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Psicóloga revela detalhes da personalidade de um torturador de animais

Fernanda Fonseca é psicóloga com mais de 10 anos de experiência | Foto: Divulgação

Na última terça-feira (13), a ANDA estreou uma série de reportagens que busca desvendar a mente de assassinos em série de animais tomando como ponto de partida o recente caso de mortes em massa de cães e gatos no bairro Grajaú, na Zona Sul de São Paulo. A primeira matéria contou com uma entrevista exclusiva do psiquiatra forense Guido Palomba, que fez uma análise relevante sobre as origens, comportamentos e motivações de atitudes psicopáticas.

Dando sequência à série, nesta terça (20) contaremos com a colaboração da psicóloga e psicoterapeuta Fernanda Fonseca. Especializada em Psicomotricidade Relacional, a profissional possui uma experiência de mais de 10 anos na área, além de ser vegana e ativista em defesa dos direitos animais. Abaixo, ela revela alguns detalhes que diferenciam indivíduos com transtornos mentais, psicopatas e pessoas cruéis.

Segundo Fernanda, o caso do Grajaú (relembre aqui) tem algumas características marcantes que não podem ser ignoradas. “Crueldade animal também pode estar relacionada ao transtorno de personalidade antissocial ou à psicopatia. E o fato de isso acontecer em semanas alternadas, e de serem vítimas de tortura, pode também indicar algo ritualístico. É necessária uma maior investigação”, afirma.

Ela explica que é importante se atentar ao fato de que a psicopatia não é necessariamente intrínseca à crimes contra animais. “Psicopatas sabem distinguir o certo do errado, porém, buscam prazer e poder de forma insaciável, são irresponsáveis, ainda que isso possa trazer danos psicológicos, emocionais e físicos para eles mesmos e para as outras pessoas. São egocêntricos, frios, mentem sem estresse, manipulam, são incapazes de sentirem culpa e se arrependerem, de sentirem empatia, têm muita dificuldade de compreender o outro, de se colocar no lugar do outro, tratam as pessoas como objetos. Mas, é importante ressaltar que, diferente do estereótipo, muitos psicopatas não chegam a cometer crimes”, informa.

A psicóloga diz ainda que apesar de não ser regra, existem exemplos que demonstram uma relação entre psicopatas assassinos e crueldade contra animais. “Muitos psicopatas seriais killers, começaram a treinar suas maldades com animais, pelo fato de eles serem mais vulneráveis e a violência contra animais ser ainda mais banalizada e recorrente”, afirma.

Ela afirma ainda que o limiar entre a psicopatia e crueldade fica ainda mais tênue em culturas especistas. “A nossa sociedade ainda é uma sociedade que maltrata os animais, que não estabelece o devido rigor penal, ou então as leis não são devidamente cumpridas, porque ainda existe uma desconsideração da sociedade pelo animal, já que muitas pessoas ainda não têm plena consciência de que eles também são seres sencientes, e que por isso, merecem e querem atenção e cuidado. Então não somente pessoas psicopatas, mas pessoas comuns também podem ser fortemente induzidas a agirem friamente com os animais”, pondera.

Fernanda acredita que psicopatas podem agir sozinhos ou através de um forte poder de persuasão convencer outras pessoas a agir em favor deles e que seus objetivos ao atacar um animal podem ser variados. “Depende do grau de psicopatia, depende de cada caso. Mas pode ser um prazer de sentir poder sobre a fraqueza do outro. Pode ser também que não tenham coragem de fazer algo com as pessoas, e assim fica mais fácil de realizar com os animais. Mas também pode ser uma dificuldade em conter seus impulsos psicopáticos, dentre outros possíveis motivos”, disse.

Para a especialista existem diferenças fundamentais entre uma pessoa considerada cruel e um psicopata. “Todos nós podemos agir com crueldade. Mas a diferença é que quando uma pessoa cruel toma consciência, ela se arrepende, enquanto o psicopata não se arrepende e não consegue mudar esta sua dinâmica de funcionamento, porque é incapaz de refletir sobre seus comportamentos cruéis. Para compreender melhor isso, sugiro consultar a escala que estabelece 22 níveis de maldade (foto abaixo)”, esclarece.

Ela sinaliza ainda que outra possibilidade a ser explorada em casos de crimes contra animais é a existência de doenças mentais. “Se uma pessoa psicótica estiver em crise, ela pode por exemplo, ter delírios e alucinações que lhe dão comandos para agir de maneira violenta. Porém, quando ela recupera a consciência, ela não compreende, ou se compreende, sente muita culpa, arrependimento e desespero. Alguns chegam ao ponto de se matarem logo em seguida, de tão insuportável que é constatarem o que fizeram. Mas é raro pessoas psicóticas serem agressivas a esse ponto. Psicopatas é que são mais perigosos e têm maior probabilidade de torturarem animais e pessoas”, explica.

Segundo a psicóloga, a psicopatia pode estar relacionada à fatores biológicos, sociais e ambientais. “A maioria dos serial killers possuem histórico de grandes traumas na infância, sofreram bullying e testemunharam ou foram vítimas de outras formas de abusos, rejeição e negligência por parte de seus responsáveis, ou da sociedade como um todo, principalmente durante seu desenvolvimento moral. Além das influências da sociedade, que propaga tanta violência, que chega ao ponto de normatizar algo assim. Então, sim, pode ser de causa multifatorial. Porém, devemos ter uma compreensão maior, mas sem jamais justificarmos isso”, assevera.

A psicoterapeuta afirma ainda que casos como o da Zona Sul de São Paulo precisam ser investigados não apenas do ponto vista criminal, mas também clínico. “Um psicopata pode passar desapercebido, já que eles têm o hábito de fingir sentimento de culpa e outros. A maioria deles são muito meticulosos e detalhistas. Há muitos assassinos em série que jamais foram descobertos. O ideal é um profissional especialista da área avaliar estas questões, porque para a maioria das pessoas, muitos detalhes podem passar desapercebidos, além do julgamento de que algo pode ser um detalhe, quando na verdade não é. Então, é necessário o olhar de um profissional”, conclui.


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Psiquiatra forense aponta que maltratar animais é indício de psicopatia

Por Bruna Araújo

Reprodução | Facebook

Desde a criação da Divisão de Perfil Psicológico da Agência Federal de Investigação (FBI), no final dos anos 70, crimes de maus-tratos contra animais passaram a ser analisados como indicadores de indivíduos violentos e potencialmente perigosos. Em janeiro de 2016, o FBI anunciou que casos de crueldade contra animais seriam investigados pela agência com o mesmo rigor de crimes contra seres humanos. A iniciativa, realizada em parceria com a Animal Welfare Institute, foi tomada após estudos concluírem que maus-tratos contra animais são fortes e intrínsecos indicadores de violência criminosa.

No Brasil, o caso mais famoso de assassinato em série de animais é o de Dalva Lina, presa em 2018 em SP pela morte de pelo menos cerca de 40 animais. Segundo testemunhas, o número é ainda muito maior. Recentemente, um novo caso está impressionando pelo nível de violência e número de vítimas. Em um assentamento localizado no bairro Grajaú, Zona Sul de SP, animais são encontrados mortos com sinais de tortura e crueldade há pelo menos 6 anos. Apenas nos últimos 3 meses mais de 70 cães e gatos foram assassinatos com extrema violência. A denúncia foi publicada pela ANDA com exclusividade e revelou que o responsável pelas mortes pode ser um serial killer.

Em 2012 a ANDA publicou uma série de reportagens chamada Matadores de Animais. Assinada pela jornalista Fátima ChuEcco, as matérias abordaram os casos dos psicopatas mais famosos do Brasil e no exterior que iniciaram seus crimes maltratando animais. Agora, tomando como ponto de partida o caso Grajaú e através de uma série de quatro matérias contendo depoimentos de especialistas de diversas áreas, a ANDA vai mostrar a mente de um serial killer de animais. O primeiro especialista ouvido é o psiquiatra forense, perito e consultor Dr. Guido Palomba.

Em uma entrevista à ANDA, o psiquiatra forense Dr. Guido Palomba explique que, “diante deste tipo de relato de maus-tratos, de perversidade com animais, se isso de fato for confirmado é algo, sem dúvida nenhuma, indicativo de um indivíduo altamente deformado do ponto de vista ético, moral, social e caracteriza que se chama psicopata e que eu gosto de chamar de condutopata. Por que condutopata? Porque a patologia está na conduta dele. Porque é a extrema sensibilidade sem nenhum tipo de ressonância afetiva com o semelhante. Mas o cachorro e o gato são nossos semelhantes? Sim, são, porque estão vivos. São animais que normalmente demonstram afeto. Normalmente não, sempre. E, se não bem tratados, eles também retribuem tratando seus tutores, seus convivas, muito bem. É realmente uma coisa preocupante”, avalia.

Dr. Guido diz ainda que a condutopatia possui ainda outras denominações que ajudam a entendê-la. “Tem outros sinônimos como, por exemplo, loucura moral e enfermidade do caráter. Os próprios nomes, por si só, já mostram quem são essas figuras, mas, as principais deformidades, são as deformidades do sentimento, porque são indivíduos que não possuem nenhum sentimento superior de piedade, de altruísmo ou compaixão. São pessoas com uma insensibilidade imensa e desejos deformados, como, por exemplo, maltratar animais para se divertir, matar para ver cair, entre outras coisas. São indivíduos que se comprazem em fazer o mal e uma outra característica bastante marcante dos condutopatas é ausência completa de remorso daquilo que eles fazem”, assevera.

Para uma psiquiatra, existe uma forte conexão entre a psicopatia e a crueldade contra animais. “Por que pessoas normais não maltratam animais? Por que elas reconhecem que os animais têm sentimentos, que os animais sofrem. Que os animais têm do mundo deles a sua sensibilidade, os seus gostos, as suas dores, os seus desejos. Então, você ignorar tudo isso é ser extremamente insensível. É uma pessoa sem valor ético ou moral, sem valor superior de altruísmo ou de nada. Ele está fazendo o mal e está insensível ao mal que está causando. É uma pessoa que tem uma deformidade de caráter e mostra isso, mas também é uma deformidade do querer, da vontade. Maltratar um animal? Por quê?”, reflete.

