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Campanha revela o sofrimento de animais explorados pela indústria do turismo

Foto: Caters News Agency
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Diversas fotos capturadas pelo mundo todo mostram imagens comoventes que expõem o sofrimento de animais selvagens em destinos turísticos em todo o sul da Ásia.

Fotografias mostram macacos, tigres e elefantes acorrentados em cativeiro e obrigados a se apresentar para turistas pagantes.

Tiradas pels fotojornalista Aaron Gekosi, essas imagens chocantes marcam o lançamento da campanha “Raise the Red Flag”(Levante a Bandeira Vermelha, na tradução livre), da organização Born Free’s.

Foto: Caters News Agency
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A campanha permitirá que os turistas relatem casos de sofrimento de animais em cativeiro em todo o mundo.

Em uma sequência, um orangotango pode ser visto olhando pelas grades de sua gaiola enquanto macacos vestidos de coletes andam de bicicleta.

Dr. Chris Draper, chefe do departamento de Bem-Estar Animal e Cativeiro da Born Free, disse: “O cativeiro nunca poderá recriar o ambiente complexo que os animais encontram na natureza. Muitos animais sofrem imensamente em cativeiro como resultado disso”.

Foto: Caters News Agency
Foto: Caters News Agency

“Inúmeros animais selvagens são mantidos em situações de cativeiro para entretenimento humano – em espetáculos circenses com animais, como adereços fotográficos para turistas, encontros com animais, filmes e programas de TV, ou até como animais domésticos.

“Há dezenas de milhares de zoológicos em todo o mundo, mantendo milhões de animais selvagens em cativeiro. Todas essas atividades podem ter sérias implicações para o bem-estar animal e representam riscos reais tanto para a segurança quanto para a saúde pública e animal”.

Foto: Caters News Agency
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Muitas pessoas podem ter visto um animal selvagem em cativeiro em perigo. Eles podem ter visitado um zoológico, uma atração turística ou se deparado com o sofrimento de animais selvagens em cativeiro e se sentirem desconfortáveis ou preocupados com o que testemunharam.

Quando as pessoas se deparam com situações como essas, podem achar difícil ou desanimador falar, ou simplesmente não sabem com quem entrar em contato.

Foto: Caters News Agency
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“Nosso novo sistema da campanha Raise the Red Flag, que é apoiado pela British Airways Holidays, e liderado pelo mais novo patrocinador da Born Free, Mollie King, permitirá que apoiadores em todo o mundo relatem incidentes de sofrimento de animais selvagens, oferecendo conselhos sobre qual orgão procurar e que ação tomar depois de relatar suas preocupações? “

Mollie King acrescentou: “Estou realmente honrado por me juntar ao Born Free como patrono, todo o time lá faz um trabalho que vale a pena, tudo com o objetivo final de manter a vida selvagem onde ela pertence: na natureza”.

Foto: Caters News Agency
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Há alguns anos, tive a sorte de poder me juntar a Born Free ao transferir ursos cativos da Geórgia em um santuário grego.

“Vendo o quão mal os ursos foram tratados antes de serem resgatados – alguns deles sendo forçados a ‘dançar’ em pedras quentes para entreter os turistas – me assustou muito, a viagem também me fez perceber que há muito trabalho a fazer para acabar com essas atividades horríveis.

Foto: Caters News Agency
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“Estou muito contente pela Born Free existir e fazer tudo o que pode para acabar com a exploração de animais selvagens. Estou animado com muitas coisas que planejamos para o meu patrocínio, em particular o lançamento do Raise the Red Flag”.

“Eu quero fazer tudo o que puder para ajudar a Born Free a lançar luz sobre a realidade do cativeiro de animais selvagens e Raise the Red Flag é um projeto tão importante para que todos possam fazer isso”.

Foto: Caters News Agency
Foto: Caters News Agency

Draper concluiu: “Infelizmente, não podemos ajudar todos os animais selvagens em cativeiro, mas, quando possível, podemos investigar, entrar em contato com os estabelecimentos, empresas de viagem ou autoridades envolvidas e destacar esse sofrimento para o resto do mundo”.

“Quando as pessoas nos informarem sobre o sofrimento dos animais selvagens através da campanha, nós os capacitaremos a agir e fazer tudo o que pudermos para ajudar o maior número de animais possível”.

Foto: Caters News Agency
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Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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Notícias

Funcionário canta para cães de abrigo e o ato impulsiona adoções

Foto: Vance County Animal Shelter
Foto: Vance County Animal Shelter

O abrigo Vance County Animal Shelter, que fica na Carolina do Norte (EUA), presenteou os animais resgatados que vivem em suas instalações de uma forma única. O funcionário da entidade, Chad Olds, trouxe seus talentos musicais para trabalhar e com a ajuda deles tem acalmado e alegrado os cães do abrigo.

Um centro de resgate e adoção pode ser um lugar estressante, com animais confinados em seus canis, ansiosos e agitados, então qualquer coisa para ajudar é uma ótima pedida. E isso parece ter se transformado em um sucesso total por meio das mãos de Chad, com musicoterapia ao vivo.

Chad está no abrigo há cerca de cinco meses. E seu papel requer uma abordagem prática com animais interagindo com eles e mantendo seus espaços limpos. E quando alguém sugeriu que ele tocasse para os cães, ele ficou um pouco cético no início.

Tudo começou quando Chad decidiu tentar trazer sua guitarra para o trabalho. Quando ele começou a cantar e tocar “Like Red On A Rose”, de Alan Jackson, os cachorros notaram e quase todos pararam de latir

Foto: Vance County Animal Shelter
Foto: Vance County Animal Shelter

“Estou feliz por ser a voz desses animais, ainda mais por saber que essa pequena atitude está trazendo tanta consciência positiva em relação a eles”, disse Chad à ABC News.

“Meu superior permitiu que essas coisas maravilhosas fossem feitas, estamos pensando fora da caixa e sendo criativos para ajudar animais”.

“Algo mágico acontece quando começo a tocar, a música realmente toca esses animais, eles se sentem confortados e param de fazer barulho para ouvir as canções”, disse Chad.

O músico e funcionário do abrigo diz que se sente útil ao ajudar os animais e que espera poder fazer isso indefinidamente, “pois a recompensa esta nos olhos e expressões deles”, conclui ele.

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Notícias

Celebridades e ativistas participam de protesto pelos direitos animais nos EUA

A “Marcha do Silêncio”, realizada no centro de Los Angeles, reuniu diversas celebridades e ativistas em solidariedade aos animais. A ação durou cerca 24 horas de silêncio.

Centenas de ativistas participaram, usando uma fita verde simbólica sobre suas bocas ou ombros para representar como os animais são sistematicamente silenciados. Celebridades que são veganas apoiaram o protesto, incluindo Travis Barker, Moby, Kip Andersen e Torre Washington.

“Estamos marchando para o fim da exploração e objetivação de animais. Exigimos libertação e soberania para os milhões de animais que são silenciados ou cujos gritos continuam a cair em ouvidos surdos. Estamos aqui para trazer sua situação á consciência do público e criar espaço para mais compaixão”, disseram os organizadores.

