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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 1

1º ASPECTO – VONTADE, AUTODETERMINAÇÃO, LIBERDADE

Estas palavras, segundo o Ocultismo, expressam o principio mais elevado [ATMA] que constitui a “alma humana”.

Conforme a Sabedoria Antiga, o homem é em essência uma centelha divina, e como parte do Uno, também se manifesta ciclicamente nos diversos planos ou níveis de consciência.

Podemos chamar de alma a sede de sua consciência, e dizer que ela se utiliza em cada etapa de sua manifestação daquilo que é conhecido geralmente por “personalidade”.

Quando colocado desta maneira, observamos que os seres humanos são almas que possuem corpos (como se fossem instrumentos ou ferramentas de trabalho), ao invés da crença atualmente aceita em nossas culturas de que somos um corpo que possui uma alma. Como pode o que é mortal possuir algo imortal? Como é possível o limitado conter aquilo que é ilimitado? É deveras impossível: No entanto, fomos levados a pensar que somos realmente as personalidades (mortais) e que possuímos uma alma (imortal).

Convém agora distinguir a diferença existente entre duas palavras que geralmente são tomadas como sinônimas, ou seja, a “vontade” e o “desejo”.

De acordo com o que foi exposto, a vontade é a expressão suprema da alma humana, manifestando-se no mundo como atividade. O desejo, entretanto, é uma característica intrínseca da personalidade, e pode assumir diversos tipos, como a fome, o repouso, o sexo, que em última instância, são simplesmente necessidades passageiras daquele instrumento que denominamos corpo físico. Existem, evidentemente, outros desejos que se manifestam nos níveis emocional (afeto) e intelectual (compreensão), mas obviamente um desejo originado em qualquer destes níveis colige uma certa representação nos outros dois.

Por exemplo, o desejo de alimentar-se (fome) encontra sua contraparte no plano das emoções através da preferência pessoal (uns gostam disto, outros daquilo), e no plano dos pensamentos, quando utilizamos a memória (sempre temos em mente um bom restaurante, etc. )

Para tornar-se vegetariano numa cultura como a nossa (ocidental), após ter sofrido um massacrante condicionamento para o consumo de bens materiais, e para apresentar comportamentos sociais preestabelecidos pelos meios de comunicação, das diversas “propagandas”, o indivíduo deve ter dentro de si uma forte VONTADE DE NÃO COMER CARNE.

Ao nascermos, o nosso primeiro alimento é o leite materno. Algumas semanas mais tarde recebemos papas de frutas, mingaus e legumes. Após alguns meses passamos a receber alimentos que contém caldos de carne, e com o aparecimento dos dentes, passamos a comer pedaços de carne.

Nesse período alguns pais observam que curiosamente as crianças começam a ficar doentes, um pouco mais tensas, agitadas, e em alguns casos até, chegam a recusar a carne.

Mas a imposição dos pais é mais forte que a reação natural da criança, e assim, pouco a pouco, o organismo passa a adaptar-se ao novo tipo de alimento.
Com o crescimento, a adaptação é completa, não apenas no nível fisiológico, como também no nível ideológico ou mental.

Existem adultos que realmente acreditam que o ser humano não pode viver sem comer carne.

Todas estas “necessidades” são na realidade um hábito, tal como fumar ou ingerir muita bebida alcoólica.

Quando a pessoa apresenta uma dependência, tanto a nível fisiológico quanto psicológico, dizemos que ela está viciada.

Infelizmente, ocorre o mesmo com a alimentação, a todos aqueles que, tendo uma alimentação carnívora bem farta, resolvem tornar-se vegetarianos por modismo ou esporte, desistem em menos de uma semana.

Somente aqueles que apresentam uma vontade espiritual suficientemente intensa é que são capazes de vencer as “necessidades” fisiológicas e os preconceitos que nos foram inculcados desde o berço até a idade adulta.

Com essa VONTADE, desenvolve-se a AUTODETERMINAÇÃO de escolher o tipo de alimento que o indivíduo deve ingerir para formar o seu corpo físico, fornecendo-lhe, assim, LIBERDADE de escolha.

“A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que têm índole bravia e feroz, os tigres e os leões, etc. , podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte dos seres vivos.”
Pitágoras

José Salvador Caballero, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade


Fonte
: Levir Teosofia

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 2

2º ASPECTO – AMOR UNIVERSAL, CONSCIENTIZAÇÃO COM
TODAS AS FORMAS DA VIDA, SABEDORIA

Deus é amor.

Esta frase expressa uma verdade que está presente em todas as religiões e sistemas ético-filosóficos que tem guiado a humanidade desde suas origens.
Mas, infelizmente, a palavra Deus tem sido empregada às vezes de forma imperfeita para expressar o conceito do Criador do Universo.

De acordo com as Sagradas Escrituras, Deus creou o Céu e a Terra. As descrições do Gênesis referem-se ao Criador com uma certa simplicidade, dando-nos uma imagem parecida com a de um ser humano. Em algumas passagens, transmite-se a idéia de que o Universo, com todas as formas de vida, foi criado como sendo algo distinto do Criador.

Fazendo uma analogia, o ato seria parecido ao trabalho de um escultor, que tomando a matéria bruta, dá-lhe a forma que considera necessária ao seu ideal de perfeição e beleza.

Tanto nas passagens das Escrituras Sagradas, como no exemplo do escultor, existe uma semelhança fundamental: ambas apresentam um ser criador e o objeto da criação, ou seja, existe uma dualidade.

Dado que este aspecto dualista tem permanecido durante séculos nos corações e mentes de todos os fiéis, podemos perceber com facilidade como o mesmo foi responsável pela idéia da distinção do sagrado e do profano, do celestial e do terreno.

Foi devido a este modo de pensar e sentir, que as ações dos dirigentes religiosos justificaram as cruzadas e as tochas humanas da Santa Inquisição.

A visão do Ocultismo é totalmente diferente. Para podermos exemplificá-la, vamos utilizar o ato da criação mais comum aos seres humanos: seus descendentes.
Quando um casal conscientemente decide engendrar um filho, criando-o e protegendo-o até que o mesmo torne-se um ser independente, cada membro do casal sabe, consciente ou inconscientemente, que nesse ato de amor para com o ser que vai nascer, existirá, indubitavelmente, uma certa perda de liberdade individual.

Durante um certo período de tempo, os cônjuges terão que dedicar grande parte de seu tempo, que antes era empregado em passatempos, ao amparo e proteção do ser que nasceu.

Também está implícito neste ato de criação a responsabilidade pelo caráter do ser que eles estão moldando.

Quanto maior for o amor, maior será o sacrifício de si mesmos para permitir que todas as potencialidades do filho floresçam para o mundo. Segundo a Sabedoria antiga, o Ser Absoluto, o Uno Sem Segundo, é essencialmente ilimitado e Eterno, e sua Consciência abrange a plenitude do Espaço.

Ao tornar-se o manifestado, o Absoluto cria o Universo e suas miríades de seres, mas ao mesmo tempo, ocorre uma limitação de sua Consciência e Poder Infinitos.

É justamente nessa limitação que consiste o “Grande Sacrifício” que é o ato da Criação do Universo.

Toda e qualquer manifestação do Universo, seja no mundo visível ou nos planos hiperfísicos, é uma parte D’Ele, cuja vida e consciência (por menor que esta seja), são expressões ainda que limitadas da Vida Una e Consciência do Creador.

Não existe assim aquela dualidade, pois o Universo e o Creador são Um.

Nossa mente humana ainda é muito limitada para poder sentir que a Creação do Universo é o mais profundo ato de Amor, quando o Absoluto sacrifica sua Eterna Bem- aventurança como ser Ilimitado, para permitir a existência do Cosmos, com todas as infindáveis espécies de criaturas visíveis e invisíveis.