O especialista forense afirma ainda que geralmente seriais killers agem sozinhos, mas não exclui a participação de outros criminosos. “Normalmente essas deformidades estão em uma pessoa. Porém, nada impede de ter aquilo que se chama de folie à deux (“loucura a dois”, em francês). Nada impede que tenha alguém que esteja junto por contaminação, uma pessoa induzida. Claro que para você ser induzido a fazer algo dessa natureza tem que ter algumas características. Por exemplo, primeiro, ser uma pessoa no mínimo com uma fraqueza, com uma deformidade mental”, disse

E completa: “Não vai ser uma pessoa normal que vai ser sugestionada a maltratar animal. Então, essa pessoa, se existir, é um sugestionado. Agora, para ser sugestionado tem que ter não apenas uma fraqueza, como tem que ter um grau de subordinação com o indutor. É uma questão de indutor e induzido. O indutor é o verdadeiro condutopata e o induzido é alguma pessoa que o tem em um grau de superioridade. Normalmente entre um indutor e um induzido tem um grau qualquer de submissão, de adoração, de submissão, na verdade. Essa submissão pode ser de um ou de mais de um. Pode ser até duas ou três pessoas fazendo isso”, acredita.

Ele reforça ainda que alguém que maltrata animais, facilmente também fará vítimas humanas. “O insensível não é somente insensível aos animais, ele é insensível a tudo, insensível ao sofrimento do ser humano, obviamente. Não há insensibilidade só para isso ou para aquilo. A insensibilidade é uma deformidade do caráter”, enfatiza.

Dr. Guido Palomba reforça também que há diferença entre maldade e psicopatia. “Quando você pode explicar psicologicamente um fato, então você entra na patologia, por exemplo ‘eu estou sem dinheiro, eu mato uma pessoa para pegar a carteira dela’, ‘eu vou ser delatado, eu mato a pessoa para que ela não me acuse’. São atos moralmente e juridicamente condenáveis, mas são explicáveis. Agora, quando eu arranco o olho de um cachorro para vê-lo sofrer, é grave, isso não é explicável psicologicamente. Você não consegue explicar sem dar uma pitada de anormalidade”, explica.

Segundo o psiquiatra, compreender os atos de um condutopata de um ponto de vista moral e social podem não ser tão simples. “A psicopatia não é uma doença mental propriamente dita. O indivíduo que tem psicopatia fica na zona fronteiriça entre a normalidade e a loucura. É igual a aurora, não é noite e nem dia, é uma zona fronteiriça. É sempre biológico. Doenças mentais e condutopatia, a pessoa nasce e morre com ela, sempre. Pode ter fator social que esteja desencadeando, mas ele tem que ter uma potência. Por pior que façam para você, você não vai judiar de um animal se você for normal. Agora, se você tiver uma potência grande para fazer isso, de repente aquilo que estão te fazendo de mal te desencadeia um comportamento dessa natureza”, acredita.

E completa afirmando que investigações sobre seriais killers de animais precisam ser minuciosas e atentas. “Todos os detalhes são importantes. É como recolher peças de um quebra-cabeças e depois encaixar uma na outra para ver que imagem forma”, conclui.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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Serial killer do Grajaú pode estar matando animais há seis anos

Divulgação

Recentemente, a ANDA divulgou com exclusividade a tortura e assassinatos em série de cerca de 70 cães e gatos no bairro Grajaú, na zona Sul de SP. As informações preliminares apontavam que os crimes estavam ocorrendo no Conjunto Habitacional Brigadeiro Faria Lima, mas na verdade é em um assentamento que fica no entorno do condomínio. O local possui cerca de 3 mil casas e barracos e abriga milhares de pessoas. O assentamento se tornou ponto de abandono de animais desde o início da invasão, há cerca de seis anos.

Uma moradora do local, que preferiu não se identificar e chamaremos de Maria, afirmou em entrevista à ANDA, que o número de animais no assentamento foi crescendo junto com o número de moradores e consequentemente os casos de maus-tratos também. Mortes de cães e gatos ocorrem no local há pelo menos seis anos e o número verdadeiro de vítimas é incalculável.

Maria contou também que acredita que todos os animais foram mortos pela mesma pessoa. Ela disse que alguns moradores afirmam saber quem é o responsável, mas têm medo de dizer devido ao perfil violento do agressor. Maria afirma que os as principais vítimas são gatos. A moradora, que nunca esteve envolvida com a causa animal, começou a resgatar e acolher os animais por não suportar mais vê-los feridos, famintos e em situação de vulnerabilidade.

Divulgação

A vida dos animais que vivem no assentamento é a pior possível. Além do risco de morte diário, cães, inclusive os de raça, e ninhadas são constantemente abandonados. Eles sobrevivem à fome, a doenças dividem a rotina com ratos e outros animais que são atraídos pela falta de urbanização e saneamento. As imagens nada perdem para campos de guerra.

Maria afirma fazer todo o possível para ajudá-los. Ela já deixou de comprar comida para seus filhos para alimentar os cães e gatos. Na falta de ração, ela dá comida e até mesmo mingau de fubá. A moradora possui dívidas em casas de ração e clínicas veterinárias. Sua única fonte de renda é uma ajuda de custa do programa bolsa família. Frequentemente falta alimento.

Há três meses, Maria decidiu que sozinha não conseguiria proteger os animais e decidiu começar a registrar os maus-tratos com a ajuda de um smartphone. Ela pediu ajuda à bibliotecária Claudia Chamas, que criou uma petição online e registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA).

Claudia também recorreu aos deputados Bruno Lima (PSL) e Bruno Ganem (PODE), mas, segundo ela, não obteve retorno. A ANDA entrou em contato com as assessorias dos dois parlamentares via WhatsApp. A assessoria do deputado Bruno Lima afirmou que o caso será investigado a fundo através da CPI realizada na Alesp. A assessoria do deputado Bruno Ganem afirma que um ofício cobrando providências foi encaminhado ao governador Bruno Covas. Maria afirma que nenhum dos parlamentares esteve no assentamento para verificar a situação dos animais.

Após uma repercussão do caso, uma viatura policial foi ao local dar início às investigações. Maria será chamada para prestar depoimento nos próximos dias.

Um assassino sem rosto

Segundo o perito veterinário criminal e consultor da ANDA, Alberto Yoshida, crime de maus-tratos a animais como envenenamentos, não são incomuns, mas o caso do Grajaú surpreende pela frieza do assassino. “Me parece que é alguém, que pela sua personalidade, vai até os animais e os agride, os mata, sem nenhuma motivação que justifique essa agressão”, disse.

Para o especialista, o fato de os crimes estarem ocorrendo em um assentamento pode ser um dos motivos para o grande número de vítimas. “São regiões onde o Estado não está presente, são populações que ficam realmente marginalizadas à assistência do governo e isso favorece que o agressor possa atuar livremente”, acredita.

Alberto salienta que o assassino não é um perigo apenas para os moradores, mas também para os seres humanos. Segundo ele, o agressor é “uma pessoa bastante periculosa. Se ele faz isso com os animais, pode fazer tranquilamente com as crianças e com os seus semelhantes humanos. Uma pessoa de alta insensibilidade para com os seus semelhantes ou para com a vida. É uma pessoa que não tem realmente escrúpulo no sentido do que é o respeito à vida. É alguém que a sociedade tende a repugnar por seus atos. É bastante assustador o comportamento dessa pessoa”, asseverou.

Perito relembra caso Dalva | Foto: Divulgação

O perito veterinário reforça que a investigação do caso precisa ser rigorosa e urgente. “O estado precisa efetivamente encontrar essa pessoa o mais rápido possível. É importante também traçar o perfil desse agressor, não esquecendo que pode ser desde um menor, até uma pessoa de idade avançada. Podemos levar em consideração uma pessoa com problemas desde uma simples alteração de personalidade, até, talvez uma doença mais aprofundada”, disse.

Alberto lembra ainda o caso Dalva Lina. “Acredito que estamos diante de um serial killer talvez até mais agressivo que a Dalva, que também utilizava uma forma de agredir muito animais, mas ela, pelo menos, tinha uma justificativa , uma busca que ela tinha no sentido financeiro, mas aqui (no caso Grajaú), parece que não é bem isso então pode ser que estejamos diante de um criminoso inédito neste sentido de agressão (falta de motivação)”, concluiu.

Entenda o caso

Desde maio, cerca de 70 cães e gatos foram encontrados mortos com sinais de tortura no Conjunto Habitacional Brigadeiro Faria Lima, no bairro Grajaú, zona Sul de São Paulo. Os animais sobreviventes foram resgatados e estão sendo mantidos em lares provisórios. A denúncia aponta que os animais estão sendo vítimas de envenenamento e um dos animais, inclusive, foi baleado. Também foram encontrados animais com olhos perfurados, orelhas e patas mutiladas e queimaduras.

A maioria dos cães e gatos escolhidos como alvo pelo assassino são animais em situação de rua. As protetoras que atuam no local detectaram que há um modus operandi. Há pelo menos três meses toda segunda-feira são encontradas novas vítimas. Cães e gatos nunca são maltratados juntos, há uma predileção entre um ou outro a cada semana. Até o momento não há suspeitos. Protetoras que estão cuidando das vítimas preferem não realizar investigações independentes por temerem retaliações aos animais que protegem.

Como ajudar

Ainda há animais em risco no local. Protetoras que estão acolhendo as vítimas sobreviventes fazem um apelo por adoções, lares temporários, doação de rações e medicamentos e ajuda de custo para tratamentos veterinários. Muitos dos cães e gatos resgatados estão sem olhos, feridos e com sequelas. Para ajudar, entre em contato com a Claudia Chamas através do telefone (WhatsApp): 11 98277-1558.

