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Justiça determina transferência imediata da elefanta Bambi para santuário

Reprodução/Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a elefanta Bambi seja transferida do Zoológico Municipal Dr. Fábio Barreto, em Ribeirão Preto (SP), para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT). A liberdade tão esperada finalmente chegou para a elefanta, que carrega um histórico de exploração e maus-tratos.

Com cerca de 58 anos de idade, Bambi foi explorada pela indústria circense por quase toda a vida e passou pelo Zoológico de Leme antes de ser transferida, em 2014, para Ribeirão Preto, onde vivia em condições degradantes.

Ao decidir pela transferência, o desembargador Roberto Maia reconheceu os maus-tratos impostos à elefanta. “Em sede de cognição sumária e provisória, destaco a existência de imagens e laudos técnicos dando a plausibilidade às alegações de maus-tratos, robustecida pela insatisfação popular, além do perigo existente, desde o próprio prolongamento do sofrimento em si, como possível morte do elefante e a especialização do SEB para acolhimento deste espécime”, diz trecho da liminar.

A advogada da ANDA, Letícia Filpi, explicou que o pedido de transferência para o santuário foi feito à Justiça “em virtude das condições degradantes do zoológico e da inoperância em tratar uma elefanta que, além de idosa, estava doente”. Visivelmente magra, Bambi está cega de um olho, sente muitas dores e vive em um recinto de concreto no zoo – realidade bem distante do que é necessário para um animal silvestre.

Filpi lembrou ainda que a ação movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal em prol da elefanta contou com a importante participação da ANDA, que desempenhou o papel de “amicus curiae” – isso é, o responsável por fornecer informações aos tribunais para que os magistrados tenham base para tomar suas decisões.

“A ANDA entrou como ‘amicus curiae’ neste processo. Nós fizemos uma primeira petição para o juiz endossando a petição inicial. Pedimos a transferência de Bambi em virtude das condições degradantes do zoológico”, explicou a advogada.

Filpi relatou ainda que, após o juiz de primeiro grau negar o pedido feito pelas entidades, um agravo foi apresentado à Justiça. “O juiz de primeiro grau negou o nosso pedido, então o Fórum Animal entrou com um agravo. A ANDA não pôde fazer o mesmo porque é ‘amicus curiae’ e, por isso, não tem esse poder, mas nós ajudamos enviando um e-mail extrajudicial ao desembargador. E então vimos que o desembargador é uma pessoa aberta à questão ambiental e que, inclusive, tem até pós-graduação em Direito Ambiental. Quando enviamos o e-mail, ele foi atencioso conosco e começamos a pensar que talvez ele estivesse demorando para decidir sobre o agravo por estar sofrendo uma possível pressão política. Imaginamos que ele estivesse a favor da transferência da elefanta, já que se ele fosse contra, já teria dado a negativa”, contou.

Diante dessa situação, a advogada e outros ativistas pelos direitos animais se uniram em uma campanha em prol da libertação de Bambi. “Decidimos dar o apoio do qual ele precisava. E então foi iniciada, no último final de semana, a campanha. Nós mobilizamos a imprensa vegana – Vegazeta e ANDA – e os coletivos Nação Vegana, Brasil Contra a Farra do Boi, Vozes em Luto e Bendita Adoção. E então, nesta terça-feira, saiu a decisão”, afirmou.

Em nota, o Fórum Animal relembrou os horrores sofridos por Bambi ao ser “submetida a todos os tipos de tortura em seus ‘treinamentos'” no circo e os maus-tratos impostos a ela pelo zoológico. “Desde 2014, ela vive confinada em um recinto pequeno, úmido e inadequado no Zoológico Municipal de Ribeirão Preto Dr. Fábio Barreto, no estado de São Paulo. Sua degradação física é visível, ela está cega de um olho e sente muitas dores”, afirma o texto.

A entidade citou ainda que, no Santuário Elefantes do Brasil (SEB), Bambi “poderá receber tratamento veterinário especializado e viver em local de mata preservada, aprendendo a ser uma elefanta novamente”. De acordo com o Fórum Animal, a transferência da elefanta não é um apelo apenas das ONGs e dos ativistas, mas também da sociedade como um todo, que se mobilizou para aderir a um abaixo-assinado em prol da liberdade do animal. O engajamento resultou em mais de 230 mil assinaturas.

Para a advogada que representou o Fórum Animal na ação, Ana Paula de Vasconcelos, a decisão evidencia a positivação do Direito Animal com o cumprimento da Constituição Federal, em consonância com os valores mais caros da sociedade, de humanidade e respeito por toda forma de vida.

A união daqueles que se compadecem com o sofrimento animal, segundo Letícia Filpi, também tem grande valia nesse processo do uso da Justiça como ferramenta garantidora dos direitos animais. “A união de todos com foco no animal sempre dá certo. Todos torcendo pela Bambi, fazendo de coração, e funcionou. Conseguimos a vitória! Esse é o espírito da causa animal”, concluiu.

Segundo o Fórum Animal, “em pouco tempo a elefanta será transferida para o santuário”.


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Elefanta Lady apresenta melhora após seis semanas vivendo em santuário

A elefanta, que tem 45 anos e foi explorada e maltratada por circos quase a vida toda, vivia no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica) antes de ser levada ao santuário


As seis semanas de Lady no Santuário de Elefantes do Brasil, em Mato Grosso, fizeram bem para a elefanta, que já apresenta melhora.

