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Cachorro morre envenenado e tutora faz alerta sobre planta tóxica

Reprodução/Facebook/Mônica Peters

Um cachorro morreu na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, após ter contato com uma planta tóxica. Através das redes sociais, a tutora do animal, Mônica Peters, fez um alerta para tentar evitar novas vítimas.

Apesar de ter uma idade avançada, o cachorro era saudável e recebeu os cuidados necessários após sofrer a intoxicação, mas não resistiu.

“Hoje morreu esse grandão aí, cheio de saúde, apesar de já ter 14 anos. Vocês conhecem a rosa do deserto? Então, sabiam que o veneno dela é mortal? Eu não sabia. Resultado: ele morreu envenenado, em menos de 8 horas”, relatou Mônica.

Reprodução/Facebook/Mônica Peters

Segundo ela, o cão começou a vomitar ração e tempos depois caiu e não levantou mais. Inicialmente, a tutora acreditou que os vômitos tinham sido causados por alimentação em excesso, já que o animal sempre comia mais do que precisava, mas depois percebeu que o quadro de saúde dele estava se agravando.

“Ele foi socorrido, mas era tarde demais. Se eu soubesse do veneno, tinha corrido com ele para o veterinário, ou melhor, se eu soubesse que essa planta é venenosa, ela nem estaria no quintal, pois além de cachorros tenho crianças também”, lamentou. “Então quero deixar um alerta a quem tem esse veneno, todo cuidado é pouco”, completou.


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Governo Bolsonaro libera agrotóxico que mata abelhas e registros de pesticidas chegam a 262 em 2019

Um lote com 51 novos agrotóxicos foi liberado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (22), totalizando 262 produtos registrados apenas neste ano. Dentre os pesticidas autorizados está o sulfoxaflor, responsável por exterminar abelhas. A liberação desse veneno, após ele ter sido responsável pela morte de mais de meio bilhão de abelhas em quatro estados brasileiros entre janeiro e março de 2019, quando ainda estava em fase de testes, expõe o descaso do governo com os animais.

Foto: Pixabay

Além dos insetos, outros animais, como pássaros, também sofrem com os efeitos dos pesticidas. A natureza também é prejudicada, tendo o solo e a água contaminados, e a saúde humana é diretamente afetada pelo consumo de vegetais cultivados com agrotóxicos, capazes de gerar doenças graves como o câncer. No entanto, a rapidez com que novos agrotóxicos têm sido liberados demonstra que o Ministério da Agricultura, responsável pelo registro desses produtos, e o presidente Bolsonaro estão mais interessados no lucro gerado pelos pesticidas do que nos efeitos devastadores causados por eles.

Em abril, o sulfoxaflor foi um dos principais assuntos discutidos pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, que é ex-líder da bancada ruralista, participou do debate. Na ocasião, ela explicou que o veneno responsável pela matança de abelhas não estava registrado no Brasil. As informações são da revista Fórum.

“O problema das abelhas é que foi usado um produto chamado Sulfoxaflor. Esse produto não está registrado no Brasil. Esse é o grande problema dessa fila enorme. Esse produto muito provavelmente entrou de maneira ilegal, está sendo usado de maneira errônea e causou a morte das abelhas”, afirmou.

Agora, no entanto, o produto passará a ser usado livremente, o que poderá causar mortes de insetos com respaldo do governo.

Apesar de ser considerado “medianamente tóxico” pela Anvisa, o sulfoxaflor tem, sob certas condições, um impacto negativo sobre as colônias de abelhas e suas capacidades reprodutivas, conforme descobriu um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Londres. A pesquisa concluiu que o pesticida, produzido pela Corteva AgriscienceTM, reduziu em 54% o tamanho das colmeias.

Em 2015, uma decisão da Corte de Apelações de São Francisco, que indicou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) falhou em considerar os impactos do sulfoxaflor sobre insetos polinizadores, levou ao cancelamento do registro do produto nos Estados Unidos. No entanto, um ano depois a EPA concedeu novamente o registro, porém com abrangência limitada.

Classificação

Dos 51 agrotóxicos liberados nesta segunda-feira, 7 são produtos formulados – isso é, aqueles que chegam às lojas e podem ser comprados pelos agricultores. O princípio ativo sulfoxaflor está em 6 desses produtos.

Os outros 44 herbicidas são produtos equivalentes, ou seja, genéricos de princípios ativos já autorizados no Brasil. De acordo com informações do G1, 18 deles são para produtos técnicos de uso industrial e outros 26 são produtos formulados, sendo quatro de origem microbiológica.

Entre os pesticidas liberados há também um que tem como base o florpirauxifen-benzil, princípio ativo que já havia sido aprovado em junho pelo governo.

“Podemos produzir sem agrotóxicos”

 A ONG Greenpeace, que defende o meio ambiente, criticou a liberação dos novos agrotóxicos devido ao impacto negativo que esses produtos causam na natureza e na saúde humana.

“Podemos produzir sem agrotóxicos, em equilíbrio com o meio ambiente e respeitando a saúde das pessoas. Porém, as decisões do governo no tema ignoram isso e colocam o povo brasileiro em risco. Isso é inaceitável”, afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace.