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Psicopata à solta em Leme (SP) já mutilou vários gatos

Mais um caso de crueldade extrema praticada contra animais. Mas esse “exterminador de gatos” tem ainda um lado mais obscuro: ele é um serial killer (um assassino em série), ou seja, um psicopata que tem sede de torturar muitas vítimas, sem qualquer chance de cura e que pode, a qualquer momento, migrar para outros alvos vulneráveis, como as crianças de sua própria vizinhança.

(Foto: Reprodução EPTV)

Estudos feitos pelo FBI chegaram à conclusão que a maior parte dos matadores em série, entre 85% e 90%, torturam e matam animais antes de migrarem para vítimas humanas e, geralmente, utilizam gatos mansos e filhotes. Uma profunda pesquisa sobre o passado dos mais famosos psicopatas do mundo mostrou que eles fazem uma espécie de “treino” em animais que não conseguem se defender e depois partem para alvos humanos.

Recentemente um outro serial killer de gatos fez um verdadeiro estrago em Campinas (SP). Ele estrangulou 13 gatos num só dia, bebeu o sangue do crânio deles e arrancou a cabeça de um. Apesar da extrema violência de seus atos – o que representa um perigo também para a sociedade humana – passou uns poucos dias numa clínica psiquiátrica (onde se apresentou voluntariamente numa inteligente estratégia para ganhar tempo) e depois sumiu.

Representando um grande perigo para os animais e também para as pessoas, esse tipo de assassino precisa ser detido o mais rápido possível numa ação conjunta e intensa da Polícia com a comunidade.

Confira abaixo a reportagem do G1 na íntegra sobre o caso de Leme (SP):

Mutilação de gatos em Leme gera revolta e moradores oferecem recompensa por denúncias

Os moradores do bairro Nova Santa Rita, em Leme (SP), estão assustados e revoltados com a quantidade de gatos que estão sendo mutilados.

Um grupo de pessoas começou a oferecer uma recompensa de R$ 500 e já aumentou para R$ 1 mil para quem denunciar o autor dos crimes. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Civil vai apurar os casos.

Mutilação

Desde quarta-feira (17) três gatos foram encontrados com partes do corpo mutiladas: dois tiveram os rabos estraçalhados e um ficou sem os testículos.

O gato da comerciante Silva Ligeiro foi uma das vítimas. Na quarta-feira ela chegou em casa e encontrou o animal todo ensanguentado.

“Ele estava com o nariz e boca ensanguentados e as partinhas de baixo dele tinham sido cortadas com uma tesoura. No começo a gente achou que ele tinha sido atropelado, mas nos levamos ao veterinário que constatou que ele havia sido cortado”, contou.

A auxiliar administrativa Mariana de Oliveira tem quatro gatos e está preocupada. Ele é uma das pessoas que está oferecendo recompensa. Até uma faixa foi pendurada no bairro para avisar os moradores.

“A gente pede a colaboração dos moradores que se tiver alguma informação não ocultar porque são vidas e esse crime não pode ficar impune”, afirmou.

Guarda faz rondas

Em nota, a Prefeitura de Leme disse que o caso se trata de um ato criminoso contra os animais e que a Guarda Civil Municipal (GCM) está realizando rondas ostensivas pelo bairro.

O crime de maus-tratos contra animais tem pena que varia de três meses a um ano de prisão, além de multa, que é aumentada em caso de morte do animal. As denúncias também podem ser feitas pela Delegacia Eletrônica de Proteção Animal.

Nota da Redação: a ANDA reforça que animais não devem, em hipótese alguma, ter acesso à rua. Portões e muros altos garantem que cachorros fiquem apenas dentro do quintal e da própria residência. No caso dos gatos, é necessário o uso de telas nas janelas, quando o animal não sai de dentro da casa, ou no quintal. Permitir que animais saiam sozinhos à rua é expô-los não apenas ao risco de envenenamento, mas também de atropelamento, contágio por doenças, agressões e, no caso de animais não castrados, gravidez, que pode levar ao aumento do abandono com a possibilidade dos filhotes nascerem na rua.

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A conexão entre matadores de animais humanos e não-humanos

Divulgação

Um crime bárbaro contra porcos, no dia 5 de setembro, foi parar nos noticiários . Os animais foram encontrados com os focinhos mutilados, sendo que alguns ainda agonizavam de dor, em um sítio do vereador José Aureo Furlan (Partido Solidariedade), na cidade de Brodowski, Interior de SP. Dois vizinhos alegaram ter visto o vereador torcendo o focinho dos porcos com uma espécie de pau e deferindo-lhes golpes com uma tesoura. Segundo eles, Furlan disse estar castigando uma porca que tinha brigado com outra e também ter machucado os demais porcos por estarem fazendo buracos e danificando o local.

As testemunhas contaram que já vinham escutando os gritos dos porcos há algum tempo, mas no dia 5 ficaram impressionados com o barulho. O caso foi denunciado à Polícia Civil e à Polícia Militar Ambiental, e o vereador não foi encontrado pela imprensa local para explicar o ocorrido até o fechamento desta matéria.

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Porcos, cães, gatos, pássaros e crianças

Estudos feitos pelo FBI chegaram à conclusão que a maior parte dos matadores em série (conhecidos como serial killers), entre 85% e 90%, torturam e matam animais antes de migrarem para vítimas humanas. Uma profunda pesquisa sobre o passado dos mais famosos psicopatas do mundo mostrou que eles fazem uma espécie de “treino” em animais que não conseguem se defender e depois partem para alvos humanos.

São inúmeros os casos, mas um dos mais chocantes foi o dos jovens Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck que ficaram conhecidos como os Maníacos de Dnepropetrovsk, na Ucrânia. Eles torturavam vários cães e gatos e postavam os vídeos das barbáries na internet. Depois começaram a matar pessoas. Confessaram e foram condenados à prisão perpétua por 21 assassinatos dos quais também espalharam as filmagens. Desfiguravam as vítimas com golpes de martelo, cortavam as orelhas, arrancavam os olhos e vísceras exatamente como faziam com os cães e gatos. As vítimas tinham entre 14 e 48 anos de idade.

Edmund Kemper foi condenado à prisão perpétua (que cumpre até hoje), nos EUA, na década de 70, por matar dez jovens com requintes de crueldade. Também matou os avós. Ele inspirou parte do personagem Hannibal Lecter do filme O Silêncio dos Inocentes. Torturava e matava animais desde criança. Matou todos os gatos de sua mãe e, mais tarde, quando adulto, a própria mãe. Mas esses são apenas dois entre milhares de casos de serial killers que podiam ter sido detidos assim que começaram a torturar e matar animais.

Maníacos de Dnepropetrovsk | Divulgação

Para onde vão as crianças desaparecidas?

Cerca de 40 mil crianças e adolescentes desaparecem no Brasil anualmente. A cada hora, o Brasil registra oito desaparecimentos de pessoas. De 2007 a 2016, foram quase 700 mil desaparecimentos incluindo crianças e adultos. Em números absolutos, São Paulo lidera as estatísticas, com 242.568 registros nesse período, seguido por Rio Grande do Sul, com 91.469, e Rio de Janeiro, com 58.365.

O Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) constatou que, a cada dez pessoas desaparecidas no Estado de São Paulo nos últimos três anos, quatro são crianças ou adolescentes.

Os Orgãos que tratam de desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil listam os seguintes motivos: adoção ilegal, tráfico de órgãos, exploração sexual infantil e trabalho escravo doméstico, em campos, minas e plantações. Lamentavelmente não incluem ação de psicopatas no sumiço de crianças embora, por outro lado, admitam que várias vítimas sigam seus agressores espontaneamente por já o conhecerem da vizinhança. Aliás, foi o que aconteceu em 2017, em SP, com as garotinhas Mel e Bia (Adrielli Mel Porto e Beatriz Moreira dos Santos), ambas de três anos de idade. Elas foram atraídas com a promessa de doces, mortas e estupradas. Detalhe: um dos assassinos conhecia as meninas.

“Quem tortura um cão, um gato, um bovino, um touro ou um cavalo hoje, provavelmente, passará a torturar um outro ser amanhã, como uma criança próxima. Esta é a realidade. Psicopatas não atacam necessariamente pessoas que não gostam, podem escolher vítimas a esmo, como animais diversos e uma criança, um idoso ou uma mulher. Será que é tão difícil ver que o animal é apenas uma das vítimas desses monstros? Continuemos a trocar os nossos animais mutilados por cestas básicas e pagaremos com as nossas cabeças em bandejas de prata”, diz a psicóloga brasileira Raquel Monaco.

Gatos são as mais comuns vítimas de psicopatas

Quase todo mundo já morou numa rua onde havia alguém que envenenava gatos ou soube de algum caso assim. O envenenador de gatos, à princípio, comete dois crimes: o uso de chumbinho (proibido por lei) e maus-tratos a animais (lei federal 9.605). Mas esse “exterminador de gatos” tem ainda um lado mais obscuro: ele é um serial killer, ou seja, um psicopata que pode, a qualquer momento, migrar para outros alvos vulneráveis, como as crianças de sua própria vizinhança.

Gato em cemitério de Paris | Divulgação

Um sujeito que deseja defender seu passarinho em gaiola cuida para que o mesmo não fique ao alcance dos gatos. Se ele não quer a presença dos gatos em seu jardim ou telhado, pode apenas afastar os bichanos jogando água. Mas se ele premedita a morte de gatos espalhando chumbinho é um psicopata frio e ardiloso que sabe muito bem a dor e o desespero que um veneno como chumbinho causa nos animais.

O espancamento de gatos de cemitérios (comum em várias cidades) é também um ato típico de psicopata. Os inúmeros golpes e chutes nos indefesos animais perfazem uma característica clássica de serial killer em momento de surto. Por isso essas mortes costumam ocorrer em determinado período e depois cessam para novamente ocorrerem mais adiante. Muitas vezes os gatos têm as vísceras ou o coração arrancado como uma espécie de “assinatura” do matador. E aqui cabe o lembrete: esse assassino tem todos os quesitos para num dado momento sequestrar uma criança para fins bárbaros.