Foto: Santuário de Elefantes do Brasil

No último sábado (11), imagens do antes e depois da elefanta foram divulgadas pelo santuário. Nas imagens, a diferença é nítida. As informações são do G1.

Lady foi levada ao santuário em novembro de 2018 após a Justiça determinar a transferência dela. A elefanta, que tem 45 anos e foi explorada e maltratada por circos quase a vida toda, vivia no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa (PB), desde 2013. Ela viajou mais de 3,2 mil km para chegar ao seu novo lar.

A transferência de Lady foi determinada após o Ministério Público Federal abrir um inquérito para investigar as condições em que a elefanta era mantida no zoológico. A ação do MPF se deu após denúncias de maus-tratos.

Um laudo entregue no final de julho de 2018 ao MPF concluiu que o animal corria risco de morte por conta de uma doença conhecida como a enfermidade que mais mata elefantes em cativeiro em todo o mundo. Funcionários do zoológico afirmam que Lady tem uma doença nas patas desde quando chegou ao local.

Nascida em cativeiro, Lady nunca pôde desfrutar da liberdade, mas hoje vive em paz no santuário que abriga também Maia e Rana. Guida e Ramba eram outras duas moradoras do local, mas morreram em junho e dezembro do ano passado, respectivamente.


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Elefanta Ramba morre dois meses após ser transferida para santuário

Ramba era a última elefanta explorada por circos do Chile. Durante 40 anos, ela foi maltratada para entretenimento humano


A elefanta Ramba, de 56 anos, morreu dois meses após ser transferida para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Mato Grosso. Através das redes sociais, a entidade anunciou a morte do animal “com imenso pesar”.

Facebook/SEB

Ramba era a última elefanta explorada por circos do Chile. Durante 40 anos, ela foi maltratada para entretenimento humano.

“Nossa vovó teimosa, linda e maior que a própria vida, não tinha mais forças para lutar contra seus problemas renais. Ainda que após a necropsia tenhamos mais detalhes, sua morte, apesar de dolorosa, não nos surpreendeu tanto. Quando Ramba foi diagnosticada com doença renal, ainda no Chile, há sete anos, tínhamos muita esperança que ela conseguisse viver por mais um ano, no mínimo. Milagrosamente esse ano transformou-se em sete, dando-lhe forças que a ajudaram a chegar ao Santuário”, escreveu o SEB.

“Parece que os elefantes possuem um conhecimento profundo e inexplicável sobre a vida. Prometemos, repetidas vezes, que ela viria para o Santuário e ela lutou para chegar até aqui”, completou.

O santuário lembrou que Ramba era alegre e que se entregou a sua nova vida, mas depois desistiu de lutar porque estava cansada.

“Na manhã de quinta-feira, 26 de dezembro, Rana e Maia estavam no galpão sem Ramba. Isso acontecia sempre, Ramba gostava de explorar mais que Rana e, ocasionalmente, retornava à pastagem para um bom banho de lama pela manhã, enquanto Rana ficava próxima ao galpão antecipando o horário do café da manhã”, contou o SEB.

“Saímos para encontrá-la e a descobrimos em um dos seus lugares favoritos, o recinto número 4, além do riacho. Ela parecia estar dormindo. Sua morte deve ter sido repentina pois a grama ao seu redor estava intocada. Apenas um lindo elefante, deitado em um belo pasto, os olhos suavemente fechados e o rosto doce, tão calmo como costumava ser”, acrescentou.

O corpo de Ramba foi, então, levado até Rana, que se aproximou, arregalou os olhos e a cheirou repetidas em vezes. Em seguida, murmurou baixinho. “Cheirou e tocou todo o corpo de Ramba parecendo tentar entender o que tinha acontecido. Após vários minutos ela ficou quietinha e permaneceu ao lado de Ramba, pastando. E ali ficou, o resto do dia ao lado da amiga”, escreveu.

Maia também se despediu da elefanta. “Ela também a cheirou e a tocou, ficando por cima dela, como costumava fazer com Guida, certificando-se que sua barriga a tocava.
Isso chamou a atenção de Rana por um momento, que pareceu querer protegê-la da barriga de Maia, mas se acalmou ao ver que suas intenções eram gentis e amorosas”, disse.

Após dar adeus a sua amiga, Maia foi embora. De acordo com o santuário, as duas elefantas “demonstraram uma delicada reverência em honrar a amiga”.

“Ramba foi especial. Havia algo em sua presença que nos trazia de volta à razão e fazia com que nossos corações sorrissem, ao mesmo tempo. Nos apaixonamos por ela, quando a conhecemos, há sete anos. Ela foi parte do motivo de seguirmos em frente com a ideia de um Santuário no Brasil. Não havia como deixá-la para trás ou esquecê-la depois de a ter conhecido. Parece que não somente os humanos se sentiram assim. Ramba teve um efeito de sustentação sobre Maia, Rana a adorava e até Lady parecia relaxar e confiar em sua presença”, afirmou o SEB.

O santuário lembrou que cada dia de Ramba no santuário seria uma dádiva e que todos foram tocados por ela. “Embora nosso desejo seja que todos os elefantes possam ter mais tempo no Santuário, somos muito agradecidos por Ramba ter, aqui, encontrado sua alegria”, concluiu.


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Santuário lança campanha para construir abrigo para elefanta mantida em zoo

O zoológico onde a elefanta vive permitiu que ela seja levada ao santuário – o único impedimento é o recinto, que precisa ser construído


O Santuário de Elefantes do Brasil (SEB) iniciou nesta segunda-feira (2) uma campanha para arrecadar R$ 95 mil para a construção de um recinto para Kenya, uma elefanta africana que vive aprisionada em um zoológico na Argentina.

