Notícias

O assassinato e a exploração de animais nos colocará diante de novas pandemias

“O vegetarianismo é o caminho para nos libertarmos das indústrias que nos vendem doenças, sofrimento, mentiras, futuros coronavírus e superbactérias, cânceres e diversas outras doenças, ao mesmo tempo em que libertamos os outros animais das atrocidades que impomos a eles. Mudar hábitos é simples”, escreve Vanice Cestari, advogada e defensora dos direitos de animais, em artigo publicado por Saber Animal, 05-04-2020. Eis o artigo:

A cada nova crise, pesquisadores e estudiosos geralmente apresentam seus pontos de vista em suas respectivas áreas de atuação, no entanto, dificilmente investigam todas as variantes quando esbarram em questões ou temas que exigem maior radicalidade no seu enfrentamento. Esse é o papel das defensoras e defensores dos Direitos Animais, também conhecidos como veganas(os) ou animalistas abolicionistas.

Reprodução/World Animal Protection

Desde o início deste século estamos nos expondo, com maior frequência, a surtos de doenças zoonóticas, isto é, doenças originárias de outros animais. As zoonoses advindas da exploração de animais não humanos para o consumo humano parecem ser um dos grandes perigos para a saúde do século XXI, a exemplo da família dos coronavírus, isto se não fizermos o que devemos fazer se quisermos, de verdade, nos livrar de situações semelhantes em um futuro próximo.

Um futuro sem outra “Covid-19”: construa você mesmo a partir de hoje

Estamos em 2020. O vírus SARS-CoV-2 (que causa a doença chamada Covid-19 e veio a se alastrar como pandemia) já é a sétima cepa ou linhagem do coronavírus (é o novo coronavírus), tendo antes passado pela SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave – SARS-CoV) em 2002-2003 e pelo MERS-CoV (Coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio) em 2012. Se as causas originárias dessas doenças se perpetuarem como práticas “normais” e socialmente aceitas, num cenário onde a humanidade ocupa-se demasiadamente do que diz e faz o líder da vez (se é que existirão líderes como conhecemos hoje), o que nos aguarda para o ano de 2030 por exemplo?

Voltando um pouco no tempo, na década de 90, a encefalopatia espongiforme bovina virou uma epidemia afetando fatalmente os seres humanos. Popularmente conhecida como “doença da vaca louca”, essa doença neurodegenerativa surgiu em meados dos anos 80 na Inglaterra entre os animais bovinos, causando uma doença igualmente mortal e incurável nos seres humanos (uma variante da doença de Creutzfeldt-Jakob) que consiste em uma desordem cerebral degenerativa como resultado do contato ou consumo de carne e leite dos animais portadores da doença.

A ganância pelo lucro, única razão de existência da pecuária intensiva, faz com que a indústria moa os corpos de animais em estado agônico, já mortos ou doentes que não serão destinados aos açougues, restaurantes e supermercados por terem ficado absolutamente incapacitados para sobreviverem até o dia “certo” de sua morte, incapacitados de se reproduzirem, incapacitados de suas necessidades vitais como se manter em pé ou se alimentar, vindo a ser descartados no lixo (literalmente falando), mas não sem antes tirar proveito financeiro de suas carcaças putrefatas transformando-os em farinha para destinos variados, sendo um deles na produção de rações prontas para uso adquiridas no comércio e também usadas para constituir rações que alimentam animais da mesma espécie, os bovinos que, aliás, são herbívoros. Daí se originou a doença zoonótica da “vaca louca”, isto é, uma vaca se alimenta de restos mortais de outra vaca infectada e depois será servida de alimento para um ser humano.

A crueldade praticada contra as vacas escravizadas para a satisfação humana (e não só as vacas e demais bovinos, mas outras tantas espécies de animais) é um tema que merece atenção especial e para não desviar o foco do que me traz aqui neste texto, tratarei em tempo oportuno. É importante sabermos que as doenças humanas provocadas pela ingestão da chamada proteína animal (e outros “produtos” comercializados pela indústria pecuária – as secreções derivadas dos animais) não são apenas virais. Por ora, deixo um convite para reflexão: com uma vastidão de alimentos vindos da terra, incapazes de nos causar doenças viróticas e outros males mortais, devidamente higienizados e preferencialmente orgânicos, que nos dão infinitas possibilidades de preparação de pratos saborosíssimos e além de tantos benefícios previnem inúmeras doenças, por que não adotar o vegetarianismo?

