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Unidades de conservação recebem projeto de Richard Rasmussen, biólogo multado por crimes ambientais

Foto: Vandré Fonseca | O Eco

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) permitiu que o biólogo e apresentador Richard Rasmussen, um dos mais autuados por crimes ambientais pelo Ibama, envolvesse as Unidades de Conservação (UCs) no Projeto Brasil Biomas, idealizado por ele. A parceria firmada com Rasmussen foi divulgada no site oficial do órgão.

Aparelhado pelo presidente Jair Bolsonaro, o ICMBio se transformou em um órgão chefiado por militares que atendem aos interesses da Presidência da República. A proteção ao meio ambiente, que deveria ser o foco do órgão ambiental, passou a ser ignorada.

Conhecido por manusear animais de maneira antiética para ganhar visibilidade e se promover, Rasmussen é a cara do governo Bolsonaro. Travestido de bom profissional, carregando sobre si o título de biólogo, ele representa exatamente a imagem desejada pelo presidente: a de quem se preocupa com a natureza, mas nos bastidores a desrespeita. Exatamente como age Bolsonaro, que vez ou outra diz que o meio ambiente deve ser preservado apenas para tentar enganar aqueles que não se informam a respeito dos retrocessos promovidos pelo governante que, entre tantas outras questões, chegou a criar um órgão para perdoar multas ambientais.

E de infrações ambientais Rasmussen entende. Há anos, a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) denuncia o comportamento criminoso do biólogo – que começou a lidar com animais silvestres quando ainda era apenas economista e estudou biologia após receber críticas. Em entrevista concedida ao jornal Estado de Minas, em 2011, o biólogo Valter Barrela, professor de ecologia da PUC-SP, criticou as atitudes de Rasmussen, conhecido por estressar animais para que eles se defendam e essa defesa seja registrada em imagens.

“Isso acarreta estresse aos animais. Mas ele (Richard) tem de fazer o showzinho dele. Se não incomodar o animal, não vai ter audiência”, disse Barrela.

As gravações eram televisionadas pelo SBT, no programa Aventura Selvagem, apresentado por Rasmussen. Em um dos tantos casos de maus-tratos cometidos por ele contra os animais, o biólogo cutucou um inofensivo filhote de jararaca que dormia no Parque Nacional das Emas, em Goiás. A reação do animal, que deu o bote para se defender, foi registrada. Na TV, a cobra foi exibida como violenta e perigosa, mas apenas se defendeu de um incômodo desnecessário gerado por Rasmussen em troca de audiência e lucro. O biólogo também é acusado de matar um boto para forjar uma denúncia. 

Como se não bastasse todo o histórico do apresentador – incluindo crimes ambientais como cativeiro ilegal com animais silvestres e exóticos sem origem comprovada -, mais animais podem sofrer nas mãos dele, além da própria natureza, que impactada negativamente agora que o biólogo recebeu passe livre em relação às Unidades de Conservação.

Através das redes sociais, a entidade AMPARA Silvestre criticou a decisão do ICMBio e lembrou que entregar as UCs nas mãos de Rasmussen é como premiar um criminoso ambiental pelos crimes que cometeu.

“As 46 unidades de conservação federais, que estão sob a responsabilidade do ICMBio, farão parte do Projeto Brasil Biomas, uma série de programas que será veiculada na TV Cultura e nas suas mídias sociais, que mostrarão a riqueza da biodiversidade de todos os biomas brasileiros: Pampas, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Amazônia e bioma Marinho-Costeiro”, escreveu a ONG no Instagram.

“A iniciativa seria louvável se os programas não fossem apresentados pelo biólogo Richard Rasmussen, reconhecido pela forma antiética no manejo de fauna, e um grande colecionador de multas ambientais, como o de cativeiro ilegal (com animais silvestres e exóticos sem origem comprovada), entre outros”, completou.

A AMPARA Silvestre lembrou ainda que o biólogo integra a lista dos mais autuados pelo Ibama. “Ou seja, neste governo, criminoso tem acesso LIVRE às Unidades de Conservação”, reforçou.

A indicação de Rasmussen como embaixador do turismo do governo federal, o que também é completamente questionável e controverso por conta do histórico do biólogo, também foi recordada pela ONG, que continuou a fazer críticas.