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Protesto contra liberação de 239 agrotóxicos será realizado domingo em SP

O governo Bolsonaro liberou, em apenas 200 dias de governo, 239 agrotóxicos, alguns proibidos na União Europeia por serem extremamente tóxicos. Prejudiciais para a saúde humana e causadores de doenças graves e fatais, como o câncer, os pesticidas também fazem mal para a natureza. Para lutar contra eles, uma manifestação foi marcada para o próximo domingo (21).

Foto: Reprodução / Facebook

A manifestação, que recebeu o nome de “Marcha Agrotóxico MATA” será realizada a partir das 14 horas e a concentração será no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

“Em resumo, nos últimos seis meses, foram registrados no Brasil 33 novos produtos agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana (aqueles cuja dose letal esta entre 5 e 50 mg/kg), 63 novos produtos extremamente tóxicos para a saúde humana (cuja dose letal esta em menos de 5 mg/kg), 115 novos produtos muito perigosos para o meio ambiente e cinco novos produtos altamente perigosos para o meio ambiente (considerando os parâmetros de bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico e carcinogênico da Portaria 84/1996 do IBAMA)”, diz a descrição do evento no Facebook sobre o protesto. 

De acordo com a organização da manifestação, outros estados também estão se organizando para realizar atos contra a liberação dos agrotóxicos e, em breve, as datas e locais serão divulgados.

“Estamos sendo envenenados com tantos agrotóxicos e precisamos agir!”, dizem os organizadores.


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Partido Verde pede na Justiça suspensão dos 239 agrotóxicos liberados pelo governo

O Partido Verde (PV) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a suspensão dos atos que autorizam o registro dos 239 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro em 2019. A ação tem caráter liminar e pede a suspensão imediata até que o mérito da ação seja julgado.

Foto: Pixabay

O PV considera que as medidas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) desrespeitam preceitos constitucionais de proteção à saúde humana, à alimentação e à proteção ao meio ambiente. Nove atos foram publicados, de janeiro até agora, pelo Ministério do Meio Ambiente, liberando 239 agrotóxicos. As informações são do portal O Eco.

O partido fez um levantamento, que embasa a ação judicial, no qual consta a informação de que 33 dos 239 agrotóxicos liberados são altamente tóxicos para a saúde humana, contendo dose letal entre 5mg/kg e 50mg/kg, e 63 são extremamente tóxicos, com dose letal abaixo de 5mg/kg. O PV lembrou ainda que 115 desses venenos autorizados são considerados muito perigosos e 5 altamente perigosos para o meio ambiente.

“No Brasil, conforme se pode deduzir da própria rapidez com a qual tais produtos foram registrados, a liberação de novos produtos contendo estes agrotóxicos – bem como a expansão da utilização destes em outras culturas – não foi precedida de análise séria de segurança química, nem de impacto tóxico e ambiental”, argumenta o partido, no texto da ação. “Pelo contrário: o que ocorreu foi uma verdadeira inversão principiológica do Estado Democrático, na qual a saúde pública e o meio ambiente tornam-se subordinados aos interesses ensimesmados do mercado agrícola” continua.

Na ação, o partido pede ainda a intimação do Procurador-Geral da República para emissão de parecer no prazo legal e do Ministério da Agricultura para prestar informações. Além disso, o PV solicita ainda que o STF considere, no final do julgamento, os atos do MAPA incompatíveis com os preceitos constitucionais.


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Embriões de peixe morrem e sofrem anomalias após testes sobre toxicidade da lama de Brumadinho (MG)

Embriões de peixe-zebra foram vítimas de um teste sobre a toxicidade da lama que atingiu Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem. Casos de anomalias e mortes foram registrados. O estudo foi feito por cientistas de universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro e de São Paulo e incluiu dosagem de poluentes, quantificação de micro-organismos potencialmente perigosos e testes ecotoxicológicos.

Rio Paraopeba 30 dias após a barragem romper em Brumadinho (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

A lama foi coletada cinco dias após a ocorrência do crime ambiental e, mesmo após ser diluída 6.250 vezes, matou embriões e causou defeitos graves neles, segundo Mônica Lopes-Ferreira, cujo laboratório funciona no Instituto Butantan, em São Paulo.

Os testes feitos com água retirada de locais mais próximos da área do rompimento da barragem resultaram em maior letalidade aos embriões. O material coletado junto à mina gerou mortalidade de até 100%. Deformações no cérebro, na boca, na coluna, na cauda e hemorragias foram causadas pela água retirada de todos os pontos abaixo do local onde a barragem rompeu.

“Para testar a lama tivemos que diluí-la até 6.250 vezes e ainda assim ela continuou letal para os embriões, o que atesta sem dúvida seus risco para a saúde”, diz Mônica Lopes-Ferreira. As informações são do O Globo.