Recentemente um serial killer de gatos fez um verdadeiro estrago em Campinas (SP). Ele estrangulou 13 gatos num só dia, bebeu o sangue do crânio deles e arrancou a cabeça de um. Apesar da extrema violência de seus atos – o que representa um perigo também para a sociedade humana – passou uns poucos dias numa clínica psiquiátrica (onde se apresentou voluntariamente numa inteligente estratégia para ganhar tempo) e depois sumiu!

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O índice da maldade tem 22 níveis

Em 2007, o psiquiatra forense Michael Stone, da Universidade de Colúmbia, nos EUA, criou um índice para medir o grau da maldade de uma pessoa sob três pontos: o motivo, o método e nível da crueldade. Ele dividiu a tabela em grupos colocando os psicopatas mais violentos entre os níveis 17 e 22.

No nível 21, por exemplo, estão os psicopatas torturadores que não matam suas vítimas imediatamente. Eles as mantêm sob seu domínio para frequentes sessões de tortura. A motivação é a dor alheia (física e psicológica) e procuram esticar esse prazer o máximo de tempo possível. As vítimas, humanas e não-humanas, acabam morrendo devido as lesões, infecções, falta de comida e água. Confira os níveis mais elevados de maldade:

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Nível 17: assassinos em série com conotação sádica, fetichista e sexual. O estupro é a principal motivação e a vítima é morta para esconder as evidências

Nível 18: assassinos que torturam e depois cometem o assassinato

Nível 19: psicopatas que primeiro intimidam, perseguem provocando o terror nas suas vítimas, para depois cometer o crime

Nível 20: assassinos psicóticos para quem a única motivação é a tortura

Nível 21: psicopatas sádicos que torturam até o limite, mas não cometem assassinatos

Nível 22: neste último nível da escala da maldade estão os torturadores extremos

Finalmente, vale ressaltar: Pessoas com o perfil dos níveis acima se aproveitam de sistemas judiciários ingênuos, que não conseguem fazer a conexão entre matadores de animais humanos e não humanos. E eles continuam à solta torturando animais e, possivelmente, crianças e outras pessoas.

Livro sobre assassinos de animais

Colabore com o livro “Matadores de Animais – Assim começa a carreira de um serial killer”. Se você teve uma experiência que se encaixa no tema, como vítima ou profissional envolvido no caso (advogado, promotor, psiquiatra etc), escreva para jornalista.fatima@uol.com.br. Seu relato pode fazer parte da obra. No assunto do e-mail escreva o título do livro cujo objetivo é mostrar a conexão entre o assassino de animais e de pessoas.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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Serial killer de gatos mata 12 animais Washington (EUA)

Uma dúzia de gatos foram encontrados mortos e mutilados no estado de Washington, nos Estados Unidos (EUA), desde fevereiro. Investigadores acreditam que os diversos assassinatos estejam ligados e tenham um mesmo responsável.

Na maioria dos casos, os gatos foram deixados em espaços públicos depois de mortos. Mutilações encontradas em seus corpos também são semelhantes.

Uma declaração oficial do departamento relata que os crimes ocorreram em todas as comunidades de Olympia, Lacey e Turn Water. O caso mais recente ocorreu dentro do condado de Thurston.

12 gatos foram vítimas de assassino que ainda está à solta (Foto: Pixabay)

De acordo com o Departamento de Sherriff do Condado de Thurston, os delegados de patrulha foram enviados para investigar a descoberta de um gato mutilado na comunidade. Infelizmente, mais tarde, os deputados foram despachados novamente para outra cena em que outro gato foi encontrado mutilado.

Um detetive de crimes foi designado para trabalhar em colaboração com vários pesquisadores para acharem os responsáveis.

Toda ajuda é necessária

O maior santuário de animais no noroeste do Pacífico, o Safe Haven de Pasado, está atuando para ajudar no caso. “Assegurar a aplicação da lei em casos de crueldade com animais é uma parte crítica do que fazemos”, disse à HAN Laura Henderson, diretora executiva do Safe Haven da Pasado.

“Muitas vezes, quando apresentados a um caso de crueldade contra animais, as autoridades não dispõem dos recursos necessários. O Safe Haven de Pasado ajuda a preencher as lacunas”, ela completa.

Henderson afirma que em casos recorrentes como esses assassinatos, deve-se construir um fundo de recompensa. Isso porque o interesse e exposição na mídia aumentam, bem como de outras organizações dispostas a ajudar, como a Peace 4 Animals.

Atualmente, a recompensa para este caso é de US $ 36.000,00 (quase 150 mil reais) para informações que levem à prisão e condenação do responsável. A Peace for Animals, a World Animal News, a PETA e a Humane Society dos Estados Unidos fizeram doações ao fundo de recompensa.

Crimes em série são aterrorizantes para a comunidade e agora existe uma ameaça real e ativa aos animais. E pode também ser uma ameaça potencial à vida humana, de acordo com diversos estudos que confirmaram vínculos entre aqueles que cometem crimes hediondos contra animais que cometem crimes ​​contra pessoas.

De acordo com Henderson, o FBI tem monitorado pessoas que cometem um ato violento contra um animal desde 2016. Durante esse tempo, eles determinaram que os autores são cinco vezes mais propensos a cometer violência contra outra pessoa ou pessoas.

O Thurston County Joint Animal Services, o Safe Haven de Pasado e o Washington’s Most Wanted estão solicitando ajuda do público para identificar suspeitos.

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Serial killer mata mais de 14 animais em bairro de Campo Grande (MS)

A cachorrinha Mila foi envenenada há 10 dias. (Foto: Arquivo Pessoal)

A Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) irá investigar o ‘serial killer’ de animais do bairro São Francisco, em Campo Grande. Moradores denunciam que gatos e cachorros têm sido envenenados desde o fim do ano passado e a situação se agravou neste mês.

Os moradores não sabem ao certo quantos animais já morreram, mas garantem que o número ultrapassa 20. Apesar do transtorno e do medo dos moradores, até então ninguém havia feito uma denúncia para a polícia. “Uma vez eu fui até a Delegacia, mas tinha toda uma burocracia. Eu acabei desistindo porque pensei que isso não traria minha cachorrinha de volta, mas sei que é errado pensar assim”, afirma a dona de casa Ramona Lacerda.

O investigador de polícia da Decat, Sérgio Ricardo, explica que não havia denúncia e que as informações chegaram à delegacia por meio da imprensa. Apesar de poucas informações, a própria delegacia abriu um Boletim de Ocorrência para começar a investigar o caso. “Agora que temos o BO, vai ser emitido uma ordem de serviço, então faremos um levantamento no local, vamos colher informações sobre o possível autor e sobre o número de animais envenenados”, explica.

Segundo o investigador, caso um morador sofra com um caso semelhante, deve recolher o máximo de provas possíveis para fazer a denúncia e para que a polícia chegue ao autor. “O correto é que venham na delegacia e façam o Boletim de Ocorrência. Que a pessoa traga o veneno, um laudo veterinário, o que for, para que a gente possa comprovar o crime”, diz. A pena para esse tipo de crime é de 3 meses a 1 ano, além de multa. Caso haja maus-tratos seguido de morte, a pena pode ser aumentada em quatro meses.

Neste sábado (28), os moradores do São Francisco pretendem se reunir para discutir o envenenamento dos animais e a Decat irá ao local para colher mais informações. Segundo moradores, a reunião é uma forma de mobilização de quem está cansado do terror contra os animais. “A gente vai se reunir, tentar conscientizar que isso é muito errado e também orientar os donos que não deixem os animais saírem de casa. Além disso, quem sabe vendo esse movimento todo, esse assassino não fica com vergonha ou remorso?”, explica um morador.

As netas de Ramona sentem falta de Mila, vira-lata e companheira das crianças. (Foto: Arquivo Pessoal)

14 mortos em julho

Apesar do envenenamento dos animais domésticos já ser um problema na vizinhança desde dezembro, foi no começo do mês de julho que a situação se agravou. A Associação Amor por Patas alega que desde o ano passado foram 23 animais assassinados por envenenamento.

O gestor de operações Anderson de Souza Lima, de 50 anos, explica que só neste mês já foram pelo menos seis cachorros e oito gatos assassinados. Anderson perdeu companheiros de mais de 10 anos, Boti e Dim. Os cachorros da raça lhasa e maltês morreram ao escapar de casa em um momento de descuido ao portão.

“O Dim era bastante esperto, sempre saía correndo quando eu abria o portão, mas voltava. Um dia ele saiu e quando voltou, faleceu dentro de casa. Temos uma veterinária que é nossa vizinha, ela explicou que o jeito que ele morreu era sintoma de envenenamento. Com o Boti aconteceu a mesma coisa”, diz.

Com medo, os tutores têm evitado sair para passear com os animais, já que a maioria das mortes aconteceu quando os animais estavam soltos na rua. Os gatos, que costumam sair mais, é que são maioria entre as vítimas. “Não foi só na rua porque achamos uma carne envenenada na calçada de uma casa certa vez, mas realmente acontece mais quando os animais saem de casa”, explica Anderson.

A dona de casa Ramona Lacerda perdeu a cachorrinha Mila há 10 dias. “Ela deu uma saída, ela é SRD e gostava de escapar. O portão é cheio de tela, mas ela sempre arrumava um jeito”, explica. No dia da morte, a dona de casa viu que a cadela havia escapado e a levou para dentro de casa, mas não demorou até que os sintomas do envenenamento aparecessem.

Ramona fica apreensiva e tem medo de que as outras duas cadelas, da raça poodle, tenham o mesmo fim de Mila. “Eu tinha resgatado ela da rua há três anos, era um animal muito querido, especial. Foi um sofrimento para as minhas netas, a gente tenta respeitar e amar a natureza, os animais, isso é revoltante”.

Fonte: Midia Max

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Serial killer de gatos bebe sangue dos animais em Campinas

Paulo Marques de Freitas Neto

Treze gatos mortos por estrangulamento e com a cabeça arrancada. Em alguns casos, a cabeça foi separada do corpo pelos próprios dentes do agressor que ainda bebeu o sangue dos animais direto do crânio deles com um canudinho.