“Como se não bastasse ser indicado como embaixador do turismo, a antítese do que prezamos para tal cargo, agora Rasmussen recebe mais um privilégio como prêmio por seu mau comportamento. ‘Nada é tão ruim que não possa piorar’.”, concluiu.

Além da problemática relacionada ao envolvimento do biólogo neste projeto, a decisão do ICMBio, alinhada aos interesses do governo federal, expõe ainda mais o objetivo de Bolsonaro de fingir se preocupar com a natureza enquanto a devasta. Isso porque, ao mesmo tempo em que falará sobre preservação ambiental na televisão, o governo seguirá com seu projeto de desmonte ambiental, que já garantiu à Amazônia o maior desmatamento dos últimos 10 anos.


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ICMBio exonera chefes de UCs responsáveis por proteger o mico-leão-dourado

NadineDoerle/Pixabay

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), aparelhado pelo governo, que colocou militares na chefia do órgão, exonerou todos os chefes de Unidades de Conservação (UCs) federais que trabalhavam para preservar o habitat do mico-leão-dourado, como forma de proteger a espécie, que está ameaçada de extinção.

Com a saída desses profissionais, os micos ficam mais expostos à ação de desmatadores e a espécie corre risco ainda maior de desaparecer por completo.

As exonerações dos gestores das reservas biológicas da União e Poço das Antas e da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado representam um retrocesso. Conforme divulgado pelo portal O Eco, essa ação representa risco eminente aos animais, já que esses locais são os últimos refúgios da espécie.

A Associação Mico-Leão-Dourado revelou que esses animais sobrevivem em fragmentos florestais de Mata Atlântica no interior do estado do Rio de Janeiro. O secretário-executivo da associação, Luís Paulo Ferraz, lamentou as exonerações.

“É super preocupante [as exonerações] porque abrangem praticamente toda a área remanescente de ocorrência do mico-leão-dourado. E dentro de um processo em que não houve discussão com ninguém. A Associação faz parte do Conselho das duas reservas biológicas e ninguém estava sabendo das exonerações”, disse.

Suspeita-se que as exonerações estejam relacionadas à antecipação da criação do Núcleo de Gestão Integrada de Rio das Ostras, que reuniria, sob a mesma tutela, essas UCs que perderam seus chefes, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba e a Reserva Extrativista (Resex) Marinha do Arraial do Cabo.

Para Ferraz, fazer todas essas UCs atuarem de maneira conjunta não é adequado, porque cada uma delas têm demandas distintas.

“É um processo que não foi discutido com ninguém, com uma canetada exoneraram os chefes das unidades, sem colocar nada no lugar e sinalizando a criação de um Núcleo de Gestão Integrada com unidades que não tem nenhuma afinidade, nem proximidade física nem afinidade ambiental”.

O novo modelo de gestão idealizado pelo ICMBio também é criticado pela bióloga Rita Portela, chefe do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“As duas Rebios e a APA tudo bem, são próximas, acho que não há tantos riscos unificá-las numa única chefia, mas juntar com o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, que é outra categoria de unidade de conservação e precisa de uma pessoa que saiba lidar com uso público e que é um ecossistema completamente diferente, de restinga; e com a Resex Arraial do Cabo, que é marinha. São unidades de conservação muito diferentes e é muito difícil uma única pessoa que consiga gerir esses ambientes e ecossistemas tão diferentes e com propósitos tão distintos”, explicou.

O secretário-executivo da Associação Mico-Leão-Dourado critica ainda a reforma administrativa, feita sem participação de especialistas envolvidos em projetos de pesquisa nas reservas.

“É uma insanidade que coloca em risco vários esforços de conservação, de pesquisa, e para o programa de conservação do mico-leão-dourado isso é uma ameaça gravíssima”, concluiu.


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Atlas pretende ser instrumento de proteção de animais ameaçados de extinção

Peixe-boi e várias espécies de grandes felinos, como onça-pinta, jaguatirica e onça-preta da Amazônia estão na lista ameaçadas de extinção

A divulgação do Atlas da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção deve ser um instrumento de aprimoramento de políticas públicas para a proteção dessas espécies.