São poucos os seres humanos que conseguiram captar com plenitude o significado da Unidade da Vida, mas entre os que nos são mais familiares, podemos recordar alguns trechos de São Paulo:

“Deus, que fez o mundo, e tudo o que nele há, sendo ele o senhor do céu, e da terra, não habita em templos feitos pelos homens, como se necessitasse de alguma criatura, quando ele mesmo é o que dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas !
“E de um só fez todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra, assinando a ordem dos tempos, e os limites da sua habitação: para que buscassem a Deus, se porventura o pudessem tocar, ou achar, ainda que não esteja longe de cada um de nós. Porque nele mesmo vivemos, e nos movemos, e existimos; como ainda disseram alguns de vossos poetas: Porque dele também somos linhagem.” (Atos 17, 24-28)

Toda e qualquer expressão da vida está contida no Plano Divino da Creação como parte da Vida Una.

Quando um ser humano compreende este fato não apenas intelectualmente mas o sente como uma profunda verdade, ocorre uma transformação interior, pois ele passa a identificar-se com todas as formas de vida, o que o torna capaz de vivenciar a grandiosidade destas palavras:

“Oh Vida Oculta que vibras em cada átomo. Oh Luz Oculta que brilhas em cada criatura. Oh Amor Oculto que tudo abranges na Unidade. Saiba todo aquele que se sente Uno Contigo, Que ele é por isso mesmo, Uno com todos os outros.” (O Mantra da Unidade, Annie Besant)

Existe na cultura indiana um cumprimento muito respeitoso que é realizado com as mãos em forma de prece, junto ao peito, seguido da palavra NAMASTE.
O significado desta palavra é aproximadamente o seguinte:

“O Eu Divino que em mim habita saúda o Eu Divino que em ti habita.”

Mas esta reverência para com a Vida Una não se aplica apenas aos semelhantes, mas toda e qualquer forma de vida, inclusive ao reino animal. Este é o fundamento de AHIMSA, conhecida como “não violência”.

Eis porque determinadas culturas milenares cuja influência chega aos nossos dias, como a Egípcia e a Indiana, tratam os animais de tal forma que aos nossos olhos, parecem seres “sagrados”.

Se eles não os sacrificam para comê-los, não é por acreditarem (como dizem alguns desinformados) que são “vacas sagradas”, ou “animais idolatrados como deuses”, mas sim, por respeito e reverência à Vida Divina que os anima, juntamente com todas as criaturas do Universo.

O Absoluto manifesta seu Amor Universal animando todas as criaturas, visíveis e invisíveis.

Perceber a Unidade da Vida, e identificar-se com todas as formas de vida, é o primeiro passo para a Sabedoria.

“O comer carne é a sobrevivência da maior brutalidade; a mudança para o vegetarianismo é a primeira conseqüência natural da iluminação.”
Leon Tolstoi

José Salvador Caballero, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade

Fonte: Levir Teosofia

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 3

3º ASPECTO – PENSAMENTO ABSTRATO,
COMPREENSÃO DA LEI DA EVOLUÇÃO, FILOSOFIA DE VIDA

Este aspecto é o mais simples entre os três primeiros (abstratos), por abordar o assunto sob um prisma que certamente é familiar ao leitor. Como vimos, toda e qualquer forma de vida é uma expressão da Vida Una que anima todo o Universo.

Mas ao criar o Universo, a Divindade não o fez de forma estática, já acabada. Somente as Leis universais são imutáveis.

Uma destas Leis atua de forma dinâmica sobre todo o Universo visível e invisível, no sentido de transformá-lo continuamente e cumprir o Plano Divino da Creação.

Quando um astrônomo ou astrofísico contempla o Universo, ele está consciente de estar observando o firmamento estelar (Solar). Por sua vez, existem inúmeros sistemas solares como este no interior de nossa Galáxia (a Via Láctea). Também sabe que esta é apenas uma dentre os milhões de galáxias que já foram descobertas.

Ele também observa que existem outros tipos de aglomeração de matéria, como as gigantescas nebulosas, os “Quasars” e os “Buracos Negros”. Porém, se ele contemplar o firmamento não apenas com os olhos de um cientista mas também de um filósofo, ele passa a perceber que as massas de gás disformes tornar-se-ão sistemas estelares agrupados sob um formato discóide, constituindo galáxias como a Via Láctea. Esta, por seu turno, deve ter apresentado um formato parecido ao das nebulosas, alguns bilhões de anos atrás. Além disso, ele sabe que toda a matéria do Universo foi originada através de uma tremenda condensação de energia, ocorrendo em seguida uma expansão dessa matéria por todo o espaço.

Finalmente ele passa a saber com certeza absoluta que existe algo no Universo que o impele a uma transformação constante, partindo de um desordem máxima, como no momento da Grande Explosão (Teoria do Big Bang), passando por determinados estados de agregação nas nebulosas, até um grau de ordem máxima (Kosmos), tal como ocorre nos planetas com órbitas definidas de nosso sistema solar.

Mas também o processo de continua transformação sofridas nas diversas camadas deste planeta desde que se solidificaram os continentes primitivos.

Através dos registros fósseis deixados nas rochas, os botânicos e zoólogos puderam acompanhar as transformações das diversas formas da flora e fauna que constituem nosso planeta.

Finalmente, os antropólogos tem dedicado esforços ainda maiores para criar modelos que descrevam as transformações que deram origem ao ser humano atual.

Acreditar que as transformações que se iniciaram com a formação de toda a matéria do Universo e culminaram, por exemplo, na inteligência humana necessária para expressar matematicamente a origem deste mesmo Universo, são apenas fruto do acaso, uma mera casualidade, denota, no mínimo, que esse alguém jamais teve a paciência para calcular nem explicar como casualmente a matéria se agrupou para permitir o aparecimento de sua forma de vida, e como (casualmente, é claro) esta pode dar origem à sua própria consciência.

Percebemos que desde o inicio do Universo, este tem sido transformado devido a existência da chamada “Lei de Evolução”.

Mas é necessário aqui distinguirmos o conceito de Lei de Evolução conforme vislumbrado pela Ciência e pela Teosofia.

Como vimos, a ciência acredita que através de simples arranjos ao acaso, a matéria se organizou dando origem às cadeias orgânicas e posteriormente à vida. Das transformações sofridas pelas formas de vida (mutações), surge uma nova expressão na matéria, chamada consciência, que nos seres humanos é denominada autoconsciência.

Por outro lado a Teosofia sugere que a Consciência Absoluta ou Creador, manifesta-se no Universo através de fragmentos de sua Consciência, conhecidos como “Mônadas”.

Estas Mônadas por sua vez, constituíam as sementes da Consciência Divina que somos em essência.

Mas estas “sementes” da essência humana precisam, por assim dizer, germinar.
E assim, elas são lançadas no seio da matéria, para através dela, experimentarem todas as suas possibilidades de crescimento.

Antes de “caírem no solo”, estas sementes passam por uma fase conhecida no Ocultismo como “essência monádica”.

No primeiro estágio elas animam, ou melhor, vivificam as formas que constituem o assim chamado mundo mental superior, ou seja, o próprio pensamento abstrato. ecorrido um período de tempo incalculável, as mesmas “sementes” passam agora a animar as formas do mundo mental inferior, ou seja, os pensamentos concretos.

Após um novo período, ao mesmas passam a animar as formas do mundo das emoções, ou seja, todos os tipos de sentimentos.

Quando estas “sementes” experimentaram todos os tipos possíveis de atividade nos planos hiperfísicos, elas passam agora a animar a matéria do mundo físico através da formação e crescimento das espécies do reino mineral. Após outro longo período de atividade neste reino, elas passam a animar o crescimento das espécies do reino vegetal, com toda sua exuberância e beleza. Neste reino, as mônadas adquirem novas potencialidades, pois sua consciência se expande mais e mais à medida que experimentam as variações de luz e sombra, chuva e vento, etc.

Após animar diversos tipos de vegetais, ao longo de períodos de tempo incalculáveis, as mônadas passam agora a animar a vida dos seres do reino animal, quando então elas passam a adquirir uma nova qualidade: tornam-se capazes de responder aos impulsos de fome, sexo, descanso, etc. Durante sua manifestação através deste reino, as mônadas se tornam capazes de adquirir sentimentos (medo, afeto, tristeza etc. ), através das inúmeras espécies existentes.

