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Rabinos israelenses pedem o fim do transporte de animais vivos

Sessenta rabinos em Israel se mobilizaram e pediram pelo fim dos “malignos” carregamentos de animais vivos para exportação.

Yehuda Deri, o rabino chefe de Beersheba, cidade na região sul de Israel, disse que todo rabino deveria se juntar ao protesto, e alegou que quem comprar carne enviada do exterior até Israel através de exportações de cargas vivas de animais é cúmplice de uma atividade “criminosa” que é contra a moralidade humana e da Torá.

Em uma carta divulgada na última quinta-feira por ativistas de direitos animais, Yehuda Deri pediu abertamente a todos os rabinos de Israel que protestem contra as cargas de ovelhas e bois enviados para Israel para serem mortos. Ele disse também que planejava levantar a questão em uma próxima reunião do conselho.

“Está claro que quem compra essa carne é um parceiro e ajuda aqueles que cometem um crime maligno”, escreveu o rabino no comunicado. “Todo rabino em Israel deve participar deste protesto até que a questão seja resolvida.”

A carta foi divulgada junto com uma petição contra os carregamentos de animais assinados por 60 líderes rabinos de todo o espectro religioso, e surgiu após a exposição de imagens cruéis de um navio de ovelhas filmadas pela Animals Australia e transmitida pela TV australiana “60 Minutes”. Os vídeos denunciaram as condições terríveis em que as ovelhas foram enviadas para o Oriente Médio, em um transporte que matou 2,4 mil animais de calor.

A petição diz que “não é o caminho da Torá nem da moralidade humana permitir tal crueldade aos animais”, e entre os signatários estão membros do Conselho do Rabinato Chefe, o rabino do Muro das Lamentações, um ex-rabino-chefe de Jerusalém, um rabino especialista em kashrut e veterinário, outro especialista da Universidade Bar-Ilan em direito judaico e muitos outros.

“Ficamos chocados ao descobrir os fatos cruéis sobre o grande sofrimento de bezerros e ovelhas, criaturas de Deus, enviadas por navios da Austrália e da Europa para serem mortas em Israel”, diz a petição, que reflete a maior mobilização rabínica até hoje para deter embarques que, da Austrália, podem levar três semanas ou mais para chegar às terras israelenses.

“A causa de tal sofrimento extremo aos animais unicamente para satisfazer nosso desejo por carne fresca não é o caminho da Torá, e não é a moralidade humana permitir tal crueldade severa aos animais … além do que, a carne produzida deles custa mais do que carne fresca que é importada para Israel refrigerada”, explicou a petição, que é concluída dizendo que os embarques devem ser interrompidos.

Contexto

Imagens perturbadoras filmadas por um denunciante no navio Emanuel Exports e posteriormente transmitidas pelo noticiário israelense Hadashot, mostraram uma superlotação a bordo, com animais tão apertados que mal conseguiam respirar ou alcançar comida e água.

“Eles literalmente cozinharam por dentro enquanto ainda vivos durante a jornada”, disse o veterinário Yuval Samuel ao jornal Hadashot TV.

Recentemente, uma manifestação na cidade de Tel Aviv protestou contra a continuação das exportações de animais vivos para Israel. Informações da Animals Australia afirmam que cerca de 3 mil pessoas compareceram para protestar contra essa crueldade.

Informações do The Times of Israel disseram que o país importou quase 120 mil ovelhas australianas em 2016. Sara Netanyahu, esposa do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alegou estar “chocada” com as condições a bordo dos navios de exportação de animais vivos, após as imagens de denúncia de maus-tratos terem vindo à tona.

Israelenses consideram as exportações de animais um transporte 'cruel' (Foto: David Crosling/EPA)
Israelenses consideram as exportações de animais um transporte ‘cruel’ (Foto: David Crosling/EPA)

“Isso realmente quebra meu coração”, disse Sara em um comunicado no Facebook, comentando a brutalidade das imagens das ovelhas morrendo. “Eu me voltei para meu marido, que fará tudo o que puder para acabar com essa tremenda crueldade. Também falei com o ministro da agricultura, Uri Ariel, e não tenho dúvidas de que ele fará tudo o que puder ”.

Rabinos em protesto

O protesto rabínico está sendo conduzido por dois professores da Universidade Bar Ilan – Sperber, nascido na Grã-Bretanha, presidente do Instituto Superior de Estudos da Torá e um vegetariano, e Yael Shemesh, do departamento bíblico e do centro de pesquisa feminina. Juntamente aos rabinos, trabalharão as organizações de direitos animais Anonymous for Animal Rights e Let Animals Live.

Sperber disse ao The Times of Israel: “Não tenho dúvidas de que qualquer um que veja essas fotos descobrirá que essa situação é completamente proibida [pela lei judaica]. Este é um sofrimento animal indescritível… É tão horrível e certamente absolutamente proibido”.

Deri citou em uma carta exemplos da lei judaica que proíbem a crueldade contra os animais, determinando que judeus devem fazer tudo o que puderem para minimizar o sofrimento dos animais.

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