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Parques nacionais em Ruanda e no Congo fecham suas portas aos turistas

A medida é necessária para proteger os gorilas-das-montanhas da covid-19

Jovens gorilas-das-montanhas em foto de Mark Jordahl/Pixabay

O Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, conseguiu a duras penas elevar o número de gorilas-das-montanhas com a ajuda de guardas florestais que os defendem contra caçadores e fiscalizam ações ilegais de desmatamento e exploração mineral. Nas Montanhas de Virunga, que se estendem também por parte de Uganda e Ruanda, vivem os únicos gorilas-das-montanhas do mundo num total de apenas mil indivíduos.

O turismo de observação com famílias de gorilas costumadas à presença humana tem sido a maior fonte de renda para a preservação dessa espécie, mas seguindo o conselho de especialistas científicos de que os primatas provavelmente são suscetíveis ao covid-19, as visitas estão suspensas até início de junho.

“As doenças de origem humana são uma ameaça persistente aos gorilas-das-montanhas, do resfriado comum ao coronavírus”, disse Cath Lawson, gerente de conservação da África no World Wildlife Fund do Reino Unido (WWF) ao The Independent.

Os gorilas-das-montanhas só existem nas Montanhas de Virunga. Foto Kevin Phillips/Pixabay

Em Ruanda, as atividades de turismo e pesquisa foram temporariamente interrompidas em três parques nacionais que abrigam primatas: Parque Nacional dos Vulcões, Gishwati-Mukura e Nyungwe. O quarto parque nacional do país, Akagera, que não abriga primatas, permanecerá aberto mas, mesmo assim, oficiais do governo estão monitorando o portão de entrada do parque para que os visitantes sejam rastreados e as temperaturas verificadas.

No entanto, o bloqueio terá um grande impacto na sustentabilidade desses parques. Somente o gorila trekking no Parque Nacional dos Vulcões ganhou US $ 19,2 milhões em receitas em 2018, de acordo com dados mais recentes do Conselho de Desenvolvimento de Ruanda.

O dinheiro é fundamental para equipar e remunerar os guardas florestais, uma equipe de veterinários que vive socorrendo gorilas presos em armadilhas, feridos e doentes, além de sustentar a creche de gorilas órfãos.

“Mas nesse momento, minimizar a interação humano-gorila-da-montanha e a oportunidade de transmissão de doenças é a prioridade”, disse Lawson. “Somente o monitoramento essencial está acontecendo por parte de biólogos e guardas, com a aplicação das melhores práticas, como manter distância de 10 metros e usar uma máscara facial”.

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Mão de macaco segurando corda em detalhe
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Plano para conservação de macaco em Ruanda entra em ação

Uma organização voltada para primatas, a Dian Fossey Gorilla Fund, estudou macacos dourados em Ruanda por um longo período. A população da espécie, que está em declínio, agora é alvo de esforços de preservação do grupo de especialistas.

Este mês, as pesquisas da organização deram origem a um workshop regional de planos de ação de conservação de macacos dourados. Participaram do evento interessados de parques habitados pela espécie, conservacionistas e representantes da comunidade local. Especialistas compartilharam informações preciosas sobre hábitos dos macacos dourados, tendências populacionais, ameaças, habitat e dietas.

Mão de macaco segurando corda em detalhe
Espécie de macacos em risco ganha atenção em Ruanda | Foto: Pixabay

No início de 2019, o grupo deve se reunir novamente para elaborar uma estratégia de cinco anos, com objetivos específicos, cronogramas, orçamentos e responsabilidades das várias organizações. Instituições internacionais e outros pesquisadores também devem participar do processo.

A investigação observou dois períodos de nascimento de novos macaco dourados. Um grupo tem como estação de parto o intervalo entre setembro e novembro. O outro deu origem a novos indivíduos entre fevereiro e abril. Ambos os momentos correspondem à época de crescimento do bambu, cujo o broto é parte importante da alimentação de macacos.

Os esforços de pesquisa continuam, agora ampliados. Câmeras estrategicamente instaladas em áreas remotas coletarão mais dados futuramente úteis. O aparato também deve auxiliar na detecção de atividade humana ilegal.

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Imagens incríveis

De costas para o mundo

Um forte e profundo registro realizado pela alemã Martha M. Robbins mostra um gorila sentado em estado contemplativo no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.

