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Voluntários colocam abrigos para morcegos em árvores em Parque de Portugal

Voluntários  estão instalando abrigos de madeira em árvores para acolher morcegos no Parque Natural do Alvão (PNA), uma iniciativa que ocorre devido à diminuição de floresta velha, com troncos ocos e cavidades onde usualmente estes mamíferos se escondem.

O técnico de ecologia aplicada Luís Braz disse hoje à Agência Lusa que, por causa dos incêndios e da ação humana, o número de árvores velhas tem regredido na área do PNA, levando também à diminuição dos abrigos dos morcegos arborícolas.

Preocupado com esta situação, o parque, conjuntamente com o Núcleo de Estudo e Proteção do Ambiente (NEPA), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), começou a construir caixas de madeira que visam melhorar as condições de habitat desses mamíferos.

Fonte: DN

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Saiba mais sobre o pica-pau, o carpinteiro da mata

Pica-Pau de Banda Branca. (Imagem: Rudimar Narciso Cipriani/EPTV)
Pica-Pau de Banda Branca. (Imagem: Rudimar Narciso Cipriani/EPTV)

Quem não se lembra do desenho animado do pica-pau? Difícil encontrar alguém que já não tenha rido muito com esse personagem, criado por Walter Lanz na década de 1940.

O desenho divertido, porém, mostrava muito pouco do comportamento da ave, ou quase nada. E o pica-pau de verdade, ou melhor, as cerca de 180 espécies de aves que chamamos por esse nome têm muitas capacidades e habilidades dignas de serem notadas, exibindo comportamentos naturais bastante curiosos.

O nome popular pica-pau cai como uma luva a todas essas aves. Sua principal ferramenta para sobreviver é o bico extremamente resistente, usado para martelar e picar a madeira do tronco das árvores à procura de insetos.

Dotados de músculos fortes no pescoço, os pica-paus têm até uma proteção no cérebro, para suportarem a trepidação. Sem isso não aguentariam bater com o bico na madeira mais de 100 vezes por minuto, sem ficarem zonzos.

Os ossos entre o bico e o crânio não são contínuos e sim ligados por um tecido esponjoso, capaz de absorver os impactos e, assim, evitar danos cerebrais. A audição muito sensível é utilizada para detectar o ruído de insetos escondidos sob a madeira.

Outra estratégia é utilizar o bico como uma sonda: o som das batidas revela se o ramo ou tronco são ocos e, assim, a provável localização dos insetos. Uma vez aberta uma fenda no tronco ou ramo, os pica-paus utilizam a língua – que pode ser até cinco vezes mais comprida que o bico – para alcançar o alimento no interior da árvore, sejam larvas ou ovos de insetos.

Ao se alimentar, cada pica-pau presta um serviço importante para a floresta ou para cada árvore em particular, ajudando no controle de parasitas.

Imagem: EPTV
Imagem: EPTV

Análises de conteúdo estomacal contaram até 2.093 formigas em um pica-pau-do-campo (Colaptes campestris) e 1.489 cupins de um pica-pau- de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), segundo Helmut Sick, no livro Ornitologia Brasileira.

E esse não é o único serviço prestado pelos pica-paus e seus poderosos bicos. Sua ferramenta fantástica é também usada na construção do ninho.

O casal trabalha em conjunto nessa tarefa. As árvores são escolhidas entre as já mortas, as que tenham resistido a queimadas ou à queda de raios.

E, se o joão-de-barro (Furnarius rufus) pode ser chamado de pedreiro da floresta, o pica-pau é o carpinteiro da mata. Constrói ‘casas’ de madeira não só para si, mas para diversas outras espécies de aves, que se beneficiam das cavidades abandonadas pelos construtores.

Chegam a existir conflitos na disputa por esses abrigos privilegiados. Muitas vezes, espécies como o anambé-branco (Tityra cayana), enchem o ninho do pica-pau com folhas, que são retiradas pelo legítimo proprietário.

Mas o anambé não desiste e vence pela insistência, obrigando o pica-pau a fazer seu ninho em outro lugar. O mais comum, no entanto, é encontrar ninhos abandonados pelos pica-paus sendo utilizados por periquitos, andorinhas, araçaris e outras espécies que não têm a capacidade de cavar troncos.

Imagem: EPTV
Imagem: EPTV

Para executar seu ‘serviço’ no capricho, a maioria dos pica-paus se vale de outra capacidade incomum entre as demais famílias de aves: a de escalar troncos. Graças às patas também muito fortes e com dois dedos para frente e dois para trás, conseguem se agarrar às árvores, mesmo na vertical, fazendo a cauda funcionar como uma alavanca de apoio.

Os pica-paus não se destacam pelo canto, sem harmonia. Soltam seus chamados altos, como gritos. Mas compensam na percussão, ao bater com o bico nos troncos secos, tamborilando em ritmos variados. O ruído produzido é uma forma do indivíduo anunciar o seu território.

Uma das menores espécies brasileiras é o pica-pau-anão-barrado (Picummus cirratus): mede apenas 10 centímetros e pesa pouco mais de 11 gramas. O maior representante da família, no Brasil, é o pica-pau-rei (Campephilus robustus), que tem 36 cm e pesa 200 gramas. Pequenos ou grandes, os pica-paus são mais um exemplo do mundo das aves a nos mostrar que a cooperação entre espécies é mais do que uma lei. É um princípio da natureza.

Os pica-paus de verdade não dão gargalhadas e não nos fazem rir como o do desenho animado. Neles não vamos perceber comportamentos humanos e sim reconhecer mais uma parte da perfeição maior, chamada vida.

Fonte: EPTV

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