Corpo de Bombeiros trabalhando em Brumadinho após crime ambiental (Foto: WASHINGTON ALVES / REUTERS)

No experimento, cinco embriões de peixe-zebra foram deixados dentro de 50 microlitros de água contaminada misturados com dois mililitros de água limpa. Cada mililitro é equivalente a mil microlitros. Os embriões tinham de 30 minutos a três horas de nascidos. Eles foram explorados nos testes por um período de 24 horas até 96 horas.

“Não há dúvida que um material tóxico foi lançado no [rio] Paraopeba. Não sabemos como a situação está agora, mas a área precisa ser acompanhada porque esse material é muito fino, pode permanecer por muitos anos. Ele fica no leito do rio, no solo e entra em contato com pessoas e animais”, destaca a pesquisadora do Butantan.

Por falta de dinheiro, os pesquisadores interromperam os testes, mas pretendem fazer novas coletas. “O dano potencial desse tipo de acidente perdura por décadas. Toda a região afetada precisa ser monitorada com extremo rigor”, frisa Rezende.

Manifestantes protestaram contra a Vale em São Paulo e no Rio de Janeiro ( Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP)

Para Fabiano Thompson, as águas do Paraopeba representam uma ameaça à saúde pública. “A saúde do rio pode estar comprometida por décadas. Uma vergonha”, diz.

Com as coletas feitas, os cientistas identificaram uma concentração elevada de mercúrio, metal altamente tóxico, no Rio Paraopeba. A concentração encontrada é pelo menos 720 vezes maior que o máximo estabelecido como seguro pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para águas de classe 2, como a do rio. Essa classificação indica que a água é destinada ao abastecimento humano, após tratamento.

Um relatório oficial, recentemente divulgado pela ANA, Capasa, CPRM e Igam, aponta elevada concentração de mercúrio na água entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, além de indicar turbidez média (NTU), ferro dissolvido (mg/L) e mercúrio dissolvido (ug/L) acima dos limites estabelecidos pela resolução Conama 357. Os cientistas lembram, porém, que uma interpretação mais abrangente sobre a situação atual do rio está sendo dificultada pela ausência de dados a partir de 11 de março.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Butantan, da Uenf e da UFRJ e amostras foram coletadas em seis localidades ao longo do Paraopeba, incluindo pontos localizados 26 quilômetros antes da área atingida e até 150 quilômetros após o local.

Vaca fica presa à lama em Brumadinho. Foto: Mauro Pimentel/AFP

O resultado da pesquisa indicou concentração de ferro 100 vezes maior que a estabelecida pelo Conama e de alumínio, mil vezes superior. O mercúrio, no entanto, é o que preocupa os pesquisadores, devido à elevada toxicidade e persistência no ambiente. Fabiano Thompson, do Instituto de Biologia e da Coppe da UFRJ e autor de uma análise sobre os efeitos dos rejeitos da lama de Mariana (MG), acredita que uma possibilidade para explicar essa situação é que a forte lama lançada contra Brumadinho após o rompimento da barragem pode ter revirado o leito do rio e liberado sedimentos de antigos locais de extração de ouro.

Carlos Eduardo de Rezende, da Uenf, que é um dos coordenadores do estudo, lembra que o mercúrio é um dos piores poluentes existentes, já que causa uma espécie de contaminação crônica.

Além do metal, foram encontrados também micróbios potencialmente tóxicos na água do rio, com concentrações dez vezes superior à máxima tolerada pelo Conama.

O outro lado

De acordo com a Vale, após três meses do rompimento da barragem, “é possível avaliar que o rio Paraopeba poderá ser recuperado. Tal afirmação é baseada em estudos de quase 900 mil análises da água, solo, rejeitos e sedimentos.”

A empresa diz que está realizando um monitoramento detalhado do rio, com coletas diárias de amostras de água e solo, além de avaliação dos níveis de turbidez.

Ainda segundo a mineradora, análises feitas em 48 pontos mostraram que os rejeitos não são perigosos à saúde e que os níveis de toxicidade estão abaixo dos limites legais para “rejeitos de mineração, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”.

Um relatório feito em conjunto pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), concluiu que a concentração de mercúrio no local está “abaixo do limite de detecção do método analítico” e que a densidade de micro-organismos e toxinas derivadas deles está dentro do padrão legal.

Nota da Redação: explorar embriões de peixes em testes sobre a toxicidade da lama de rejeitos do rime ambiental de Brumadinho (MG) é uma prática antiética. Esses experimentos contrariam os direitos animais, já que tratam embriões de peixes como objetos e os condenam à morte e a anomalias. É de extrema necessidade avaliar o risco que a água do rio Paraopeba representa, após o rompimento da barragem, não só para os seres humanos, como também para os animais. Isso, no entanto, deve ser feito de forma ética, através da avaliação em laboratório de amostras da água, sem o envolvimento de seres vivos.

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Destaques, Notícias

Avançam estudos sobre alternativa para testes de toxicidade usando animais

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Há anos, ativistas vêm trabalhando para que as autoridades passem a proibir o uso de animais em testes de laboratório em todo o mundo. Felizmente, uma recente descoberta pode tornar isso uma realidade dentro de pouco tempo. As informações são do PETA.