O vegetarianismo é o caminho para nos libertarmos das indústrias que nos vendem doenças, sofrimento, mentiras, futuros coronavírus e superbactérias, cânceres e diversas outras doenças, ao mesmo tempo em que libertamos os outros animais das atrocidades que impomos a eles. Mudar hábitos é simples.

Organizações mundiais e governamentais reconhecem que o aumento na demanda do consumo de carne e derivados de origem animal é um dos principais fatores de risco do surgimento de doenças e sua disseminação.

Muitos lucram com essa intrincada cadeia produtiva, logo a responsabilidade sobre a nossa saúde está em nossas mãos se abolirmos as causas desses males deixando de consumir os corpos dos animais e o que provêm deles.

A recente epidemia ligada ao vírus Ebola (2014) que traz intenso sofrimento aos pacientes e possui altos índices de mortalidade também é proveniente da exploração animal, sobretudo do consumo da carne de animais silvestres: morcegos, gorilas e chimpanzés. Tanto os animais silvestres quanto os animais domesticados desenvolvem doenças zoonóticas quando são explorados e utilizados para consumo humano.

As gripes aviária (em 2005) e suína (2009-2010) também são produtos da exploração animal, mais uma vez a atividade pecuária que, literalmente, comercializa a morte e o sofrimento (há quem compre, certo?), inclusive com a produção de doenças carcinogênicas, cardiovasculares etc e, claro, doenças zoonóticas cada vez mais virulentas, facilitando a proliferação de micro-organismos que “saltam de espécie”, haja vista a natureza de sua atividade econômica completamente perniciosa, degradante do meio ambiente e cruel que não respeita absolutamente nenhum ser vivo, inclusive o seu consumidor (alguma dúvida?) e que ainda potencializa a propagação de doenças infectocontagiosas e novas pandemias.

Os fatos falam por si: existe um vínculo direto entre a exploração animal e a produção de epidemias.

A luta pela libertação animal e a luta contra as doenças e eventuais pandemias daí originárias estão, portanto, inextricavelmente ligadas. E já que o assunto é saúde… não podemos esquecer do uso corriqueiro de antibióticos que viabilizam a exploração animal, haja vista a promoção e aceleração do crescimento de animais e ganho de peso (práticas antinaturais), além da enorme quantia de doenças que padecem esses animais em sistemas escravagistas sob tortura e confinamento, cujas bactérias presentes nos corpos dos animais acabam desenvolvendo resistência aos efeitos desses medicamentos, originando assim as superbactérias, uma das principais ameaças à saúde pública mundial (para além das doenças zoonóticas). Sim, a Covid-19 não é o nosso único problema!

A Organização Mundial de Saúde estima que, se nada for feito para controlar essas superbactérias, até 2050 elas serão responsáveis por cerca de 10 milhões de mortes por ano no mundo, tornando-se mais letais que o câncer.

A destruição do habitat natural de animais silvestres para o consumo ou uso desses animais, a transformação de florestas em áreas de pastagem para rebanhos bovinos ou ainda o tráfico de animais silvestres estão inexoravelmente ligados à indústria da exploração animal, não havendo, portanto, uma simples questão ecológica a ser melhor administrada. É preciso cortar o mal pela raiz abandonando o confinamento, a exploração e autêntica escravidão dos animais que subjazem esse colossal desequilíbrio ambiental e sanitário que vêm à superfície como meras consequências da insustentabilidade dessas atividades.

Tampouco as doenças zoonóticas devem ser vistas como acidentes de percurso devido à falta de assepsia adequada na zona urbana ou rural, à falta do controle de produção no sistema industrial, à falta de fiscalização da cadeia de consumo, à falta de consciência ambiental, à falta de transparência, à falta de sustentabilidade de etapas da cadeia produtiva, à falta de ajustes para melhor controle e eficácia da “produção de proteína animal”… Não! Nessas horas são muitos os pretextos ao estilo “algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Não nos interessam reformas “pra inglês ver”, não aceitamos a exploração e morte de seres indefesos, a destruição da natureza, a mercantilização de doenças e sofrimentos! Queremos a libertação desse sistema mortífero que escraviza os animais não humanos e extermina pessoas com doenças daí advindas, queremos a libertação de todos os seres que sofrem nas mãos dos mercadores da morte. Com a vida não se negocia!