Foto: Martha M. Robbins
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Rinoceronte negro recebe ajuda de cuidadores
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Rinocerontes negros são reintroduzidos ao seu habitat em Ruanda após 10 anos

Na primeira semana de maio, foi possível ver os primeiros rinocerontes negros a passear pelos campos de Ruanda após 10 anos, graças ao grupo de proteção African Parks, que conseguiu reintroduzir 20 destes animais ao Parque Nacional de Akagera.

Rinoceronte negro recebe ajuda de cuidadores
Foto: Reprodução, Climatologia Geográfica

“Os rinocerontes são um dos maiores símbolos da África, mas eles estão severamente ameaçados e sua população está em declínio em muitas partes do continente devido ao comércio de chifres de rinoceronte extremamente lucrativo e ilegal”, disse Peter Fearnhead, diretor executivo da African Parks, em um declaração.

“O retorno dos rinocerontes a este país, no entanto, é um testemunho do compromisso extraordinário de Ruanda com a proteção e é outro marco na restauração da diversidade natural de Akagera”, acrescentou.

Acredita-se que na década de 1970, cerca de 50 destes animais ainda vagavam pelo parque. Mas nos anos seguintes, o aumento da caça e os horrores da Guerra Civil de Ruanda, atingiram cruelmente a vida selvagem e, em 2007, o último rinoceronte negro foi avistado, confirmadamente, não só em Akagera, mas em todo o país. Porém, em 2010 o parque foi ocupado pelo grupo African Parks, que se esforça para restaurar o que é o maior trecho de zona úmida protegida na África Central.

Com a gestão do grupo, o parque nacional conseguiu prosperar. É agora o lar de rebanhos de elefantes nômades, bandos de hipopótamos e até leões, que foram reintroduzidos há dois anos, após a sua ausência em todo o país por 15 anos. Desde que os sete originais foram lançados no parque, seus números se duplicaram à medida que os leões se reproduziram.

Apesar dos esforços, as ameaças aos rinocerontes não diminuíram desde a sua extração. A caça ainda é abundante em grande parte da África, mesmo com apenas aproximadamente cinco mil rinocerontes negros sobreviventes. Em razão destes fatos, a equipe gastou grandes esforços na preparação dos terrenos e para o fortalecimento da segurança, antes que os animais, provenientes da África do Sul, chegassem ao país. Nos seis anos que o African Parks tem gerenciado o parque, a organização diz ter visto a caça diminuir a um mínimo histórico.

Existe agora uma unidade dedicada ao rastreamento e proteção de rinocerontes,  bem como uma vigilância regular de helicópteros sobre o parque. Os rinocerontes que foram introduzidos são membros da subespécie rinoceronte negro oriental. Com aproximadamente mil destes animais ainda vivos, sua sobrevivência está perigosamente no limite. Espera-se que esta reintrodução forme uma nova população e ajude a proteger a espécie contra a extinção.

Fonte: Climatologia Geográfica

 

 

 

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Após 10 anos desaparecidos por conta da caça, Ruanda volta a ter rinocerontes negros

Por Sophia Portes | Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Foto: Reuters / Mike Hutchings

Por conta da caça, os rinocerontes negros desapareceram completamente de Ruanda em 2007. E agora, 10 anos depois, o país centro-africano voltará a ter animais dessa espécie com a chegada de 20 rinocerontes da África do Sul. Os animais irão para o parque Akagera, no leste do país.

A administração do parque anunciou em comunicado, nesta terça-feira, que a organização African Parks “está a transferir da África do Sul uma população inicial de cerca de 20 rinocerontes negros do leste para o parque nacional de Akagera no Ruanda. Este extraordinário regresso ocorrerá durante as duas primeiras semanas de maio.

Os rinocerontes negros correm risco de extinção segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Nos anos 70, o parque de Akagera tinha aproximadamente 50 rinocerontes negros, mas devido à caça eles desapareceram do país.

A Fundação Howard Buffett irá financiar a implantação de medidas para garantir a segurança e o bem-estar desses rinocerontes. Isso inclui a utilização de um helicóptero e de uma equipe de monitorização e proteção da espécie.

De acordo com a African Parks, a população de rinocerontes negros da África Oriental é menor do que 5.000 animais, sendo que apenas mil não estão em parques naturais.