Travis Barker e sua filha Alabama aderiram á marcha (Foto: Reprodução)

O evento foi coberto por Jory Rand da ABC7, que disse: “Eu cobri muitas marchas e demonstrações no centro de Los Angeles, mas nunca uma que foi 100% silenciosa”.

“A Marcha do Silêncio, foi um esforço para chamar a atenção e a compaixão para o sofrimento de bilhões de animais sem voz em fazendas industriais e laboratórios de testes em animais”.

A organização comunicou que estava feliz com os resultados e agradeceu a todos que compareceram.

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Artigos, Colunistas

­Especismo e o fardo do sofrimento silencioso

“O que o escravo norte-americano tem com o 4 de Julho? Eu respondo: um dia que lhe revela, mais do que todos os outros dias do ano, a injustiça e a crueldade que é vitimização constante. Para ele, essa celebração é uma farsa, vossa liberdade é uma desculpa profana; vossa grandeza nacional, um inchaço de vaidade, (…) vossos gritos de liberdade e igualdade são zombarias ocas; vossas orações e hinos, vossos sermões e ações de graças, com todo o vosso decoro e solenidade religiosa, são a mera fraude, engano, impiedade e hipocrisia – um fino véu para encobrir crimes que deveriam ser a vergonha de uma nação de selvagens. (…) A existência de escravidão no país marca vosso republicanismo como uma farsa, vossa humanidade como um pretexto de base, e vosso cristianismo como uma mentira. A escravidão destrói vosso poder moral no exterior e corrompe vossos políticos em casa. É a força antagônica em vosso governo, a única coisa que perturba seriamente e põe em perigo sua união.”

O trecho foi reproduzido pela Sociedade Abolicionista das Mulheres de Rochester, Estados Unidos, em 5 de julho de 1.852 e escrito pelo ex-escravo Frederick Douglass por ocasião do feriado da Independência daquele ano, que aprendeu a ler em segredo e depois de sua fuga, fundou o jornal abolicionista North Star. Tanto esforço para ser reconhecido como pessoa livre em um sistema escravista, portanto, racista, resultou em grande impacto à sociedade da época, em conflito pelo entendimento por parte dela da imoralidade da escravidão e sua inconsistência numa sociedade cada vez mais aderida ao liberalismo.

Após anos de conflito que resultou na abolição da escravidão humana nos Estados Unidos em 1.863, documentos como este ainda configuram importante registro do racismo que insiste em se perpetuar mesmo sem as bases legais que o sustentavam (a escravidão). Portanto, tais registros fora de seu tempo mantém na memória social a crítica ao racismo ainda impregnado na cultura (não apenas na sociedade norte-americana, mas essencialmente em todas que sofreram regimes escravistas), como aviso de sua indesejada existência e lembrança de suas origens, esperando assim alterar essa forma de pensar e agir que não se desfaria por mera determinação legal.
Fenômeno similar observamos em relação às leis promotoras de igualdade de gênero ou que pesem em favor de qualquer outro grupo marginalizado: leis têm a função de proteção legal, mas não dispõem da capacidade de alterar o pensamento social existente, que se modifica somente à medida que vão se configurando novas forças sociais nessa estrutura.

Todo preconceito tem em sua origem algum tipo de exploração e em determinado momento histórico serviu como justificativa para mantê-la de forma institucional, legalizada; portanto, conseguir a destituição de suas bases legais (a exemplo da abolição da escravidão humana) não é garantia do fim daquele preconceito, mas dependem de mudanças na forma de pensar que podem demorar gerações para ocorrer ou ainda nunca acontecer se os grupos engajados na reparação das injustiças promovidas por aquele preconceito não investirem num trabalho de educação permanente junto à sociedade a qual pertencem.

Importante ainda ressaltar que o fim da escravidão humana, além da resistência de suas vítimas e dos grupos que os apoiavam, culminou, ao menos no continente americano, com a expansão das ideias liberais e a demanda por livre mercado, incompatível com um regime de escravidão, levando a crer que tal sistema também não interessava mais aos exploradores como no período de sua implantação, um dos motivos pelos quais talvez tenha sido muito mais fácil abolir o sistema em si que o preconceito que o sustentava, o racismo; este, por sua vez, mesmo após mais de um século de luta por igualdades civis, ainda permanece entre nós (creio que no futuro, se o veganismo seguir por um caminho similar quanto a este aspecto do preconceito não será mera coincidência, já que a escravidão animal como conhecemos hoje tem um custo ao planeta que um dia não interessará mais ao ser humano manter, o que e nem de longe será garantia do fim do especismo).

A crítica constante a atitudes e formas de pensar que promovam a submissão de uns grupos a outros (no caso do veganismo, das pessoas não-humanas às humanas) aliada ao conhecimento das raízes de determinada forma de segregação social, poderiam constituir ferramentas importantes não apenas para a abolição da escravidão animal e conquista de direitos pelos não-humanos, mas também destruir o preconceito que o sustenta, o especismo, porém há grande dificuldade dentro do movimento vegano em emprestar a própria voz para falar do especismo, já que não somos capazes de compreender a voz de suas vítimas e que seus lamentos só chegam aos ouvidos da sociedade em forma de silêncio. Portanto, é compromisso moral da maior urgência sermos nós as suas vozes, pois para a sociedade em geral, as vítimas do especismo não têm voz, não têm rosto e sequer desfrutam de um corpo a ser protegido da tortura da dor e da morte, corpo em geral desejado sem vida (ou numa vida de servidão), aos pedaços, cuidadosamente cozidos e temperados como enfeites de boas confraternizações, dos quais ainda se extraem as secreções, os ossos, a pele, o sangue e todo tipo de abuso conveniente ao ser humano, por isso aqueles que dão voz a essas vítimas muitas vezes preferem apelar à benevolência, à caridade e à compaixão humana que assumir a simples e dura realidade de pertencer a uma espécie que prefere violar de forma sistemática e massiva todos os direitos dos outros habitantes sencientes deste planeta.

Portanto, assim como em seu discurso aquele escravo usa sua voz para falar aos seus opressores da hipocrisia de um feriado pela independência num país amalgamado e mantenedor da escravidão, apelo a todos que emprestam sua voz aos animais que falem da hipocrisia das tradições religiosas e culturais que envolvem exploração animal numa sociedade baseada em direitos, sobre a dor e a escravidão perpetuada pelo especismo e que a luta contra este preconceito seja a razão para nos denominarmos abolicionistas, ação muito mais importante e efetiva que as confortáveis listas de empresas boicotadas de forma individual e silenciosa, sem nenhum efeito direto sobre a cultura especista que nos rodeia.

Condicionados por uma sociedade consumista que se define e adequa às demandas dos consumidores sem nenhum impacto sobre o status quo, se não debatermos de forma aberta e ampla o especismo, corremos o risco de nos tornarmos apenas mais um entre tantos grupos atendidos pelo mercado, daí a importância dos exemplos históricos como a abolição da escravidão humana, que se consolidou muito mais para atender os interesses do liberalismo que para ser um marco do fim do racismo, indispensável para garantir de fato a igualdade entre todos os humanos.