Ainda dentro do aspecto da saúde, também precisamos falar da epidemia global de obesidade que também é incentivada pela indústria pecuária, desencadeadora de tantos outros males. Comida de verdade, alimentos naturais e realmente saudáveis são aqueles que brotam da terra, não geram doenças e nem obesidade, mas as previnem. Segurança alimentar e indústria pecuária são sistemas totalmente incompatíveis entre si.

“Em 2014, mais de 2,1 bilhões de pessoas apresentavam excesso de peso em comparação com 850 milhões que sofriam de subnutrição. Prevê-se que metade da humanidade estará com excesso de peso em 2030. Em 2010, fome e subnutrição combinadas mataram cerca de 1 milhão de pessoas, enquanto a obesidade matou 3 milhões”. (Homo Deus, por Yuval Noah Harari).

Para aprofundar no tema, sugiro o documentário What The Health, disponível na Netflix.

O que os canais “normais” vão te contar

Segundo Peter Li para o canal Vox, a maioria dos chineses não consome animais silvestres, mas sim uma pequena parcela, rica e poderosa, da sociedade chinesa. A existência de mercados que comercializam animais como o de Wuhan, dentre outros, deve-se por conta de uma escolha política do governo chinês para favorecer esses grupos minoritários em detrimento da segurança alimentar da população no geral.

Esse fato não é uma exclusividade da China, por aqui não é diferente com a bancada ruralista/pecuarista que comanda as casas legislativas, cuja influência política se espraia pelos demais poderes do Estado. A atividade econômica que explora animais se comporta de modo semelhante nos diversos países que se faz presente.

Peter Li explica que, em 1988, o governo chinês sancionou a “lei de proteção” aos animais silvestres passando a designá-los como “recursos naturais” do estado chinês e encorajando a sua domesticação e reprodução, nascendo assim essa poderosa indústria paralelamente à indústria que explora os animais já domesticados, facilitando o convívio de todas essas espécies de animais.

Tratar os animais como “recursos naturais ou ambientais” significa alterar a natureza dos fatos (o que é factualmente impossível) para possibilitar, legalmente, a retirada desses indivíduos da natureza, permitindo a sua exploração em benefício humano para qualquer fim, prática sabidamente perigosa, predatória e cruel, o que também encontramos na nossa legislação brasileira em desacordo com a norma protetiva constitucional.

A comunidade científica e jurídica, ao menos a sua grande parte, trabalha arduamente para o nosso sistema “normal” continuar funcionando e eis que daí decorre toda a “normalidade” que experienciamos no mundo que incluem crises epidêmicas, pandêmicas, desequilíbrios, desordens de toda sorte com o suporte da legalidade, tal como o tráfico de animais silvestres.

Não é incomum os mesmos animais silvestres que estão em risco de extinção serem, antes, vítimas do tráfico para, depois, serem comercializados nesses mercados legalizados. É o que acontece com os pangolins, tigres e rinocerontes na China. É o que acontece no Brasil.

Em 2003, com o surto da SARS, o governo chinês fechou o mercado de animais e proibiu a criação de animais silvestres. Meses depois foi reaberto. Já circulam pelas redes sociais petições públicas pedindo o fim definitivo do comércio de animais silvestres na China, resta saber se a mesma história se repetirá: a lição será aprendida? E no resto do mundo? Intencionamos que, na hipótese de reabertura, que tornem a fechar por carência de público! Por enquanto nenhum sinal positivo para as primeiras vítimas dessa confusão: os animais não humanos; a China segue com as suas teorias medicinais estapafúrdias em nome de bizarras tradições à procura de um suposto medicamento para tratar a Covid-19 à base de bile de urso!

Coronavírus nos animais explorados pela pecuária

O primeiro caso de coronavírus começou com as galinhas em 1930, segundo pesquisador da USP, Sr. Paulo Brandão, causando nelas a doença chamada bronquite infecciosa aviária. O vírus causador dessa doença também é do gênero coronavírus (que não se confunde com o SARS-CoV-2, que agora afetou humanos). Trata-se de uma doença respiratória viral aguda, altamente contagiosa, isto é, de rápida disseminação, entre as aves de diferentes idades que, além de afetar o trato respiratório, também causa queda na “produção” de ovos.