Uma cena tão cruel e bizarra que chega a ser difícil de conceber como verídica, mas é real! E o pior: o autor dessa brutalidade, o técnico em radiologia Paulo Marques de Freitas Neto, de 30 anos, morador do Jardim das Cerejeiras, em Campinas (SP), continua circulando pela cidade atrás de mais vítimas: gatos mansos ou filhotes, em situação de rua ou que são criados soltos por seus tutores.

No último final de semana, por exemplo, ele esteve na Lagoa do Taquaral, munido de caixinha de transporte, a fim de “adotar” gatos de uma feira de adoção da ONG Gatinhos da Lagoa. Os protetores o reconheceram e acionaram a polícia. Testemunhas o viram também no Cemitério da Saudade, onde vivem vários gatos.

O Ministério Público decidiu denunciar Freitas Neto por crime contra os animais e pedirá um exame psiquiátrico denominado “incidente de insanidade mental” para averiguar se ele oferece risco à sociedade. Além disso, a promotora Gabriela Gnatos Palermo vai pedir à Polícia para que seja feita busca e apreensão na casa dele – conforme informou o Jornal Correio Popular de Campinas na data de hoje.

O delegado Sandro Jonas, do 5º Distrito de Polícia do Jardim Amazonas, onde o caso está sendo investigado, chamou Neto para depor: “Ele alegou que pretendia adotar um gato para desfazer a imagem ruim que ficou dele. Com esse novo fato, reforçamos junto ao Poder Judiciário a necessidade de avaliação psiquiátrica que já foi solicitada desde o primeiro B.O. Ele já esteve internado recentemente obedecendo a vontade da mãe, mas foi liberado”.

Vale lembrar que quando detido para esclarecimentos, no final de fevereiro, Neto confessou os crimes e disse também que já havia matado cachorros e galinhas no passado obedecendo a uma “voz divina”. Em sua casa foram achados corpos de gatos sem cabeça pendurados no varal e, numa ocasião, ele teria matado o gato da própria mãe. O perfil dos crimes de Neto se assemelha ao rastro de sangue deixado pelos piores e mais famosos psicopatas do mundo (veja lista no final da matéria).
Menor potencial ofensivo X Maior potencial assassino

Infelizmente, as leis brasileiras ditam que crime contra animais são de menor potencial ofensivo ainda que se trate de agressores com grande potencial assassino. Mas uma decisão histórica tomada esse ano em SP, deve servir de inspiração!
Dalva Lina da Silva, conhecida como “a matadora de animais”, que estava foragida, foi presa e condenada a 17 anos por matar 37 animais, na maioria gatos filhotes, aplicando uma dolorosa injeção letal. Como não tinha qualquer habilidade para esse procedimento perfurou as vítimas várias vezes no peito. Uma cachorrinha levou 18 picadas na região do coração. A morte podia levar cerca de 20 minutos nos quais os animais mantinham-se conscientes.

Dalva Lina da Silva

A juíza Patrícia Alvarez Cruz utilizou um estudo do FBI (Agência Federal de investigação) da polícia americana para caracterizar Dalva como uma assassina em série, capaz de provocar mortes de forma brutal e, portanto, uma ameaça à sociedade. Aliás, desde 2016, O FBI passou a considerar crimes contra animais como crimes contra a sociedade já que um estudo mostrou que entre 80 e 90% dos assassinos em série possuem um passado de crueldade contra animais

“Em geral os psicopatas começam matando animais e depois migram para vítimas humanas. Eles treinam nos animais indefesos. Nos EUA quem mata animais passa a ser monitorado pelo FBI porque esses sujeitos são um perigo para animais de rua, animais domiciliados e para a sociedade em geral”, comenta o deputado estadual Feliciano Filho que é autor de seis leis em defesa dos animais em SP.

Atento para os estudos que mostram a relação entre crimes contra animais e pessoas, o delegado Nuno Álvares Peres, do 1º Distrito Policial de Campinas, assim que recebeu o caso de Neto, pediu exame de insanidade mental e internação provisória levando em consideração a presença de crianças na vizinhança do agressor (vide documento anexo).

Divulgação

Violência doméstica e desaparecimento de crianças

Pesquisa da Comissão de Proteção e Defesa Animal da Ordem dos Advogados do Brasil de Suzano (Interior de SP) divulgada em março mostra dados estatísticos sobre a relação entre a violência doméstica e maus-tratos a animais. A constatação é que quando os animais sofrem violência, esposa e filhos do agressor correm perigo. Se são os filhos e a esposa que sofrem agressões, os animais da casa também estão sujeitos à violência. Coma a ajuda da Delegacia da Mulher, o estudo entrevistou 59 mulheres, sendo que 39% delas disse que quando a agressão não era com o animal de casa, muitas vezes era com o de terceiros.

Além disso, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 40 mil crianças desparecem todos os anos no Brasil sem que seja pedido resgate, a maior parte delas em SP. Nunca mais se tem notícia ou sequer algum vestígio de cerca de 20% delas. Talvez esteja na hora de colocar entre as principais razões desses misteriosos desaparecimentos a ação de psicopatas que, de forma geral, iniciam suas carreiras matando animais.

Psicopata americano dos anos 70 bebia sangue de animais

Assim como o matador de animais de Campinas, Richard Chase, um psicopata americano que ficou muito famoso nos anos 70, também bebia sangue de animais e até de suas vítimas humanas a ponto de ganhar o apelido de “O Vampiro de Sacramento” (Califórnia). Aos dez anos já apresentava sinais claros de Síndrome de Macdonald (incontinência urinária, piromania e zoosadismo) – uma tríade bastante comum em vários psicopatas.

Richard Chase

Matou seis pessoas em apenas um mês, das formas mais sórdidas possíveis e ainda comeu parte de seus corpos. Entre as vítimas uma criança de quem comeu o cérebro. Achava que o sangue animal protegia sua saúde e por isso capturava animais domésticos nas ruas, matava e comia as vísceras. Certa vez comprou dois filhotes de cachorro de um vizinho para sugar-lhes o sangue. Batia os órgãos dos animais com coca-cola num liquidificador como uma espécie de milkshake. Tentou escapar da pena de morte alegando insanidade mental, mas foi condenado como criminoso comum. Suicidou-se com overdose de antidepressivos na prisão em 1980.

Conheça outros casos famosos envolvendo morte de animais e de pessoas:

Maníacos de Dnepropetrovsk

Os maníacos de Dnepropetrovsk (Ucrânia – período das mortes 2007/2009): Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck, ambos com 19 anos, começaram torturando e matando gatos e cachorros e, em seguida, exibindo os vídeos feitos pelo celular na internet. Logo migraram para crianças, mulheres e idosos assumindo ao menos 21 assassinatos tendo colocado na rede um deles em que fazem uso de uma chave-de-fendas para perfurar o corpo da vítima. Eles costumavam arrancar os olhos das pessoas e cortar as orelhas exatamente como faziam com os animais. Foram condenados à prisão perpétua.

Viktor Sayenko

Jeffrey Dahmer (EUA – período das mortes 1978/1991): assassinou 17 homens e garotos. Os crimes envolviam estupro, necrofilia e canibalismo. Ele dissecava animais desde pequeno e tinha até um cemitério com os corpos no quintal de casa. Ganhou prisão perpétua apesar de nunca ter assumido os crimes. Na cadeia foi atacado e morto brutalmente por outro presidiário com perfil psicótico. Em seu apartamento foram achadas fotografias das vítimas já mortas com cabeças no frigorífico. Havia cadáveres em vasilhas com ácido, altar com velas e crânios dentro de armários.

Jeffrey Dahmer

Edmund Kemper (EUA – nos anos 70): condenado à prisão perpétua (que cumpre até hoje) por matar dez jovens com requintes de crueldade. Também matou os avós. Ele inspirou parte do personagem Hannibal Lecter do filme O Silêncio dos Inocentes. Torturava e matava animais desde criança. Matou todos os gatos de sua mãe e, mais tarde, quando adulto, a própria mãe.

Edmund Kemper

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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Conheça a ativista que investigou Dalva Lina, serial killer de animais

Juliana Bussab é uma das fundadoras da ONG Adote um Gatinho | Divulgação

A primeira serial killer de animais presa no Brasil foi desmascarada por um dos nomes mais importantes da proteção no país: Juliana Bussab, uma das fundadoras da ONG paulistana Adote Um Gatinho.

Em 2011, Juliana desconfiou que alguma coisa estava errada com uma tal de Dalva. O nome dela aparecia sempre nos grupos de proteção, como uma pessoa que estaria abrigando inúmeros animais sem lar. Mas eram cães e gatos demais. Como ela poderia, sozinha, ajudar mais animais do que uma ONG consolidada?

Ela não ajudava. O desenrolar da investigação que Juliana iniciou foi mais chocante do que ela mesma imaginava: Dalva Lina da Silva recolhia cães e gatos para matá-los. A prisão dela, porém, só ocorreu em 2018.

 

Cuidado com a Dalva

O nome de Dalva começou a aparecer com frequência em grupos de proteção animal, em 2011: “a Dalva ajuda”, “vê se a Dalva pega esses filhotes”, “a Dalva tem espaço na casa dela”… As pessoas deduziram que ela era, então, uma pessoa que ajudava animais sem lar.

“Ela cobrava R$ 35 para pegar um animal, na época, dizendo que era para a vacinação e castração, e que, depois, ela levava os animais para uma feirinha de doação ou para um sítio que ela mantinha no Paraná”, conta Juliana.

Como o volume de animais que ela dizia socorrer era grande, Juliana desconfiou e resolveu telefonar para Dalva, que repetiu a história do sítio.

“Na hora eu saquei que era mentira, pois ela não conseguiu me explicar de onde saía o dinheiro para cuidar de tantos animais. Eu sei quanto custa manter um abrigo, e ela nunca foi ligada a nenhuma organização, nada.” Juliana escreveu um e-mail para os protetores, para evitar que a mulher pegasse mais animais, e a mensagem se espalhou: “Cuidado com a Dalva”.

