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Evolução dos grandes mamíferos

Nos primeiros 140 milhões de anos de sua história evolutiva, os mamíferos eram pequenos, não ultrapassando os 15 quilos, e ocupavam poucos nichos ecológicos. Tudo mudou após a extinção dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos, quando os mamíferos explodiram tanto em diversidade como em tamanho. Um novo estudo, publicado na revista Science, ajuda a tentar entender esse notável salto evolutivo.

Felisa Smith, da Universidade do Novo México, e colegas reuniram dados de fósseis que indicam os tamanhos de mamíferos terrestres pertencentes a cada ordem taxonômica, em cada continente e durante a sua história evolutiva.

A análise dos dados colhidos indica que o tamanho geral dos mamíferos aumentou rapidamente e depois se estabilizou, após cerca de 25 milhões de anos. Segundo os autores da pesquisa, esse padrão foi comum para a maioria dos continentes, embora não tenha sido conclusivo para a América do Sul.

Os pesquisadores também experimentaram diferentes hipóteses para a evolução até o tamanho corporal máximo. Segundo eles, aparentemente essa tendência não foi um resultado aleatório ou inevitável do aumento na complexidade das espécies.

Os mamíferos também não atingiram eventuais limites biomecânicos, aponta o estudo. Em vez disso, o principal motor do crescimento teria sido a diversificação para o preenchimento de nichos ecológicos deixados vagos pelos dinossauros.

Ou seja, sem os grandes répteis, entraram em cena os mamíferos gigantes, ocupando seu espaço. Para os autores da pesquisa, os limites dos corpos devem ter sido ditados pelas condições climáticas e pela área disponível para sua ocupação.

“Durante o Mezosoico, os mamíferos eram pequenos. Mas, uma vez extintos os dinossauros, os mamíferos evoluíram para se tornar muito maiores, à medida que se diversificaram e preencheram nichos ecológicos disponíveis. Esse fenômeno é bem documentado na América do Norte e verificamos que o mesmo ocorre em todo o mundo”, disse John Gittleman, da Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo.

Fonte: Planeta Universitário

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Descoberta de novo primata aproxima ainda mais homens e macacos

Foto: J.H.Mattemes/ Science/AFP
Foto: J.H.Mattemes/ Science/AFP

O estudo da evolução da espécie humana sofre uma nova reviravolta com a divulgação de pesquisas que detalham a descoberta de um novo primata, o mais próximo do elo entre o ser humano e o macaco já encontrado. O Ardipithecus ramidus – que significa “raiz dos macacos do chão” e foi apelidado de Ardi – faz o surgimento da espécie humana recuar em mais de 1 milhão de anos. Os cientistas haviam descoberto vários fragmentos dos fósseis entre 1992 e 1994 onde hoje é a Etiópia e por 17 anos se debruçaram sobre o material recolhido, comparando-o com diversos tipos de primatas. O resultado vai ser publicado hoje, em 11 artigos na revista Science que esmiuçam as características desse ancestral.

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A análise do crânio, dos dentes, da pélvis, das mãos, dos pés e de outros ossos de Ardi levaram os cientistas a deduzir que, em vida, se tratava de uma fêmea bípede, que pesava 50 quilos e media 1,20 metro. Até a descoberta de Ardi, o elo mais antigo conhecido da evolução do homem era um “homem-macaco” bípede dotado de um pequeno cérebro e que viveu entre 1 milhão e 4 milhões de anos atrás. Lucy, um fóssil de um espécime desta espécie denominada Australopithecus e que tem 3,2 milhões de anos, foi descoberto em 1974, também na Etiópia, a 72 quilômetros de onde Ardi foi encontrada. De acordo com as análises comparativas, Ardi era mais primitiva que Lucy.

Esse esqueleto, ainda mais antigo, reverte o que se pensava sobre evolução humana, avalia o antropólogo C. Owen Lovejoy, da Universidade Estadual de Kent. Em vez de o ser humano ter evoluído de uma criatura semelhante ao chimpanzé, a nova descoberta oferece evidências de que chimpanzés e humanos evoluíram de um ancestral comum muito antigo, mas por caminhos diferentes. “Esse não é o ancestral comum, mas é o mais perto dele que já chegamos”, disse Tim White, diretor do Centro de Pesquisa em Evolução Humana da Universidade da Califórnia em Berkeley.

O estudo genético sugere que os humanos e nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, diferenciaram-se há 6 milhões ou 7 milhões de anos, embora algumas pesquisas sugiram que isso pode ter ocorrido há 4 milhões de anos. Ardi é claramente um ancestral humano e seus descendentes não viraram chimpanzés ou macacos, relataram os pesquisadores. Ela tinha uma cabeça semelhante a de macaco e dedos dos pés oponíveis que permitiam que subisse em árvores com facilidade, mas suas mãos, pulsos e pélvis mostram que ela caminhava como um humano moderno, e não como um chimpanzé ou um gorila. “As pessoas meio que assumiram que os chimpanzés modernos não evoluíram muito, que o último ancestral comum era mais ou menos como um chimpanzé e que a linhagem humana passou por toda a evolução”, afirmou White. Mas Ardi é “ainda mais primitiva que um chimpanzé”, disse White.

“Essa é uma das descobertas mais importantes para o estudo da evolução humana”, disse David Pilbeam, curador de paleontologia do Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia de Harvard. “Está relativamente completo, já que preserva cabeça, mãos, pés e algumas partes essenciais. Representa um gênero que pode ser ancestral do australopiteco, que é o ancestral do nosso gênero, homo”, disse Pilbeam, que não participou das pesquisas. “No Ardipithecus, temos uma forma não especializada que não evoluiu muito na direção do Australopithecus. Então, quando você analisa da cabeça aos pés, você vê uma criatura-mosaico, que não é chimpanzé, nem humana. É Ardipithecus”, explica White.

Fonte: UAI


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