Após o ano de 1960 (provavelmente com a criação intensiva de animais), a família dos coronavírus se desenvolveu e com isso as pesquisas também se intensificaram, motivadas pelos vultosos prejuízos financeiros do agronegócio, pois não só as galinhas, mas os bois, as vacas, os bezerros, os porcos, animais que são tratados como comódites, também adquirem coronavírus (cada espécie animal tem o seu, segundo o pesquisador da USP) e a doença leva milhares à morte. Nas vacas, por exemplo, a doença causada pelo coronavírus também impede a produção do leite.

Segundo informações obtidas em literatura científica revisada em 2018, “diversos surtos têm ocorrido no Brasil e isso fez com que a bronquite infecciosa aviária tenha se tornado a principal doença avícola em território nacional”. A venda das vacinas que combatem os coronavírus em animais movimenta algo em torno de R$ 184 milhões por ano no Brasil. Existem vacinas para os coronavírus que infectam animais que interessam à economia, inclusive os cães (não há vacinas para o coronavírus dos gatos, dos cavalos, das cabras e ovelhas). Não há dúvida de que o aumento da (re)produção e criação desses animais em nome da economia torna dificultoso o trabalho da contenção dessas doenças.

Tendo em vista as características mutantes do coronavírus, já evidenciado inclusive nesse tipo que infecta as aves, seguirão financiando essa indústria mortífera através do consumo, literalmente, pagando pra ver? Colocando todos nós em risco para descobrirmos qual e quando será a “próxima Covid-19”?

Pandemia que não afeta o lucro da pecuária

Escândalo por venda de “carne estragada” e com papelão, maquiada, carcinogênica, abcessos, corrupção, mais abcessos, meio ambiente contaminado, Amazônia devastada… nada afeta (ainda) a solidez da atividade pecuária e quando afeta é para melhor, pro bolso deles, claro. Nós, veganas(os), estamos tentando.

Se a Covid-19 fez com que restaurantes, bares, hotéis e outros locais públicos fechassem, diminuindo assim o consumo dos animais e seus derivados nesses espaços por todo o país e, consequentemente, o ritmo de trabalho nos matadouros, essa queda no mercado interno não significa absolutamente nada para os pecuaristas, setor econômico inabalável que já deu seu jeito de sair por cima em meio à desordem global e a alta histórica do dólar, por isso não é improvável que estejam matando mais animais nesse período de coronavírus em humanos, já que também estão mandando mais animais para a morte excruciante no exterior.

Conforme divulgado nas mídias que se ocupam da manutenção do agronegócio, nem mesmo a pandemia da Covid-19 impediu o “espetacular” faturamento dos pecuaristas nas exportações para… a China!, com aumento das exportações de carne bovina (43.5%) e de carnes de aves e suína (78.0%). No último sábado do mês de março, também houve o maior embarque de animais vivos do ano, 20 mil bois (geralmente bezerros) vivos, foram despachados em navio para o alto mar saindo do porto do estado do Rio Grande do Sul para a Jordânia e dois dias antes foram mais 4 mil animais, tudo em meio à crise sanitária global que teve origem exatamente pelo comércio de animais.

O vírus é o homo sapiens, a doença é o antropocentrismo e a cura… paradoxalmente, somos nós. O que escolheremos?

O historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari fala sobre o mundo pós-coronavírus para a revista Financial Times e nos propõe reflexões, afirmando que, quando essa crise global passar, habitaremos um mundo diferente. De fato, o mundo já está diferente não só porque vemos mudanças no externo pelas janelas de nossas casas ou pelo noticiário, mas porque muitos de nós já não somos (ou não seremos) mais os mesmos.

Entre a vigilância totalitária (a exemplo dos governos controlando e monitorando rigorosamente os locais em que estamos, o que fazemos e até mesmo o que sentimos, coletando e armazenando, em parceria com empresas, nossas características biométricas e mais o que puderem) e o empoderamento dos cidadãos, nós aqui do Saber Animal de longe preferimos o empoderamento dos cidadãos. Se também nos fosse possível escolher entre outras duas propostas para os novos tempos: o isolamento nacionalista ou a solidariedade global, também optaríamos pela segunda alternativa.

Isto porque também somos defensores das liberdades humanas, acreditamos na possibilidade de transformação e mudança dos indivíduos por meio da educação e da conscientização, caso contrário não estaríamos militando por abolicionismo animal. Somos defensores da justiça social e ambiental que passa pela libertação do indivíduo (humano e não humano), defendemos os sistemas democráticos e participativos com ressalvas, entendendo que as decisões devem considerar, necessariamente, a ética do cuidado para com o nosso próximo que inclui os animais não humanos e o respeito à ecologia integral da qual somos totalmente dependentes, por mais que muitos de nós prefiram fugir desta realidade procurando alento na tecnologia e na ciência como se fossem, por si só, as únicas soluções para todos os desafios humanos.