Elefanta Kenya (Foto: SEB/Divulgação)

A campanha foi batizada de “Cercas, Recintos e Elefantes!”. Atualmente, o santuário trabalha na primeira fase da construção do espaço para fêmeas africanas. As informações são do portal G1.

As doações devem ser feitas através da internet. A elefanta que será beneficiada tem 32 anos e vive sozinha em Mendoza, na Argentina. O zoológico liberou o animal para que ele seja levado ao santuário – o único impedimento é o recinto, que precisa ser construído.

Tubos de aço reciclados, usados na perfuração de petróleo, fazem parte da obra de construção do recinto. Os valores arrecadados serão usados para comprá-los.

“Em função disso necessitamos do maior número de doadores que nos ajudem com todos os custos operacionais, altíssimos, tornando possível a continuidade do trabalho do Santuário. A ajuda de nossos apoiadores é muito importante em todas as fases do processo, desde a construção da estrutura física, até os resgates”, detalhou o santuário.


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Elefanta Lady começa a se adaptar à nova vida em santuário no Mato Grosso

Lady viajou durante cinco dias e percorreu 3,2 mil quilômetros para chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso


A elefanta Lady, que foi explorada por circos durante décadas e viveu seus últimos anos presa em um zoológico de João Pessoa (PB), está se adaptando ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), seu novo lar.

Reprodução/Facebook/Santuário de Elefantes Brasil

Lady chegou ao santuário na sexta-feira (29), após viajar durante cinco dias e percorrer 3,2 mil quilômetros dentro de um contêiner. A elefanta viajou da Paraíba ao Mato Grosso.

De acordo com o santuário, a adaptação da elefanta tem sido “muito emocionante para todos”. Através das redes sociais, o SEB tem abordado a rotina da nova moradora. As informações são do portal OP9.

Lady vivia em um zoológico desde 2013, quando foi entregue aos cuidados da Prefeitura de João Pessoa. Ela foi resgatada de um circo europeu que passava pela cidade. Nascida em cativeiro, a elefanta nunca conheceu a vida em liberdade e foi explorada por circos durante aproximadamente 40 anos.

Em junho de 2019, um inquérito civil aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) passou a investigar as condições nas quais a elefanta era mantida. O caso passou a ser investigado graças a denúncias de maus-tratos feitas por ONGs.

Um laudo técnico solicitado pelo MPF e pela Procuradoria da República na Paraíba apontou que a elefanta estava com a saúde comprometida e que o zoológico não oferecia estrutura adequada para abrigá-la. Diante disso, ONGs passaram a pedir que Lady fosse levada para o santuário.

O pedido das entidades foi reforçado pela presidente da Comissão de Direito Animal da OAB-PB, Marília Meira, que, na época, afirmou que Lady deveria ser liberada “para que viva com seus pares”. “Não é porque ela nasceu e viveu isolada que tem que morrer assim”, disse Marília.

Em audiência realizada no dia 30 de outubro, a transferência da elefanta foi determinada. A Justiça estipulou um prazo de 45 dias para que o animal fosse levado ao santuário. ONGs de proteção animal e representantes da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), do Ibama e do santuário participaram da audiência.


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Após ser explorada por décadas, elefanta Lady chega a santuário em MT

Lady vivia em um zoológico desde que foi resgatada de circos que a maltrataram e exploraram durante 40 anos


A elefanta Lady chegou nesta sexta-feira (29) ao Santuário de Elefantes do Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. O animal foi transferência de um zoológico de João Pessoa (PB), de onde saiu na segunda-feira (25).

Foto: SEB/Divulgação

A transferência foi realizada após um acordo judicial e teve como motivação aproximar a elefanta de outros animais da espécie. Ela vivia no zoológico desde 2013, após passar 40 anos sendo explorada e maltratada por circos. As informações são do Portal T5.

Lady foi colocada dentro de um contêiner, que foi transportado por caminhões. Diversas paradas foram feitas durante a viagem para atender às necessidades do animal, que recebeu alimentação durante o trajeto.

O animal silvestre chegou ao santuário à noite e foi liberada para entrar em seu recinto por volta das 21 horas. Ao conhecer o local, ela tomou um banho de terra, característico da espécie, e se alimentou de capim e frutas.


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Transferência da elefanta Lady para santuário deve ser feita em até 45 dias

Antes de chegar ao zoológico de João Pessoa (PB), Lady foi explorada em espetáculos circenses por quase 40 anos


Uma audiência de conciliação entre membros de ONGs, da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), do Ibama e do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), realizada na quarta-feira (30) na sede da Justiça Federal na Paraíba, estabeleceu um prazo de até 45 dias para a execução da transferência da elefanta Lady para o santuário.

O chefe do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, Thiago Nery afirmou que o santuário tem as condições necessárias para cuidar da elefanta.

Foto: Alessandro Potter/Secom-JP

“Não podíamos em hipótese nenhuma enviar um animal para outro local sem atestar a qualidade do outro recinto. Lady é um animal que vai poder se socializar com outros animais”, explicou.

Lady vive na Bica, em João Pessoa (PB), onde é explorada para entretenimento humano ao ser exposta para os visitantes. A história dela começou a mudar quando o Ministério Público Federal abriu um inquérito, em junho, para investigar a situação dela após serem feitas denúncias de maus-tratos e também por conta de Lady ter derrubado a cerca de seu recinto e fugido da área protegida do zoológico.

