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Morre Bella, cadela que ficou conhecida pela amizade com a elefanta Tarra, nos EUA

Por Dee Locklin
Tradução por Natalia Cesana (da Redação)

Foto: Reprodução/The Elephant Sanctuary

Na maioria do tempo estamos ocupados ou anestesiados para conseguirmos ver as maravilhas que nos cercam. Estas maravilhas, que de fato existem em abundância, vão desde admirações momentâneas até eventos que mudam a vida.

Existe, porém, uma maravilha forte o suficiente que tem chamado a atenção mundial nos últimos anos, graças à troca de mensagens por meio do Facebook e vídeos no Youtube. A história de uma amizade improvável que comoveu pessoas de todo o mundo e deu um sinal de esperança.

A história de Bella e Tarra aconteceu no Santuário de Elefantes do Tennessee, nos EUA, um refúgio de 2.700 hectares, fundado em 1995, que abriga elefantes indianos e asiáticos velhos e doentes, resgatados de zoológicos e circos. Os animais do santuário vivem em seu ambiente natural, são bem alimentados, tratados com amor e atenção de veterinários especializados. Eles vagam livremente por todo o santuário e vivem, pela primeira vez, como elefantes.

Criaturas inerentemente sociais, os elefantes resgatados geralmente criam vínculos uns com os outros. Mas em 2003, uma amizade incomum nasceu entre Tarra, uma elefante asiática de quase 4 toneladas, e Bella, uma cachorrinha vira-lata que apareceu no santuário.

Bella and Tarra se tornaram inseparáveis. Elas percorriam juntas as trilhas e floresta do santuário, brincavam na neve, comia e dormiam uma ao lado do outra. Na verdade, o registro dessa amizade foi destaque em 2009, durante o noticiário da CBS, e desde então tem se espalhado rapidamente no Youtube e Facebook. A história de Bella e Tarra emocionou todo o mundo.

Mas infelizmente Bella foi achada morta no dia 26 de outubro, perto do celeiro que servia de abrigo para ela e Tarra. De acordo com as evidências, Bella foi atacada por coiotes e, ao que tudo indica, Tarra pegou o corpo de Bella e levou-o para um local gramado próximo ao celeiro onde ficavam. Tarra andou com Bella mais de 1,5 km para trazer a amiga de volta para casa.

Desde a morte de Bella, informações sobre como Tarra tem reagido à perda da amiga canina são publicadas quase que diariamente no site do santuário. Pessoas têm postado suas lembranças de Bella e uma página em homenagem à cadelinha foi montada para que o público faça suas condolências. Os comentários têm chegado de todas as partes do mundo.

Eu chorei dias por um cachorro que não conhecia e por um gesto final de amor de um elefante que perdeu seu amigo. A quantidade de manifestações de pesar nas redes sociais e na página em tributo à Bella é um forte testemunho de como esses animais tocam nossos corações.

Talvez não devêssemos ficar surpresos com a ligação canina-paquiderme. Pares incomuns não são raridade. Em um artigo sobre amizade entre espécies, Julia Williams atribui estas conexões únicas à habilidade animal de confiar o suficiente no outro para formar um vínculo. Ela acredita que os humanos pensem muito nas diferenças e os animais, por outro lado, agem a partir de um desejo básico de companhia.

Enquanto lia sobre exemplos de amizades desse tipo no artigo de Williams, conclui que confiar o suficiente para formar vínculos, no fim, é uma questão de sobrevivência. Em outras palavras, companheirismo leva a uma maior probabilidade de sobrevivência.

Como humana, eu provavelmente vou continuar sobrevivendo e não vou me dar bem com meu vizinho. Mas isso não é o que acontece para um cachorro, para os cervos, pássaros ou outro animal que requeira cuidado e alimentação nos primeiros estágios da vida e cooperação mútua dentro de uma matilha ou um rebanho.

Quando os animais se vêem fora de seu ambiente social, eles se adaptam. Quando ficam órfãos, são abandonados ou presos em zoológicos junto de outras espécies, eles mudam as regras com o intuito de sobreviver e prosperar. E eles fazem isso de modo surpreendente, incluindo aí a formação de amizades únicas.