“É crucial lembrar que raiva, alegria, tédio e amor são fenômenos biológicos, como febre e tosse. A mesma tecnologia que identifica tosse também pode identificar risos. Se as empresas e os governos começarem a coletar nossos dados biométricos em massa, eles podem nos conhecer muito melhor do que nós mesmos, e podem não apenas prever nossos sentimentos, mas também manipular nossos sentimentos e vender-nos o que quiserem – seja um produto ou um político”. (The world after coronavirus, por Yuval Noah Harari)

A pandemia em curso traz consigo potenciais modos de viver alternativos e precisamos ter a clareza de que somos nós que escolhemos qual o caminho trilhar, pois os governos e os capitalistas, ao que tudo indica, seguirão o jogo apocalíptico da manipulação e do poder como se o novo coronavírus fosse apenas mais um acontecimento inevitável, um fenômeno natural cujos culpados são sempre os outros, os de sempre: os menos abastados, os mais vulneráveis, a nação estrangeira, os comunistas, os esquerdistas, o “acaso do destino”, a “vingança da natureza”, o “castigo divino”, a “volta de Jesus” e suas variações nada perspicazes.

Refletindo sobre a proposta de Harari, também pensamos que as fronteiras (não exclusivamente territoriais, mas todas as outras separações discriminatórias que apostamos e incentivamos nas sociedades humanas) já são obstáculos obsoletos que devemos transpor em proveito de uma unicidade pacífica (que não se confunde com perfeita), que acolhe, inclui as diferenças e caminha para a solidariedade global abarcando pessoas humanas, não humanas e ecologia.

A largada foi dada e o destino nunca esteve tanto em nossas mãos como agora, para construirmos o planeta que queremos para todos. Para que o confinamento humano não seja nosso novo modo de vida (que, aliás, não chega nem perto do que fazemos com os outros animais), para que doenças evitáveis e pandemias não se transformem em nossa vida cotidiana, é hora de iniciar uma transição para uma nova organização socioeconômica que não explora a vida animal como um princípio de restauração para o equilíbrio ambiental.

Fonte: Saber Animal


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


​Read More
Destaques, Notícias

Supermercados vendem frango com níveis recordes de superbactérias

Os resultados são preocupantes porque a resistência aos antibióticos entre os animais pode facilmente afetar a resistência dos humanos, fazendo com que medicamentos vitais não tenham eficácia contra doenças graves.

Foto: Reprodução, The Guardian

A Food Standards Agency, que testou uma grande amostra de frangos de varejistas, informou “proporções significativamente maiores” nos últimos 10 anos em casos de campylobacter, um patógeno perigoso que é resistente aos antibióticos frequentemente usados para esse tratamento.

“Esta pesquisa oferece evidências de que o campylobacter de AMR [resistente a antimicrobianos] é encontrado em galinhas frescas inteiras vendidas no varejo do Reino Unido”, disse a agência.

Em 2014, o The Guardian revelou altos níveis de infecção por campylobacter no frango do Reino Unido e a presença da superbactéria MRSA na carne de porco vendida na região.

A FSA também observou que a proporção de galinhas infectadas com campylobacter que mostraram resistência a antibióticos importantes, neste caso, a ciprofloxacina, “aumentou significativamente” comparada a uma pesquisa anterior de galinhas vendidas no varejo há uma década.

De acordo o The Guardian, mais de quatro mil amostras foram testadas e amostras de números menores com infecções por campylobacter foram testadas mais de uma vez para analisar se continham bactérias resistentes aos principais antibióticos.

A resistência à ciprofloxacina foi identificada em mais de metade das amostras de uma forma de campylobacter testada, 237 em 437 apresentaram campylobacter jejuni e quase metade (52 de 108) de outra cepa tinham Campylobacter coli.

Os resultados foram divulgados por especialistas para mostrar que o uso de antibióticos em animais explorados em fazendas dissemina bactérias resistentes, que podem ser nocivas à saúde humana.