Finalmente, quando as mônada animam os animais domésticos, passam a experimentar emoções típicas de seres humanos, e além disso, ocorre um desabrochar da faculdade chamada inteligência, se diz então que a mônada encerrou a etapa de manifestação como consciência coletiva ou grupal da espécie, passando agora a experimentar a autoconsciência, ou consciência individualizada.

No próximo período de manifestação, a mônada, agora autoconsciente, passa a animar a forma humana, dando origem ao ser humano primitivo. Após expressar-se através de inúmeros veículos em diversas encarnações, a “semente” finalmente germina, dando origem a uma nova magnitude de consciência que ultrapassa o nosso entendimento. Nesse ponto, o ser transcende todas as experiências necessárias neste mundo físico para a expansão de sua consciência como ser humano, tornando-se assim um ser semidivino.

Estes seres são conhecidos como “Mahatma”s pelo hinduísmo, “Asekas” pelo budismo e, de certo modo, como Santos pelo cristianismo.

Em suma, podemos dizer que as mônadas ou “centelhas da Divindade” desabrocham sua consciência interagindo com o mundo e com suas criaturas, através do processo conhecido como Vida.

Para tanto, utilizam-se, a partir de certo estágio de desenvolvimento, certos envoltórios de matéria que constituem os corpos ou veículos de manifestação. Tudo o que foi dito até agora sobre este aspecto, pode ser sintetizado nas palavras simples de um provérbio Sufi (a corrente esotérica do islamismo):

“Toda e qualquer forma de vida do reino animal tem o seu papel na expansão da consciência da Centelha Divina que a anima.”

Talvez agora possamos compreender que sacrificar um ser vivo, qualquer que ele seja, mesmo para seu próprio sustento, é uma ação que elimina a possibilidade do ser continuar a evolução de sua consciência.

Devido à compreensão da Lei da Evolução, surge em nós um profundo respeito pela vida de todas as criaturas. Às vezes esta compreensão (ainda que de forma abstrata), modifica nossa postura ante a Vida e os seres que nos rodeiam, fazendo com que adotemos uma nova filosofia de vida: o Vegetarianismo.

“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem.”
Leonardo da Vinci
José Salvador Caballero, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade

 


Fonte
: Levir Teosofia

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 4

4º ASPECTO – HARMONIA, EQUILÍBRIO, ORDEM

Este aspecto possui uma importância singular, por servir de elo de ligação entre os aspectos abstratos e metafísicos já abordados, e os concretos e evidentes por si mesmos, que serão vistos por último.

Existe outra Lei Universal que, juntamente com a da Evolução, atua no sentido de permitir o desenvolvimento do Plano Divino. Ela se manifesta mantendo o equilíbrio das leis físicas que regem o Universo.

Sabemos que qualquer corpo próximo a superfície da terra está sujeito à gravitação terrestre. Se soltarmos de uma altura qualquer, ele cairá. Isto ocorre hoje, ocorreu desde antes da formação da superfície terrestre e continuará a acontecer mesmo no dia em que não exista qualquer forma de vida neste planeta.

Isto sucede porque as leis físicas são imutáveis.

Que poderíamos dizer de um universo em que hoje o objeto cai, amanhã ele sobe, depois de amanhã se desloca na horizontal, e assim por diante? Simplesmente ele não poderia existir, pois seria totalmente incoerente.

Quando plantamos uma macieira, temos a certeza de colhermos maçãs, ao invés de tomates, pois as leis que regem o crescimento do reino vegetal são coerentes. Quando contemplamos uma criança de uns 5 anos, por exemplo, temos a certeza absoluta de que a mesma continuará crescendo até a idade adulta, pois nenhum ser humano ou uma criança jamais irá encolher com o tempo até tornar-se um recém-nascido.

Tudo isto é óbvio, poderão argumentar alguns, mas se temos certeza, é porque sabemos (ainda que inconscientemente) que existem determinadas leis que regem os fenômenos físicos e biológicos, mantendo a coerência e consequentemente a ordem do Universo.

A lei Universal a que nos referimos é conhecida como Lei da harmonia, por manter a coerência e o equilíbrio no Universo, desde um elétron ao redor do núcleo atômico, ao processo de expansão das galáxias de todo o cosmos.

Caso esta Lei não existisse, seria impossível ocorrer a Lei da Evolução Universal, pois o “universo” seria um eterno Kaos.

Podemos perceber que todas as manifestações da Vida Una obedecem à risca as Leis Universais, desde os minerais aos animais.

No reino humano, porém, as coisas ocorrem de forma diferente. Por ser dotado de uma inteligência que lhe permite expressar-se de forma autoconsciente, todo ser humano possui a singularidade chamada de “livre arbítrio”.

Este fato permite que nossas ações interajam sobre o Plano Divino, pois afinal de contas, somos Deuses em miniatura.

Por falta de conhecimento deste Plano, nossas ações são demasiado personalistas, quase que instintivas.

No entanto, toda ação acarreta uma reação, que poderá ser percebida por nós ou não, dependendo do plano em que a mesma se realiza, e do nível em que focalizamos nossa consciência.

Nos últimos anos a Ecologia tem mostrado à humanidade o efeito da poluição, do desmatamento e da extinção das diversas espécies animais. Cem anos atrás ninguém se preocupava com isso, mas o fato é que os efeitos sempre existiram, quer a humanidade os conhecesse ou não.

Isto é o que ocorre quando a humanidade viola (consciente ou inconscientemente) a Lei da Harmonia Universal. A natureza volta-se contra o homem, trazendo-lhe grandes sofrimentos. Se o homem conseguir suprimir a causa, desaparecerá o efeito.
O modo como a Natureza reage no nível ecológico, é um simples exemplo no plano físico, da chamada Lei de Causa e Efeito, conhecida há mais de cinco mil anos pelos filósofos e religiosos da Índia como a lei do Karma.

Vejamos agora como se enquadra o tema do vegetarianismo dentro do contexto da harmonia Universal.

Os seres humanos primitivos possuíam uma percepção quase instintiva do 2° e 3º aspectos já mencionados:

Vida Una e Plano de Evolução.

Alguns povos chamados “primitivos” ou selvagens apresentam na atualidade, resquícios dessa vidência dos planos hiperfísicos.

Antes de cortar uma árvore ou preparar-se para a caça, eles realizavam um pequeno ritual cujo caráter místico e devocional pode parecer, aos nossos olhos de seres cultos e civilizados, uma superstição de povos ignorantes.

Mas para eles, nós é que somos cegos, por não observarmos a universalidade da vida, como eles a percebem.

Com o desenvolvimento do intelecto, o homem perdeu essa percepção instintiva, fazendo com que deixássemos não apenas de reverenciar as formas de vida que sacrificamos para o alimento, mas ainda, mantendo os hábitos adquiridos durante a pré-histórica idade das cavernas.

Apesar da transição ocorrida desde primitivos e nômades que viviam da caça e pesca, aos civilizados com desenvolvimento de técnicas agrícolas, a humanidade continua a alimentar-se de animais, embora disponha de recursos que lhe permitam mudar os hábitos alimentares.

O homem passou a utilizar o intelecto para benefício próprio, esquecendo- se, porém, de que ele faz parte do processo da natureza, e que a mesma não foi construída para servi-lo.

O homem interage com o ambiente, e este, por sua vez, com a Natureza como um todo. Por seu turno, a Natureza reage de diversos modos, dos quais, o homem ignora.

Natureza mantém o equilíbrio através de uma economia máxima, ou seja, desperdício mínimo.

Vejamos agora como o homem viola as leis da natureza fazendo uso da alimentação carnívora.

Um livro didático do 2 Grau Escolar (1), aborda num dos capítulos a questão do vegetarianismo:

A Passagem de Matéria e Energia pelos Seres Vivos:

“Uma consequência da chamada “Lei dos 1O %” é a desvantagem, em termos ecológicos, de uma dieta muito rica em carne. Ao ingerir um vegetal, aproveitamos cerca de 1O % da matéria e da energia fixada pela planta. Porém, quando comemos carne bovina, por exemplo, estamos aproveitando apenas 1% do alimento vegetal que serviu de alimento ao boi (1O % dos 1O % aproveitados pelo animal). Um modelo teórico elaborado pelo famoso ecologista Eugene Odum ilustra bem estas relações; ele calculou que são necessários 2O milhões de pés de alfafa para sustentar 4, 5 bezerros que, por sua vez, serviriam de alimento para uma criança de 12 anos, durante um ano. ”

Estas informações são fatos reais, mas infelizmente são utilizadas para ocupar a memória dos alunos durante um pequeno espaço de tempo.