Emitido em julho, um laudo entregue ao MPF concluiu que Lady estava com a doença que mais mata elefantes em cativeiro no mundo e que corria risco de morte. Além disso, o documento atestou que a elefanta está sofrendo maus-tratos no zoológico por conta da falta de estrutura adequada, da ausência de capacitação dos funcionários e de negligência veterinária e administrativa. O laudo relata ainda que Lady passou por violência psicológica por parte de um tratador.

O diretor da Bica, Jair Azevedo, negou as denúncias e disse que a elefanta recebe os cuidados necessários, inclusive tratamento para a doença nas patas – chamada pododermatite.

Em outubro, o santuário afirmou, por meio de nota, que estava “profundamente preocupado” com a “grave situação” da elefanta e que se responsabilizaria pela transferência do animal, sem cobrar pelas despesas.

Lady chegou ao zoológico em 2014. Antes disso, ela foi explorada por circos durante quase 40 anos. Nascida em cativeiro, sem qualquer chance de viver a vida em liberdade, a elefanta foi doada à Prefeitura de João Pessoa (PB) após ser vítima do Circo Europeu Internacional.


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Campanha arrecada fundos para levar elefanta explorada por circo para santuário

Ramba foi explorada por anos para entretenimento humano. Forçada a suportar viagens intermináveis, presa a correntes e sendo obrigada a aprender truques anti-naturais, ela viveu uma vida miserável durante o período em que esteve em um circo no Chile. O destino dela, no entanto, mudou quando o Ibama aprovou a licença e autorizou o processo de transporte da elefanta para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Mas, para que isso aconteça, recursos precisam ser arrecadados.

Ramba tem 52 anos e vive atualmente no Chile (Foto: SEB/Divulgação)

A elefanta de 52 anos atualmente vive no zoológico do Parque Safari em Rancagua, no Chile. De acordo com informações publicadas no site oficial da campanha de arrecadação de fundos em prol do transporte do animal até o santuário no Mato Grosso, Ramba, “além de sofrer com os invernos rigorosos no Chile, é uma elefanta solitária, possui abcessos recorrentes na pata dianteira e tem comprometimento renal e hepático, necessitando de dieta e suplementação adequados. Seu recinto no zoológico Parque Safári é inadequado, e, como agravante, em função de ampliações que estão sendo realizadas, a passagem de água natural para o recinto de Ramba foi cortada”.

No santuário, Ramba terá Maia e Rana como companheiras. A terceira elefanta que vivia no local, Guida, morreu em junho deste ano. As informações são do G1.

Ramba foi confiscada do circo ‘Los Tachuelas’ em 1997 pelo Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (SAG) após ser vítima de abusos. O animal, porém, permaneceu sob a tutela do circo até 2012, após a ONG chilena Ecopolis conseguir uma permissão para remover a elefanta do local. A entidade, então, entrou em contato com o Parque Safari, que aceitou recebê-la. Sob coordenação de Scott e Katherine Blais, atuais diretores do SEB, Ramba foi levada ao zoológico.

A elefanta foi explorada e maltratada por um circo (Foto: SEB/Divulgação)

Apesar de Ramba ter começado a ser explorada, na década de 1980, em espetáculos circenses na Argentina, ela ficou conhecida como a última elefante de circo do Chile, país onde chegou em 1995.

Transporte

Ramba será levada do Parque Safári ao Santuário de Elefantes Brasil por meio de transporte aéreo e terrestre. Como o zoológico está localizado atrás da Cordilheira dos Andes, a elefanta será transportada, dentro de uma caixa, por um avião.

Recursos arrecadados por campanha pagarão transporte de elefanta do Chile ao Brasil (Foto: SEB/Divulgação)

Para que a viagem seja o mais tranquila possível, a caixa será colocada no local onde Ramba vive atualmente para que ela se acostume a ficar dentro dela. Antes da transferência, alimentos serão oferecidos dentro da caixa para atrair a elefanta, que poderá entrar e sair dela quando quiser. Não se sabe exatamente quando tempo levará para que o animal se adapte à caixa. Guida e Maia levaram apenas três dias, mas cada elefante é único e tem seu próprio tempo.

No dia da transferência do zoológico para o santuário, um guindaste fará o içamento da caixa, que será colocada em uma carreta de transporte para ser levada até o aeroporto de Santiago, percorrendo cerca de 97 km. Ao chegar no local, Ramba embarcará com destino ao Brasil. Após a chegada ao país, ela será colocada em um caminhão que a transportará até o SEB, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Todo o transporte será feito sob escolta.


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Morte força elefantas a se despedirem após 40 anos de exploração em circo

Após a elefanta Guida morrer, na segunda-feira (24), no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), iniciou-se um processo de despedida entre ela e Maia, que a acompanhou por décadas. As duas foram exploradas durante 40 anos por um circo e há dois anos e oito meses viviam no santuário. O SEB é o único lugar destinado à conservação de elefantes na América Latina.

Guida, caída ao chão, já morta, e Maia ao seu lado, despedindo-se (Foto: SEB)

Segundo estimativas do santuário, Guida e Maia têm entre 45 e 47 anos. A suspeita do SEB é de que elas tenham vindo para o Brasil após serem traficadas da Tailândia para serem exploradas em espetáculos circenses. As informações são da BBC News Brasil.