Se aves, suínos, bovinos, pequenos ruminantes, peixes ou qualquer outro animal explorado pudessem fazer sua voz ser entendida por nós, certamente questionariam a hipocrisia de nossos festejos pretensamente carregados de amor e esperança, cujas tradições, porém, são mantidas sobre a vida de tormento e morte certa, precoce destas espécies. Porque, então, insistimos em fazer menos quando vamos falar em nome dessas vítimas supostamente silenciosas? Não contamos com qualquer respaldo legal na defesa dos animais como pessoas, portanto deveria ser da máxima urgência apontarmos o que realmente mantém a exploração animal e os não humanos na condição de objetos para nossos fins: o especismo.

Para as festas de final de ano, meus votos para que a mensagem propagada pelos defensores dos animais se esvazie do conteúdo especista da compaixão, do amor fraternal, da evolução pelo respeito aos “pobres animais” – mensagens que dizem muito mais do agressor que do agredido – e se encha do único motivo que justifica o veganismo como caminho para a libertação animal: o direito de todo ser senciente não ser tratado como propriedade alheia posto que tem interesse sobre a própria vida e a imoralidade em celebrar a paz e prover a vida em geral através da violação deste direito. E que estendamos esta mensagem a toda nossa atuação pelos não-humanos, pois assim como no texto escrito por aquele ex-escravo, somente o enfoque na vítima e a contradição em violar seus direitos enquanto almejamos viver em condições de justiça pode ser base real e honesta à crítica a um preconceito, caminho efetivo para a derrocada das formas de exploração que ele sustenta. Por isso, faço votos para que derrubemos primeiro o especismo em nós, sem isso, nada poderemos fazer concretamente pelos animais.

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Destaques, Notícias

Ativista faz voto de silêncio por um ano em nome da libertação animal

(da Redação)

Foto: Facebook/James Aspey
Foto: Facebook/James Aspey

Durante um ano inteiro James Aspey permaneceu em silêncio em nome dos animais.

Segundo reportagem do site The Dodo, em janeiro de 2014, o ativista da Austrália prometeu ficar sem falar por 365 dias, na esperança de que, com esta atitude, ele pudesse chamar a atenção da sociedade para a situação dos milhões de animais no planeta massacrados para o consumo humano. Ele também espera incentivar outras pessoas a mudar sua relação com os animais através da adoção de uma dieta vegana livre de sofrimento.

Logo do site de Aspey
Logo do site de Aspey

Na terça-feira, depois de tanto tempo em silêncio, Aspey finalmente falou novamente no programa de televisão australiano Sunrise. “A razão pela qual eu fiz um voto de silêncio foi para conscientizar a respeito dos seres sem voz vítimas deste planeta – os animais”, disse o ativista que viajou pelo seu país para promover a paz.

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Em seu site Aspey diz promover a paz e dá dicas sobre veganismo

“Nós todos dizemos que amamos os animais, e todos nós somos contra a crueldade animal, mas nós pagamos as pessoas para mutilar, torturar animais de matadouros. E não é por necessidade. Não é porque nós precisamos para a nossa saúde. É só porque nós apreciamos o gosto. Então eu fiquei sem voz, porque eles estão sem voz”, completou Aspey que diz lutar pela libertação animal.

Ele passou a dizer que logo percebeu que os animais têm voz, mas ela não é ouvida. “Eles choram de dor, eles gritam em terror, e quando eles fazem isso, estão usando a sua voz para nos dizer que estão sofrendo. Eu fiz isso para aumentar a conscientização em relação a eles.”

Felizmente, Aspey está longe de estar sozinho em suas esperanças de sensibilizar o mundo para a situação dos animais. Nos Estados Unidos, ativistas têm trabalhado incansavelmente para expor os horrores invisíveis da indústria das fazendas industriais. Como resultado, vários estados já aprovaram “leis ag-gag” (ou leis da mordaça) que ameaçam calar os denunciantes e reprimir o movimento animalista.

Para saber mais sobre o projeto de Aspey, e para obter dicas sobre como se tornar vegano, visite seu site. 

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Olhar Literário

Dizer adeus

Muitos animais se afastam para morrer. Chega um dia em que eles, doentes ou bem idosos, saem de cena para nunca mais voltar. E tudo o que restará, então, será a lembrança dos afetos na memória dos que ficam. Porque é assim a lei da vida em seu eterno ciclo. Mas como esquecer do nosso velho cão que se encolheu, de modo definitivo, no fundo do quintal? E daquele gato ferido que se perdeu para sempre nos telhados vizinhos? Como não presumir a anunciada despedida do bicho silvestre que se desgarra de seu grupo social? Pássaros que amanhecem desmanchados no asfalto, borboletas despetaladas sobre a grama do jardim, baleias encalhadas à beira-mar, tudo parece seguir um curso predeterminado. Acaso teriam os animais percepção da própria finitude? Será que o isolamento voluntário não significa um comportamento instintivo revelador? Confesso que nada sei sobre essas questões biológicas ou filosóficas, podendo apenas – quando muito – intuí-las. Há quem diga, também, que a morte de qualquer criatura senciente pode advir de estados mentais depressivos. Animal ou gente, pouco importa, a tristeza prolongada atinge todos sem distinções.

Muitas vezes sentimos a ausência daqueles que nos deixam – humanos ou não-humanos –, que de alguma forma fizeram parte do nosso viver. Gestos suspensos, alegrias perdidas, retratos silenciosos. Se existe um problema filosófico real, penso eu, ele diz respeito à irreversibilidade da morte, o não-ser. A simples condição animal, aliás, não nos permite fugir dessa sentença inexorável. Sendo assim, o ideal seria – com a devida vênia para uma licença poética – se nós vivêssemos o suficiente, com dignidade, sem nada que ceifasse prematuramente a aventura vital. Em termos humanos, se fosse comigo, 80 anos seriam mais do que suficientes, desde que vividos com autonomia física e mental. É sério, confesso que na hipótese de chegar a essa avançada idade, eu não desejaria mais nada. Já pensaram? Oito décadas atravessadas, a mesa posta, a cama arrumada, a missão cumprida, o que mais querer? Apenas deixar o corpo se desfazer na terra ou permitir que suas cinzas sejam lançadas em algum lugar significativo de outrora. Apesar disso, a idéia da morte sempre assusta.

Quando penso nesse assunto delicado vêem-me à mente cenas horríveis de animais condenados. Será que eles antevêem o próprio fim? O boi que se recusa a seguir pelo corredor do abate sabe o que lhe espera? Decerto, arrisco responder, porque os choques elétricos são desferidos justamente para evitar que o animal estanque ou recue diante do recinto macabro. E o nosso cãozinho ou gato doméstico, será que vivem apenas o presente? Penso que eles, mesmo que idosos, ainda se recordem de seus dias serelepes, em que corriam e pulavam incansáveis, tendo também expectativas futuras. A propósito do tema da consciência, há uma pungente história de Leonardo da Vinci sobre as pequeninas aves engaioladas que, presas pelo caçador, receberam a erva envenenada do bico da própria mãe, a qual preteriu vê-las mortas a deixá-las viver sem liberdade. A ave-mãe teve, assim, a percepção (ou seria instinto?) da morte como libertação para o sofrimento. Quão espantosos são os mistérios da vida, que se perdem, não raras vezes, no labirinto da nossa limitada compreensão. Se há quase duzentos anos a Indesejada já foi chamada de “Mal do Século”, levando consigo tantos e tantos poetas românticos, em época mais recente ela interrompeu a carreira de jovens músicos como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones, Jim Morrison e Kurt Cobain, que faleceram aos 27 anos.