Tarra e Bella se adaptaram e prosperaram com muito amor, graça e confiança.

Nós podemos aprender com o exemplo de resiliência das duas e com o gesto final de amor e lealdade de Tarra.
Dentre lágrimas, eu tentei entender a intensidade da minha reposta à perda de Bella. Talvez ela venha do meu próprio sentimento de culpa. Como amante dos animais, lembro-me que não foi fiz o suficiente na defesa da causa contra o abandono e os maus tratos e das criaturas ameaçadas de extinção. E há muito ainda por ser feito, local e globalmente.

Os fundadores e responsáveis pelo Santuários dos Elefantes estão fazendo a coisa certa. Agradeço-lhes pelo trabalho, amor aos animais e por nos contar a vida feliz que Tarra e Bella tiveram desde 2003. A história das duas foi maravilhosa, de verdade.

Assista a um vídeo com imagens da amizade de Bella e Tarra, no santuário:

(As informações são do Woodstock Patch)

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Notícias

Santuário de elefantes entra em disputa de custódia com fundadora

Tratador alimenta o elefante Tarra, de 36 anos: disputa pelo santuário chegou à justiça.Foto: The New York Times

Uma disputa territorial  tem tomado conta da região rural do Tennessee, nos Estados Unidos, entre Carol Buckley, uma das maiores autoridades do mundo na reabilitação de elefantes, e o santuário do qual foi co-fundadora há 15 anos.

Este mês, Buckley, 56, entrou com uma ação contra o Santuário de Elefantes depois que sua diretoria a demitiu do cargo de presidente e chefe-executiva, a expulsou de sua casa no local e a impediu de visitar Tarra, o elefante de 36 anos de idade que ela criou desde que era um filhote.

O Santuário de Elefante é o primeiro refúgio do país em habitat natural no qual os elefantes envelhecidos – muitos com cicatrizes de uma vida passada em cativeiro – podem circular livremente e, talvez, recuperar parte de sua natureza.

Especialistas têm escrito para apoiar Buckley e alguns do cerca de 85.000 membros do santuário interromperam suas doações.

No centro da disputa está a briga pela custódia de Tarra, o elefante que serviu de inspiração para esta vasta paisagem de colinas suaves e ribeiras frescas.

“Eles levaram tudo: meu cachorro, meu pássaro, meu gato, meu lar, o trabalho da minha vida – meu elefante”, disse Buckley, que se mudou para uma casa não muito longe do santuário.

Na sua acusação, Buckley diz que membros do conselho a difamaram dizendo aos doadores que ela era agressiva com os elefantes e que havia se envolvido em “práticas ilegais”. Ela diz que sua saída aconteceu depois que ela se opôs a um pagamento de US$ 60.000 para o cônjuge de um membro do conselho, e ela pede mais de US$ 1 milhão, seu emprego de volta e o direito de visitação a Tarra.

A diretoria nega as alegações da ação judicial, mas se recusou a comentar diretamente sobre suas ações.

Fundada em 1995 por Buckley, uma ex-artista de circo, e Scott Blais, um tratador de animais, o santuário atraiu relatos simpáticos no programa “Oprah” e na emissora CNN. Iniciado em 200 hectares, o santuário cresceu e se tornou um empreendimento de US$ 23 milhões.

Mas, conforme sua reputação aumentava, houve relatos de que Buckley agia de maneira arrogante com os trabalhadores, às vezes repreendendo-os por não atingir suas expectativas. A relação entre os co-fundadores do santuário, que amigos dizem já ter sido romântica, também piorou e em novembro passado Blais anunciou sua partida.

Buckley foi demitida no dia 17 de março e, eventualmente, suas visitas supervisionadas a Tarra foram interrompidas. Buckley, que deu início a uma nova organização, não nega que era dura com os funcionários, dizendo simplesmente: “Os elefantes vêm em primeiro lugar”.

Mas foi a decisão do conselho de proibir suas visitas a Tarra que afastou os doadores.

“É uma coisa expulsá-la do santuário, mas não deixá-la visitar os elefantes é outra”, disse Tory Braden, que diz ter interrompido suas doações. “Você não pode simplesmente levar um elefante para fora da reserva para uma visita”.

Fonte: Último Segundo

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