Uma protetora não leu

Dias depois, uma conhecida de Juliana havia resgatado 16 gatos, em um prédio de São Paulo. A ONG estava lotada e não poderia recebê-los. “Na manhã seguinte, essa minha conhecida me ligou: Juliana, já arrumei um lugar para eles, deixei com a Dalva”.

Juliana perguntou se ela não sabia do e-mail que havia sido disparado e a mulher se desesperou. “Desliguei e liguei para a Dalva, pedindo os animais de volta, mas ela respondeu que já havia mandado os animais para o Paraná. Falei: Mentira. Como você conseguiu mandar 16 gatos para o Paraná em menos de 24 horas? Você está fazendo alguma coisa e eu vou descobrir”.

Dalva ameaçou Juliana: “Meu namorado é policial e sua cara é conhecida. Cuidado”. Juliana, então, conversou com protetores e contratou os serviços do detetive Edson Criado, que passou a fazer campana na porta da casa de Dalva no dia 19 de dezembro de 2011.

Ninguém imaginava o que Dalva fazia

Juliana combinou com o detetive Edson que ele observaria Dalva todos os dias, das 8h às 20h. “Eu não tinha nem foto dela, não tinha nada”, conta ele.

A princípio, a desconfiança era de que Dalva abandonava os animais em outro local ou negociava sua venda para restaurantes que, clandestinamente, comercializam carnes de cães e gatos. Em sua primeira hora à espreita, surgiram as primeiras suspeitas —e vítimas.

Dalva recepcionava as pessoas que traziam os animais sem sair do portão, descarregava os animais em casa e devolvia as caixinhas vazias.

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No entanto, o detetive começou a estranhar um detalhe: muitos animais chegavam, mas nenhum saía. De olho na picape estacionada na garagem, achando que em algum momento ela sairia para despachar os animais, Edson se surpreendia com a aparente tranquilidade da moradora.

Animais jogados no lixo

Com o passar dos dias, Edson percebeu que Dalva tinha um hábito incomum: como colocar o lixo na porta dos vizinhos no fim da noite. No dia 12 de janeiro de 2012 —em meio a uma forte chuva—, o detetive, finalmente, teve a chance de mexer em um saco de lixo que Dalva havia acabado de descartar.

Com a chegada da PM e da TV Record, chamados por Edson, o número só aumentaria: 37 animais foram descobertos espalhados pela vizinhança. “Foram 22 dias até o flagrante; e, nesse período, calculei uns 300 animais deixados na casa. Até mais. Menos do que isso, não”.

Dalva foi encaminhada para a delegacia, onde assinou um termo circunstanciado, se comprometendo a comparecer quando solicitada pela justiça e voltou para casa. Condenada em primeira instância, em 2012 [entenda a seguir], ela recorreria e viveria em liberdade até 2016.

Condenada mais uma vez em 2017, ela se tornou foragida até 1º de fevereiro de 2018, quando foi reconhecida pelo gerente de um banco em São Paulo, que a denunciou. Dalva foi presa e, hoje, cumpre sua pena em regime semi-aberto, no Centro de Detenção Provisória Feminino do Butantã, na capital paulista.

Quem é Dalva Lina da Silva?

Uma questão nunca foi respondida pela investigação dos crimes de Dalva: por quê? Ela nunca confessou a totalidade das mortes e atribuiu a algumas o caráter de eutanásia. E, diante dos registros de crueldade, é difícil juntar as peças do quebra-cabeça que compõem sua personalidade.

Apesar de nenhum tipo de perícia psiquiátrica ter sido realizada para determinar se Dalva possuía algum distúrbio de comportamento ou doença mental —já que, no Brasil, uma avaliação assim é tipicamente requisitada pela defesa— o detetive Edson Criado, presente durante o flagrante, não acredita que este seja o caso dela.

“Minha impressão é que ela é uma estrategista, tem consciência plena do que faz.” O advogado da ONG Adote Um Gatinho, Rodrigo Carneiro, que acompanhou os depoimentos de Dalva no julgamento, concorda.

“Em nenhum momento ela aparentou estar fora do ar, com fala confusa… Estava bem atenta. Então, acredito que ela matava por prazer. É a única justificativa. Para executar tudo isso, ela tinha um grande trabalho. Ela perdia tempo para receber quem trazia animais, tinha gastos com o medicamento [controlado que usava para matar] e com as ferramentas que usava”.

Rodrigo ainda afirma que Dalva construiu cuidadosamente sua imagem de protetora animal e, inclusive, se preocupava em alinhar seu comportamento aos de protetores reais. “Às vezes, ela pedia ao doador um saco de ração ou uma quantia baixa de dinheiro dizendo que era para custear uma castração. Mas era um disfarce. Mesmo que você não levasse nada, ela recebia o animal, porque o intuito era esse”.

Organizada, ela chegou a recolher cerca de dez a vinte animais por dia, desde 1998. segundo os registros do processo que a condenou à prisão.

“Quando o caso se tornou público, as pessoas comentavam: ‘deve ser uma velhinha louca’. Mas não era nada disso. Ela tinha 42 anos, viúva de um médico, morava em um bairro nobre, em uma casa grande, uma filha na universidade. Era uma pessoa que, teoricamente, tinha uma vida confortável e regrada. Ninguém imaginava que, por trás disso, ela cometia aqueles atos”.

Método cruel e doloroso de matar

O caso de Dalva só terminou em prisão por conta da crueldade a que ela submeteu os animais. Os 33 gatos e quatro cães, encontrados em sacos de lixo naquele 12 de janeiro de 2012, morreram de maneira dolorosa após agonizarem por horas, segundo o perito ouvido pela Justiça para o caso, Paulo César Maiorka, especialista em patologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

A causa da morte foi o que Paulo caracterizou, em entrevista à Universa, como “colapso cardiocirculatório”, ou seja, na tentativa de acertar o coração para injetar uma substância de uso controlado, Dalva perfurou o tórax de cada um —amarrados, em posição de crucifixão— repetidas vezes, provocando lesões e hemorragias internas fatais.

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Durante a audiência do processo, a condenada caracterizou suas ações como morte induzida. Ela disse que “agiu assim por não suportar ver o sofrimento de animais” e que ama “principalmente os gatos”.

Dalva ainda garantiu que os animais estavam “em fase terminal” e não respondiam a tratamentos. Por isso, ela teria decidido “sacrificá-los com o uso de injeções contendo analgésicos”, seguindo as instruções de um veterinário. Não é verdade.

“Os animais não eram portadores de doenças crônicas. Muitos tinham verminose e falta de alimentação correta, denotando a falta de cuidados”, explica o especialista.

Ainda de acordo com Paulo, a substância usada por ela não tem efeito anestésico em animais de pequeno porte —seu uso é recomendado para cavalos. “Os animais sentiram a dor e estavam conscientes no momento da execução”.

Ao se defender no tribunal, Dalva se responsabilizou pela morte de apenas seis animais e afirmou que os outros foram colocados no local para incriminá-la. No entanto, Paulo atestou que o método utilizado para matar os 37 animais foi exatamente o mesmo. E que, ao contrário do que a acusada alegou, seus atos não denotam nenhum conhecimento ou treinamento médico.

“Nunca tinha visto um caso semelhante. Tanto pelo número, quanto pela forma brutal com que os animais foram tratados”, diz o professor.

Onde estão os comparsas?

Pessoas do círculo íntimo de Dalva não foram ouvidas pela Justiça durante o processo que a condenou. A única exceção foi o pai de sua filha caçula, uma criança à época do julgamento, que teve seu depoimento dispensado pela juíza. “Ele não respondeu às perguntas que foram feitas”, relembra o advogado Rodrigo Carneiro, do Adote Um Gatinho”.

A arquitetura do imóvel também ajudou a condenada a manter seus atos em segredo. “Dentro da casa dela, que era bem grande, existia um cômodo chamado na investigação de ‘quarto da tortura’, que era onde Dalva executava os animais. Esse quarto era fechado. Os vizinhos não ouviam nada”, acredita Rodrigo.

Mas será que ninguém tinha ideia do que acontecia entre as quatro paredes da casa de Dalva?

Para Susan Yamamoto, a parceira de Juliana na fundação da ONG, Dalva tinha, sim, cúmplices. “No mínimo, a pessoa que vendia para ela os anestésicos, já que ela não é veterinária ou médica e não tem permissão para comprar sozinha”. Em depoimento, a ré disse ter tido acesso às substâncias em farmácias populares. No entanto, elas têm venda controlada —portanto, não explica como a assassina as conseguiu.

Perfil de serial killer

Dalva foi sentenciada a 12 anos, 6 meses e 14 dias de detenção em 2012, quando a juíza Patrícia Álvares Cruz utilizou um estudo do F.B.I. (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal americana) para caracterizá-la como uma assassina em série —e, portanto, uma ameaça à sociedade.

“O perfil do serial killer, desenvolvido pela Unidade de Ciência Comportamental do FBI, frequentemente inclui a crueldade contra animais. Em estudo citado na mesma obra, sugere-se que matar animais pode ter possibilitado que esses indivíduos se graduassem, passando a matar humanos”, justifica a juíza na sentença.

Apesar de a defesa ter recorrido da decisão, Dalva teve não só o veredito confirmado, como sua pena aumentada —por conta do abuso de medicação controlada—, em 2017: ela foi condenada, em segunda instância, a 16 anos, 6 meses e 26 dias de detenção pelos seus crimes.

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Para o jurista Tagore Trajano, pós-doutor em Direito Animal pela Pace University, de Nova York, e professor da Universidade Federal da Bahia, apesar de o caso de Dalva ser histórico, era possível que ela recebesse uma pena ainda maior.

“Não se pode dizer que a punição foi tão severa, uma vez constatada a morte de 37 animais, o que configura a aplicação do artigo 32 [da Lei de Crimes Ambientais] diversas vezes”.

Segundo a legislação, abuso, maus-tratos e mutilação podem levar à detenção de três meses a um ano, além de multa. Caso o animal morra, este número pode ser aumentado de um sexto a um terço.