Cientistas dos Estados Unidos afirmaram recentemente que estão para desvendar uma nova alternativa aos testes com animais. Eles estão agora em processo de aperfeiçoar o uso de células em placas “petri” para descobrir se a toxina existente na droga é prejudicial aos humanos. Até então, o laboratório começou a testar quase 10 mil tipos de componentes químicos incluindo pesticidas, produtos industriais e aditivos alimentares para saber se estes trazem danos às pessoas ou ao meio ambiente.

A toxicidade é o principal fator pelo qual as drogas costumam ser reprovadas, e ao longo dos anos os cientistas vêm usando animais para testar o quão pesadas são as toxinas em um medicamento ou substância.

Usar animais como roedores não só viola os direitos animais como é algo extremamente caro. A nova descoberta, atualmente chamada “Tox21”, não só permitirá que vidas animais sejam poupadas, mas também trará menos gastos aos governos, que geralmente usam recursos públicos advindos de impostos para financiar as pesquisas.

É bem provável que seja isso – o aspecto financeiro – e não os direitos animais, que esteja mobilizando as empresas públicas e privadas a acelerarem a criação desta alternativa, da qual já se vem falando há alguns anos, conforme publicado em 2011 pela ANDA.

Três grandes agências dos Estados Unidos estão juntando forças com os cientistas para acelerar a implantação do uso do Tox21 – a Environmental Protection Agency, o National Institutes of Health (NIH) e a Food and Drug Administration (FDA).

Segundo o PETA, o Tox21 estará libertando os animais dos testes em laboratórios e por isso os ativistas acolhem a nova descoberta com braços abertos.

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Suíço prova que existem alternativas à experimentação animal

Por Luigi Jorio
Adaptação por Fernando Hirschy

Cultura in vitro de células respiratórias humanas. (MucilAir, Epithelix)

Para a maioria dos pesquisadores, testes em animais é um mal necessário. Uma opinião não compartilhada por Ludovic Wiszniewski. O cientista demonstrou que existem alternativas.

Diretor executivo da start-up de biotecnologia Epithelix, Ludovic Wiszniewski, é o primeiro pesquisador a ter conseguido manter o epitélio respiratório humano vivo, in vitro, por mais de um ano.

Uma inovação que fez com que sua empresa, com sede em Genebra, recebesse vários prêmios internacionais, entre eles o Prêmio da Fundação W. A. Vigier do início de 2011, concedido pela Câmara de Comércio e Indústria Franco-suíça.

swissinfo.ch: Em 2010, o número de animais submetidos a experiências aumentou quase 8% na Suíça, em relação a 2009. Um desenvolvimento um tanto surpreendente, não?

Ludovic Wiszniewski: Não, não realmente. Recentemente, surgiram novas empresas que praticam a experimentação animal. Por seu lado, as grandes empresas farmacêuticas também intensificaram suas pesquisas, já que muitas patentes depositadas há mais de 20 anos estão se expirando. Adicionado a isso, também tem o aumento do número de experiências transgênicas realizadas em animais nos laboratórios das universidades.

swissinfo.ch: A tendência observada nos últimos vinte anos estava, no entanto, em baixa. Entre 1990 e 2010, o número de cobaias diminuiu quase 40%. Quais são as razões para esta diminuição?

LW: Não é uma diminuição real em si. Há 20 anos atrás, os estudos não eram sistematicamente catalogados e, portanto, os dados não são tão precisos. E, além disso, várias empresas começaram a praticar suas experiências no exterior.

Isto é particularmente o caso da China, onde a legislação pertinente é menos severa. Também devemos reconhecer que a lei teve o efeito de reduzir as experiências com animais, particularmente através da proibição da utilização de seres vivos na área dos cosméticos, por exemplo. E, finalmente, teve o surgimento das novas tecnologias de cultura celular.

Ludovic Wiszniewski, dono da Epithelix. (Epithelix)

swissinfo.ch: Em um nível puramente técnico, o animal representa mesmo um bom modelo biológico para o homem?

LW: Não. Vários medicamentos passaram nos testes feitos com animais, mas tiveram um efeito catastrófico sobre os seres humanos. Refiro-me especificamente a um produto desenvolvido para o tratamento da leucemia infantil: as crianças submetidas a este tratamento morriam mais cedo. Ou a talidomida, um sedativo anti-náusea para mulheres grávidas e retirado de venda porque provocava malformações no feto.

Também posso citar o Tamoxifeno, um contraceptivo eficaz com ratos, mas que teve um efeito contrário com as mulheres. E, finalmente, lembre-se que o resultado de um teste realizado com animais também pode depender do pesquisador. Em outras palavras, se o animal é capaz de perceber o estado de espírito do homem (nível de estresse), ele pode reagir de maneira diferente de um pesquisador para outro.

swissinfo.ch: Mas a história da medicina não é feita só de exemplos negativos…

LW: Sim, em algumas áreas, as experiências com animais têm sido úteis. Na cirurgia, por exemplo, onde os médicos podem operar em cobaias antes de intervir em um ser humano. Ou ainda, com a insulina, descoberta em cães e inicialmente isolada em porcos. Deve-se enfatizar, no entanto, que o conhecimento e os instrumentos atuais eliminam a necessidade de experimentação com seres vivos.

swissinfo.ch: Então, por que continuamos a usar animais?