EM 1983, foi publicado num dos jornais de maior circulação deste país (2) um artigo intitulado “Cai o consumo de carne nos EUA :  teses dos médicos e religiosos. “Em uma parte do artigo, uma nutricionista elucida o baixo rendimento protéico que existe devido à dieta carnívora:

“Para Pamela Jackson, a substituição de carne por vegetais “é uma maneira de  não contribuir para a fome que se alastra por toda a parte”. Por uma razão simples, explica: um hectare de terra usado para plantio de cereais é capaz de produzir cinco vezes mais proteína do que um hectare usado para a criação de gado, enquanto um hectare destinado à produção de legumes pode gerar até dez vezes mais proteína.
No momento, diz a nutricionista, 1.5 bilhão de pessoas em todo mundo são consideradas mal nutridas ou famintas, enquanto que 5O  milhões estão à beira da inanição. Mesmo assim, 9O % do milho, 77% da soja e 88% da aveia produzida nos Estados Unidos destinam-se à engorda de animais.

“Além disso, ela acrescenta, 5O % dos peixes retirados dos rios e mares de todo o mundo vão para o estômago de vacas e porcos, em vez de alimentar as populações famintas. Segundo ainda a nutricionista, “é na América Latina onde a irracionalidade chega ao limite do absurdo: a maior parte da carne produzida nesse continente, em vez de ir para o estômago de seus muitos famintos, vem para os Estados Unidos, onde é transformada em hambúrguer para as lanchonetes”.

Notamos que o problema da fome no mundo não é tanto de origem econômica ou política (meras criações humanas), mas sim devido, única e exclusivamente, à estrutura de valores humanos ante a Vida como um todo. Desperdiça-se estupidamente a energia que pode ser fornecida pelo solo apenas para mantermos  os hábitos adquiridos por nossos ancestrais na época das cavernas, embora tenhamos meios para manter a saúde sem realizar a violação das leis naturais.
A humanidade como um todo está em constante evolução, juntamente com todos os outros reinos (mineral, vegetal e animal).

No plano físico, cada ação individual produz seu efeito, no sentido de acelerar ou retardar todo o Plano Divino. Conforme for o caso, costuma-se chamá-la de BEM ou MAL.

A lei do KARMA, porém, atua coletiva e individualmente, fazendo com que cada um colha exatamente o que plantou, seja o bem ou o mal. Mas ela se aplica também aos outros planos do Universo que são invisíveis (astral, mental etc), de modo que a humanidade como um todo, e cada indivíduo em particular, recolherá sua parcela de culpa pela agressão e violência emocional e mental para com os seres que evoluem neste mundo.

Este aspecto poderia ser estendido quase indefinidamente, mas uma simples passagem do referido artigo (2) sintetiza todo o objetivo do  4º aspecto do vegetarianismo:

“Na tradição budista, da qual Phillip Kapleau faz parte, existe uma relação de causa e feito (chamada lei do Karma) aplicável a qualquer ação humana, boa ou má. Noutras palavras: “Todos os crimes que aqui cometemos, aqui mesmo pagamos”, diz ele. Kapleau usa a lei do Karma para explicar a relação entre a matança de animais e a caótica existência humana:

“Como consumidores de carne, todos temos dado nossa permissão para que a carnificina contra os animais prossiga, tornando-nos cúmplices dela através dos tempos. Pela Lei do karma, entretanto, acabamos sendo as vítimas. Ao ingerir corpos de animais assassinados, estamos engolindo também a violenta energia do sofrimento e do horror que eles experimentam no momento da morte. Como esperar harmonia e paz no mundo enquanto continuamos a ser sepulturas ambulantes de bestas esquartejadas?”

“Feliz seria a Terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos sem derrame de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”
Sidharta Gautama (O senhor Buda)

José Salvador Caballero
, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade

 

Fonte: Levir Teosofia

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 5

5º ASPECTO – CONHECIMENTO CONCRETO – CIÊNCIA – VERDADE UNIVERSAL.

Este é o primeiro dos aspectos analisados que aborda o tema de uma maneira concreta, objetiva, fornecendo algumas informações que talvez sejam novidade para o leitor.

Desde a época em que Galileu Galilei dava os primeiros passos na estruturação de um método objetivo para o estudo sistemático e a compreensão do mundo em que vivemos, passaram diversos séculos até que o homem começasse a conhecer as principais leis físicas, químicas e biológicas que atuam na natureza.

No século XX os conhecimentos científicos permitiram um desenvolvimento tecnológico como jamais havia sido sonhado. O poder do conhecimento humano chegou a tal ponto que enquanto uma equipe de neurocirurgiões em qualquer parte do mundo pode estar realizando todos os seus esforços para salvar uma única vida, outra equipe de “cirurgiões” pode estar planejando o extermínio de milhões de seres humanos inocentes, projetando as bombas de nêutrons.

Assim é a ciência, ela em si não é boa nem má. Sua aplicação depende do coração e das mentes daqueles que possuem os segredos da Natureza. Os conhecimentos científicos não constituem de maneira alguma a Verdade Absoluta. Cada ciência possui seus modelos para explicar a realidade objetiva. Os cientistas dignos desse nome devem ter uma mente suficientemente aberta para questionarem sempre o modelo que utilizam, caso contrário, se o mesmo for falho, a “verdade” transforma-se num dogma que poucos ousam contestar.

Os estudos antropológicos indicam que em determinado ponto da evolução, existiam dois tipos de antropóides. Um deles era tipicamente frugívoro, alimentando-se também com folhas e raízes. O outro, tipicamente carnívoro, eventualmente alimentava-se de vegetais.

Devido às mudanças climáticas, houve uma disputa entre as duas espécies, e os carnívoros foram vencedores, expulsando os frugívoros e consequentemente conseguiram sobreviver. Segundo essa teoria, a espécie humana descende diretamente destes sobreviventes, motivo pelo qual, acredita-se que os seres humanos sejam carnívoros.

Estas conclusões encerram uma ideia não declarada de que os carnívoros, por serem mais fortes, venceram e sobreviveram, enquanto os frugívoros, por serem fracos, sucumbiram. E como se a evolução da inteligência, desde os antropóides aos humanos atuais, fosse uma consequência dos hábitos alimentares daqueles seres. Será o homem realmente criado pela Natureza para ser um onívoro, como geralmente é chamado? Em outras palavras, alimentar-se de carne faz parte da natureza humana, ou trata-se apenas de um hábito não natural adquirido por razões de sobrevivência da espécie?

Diversos estudos científicos estabeleceram algumas comparações entre a constituição do aparelho digestivo do homem e de vários tipos de animais, tais como os carnívoros, onívoros, herbívoros e frugívoros.

Os animais tipicamente carnívoros possuem dentes caninos grandes e pontudos para agarrar a presa, pequenos incisivos e molares grandes e pontudos, que se encaixam uns aos outros, para dilacerar as fibras de carne.

Os tipicamente onívoros como os ursos, apresentam caninos tais como os carnívoros. Os incisivos, por sua vez, são mais desenvolvidos, para cortas raízes, folhas e frutos. Os molares, continuam sendo pontudos.
Por outro lado, os animais tipicamente herbívoros, possuem dentes caninos atrofiados, os incisivos grandes como os onívoros e os molares apresentam pontas arredondadas.

Os animais de índole frugívera apresentam uma característica marcante: todos os tipos de dentes possuem o mesmo tamanho. Os caninos são cônicos e de pontas arredondadas, os incisivos, tais como os dos onívoros, e os molares, com pontas arredondadas como os dos herbívoros.

Caso a natureza desejasse que o ser humano fosse naturalmente onívoro como os ursos, teria feito com que tivéssemos incisivos grandes para capturarmos a presa, os molares pontiagudos para retalharmos as fibras carnosas.
Neste caso, indubitavelmente, o sorriso dos seres humanos seria tão belo quanto o do Conde Drácula.