“É escandaloso que [regulamentos governamentais] ainda permitam que as aves sejam medicadas em massa com antibióticos de fluoroquinolona. Há 20 anos, um relatório da Câmara dos Lordes dizia que isso devia ser interrompido. Até mesmo os EUA proibiram a prática há mais de 10 anos devido à evidência científica. Então, por que as autoridades britânicas e europeias ainda se recusam a agir?”, questionou Cóilín Nunan, conselheiro científico da Aliança para Salvar Nossos Antibióticos.

O campylobacter pode provocar envenenamento alimentar grave e morte. As cepas resistentes aos antibióticos usadas contra elas são ainda mais perigosas, já que sua propagação significa que mais pessoas – e potencialmente bois e vacas – devem ser tratadas com antibióticos como um último recurso.

Os médicos receiam que o uso dessas “armas”  as torne também ineficazes, fazendo com que as pessoas fiquem indefesas contra os germes que já haviam sido derrotados. Por esse motivo, a ênfase na medicina humana na maioria dos países desenvolvidos foi alterada na última década para prevenir a disseminação de doenças.

Mais de metade dos antibióticos usada em todo o mundo é administrada a bois e vacas, muitas vezes para bandos inteiros ou rebanhos, independentemente do número infectado. Em alguns países, eles são distribuídos constantemente para aumentar o crescimento dos animais. Muitos cientistas concluíram que os animais explorados em fazendas são uma das principais causas de resistência aos antibióticos, o que parece ser confirmado pela FSA.

Os esforços para diminuir o uso de antibióticos nas fazendas, instado pela Organização Mundial da Saúde e outros grupos, têm sido lentos para obter efeitos enquanto o problema parece aumentar.

​Read More
Superbactérias
Destaques, Notícias

Superbactérias causadas pela agropecuária matam 10 milhões de pessoas todos os anos

 

Superbactérias
Foto: Rex

Um relatório pedido pelo governo do Reino Unido em 2016 estimou que 10 milhões de pessoas podem morrer todos os anos em todo o mundo até 2050 devido ao surgimento das superbactérias, o que fez o primeiro-ministro David Cameron anunciar uma repressão à prescrição excessiva feita por médicos e conduzir os esforços para enfrentar o problema na ONU.

As bactérias resistentes ao antibiótico usado como “último recurso”, a colistina, foram descobertas no Reino Unido em Dezembro de 2015, após constatações semelhantes em partes da Europa, África e China. A ameaça à saúde humana tem sido comparada às mudanças climáticas e à guerra nuclear.

Há preocupações sobre o fornecimento de antibióticos aos animais explorados pela indústria agropecuária, sendo que a União Europeia proibindo fazendeiros de usá-los para aumentar o crescimento dos animais.

O novo estudo, realizado por cientistas da Dalian University of Technology in China, revelou outra fonte do problema relacionado à produção de alimentos: genes resistentes a antibióticos contidos em farinha de peixe, farinha de carne e osso e farinha de frango.

Os cientistas disseram que a farinha de peixe – “uma das commodities mais vendidas globalmente” – servia como “um veículo para promover a propagação de genes resistentes aos antibióticos internacionalmente”.

Isso pode ajudar a explicar por que bactérias resistentes têm surgido em lugares inesperados em todo o mundo, como em cavernas isoladas e em gelo permanente do subsolo.

“Nosso estudo implica que a alimentação prolongada e repetida com farinha de peixe pode acelerar o surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos e até mesmo de agentes patogênicos”, escreveram os pesquisadores na revista Environmental Science & Technology.

Eles apontaram que aparentemente a farinha de peixe possui “um impacto previamente subestimado” na resistência aos antibióticos em sedimentos abaixo das fazendas de peixes, o que tinha sido amplamente atribuído à utilização de drogas nos animais.

“Além da produção de maricultura, a farinha de peixe também é largamente dada a bois e vacas, aquicultura ou fertilizante orgânico e, portanto, a farinha de peixe residual em ecossistemas relacionados merece mais atenção no que se refere ao seu impacto sobre a resistência das bactérias, mesmo na ausência de profilaxia ou o uso terapêutico de antibióticos”, alertaram os cientistas.

Eles comentaram sobre a necessidade de mais pesquisas para avaliar os riscos para os seres humanos.  Os genes resistentes aos antibióticos foram encontrados em produtos de proteína de farinha de peixe disponíveis para a venda na China, no Peru, na Rússia, no Chile, na Austrália e nos EUA.

