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Cartilha mostra como peixes semeiam árvores em floresta alagada no Pará

O papel dos peixes como agentes dispersores de sementes nas florestas alagadas. Este, pode-se dizer, é o principal teor de uma cartilha, de 26 páginas, projeto apoiado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Estação Científica Ferreira Penna e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), e financiada pela Fundação o Boticário de Proteção à Natureza.  

Aliás, a base do estudo ocorreu na Floresta Nacional de Caxiuanã, unidade de conservação (UC) criada em 1961, que fica a 400 quilômetros a Oeste de Belém. Ocupa uma área de 324. 060 hectares e está localizada entre os rios Xingu e Tocantins. É lá que está instalada a Estação Científica Ferreira Penna do Museu Paraense Emílio Goeldi, criada em 1993 com o objetivo de apoiar programas de pesquisa nacionais e internacionais.

A ideia da cartilha – que pontua ainda os vários tipos de dispersão existentes, como a barocoria (dispersão causada pela força da gravidade), anemocoria (pelo vento), e hidrocória (ação das águas) – foi focar-se mais na dispersão por animais (zoocoria), com a intenção de sensibilizar a população ribeirinha sobre a importância da relação dos peixes com as vegetações de várzeas e igapó, além de explicar o que é uma Floresta Nacional (Flona) e a importância das florestas alagadas.

A cartilha apresenta o peixe cachorro-de-padre (Auchenipterichthys longimanus), que foi analisado como possível dispersor de sementes de ucuúba (Virola surinamensis), árvore que chega a uma altura de até 40 metros e é de grande importância econômica e ecológica na região amazônica.

De acordo com a pesquisa, foram coletadas 71 sementes do estômago de 47 cachorros-de-padre, e 106 das árvores de ucuúba. Foram registradas germinação em 69% das sementes retiradas dos estômagos. Essa constatação demonstrou que os frutos ingeridos pelos peixes não perdem a capacidade de germinação das sementes.

Fruto do projeto “Ictiocoria de Virola spp. por Auchenipterichthys longimanus (Siluriformes: Auchenipteridae) em igarapés da Amazônia Oriental, implicações para o manejo e conservação de áreas ripárias”, a cartilha Os peixes e as Florestas Alagadas de Caxiuanã foi organizada em co-autoria por Tiago da Silva Freitas, Bruno Prudente, Vitor da Consolação Almeida e Luciano Montag, pesquisadores da UFPA.

Com ilustrações de Almir Inada, a publicação explica ainda a importância de alguns peixes na dispersão de sementes, entre eles, o tambaqui (Colossoma macropomum), os pacus (Myleus spp. e Mylossoma spp), além de alguns bagres, como os bacus (Megalodoras spp. e Lithodoras dorsalis) e os mandis (Pimelodus spp. ). A cartilha está disponível em PDF e pode ser obtida por solicitação ao e-mail do primeiro autor, Tiago Magalhães da Silva Freitas (freitastms@gmail.com).

Fonte: EPTV

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