LW: Há várias razões para isso. Primeiro, a lei exige. Antes de se comercializar um produto farmacêutico ou químico, deve-se avaliar o seu grau de toxicidade. No entanto, como eu disse, as reações observadas em animais podem ser diferentes das do homem.

E depois há também o peso das publicações científicas. Muitas revistas exigem que os testes em animais sejam realizados. E para o cientista, o sucesso do seu trabalho está diretamente relacionado com o número de publicações… É um modelo antigo que persiste especialmente com as experiências genéticas.

swissinfo.ch: Quais são as alternativas às experiências com animais?

LW: Primeiro, tem as culturas in vitro de células humanas. Podemos cultivar células ou induzir uma diferenciação, colocando-as em condições semelhantes às presentes no corpo humano. Assim, somos capazes de desenvolver mini pulmões.

E depois, há um modelo ex vivo: em vez de sacrificar dez animais para uma experiência, usa-se apenas um, o órgão escolhido é cortado em dez partes e aí se passa ao teste. Por fim, há também modelos de computador (in silico) que permitem previsões sobre toxicidade.

swissinfo.ch: Será que um dia um órgão humano inteiro poderá ser criado… num tubo de ensaio?

LW: O maior desafio está relacionado com a duração de vida das células. Fora do corpo humano, é possível mantê-las vivas entre 3 a 4 semanas, ou seja, um período insuficiente para reconstruir um órgão. Nós mesmos conseguimos mantê-las vivas por um ano. Se o desenvolvimento de materiais de suporte for confirmado, estou convencido de que poderemos recriar órgãos completos.

Fonte: swissinfo.ch 

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Você é o Repórter

Coligação Europeia lança campanha para acabar com os testes em animais para cosméticos à venda na Europa

Gabinete de Imprensa da ANIMAL
gabinete.imprensa@animal.org.pt

A ECEAE (Coligação Europeia para o Fim das Experiências em Animais), uma coligação líder de grupos de proteção dos animais na Europa, e cuja organização-membro portuguesa é a ANIMAL, lança hoje uma nova campanha que visa acabar com a venda, na Europa, de cosméticos e produtos de higiene pessoal que tenham sido testados em animais. Em Portugal, esta campanha será levada a cabo pela ANIMAL.

A partir de 2013, a UE terá que proibir a venda de todos os novos cosméticos e produtos de higiene pessoal que tenham sido testados em animais, mesmo fora do espaço UE. Contudo, as autoridades responsáveis estão agora tentando estender este prazo, e, isto acontece, mesmo havendo uma forte oposição pública quanto aos testes desses produtos em animais, e mesmo já existindo uma proibição na EU. Se a proibição das vendas for adiada, isso pode significar que, durante mais dez anos, milhares de coelhos, ratos, porquinhos-da-índia, entre outros, serão injetados, gaseados, e mortos com fins cosméticos.

Michelle Thew, Directora Executiva da ECEAE diz: “Nenhum animal deve sofrer para que sejam vendidos novos cosméticos na Europa. Juntos podemos mostrar a oposição pública aos testes em animais e pedirmos ao Parlamento Europeu que vote contra a prorrogação do prazo máximo para a proibição. Por favor assinem a petição da ECEAE e digam não aos cosméticos cruéis na Europa.”

Segundo Rita Silva, Presidente da ANIMAL e representante da ECEAE em Portugal, “depois dos esforços e do trabalho de lobbying que, enquanto coligação, fizemos ao longo dos últimos anos para que a Diretiva de Cosméticos pudesse ser o mais justa possível para com os animais que defendemos, e, depois de, por fim, termos alcançado tão pouco, é ultrajante que esse pouco alcançado esteja agora a ser posto em risco, com esta tentativa da Comissão de prolongar o prazo para a proibição das vendas de cosméticos testados em animais, dentro do espaço da EU”.

Notas

Em fevereiro de 2003, depois de anos de campanhas lideradas pela ECEAE, a UE concordou em proibir os testes em animais para cosméticos, o que resultou na 7ª. Emenda na Directiva de Cosméticos, cujos efeitos se podem divider em duas fases:

A primeira fase foi implementada em 11 de março de 2009, quando a 7.ª Emenda proibiu:

– Testar ingredientes para cosméticos em animais em toda a UE, independentemente de haver uma alternativa validade ou não;

– Vender ou importar quaisquer ingredientes para cosméticos (ou os próprios cosméticos) que tivessem sido testados em animais depois daquela data.

