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Doença que se espalha nas águas poluídas de Sepetiba (RJ) pode dizimar centenas de botos

Um grupo de botos-cinza salta e submerge ao se alimentar na Baía de Sepetiba, próximo à ponta da Restinga da Marambaia. Metros à frente, um outro boto, só que em decomposição, boia diante da Praia da Pescaria Velha. Um contraste — evidenciado agora pela mortandade desses animais — que há décadas é indissociável do trecho de litoral entre a Zona Oeste do Rio e os municípios de Itaguaí e Mangaratiba.

Equipe do Instituto Boto Cinza avalia carcaça de um animal encontrado na Ilha da Marambaia. Foto: Marcio Alves / Agência O Globo

Ainda é uma região que abriga manguezais, ilhas cobertas de mata e enseadas paradisíacas. Mas de uma beleza que engana, a ponto de biólogos não temerem afirmar que a perda de 146 botos em cerca de um mês é consequência também da degradação desse ecossistema, agredido pelo lançamento de rejeitos industriais, metais pesados e esgoto in natura.

Segundo especialistas, essa conjuntura contribui para que a mortandade se estenda por meses e seja uma das maiores no Hemisfério Sul, dizimando mais da metade dos 800 animais que resistem na baía. De acordo com eles, laudos já comprovaram que os animais estão sendo abatidos pelo morbilivírus, que não tem relação com a poluição e não afeta humanos. A doença, que atinge o cérebro e os pulmões dos cetáceos, é mais fatal em animais com baixa imunidade. Isso seria o motivo de a contaminação em Sepetiba estar sendo tão letal, apesar de ter sido identificada primeiramente, em novembro, na vizinha Baía da Ilha Grande — mais preservada, com uma população de aproximadamente mil botos, porém com menos da metade das mortes, cerca de 60.

Com o estresse ambiental em Sepetiba, o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto Cinza, ressalta que, nos últimos anos, tem sido observado um grande número de animais magros, debilitados por doenças parasitárias e de pele e, portanto, mais suscetíveis aos efeitos da morbilivirose. Uma vez com o vírus, os botos ficam sujeitos a enfermidades oportunistas, muitas delas causadas pela poluição. Por isso, o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Uerj (Maqua) realiza também uma série de exames para investigar se os animais mortos têm zoonoses — essas sim, podem ser passadas para humanos.

“Na Ilha Grande, temos encontrado animais num estado geral melhor. Num grupo de 150 que avistamos recentemente, só quatro estavam fracos. Em Sepetiba, numa outra aglomeração, com cerca de cem botos, 50% estavam muito magros”, afirma José Lailson, um dos biólogos do Maqua.

“Pela literatura, em outras partes do mundo, como Austrália e Portugal, a morbilivirose pode aniquilar até 80% das populações afetadas. Se morrerem 40% a 50% já será muito. Sorte que o vírus não chegou à Baía de Guanabara, onde temos cerca de 25 animais. Seria devastador”, acrescenta.

De acordo com o biólogo, a hipótese mais provável é que o vírus tenha alcançado a costa fluminense com os golfinhos-pintados-do-atlântico, que normalmente entram na Baía da Ilha Grande, mas que, no primeiro semestre do ano passado, demonstraram comportamento anormal e se aproximaram muito dos botos. Como a doença é transmitida de um animal a outro, e há interconexões dos botos de Angra dos Reis e Paraty com os de Sepetiba, esses últimos também começaram a adoecer, assim como já aparecem cetáceos mortos no litoral norte paulista.

Em meio ao desastre, na semana passada o Ministério Público Federal (MPF) determinou que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) suspendesse uma licença de dragagem no fundo da Baía de Sepetiba, próximo a um terminal de minério da Vale, até a completa normalização do surto. A recomendação foi baseada num documento do Laboratório de Bioacústica e Ecologia de Cetáceos da UFRRJ. Segundo o laudo, a atividade poderia levantar sedimentos numa área utilizada por anos como destino final de efluentes líquidos e sólidos ricos em metais pesados, seja pela extinta metalúrgica Ingá ou por outras empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz. Os principais contaminantes, diz o relatório, são zinco, cádmio e cromo, cujas altas concentrações “estão ligadas à depressão do sistema imune” de animais.