A propósito do “estigma dos 27”, outro dia a cantora da mais bela voz surgida nos últimos tempos também mergulhou no desconhecido, vítima que foi de seus próprios descaminhos, da desilusão e do abandono. Poucos meses antes, vale lembrar, esta artista decidira doar seus gatos a um abrigo de animais em Londres e, por isso, foi criticada pela opinião pública. Refiro-me a Amy Winehouse, artista de raro talento, discípula legítima de Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Dinah Washington e de outras imortais divas do jazz e da música soul. Amy tinha um pouco de todas elas e algo mais. Sua voz, inconfundivelmente rasgada e com um timbre peculiar, tornou-se única neste vasto mundo decadente. Fiel ao gênero da black-music, com raízes fincadas no jazz e no rhythm and blues, ela tinha uma banda pra lá de glamourosa. Com um jeito todo despojado, sem se curvar aos padrões estéticos da mídia perversa, Amy desempenhava com maestria em recintos fechados. Isso porque seu estilo musical era, sobretudo, intimista, em que a voz sobressaía em relação a qualquer outro aparato visual, fossem os cabelos anos 60, fossem os longos cílios, fossem as tatuagens rebeldes. Por isso é que suas apresentações nos teatros de Londres, em 2007, tornaram-se antológicas. Basta ouvir as belíssimas Wake up Alone e Love is a Losing Game, a clássica Lullaby of Birdland, a beatlemaníaca All my loving ou mesmo a versão acústica de Valerie, para confirmar isso que estou dizendo.

Envolvida, porém, pelo vício suicida, Amy Winehouse entrou em declínio, foi internada, perdeu o potencial de voz e a imprensa não a perdoou. Tablóides e programas televisivos lhe lançaram cruéis estereótipos, condenando-a à morte em vida. Amy até que tentou voltar, passando pelo Brasil agora em janeiro de 2011. Eu pude vê-la no Anhembi, perante uma multidão vociferante que se retirou, em parte, apenas porque ela optou por interpretar, com sofreguidão, suas canções mais tristes. O semblante da artista era de uma menina acuada, exatamente a mesma registrada em seu último show, em Belgrado, neste derradeiro ano. Na Sérvia, já não reagia. Não queria cantar, jogou o microfone longe, quase chorou. As imagens da artista perdida em meio aos acordes de Back to the black eram de pura desolação, trazendo em si um apelo invisível: socorro! Parece que ela se afastava de tudo e de todos, para morrer em silêncio. E quase ninguém ajudou Amy Winehouse, cujo fim anunciado se concretizou pouco tempo depois. No seu velório ouviu-se apenas uma canção – So Far Away, tocada por Carole King –, em despedida à jovem que deixou o mundo dos vivos para se transformar em mito. Um ano antes, ao decidir se separar dos gatos, Amy parecia estar antevendo o próprio destino (ou seria apenas instinto?).

Acho que divaguei demais, a noite se faz alta e a lua desaparece. É hora de dizer adeus…

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Projeto visa reduzir barulho produzido pelas atividades humanas nos oceanos

Pesquisadores e oceanógrafos suspeitam que as atividades humanas em alto mar estejam prejudicando a saúde e o comportamento da vida marinha. Tudo devido ao excesso que barulho que os meios de transportes marítimos humanos produzem, ruídos que, aliás, multiplicaram-se nas últimas décadas.

Por esse motivo, tem início hoje, em Paris, na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, um encontro para discutir o projeto “Experimento Internacional Oceano Silencioso”. Participam cientistas marinhos, representantes do setor privado e estabelecimentos militares.

Para se ter ideia do prejuízo causado pelo excesso de ruídos nos oceanos, basta saber que muitas espécies marinhas dependem do som como fonte de informação ambiental na mesma proporção em que os seres humanos dependem da visão.

Segundo a Rádio ONU, as pesquisas nesse campo – que ainda são poucas -, mostram que o aumento dos níveis de ruído, e alguns sons em particular, estão alterando o comportamento de animais marinhos e talvez até mesmo reduzindo a sua capacidade de realizar funções vitais como por exemplo encontrar comida, buscar companheiros ou evitar predadores.

Umas das formas de alteração foi percebida a partir da constatação de que, por exemplo, várias espécies de baleias aumentaram o volume dos sons através dos quais elas se comunicam umas com as outras.

O “Experimento Internacional Oceano Silencioso” é organizado pelo Comitê Científico de Pesquisa Oceânica e pela Parceria para Observação Global dos Oceanos.

O encontro em Paris termina nesta quinta-feira (02).

Em seu “Cântico ao Irmão Sol”, dizia São Francisco de Assis: “Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta”. Se assim nos pede a grande imensidão das águas, nossa irmã, então que respeitemos o seu silêncio.

Fonte: Rádio Vaticano

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Nuri: os gritos do silêncio

Nuri. Foto: Save the Chimps

Nuri esteve até 1994 no programa de reprodução e até onde se sabe, ela passou os anos seguintes em isolamento. Quando Nuri foi resgatada em 2002, ela estava vivendo sozinha no “calabouço”. Seus joelhos estavam permanentemente atrofiados e tal condição não estava documentada nos seus arquivos laboratoriais. Logo ficou aparente que Nuri carregava uma angústia permanente dentro de si. Quando a fundadora do Santuário, Dra. Carole Noon, apagava as luzes no final do dia no calabouço, Nuri começava a gritar desesperadamente. Esses gritos expressavam solidão e pânico, um grito que dizia “não me deixem”. Com a resposta, voltávamos e tentávamos dar um pouco de conforto a ela. Nuri não chorava a noite toda, graças a Deus, mas ir embora ao final de cada dia se transformava em uma experiência muito triste para todos nós. Menos mal, ao longo do tempo, ela começou a parar de gritar quando as luzes eram apagadas.

Nuri nasceu em cativeiro no dia 21 de dezembro de 1966, no chamado Delta Regional Primate Research Center, em Luisiana (agora conhecido como Tulane National Primate Research Center). Seus pais desconhecidos foram identificados com números: sua mãe era n° 359 e seu pai n° 378. Os carrascos nazistas amariam este sistema de catalogar os nascimentos. Aos 14 anos foi transferida à

Nuri. Foto: Save the Chimps

Fundação Coulston. Era a compra n° 12 do triste carrasco de chimpanzés, o Dr. Frederick Coulston. De imediato a colocou para reproduzir, tinha pressa para vender seus filhos por muitos milhares de dólares ao NIH (Instituto de Saúde Norte-americano), que financiou até hoje todo este massacre.