Contudo, há três tipos de testes em animais que são excepcionados desta proibição:

Toxicidade por Dose Repetida – coelhos ou ratos são forçados a comer, inalar, ou serem esfregados com o ingrediente em questão, todos os dias durante 28 ou 90 dias, e depois são mortos;

Toxicidade Reprodutiva – coelhas ou ratazanas grávidas são forçadas a comer o ingrediente, e depois são mortas, juntamente com os fetos;

Toxicocinética – coelhos ou ratos são forçados a comer o ingrediente , são mortos, e depois os seus órgãos são examinados para ver como o ingrediente se distribuiu;

Apesar da forte objeção da ECEAE, a Comissão Europeia defende que o teste “Toxicidade por dose Repetida” também deve incluir os seguintes testes:

· Sensitização Cutânea – o ingrediente cosmético é esfregado na pele previamente rapada de porquinhos-da-Índia, e o mesmo acontece nas orelhas dos ratos, para testar se há reacção alérgica. Os animais são mortos depois;

· Carcinogenicidade – os ratos são alimentados com o ingrediente durante dois anos para ver se desenvolvem cancro, e depois são mortos.

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Destaques, Notícias

Campanha pressiona União Europeia contra a regulamentação da experimentação animal

Por Adriane R. de O. Grey  (da Redação – Austrália)

Enquanto o Conselho de Ministros da União Europeia prepara-se para finalizar as decisões sobre a Diretiva 86/609 que trata da experimentação animal, a campanha Make Animal Testing History pretende apresentar em Bruxelas, onde o conselho estará reunido, um apelo com um número maciço de adesões contra a prática vivisseccionista.

A campanha  Make Animal Testing History é uma liderança no esforço para conseguir uma atualização apropriada da Diretiva 86/609, vigente há 20 anos. Lançada simultaneamente por Dr. Hadwen Trust for Humane Research , Four Paws  e Humane Society International, a campanha inclui uma chamada aos cidadãos europeus para que se reúnam em uma marcha virtual a Bruxelas e já conta com mais de 62.000 participantes Esta marcha visa pressionar os líderes da União Europeia a atualizarem a diretiva estabelecendo, primeiramente, padrões mais humanitários no tratamento dos animais para, como última e legítima meta, abolir definitivamente o uso de animais na pesquisa e prática laboratorial.

Com o final do recesso de verão, aproxima-se o momento em que a diretiva será debatida e revisada pelo Conselho de Ministros, que, posteriormente, negociará com os membros do Parlamento Europeu. O Conselho de Ministros, formado por líderes dos governos da União Europeia, e o Parlamento Europeu, composto pelos eleitos pela população, devem concordar sobre a nova lei para que ela possa entrar em vigor efetivamente. O Parlamento já votou sobre a diretiva em 5 de maio último, deixando os ativistas e simpatizantes da causa abolicionista bastante decepcionados.

Se o processo correr sem maiores problemas daqui para frente, a nova lei europeia poderá ser aprovada até o final de 2009. Por isso a campanha Make Animal Testing History está intensificando seus esforços para conseguir o apoio do maior número possível de cidadãos. Cidadãos não europeus também podem participar e, se você quiser melhorar a estatística do apoio brasileiro na participação da campanha, acesse aqui e junte-se à marcha à Bruxelas. 

A votação

No último dia 5 de maio, o Parlamento Europeu votou as emendas propostas para a Diretiva 86/609, que tem 20 anos de vigência. Quando a comissão europeia lançou o projeto de lei em  novembro de 2008, houve esperança de fazer-se aprovar uma lei que possibilitaria o exercício de uma ciência verdadeiramente contemporânea e progressista. Embora o projeto de lei ainda não fosse o ideal, já apresentava limites claramente compassivos e responsáveis quanto à manipulação e imposição de dor aos animais de laboratório e apresentava transparência e justiça, além de lançar a base para uma legislação que viesse a abolir definitivamente a prática vivisseccionista.

No entanto, com o lobby nada ingênuo e bastante intenso e alarmista da indústria da vivissecção, muitos parlamentares recusaram as emendas que fariam da nova diretiva um orgulho para a Europa e um exemplo para o mundo.

A grande decepção provocada pela votação de maio de 2009 foi ter falhado em garantir uma maior proteção a nossos parentes genéticos mais próximos, os primatas não humanos, mesmo havendo um reconhecimento unânime na ciência sobre a sensciência destes animais. Os parlamentares votaram por continuar dando a cientistas e pesquisadores o uso irrestrito de primatas não humanos em experimentação laboratorial e declararam desnecessária a relação imediata entre esta prática e a sua aplicação à saúde humana. Com esta decisão, negaram a declaração por escrito dada em 2007 na qual se comprometiam, a médio prazo, a votar pela abolição do uso de primatas em experimentos.

Houve, no entanto, também alguns ganhos na votação de maio e a Make Animal Testing History espera que, ao serem agora analisadas pelo Conselho de Ministros, estas tendências voltem a ganhar força. Os parlamentares aceitaram implementar uma revisão bienal dos métodos de uso de primatas em experimento, estudar a possibilidade de eliminar gradativamente o uso de primatas F1 (descendentes de primatas apreendidos na natureza), estabelecer um limite maior ao padrão de dor que se permite aos animais suportarem nos experimentos, além de empreender esforços para desenvolver alternativas humanitárias na pesquisa biomédica.