Risco em dragagens

A despeito do passivo da Ingá, a baía hoje tem cerca de 400 indústrias em seu entorno, muitas delas ligadas a atividades portuárias e siderúrgicas e instaladas após um novo impulso econômico, a partir dos anos 2000. Com a retomada, afirma Leonardo Flach, triplicou o tráfico de embarcações e a área de fundeio na baía. As dragagens que costumavam ocorrer a cada três anos vêm acontecendo anualmente, perto dos portos, removendo produtos tóxicos. O que se soma, de acordo com o biólogo, a deficiências no monitoramento de efluentes industrias despejados nos rios que deságuam entre Santa Cruz e Itaguaí: “É um buraco negro o que os canais do São Francisco e do Guandu levam para a baía”, diz.

Mapa mostra pontos onde mortandade de botos-cinzas é mais alarmante/ Imagem: O Globo / Editoria de Arte

Apesar dos impactos do atual processo de industrialização, o oceanógrafo Julio Cesar Wasserman, da UFF, diz que ainda que os resquícios deixados pela Ingá preocupam mais. Ele ressalta que, em alguns pontos da baía, seus estudos detectaram concentrações de quatro mil ppm (partes por milhão) de zinco, quando o limite seguro é 50 ppm. Já as de cádmio foram de oito ppm, sendo que o máximo deveria ser 0,2 ppm.

Enquanto isso, o ecologista Sérgio Ricardo, da ONG Baía Viva, afirma que o Estado do Rio ainda é um dos poucos que não elaborou o Zoneamento Ecológico-Econômico dos seus territórios pesqueiros e agrícolas, assim como não dispõe de um gerenciamento costeiro efetivo.

“No futuro, a Baía de Sepetiba pode ficar pior que a da Guanabara, com degradação mais rápida. A mortandade dos botos é um alerta para mostrar que está tudo errado, e serve para a Ilha Grande também”, destaca Flach.

Nesse cenário, o Inea afirma que, atualmente, o acompanhamento das indústrias da região ocorre em três frentes: controle sistemático das condicionantes das licenças das empresas, fiscalização direta em atividades não licenciadas e avaliação da qualidade da água e do ar.

Até o início da mortandade, no entanto, as últimas análises disponíveis ao público sobre rios que deságuam na Baía de Sepetiba eram de 2016. E só no fim da semana passada novas análises foram divulgadas, apontando rios como Vala do Sangue e o Canal do Itá como ruins ou muito ruins. Também foi anunciado o resultado de uma análise da água coletada próxima à Ilha Guaíba duas semanas atrás, segundo o instituto, sem alterações.

Fonte: O Globo

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Botos-cinza que vivem na Baía de Sepetiba (RJ) correm risco de sumir

Uma riqueza ambiental única do RJ está correndo sérios riscos. Segundo ONG que acompanha a população de botos-cinza da Baía de Sepetiba — a maior do Brasil — cerca de 1% dos quase mil golfinhos da espécie que vivem na região morreram entre 22 de junho e 22 de julho. Parece pouco, mas quando a perda de uma população está acima de 2% ao ano, ela começa a correr riscos de desaparecer. O limite foi superado nos últimos seis anos em Sepetiba.

O Instituto Boto Cinza monitora os golfinhos da Baía de Sepetiba desde 1997, especialmente perto de Muriqui. Segundo o biólogo Leonardo Flach, diretor da ONG, ao todo foram encontrados 11 golfinhos mortos entre junho e julho. Mais da metade foi entregue por pescadores ou tinha marcas de redes de pesca.