Nuri. Foto: Save the Chimps

Porém, o tenebroso Dr. Coulston não teve sorte. Nuri teve 4 filhos, dois morreram 24 horas após o nascimento. O filho Buckwheat morreu com 9 anos e a filha Ashley, nascida em 11 de maio de 1985, está desaparecida. Nuri também sofreu muitos abortos nos anos seguintes. Sua natureza não lhe permitia gerar mais escravos para serem torturados.

Nuri era tímida, mas delicada com outros chimpanzés. Ela tinha medo de locais abertos, não saía para fora e ficava em seu dormitório. Gostava de objetos, como chapéus, chinelos, carteiras coloridas e pequenos brinquedos, que levava de um lugar a outro. Ela nunca teve infância, nunca foi uma “criança”. Ela ficava horas em sua janela olhando e escutando os sons do mundo exterior, que lhe fascinavam. Os gritos do silêncio que viveu no calabouço anos a fio só ficavam em sua mente perturbada. Sua janela está agora vazia, ela foi embora, sua alma atormentada agora vaga para achar um lar. Talvez o encontre, longe dos humanos malditos que fizeram de sua vida um inferno.

Descanse em paz, nossa querida Nuri! …

Nuri. Foto: Save the Chimps

Fonte: Projeto Gap

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O canto do sabiá, os sons da cidade e da floresta

Todos os dias há cerca de um mês e meio, um sabiá canta na minha janela ao amanhecer. Acordo e, bem quieta, como se ainda estivesse dormindo, me deixo envolver pelo seu canto. Sinto-me privilegiada por acordar dessa maneira em uma cidade como São Paulo. No meu silêncio e no canto do sabiá, começo a ouvir o ruído branco da cidade, lembrando que é hora de levantar.

O ruído branco, resultado de uma combinação de sons de todas as frequências que se somam e envolve a cidade, aumenta de intensidade a cada dia. Quando a intensidade é baixa e é gerado por frequências naturais, como o som do mar, o ruído branco pode ser relaxante, mas, em uma intensidade maior, cria em nós um estado de tensão e estresse que, sem que percebamos, nos põem para funcionar. O sabiá, o silêncio, o sensível, desaparecem.

Na sua caminhada, os humanos foram se desligando da paisagem sonora natural e se ligando na tomada da paisagem sonora urbana, onde não há espaço para o silêncio e o ouvir. Os ruídos de fora se tornam os ruídos de dentro. Escutar-se é doloroso.

Aqui, no espaço dessa coluna, a intenção é possibilitar a escuta da música que acontece o tempo todo em nós e ao nosso redor, questionar a paisagem sonora que geramos, constituímos, vivemos e vibramos, levantar as questões sobre os efeitos do som e da música no comportamento humano e em outros animais, para o bem e para o mal: nas últimas décadas,várias espécies, principalmente pássaros, foram expulsos ou extintos por conta do barulho criado pelos humanos, que invadiu seus habitats.

Agora é quase noite, o sabiá silenciou. Escuto um cachorro ao longe, um avião passando, uma moto próxima, um helicóptero, carros em uma avenida distante, o ventilador do computador, vozes. Um tanto saudosista, sinto falta do sino da igreja, das crianças na rua, do canto do riacho e, principalmente, dos grilos e seres da noite que constituíram a trilha sonora afetiva da minha infância nessa mesma cidade.

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Identidade, ideologia e antropocentrismo

“Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam – Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia.
Numa época em que reina a confusão,
Em que corre o sangue,
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza…
Não digam nunca: Isso é natural!
A fim de que nada passe por ser imutável.”
Bertolt Brecht
 
 
 
O processo de individuação e o antropocentrismo
 
Estamos todos habituados, infelizmente, ao jargão antropocêntrico que afirma a superioridade humana sobre os outros membros da natureza. Tal antropocentrismo, compreensível até certo ponto por estarmos imersos em nossa própria humanidade – se bem que nem sempre justificável – perde-se no tempo e faz-se presente em todas as culturas, com algumas poucas exceções episódicas louváveis. As razões para isso são diversas, dentre as quais a mais fundamental talvez seja a já mencionada auto-referência pré-reflexiva de nossa natureza a ela mesma, com a conseqüente extensão indevida que fazemos do que é humanamente nosso – e apenas nosso – a esferas não humanas, em relação às quais somos, inevitavelmente, biológica e existencialmente míopes. Esse voltar-se sobre si mesmo não é o louvável moto socrático do conhece-te a ti mesmo, justamente por ser pré-reflexivo e pré-discursivo e, por isso mesmo, adialógico e adialético. É também imediato, pois não há distância ou mediação entre nós e nós mesmos. Temos aqui a medida primeira de nossa humana animalidade, o que de mais instintivo, primitivo e não elaborado pode haver na determinação de nossa identidade.
 
Esse estado primitivo de manifestação de nosso ser vem a ser paulatinamente confrontado e elaborado por vivências posteriores, mediadoras da opacidade do mundo, no dizer existencialista; mundo obstante que, em descontinuidade conosco, opera surgimento de fronteira, limite, membrana, pele entre nós e nosso entorno. Confronto de que resulta, a um só tempo, identidade e alteridade, construção e consciência de si e do outro, outro vivido como o não-eu. Nessa diferenciação progressiva, que envolve movimento dialético de saída e retorno a si mesmo, de transcendência de si e retomada da própria imanência, funda-se identidade – tanto biológica quanto psicológica, cultural e existencial – em contínuo movimento e transformação à medida que se afasta daquele estado primeiro. Essa identidade, não mais limitada a autismo autocentrante, menos narcísica, constrói-se na abertura para o mundo e em diálogo com ele, define-se por contraste ou apropriação seletiva de elementos daquilo que, complementarmente, se apresenta como outro.

 A partir disso, por intermédio da elaboração das alteridades, torna-se possível a construção de identidade que ultrapassa o indivíduo. Tomamos consciência de outros indivíduos, menos ou mais semelhantes a nós, com os quais estabelecemos relações e confrontos que permitem agrupamento ou discriminação. Por simpatia ou antipatia, atração ou repulsa, incluímo-nos ou não entre os (des)semelhantes. Esse processo, por demais complexo para ser tratado com profundidade em espaço tão limitado, opera passagem de identidade particular a coletiva. De coacervados a Dasein1 e, deste, a Mitsein, o arrazoado não é incompatível com Heidegger, tampouco com Hegel ou mesmo com Darwin2, Piaget3 ou Freud.4

Cabe indagar, a essa altura, como o processo de individuação e construção de identidade coletiva brevemente descrito acima – processo que parece apontar envolvimento profundo entre o ser que se individua e seu entorno – pode resultar em cisma tão marcante entre homem (enquanto identidade coletiva, gênero) e natureza, característico disso que chamamos de antropocentrismo.
 Ritualização de valores culturais e antropocentrismo
 Para tratar da questão, consideremos que, nessa maturação incessante da identidade, vivências envolvem e cultivam valores de diversas ordens, seja metafísica, religiosa, política, cultural. Para o cultivo de valores, a cultura se encarrega de institucionalizar rituais que os rememoram e comemoram: fazei isto para celebrar a minha memória. São vários os rituais dessa natureza de que não nos damos conta, o papel ritualístico das instituições passando despercebido. A moça que se casa de branco, por exemplo, não se dá conta de que comemora valores burgueses. O rapaz que se diverte (triste diversão) no rodeio de uma festa de boiadeiro não se apercebe da ritualização de uma ordem cultural hierárquica antropocêntrica. Faz lembrar as festas no antigo Coliseu romano, onde se deixava claro que o cristão está abaixo do leão, que é subjugado pelo romano, verdadeiro rei dos animais e, como deus, único digno de louvor. Este eclipse, esta não-visão corresponde a manifestação de ideologia, que tem no velar-se algo de sua constituição. A instituição científica desempenha, nesse sentido, papel da mais alta relevância. Vejamos.