Quanto ao aparelho intestinal, ocorrem as seguintes diferenças:
Os carnívoros possuem um tubo intestinal cerca de 3 a 5 vezes maior que a distância entre a boca e o anus.

No caso dos herbívoros, esse comprimento varia de 20 a 28 vezes a distância citada.
No caso dos frugívoros, bem como do homem, essa distância é de 10 a 12 vezes apenas. Esta diferenças existem pelo seguinte motivo:

Devido à decomposição das toxinas da carne, os carnívoros são dotados de aparelho digestivo mais curto, para permitir que as mesmas sejam eliminadas o mais breve possível do organismo.

Com os herbívoros típicos, ocorre o contrário, pois necessitam um comprimento maior que lhes permita absorver integralmente os nutrientes do alimento.
Se fosse natural alimentar-se de carne, o ser humano deveria ter a metade do comprimento de seus intestinos, para não prejudicar-se com as toxinas existentes na carne.

Existem diferenças até quanto ao formato do estômago. No homem, ele é alongado, apresentando uma protuberância (duodeno) que sob certos aspectos, atua como um segundo estômago. Os herbívoros típicos, possuem este órgão muito mais alongado, enquanto que o dos carnívoros é muito curto e quase esférico.

Estas são as principais diferenças anatômicas existentes entre os animais tipicamente carnívoros, os totalmente vegetarianos e o ser humano.

A humanidade tem utilizado a carne como alimento desde as civilizações primitivas, e este fato nos faz acreditar que a mesma é um bom alimento.

Esta não é, entretanto, a conclusão de diversos estudos científicos contemporâneos. Como exemplo, veremos alguns trechos do referido artigo do jornal:

“A suspeita dos médicos de que a carne está ligada à alta incidência de câncer nos Estados Unidos surgiu depois de um levantamento cientifico feito em todo o mundo, demonstrando que os maiores índices de mortalidade são registrados justamente entre os povos onde o consumo de carne é maior. Entre eles incluem-se os russos da região de Kurgia, os esquimós do Alaska e os povos de Greenland e Laplander, que nunca vivem mais de 30 ou 40 anos. Por outra lado, as maiores longevidades do mundo (90 a 100 anos) ocorrem entre as populações onde a dieta tem baixo conteúdo de carne, como os búlgaros, os russos caucasianos os índios do Yucatan, no México” e os Hunzakuts, no Paquistão. Os norte-americanos, os maiores consumidores de carne do mundo (anualmente quatro bilhões de cabeças de gado são exterminadas nos Estados Unidos) ocupam um modesto 21º lugar na relação das nações industrializadas mais longevas.

“Outro fato que chamou a atenção dos cientistas sobre a influência da carne nos índices de câncer foi um evento ocorrido na Dinamarca e na Noruega. Bloqueados durante a 2ª Guerra Mundial, esses dois países viram-se forçados a enfrentar um racionamento alimentar que eliminou a carne de suas dietas por um ano. Durante esse período, o índice de mortalidade do país caiu 17%, mas assim que o racionamento foi suspenso, ao estatísticas voltaram ao que eram antes da guerra.
“Segundo Charles Gilman, um dos técnicos do Departamento de Saúde dos Estados Unidos que participaram desses levantamentos, o consumo de carne é responsável também pela maioria das doenças degenerativas e do coração. “Nosso estudo tem revelado” – diz ele – “que uma dieta sem proteína animal pode eliminar até 90% das doenças trombo-embólicas e 94% das obstruções da coronária”.

Se estas conclusões científicas são verdadeiras, por que motivo a população como um todo não tem conhecimento destes fatos? Talvez esta questão tenha surgido na mente do leitor ao ponderar os trechos acima.

A resposta a esta pergunta é dada por uma nutricionista, em outra parte da mesma reportagem:

“O maior obstáculo a uma dieta destituída da carne -também chamada de dieta vegetariana- é o tabu de que esse tipo de alimentação não contém as doses de proteína necessárias ao corpo humano. Segundo a nutricionista Pamela Jackson, de São Francisco, “a verdade é que a maioria das pessoas traz consigo, desde os tempos da escola primária, a informação errada de que uma dieta equilibrada deve conter elementos de todos os tipos, inclusive carne e peixe”. Mas a pesquisas mais atualizadas nesse campo, explica Jackson, “demonstram que o mito da carne como fonte indispensável de proteína perdeu todo o suporte cientifico de que outrora desfrutou.”

“A responsabilidade pela perpetuação desse equivoco alimentar, afirma Pamela, “cabe aos médicos, a maioria dos quais nada entende de nutrição, além de serem carnívoros que jamais abandonariam seu filet mignon. O maior problema, entretanto, é que das 125 escolas de Medicina dos Estados Unidos, apenas 20 oferecem aos estudantes o curso de nutrição.

“De acordo com a Academia Nacional de Ciências dos estados Unidos, o homem precisa de 44 a 56 gramas diárias de proteína para garantir todas as suas funções orgânicas, enquanto que a mulher necessita de 44 a 48, e as crianças de 23 a 36. Segundo a Nutricionista Pamela Jackson, o mais recente estudo no campo do nutricionismo, concluído recentemente pela Universidade de Stanford, na Califórnia, revela que mesmo os chamados “vegetarianos puros” (aqueles que se abstém de ovos, leite e outros laticínios) dispõem de no mínimo 83 gramas diárias de proteína. Já os vegetarianos que consomem laticínios garantem uma média de 98 gramas diárias para seu organismo. Em ambos os casos, observa Pamela, o índice de proteína é bem superior as das necessidades orgânicas.

“Para Parcela Jackson, é importante explicar um aspecto técnico do problema: “A proteína é uma cadeia molecular formada por aminoácidos responsáveis pelo crescimento do corpo humano e pelo combate às doenças. Existem 22 aminoácidos, dos quais oito (nove no caso das crianças) não podem ser sintetizados pelo organismo, tendo, portanto, de ser conseguidos por meio dos alimentos. O corpo humano necessita oito aminoácidos ao mesmo tempo e na proporção correta. A chamada “proteína completa” é aquela que preenche essas condições.

“Está cientificamente provado, afirma Pamela, que quem prefere abster-se dos laticínios pode conseguir nos vegetais as proteínas necessárias à sobrevivência. Por exemplo: os aminoácidos, em pequenas quantidades no arroz, são abundantes nos legumes. Portanto, quando comidos juntos, arroz e legumes formam uma proteína completa”.

Talvez os argumentos até aqui apresentados não sejam suficientes para provar que o ser humano realmente não precisa e não deve alimentar-se de carne. Para nós, que fomos criados numa civilização que supervalorizou de uma forma excessivamente preconceituosa a “necessidade” de alimentar-se com carne, torna-se difícil acreditar que alguém possa manter-se vivo sem esse alimento.

O que dizer então, de fato, da maioria da população da Índia, ou de todo o povo dos Hunzas, que vivem nos Himalaias, serem vegetarianos há milênios?

Mesmo entre nossa cultura existem filhos do vegetarianismo que jamais comeram uma única grama deste alimento, e não apenas estão vivos como gozam de excelente saúde.

O que distingue o homem dos animais é a inteligência.

Segundo a Teosofia, “o Homem é aquela entidade que, em qualquer parte do Cosmos une o Espírito Supremo e a matéria física mais ínfima pelo laço da Inteligência”. (Annie Besant)

Esta faculdade, quando plenamente desperta em cada individuo, permite que o mesmo observe e compreenda o mundo em que vive.

A medida em que se processa a evolução humana, as verdades universais são trazidas à tona pelos homens da ciência.

Estas verdades, quando divulgadas com sinceridade e sem preconceitos, fazem com que a maioria da humanidade se sintonize com elas, passando a aceitá-las com naturalidade.

Este é o modo como a humanidade lenta, mas incessantemente, modifica seus hábitos, crenças e preconceitos arraigados pelos séculos.

Basta lembramos que o escravagismo fazia parte das atitudes das pessoas finas e respeitáveis do século XIX e, no entanto, sua lembrança abomina todos os povos civilizados do século XX.