“Elas chegaram ao Brasil ainda filhotes. Existe um método que chamam de sensibilização, no qual dizem que o quanto antes tirar o elefante da mãe, mais fácil será para que ele se torne submisso. Esses animais costumam ser espancados para obedecer ordens”, conta um dos diretores do santuário, o biólogo Daniel Moura.

A exploração de animais em circos é ilegal no Brasil em 12 estados. Um projeto de lei federal, em tramitação há anos na Câmara dos Deputados, pretende proibir a prática em todo o Brasil. A medida, no entanto, segue sem prazo para ser colocada em votação.

Maia e Guida se tornaram amigas inseparáveis (Foto: SEB)

Na época em que eram exploradas para entretenimento humano, Maia e Guida chegavam a viajar acorrentadas e amontoadas em um trailer com mais dois camelos. Elas foram retiradas de um circo na Bahia em 2010, em uma ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). De lá, foram encaminhadas para um sítio em Paraguaçu (MG), onde viveram acorrentadas por longos seis anos.

Quando viviam no sítio, as elefantas tinham uma relação turbulenta. Para que não brigassem, eram mantidas afastadas. Segundo especialistas, isso acontecia devido ao estresse gerado pela falta de espaço no local, que dificultava o convívio entre os animais.

Depois de tanto sofrimento, as elefantas asiáticas finalmente puderam passar a ter uma vida boa. Em outubro de 2016, elas percorreram 1,6 mil quilômetros, dentro de contêineres, para serem levadas de Minas Gerais ao Mato Grosso. As duas foram as primeiras moradoras do SEB, um local de 1,1 mil hectares que antigamente era usado para abrigar bois explorados para consumo humano e que hoje é a casa de elefantes resgatados. A manutenção do santuário é feita por meio de doações vindas do exterior e do Brasil.

Os problemas de convivência entre as elefantas se findaram assim que elas chegaram ao santuário. No local, que não é aberto ao público para evitar incômodo aos animais, elas se tornaram grandes amigas.

Maia e Guida eram exploradas e maltratadas em circo (Foto: Reprodução / YouTube)

A qualidade de vida proporcionada pelo SEB fez com que Maia perdesse o título de “garota má” e se mostrasse um animal mais dócil. Guida, que chegou no local abaixo do peso, ganhou 400 quilos no primeiro ano em que viveu na fazenda. A tristeza que ela tinha deu lugar a um animal brincalhão e desbravador, que passou a conhecer a natureza, direito que lhe foi tirado por tantos anos.

No santuário, as duas tinham 29 hectares adaptados para que pudessem circular com o apoio necessário da mata. Neles, elas passeavam durante todo o dia. No espaço destinado a elas, há área médica, tanques de água e setor de alimentação.

De acordo com especialistas, Maia já está próxima da velhice, assim como Guida também estava. Isso porque, apesar de elefantes serem considerados idosos a partir dos 60 anos, a expectativa de vida daqueles que são forçados a viver em cativeiro é menor, entrando na velhice aos 50 anos.

Embora as duas tivessem muita coisas em comum, havia também diferenças. Maia costuma fazer movimentos bruscos e involuntários, o que faz com que seja considerada levemente desajeitada. A elefanta é também um pouco exigente com comida. Guida, por sua vez, era mais tranquila e costumava comer sempre três folhas de uma árvore, duas de outra e uma de palmeira. “Ela é uma dama”, diziam aqueles que conviviam com Guida.

Para o presidente do SEB, o norte-americano Scott Blais, a relação das elefantas era extremamente positiva.

“Elas eram praticamente inseparáveis e celebravam suas vidas dentro do santuário, emitindo alguns trombeteios de alegria”, comenta.

Rana (meio) passou a viver com Maia e Guida no ano passado (Foto: Patrícia Santos)

As duas, no entanto, não eram as únicas a viver no santuário, que em dezembro de 2018 recebeu a elefanta asiática Rana, que também sofreu maus-tratos em circos por décadas e que se tornou companheira de Guida e de Maia.

Atualmente, o SEB trabalha para levar para a fazenda outros elefantes vítimas de exploração e maus-tratos, advindos do Brasil e de outros países da América Latina, mas ainda não há prazo para que isso ocorra.

“Estamos resolvendo as questões burocráticas, que levam tempo”, justifica Daniel Moura.

A despedida

Guida morreu logo após ficar presa em um das trilhas que fazia no santuário. Os veterinários a auxiliaram e ficaram surpresos com o cansaço e a fraqueza do animal, que sempre foi considerado forte e que costumava desbravar diversas áreas do SEB.

Após ser auxiliada para sair da trilha, Guida deitou no chão, momento em que os profissionais fizeram a aplicação de soro intravenoso nela, a medicaram e colheram amostras de sangue.

“Após algum tempo, a respiração dela começou a oscilar até que simplesmente parou de respirar”, relata a americana Kat Blais, vice-presidente do santuário.

Sem demonstrar qualquer sinal de que pudesse estar sentindo dores, Guida morreu, de maneira silenciosa. “Ela se foi em paz. Não esperávamos que ela se fosse”, relata Kat.

Maia (à esquerda) e Guida (à direita) (Foto: SEB)

Scott, que há mais de trinta anos trabalha com elefantes, acredita que as décadas de maus-tratos colaboraram para fragilizar a saúde de Guida. “Tragicamente, os danos cumulativos causados pela negligência do cativeiro podem criar impactos devastadores e inesperados na vida dos elefantes”, afirma.

