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Cão resgatado da guerra por fuzileiro ajuda tutor a superar o estresse pós-traumático

Craig Grossi e Fred enquanto o fuzileiro servia em uma área remota do Afeganistão | Foto: Facebook
Craig Grossi e Fred enquanto o fuzileiro servia em uma área remota do Afeganistão | Foto: Facebook

Um fuzileiro naval norte-americano que resgatou um cachorro em situação de rua que vagava em meio a bombardeios e tiroteios no Afeganistão e o levou escondido para casa, revela como no final foi o animal quem realmente salvou sua vida, ameaçada pelo estresse pós-traumático.

Craig Grossi conta que conheceu seu cão Fred em uma parte remota do país devastado pela guerra, enquanto a força Marine RECON – os soldados de elite do corpo de fuzileiros – estava sob incessantes ataques do Taliban em 2010.

Ele viu o animal “pulando pelo campo de batalha entre os tiroteios”, conforme disse à Fox News, e depois foi ver o cachorro quando os combates cessaram.

Apesar de estar desnutrido e coberto de moscas, Grossi disse à emissora que o cachorro estava abanando o rabo: “Eu pensei assim: ‘Você está brincando comigo? Oras, mas este cachorro não tem nenhum motivo para abanar o rabo’”.

Grossi disse que os primeiros momentos que passou com o cachorro lhe ensinaram a maior mensagem sobre como todos devemos seguir nossas vidas, algo que ele chama de “positividade teimosa”.

Ele deu a Fred um pouco de carne seca e a partir daquele momento o cachorro começou a segui-lo por toda parte.

“Quando nos sentimos completamente justificados para reagir negativamente, xingar, fazer algo desagradável ou apenas tocar a buzina um pouco demais, são exatamente esses os momentos que precisamos procurar lá no fundo e encontrar um motivo para ‘abanar a cauda’” – Grossi disse à Fox.

Depois de voltar do Afeganistão, Grossi voltou a estudar na Universidade de Georgetown, onde escreveu as memórias sobre seu cão | Foto: Facebook
Depois de voltar do Afeganistão, Grossi voltou a estudar na Universidade de Georgetown, onde escreveu as memórias sobre seu cão | Foto: Facebook

Contando com a ajuda de seus companheiros – e quebrando os regulamentos – Grossi levou o cão escondido para dentro do acampamento Leatherneck em uma mochila. Ele conseguiu convencer um veterinário simpático à causa e uma equipe de funcionários da DHL a enviar o cão para os EUA.

Grossi conseguiu que Fred fizesse um voo para sua casa, assim o cachorro chegou são e salvo à residência de sua família na Virgínia, Estados Unidos, quase no Dia de Ação de Graças em 2010, antes mesmo dele próprio retornar.

Quando Grossi voltou para casa ferido descreveu sentir-se “muito revoltado e bastante frustrado”, mas foi Fred quem ajudou a tirá-lo do estresse pós-traumático.

Grossi disse que depois que ele salvou Fred, quando voltou para casa nos Estados Unidos, foi a vez do cachorro salvá-lo | Foto: Facebook
Grossi disse que depois que ele salvou Fred, quando voltou para casa nos Estados Unidos, foi a vez do cachorro salvá-lo | Foto: Facebook

Ele começou a levar o cachorro com ele para todo canto e descobriu que muitas pessoas o paravam e perguntariam qual era a raça de Fred por causa de sua aparência notável e diferente.

No começo, Grossi disse que ignorou o assunto porque não queria falar sobre seu tempo no Afeganistão, mas depois se abriu e descobriu que as pessoas estavam muito interessadas nos dois.

Grossi, que agora vive em Washington DC, trabalha com organizações de veteranos de guerra e escreveu um livro de memórias, contando o que viveu e a importância do companheiro Fred em tudo isso, chamado “Craig & Fred”.

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Cão baleado durante troca de tiros em comunidade na Bahia comove o Brasil todo com sua história de superação

Davi após as cirurgias reparadoras, o cão perdeu um olho porém terá uma vida normal | Foto: Dra. Ludmila Chaar
Davi após as cirurgias reparadoras, o cão perdeu um olho, porém, terá uma vida normal | Foto: Dra. Ludmila Chaar

Era final de tarde, no dia 14 de setembro, quando Dona Marilene, moradora da comunidade Boqueirão no bairro de Nordeste de Amaralina em Salvador (BA), escutou chamarem seu nome à porta. Eram três pessoas trazendo um cãozinho baleado em necessidade de socorro urgente.

Trocas de tiro entre polícia e traficantes na comunidade não são novidade para os moradores. Outros animais e pessoas já foram feridas nesses confrontos. Também não são incomuns essas visitas à casa de Dona Marilene, protetora de animais e conhecida da comunidade, os moradores recorrem a ela quando animais em situação de rua precisam de ajuda.

Marilene e seus filhos de patas, como ela mesma os chama | Foto: Acervo pessoal
Marilene e seus filhos de patas, como ela mesma os chama | Foto: Acervo pessoal

Ao ver a situação do cãozinho, com o olho (local do tiro) cheio de bichos e repleto de sangue seco, a protetora não teve outra saída senão acolhê-lo. Marilene é uma pessoa simples, diarista, 49 anos, tem três filhos e cuida de 30 cães e 12 gatos. “Quando eu vi o bichinho naquele estado, com o olhinho cheio de bicheira, não me contive e mesmo não podendo, botei ele pra dentro de casa”, conta ela.