A porta-voz da campanha, Marie-Claire Mcintosh, declarou que a indústria vivisseccionista usou de todo subterfúgio disponível para dissuadir os parlamentares de seus posicionamentos originais. Embora alguns tenham se mantido fiéis a eles, a maioria votou por uma revisão da diretiva que respalda o sofrimento animal. Ela acrescenta, “está claro que os cidadãos europeus apoiam o futuro da pesquisa e da ciência humanitárias e os parlamentares não corresponderam a estas expectativas. Nós esperamos que, frente ao Conselho de Ministros, a versão original de uma ciência compassiva ganhe força novamente.”

Como os membros do Parlamento Europeu votaram em maio de 2009:

‒ Não haverá limites rigorosos para a reutilização de animais em sucessivos experimentos;

‒ Não haverá restrições para experimentos com macacos que não envolvam a aplicação direta em medicina;

‒ Não haverá o estabelecimento de um caleandário para a eliminação gradativa do uso de macacos ao longo do tempo ou sequer a eliminação gradativa do uso de descendentes de macacos apreendidos na natureza (F1);

‒ Não haverá uma autorização mandatória central tampouco uma avaliação ética e científica de todos os experimentos vivisseccionistas antes de uma licença para o uso dos animais ser emitida (autorização e revisão ética aceita para muitos experimentos em âmbito institucional);

‒ Não haverá revisão ética retrospectiva para quase todos experimentos;

‒ Sim para o estabelecimento de um limite máximo de dor a que os animais podem ser submetidos;

‒ Sim para o uso de fundo governamental na criação de instalações que desenvolvam métodos alternativos de pesquisa;

‒ Sim para a extensão da proteção legal a alguns, mas não todos, animais invertebrados e fetos atualmente usados em laboratório e não protegidos por lei;

‒ Sim para a extensão da abrangência da lei, incluindo pesquisa médica básica com animais, o que significa que todo tipo de experimentação que envolva animais será regulamentada por lei;

‒ Sim para a abolição do uso de grandes primatas, a não ser em situações excepcionais e imprevistas;

‒ Sim para o aumento da divulgação de dados entre pesquisadores que evite a repetição do mesmo experimento ou de experimentos com animais que falharam anteriormente.

Uma grande vitória para a campanha Make Animal Testing History foi o apoio dos parlamentares à criação de instalações com fundo governamental para o desenvolvimento de técnicas alternativas à vivissecção. Atualmente, os esforços europeus nestes sentido concentram-se unicamente na regulamentação de testes de toxicidade que perfazem somente 10% da experimentação animal na Europa. Um investimento maior e uma coordenação que vise preencher esta lacuna será uma conquista imensamente importante para a causa abolicionista.

Mais de 12 milhões de animais são utilizados em laboratórios da Europa a cada ano, num processo que envolve confinamento, dor física, medo e sofrimento.

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Notícias

12 milhões de animais sacrificados por ano na União Europeia

Por Socorro Ruelas  (da Redação – Paris) 

Fazer experiências com um animal para provar o grau de toxicidade que uma substância química pode provocar nos seres humanos é uma prática ainda recorrente que  pode provocar o sacrifício de milhões de animais nos próximos anos, diante de certas disposições que se encontram no Regulamento de Registro, Avaliação e Autorização de Produtos Químicos (REACH), vigente há dois anos na União Europeia. 

A Fundação Brigitte Bardot (FBB), dedicada à proteção dos direitos animais, retoma as cifras publicadas em um número recente da revista Nature, na qual se estima em  54 milhões o número de animais utilizados em testes de laboratório num período de dez anos. Apenas na Europa, são sacrificados 12 milhões de animais por ano, segundo os números da FBB. 

Publicado no Diário Oficial da União Europeia dia 30 de dezembro de 2006 e em vigor  desde 1º de janeiro de 2007, o regulamento europeu REACH obrigou a indústria química a demonstrar que os produtos colocados no mercado antes de 1981 e  comercializados num ritmo de mais de uma tonelada ao ano não supõem um risco para a saúde pública ou o  meio ambiente. A Fundação Brigitte Bardot relembra que várias disposições deste marco regulatório incluem fomentar o uso de métodos alternativos. 

Nesta semana, a  Fundação Brigitte Bardot enviou uma carta às autoridades francesas para alertar do risco que correriam milhões de animais. Este grupo, encabeçado pela mítica atriz do cinema francês, sustenta que a indústria química mantém seu interesse pelo “modelo” de experimentação com animais. “Enquanto provas celulares, toxicogenômica e os métodos de bioinformáticos são  mais rápidos, menos caros e mais confiáveis para o homem, alguns fabricantes parecem defender o ‘modelo’ de animais”, reitera. Para a Fundação, a experimentação animal é questionável já que nenhuma espécie animal, não podendo servir como um modelo biológico a outro, gera resultados aleatórios, que não podem ser razoavelmente transpostos aos seres humanos. 

Na França, a autoridade competente para vigiar a efetivação do regulamento europeu REACH é o Ministério de Ecologia. A FBB alertou o ministro Jean-Luis Borloo do impacto que provocaria este marco regulatório nos animais e ao mesmo tempo pediu o apoio para os investigadores que trabalham sobre métodos confiáveis e éticos sem recorrer ao “modelo” animal. 