Semi-aberto

A lei não permite a reclusão, ou seja, que Dalva seja presa em regime fechado, explica Tagore Trajano. “A legislação ambiental acredita que a sentença terá um papel pedagógico, dando ao infrator a chance de se recuperar e mudar de comportamento”.

Crimes contra animais, no Brasil, frequentemente acabam em prestações de serviços e doação de cestas básicas. E o caso de Dalva se destaca. Por isso, o jurista acredita que o Brasil ainda precisa dar passos em relação ao bom uso da lei existente.

“O Brasil possui boas legislações de proteção animal, mas ainda há uma confusão grande em como aplicar esta legislação. É necessária melhor formulação do que seria a crueldade. Desta forma, o caso Dalva não seria considerado único ou severo. Existem diversas Dalvas em todo território nacional.”

“Paguei um preço alto”

“Dezesseis gatos. Nunca vou me esquecer daqueles animais. Graças a eles é que a Dalva foi desmascarada, mas não me esqueço deles”.

Com a prisão de Dalva, Juliana diz que não pensa na assassina, mas nas vitórias para a proteção animal, mesmo sabendo que a pena está sendo cumprida em regime semi-aberto.

“Acabou a mamata da cesta básica. Antes, uma pessoa como ela ia pintar uns muros, fazer umas doações e ficava livre. Agora, não”.

Na época, Juliana foi ameaçada, se isolou em casa, entrou em depressão. “Paguei um preço alto por tudo isso. Não conseguia parar de pensar naqueles 16 gatos que perdemos, nos sacos cheios de animais mortos, ainda mais que tinha de cuidar dos que resgatei vivos da casa dela”.

Como ajudar?

O caso de Dalva representa um extremo da crueldade, mas cerca de 30 milhões de outros animais estão expostos a elas por viverem abandonados no Brasil, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde.

Só nos primeiros sete meses após a criação da DEPA —Delegacia Eletrônica de Proteção Animal do Estado de São Paulo, que registra ocorrências pela internet— houve mais de 4.000 denúncias de maus-tratos, segundo dados da Polícia Civil.

“Tem desde aquela pessoa que mantém o cachorro na corrente e acha que não está fazendo nada demais, a pessoa que trabalha em pet shop e bate nos animais durante o banho até a Dalva, que assassinava em série”, explica Susan..

Apesar de haver diferentes graus de abuso cometido contra os animais, há alguns alvos mais frequentes: gatos pretos e brancos, por exemplo, frequentemente são maltratados por superstições e envolvidos em rituais religiosos.

Se você vai doar um animal, tome alguns cuidados para evitar que eles não estejam em mãos erradas. Em primeiro lugar, é possível procurar uma ONG —neste caso, Susan aconselha a visitar o estabelecimento com antecedência, checar informações em redes sociais e procurar se há prestações de contas públicas do trabalho do local.

Caso doe diretamente para alguém, converse com o interessado, visite a casa, verifique se é segura e se o adotante tem condições financeiras de acolher os animais que possui.

Outra alternativa é realizar um termo de responsabilidade animal entre o doador e o adotante, uma via para cada, que pode ser registrada em cartório. Ali, é possível pedir o RG e um comprovante de residência da pessoa que vai receber o animal, que pode facilitar a checagem dos dados.

Caso suspeite de maus-tratos, seja contra animais que doou ou não, procure uma delegacia especializada em crimes contra o Meio Ambiente na sua região. A Polícia Militar, a Polícia Ambiental e o próprio Ministério Público podem ser acionados pelo cidadão, segundo orientação da Cartilha de Defesa Animal do MP-SP. Mesmo que não haja denúncia feita na polícia anteriormente, o promotor pode orientar os próximos passos a seguir.

 

Fonte: UOL 

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Estudos confirmam relação entre maus-tratos animais e assassinos em série

O abuso de animais não é apenas uma personalidade duvidosa – é um sinal de desequilíbrio psicológico grave. Aqueles que descontam seus próprios problemas em ‘alvos fáceis’, sua indiferença ao sofrimento de outros se estende para a categorização das vítimas.

Um estudo realizado pela Northeastern University e Massachusetts SPCA descobriu que pessoas que praticam maus-tratos a animais têm cinco vezes mais chances de cometer crimes violentos contra humanos.

Outro estudo, realizado pela Michigan State University ao longo de 21 anos, também faz a conexão. Descobriu que 70% das pessoas que abusavam de animais passaram a cometer outros crimes: cerca de dois terços também agrediram humanos e 100% dos que foram culpados de homicídio sexual tiveram uma história de crueldade com os animais.

70% das pessoas que praticam maus-tratos a animais cometem outros crimes

Esse padrão de comportamento, apesar de ser bem conhecido pela polícia e pelos legisladores, ainda não é levado a sério o suficiente. Uma história de abuso de animais aparece nos registros de muitos dos piores criminosos do mundo. É possível levar em consideração quais atrocidades poderiam ter sido prevenidas se casos de crueldade aos animais tivessem a atenção que merecem.

Mary Bell, britânica que estrangulou duas crianças até a morte enquanto ela mesma ainda era uma, tinha, de acordo com relatórios, feito o mesmo com os pombos.

Thomas Hamilton – responsável pelo massacre Dunblane de 1996, em que 16 crianças e um professor morreram – esmagou as cabeças de coelhos sob as rodas do carro quando ainda era criança.

Robert Thompson – que, junto com seu amigo Jon Venables, matou a criança pequena Jamie Bulger em 1993 – supostamente tirou as cabeças de pombos vivos e exibiu “crueldade notável com animais domésticos”.

Nos Estados Unidos, o assassino em série Jeffrey Dahmer tinha empalhado rãs, gatos e cabeças de cães em palitos.

Reconhecendo o abuso de animais como uma bandeira vermelha associada a comportamentos cada vez mais violentos, estados e municípios em todo os Estados Unidos tomaram medidas para proteger os animais – e os seres humanos – ao propor que ocorrências de maus-tratos animais sejam semelhantes aos de abusos sexuais.

Os números chamam a atenção – o RSPCA investigou cerca de 150 mil queixas de maus-tratos animais em 2016, um aumento significativo de quase 5% no Reino Unido.

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Coelho é decapitado por serial killer responsável pela morte de centenas de animais

No último ataque, acredita-se que o criminoso chegou ao jardim da residência, enquanto os filhos da proprietária estavam dentro da casa, antes de matar o coelho e deixar seu cadáver para ser encontrado.

Foto: Donna Leal

É a quarta mutilação de animais domésticos na área desde Julho de 2016 e a segunda de um coelho em duas semanas.

A cabeça e as pernas dianteiras do coelho cinzento foram arrancadas antes de serem cuidadosamente cobertas de sujeira. Todas as partes ausentes do corpo ainda não foram encontradas.

A tutora disse que o assassino era uma pessoa doente, fria e calculadora: “Eu apenas agito o saco de comida de Elmo e ele normalmente pula, mas eu não o vi em nenhum lugar e, após alguns minutos, percebi que ele não estava no jardim. Pensei que ele deveria ter escapado, mas vi um volume no canteiro de flores. Eles o cobriram com lama, Deve ser algum tipo de psicopata. Eu sabia que algo estava errado e liguei para a polícia”.

Donna acredita que Elmo não foi enterrado corretamente e definitivamente seria encontrado. “É assustador porque alguém teve que escalar meu jardim com uma faca enquanto meus filhos estavam do lado de dentro”, disse.

O investigador PC Richard Donbavand declarou: “Este foi, compreensivelmente, um incidente extremamente perturbador para a tutora do coelho e quero tranquilizar as pessoas de Harpenden e a comunidade em geral que estamos levando este relatório muito a sério. Uma investigação já foi iniciada e insto que qualquer pessoa com informações se apresente”.

Foto: Donna Leal

Este é o segundo coelho mutilado em Harpenden neste mês. O coelho Teddy também foi uma vítima. Em ambos os casos, o assassino subiu por cercas de jardim privadas para matar os animais.

O serial killer “M25” tem aterrorizado os tutores de animais desde 2014. Mais de 350 gatos e 40 raposas foram mortos por ele – antes conhecido como Croydon Cat Killer  – antes que a real extensão dos crimes estivesse clara. Desde então, animais em toda a Inglaterra foram alvos, incluindo muitos no distrito de St. Albans.

O South Norwood Animal Rescue and Liberty (SNARL) pressionou por uma investigação policial sobre as mutilações e ofereceu uma recompensa de £ 10 mil por informações que levem a sua prisão.

A Operação Takahe foi lançada em 2015 para rastrear o assassino – que usa a força para matar pequenos animais, antes de cortar suas cabeças, rabos, patas dianteiras ou pernas traseiras e exibir as partes dos seus corpos onde eles são encontrados.

O co-fundador da SNARL, Tony Jenkins, acredita que o serial killer pode ser perigoso também para os seres humanos e não descartou a possibilidade de se tratar de um grupo de indivíduos.

PC Donbavand recomendou que os tutores mantenham os animais dentro de suas residências.

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Procura-se: justiça expede mandado de prisão contra a serial killer de animais Dalva Lina

A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira (10) a prisão de Dalva Lina da Silva, 48 anos, conhecida como “a matadora de animais” por ter assassinado 37 cães e gatos em 2012.

Em 2015, Dalva foi sentenciada a 12 anos, 6 meses e 14 dias de prisão pela morte dos animais. Mas ela estava cumprindo a pena em liberdade.

O Ministério Público Estadual recorreu da decisão solicitando a progressão da pena e obteve decisão favorável da 10ª Câmara Criminal de Justiça de São Paulo. A pena para os crimes cometidos por Dalva foi aumentada para 17 anos, 6 meses e 26 dias de reclusão em regime semiaberto. A maior sentença já proferida envolvendo crime de maus-tratos a animais.

“Essa decisão é uma grande vitória, e a maior do mundo. No ano passado uma pessoa foi condenada a 15 anos nos Estados Unidos por maus-tratos contra animais. Com a sentença reformada, creio que essa condenação é a maior pena que se tem notícia no mundo”, disse a promotora Vania Tuglio, do Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais (Gecap).