 É inegável a autoridade de que está imbuída a instituição científica em nossa sociedade ocidental contemporânea. A fé inabalável na ciência e na tecnologia constitui, como ideologia, o que se convencionou chamar, respectivamente, de cientificismo e tecnicismo. O poder paralisante dessa fé, geradora do que Adorno e Horkheimer (1991) chamaram de eclipse da razão, é notório no silêncio aquiescente resultante da declaração de que algo teria sido “demonstrado cientificamente”. Toma-se, geralmente, tal pretensa demonstração como palavra final acerca de um assunto qualquer e fim de discussão. Esse despotismo do discurso iluminado, antiiluminista e antiesclarecedor expõe e impõe cisão entre discurso competente e discurso leigo e, no que se refere especificamente à relação homem-natureza, cria condições de definir, sem objeção possível, quem mata e quem morre. O discurso científico adquire dimensão política na medida que autoriza e legitima certas relações de poder, além de comemorar e reiterar uma certa ordem cultural. Nesse sentido, é autoritário e pode fazê-lo por ser tido como auctoritas5 e por ser capaz de operar a confusão entre ordem cultural e ordem natural.

 A instituição científica está em posição privilegiada para operar tal confusão justamente por estar socialmente autorizada a falar do natural, por ser tida como legítima via de acesso à Natureza, que acaba sendo utilizada para justificar a apropriação de seus próprios espaços. A ciência ou, melhor dizendo, o modo de conhecimento científico é considerado, ao menos no mundo contemporâneo ocidental, o melhor – senão único – modo de conhecer a natureza e, conseqüentemente, aquele que é legitimamente autorizado a falar e dar a última palavra sobre ela. Assim, sendo a instituição científica produção da cultura e gozando de tal status privilegiado em relação à natureza, está aberto o caminho para o uso político-ideológico que dela se pode fazer por intermédio da confusão entre norma cultural e lei natural. Essa instituição é, muita vez, usada como instrumento para apresentar valores culturais disfarçados de natureza, ou seja, fazer passar por natural – e portanto inquestionável – aquilo que não é outra coisa senão constructo cultural. É assim que, por exemplo, um discurso racista pode, com conivência científica (ou pseudocientífica), passar por legítima manifestação da natureza, como se vê no uso político do livro The Bell Curve (MURRAY; HERNNSTEIN, 1994), no qual se tenta demonstrar, mais uma vez, a inferioridade negra com base em estudos “científicos” girando em torno do Q.I. de brancos e negros. Discurso racista disfarçado de ciência; cultura disfarçada de natureza; lobisomem em falsa pele de cordeiro. A afirmação da superioridade humana sobre as outras formas de vida não passa, muita vez, de variante dos exemplos acima. Apenas posição política, que a instituição científica ajuda a sustentar.

A ideologia dominante, em nome de determinada ordem cultural, pode usar, portanto, a instituição científica como instrumento de auto-afirmação e legitimação na medida que essa ordem cultural é associada, confundida ou mesmo identificada com a ordem natural. Esta instituição representa, portanto, não empresa imparcial e neutra, mas poderoso instrumento político, ponte entre o sócio-cultural e o natural, compromissada com os dois lados e por cuja ligação esta mesma ordem cultural se cristaliza.
 
Sobre o uso, de caráter político, do natural como justificativa para a ordem cultural, cito, de início, dois exemplos particularmente importantes (RODMAN, 1979, p.3-21) : o primeiro, por ter um caráter marcante na história da relação do homem com a natureza (especialmente com os animais), é da maior relevância à problemática do antropocentrismo. Trata-se do momento em que os animais (juntamente com os demais seres vivos não humanos) deixaram de fazer parte do âmbito ao qual se aplicavam as leis e a justiça humanas, o que acontecia até o século XVII, quando a jus naturae incluía todos os seres vivos. A justificativa para tal tratamento diferenciado baseava-se em um dado inconsistente numa época de guerras, a saber, de que os animais, sendo de natureza selvagem, eram dotados de uma agressividade incomum à espécie humana, o que, aliado ao fato de não terem condições de requerer seus direitos, os fazia indignos de desfrutar destes. Segundo este argumento, as bestas selvagens apresentavam um comportamento que não admitia qualquer tipo de associação com a natureza humana. A partir de então, a justiça se tornaria completamente antropocêntrica. O caráter político deste tipo de justificativa fica claro no segundo exemplo. Passemos a ele.
 
 Em De Jure Belli e em De Jure Praedae, Grotius, para justificar a empresa da guerra à qual a humanidade sempre recorreu nas mais diversas fases de sua história, dizia que não via nada de estranho ou antinatural em tal empresa, já que era do conhecimento de todos que a Natureza, muito sábia, havia dotado os próprios animais de uma certa agressividade para ser usada em prol de sua autodefesa. Portanto, nada mais natural, segundo Grotius, do que o homem, senhor da natureza, também se servir desta agressividade, sempre que necessário. Ou seja, quando se trata de expulsar os animais da esfera da justiça à qual pertencem os homens, argumenta-se que não se pode comparar o comportamento e natureza de uma besta ao de seres humanos. Por outro lado, para justificar a guerra, ressalta-se o aspecto “natural” da agressividade. Fica, então, patente o aspecto indiscriminado e inconsistente do uso do natural como justificativa para o político-cultural.
 
 
 Cultura científica e antiiluminismo
 
 
The passion for philosophy, like that for religion, seems liable to this inconvenience, that, though it aims at the correction of our manners and extirpation of our vices, it may only serve, by imprudent management, to foster a predominant inclination, and push the mind, with more determined resolution, towards that side which already draws too much, by the bias and propensity of the natural temper.
David Hume
 
A instituição científica, enquanto ressonância da ideologia dominante, muitas vezes, ao invés de esclarecer, exerce papel semelhante ao da indústria cultural e reforça sua atuação como reiteradora da ordem cultural determinada por essa ideologia. Contribui, assim, com o antiiluminismo, assumindo importante papel político.

Aliada à ideologia capitalista, a indústria cultural contribui de maneira eficaz para a falsificação das relações entre os homens, bem como destes com a natureza, de tal modo que o resultado final constitui uma espécie de antiiluminismo, de não esclarecimento, criando novos mitos e fantasmas, como, por exemplo, a associação entre progresso e tecnologia, inseparável de postura antropocêntrica ligada à lógica da dominação. Esse antiiluminismo é projeção da tirania iluminada, uma forma de despotismo esclarecido, ou despotismo do discurso iluminado. Diz Adorno (1962): 
 
Considerando-se que o iluminismo tem como finalidade libertar os homens do medo, tornando-os senhores e libertando o mundo da magia e do mito, e admitindo-se que essa finalidade pode ser atingida por meio da ciência e da tecnologia, tudo levaria a crer que o iluminismo instauraria o poder do homem sobre a ciência e sobre a técnica. Mas, ao invés disso, liberto do medo mágico, o homem tornou-se vítima de um novo engodo: o progresso da dominação técnica.
 