Na carta dirigida ao Ministro francês, a Fundação presidida Bardot indica: “As novas estimativas são tanto mais aberrantes que o regulamento REACH não fixa as  experiências com animais como obrigatórias. Então, antes de qualquer solicitação de permissão para experiências com animais, se deverá demonstrar que não há informação disponível sobre a toxicidade das substâncias a estudar. A criação da Agencia  Europeia de Produtos Químicos (ECHA) persegue o mesmo objetivo: centralizando os dados, evita a repetição de provas já realizadas e a duplicação da mesma prova em vários laboratórios”. 

A Fundação dirigida pela estrela do cinema francês reitera que o regulamento europeu REACH prevê, no Anexo XI, recorrer a métodos de prova, mesmo que todavia não sejam validados, já que estes métodos podem aportar elementos de prova suficientes para poder concluir que uma substância possui ou não uma propriedade perigosa em particular. Neste caso, há que ‘renunciar aos ensaios suplementares sobre animais vertebrados’. 

Recentemente, a Fundação Brigitte Bardot participou no financiamento de uma experiência celular de toxicidade (VALITOX) realizada sobre células humanas, um método alternativo aos ensaios com animais, coordenado pelo comitê Pro Anima e dirigido pelo professor Jean-François Narbonne. A última fase do desenvolvimento  desta prova, feita entre janeiro e maio de 2009, consistia em calibrar este teste sobre um formato de banda larga compatível com seus usos futuros, em particular no marco do Regulamento REACH, e resolver o problema conhecido como “falsos negativos”. 

Esta etapa mostrou que na sua configuração atual, o experimento VALITOX prediz   82% dos efeitos observados no caso humano, um resultado inédito até agora para este tipo de estudos com um enfoque alternativo. Tal método foi submetido ao processo de validação perante o Centro Europeu de Validação de Estudos Alternativos (ECVAM). Atualmente se encontra na fase de pré-validação. 

Segundo a FBB, as conclusões arrojadas por agora indicam que este tipo de “estudos celulares”, comparados às provas com animais, é mais rápido, menos caro e mais confiável para o homem. Esse tipo de teste, além das provas toxicogenômica e bioinformática, coloca as provas de experimentação com animais como arcaicas e inadaptadas ante os avanços da investigação científica atual, segundo enfatiza a organização que tem sua base em Paris. 

Sob estas condições, a FBB insiste perante as autoridades francesas que se vigie a exclusão do uso da experimentação animal para a validade da toxicidade humana, além de se respeitar a regulamentação europeia, que proíbe o uso de animais uma vez que existe um método alternativo.

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Sistema inovador para testes de toxicidade promete combater experimentação animal nos EUA

Por Marcela Couto(da Redação)

O químico David Cliffel, da Universidade de Vanderbilt, EUA, recebeu uma doação da Alternatives Research & Development Foundation (Fundação para o Desenvolvimento de Alternativas em Pesquisas em tradução livre) para avaliar o potencial de seu sistema de monitoramento de células avançado que pretende reduzir o uso de animais nos testes de toxicidade.

David Cliffel ao lado de sua invenção
Foto: Daniel Dubois

O sistema criado por Cliffel, que ele chamou de “multianalyte microphysiometer” (micro medidor físico multi analítico em tradução aproximada), representa uma nova solução para os testes tóxicos apresentada em 2007 pelo National Research Council, que propõe métodos que avaliam o efeito das químicas em células humanas e culturas de células ao invés de aplicar testes incertos em animais.

“O fato de nós não podermos prever o que irá acontecer quando injetamos uma substância química em um animal é reflexo do quanto cru e limitado ainda é nosso conhecimento científico básico sobre processos biológicos,” disse Cliffel, que leciona química.

As análises de células feitas hoje em dia costumam testar a toxicidade de forma uni-dimensional: Eles testam para um tipo específico de atividade biológica. Como resultado, eles não conseguem prever efeitos colaterais que as químicas podem causar. O método de Cliffel, ao contrário, pretende usar células humanas como “sensores de toxicidade” que não apenas determinam os danos químicos como também identificam a forma com que ocorrem.

A invenção de Cliffel possui uma quantidade de recipients que contém em média 100.000 células cada em condições que as deixam vivas por muitos dias. Essas células são equipadas com uma bateria de sensores que monitoram seu metabolismo constantemente. Colocando células nervosas em um tubo, células do coração em outro e assim por diante será possível criar um relatório de toxicidade que abrange todo o corpo humano.

Com os U$33,000 recebidos da fundação, Cliffel e seus colegas vão usar o sistema para analisar um remédio contra o câncer que passou pelos métodos celulares convencionais, mas intoxicou alguns chimpanzés. Eles deixarão algumas células imunológicas humanas em contato com a droga e observarão as reações.

“Este sistema tem o potencial de revelar múltiplas reações adversas sobre as drogas de forma muito mais precisa que outros métodos,” disse o químico, entusiasmado.

Com informações de Vanderbilt University

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