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Estudo conclui que tempestade solar pode ser causa de encalhe em massa de baleias

Um estudo feito por cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, concluiu que as tempestades solares, fenômeno conhecido como aurora boreal, podem ter sido as responsáveis pelo encalhe de 29 baleias da espécie cachalote em praias do Atlântico Norte no ano passado. Eles acreditam que as perturbações magnéticas podem ter interferido no senso de direção das baleias, desviando-as para águas rasas.

Todas as cachalotes morreram e, durante a autópsia, a ausência de sinais de desnutrição ou doenças e a pouca idade da maioria delas deixaram os cientistas intrigados. A partir de então, diversas teorias surgiram, dentre elas a possibilidade de envenenamento ou até mesmo acidentes causados no momento da busca por alimento.

Aurora boreal pode ter desorientado baleias, levando-as para águas rasas (Foto: Getty Images)

As baleias da espécie cachalote vivem em águas profundas de temperatura quente para moderada. Muitas delas vivem em grupos próximo ao arquipélago português de Açores. Entretanto, jovens machos migram para o norte, em direção à região polar, quando atingem idade de 10 a 15 anos. A razão é a quantidade de lulas encontradas em águas mais frias, fator atrativo para os cachalotes machos. Durante a viagem, eles passam pelas costas de países europeus. Mas, em apenas um mês, as baleias foram vistas em praias alemãs, holandesas, britânicas e francesas.

Campo magnético

A possibilidade de as cachalotes navegarem sob o auxílio do campo magnético da Terra é, segundo os cientistas, a chave para entender o mistério. De acordo com informações publicadas no portal BBC Brasil, o campo não é uniforme e tem variação de intensidade dependendo da região, algo percebido pelas baleias de forma semelhante a que humanos entendem contornos em mapas.

Entretanto, as explosões de massa do sol, que emitem radiação e partículas produzindo o fenômeno conhecido como aurora boreal, pode ter alterado a percepção das cachalotes. Há cientistas, inclusive, que defendem a existência de evidências que comprovam os impactos no senso de direção de pássaros e abelhas causados pela atividade solar. Tempestades mais intensas são capazes até de provocar danos em satélites.

Mapa demonstra de que forma mudanças no campo magnético podem ter alterado curso das baleias (Foto: Divulgação)

Comandada por Klaus Vanselow, uma equipe estudou a conexão entre encalhes de baleias e duas grandes tempestades solares que aconteceram em dezembro de 2015. O espetáculo de luzes produzidos por elas foi visto desde países mais ao norte, como a Noruega, até a Escócia. Entretanto, foram responsáveis também por distúrbios temporários de até 460 km no campo magnético de uma área entre as Ilhas de Shetland, no extremo norte do Reino Unido, e a Noruega, explica Vanselow. Isso pode ter confundido as baleias que transitavam pela região, até porque os cientistas da Universidade de Kiel suspeitam que o campo magnético da costa da Noruega é utilizado pelas cachalotes como meio de orientação.

“A região da aurora boreal é a que mais tem distúrbios geomagnéticos na superfície da Terra”, afirma Vanselow, que explica que as cachalotes podem nadar no oceano por dias na direção errada devido a esse tipo de efeito para então corrigirem o curso. Entretanto, ainda segundo Vanselow, quando isso ocorre entre a Noruega e a Escócia, as baleias podem ficar presas em águas mais rasas.

Inexperiência com tempestades solares

Vanselow considera que a desorientação causada nas cachalotes pelas tempestades solares se dá devido à inexperiência das baleias com esse fenômeno, visto que nos Açores, onde elas cresceram, o impacto de tempestades solares é mínimo.

Cientista acredita que inexperiência das cachalotes com tempestades solares tem relação com os encalhes (Foto: Reuters)

Mesmo se tratando de uma teoria difícil de provar, outros cientistas afirmam que ela é plausível.

“É difícil dizermos que foi a causa definitiva (para os encalhes), mas pode ter sido uma das razões”, afirmou o biólogo da Universidade da Alemanha, Abbo Van Neer, responsável pela autópsia das 16 baleias que foram encontradas na costa alemã.

A Nasa (agência espacial dos EUA), que também tem realizado estudos sobre o impacto de tempestades solares em cetáceos ao redor do mundo, concorda com a teoria do cientista alemão. “A teoria tem credibilidade, pois estamos falando de um potencial mecanismo que pode confundir os animais”, explica o chefe do projeto da Nasa, Antti Pulkkinen que, apesar da concordância, alerta que é necessário analisar outros fatores. “Mas não acho que o estudo prova tudo. Nossa análise sugere que não há um único fator que contribua para isso (os encalhes)”, concluiu. Nas próximas semanas, a agência vai publicar um estudo sobre encalhes e tempestades geomagnéticas na região de Cape Cod, costa leste americana.

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Tempestades solares podem causar morte em massa de baleias

Baleia encalhada na ilha de Baranof, Alaska. (Aleria Jensen, NOAA / NMFS / AKFSC)

O que causa o encalhe em massa de baleias e golfinhos? Esse é talvez um dos maiores mistérios da biologia marinha que os cientistas há anos tentam solucionar. Vários fatores podem estar envolvidos — doenças, ferimentos, o uso de sonares poderosos por embarcações militares e de pesca e até mesmo a influência gravitacional da Lua são alguns deles. Agora, cientistas da agência espacial americana, Nasa, estudam mais uma razão possível: o efeito de tempestades solares.

Eles desconfiam que as tempestades solares severas, que afetam os campos magnéticos da Terra, são capazes de confundir as bússolas internas das baleias e outros cetáceos e fazê-los perder o rumo.

Uma tempestade solar é uma descarga magnética no Sol que resulta numa liberação monstruosa de radiação, conhecida como “chamas solares”, erupções maciças de partículas carregadas e plasma magnético, basicamente, gás eletrificado.

Essas partículas e gases tremendamente quentes e com alta energia são expelidos a milhares de quilômetros da superfície do Sol. Quando direcionados à Terra, essas descargas solares podem interromper satélites e redes elétricas, além de representar um perigo para os astronautas nas naves espaciais.

Para agravar, tempestades solares também podem estar associadas a mudanças planetárias de grande escala que incluem terremotos, erupções vulcânicas, furacões e tornados violentos.

Diante de tudo isso, é possível que as anomalias magnéticas causadas pelas tempestades solares afete também o comportamento dos animais.

Os cientistas da Nasa observam que baleias, golfinhos e orcas se orientam pelos oceanos utilizando os campos magnéticos terrestres. Dessa forma, anomalias magnéticas poderiam ser, pelo menos, parcialmente responsáveis pelo encalhe de centenas desses animais ao mesmo tempo.

Agora, eles estão lançando uma investigação para determinar se existe um elo entre o encalhe em massa e as tempestades solares, uma pesquisa que envolve um esforço massivo de mineração de dados.

Uma equipe do Goddard Space Flight Center analisará as grandes bases de dados espaço-temporais da Nasa relativos a tempestades solares, além de dados sobre o encalhe de animais coletados pela agência Bureau of Ocean Energy Management (BOEM) e pelo Fundo Internacional para o Bem-estar Animal (IFAW), que trabalha em mais de 40 países no resgate de animais encalhados.

Os cientistas esperam com isso melhorar a capacidade de resposta dos órgãos competentes aos riscos de encalhe de baleias e outros cetáceos durante períodos de forte atividade solar em regiões comumente afetadas por tais fenômenos, como Nova Zelândia, Austrália, costa da Grã-Bretanha e em Cape Cod, Massachusetts, EUA.

Fonte: Exame

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