O mesmo ocorrerá, inexoravelmente, em relação ao carnivorismo, pois haverá de chegar o dia em que a inteligência humana se indignará exclamando frases semelhantes a esta:

“Mas como é possível que em pleno século XX nossos ancestrais ainda se alimentassem de animais? Que absurdo!!”

“Sou um fervoroso seguidor do regime vegetariano. Mais que nada por razões morais e estéticas. Creio que uma ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará sobre o temperamento dos homens de uma maneira tal, que melhorará em muito o destino da humanidade.”
Albert Einstein
José Salvador Caballero, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade
: Levir Teosofia

 

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 6

6º ASPECTO – SENTIMENTO, BONDADE, COMPAIXÃO

Sob este aspecto vamos analisar a grande incoerência existente entre os sentimentos e as ações dos seres humanos.

O motivo desta incoerência é, sem dúvida alguma, devido ao fato de nossa mente estabelecer conceitos através de informações lidas, ouvidas, ou apenas comentadas.
No entanto se não tomarmos contato com a realidade, nosso conceito não tem qualquer valor, sendo em verdade um pré-conceito, ou seja, apenas um preconceito sobre qualquer assunto.

Esta é a forma como surgem e se mantém os julgamentos preconceituosos nas mentes humanas.

1- Essa raça não presta!

2- Só podia ser mulher ao volante!

3- Não me misturo com “gentinha”.

4- Ele não come carne. Acho que a religião dele não permite.

Estas frases acima estabelecem preconceitos de raça (1), sexo (2), classe social (3) e credo religioso (4).

Quantas vezes já ouvimos frases como estas, incorporando-as como se fossem verdades absolutas? Infelizmente poucos de nós, parou para questionar sobre as opiniões e ver se elas são ou não verdadeiras.

Os exemplos acima ilustram os preconceitos que podemos chamar de declarados, pois se tornam gritantes aos nossos olhos, desde que reflitamos por uns instantes.

Existe, porém, outra forma de preconceito que se origina na falta de reflexão sobre um assunto, ou na discriminação imediata que se faz sobre o mesmo. É exatamente este tipo de preconceito que a humanidade tem a respeito do reino animal.

Existem pessoas que não gostam de animais. Outras, no entanto, têm animais de estimação em suas casas.

Desde os primórdios da civilização humana, o homem tem contato com estes seres, chegando a domesticá-los.

Os carneiros . As vacas e as cabras. As galinhas e outras espécies de aves. Existem alguns animais que são mais próximos ao ser humano, como o gato, o cão, o cavalo, o macaco e o elefante.

Com estes espécimes, o homem troca experiências de lealdade, carinho, simpatia e estima, e os animais, dotados de sensibilidade, lhe retribuem.

Quase todos nós sentimos simpatia por aqueles que gostam e tratam bem os animais, e ao mesmo tempo, sentimos indignação e desprezo por aqueles que os maltratam.

Ao visitar os Jardins Zoológicos, os pais, quando levam seus filhos a passear, fazem questão de lhes mostrar os animais, falar sobre eles, contar histórias fantasiosas, e assim por diante. As crianças, por sua vez, transbordam de alegria e felicidade, pois estão em contato com as diversas formas de vida, (enjauladas cruelmente).Estas crianças crescem, sem perceber ou sentir que um boi está sendo comido por sua família a cada ano que passa. Isso sem contar os porquinhos, as galinhas, os patinhos, e o engraçado peru.

Dirão alguns leitores:

– Mas isto é coisa de crianças!!

De fato. Mas certa vez um Homem disse na Galileia:

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mat, 18. 3)

Mas voltando da “infantilidade” a uma reflexão adulta, imaginemos que os mesmos pais houvessem levado seus filhos na semana seguinte a um matadouro. Seus filhos teriam presenciado cenas tão cruéis e horripilantes que muitos deles, sem dúvida alguma, jamais colocariam um pedaço de carne na boca, pois sua reação teia sido de indignação contra a crueldade para com os animais que eles “amam” tanto.

Este “sentimento infantil” tem um nome pouco utilizado em nossa civilização nos dias atuais: COMPAIXÃO .Ela surge como consequência imediata ao contato da realidade objetiva, ou seja, as cenas do matadouro.

As crianças apresentam este sentimento pelo simples motivo que suas mentes não foram condicionadas a diferenciar os “animais de comer” (de corte) dos “animais bonzinhos” (de estimação).

Para eles, todos os animais são “bichos”, mas não são “coisas de comer”. São seres vivos, dos quais eles se aproximam com amor e carinho, sem qualquer pré-conceito em suas mentes imaculadas.

Chegamos agora ao ponto central desta abordagem.

Quantos de nós observaram este afeto tal como o vêem os olhos das crianças inocentes? Quantas vezes olhamos uma criação de gado e cativemos plenamente conscientes do sofrimento que esses animais irão passar?

Quantos chegaram a sentir ao menos um pouco de compaixão? Infelizmente muito poucos, pois fomos criados sob o véu do preconceito que discrimina os animais em “comestíveis” e “amáveis”.

Segundo o ocultismo, todo e qualquer animal apresenta, tal como os seres humanos, um veiculo para a expressão de sua consciência, conhecido como corpo das emoções ou dos desejos.

É graças a este veiculo que eles experimentam as mais variadas sensações, como a raiva, medo, bem como os impulsos sexuais, de sobrevivência e de preservação da espécie.

Cada animal que é abatido experimenta a mesma sensação de medo e terror pelas quais passam os condenados à morte, nos países em que existe a pena capital.

O sofrimento que o animal experimenta produz certos tipos de vibrações invisíveis ao olho humano, mas que podem ser observadas por clarividentes. Estas, por sua vez, impregnam todo o ambiente do matadouro, bem como todos os que estão presentes.

A maioria destas vibrações, todavia, ficam retidos no corpo do próprio animal, e como consequência, acabam se incorporando no organismo daqueles que se alimentam de carne.

O efeito cumulativo destas vibrações é responsável pela perda da sensibilidade humana, pois as pessoas adquirem os impulsos e a violência que são características dos animais que lhes serviram de alimento.

Como vimos no 4º aspecto, toda a ação humana gera um karma, cujas consequências podem ser individuais ou coletivas.

Cabe aqui a pergunta:

– Quantas pessoas que se alimentam de carne tem coragem de matar com suas próprias mãos um animal, retalhá-lo, e em seguida, comê-lo??

Não creio que existam muitos corajosos para tanto. Afinal de contas fomos criados numa civilização muito evoluída, e pessoas finas e respeitáveis não cometem violências, nem sujam suas mãos de sangue de animais inocentes.

Mas se isto é um fato, por que permitimos que outros o façam por nós, que se tornem carrascos insensíveis e inconscientes, mas que sejam profissionalmente chamados pelo floreado nome de “abatedor de animais”.

A eterna lei do karma atua sempre sob a forma que a humanidade nem sequer suspeita.

As vibrações que formam as torrentes de sofrimento que se originam da matança de milhões de animais em todo o mundo pairam no plano das emoções como pesadas nuvens de matéria astral. Ficamos assim sujeitos a certas formas de “poluição” que dificultam o progresso da humanidade.

Muitos não percebem estes fatos, mas nem por isso a Eterna Lei deixa de atuar.

Para ilustrar a violência vista pelos olhos de um sacerdote budista, veremos alguns trechos da referida publicação:

“Em seu livro “Por Amor à Vida”, lançado recentemente nos Estados Unidos, o mestre Zen Phillip Kapleau escreve suas visitas aos matadouros norte-americanos, “onde se podem presenciar as piores cenas de agressão contra o reino animal”. Um local percorrido por Kapleau só trabalha com porcos:

“Lá vão eles, em fila, sendo empurrados para a morte por um homem, numa extremidade do galpão que vai afinando como um funil. Um por um, os porcos caminham pelo corredor, no final do qual uma lamina afiada cortará suas gargantas. Primeiro gemidos ensurdecedores, logo seguidos por outros ainda mais altos a agonizantes. E o que resta são centenas de corpos no chão, naufragados no mar do seu próprio sangue, enquanto são lavados, ainda vivos, por rajadas de água fervente”.

