resgate de 15 cães feitos de cobaias foi realizado na tarde do dia 4 de dezembro. Descrição: Foto reunindo os rostos de todos os cães mantidos em experiências até a tarde de hoje. Foto: ONG Cão Sem Dono
Resgate de 15 cães feitos de cobaias foi realizado na tarde do dia 4 de dezembro. Descrição: Foto reunindo os rostos de todos os cães mantidos em experiências até a tarde de hoje. Foto: ONG Cão Sem Dono

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Salvos pelo gongo! Por um triz! Em mais alguns dias, talvez horas, todos os 15 cães que estavam na UFV – Universidade Federal de Viçosa (MG) teriam sido mortos porque constava da pesquisa induzí-los à morte ao final do experimento de dois meses. Depois de quase vencido esse prazo de dolorosas experiências que implicavam, inclusive, em cirurgias nas patas, os cães foram finalmente adotados na tarde de hoje por protetores locais e de SP.

Entre os adotantes, um dos mais radiantes era o historiador Francisco José Mendes Duarte que manifestou seu desejo de adotar um dos cães, de nome Doug, meses atrás. Já passava das 18h desta sexta-feira, quando Francisco contou diretamente da porta da UFV: “Estamos retirando os últimos dois cães agora e correu tudo bem. Foi demorado, levou o dia todo por questões burocráticas. Alguns cães estão mais quietinhos que outros, mas todos aceitaram nossa presença e carinho. Todos estão com pequenas incisões nas patas e sabemos que serão animais que precisarão de tratamento, pois, embora fossem saudáveis, agora estão com lesões e doenças causadas pela pesquisa”. Francisco não via a hora de levar Doug para casa: “Ele já foi tomar banho e depois vamos juntos para minha casa. Ele vai receber comida e carinho. Estou muito feliz”.

Cão recém-resgatado da UFV pela ONG Cão Sem Dono que será levado para SP. Descrição: Imagem mostra cão de cor caramelada esfregando as costas na grama logo depois de ser retirado da UFV. Foto: ONG Cão Sem Dono
Cão recém-resgatado da UFV pela ONG Cão Sem Dono que será levado para SP. Descrição: Imagem mostra cão de cor caramelada esfregando as costas na grama logo depois de ser retirado da UFV. Foto: ONG Cão Sem Dono

Inicialmente pensou-se que eram 16 cães saudáveis do CCZ de Viçosa para as pesquisas, mas segundo um dos protetores, um deles conseguiu ser adotado antes de entrar nas sessões de tortura. O resgate foi possível graças a uma ordem judicial expedida no dia 3 de dezembro pelo juiz federal Gustavo Moreira Mazzilli. Ele determinou que os cães fossem imediatamente colocados à disposição das ONGs interessadas em adotá-los, incluindo os em precário estado de saúde – o que era esperado depois de experiências tão invasivas. Veja matéria completa da ANDA largamente curtida e compartilhada.

A Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (Sovipa) e outras ONGs como a Cão Sem Dono e Bendita Adoção se prontificaram a ficar com parte dos cães. A Cão Sem Dono está, nesse momento, levando oito dos cães de Viçosa para SP. Eles serão devidamente examinados para se ter uma ideia dos prejuízos causados pelas experiências que, segundo uma das participantes da pesquisa, Emily Correa Carlo Reis, são danos permanentes e irreversíveis nas patas. Depois disso serão colocados para adoção.

O que dizem os especialistas

As demais pesquisas da UFV em andamento, cuja líder é a veterinária Andrea Pacheco Batista Borges, que há 15 anos realiza experimentos com animais vivos na universidade, somam o valor de R$ 584.042,80 em financiamento por Órgãos públicos e empresas privadas. A consulta desses projetos é pública e na descrição dos mesmos cita-se a utilização de cães SRD.

Procurado pela ANDA, Sérgio Greif, um dos pesquisadores e ativistas da causa animal mais respeitados do Brasil, comentou: “As pesquisas consistem, basicamente, de procedimentos dolorosos que visam induzir em animais saudáveis sintomas de doenças que eles possivelmente jamais poderiam ter naturalmente, para realizar procedimentos desnecessários que poderiam ser verificados em animais que realmente padecem dessas doenças ou mesmo mediante simulações in vitro”.