“Impossível imaginar que Guida não estará mais lá quando formos cuidar das meninas. Muito difícil aceitar que seus trombeteios infantis do dia anterior foram os últimos que ouvimos”, lamenta Kat.

Ao ver a companheira morta, Maia se aproximou, hesitante, e em um primeiro momento manteve a tromba distante do corpo de Guida. Em seguida, cheirou lentamente a amiga e de distanciou.

“Após alguns momentos tocando e cheirando Guida, ela conseguiu entender o que aconteceu”, afirma a vice-presidente do SEB.

“Esse processo [de luto] será particularmente difícil para a Maia. Ela precisará de tempo para se adaptar. Não há dúvida de que ela e todo nós carregaremos, em nossos corações, a alegria pura e plena que a Guida dividiu com todos que tiveram a chance de conhecê-la”, diz Scott.

A partida de Guida deixou Maia calada e desorientada. Em respeito a dor da elefanta, os veterinários a deixaram sozinha por um tempo na companhia de Guida. Rana assistiu a cena, de longe e em silêncio.

“É devastador olhar para Maia e saber que ela perdeu sua melhor amiga poucos anos depois de ter, realmente, a encontrado”, lamenta Kat.

Durante a madrugada de terça-feira (25), Maia se manteve perto de Guida e, no decorrer do dia, várias vezes observou o corpo, em silêncio. Assim como Rana que, igualmente silenciosa, aproximou-se de Guida em diversos momentos.

As elefantas criaram forte vínculo de amizade (Foto: SEB)

“Permitimos que elas ficassem com Guida durante a noite, tendo o tempo necessário para prestar suas homenagens e se despedirem dela. É comum que elefantes honrem a morte dos membros de sua família”, afirma Scott.

A presença de Maia ao lado do corpo se estendeu durante a madrugada de quarta-feira (26). Ela apenas se afastou com a chegada de uma equipe de patologistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que esteve no local para realizar a necropsia do corpo. As causas da morte serão investigadas por especialistas, mas não há previsão para liberação dos resultados dos exames.

De acordo com representantes do SEB, não há suspeitas sobre o que motivou a morte de Guida. “Ela estava muito bem dias antes. O falecimento dela foi uma surpresa. O que imaginamos é que há impacto do período em que ela sofreu maus-tratos e exploração”, diz Daniel Moura.

O corpo da elefanta foi enterrado em uma área do santuário.


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Entrevistas, Notícias

Santuário de Elefantes Brasil dá nova esperança para animais explorados como entretenimento

Por Aline Khouri (da Redação)

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Depois de mais de 40 anos sendo exploradas em circos e zoológicos, Maia e Guida finalmente encontraram um lar onde são livres e vivem cercadas de amor e paz: o Santuário de Elefantes Brasil. Inaugurado oficialmente no dia 12 de outubro deste ano, na Chapada dos Guimarães (MT), o local é o primeiro santuário de elefantes da América Latina e possui a missão de ajudar a transformar as vidas e o futuro dos elefantes mantidos em cativeiro na região, como Maia e Guida.

Livres de correntes e  dos maus-tratos que foram obrigadas a suportar durante quase todas as suas vidas, as duas se tocam carinhosamente e dividem momentos de cumplicidade em seu novo lar que tem capacidade para abrigar 50 elefantes. Em breve, deverão receber a companhia de Ramba, uma elefanta cativa que vive no Chile. Em entrevista exclusiva à ANDA, a publicitária e presidente do santuário, Junia Machado, fala sobre seu surgimento, o processo de reabilitação dos elefantes e a história de suas primeiras moradoras em busca de um recomeço.

ANDA: Como e quando começou seu amor por elefantes?

Junia Machado – Desde pequena, sempre fui apaixonada pela natureza e por animais em geral. Mas quanto eu tinha sete anos, aconteceu algo importante: ganhei de meu pai um livro sobre animais selvagens, que tinha algumas páginas dedicadas aos elefantes, com uma foto impressionante de um gigantesco macho africano. Durante a infância, todo ano voltava a admirar essa foto e ler o conteúdo, era meu livro favorito. Em 2005, fui à África do Sul com minha família e me deparei com uma manada de elefantes em um bosque. Conversando com o guia que nos acompanhava, confirmei o que havia aprendido naquele livro e soube que milhares deles estavam sendo mortos a cada ano devido ao comércio de marfim. Foi então que decidi começar um trabalho de documentação fotográfica com o intuito de montar uma exposição sobre elefantes e chamar a atenção para sua conservação. Em 2010, voltando de uma expedição ao Quênia, decidi ir ao zoo de São Paulo e me deparei com uma elefanta africana, Teresita, vivendo sozinha em um recinto. Ali, percebi que meu trabalho deveria se estender aos elefantes em cativeiro também.

ANDA: O santuário foi criado em parceria com as organizações internacionais Elephants Voices e Global Sanctuary for Elephants (GSE). Como se deu essa união e como ela funciona atualmente?