A promotora Vania, juntamente com delegados da Delegacia de Meio Ambiente, realizou uma diligência nos quatro endereços informados à justiça, mas em nenhum deles Dalva Lina foi encontrada. Ela já é considerada foragida pela justiça.

Relembre o caso

Dalva Lina da Silva, que ficou conhecida como “a matadora de animais” por ter assassinado 37 animais entre cães e gatos de forma dolorosa e lenta em SP dois anos atrás, recebeu na data de 18 de junho a pena de 12 anos, seis meses e 14 dias de prisão, além de uma multa referente a cada um dos animais mortos.

Na sentença proferida pela juíza Patrícia Álvarez Cruz afirma que a ré recebia os animais em sua casa já determinada a matá-los porque sabia que não teria condições de encaminhá-los à doação. “A ré tem todas as características de uma assassina em série, com uma diferença: as suas vítimas são animais domésticos. De resto, os crimes foram praticados seguindo o mesmo ritual, com uma determinada assinatura, com traços peculiares e comuns entre si, contra diversos animais com qualidades semelhantes e em ocasiões distintas. E o que é bastante revelador: não há motivo objetivo para os crimes. O assassino em série, como o próprio nome diz, é um matador habitual”, afirma.

A sentença proferida em 87 páginas cita, inclusive, a senciência dos animais. A juíza afirma ainda que diante das evidências “não é demasiado afirmar que centenas de animais foram mortos pela acusada”. Um mandado de prisão preventiva contra Dalva já foi expedido e ela pode ser presa a qualquer momento. Veja trecho da sentença abaixo:

“18/06/2015 Sentença Registrada 18/06/2015 Condenação à Pena Privativa de Liberdade e Multa COM Decretação da Prisão Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a ação, para: I. Condenar DALVA LINA DA SILVA, portadora do R.G./I.I.R.G.D. nº 20.735.577, filha de José Firmino da Silva e Dalvina Gonçalves Leite, à pena de doze anos, seis meses e quatorze dias de detenção, e ao pagamento de quatrocentos e quarenta e quatro dias-multa, cada um destes fixado em 1/10 do valor do salário mínimo vigente à época dos fatos, a ser atualizado em execução, como incursa, por trinta e sete vezes, nas penas cominadas no artigo 32, §2º, da Lei 9.605/98, na forma do artigo 69 do Código Penal; II. Absolver a mesma ré das imputações que lhe são formuladas no aditamento da denúncia, nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal.11/06/2015 Conclusos para Sentença 27/05/2015”

Estima-se que milhares de gatos tenham sido mortos pela Dalva. (Foto: Reprodução/ Folha)

Diante de tantas atrocidades cometidas contra os animais no Brasil sem qualquer punição aos criminosos, a sentença de Dalva é uma grande vitória que faz história no judiciário brasileiro e na causa dos direitos animais. Dalva foi processada pelo Ministério Público pelo crime previsto no artigo 32, parágrafo 2º, da Lei Federal de Crimes Ambientais – 9605/98, por maus-tratos seguido de morte dos animais, mas na última audiência, ocorrida em 20 de maio, acrescentou-se mais uma acusação, a de uso de substância proibida – crime previsto no artigo 56 da mesma lei e cuja pena mínima é de um ano de detenção. Isso porque ela usou quetamina, um produto anestésico que só pode ser administrado por veterinários.

Mortos com alto grau de crueldade

De acordo com o perito que necropsiou os corpos dos 37 animais, eles foram assassinados de uma maneira extremamente cruel, o que provocou grande sofrimento e extrema dor em cada um deles por até 30 minutos. Dalva injetava a droga no peito dos animais por meio de várias agulhadas numa tentativa insana de tentar atingir o coração deles. Todos foram encontrados com várias perfurações no peito e morreram, por conta disso, de hemorragia interna. Uma cachorrinha entregue nas mãos de Dalva poucas horas antes de ser morta foi o caso mais chocante: tinha 18 perfurações.

Foto feita por detetive contratado por ativistas: cadela com gravatinha sendo entregue para Dalva e a mesma cadela morta encontrada no lixo no dia seguinte (Foto: Edson Criado)

Vânia Tuglio, promotora de Justiça do Ministério Público/GECAP – Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento do Solo Urbano, e colunista da ANDA, que esteve à frente do caso, conta que a quetamina, ao ser administrada de forma errada por uma leiga e em animais de pequeno porte, causou efeito contrário ao invés de anestesiar: “O perito que examinou os corpos disse que os animais tiveram taquicardia e ficaram agitados. Eles sentiram agonia e dor por cerca de 20 a 30 minutos até morrerem”. Assim, a droga injetada potencializou o sofrimento dos animais. “Essa sentença é histórica porque faz justiça ao assassinato de 37 cães e gatos. Ao expedir o mandado de prisão preventiva, a juíza não apenas cumpre a lei, mas resguarda a sociedade de uma pessoa extremamente perigosa”, comenta a promotora.

Os animais sabiam que estavam sendo mortos

Em frente à casa de Dalva ativistas deixaram homenagem aos animais assassinados

Presente na última audiência, o perito Paulo Cesar Mayorca, professor do departamento de patologia da faculdade de medicina veterinária da USP, fez pelo menos duas declarações estarrecedoras. Disse que para matar os animais daquela forma sozinha, Dalva teria que amarrá-los em provável posição de crucificação, com pernas juntas e braços abertos.

E, além disso, eles sabiam que estavam morrendo. A juíza do caso, segundo a promotora Vânia, se interessou por esse aspecto do julgamento e quis saber mais: “Ela perguntou se os animais tinham consciência que estavam sendo mortos e o perito respondeu que sim, que o tempo todo eles estiveram conscientes do que estava acontecendo”.

Mayorca constatou também que nenhum dos animais apresentava doença terminal ou lesão que comprometesse a saúde deles. Eram saudáveis e alguns, inclusive, castrados e prontos para adoção. O laudo cadavérico, portanto, desmentiu a alegação de Dalva que dizia ter matado apenas seis dos 37 animais por estarem em “estado terminal”.

Dalva disse que adquiria a droga de um veterinário amigo da família que já morreu. Também alegou que todas as centenas de animais que recebeu ao longo de anos foram doados, mas ela não fez nenhum registro das adoções e não se lembra para quem doou. Os seis gatos encontrados vivos em sua casa na noite do flagrante foram entregues à ONG Adote um Gatinho que teve autorização judicial para doá-los.

Atitude suspeita

O comportamento de Dalva causava estranheza entre alguns moradores da rua. Segundo relato de uma vizinha, que preferiu não se identificar, ela descartava entre 6 e 7 sacos de 100 litros, três vezes por semana (às terças, quintas e sábados), exatamente na hora em que o caminhão de lixo passava. “Era muito lixo para uma casa só”, disse ela.

“Uma casa com três pessoas adultas e uma criança descartar cerca de 2 mil litros de lixo por semana é algo inconcebível. Isto só comprova a prática cruel que ela vinha exercendo todos esses anos”, afirma a ativista Marli Delucca.

“Sabendo que ela recebia centenas de gatos e cães por mês e com base nessas informações, estimamos que cerca de 30 mil animais possam ter sido mortos pelas mãos de Dalva nos últimos oito anos”, contabiliza Marli Delucca. “A Dalva recebia animais para encaminhar para adoção há cerca de 8, 10 anos. É só fazer as contas”, reforça a protetora Raquel Rignani.

Suspeita-se ainda que ela descartasse mais corpos de animais por caçambas espalhadas pela cidade.

Assassinos cruéis

Dalva: condenada por matar 37 animais (Foto: Reprodução)

Indignada com um caso tão bárbaro, a promotora pediu à juíza que Dalva fosse condenada pela morte de todos os 37 animais somando-se as penas de cada um – como se faz no caso de assassinato de várias pessoas por um mesmo criminoso. Ela lamenta que as leis brasileiras ainda não permitam punições condizentes com a gravidade dos crimes praticados contra animais, mas está confiante que o cenário deve mudar a partir da condenação de Dalva. Em muitos países crueldade animal leva os criminosos para a cadeia e sem que sejam necessários longos processos.

Além disso, em alguns países se entende que deter pessoas que torturam e matam animais é uma maneira eficaz de proteger também a população humana já que esses indivíduos são naturalmente violentos e, muitas vezes, psicopatas. À propósito, estudos feitos pelo FBI apontam que uma esmagadora parcela de psicopatas começa sua trajetória torturando e matando animais, às vezes na adolescência ou até mesmo na infância. Por isso, a partir do próximo ano, quem maltratar e matar animais nos EUA terá um julgamento igual ao de qualquer outro criminoso.

Pesquisa que consta do livro “Maus tratos aos animais e violência contra as pessoas”, de Marcelo Robis Nassaro, capitão do Comando de Policiamento Ambiental de SP, chegou à mesma conclusão do FBI. Indivíduos autuados por maus-tratos em SP, em geral, já tinham outras acusações criminais, especialmente de lesão corporal contra pessoas. Em todo o Brasil chovem denúncias de atrocidades cometidas contra animais e a população se sente cada vez mais impotente. Juntam-se provas, a comunidade se une, protesta, exige justiça, mas as leis brasileiras ainda não enxergam que quem maltrata e mata animais é um criminoso em potencial, capaz de matar também pessoas.

Quem ajudou Dalva a cometer os crimes?

Fica aqui um alerta para quem “doa” animais. É preciso acompanhar as adoções. Ter endereço e telefone dessas pessoas, pedir fotos recentes e até fazer visitas esporádicas. De que adianta resgatar, gastar com medicamentos, veterinários, cirurgias, castrações e, por fim, jogar o animal nas mãos de uma assassina? Dalva conseguiu matar muitos animais graças a irresponsabilidade de muitas pessoas que apenas descartaram os animais nas mãos dela e nunca mais quiseram saber dos bichos. Embora ela própria pegasse animais nas ruas, também recebeu dezenas de animais, principalmente gatos, cujo paradeiro ela não quis informar. Inclusive, entre os 37 animais mortos descobertos pelo detetive do caso, a maioria era filhotes de gatos.

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