Cães em momento em que ainda estavam dentro da UFV sendo submetidos à pesquisa. Descrição: Cão pequeno e marrom ao lado de outro de porte grande e marrom claro no qual se pode ver patas raspadas e incisão. Foto: Divulgação
Cães em momento em que ainda estavam dentro da UFV sendo submetidos à pesquisa. Descrição: Cão pequeno e marrom ao lado de outro de porte grande e marrom claro no qual se pode ver patas raspadas e incisão. Foto: Divulgação

Ele explica também que a displasia coxofemoral, alvo de uma das pesquisas, é uma doença genética, com prevalência sobretudo em cães de raça cuja variação genética é pequena e cães de grande porte com tendência à obesidade: “ Os cães recolhidos do CCZ de Viçosa não possuem displasia coxofemoral, são cães com grande variação genética, geralmente de porte médio ou pequeno, e pouquíssima massa gorda. Não há nenhuma justificativa técnica para seu uso em pesquisas dessa natureza”.

“Se estamos lidando com uma doença hereditária, com alta prevalência em cães de raças grandes, porque não utilizar esta população para a realização dos procedimentos? Esses cães não seriam assim cobaias de laboratório, mas pacientes reais sofrendo procedimentos experimentais cujo objetivo seria seu próprio benefício. Nada mais óbvio”, diz o pesquisador.

Daniela Lopes, veterinária homeopata e especialista em Saúde Quântica aplicada aos Animais, conhecida também como “Medicina do Futuro”, é categórica: “Sou contra o sofrimento sob qualquer alegação científica”. Daniela comenta que já existem inúmeras métodos substitutivos eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área. “Isso sem falar dos modernos processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, que vêm sendo muito bem utilizados por pesquisadores brasileiros. Existem culturas de tecidos, provenientes de biópsia, cordões umbilicais ou placentas descartadas que dispensam o uso de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem”.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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Abaixo assinado pede fim da exploração de cães saudáveis do Canil Municipal de Viçosa em experimentos

Por Vanessa Serrão (da Redação)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Apesar de depoimentos, como o divulgado pela ANDA, do Dr Katy Taylor, Diretor de Ciência da Cruelty Free Internacional: “acreditamos que as informações realmente necessárias, para contribuir com os pacientes humanos, podem ser derivadas de métodos alternativos, que não envolvam animais, tais como estudos éticos em voluntários humanos e experiências inovadoras que envolvam tecidos e células humanas”, há uma denúncia que Universidade Federal de Viçosa estaria explorando cães saudáveis do canil municipal da cidade.

Segundo a Sociedade Viçosense de Proteção Animal (SOVIPA), o experimento em questão seria um descumprimento ao Termo de Ajustamento Conduta (TAC) assinado entre a universidade e a Prefeitura, que prevê que só poderiam ser submetidos à experiências: “cães que apresentam moléstias significativas e indicativas de zoonoses”.

Os pesquisadores da UFV afirmam que cumprem as normas legais para experimentos conforme o TAC, celebrado pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais em 2009.

Já o MPF/MG só deve se manifestar esta semana. No entanto, já foi feito um abaixo assinado. Confira no link.

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Polícia Ambiental apreende dezenas de animais em Viçosa (AL)

Ao todo, foram 68 pássaros silvestres, um iguana, um macaco prego, uma arara e um tamanduá apreendidos (Foto: Divulgação/BPA)

Uma operação desencadeada nesta segunda-feira (12) apreendeu dezenas de animais silvestres em residência no município de Viçosa, há 86 km de Maceió. Denúncias anônimas levaram o Batalhão da Polícia Ambiental (BPA) aos acusados, que já vinham sendo investigados.

O BPA apurou denúncias de cativeiro e tráfico de animais silvestres e em sete endereços diferentes, todos localizados no município de Viçosa. Os crimes ambientais foram flagrados e acusados, pegos em flagrantes, responderam processos administrativos.

(Foto: Miguel Góes)

De acordo com o tenente Anderson Barros, do BPA, o saldo da operação foram 68 aves silvestres apreendidas, uma arara vermelha, um tamanduá, um macaco prego e um iguana.

Todos os animais apreendidos foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado no Ibama/AL. De acordo com o chefe do Cetas, o veterinário Marius Bellucci, as aves chegaram ao órgão por volta das 18 horas e todas foram catalogadas e passaram por inspeção.

Marius Bellucci, veterinário e chefe do Cetas no Ibama/AL (Foto: Miguel Góes)

“Os pássaros, como se trata de animal para tráfico, estão bem machucados. Elas vão passar por um período de quarentena, nos viveiros daqui, para se adaptar com o espaço, já que viviam em gaiolas, e depois serão soltas na natureza”, explicou Marius.