Junia Machado: Em janeiro de 2010 entrei em contato com a ElephantVoices, organização científica internacional fundada pela etóloga e PhD em Comportamento e Comunicação de Elefantes Dra. Joyce Poole, que desenvolve projetos de conservação de elefantes na África e na Ásia e trabalha pelo bem-estar de elefantes em cativeiro no mundo todo. Começamos a pesquisar e a monitorar os elefantes em cativeiro no Brasil enquanto desenvolvíamos o planejamento de um Santuário de Elefantes para atendê-los. Em 2012, convidamos Scott Blais, cofundador e ex-diretor do Santuário de Elefantes do Tennessee (TES), com mais de 20 anos de experiência em elefantes em cativeiro, a juntar-se a nós para implementarmos o santuário. Todos juntos, cofundamos uma organização nos Estados Unidos, a Global Sanctuary for Elephants, cujo objetivo é fomentar e ajudar na criação de santuários para elefantes através do mundo (estima-se que cerca de 5000 elefantes vivem hoje em pequenos recintos de zoos e circos. Desde então, trabalhamos todos juntos no planejamento e implementação do Santuário. O próximo passo foi a fundação do Santuário de Elefantes Brasil, em 2013 e o início das operações.

ANDA: Scot Blais, o presidente da GSE, fundou o The Elephant Sanctuary in Tennessee, nos Estados Unidos e trabalhou há mais de 20 anos com elefantes explorados como entretenimento e em santuários. Qual é a importância de contar com sua participação no projeto?

Junia Machado – Scott tem experiência sem precedentes não somente para desenhar, projetar, construir instalações adequadas para elefantes e dirigir as operações no solo, como para tratar dos elefantes que recebemos. Junto com a Kat Blais, nossa Diretora de Bem-Estar Animal, que também trabalhou no Santuário de Elefantes do Tennessee, coordena a equipe de tratadores e veterinários. Scott foi tratador de diversos elefantes em circos e zoos antes de fundar o TES – Santuário de Elefantes do Tennessee -, em 1995, onde recebeu cerca de 25 deles. Além disso, participou do transporte de 50 elefantes na América do Norte. Em outubro, coordenou a complexa operação de transporte de Maia e Guida, nossas primeiras residentes. Sua experiência tanto no tratamento dos elefantes e sua recuperação, como no desenvolvimento das instalações de um santuário de habitat natural e sua administração, traz um nível de qualidade muito alto a nosso projeto.

Foto: Junia Machado
Foto: Junia Machado

ANDA: Muitas pessoas não imaginam como ocorre a reabilitação de elefantes. Pode falar um pouco sobre isso?

Junia Machado – Ao chegarem, damos a eles a liberdade para se adaptarem em seu ritmo ao novo local e à sua nova vida. Alguns se adaptam mais rapidamente, outros demoram mais e isso sempre é respeitado. Cada elefante, ao chegar, fica por um pequeno período de tempo em uma área privada, no Centro de Tratamento Médico, para que descansem da viagem e se sintam seguros. Dali, ele já consegue ver os outros elefantes e, dependendo da situação, tocá-los através das grades. Numa segunda etapa, os portões são abertos para que fiquem juntos (caso mais de um elefante esteja no Centro de Tratamento Médico). O próximo passo é a abertura dos portões que dão acesso à área cercada na natureza – cada um decide quando quer sair. A partir de então, os portões ficam abertos e eles podem passar quanto tempo desejem na natureza, voltando para a segurança e conforto do galpão quando desejarem. Podem pastar, escolher seus alimentos, tomar banhos de terra, interagir uns com os outros, banhar-se, deitar-se nos montes de terra que preparamos para eles, com liberdade de escolha para fazer isso a hora que quiserem. Assim, vão adquirindo autoconfiança e descobrindo quem verdadeiramente são. Damos a eles o tempo necessário para se adaptarem à nova vida e descansarem, antes de começarmos o treinamento para os exames e tratamentos médicos. Com Maia e Guida, começamos depois de duas semanas com toques carinhosos de aprovação através das cercas, em diversas partes de seus corpos e também em suas orelhas (que precisaremos acessar no futuro para coleta de sangue). Uma de cada vez, as convidamos a entrar em uma das baias de tratamento, para exame e tratamento das patas. Isso é algo fundamental para a saúde de qualquer elefante em cativeiro, já que eles passaram anos pisando em substratos duros e contaminados por sua própria urina e fezes e sem se moverem adequadamente para uma boa circulação sanguínea, por isso frequentemente têm infecções nas patas, que precisam ser tratadas). Todo o treinamento é feito através das barras de aço (contato protegido) e com reforço positivo (oferecimento de recompensas para cada ação realizada). Aos poucos, os cercados são ampliados e os elefantes vão ganhando mais e mais espaço para explorarem no santuário (nossa previsão é de completarmos todas as cercas da propriedade em cinco ou seis anos). O fato de poderem caminhar, escalar aclives e cavar com as patas ajuda muito na recuperação das infecções nas patas e da artrite (as duas maiores causas de mortes em elefantes em cativeiro). Seu tônus muscular é recuperado com o exercício físico, assim como sua saúde mental. O comportamento estereotipado – movimentos repetitivos com a cabeça, tromba e corpo, causados pelo estresse do confinamento e pela falta de estímulos psicológicos – costuma diminuir bastante já nos primeiros dias, e muitas vezes cessar, mas há casos em que elefantes manterão esse comportamento por muito tempo, alguns pela vida toda, pois é algo a que se acostumaram através de décadas em cativeiro. Observamos que esses movimentos diminuíram 60% em Guida já na primeira semana no santuário. Os cuidados médicos e o apoio psicológico, o espaço necessário para caminharem, além da companhia de outros de sua espécie e o livre arbítrio em suas vidas fazem com que se recuperem dos efeitos nocivos de uma vida toda passada em cativeiro.

