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‘Tinha cheiro de morte’, diz delegado sobre rinha de cães em Mairiporã (SP)

O delegado revelou que, além do sofrimento das rinhas, os cães eram submetidos a treinamentos cruéis


O delegado Jan Plzak, que esteve à frente da operação que desmantelou uma rinha de cães em Mairiporã, no interior de São Paulo, afirmou que no local “tinha um cheiro de morte no ar, um clima muito baixo astral” e que “parecia que estava todo mundo em transe”.

Foto: Marcelo Assunção/TV Globo

“A polícia chegou como é normal nesse tipo de operação: ‘É a polícia! Mão pra cabeça!’ Alguns correram, mas muitos continuaram com os olhos vidrados na rinha. Eles pareciam enfeitiçados. Dois cachorros estavam brigando, e eles não conseguiam parar de olhar”, contou o delegado.

Celulares dos criminosos foram apreendidos e devem ser verificados após uma ordem judicial ser expedida autorizando o acesso ao conteúdo dos aparelhos. A expectativa da polícia é de que existam mensagens nos celulares que auxiliem nas investigações.

Para trazer mais informações sobre o caso, o delegado Jan Plzak, que é titular da Segunda Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de São Paulo, concedeu uma entrevista ao portal Diário do Centro do Mundo. Confira abaixo.

Como se formou essa rede? Quem participa dela? Quanto dinheiro está envolvido nas apostas? Como são organizadas as competições?

São questões ainda em aberto.

Alguém deu depoimento para explicar em detalhes a organização?

Não. Quem participa de um evento cruel como este não tem coragem de falar.

Como era feita a preparação dos cachorros para as rinhas?

Os cachorros eram enterrados e ficavam apenas com a cabeça para fora durante três dias. Quando eram retirados, colocavam um filhote perto deles, para que eles comessem. Assim, com o gosto de sangue na boca, iam para a luta.

Se o sangue fresco ajuda a aumentar a agressividade, por que era feito churrasco de carne de cachorro?

Eles (os presos) não disseram, mas tudo indica que era para eles comerem. A carne de cachorro, já identificada por uma médica veterinária, estava na churrasqueira ao lado da linguiça, da picanha, da alcatra. Qual seria o motivo? Me parece que era para os apostadores comerem.

Qual o perfil do apostador?

Tem gente de todo tipo: o médico, o médico veterinário, fiscal, comerciante. Perfil variado

Eu fiquei realmente impressionado. Como policial, já vi muita coisa, mas não imaginava que alguém pudesse se divertir com o sofrimento intenso dos cachorros. Parecia um vício.

Entenda o caso

A Polícia Civil desarticulou uma rinha de cachorros em Mairiporã (SP) neste sábado (14). Quarenta e uma pessoas foram presas e 19 cães foram resgatados, todos da raça pit bull. Um cão foi encontrado morto e outro assado para consumo.

A polícia prendeu dois apostadores peruanos, dois mexicanos e um norte-americano. Um policial militar também foi detido. Todos foram encaminhados à Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente.

A Justiça, no entanto, determinou a soltura de 40 dos 41 presos, mantendo a prisão apenas do suspeito de organizar a rinha. Eles irão responder pelos crimes de maus-tratos a animais com agravante de morte, prática de jogos de azar e associação criminosa.

Os cachorros resgatados foram encaminhados para três entidades de proteção animal. Animais silvestres encontrados no local também foram salvos.


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