De acordo com Bellucci, a situação do macaco prego e da arara é mais complicada e impossibilitam os animais de retornarem os seus habitats naturais.

“O macaco prego é uma animal muito idoso. Segundo nos passaram, ela já tem 35 anos, eu não sei dizer se ele chega a essa idade, mas ele é bem velho mesmo”, explicou o veterinário. “A arara dificilmente retornará a seu habitat natural, pois ela passou muito tempo em uma jaula pequena e suas asas não funcionam mais”, lamentou. “A situação do Iguana é melhor. Apesar de ele ter sido encontrado amarrado pela cintura e escondida pelo meio dos entulhos, ela está em bom estado e será solta”, disse Marius.

Macaco prego apreendidos é idoso e não pode ser reintroduzido na natureza (Foto: Miguel Góes)
A arara passou tanto tempo presa em uma gaiola que suas asas atrofiaram e ela não voa mais (Foto: Miguel Góes)

Fato Inusitado

O tamanduá que foi apreendido durante essa operação também foi encaminhado para o Ibama/AL e passou por avaliação e por gozar de ótimo estado de saúde, seria reintroduzido na natureza pelos técnicos do órgão, mas o animal não quis esperar e fugiu de umas das jaulas do Cetas e sumiu, adentrando na reserva de mata atlântica existente no Ibama/AL.

“O tamanduá passou por avaliação e estava muito bem. Nós o colocamos na jaula e fomos cuidar dos outros animais. Ele aproveitou, conseguiu arrombar a jaula, abriu a janelinha e fugiu. Como nos contamos com uma reservar de mais de 55 mil hectares e ele estava em perfeita saúde, não há problema, agora ele já está em seu habitat natural”, disse Bellucci.

Fonte: Primeira Edição

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Estudantes de Medicina Veterinária realizam atendimentos à animais no pátio da Reitoria

Os estudantes do curso de medicina veterinária da Universidade Federal de Alagoas, campus Viçosa, estão acampados na reitoria desde a última terça-feira, 22. Eles protestam contra a falta de salas, laboratórios e do hospital veterinário.

Estudantes atendem animais na porta da Reitoria da UFAL. Foto: Fran Ribeiro

Nesta sexta-feira, 25, eles começaram o atendimento aos animais, através de um hospital improvisado no pátio da Reitoria. “O hospital veterinário improvisado aqui, funciona da mesma forma lá em Viçosa. Não temos a mínima condição de estrutura para a nossa educação e para realizar atendimentos para a sociedade”, explica o estudante Cícero Fernandes de 18 anos.

“O material que temos para fazer atendimento é fruto da doação dos professores. Até a água que bebemos é paga pelos professores. Água fornecida pela universidade é só uma vez por semana. Quando acaba, ficamos com sede”. Revela o estudante. A ocupação, que não tem prazo para terminar, é uma forma que os estudantes do curso encontraram para chamar a atenção da reitora Ana Dayse Dórea sobre os problemas que o curso enfrenta.

Implantado há cinco anos e com a primeira turma prestes a se formar, os alunos não contam com a estrutura mínima para assegurar uma formação de qualidade. No campus em Viçosa, faltam salas, laboratórios, livros e o hospital veterinário, principal reivindicação do protesto.

“Há um ano a Reitoria e a empresa Cartol tem o contrato para a construção do hospital. Mas até agora, nem o alicerce foi feito. A empresa diz que falta o projeto arquitetônico que seria de responsabilidade da Reitoria, que diz que o projeto deveria ser da Cartol”, declara Cícero. Ainda de acordo com os estudantes, a reitoria entregou o pedido de rescisão de contrato para a empresa, que deve se posicionar em um prazo de cinco dias.

Acampamento na Reitoria. Sem prazo para terminar. Foto: Fran ribeiro

“O que nós queremos é que os prazos sejam cumpridos. É dever da universidade garantir a nossa qualidade de formação. Esse protesto é para chamar a atenção das pessoas, que pagam os impostos em dia. Estamos estudando graças a eles, e vamos retribuir isso como profissionais. Mas para isso, devemos nos formar com dignidade”, concluiu o estudante.

Na segunda-feira, 28, os estudantes de medicina veterinária se reunirão com os representantes do Conselho Universitário, CONSUNI, e esperam que medidas e prazos oficiais para os problemas sejam apresentados.

Fonte: Primeira Edição

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