A descoberta do primeiro antibiótico, a penicilina, na década de 1920 foi um dos maiores avanços médicos e transformou Sir Alexander Fleming em um herói internacional, embora Howard Florey, Ernst Chain e colegas da Oxford University realmente tenham transformado a penicila em uma droga para salvar vidas.

Anteriormente, um pequeno corte podia ser fatal caso houvesse infecção, mas os antibióticos forneceram um tratamento simples e altamente eficaz. A penicilina também foi a primeira cura para a sífilis. Sem os antibióticos, cirurgias maiores, como cesarianas, transplantes de órgãos e quimioterapia contra o câncer podem ter um risco muito maior,  segundo a Organização Mundial da Saúde.

Kevin Hollinrake, um deputado conservador que falou sobre os perigos da resistência aos antibióticos, pediu ao Governo que continue a enfatizar a questão. “Não podemos nos dar ao luxo de deixar isso ficar no banco traseiro. Está lá em cima com o aquecimento global e com o apocalipse nuclear, é desse nível”, disse ele à reportagem do Independent.

Ele disse que o problema deve ser visto como “a nova Morte Negra”, uma praga que matou milhões de pessoas no século 14, considerando as descobertas do relatório de 2016 do economista Lord Jim O’Neill.

Hollinrake disse que a pesquisa mostrou a necessidade de uma ação internacional, já que a resistência aos antibióticos é disseminada por “muitos mecanismos diferentes”.

“Precisamos resolver a quantidade de antibióticos utilizados na agropecuária”, disse.

​Read More
Notícias

Super bactérias também podem afetar animais domésticos

Especializado no atendimento de pequenos animais, o Hospital Veterinário Pet Care faz um alerta em relação à discussão sobre o desenvolvimento de bactérias resistentes: o risco pode estar presente também entre os animais domésticos. “Infelizmente, o problema é frequente no universo veterinário”, diz a diretora do hospital, Carla Alice Berl. De acordo com a profissional, a questão quase sempre está ligada à interrupção do tratamento antes do prazo estabelecido pelo veterinário, à dificuldade em se administrar as doses corretas e ainda à medicação sem a orientação do especialista.

Quando medicados corretamente, os cães e gatos com infecções apresentam melhora significativa dos sintomas, mas isso não significa que infecção bacteriana foi sanada. Com esta aparente melhora do animal, o tutor decide parar o tratamento. “Neste momento em que estamos quase ganhando a briga contra a bactéria o medicamento para de ser administrado. A bactéria que ainda não foi erradicada totalmente pode se recompor e se tornar resistente à medicação”, diz.

Outra questão é acertar as doses e os horários da medicação. “Às vezes pela dificuldade em medicar o animal, o tutor não consegue fornecer a dosagem recomendada ou seguir os intervalos estipulados pelo veterinário”, lembra. Para Carla cabe aos veterinários o papel de conscientizar os tutores de animais sobre a responsabilidade da administração de antibiótico. “Devemos indicar o melhor produto para facilitar a medicação, seja oral – em forma de comprimido ou solução tipo xarope – ou injetável e ainda reforçar que o tratamento não pode ser interrompido para não sermos responsáveis por este grande problema mundial”, acredita.

Para ajudar, o Hospital Veterinário Pet Care indica o tempo mínimo de tratamento das principais doenças bacterianas:

· Infecções bacterianas de pele e ouvidos: As otites e piodermites em animais domésticos devem ser tratadas no mínimo 15 dias com antibiótico, podendo se estender durante meses até que o veterinário detecte a erradicação da bactéria;

· Infecções de trato urinário: Para as cistites e pilonefrites recomenda-se um tratamento mínimo de 21 dias com antibiótico, assim como nas mordeduras e feridas sépticas, podendo se estender meses de tratamento.

· Para infecções ósseas: Nas osteomielites, a antibioticoterapia é realizada por tempo indeterminado até haver completa resolução diagnosticada por radiografia.

A realização de exames de cultura bacteriana antes da medicação e durante o tratamento também são importantes para a eficácia do tratamento. “É preciso realizar um antibiograma para identificar qual é a bactéria e a qual antibiótico ela é susceptível”, finaliza Carla.

Serviço
Hospital Veterinário Pet Care – 24h
Avenida Giovanni Gronchi, 3001 – Morumbi – São Paulo/SP
(11) 3743-2142
www.petcare.com.br

Siga o Pet Care no Twitter
www.twitter.com/hvpetcare

Fonte: Uol

​Read More