Nos matadouros de vacas, segundo Phillip Kapleau, as coisas são iguais ou piores. “Primeiro as vacas são desacordadas pela pancada de um pesado martelo de ferro, em seguida, mortas por uma faca na garganta. O problema é que o homem que dá a martelada precisa ser muito bem treinado, pois seu alvo é um animal apavorado e se contorcendo pela ameaça da morte. Por isso, muitas vezes o homem erra o alvo e acerto o olho ou o nariz da vaca, sendo necessárias várias pancadas extras para derrubá-la”.

Noutro trecho, Phillip Kapleau ressalta a falta de compaixão para com os animais:
“Diariamente, milhões de animais são sacrificados em todo o mundo sem a menor sombra de remorso. O pior, entretanto, é a maneira impessoal como esses crimes são cometidos: a sangue frio, sem nenhuma apologia, nem a homenagem de uma lágrima sequer. Este fato apenas contém a justificativa para todo o sofrimento que tem sido enfrentado na Terra pelo homem e pede vingança contra toda a raça humana.

O pior, segundo Kapleau, “é que os animais que o homem come não são as bestas carnívoras que devoram outros animais. Os que gostamos de saborear são justamente as criaturas mais doces e gentis do reino animal, as quais nos seguem, nos servem e são finalmente devoradas por nós”.

“Os comedores de carne alegam, porém, que ao devorar outros animais, o homem -ele próprio um animal- está fazendo o mesmo que qualquer outro bicho, pois a sobrevivência de uma espécie implica o desaparecimento de outras. O que este argumento ignora, diz Kapleau, “é que os carnívoros só sobrevivem à custa da carne de outros animais, seu estômago os compele a fazê-lo. Mas o homem pode sobreviver -e muito bem- sem devorar outros seres”.

Além disso, prossegue o mestre Zen, “o que distingue os seres humanos de outros seres é sua consciência e o seu senso de justiça e compaixão. “É privilégio do homem fazer julgamentos éticos e assumir responsabilidade pelos seus atos. Para proteger o mais fraco da agressão homicida do mais forte, o homem criou leis estabelecendo que aquele que mata um semelhante (exceto nos casos de defesa pessoal ou do país) deve ser severamente punido.”

Mas quando se trata de seres não humanos, diz Kapleau, “o homem só sabe oprimi-los e explorá-los, usando como justificativa o fato de serem animais de inteligência inferior. Do ponto de vista ético, porém, o que importa não é a inteligência do ser ou o seu poder de fazer julgamentos morais, mas a sua capacidade de experimentar sofrimento físico e emocional. Animais não são coisas. Eles também sentem dor, sentem-se sozinhos, tristes e amedrontados. Sofrem enormemente quando perdem a juventude e se agarram à vida tanto quanto os humanos”.

No dia em que todos os seres humanos tiverem atingido um estado de evolução que lhes permita nutrir um sentimento de compaixão por todos os seres viventes, poderemos realmente afirmar que a bondade é um verdadeiro atributo da espécie humana.

“O homem implora a misericórdia de Deus, mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã, e depositaram confiança nas mãos criminosas que as devoram. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Na inocente cabeça do animal não é possível colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder.”
Sidharta Gautama (o Senhor Buda)

José Salvador Caballero
, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade

Fonte: Levir Teosofia 

 

 

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Os sete aspectos do vegetarianismo à luz do ocultismo – Parte 7

7º ASPECTO  – AÇÃO, RITUAL, SACRIFÍCIO

Por último, analisaremos o tema sob a forma mais concreta possível: o ato de comer carne.

Conforme os conhecimentos ocultos, a matéria existente no plano do mundo físico existe em 7 estados de agregação diferentes. Podemos também, com algumas ressalvas, dizer que são diversos níveis de densidade da matéria.

Até alguns anos atrás, a ciência reconhecia apenas três destes estados, o sólido, o liquido e o gasoso. Nas últimas décadas foram realizadas experiências com gases a altas temperaturas, observando-se assim outro estado de matéria, denominado “plasma”. Devido às elevadas temperaturas necessárias, este estado ocorre apenas em reatores nucleares e explosões atômicas, bem como nas estrelas de todo o universo.

Diversos grupos de cientistas tem dedicado suas pesquisas ao estudo de um estado de matéria semelhante ao citado, mas que existe nos seres vivos, em temperaturas comuns. Os estudos sugerem que ele permeia a matéria de todos os organismos animados, como as plantas,  os animais e o próprio homem. Foi denominado corpo “bioplasmático”.

Este corpo constitui aquilo que os ocultistas chamam de “duplo etérico”, por ser constituído pelos quatro estados da matéria mais sutil do mundo físico.
O duplo etérico constitui, em suma, uma duplicata do nosso corpo visível, que atua de fato como se fosse um campo que agrega, ou plasma, toda a matéria para que esta se mantenha coesa, ordenada, viva.

Mas esta é apenas uma das funções do duplo etérico. Outra delas é de servir de transmissor da sensibilidade das percepções experimentadas nos nível emocional (através do chamado corpo astral ou veiculo das emoções) e físico.

Em outras palavras, ele atua como ponte entre as emoções (sentimentos) e a ação (atividade).

As pessoas que se alimentam de carne ingerem um alimento constituído de matéria muito densa, praticamente destituída daquilo que é conhecido no ocultismo como “energia vital”.

Consequentemente, com o passar dos anos, utilizando uma dieta carnívora, o indivíduo impregna todo o seu corpo, inclusive o duplo etérico, com matéria mais “pesada”, por assim dizer. Convém observar que este fato é confirmado por algumas pessoas que se tornaram vegetarianas, que afirmam experimentar uma sensação de leveza no corpo com a mudança na dieta, embora o peso da balança se conservasse o mesmo.

Mas esta “leveza” ocorre também no duplo etérico, e é exatamente neste ponto que entra o fator mais importante deste aspecto que estamos analisando.

Não é o vegetarianismo que provoca a “leveza”, mas sim o carnivorismo que conduz a “densificação” no duplo etérico. Alguns autores usam as palavras “perda de plasticidade” ou “endurecimento” do duplo etérico.

Como consequência, a ponte entre os sentimentos e a atividade torna-se mais estreita, obstruindo assim o fluxo da percepção entre estes dois planos onde atua a consciência humana.

É deveras triste, mas o fato é que as pessoas que se alimentam com carne vão paulatinamente perdendo a sensibilidade, fazendo com que o corpo se torne, pouco a pouco, um instrumento cada vez mais ineficaz para a expressão da consciência do indivíduo no mundo físico. Assim, todas as células, órgãos e sistemas do corpo humano passam a funcionar com certa deficiência, não permitindo o livre fluir da vida através do corpo.

Observamos assim que a ação de comer carne retarda a expansão da consciência do indivíduo durante toda uma encarnação em que este regime é adotado. Infelizmente, o mesmo ocorre com a humanidade como um todo.
Mas vamos agora baixar um pouco mais o plano de observação, esclarecendo uma faceta que não é verdadeiramente oculta, mas por falta de informação, passa despercebida aos nossos olhos.

Trata-se do efeito da alimentação carnívora no organismo humano, devido à natureza do alimento em si, bem como a todas as substâncias que são ingeridas sem que se tome qualquer conhecimento do fato.

Do ponto de vista da origem do alimento, note-se que os melhores produtos nos são fornecidos pela natureza, e estes são formados por uma síntese realizada pelos seres vivos.

A energia primária para a manutenção das formas de vida neste planeta provém da radiação solar. Ela aquece os continentes, os oceanos e a atmosfera. Fornece energia para que as plantas realizem a chamada fotossíntese. Estas, por sua vez, fornecem o oxigênio e eliminam o gás carbônico, permitindo assim a existência da vida dos reinos animal e humano. Assim, a natureza nos oferece inicialmente o leite materno, como fruto da síntese dos alimentos consumidos pela mãe.

Os elementos minerais que as plantas extraem do solo, transforma-se em frutos, folhas ou grãos, que servem de alimentos aos animais e ao homem.