Foto: Dra. Ludmila Chaar
Foto: Dra. Márcia Albuquerque

Os moradores que trouxeram o animal até Marilene contaram que ele estava há quase uma semana jogado no “pistão”, uma espécie de via de acesso à comunidade, e depois do tiro acreditavam que ele estava morto, foi uma senhora que passava que ouviu os gemidos e constatou que o cão vivia.

Preocupada com o estado do cãozinho que só gemia e não se alimentava, Marilene então, temendo o pior e com recursos escassos, pediu ajuda a sua amiga, Jussara Coelho. Jussara, também protetora, 59 anos, bancária, já ajudou Marilene em outros casos semelhantes, postando em redes sociais, arrecadando e administrando ajuda financeira e fazendo a intermediação junto às clinicas veterinárias. As duas se conheceram no meio da proteção animal.

 Foto: Dra. Ludmila Chaar
Foto: Dra.  Márcia Albuquerque

Em busca de socorro

As protetoras foram juntas até a Pet Shop Petlândia da Dra. Márcia Albuquerque, veterinária parceira que sempre as ajuda nos casos mais complicados. A veterinária fez o primeiro atendimento, prestou os primeiros socorros, limpou o ferimento de Davi, retirou os fragmentos do projétil que o atingiu, o medicou para dor, porém reconhecendo que o caso era cirúrgico e requeria internação imediata, a veterinária pediu que as protetoras procurassem uma clínica que tivesse estrutura para esse tipo de procedimento.

“Ele chegou muito debilitado, o cheiro que emanava dele era muito ruim, havia muito tecido necrosado, fragmentos do projetil espalhados pelo rosto dele e o globo ocular estava irrecuperável”, conta a veterinária.

Aviso: imagens fortes

Jussara teve anteriormente, em diversos casos, experiências com outras clinicas, todas se negando a receber animais em situação de rua das mãos de protetores para confiar em um pagamento futuro proveniente de doações que ainda estão por vir e podem até não acontecer.

Felizmente o Dr. Fernando Oliveira da clínica Diagnovet comovido com a história do animal, aceitou receber Davi. O veterinário tem sempre ajudado Jussara e Marilene em casos graves recebendo os animais para pagamentos futuros.

O tratamento

Foram duas cirurgias realizadas pelos veterinários Dra. Ercy Bono cirurgiã plástica e odontológica e Dr. Raphael Libório anestesista, ambas foram um sucesso. Davi tinha exposição óssea, e como os tecidos estavam necrosados pelo ferimento causado no trauma inicial, uma miíase se instalou levando a necessidade de retirada desses tecidos mortos (músculos, pele, ossos) e colocação de enxerto por meio cirúrgico. Infelizmente Davi perdeu um olho, porém enxerga normalmente com o outro.

 Foto: Dra. Ludmila Chaar
Foto: Dra. Ludmila Chaar

A veterinária responsável pelo caso de Davi, Dra. Ludmila Chaar, afirma que o animal poderá ter uma vida normal, apenas com cuidados especiais em relação à sua gengiva, que ficou exposta e terá que ser sempre lubrificada artificialmente, com manteiga de cacau ou óleo natural. Daqui a alguns meses provavelmente o cãozinho passará por nova cirurgia para cobrir sua gengiva, conta a veterinária.

“Davi é um guerreiro, grande parte de sua recuperação se deu em função da vontade dele de sobreviver”, afirma Dra. Ludmila, que confessa ter se apaixonado pelo cãozinho e só não o adotou por já ser tutora de dois pitbulls que poderiam estranhar o novo companheiro.

Doações do país todo

Com a repercussão do caso, e a divulgação nas redes sociais, Davi começou a receber ajuda de todas as partes do país. Jussara criou um grupo de whatsapp para acompanhamento e doações relacionadas ao caso e foi com surpresa e alegria que ela conta esse momento: “As pessoas se sensibilizaram com o caso e tivemos doações de todos os valores. Cada um ajudava com o que podia”.

“Este guerreirinho mexeu comigo, não acredito que tenha passado por tanta coisa e sobrevivido, ele realmente lutou pela vida”, confessa a protetora emocionada.

Final Feliz

Davi ainda está internado e se recuperando mas sua previsão de alta é dia 06 deste mês. E depois de tanta dor e sofrimento, seu final feliz parece estar próximo, pois de dentro do próprio grupo de Whatsapp criado para ele, surgiu uma adotante: Maria das Graças.

 Foto: Dra. Ludmila Chaar
Foto: Dra. Ludmila Chaar

Maria das Graças é médica aposentada, mora na mesma cidade do ocorrido e possui 5 gatos. Ela conta que depois que perdeu de forma abrupta sua companheira canina, Lupita, em julho deste ano, não quis ter outro cão. Lupita tinha 13 anos e morreu de infarto fulminante ainda dentro da clínica, após receber alta de sua última internação.

Mesmo ainda em luto por Lupita, Graça se sensibilizou pela história de dor e superação de Davi e isso a levou a abrir seu coração novamente e recebê-lo em sua família.

Quando questionada sobre o porquê de ter adotado Davi ela responde de forma simples: “É que quando vi o olhar de Davi, não pude resistir. Fiquei imaginando como deve ter sido a vida dele na rua. Quando chove à noite eu fico pensando nesses bichinhos desamparados…Se pudesse ficava com todos”.

Segundo as protetoras e veterinários citados nessa matéria não são raros os casos de animais atropelados, baleados e feridos em confrontos entre polícia e traficantes na comunidade do Boqueirão. Salvador não possui hospital público veterinário, os protetores, com recursos escassos e sem ajuda do estado ou prefeitura, contam com o apoio de clinicas e veterinários para os casos mais graves.

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