Lançado na última segunda-feira (11), o atlas foi organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Onça é uma das espécies da Amazônia ameaçadas de extinção citada no Atlas elaborado pelo ICMBio. Foto: Antônio Lima

Ivan Campos, analista ambiental e um dos coordenadores do atlas, disse ao acritica.com, que esta foi a primeira vez que o ICMBio elaborou um panorama da fauna ameaçada de extinção que vive nas áreas de unidade de conservação federal no país.

“Essa compilação é para avaliar as espécies ameaçadas para que a gente tenha um balanço e um maior conhecimento. Saber se as nossas UCs estão protegendo as espécies ameaçadas ou não. A ideia é aprimorar o levantamento. A meta do governo é proteger essas espécies”, disse Campos.

O trabalho do ICMBio constatou que das 627 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, 313 tem presença em unidades de conservação federais.

Somente na Amazônia, das 57 ameaçadas de extinção, 31 estão unidades de conservação.

No Amazonas, são 12 espécies ameaçadas de extinção que vivem em 41 UCs federais.

A espécie mais ameaçada é o peixe-boi, seguida de várias espécies felinas, como gato-do-mato, maracacará, onça-pintada, onça-preta, jaguatirica e onça-canguçu. Também está nesta lista o cachorro-do-mato-vinagre, cachorro-vinagre e ariranha.

Conforme Campos, a próxima etapa do trabalho é englobar todas as espécies de unidade de conservação e verificar se as populações dentro delas são “viáveis”, ou seja, têm chances de continuar sobrevivendo.

Extinção

Ele destacou que nem todas as espécies ameaçadas de extinção estão em UCs e estas, por causa desta condição, têm mais chance de serem extintas. Campos deu como exemplo o sauim-de-coleira, espécie de primata que vive na zona urbana de Manaus.

No texto de conclusão do atlas, um dos objetivos do levantamento é “dar subsídio para discussões ao redor dos grandes empreendimentos propostos no país e seus possíveis impactos sobre esta fauna ameaçada aqui abordada, tema fundamental para um planejamento de desenvolvimento mais sustentável que garanta a conservação da biodiversidade para as futuras gerações”.

Fonte: A Crítica

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Filhote de gato-do-mato é encontrado em Bento Gonçalves e levado a um zoológico

Um filhote de gato-do-mato foi encontrado por uma moradora de Bento Gonçalves na última segunda-feira (05). O animal estava na RS-444, entre Monte Belo do Sul e Bento Gonçalves (RS).

Funcionários da Associação Bento-Gonçalvense de Proteção ao Ambiente Natural (Abepan) prestaram os primeiros cuidados. Lá, o filhote foi alimentado.

“Ele estava bem fraquinho”, diz Luiz Augusto Signor, presidente da entidade.

O gato-do-mato foi então encaminhado ao zoológico da Universidade de Caxias do Sul (UCS). A espécie está ameaçada de extinção.

O filhote recebeu cuidados na Abepan (Foto: Paulo Roberto de Paula )
O filhote recebeu cuidados na Abepan (Foto: Paulo Roberto de Paula )

Fonte: Pioneiro

Nota da Redação: Com a destruição dos habitats pelas mãos humanas, os casos de animais silvestres encontrados no meio das cidades crescem a cada dia. No entanto, as pessoas ainda não estão preparadas ainda para lidar com esse assunto. Confinar o gato-do-mato em um zoológico não é uma solução que respeite o animal, já que este não é o habitat do animal. O que é preciso é realizar um trabalho consciente e responsável para reintroduzi-lo à natureza.

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Quati é resgatado em Caxias do Sul (RS)

Foto: CRISTOFER GIACOMET

Um quati foi resgatado nesta terça-feira (6), por volta de meio-dia,  no bairro Ana Rech de Caxias do Sul (RS). O animal silvestre foi encontrado no Travessão Pedro Américo, no leito da via. Em meio ao movimento, ele corria o risco de ser atropelado. O resgate foi feito por técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

O quati foi encaminhado para o zoológico da Universidade de Caxias do Sul (UCS), onde será examinado por um médico veterinário. Se estiver ferido, o quati receberá tratamento, antes de ser devolvido ao seu habitat natural.

O animal está na lista de espécies em risco de extinção.

Fonte: Pioneiro

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