As folhas, frutos e grãos que servem de alimento a diversos animais.Todos estes alimentos são realmente oferecidos pela natureza, mas o alimento vulgarmente chamado carne não é produto da síntese realizada por um ser vivo, mas apenas o corpo do ser, sem vida.

Em outras palavras, um pedaço de carne de qualquer espécie não é nada mais, nada menos, que um pedaço esquartejado de um cadáver do reino animal em estado de putrefação.

Vejamos agora, o último trecho selecionado da reportagem que ilustra este trabalho:

“E mais, diz Gilmann, “suspeitamos que a carne seja causadora da maioria das doenças infecciosas. “Com o extermínio nos matadouros, interrompe-se no animal o processo de eliminação de toxinas, deixando-o saturado de substâncias nocivas que serão absorvidas pelos consumidores de carne”. Qualquer animal morto traz em seu corpo quantidades de acido úrico que os rins humanos são incapazes de absorver e eliminar.

Aqui estaria, segundo Gilmann, “a origem de doenças como a epilepsia, reumatismo, dor de cabeça, nervosismo e engrossamento das artérias”.

“Morto o animal, o processo de putrefação de sua carne inicia-se imediatamente, sendo responsável pelos odores no corpo dos que a ingerem. Nos hambúrgueres e na carne moída os perigos são ainda maiores: ao ser triturado, esse tipo de carne libera substâncias celulares que favorecem o desenvolvimento de todo tipo de bactérias.

“Mas, antes de a putrefação ter efeito no organismo humano, o envenenamento químico dos animais começa a agir. Segundo um levantamento feito pela “Food and Drug Administration”, o órgão do governo que fiscaliza a qualidade dos alimentos nos Estados Unidos, dos 143 pesticidas usados nos frigoríficos norte-americanos -e na maioria dos frigoríficos do mundo- 42 são suspeitos de causar câncer, 20 podem causar defeitos de nascimento e seis provocam mutações no corpo humano.

Segundo Charles Gilmann, o “DDT, um pesticida eliminado dos Estados Unidos há muitos anos por ser cancerígeno, continua a ser usado na maioria dos países da América Latina de onde importamos carne”. O dietil besirol (também conhecido como DES), outro banido das fazendas de pecuária dos Estados Unidos, é um hormônio destinado a estimular o crescimento do gado de corte, ao mesmo tempo que reduz o consumo de pasto. O DES foi tirado de circulação por causar câncer e esterilidade nos seres humanos.

“Do relatório do Departamento de Saúde”, diz Charles Gilmann, “consta uma lista de 75 doenças comuns entre os animais e que podem ser transmitidas ao homem”. Por exemplo: “90% das galinhas abatidas neste país são portadoras de leukosis, um tipo de câncer comum apenas entre essas aves”. A leukosis produz pequenos tumores, difíceis de serem detectados até mesmo pelo inspetor de saúde mais rigoroso. E, quando são detectados, a firma Gilmann, “apenas a parte contaminada é cortada e jogada fora. O resto é mandado para os supermercados”.

Estes fatos são deveras chocantes, mas demonstram a pouca importância que se dá a qualidade e a origem da alimentação humana.

Quantos de nós já chegaram , em suas vidas, a ter plena consciência de que o ato de comer carne coloca o estômago humano e os cemitérios no mesmo nível, ou seja, depósito dos restos mortais de criaturas sem vida?

Talvez muitos leitores julguem essa comparação um tanto quanto grosseira, mas nem por isso ela deixará de ser absolutamente verdadeira. O fato deste tipo de alimentação ter assumido um caráter universal é devido ao aspecto repetitivo, mecânico e inconsciente com que o mesmo foi apresentado aos seres humanos em geral, ao longo das diversas gerações. Assim sendo, a alimentação carnívora passou a assumir o caráter de um RITUAL.

No ocultismo, a palavra ritual tem um significado mais extenso que o geralmente conhecido, ou seja, associado ao aspecto cerimonial dos credos religiosos.
Toda e qualquer ação humana, desde que realizada de maneira periódica, conforme um método pré-estabelecido por um indivíduo ou grupo, constitui um ritual.

Assim, por exemplo, o ato das crianças nas escolas primárias formarem filas para todas as classes e subirem, ordenadamente, dia após dia, constitui um ritual, assim como as cerimônias sociais, com todas suas formalidades quanto ao vestuário, boas maneiras etc. Podemos citar, por exemplo, os bailes, as recepções, as convenções etc.

Do mesmo modo, toda e qualquer alimentação obedece a um ritual para o seu preparo, pois são seguidas as receitas para que o produto final seja o esperado.

O fato é que poucas pessoas sabem que num ritual sempre existe um sacrifício, quer seja por parte do ministrante, ou por parte de terceiros. No caso das crianças, ocorre o sacrifício de sua tendência natural de dispersar sua atenção. Somente com o sacrifício de todos, mantém-se a ordem durante o trajeto às salas de aula.

Nas cerimônias sociais existem pequenos sacrifícios pessoais de ordem econômica para ser aceito pelo grupo e adquirir o status desejado. Mas qual é o sacrifício realizado durante o ritual da alimentação carnívora? Ele provoca prazer àqueles que se alimentam de carne, portanto não pode ser um sacrifício pessoal.

O ato ritualista de alimentar-se de carne exige o sacrifício de bilhões de criaturas do reino animal, especialmente as aves, os suínos, bovinos e caprinos.

Eles são criados, engordados e preservados utilizando as mais abomináveis técnicas bioquímicas, apenas para oferecer ao ser consumidor a satisfação dos desejos de seu paladar e estômago.

A seguir, eles são transportados, às vezes por longas distâncias , até os matadouros, onde suas vidas são ceifadas de forma brutal, mecânica e insensivelmente, espalhando pelo ar o cheiro da morte e da violência “humana”.

Com a mesma frieza, seus cadáveres são retalhados, sendo que algumas partes vão para os açougues, enquanto que outras transformam-se em nomes atrativos como Hot-Dog, salsichas, linguiças, presuntos, tenders, gelatinas, gorduras animais, etc.

Finalmente, o produto é visto pelos olhos dos consumidores, que acostumados desde a infância a tomar parte deste ritual, fornecem imagens que fazem suas bocas encherem-se de saliva, deixando-os prontos para ingerir seu tão apreciado alimento.

Os consumidores de carne certamente não conhecem este aspecto ritualístico da alimentação carnívora, pois infelizmente a frase “O que o olho não vê, o coração não sente”, é uma verdade.

Cabe aqui apenas a última pergunta desta pequena obra:

Valerá à pena continuarmos de olhos fechados, participando inconscientemente do holocausto deste ritual macabro?

“Cada açougueiro, com suas vitimas sangrentas do matadouro, é para mim ao mesmo tempo um horror e um motivo de condenação. Eu estou convencido que com a cessação deste canibalismo a humanidade alcançaria uma cultura mais nobre, resolveria muitos problemas sociais com maior segurança e mais facilmente, e também com certeza se livraria da praga de guerra.”
J.V. WIDMAN

CONCLUSÃOPor ser extremamente delicado, o tema foi abordado de forma gradativa, mas convém apenas mostrar a interligação entre os aspectos.

 

Assim, o 1º (Vontade Individual) está intimamente relacionado com o 7º (ação, ritual, desejo corporal).

O 2º (Amor Universal) reflete-se como 6º (Compaixão pelos seres viventes).

O 3º (Plano de Evolução) relaciona-se com o 5º (Conhecimento científico).

Finalmente, o 4º encontra-se interligado com todos, atuando como uma síntese, ou então, elo de ligação entre os outros três.

Acredito que a presente obra possa, de uma forma ou de outra, atingir o objetivo a que se destina.

No entanto, caso o leitor tenha refletido sobre os argumentos apresentados e sinceramente esteja determinado a transformar seus hábitos alimentares, aconselho-o a consultar obras especificas sobre a prática do vegetarianismo, e, também, a procurar pelo auxílio de indivíduos vegetarianos e a visitar locais onde se encontram produtos naturais, ou onde a culinária vegetariana seja cultivada.

PAZ A TODOS OS SERES, Físico e Presidente da Loja Teosófica Fraternidade

Fonte
: Levir Teosofia

José Salvador Caballero

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