Foto: Reuters / Siphiwe Sibeko
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Naturalista britânico recolhe fundos na Internet para salvar gorilas de caça

David Attenborough com os gorilas do Ruanda, em 1978 (Foto: DR)
David Attenborough com os gorilas do Ruanda, em 1978 (Foto: DR)

O naturalista britânico David Attenborough lançou na Internet uma campanha global de financiamento colectivo (crowdfounding) para recolher 110.000 libras (129.000 euros), destinadas a salvar o gorila-das-montanhas do Ruanda.

Attenborough, de 87 anos, explicou que a sua luta para salvar o gorila-das-montanhas (Gorilla beringei beringei), em perigo de extinção pela ameaça dos caçadores, começou quando viajou pela primeira vez para o Ruanda, em 1978, para filmar a série Life on Earth (Vida na Terra, emitida em 1979) da cadeia britânica BBC.

Um dos momentos inesquecíveis de David Attenborough nas suas deambulações pelo mundo natural passou-se precisamente com os gorilas-das-montanhas. Sentado descontraidamente no chão ao pé de uma família de gorilas, numa floresta de bambus, o naturalista sussurrava para a câmara como eles e nós somos tão semelhantes.

Naquele país, David Attenborough conheceu a zoóloga norte-americana Dian Fossey (assassinada no Ruanda em 1985), que o convenceu da necessidade de fazer algo para evitar que os caçador continuassem a matar gorilas. “Antes de nos virmos embora, Dian estava de cama, doente, e quando fui agradecer-lhe ela disse: ‘Por favor, por favor, ajuda-me, que só restam 200 gorilas em liberdade.’ Assim, prometi-lhe que faria algo”, relatou Attenborough.

O famoso naturalista, que foi director de programação da BBC entre 1960 e 1970 e foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias de Ciências Sociais em 2009, utiliza agora a Internet para cumprir a promessa que fez a Dian Fossey “numa remota selva de África há mais de 30 anos”.

Os gorilas são uma das principais atracções turísticas do Ruanda e um dos pilares principais da economia ruandesa, segundo o Ministério do Turismo do país, e calcula-se que actualmente restem cerca de 800 indivíduos.

Attenborough utilizou o portal Indiegogo para lançar a campanha de financiamento, que consiste em criar uma rede para angariar dinheiro de cidadãos anónimos que financiem esforços ou iniciativas particulares ou de organizações.

*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.

Fonte: Público

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Em paz no habitat

Nesta foto, a serenidade de um gorila vivendo uma existência pacífica nas montanhas de Ruanda. Nesse local, felizmente, a população de gorilas está crescendo a cada dia. (Créditos da foto: Vanessa Perez, editora internacional da ANDA)

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Vírus humano ameaça vida de gorilas em Ruanda

Pesquisadores encontraram vestígios do Metapneumovírus em necropsia de animais. Há apenas 786 gorilas-das-montanhas na natureza

Na imagem, Kampanga, um dos gorilas que vivem no Parque Nacional de Vulcões, em Ruanda. Foto: AP Photo/Riccardo Gangale

Pesquisadores descobriram que um vírus mortal, que causam doenças respiratórias nos seres humanos, podem ser transmitido para gorilas-das-montanhas. A espécie, que habita a África Central, está ameaçada de extinção.

Pesquisadores que realizavam estudos no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda, disseram afirmaram ter encontrado vestígios do Metapneumovírus humano na necropsia de dois gorilas que mortos em 2009. Eles estavam em um grupo de 12 gorilas infectados por doença respiratória.

Os dois gorilas que morreram em 2009 eram uma fêmea adulta e um recém-nascido pertencentes ao grupo Hirwa, que vivia em Ruanda. Em 2008 e 2009, esses animais apresentaram surtos de doenças respiratórias, com diferentes quantidades de tosse, secreção nos olhos e no nariz, e letargia.E

Uma série de análises mostrou traços bioquímicos do metapneumovírus (MPV) nos dois animais que morreram. A fêmea morreu em consequência de uma infecção secundária no pulmão, mas o MPV desencadeou uma pneumonia nela. O vírus também foi encontrado no gorila recém-nascido, que nasceu de uma fêmea que apresentou sintomas de doença respiratória.