Podemos, assim, pensar o trinômio cultura-técnica-ambiente proposto por Habermas (1968). A ideologia dominante, essencialmente capitalista, é dominadora da natureza – ou do sagrado6, no sentido conferido por René Girard (1972, p.51) – e dos homens. Boa parte desse domínio dá-se por intermédio da ciência e da técnica. Dominar e controlar as forças naturais (sagrado) são parte importante do processo segundo o qual o homem se diferencia e se afasta da natureza, tida como o não-humano. Essa diferenciação envolve a construção e afirmação de uma ordem cultural hierárquica, justificadora da dominação.
 
 
 A afirmação inercial da velha ordem na escola e no lazer
 
  
A confusão entre natureza e cultura, um dos modos de manifestação de ideologias, dá-se também no transformar o natural da realidade, ou seja, aquilo que é banalizado com a prática constante imposta por determinado paradigma sócio-cultural (modelador, por sua vez, de paradigmas científicos), em realidade natural, quer dizer, em uma verdade inquestionável, por ser tida como natural.
  
O que chamo de natural da realidade vem com a repetição contínua e acrítica de padrões culturais por grande número de pessoas e por um longo período de tempo, o que desempenha importante papel na formação de hábitos7 (GARGANI, 1982, p.63) ou costumes, em referência aos quais as ações futuras se orientam e, com o tempo, se cristalizam, definindo uma espécie de conservadorismo ou inércia sócio-cultural. Nesse contexto, seria pertinente à nossa problemática considerar o papel que desempenham instituições como zoológicos e circos que incluem animais em seus números na introdução e confirmação de valores e padrões culturais antropocêntricos. Instituições desse tipo, que também representam e refletem uma determinada ordem cultural de caráter essencialmente dominador, têm a peculiaridade de apresentá-la a seu público mais fiel, as crianças, em contexto que elimina qualquer possibilidade de questionamento: essas crianças são levadas a esses lugares, na maioria das vezes, por seus pais ou por parentes e amigos e a experiência, geralmente agradável, como que pede, por si mesma, para ser repetida. Dessa forma dissimulada e tranqüila, e com o auxílio inadvertido de pessoas dignas de respeito e nunca de desconfiança (os pais, tios ou amigos queridos), a idéia ilusória do domínio do homem sobre o restante da natureza vai sendo, desde cedo, introduzida e sedimentada. Dessa forma aprofunda-se a insensibilidade antropocêntrica com relação às vitrines de animais e institucionaliza-se uma forma de lazer abominável. É motivo de preocupação ser capaz de divertir-se às custas da privação de liberdade de animais, que sempre sofrem o estresse imposto pelo cativeiro e pelas condições de acomodação que, quando muito, imitam mal o ambiente natural. Estamos dentro daquilo que Hannah Arendt (1987) chamou, referindo-se às torturas e execuções de judeus pelos nazistas, de banalidade do mal. Esse tipo de propaganda ideológica desempenha papel importante na determinação das atitudes e opiniões das pessoas às voltas com animais. Contribuem para esse tipo de propaganda ideológica as instituições familiar, escolar, religiosa e científica.
 
No caso da instituição escolar, a preocupação em ensinar ciências de forma mais sólida, de maneira que o aluno tenha um contato mais abrangente com todo o processo científico, não levando em conta apenas seu aspecto técnico, mas também o humano e cultural, parece não existir, ao menos em cursos de caráter tecnicista, como é o caso da medicina e da biologia, onde se aprende como realizar determinadas tarefas, mas não se vai a fundo no porquê ou a respeito de como tenha surgido tal prática. Nas aulas práticas em que se utilizam animais, por exemplo, são constantes simples confirmações de dados e conteúdos que já se encontram seguramente estabelecidos nos manuais. A aula prática assume um caráter excessivamente teórico e as manipulações experimentais que nela se realizam se resumem a demonstrações e ilustração da teoria, como diapositivos em um audiovisual. O caráter ético desse tipo de uso de animais é, portanto, discutível, bem como a utilidade desse tipo de aula, uma vez que existam boas bibliotecas e fontes de consulta. Trata-se, portanto, de ritual de confirmação do que já se conhece, do que já está estabelecido. Não há, tanto quanto deveria, uma discussão sobre fenômenos, a respeito dos quais hipóteses seriam levantadas para que pudessem, pelo processo experimental, ser testadas ou eventualmente reformuladas. Ou seja, não há uma vivência do método científico, para que tanto seus dissabores e problemas quanto sucessos e vantagens possam ser descobertos. Há, isto sim, um flagrante caráter propagandístico desse método, na medida que predomina a transmissão apenas dos resultados positivos8 de sua aplicação. É como esquecer dos bastidores de uma peça de teatro. Pode-se dizer que não se ensina ciência, faz-se propaganda dela. Estamos diante, novamente, da ritualização e comemoração de valores e não de sua crítica. Thomas Kuhn (1994, p.19-20), na introdução de A Estrutura das Revoluções Científicas, diz:
 
Se a História fosse vista como um repositório para algo mais do que anedotas ou cronologias, poderia produzir uma transformação decisiva na imagem de ciência que atualmente nos domina. Mesmo os próprios cientistas têm haurido essa imagem principalmente no estudo das realizações científicas acabadas, tal como estão registradas nos clássicos e, mais recentemente, nos manuais que cada nova geração utiliza para aprender seu ofício. Contudo, o objetivo de tais livros é inevitavelmente persuasivo e pedagógico; um conceito de ciência deles haurido terá tantas probabilidades de assemelhar-se ao empreendimento que os produziu como a imagem de uma cultura nacional obtida através de um folheto turístico ou um manual de línguas.
  
Um pouco mais adiante, já no primeiro capítulo:
  
Tais livros (manuais científicos elementares e avançados) expõem o corpo da teoria aceita, ilustram muitas (ou todas) as suas aplicações bem sucedidas e comparam essas aplicações com observações e experiências exemplares. (Kuhn, 1994, p.19-20).
 