Alternativas

Segundo Flach, porém, a explicação para o aumento das mortes não está na pesca predatória. “Com aumentos recentes do movimento no porto, dragagens, mudanças na área de fundeio, e licenciamento de novos empreendimentos, os golfinhos têm migrado para áreas onde os pescadores trabalham”, afirma.

Responsável por alguns dos licenciamentos de novos empreendimentos perto do Porto de Sepetiba, o Inea informou que o crescimento no movimento da região não tem piorado a qualidade da água.

Flach insiste, porém, em que se faça um levantamento do impacto dos novos empreendimentos, e que se crie um plano que permita aliar o desenvolvimento da região com a sobrevivência da espécie. “Há soluções como áreas de proteção ou equipar os pescadores para que pesquem mais longe. Não se pode cometer aqui erros que já foram cometidos na Baía de Guanabara”, alerta.

Fonte: O Dia Online

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Golfinhos que habitam a Baía da Guanabara podem desaparecer de lá por causa da poluição e da pesca

Botos brincam na água. Foto: sem crédito

É difícil imaginar, mas um dos pontos mais degradados ecologicamente do litoral brasileiro, a Baía de Guanabara, abriga uma população fixa de golfinhos, animais geralmente associados com águas paradisíacas. Depois de resistirem durante anos, porém, os botos-cinza podem estar com data marcada para sumirem da Baía se continuarem desaparecendo no ritmo que indica um estudo do Projeto Mamíferos Aquáticos (Maqua), da Uerj.

O projeto fotografa duas vezes por semana as nadadeiras dorsais dos golfinhos encontrados e as compara as imagens em laboratório. As nadadeiras servem como uma espécie de ‘impressão digital’ desses animais, e, através do levantamento, é possível saber que, há 10 anos, existiam cerca de 70 botos-cinza na Baía, e, agora, são pouco mais de 40.

O estudo indica que , seguindo nesse ritmo, a população pode ser extinta até 2050. Os animais têm morrido vítimas de pesca e, é claro, em decorrência de problemas trazidos pela poluição que atinge a Baía. “A qualidade ambiental pode fazer com que alguns animais abandonem a área e que novos botos de outras regiões não venham. A capacidade reprodutiva de algumas fêmeas também pode estar sendo afetada pela contaminação”, explica o professor de Oceanografia Alexandre Azevedo, da Uerj.

Atualmente, dois terços dos 17 municípios que circundam a Baía não tratam seu esgoto da maneira ideal. Segundo Azevedo, a interrupção do nível de degradação da Baía nos moldes atuais seria um passo para tentar reverter a saída dos botos. “Os novos investimentos têm que atentar para o impacto que causam na região”, alerta.

O boto-cinza é a única espécie de golfinho que se alimenta e reproduz na Baía de Guanabara de forma fixa. Outras espécies frequentam a região apenas de forma esporádica.

Em Sepetiba, outras ameaças
A maior concentração do Brasil de botos-cinza também fica no estado do Rio, na Baía de Sepetiba, onde existem mais de 800 animais. Lá, o que preocupa é o aumento de atividade nos portos da região.

“A área de fundeio dos navios que utilizam novos empreendimentos acabam se sobrepondo às áreas em que ficam os animais. A poluição sonora também os incomoda”, explica o biólogo Leonardo Flach, que coordena o projeto Boto-Cinza na baía.

Fonte: O Dia

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Bombeiros são acionados para salvar cavalo que caiu em buraco no RJ

Bombeiros do quartel de Santa Cruz são acionados para resgatar um cavalo que caiu dentro de um buraco, na rua Major Freitas, em Sepetiba, na zona oeste do Rio de Janeiro Foto: Jadson Marques/AE
Um cavalo caiu dentro de um buraco na Rua Major Freitas, em Sepetiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. Soldados do Corpo de Bombeiros foram chamados para salvar o animal que aparentava estar em grande sofrimento. Além de explorarem esses pobres animais, maus tutores deixam os cavalos largados nas ruas correndo risco de sofrerem atropelamentos, quedas, ferimentos e mortes.
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