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Cachorros também exigem cuidados na hora de correr

Que tal fazer seu cachorro gastar energia e, de quebra, ainda ficar em forma? Praticar um esporte é uma ótima ideia para passar o tempo juntos. A corrida, por exemplo, tem tudo para agradar, unindo diversão e exercício.

Whippet (galgo) está entre as raças preferidas por corredores, devido ao biotipo adequado  Foto: Reprodução UOL
Whippet (galgo) está entre as raças preferidas por corredores, devido ao biotipo adequado Foto: Reprodução UOL

“Ao me ver calçar tênis, ele fica todo alegre, achando que vai correr também. A corrida nos aproximou e permitiu que fizéssemos muitos amigos”, conta a advogada carioca Flávia Callado de Paiva, 35, que leva o labrador Luck, de seis anos, para a pista da Lagoa Rodrigo de Freitas.
 
A presença de mascotes no atletismo está se tornando tão comum que em duas corridas da marca de roupas esportivas Track&Field foram oferecidos kits para os cães que acompanhavam os corredores. Em São Paulo e Ribeirão Preto eles ganharam camiseta em tecido tecnológico, caixa de biscoitos e garrafinha própria de água. “Saio para correr às 5h da manhã e nenhum amigo ia querer me acompanhar a essa hora. Só mesmo esses dois, que ficam felizes até em dias de chuva”, relata Bernardo Loureiro, 31, administrador de empresas de Belo Horizonte, que põe pra correr Skip, o whippet de cinco anos, e a doberman Dalila, de nove anos.
 
Tipos e raças
 
A princípio todos os cães podem correr, a menos que apresentem alguma doença que restrinja as atividades. Alguns, no entanto, têm um “dom” maior para o esporte. “As raças mais adaptadas para a corrida pertencem ao grupo dos lebreis, como whippet (galgo), greyhound, saluki e afgan hound. Estes cães são ótimos, principalmente para curtas distâncias. Cães de caça e pastoreio também têm facilidade para correr, como o border collie”, conta  Dan Wroblewski, veterinário e criador da raça há 11 anos.

Em contrapartida, mesmo trotes curtos podem ser um suplício para outros cães. “Raças com muito pelo como o akita e o husky siberiano e os braquicefálicos como o bulldog e o pug podem não suportar exercícios intensos ou mais prolongados. Os primeiros devido ao excesso de pelos, que os faz sofrer com o calor, e os braquicefálicos por dificuldade na respiração, já que suas vias aéreas são muito estreitas”, explica Andreza Ávila, supervisora clínica do Hospital Veterinário Sena Madureira e mestre em Clínica Veterinária pela USP.
 
Normalmente o biotipo magro e de pelo curto dos vira-latas é favorável à corrida. “Durante 13 anos eu corri com a Maria Bolinha, uma vira-lata. Fizemos juntos mais de 60 corridas, inclusive quatro maratonas e mais de 20 meias-maratonas. Ela era tão famosa que várias vezes as pessoas sabiam o nome dela e não o meu”, conta Marcius Duarte, treinador de corrida da Runners Club do Rio de Janeiro. E para quem acha que a corrida faz mal ao cachorro, Duarte avisa. “Ela chegava a me acordar às 4h30 da manhã para treinar. Bolinha morreu de velhice, com 17 anos”, diz.
 
Começo gradual
 
Nenhum cão vira um maratonista da noite para o dia. Para que ele fique bem treinado e não sofra lesões, o ideal é treiná-lo entre três e cinco vezes por semana. É preciso acostumá-lo e condicioná-lo gradualmente, e tanto melhor se você também estiver iniciando um programa de treinamento, pois os dois avançarão juntos. Flávia explica os primeiros passos de Luck. “Começamos a caminhar há três anos e, aos poucos, a correr. Fiz vários exames para ver se ele estava bem. Geralmente damos uma volta na lagoa (7,5 km) três vezes por semana. Ele só não vai para meus treinos de areia e ladeiras”, conta.

Veja 14 dicas abaixo:
1- Treine em horários mais frescos do dia.
2 – Dê preferência a parques e lugares tranquilos.
3 – Grama e terra batida são melhores para vocês dois: menos impacto.
4 – Mantenha-o bem hidratado: água antes, durante e depois.
5 – Não corra com “velhinhos”. Depois dos sete anos diminua o ritmo.
6 – Não corra com filhotes. Aos seis meses eles podem dar trotes curtos, mas só estão liberados depois de um ano.
7 – Use a coleira: mesmo que ele seja bem treinado, o cão ao lado pode não ser. Além disso, há o risco de atropelamento. Respeite também as outras pessoas, que podem ter medo.
8 – A coleira de pescoço pode causar trauma cervical em caso de movimento brusco: cuidado.
9 – Dê pouca comida antes do exercício.
10 – Use guias curtas, as compridas podem enroscar.
11 – Não use focinheira. Com a boca fechada, ele não conseguirá regular a temperatura corporal.
12 – Respeite o animal se ele não quiser correr.
13 – Leve uma sacola plástica caso ele faça as necessidades pelo caminho.
14 – Após as corridas, observe as almofadas das patas, veja se há sangue ou machucados
Caso você já seja um corredor experiente, vá com calma. Lembre-se de quando começou e como era difícil. Tenha em mente que o objetivo da atividade é dar prazer aos dois, por isso não o force e cheque se ele está querendo diminuir a marcha ou parar, pois todo exagero pode causar lesões musculares e articulares.
 
Cuidados

Leandro Romano, especialista em ortopedia e doutorando em cirurgia veterinária pela USP, recomenda uma avaliação básica, composta por exame de sangue completo e cardíaco detalhado antes de pôr seu mascote para correr. “Faça uma avaliação ortopédica para investigar doenças pré-existentes ou possíveis doenças articulares degenerativas”, completa.

Cuidar da hidratação e alimentação é essencial. “Os animais podem passar mal por não conseguirem trocar calor e o corpo atingir temperaturas tão altas quanto 41ºC. Também podem desidratar e apresentar dilatação gástrica quando comem ou bebem muita água antes ou imediatamente após o exercício”, relata  Andreza.
 
“Durante os treinos ele bebe água ou água de coco. Quando o treino é noturno, ele janta após a corrida. Nos treinos matinais ele come uma porção pequena de ração para não ir em jejum ou uma banana. Nas provas de 10 km jogo água nele, já que não dá para parar nos postos de hidratação para não prejudicar o andamento da prova e os demais atletas”, conta a dona do labrador Luck.

Fonte: UOL

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