Por conta dessa superficialidade e caráter propagandístico do processo educacional em relação ao método científico e devido à imagem de autoridade que tem o professor (autoridade esta que também lhe é conferida pela maneira acima descrita de transmitir os conteúdos, além do próprio status que lhe confere a instituição escolar), passa-se ao aluno a idéia de que a informação por ele recebida representa, em grande medida, verdades prontas, evidentes, acabadas e, muitas vezes, indiscutíveis. É curioso notar que aqui temos um ciclo vicioso, pois o professor ganha autoridade por ser o “dono da verdade”, representante legítimo de determinada área do conhecimento, ponte de ligação com o sagrado (no sentido de Girard) e as informações por ele transmitidas se cristalizam como definitivas ou verdadeiras na medida que são feitas por uma autoridade. Em todo caso, tanto a referida autoridade do professor quanto o status de verdade absoluta das informações passadas por ele se reportam a algo que não se conhece muito bem, ao menos a algo a que o aluno que está para ingressar na universidade não tem acesso claro (se é que alguém o tem). Estou me referindo, numa ordem que vai do geral ao particular, a tudo o que há na natureza capaz de dominar, fascinar e ameaçar o homem (o sagrado) e sobre o que este mesmo homem se esforça por exercer seu domínio e, principalmente, à natureza do conhecimento de tudo isso e de sua aquisição, bem como, mais especificamente, à natureza do processo científico e da instituição que o legitima, enquanto produção sócio-cultural. Na medida que servem de ponte para o sagrado (no âmbito em que este termo foi anteriormente definido), as instituições religiosa e científica encontram um ponto comum.
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 ADORNO, T. W., Conferência radiofônica proferida em 1962, citada por ARANTES, P. E., consultor de Vida e Obra. In: TEXTOS Escolhidos (Os Pensadores), p.16.
 ARENDT, H. Eichmann in Jerusalem; a report on the banality of evil. Revised and enlarged edition. New York, Penguin Books, 1987.
 FELIPE, S., Ética e experimentação animal – fundamentos abolicionistas, Florianópolis, Ed. UFSC, 2007, 351p.
 GARGANI, A. Il Sapere Senza Fondamenti; la condotta intelletuale come strutturazione dell’esperienza comune. Torino, Einaudi, 1982.
 GIRARD, R. La Violence et le Sacré, Paris, Grasset, 1972.
 GROTIUS, H.; De Jure Belli ac Pacis, In: THE CLASSICS of International Law. Oxford, Clarendon Press/ London, Humphrey Milford, 1925.
 De Jure Praedae: Commentary on the Law of Prize and Booty, vol. 1, traduzido do manuscrito original de 1604 por Gladys L. Williams, com a colaboração de Walter H. Zeydel, Oxford, Clarendon Press/London, Geoffrey Cumberlege, 1950.
 HABERMAS, J. (1968) Conhecimento e Interesse.  Técnica e Ciência como “Ideologia” Trad. Artur Mourão. Lisboa, Edições 70, 1994.
 (1968) Técnica e Ciência como Ideologia. Trad. Artur Mourão. Lisboa, Edições 70, 1994.
Teoria Analítica da Ciência e Dialética In: Textos Escolhidos/ Walter Benjamin, Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Jürgen Habermas; trad. José Lino Grünnewald et al. – São Paulo, Abril Cultural, 1980 (Os Pensadores).
 HORKHEIMER, M. Teoria Tradicional e Teoria Crítica. In: TEXTOS Escolhidos / Walter Benjamin, Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Jürgen Habermas; trad. José Lino Grünnewald et al. – São Paulo, Abril Cultural, 1980. (Os Pensadores)
 HORKHEIMER, M.; ADORNO, T. W. Dialética do Esclarecimento; Trad.: Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro, Zahar, 1991.
 HUME, D. An enquiry concerning human understanding. Enc. Britannica, Great Books, p. 463.
 KUHN, T. S.; A Estrutura das Revoluções Científicas, S. Paulo, Ed. Perspectiva, 1994.
 MURRAY, C.; HERNNSTEIN, R. J. The Bell Curve. s.l., The Free Press, citado por SILVA, C. E. L. da. A curva que abalou os EUA. Folha de São Paulo, 30 out. 1994. Mais! p. 4.
 PIAGET, J.; INHLEDER, B., A psicologia da criança, S. Paulo, Ed. Difel, 1985, 135p.
RODMAN, J. Animal Justice: The Counter-revolution in Natural Right and Law. In Inquiry – An interdisciplinary journal of Philosophy and the Social Sciences, vol. 22, Boston Universitetsforlaget, 1979.
NOTAS
 1 O Dasein é o ser-aí, o ser-no-mundo no processo de individuação do ser da ontologia existencialista de Heidegger. O Mitsein (ser-com) refere-se ao Dasein que se dá conta da existência de outros Dasein com os quais deverá conviver (viver com).
 2 Apesar da menção a Hegel e Darwin, evite-se qualquer tipo de interpretação evolucionista do que é aqui exposto.
 3 Faz-se alusão, por analogia distante, à psicologia do desenvolvimento de Piaget, na qual são descritos estágios pelos quais passa a criança, desde muito pequena, ao longo dos quais se nota uma progressiva diferenciação desegoizante da mesma. Segundo Piaget, “…a afetividade dos […] níveis sensório-motores procede de um estado de não diferenciação entre o eu e todos os elementos físicos e humanos que o cercam para construir, em seguida, um conjunto de trocas entre o eu diferenciado e as pessoas (sentimentos inter-individuais) ou as coisas (interesses variados conforme os níveis).[…] [É o que foi] descrito por J. M. Baldwin sob o nome de ‘adualismo’, no qual ainda não existe, sem dúvida, nenhuma consciência do eu, isto é, nenhuma fronteira entre o mundo interior ou vivido e o conjunto das realidades exteriores.” (PIAGET, 1985, p.24/25).
 4 Freud e Anna Freud chamaram o estado indiferenciado primário de narcisismo, no sentido de uma não diferenciação inicial entre o eu e o alheio.
 5 No sentido do que autoriza, como autor e autoridade.
  6 Não há necessidade, para referir-se ao “sagrado”, de deter-se à esfera do sobrenatural. René Girard, em seu livro La Violence et le Sacré, fornece uma definição do sagrado como “tudo o que domina o homem, tanto mais certamente quanto o homem se julgue capaz de dominá-lo. São, então, entre outras coisas, mas secundariamente, as tempestades, incêndios de florestas, epidemias que dizimam uma população”(tradução do autor). Neste trabalho, usarei o termo “sagrado” com este sentido, muito mais próximo da esfera do natural, mas que até pode, dependendo de seu poder de fascínio, adquirir uma dimensão sobrenatural.
  7 Gargani considera a praxis como conduta infundada e define o que chama de hábito decisional, orientador de atitudes e proveniente da experiência continuamente repetida.
 8 O termo “positivo”, aqui, designa simplesmente “o que há de bom, desejável e admirável” no método em questão. Não se pode perder de vista, porém, que, em outro contexto de análise, “positivo” poderia referir-se à doutrina positivista fundada por Comte e, neste caso, a predominância dos aspectos positivos citada no texto significaria o ater-se aos fatos.
 
João Epifânio Regis Lima é Doutor em Filosofia, Mestre em Psicologia e Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo, além de professor e pesquisador de Filosofia da Ciência e de Estética na Faculdade de Filosofia da Universidade Metodista de São Paulo e Professor de História da Ciência e Filosofia da Ciência na Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo. Orientou inúmeros trabalhos acadêmicos na área de Filosofia da Ciência e Filosofia da Biologia, é autor do livro Vozes do Silêncio (Instituto Nina Rosa, 2008), colaborador em coletâneas como Filosofia e Modernidade (UMESP, 2008) e Instrumento Animal (Canal 6, 2008) e autor de vários artigos acerca da questão do uso de animais em pesquisas científicas. E-mail: regis@colband.com.br.

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