ANDA: As primeiras moradoras do santuário são Maia e Guida, que foram sequestradas ainda filhotes de seu habitat na Tailândia e obrigadas a participar de performances durante anos em um circo na Bahia. Você pode dividir mais detalhes sobre a história das elefantas e como ocorreu o resgate de ambas?

Junia Machado – Em 2010, as autoridades decretaram que o Circo Portugal, que as mantinha, não poderia mais usá-las em espetáculos. Depois de passarem dois meses em um zoo na Bahia, foram transferidas para o sítio do advogado do circo, que se ofereceu para abrigá-las como fiel depositário, já que o zoo não podia ficar com elas e não havia outro local disposto a recebê-las. Ali ficaram por seis anos, acorrentadas já que as cercas elétricas do terreno não eram suficientes para mantê-las (conseguiam desarmá-las). Em 2010, entramos em contato com ele para oferecer ajuda, mas ainda não tínhamos o local do santuário definido. Em 2015 o Ministério Público de MG nos contatou para nos consultar sobre a possibilidade de recebê-las e em Maio de 2016 assinamos um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com o MPMG, o Circo Portugal e o fiel-depositário delas. No início de outubro, fomos buscá-las.

ANDA: Como elas reagiram à liberdade e de que forma têm se adaptado ao santuário? Como tem sido a reconstrução e redescoberta dessa relação sem o estresse do confinamento e em liberdade ?

Junia Machado – Ambas estão se adaptando de modo extraordinário. No sítio, eram mantidas separadas e, quando Maia conseguia se libertar da corrente e fugir, agredia Guida. Isso pode ter ocorrido por diversos fatores, como, por exemplo, o estresse de estar presa. No Santuário, assim que ambas tiveram chance de se tocar, o que ocorreu logo que Guida saiu de sua caixa de transporte, demonstraram muito carinho e afinidade. São companheiras uma da outra, estão quase sempre juntas, tocando-se com as trombas, com as orelhas e com todo o corpo, como fazem elefantes na natureza. O tratamento das patas de Guida já teve início e Maia está em adaptação para isso.

ANDA: Atualmente vocês se empenham na transferência da elefanta Ramba, vítima de um zoológico do Chile. Gostaria que falasse mais sobre a história de Ramba e como souberam sobre seu caso.

Junia Machado – Ramba na verdade está sendo cuidada por uma equipe coordenada por nós em um zoo com o qual fizemos um acordo – por meio da Ecópolis Disciplinas Integradas, uma organização que é nossa parceira no Chile – depois que ela foi resgatada de um circo. Como ainda não tínhamos a terra para o projeto, o zoo concordou em abrigá-la provisoriamente. Agora, estamos dando entrada na documentação para sua transferência.

ANDA: Neste ano, após intensa pressão de ativistas e do público, o parque SeaWorld anunciou o fim de seu programa de reprodução de orcas cujas terríveis condições foram expostas no documentário “Blackfish”. Você acredita que as pessoas têm se conscientizado mais sobre a exploração de animais pela indústria de entretenimento ou não? Como você enxerga a percepção do público brasileiro sobre isso e o que acha que falta para que todos estes animais sejam libertados?

Junia Machado – Acabo de voltar da Conferência Internacional de Vida Selvagem em Cativeiro 2016, organizada pelo Santuário PAWS. Nosso diretor de operações, Scott Blais, fez uma palestra sobre o Santuário de Elefantes Brasil e participou de uma mesa redonda sobre a nova onda mundial de santuários. Estavam presentes renomados cientistas em pesquisa de campo na África, especialistas em santuários, conservação, legislação, política, bem-estar e cuidados com animais, além de profissionais de zoológicos, como Ron Kagan, diretor do Zoo de Detroit. Todos discutindo o mesmo tema: o confinamento e o uso de animais selvagens e exóticos, com foco especial em elefantes, ursos e felinos. Fiquei impressionada com o novo santuário para baleias (orcas e belugas), em fase de planejamento na América do Norte e que deve receber seus primeiros habitantes, oriundos de parques aquáticos, em até quatro anos, e com um de chimpanzés, nos EUA, que recebeu seus primeiros habitantes na mesma ocasião que recebemos Maia e Guida.
A conscientização das pessoas no mundo todo sobre as necessidades biológicas e comportamentais dos animais e a análise do que deve ser feito para que possamos atendê-las vem aumentando ano após ano e isso resulta em um movimento pela criação de santuários para diversas espécies e na transformação de zoológicos. Recentemente, a Argentina fechou dois de seus zoos e tem plano de transformá-los em breve em jardins botânicos e centros de resgate de vida selvagem nativa. Enviarão os animais exóticos a santuários. Acho que essa também é uma tendência irreversível. Há alguns anos, o diretor do Zoo de Detroit, Ron Kagan, decidiu fechar a exibição de elefantes de seu zoo e enviá-los ao Santuário PAWS, na Califórnia, por entender que mesmo que ampliasse seu recinto ou que incrementasse o enriquecimento ambiental, nunca seria capaz de atender às complexas necessidades dos elefantes. Hoje, além do cargo de diretor no mesmo zoo, Ron faz parte do Conselho Diretor do novo santuário de baleias sobre o qual comentei. Acredito que o Brasil esteja caminhando na mesma direção. O que falta para que os animais confinados em pequenos recintos de zoológicos e circos tenham uma vida digna? Acredito que cidadãos conscientes devem fazer seu papel, pedindo às autoridades que seja cumprida a legislação, tornando-se as vozes dos animais e apoiando a criação de mais santuários.

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