Há apenas 786 gorilas-das-montanhas no estado selvagem. Eles vivem em Ruanda, Uganda e na República Democrática do Congo.

Como há menos de 800 gorilas de montanha, cada um é criticamente importante para a sobrevivência da espécie “, disse Mike Cranfield, diretor-executivo do Projeto Veterinário Gorilas da Montanha. – Mas esses animais vivem cercados de pessoas, e essa descoberta deixa claro que viver em parques nacionais protegidos não significa estar isolado de doenças humanas.

Humanos e gorilas dividem aproximadamente 98% do DNA. Essa relação genética muito próxima tem gerado preocupação sobre a possibilidade de os gorilas serem suscetíveis a muitas das doenças infecciosas que afetam os homens.

O potencial para transmissão de doenças entre homens e gorilas da montanha (gorilla beringei beringei) inspira preocupações especiais porque nos últimos cem anos aumentou muito seu contato com os homens. Na verdade, os parques nacionais onde os gorilas são protegidos em Ruanda, Uganda e na República Democrática do Congo são cercados pelas populações humanas mais densas da África.

Além disso, o turismo para ver esses animais, ao mesmo tempo em que atrai fundos para os parques nacionais, leva milhares de pessoas de todo o mundo a esses locais. Doenças infecciosas são a segunda causa de morte mais comum entre os gorilas da montanha. Lesões são a primeira.

“O tipo de infecção mais frequente é a respiratória, que pode causar de um resfriado a uma pneumonia severa”, disse Linda Lowenstine, coautora do estudo e que analisa esses animais há mais de 25 anos.

O estudo, realizado por pesquisadores de diversas instituições, incluindo a Universidade de Columbia e da Universidade da Califórnia, foi publicado terça-feira (29) no periódico científico Emerging Infectious Diseases Journal publicado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Com informações da AP

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Gorilas órfãos ganham refúgio em plena selva do Congo

Kyasa, de apenas 7 meses, foi capturado por caçadores no Congo. (Foto: Reprodução)

Uma fundação com sede nos Estados Unidos criou, em plena floresta da República Democrática do Congo, um refúgio para gorilas órfãos, onde os animais podem ser tratados e preparados para voltar à vida selvagem.

O Centro de Reabilitação de Gorilas e Educação Conservacionista (Grace, na sigla em inglês) fica localizado em uma área de 140 hectares em meio à selva congolesa, na reserva natural de Tayna, podendo receber até 30 gorilas ao mesmo tempo.

Os animais hospedados em Grace foram confiscados de caçadores que os mantinham em cativeiro depois de caçar e matar seus pais para comercializar a carne ilegalmente. Depois do cativeiro, os animais seriam vendidos – vivos ou mortos.

Grace tem um centro veterinário (com atendimento clínico e área para cirurgias), dois “dormitórios” onde os animais passam a noite, um pátio interno para convívio entre eles e um observatório, de onde os gorilas podem ser vistos à distância, sem serem incomodados.

Os animais refugiados em Grace são todos da subespécie chamada Grauer, o maior dos quatro tipos conhecidos de gorila, podendo pesar até 230 kg. Os gorilas de Grauer vivem exclusivamente no leste da República Democrática do Congo.

Cinco jovens gorilas já estão sendo preparados para voltar a seu habitat. (Foto: Reprodução)

A fundação Dian Fossey Gorilla Fund International, que deu início ao projeto Grace, afirma que o habitat destes animais está sendo cada vez mais dilapidado pela ação do homem. Em 1995, a estimativa era que existissem apenas 16 mil espécimes na região – e, segundo a entidade, o número hoje é certamente menor.

“Nós rezamos para que nenhum outro filhote seja levado por caçadores, mas nós sabemos que isto não é um pensamento realista”, diz Sandy Jones, gerente da fundação. “Como o território dos gorilas de Grauer é tão vasto, e em sua maior parte inexplorado e inseguro, nós esperamos confiscar mais animais no futuro”, afirma.

Quarentena

Os quatro primeiros gorilas chegaram ao refúgio em abril de 2010, com ajuda de um helicóptero da Monuc, a força de paz da ONU no Congo. Antes disso, eles passaram por uma quarentena na cidade congolesa de Goma, onde receberam os primeiros tratamentos.

Um dos gorilas tem apenas sete meses de idade e foi batizado de Kyasa. Resgatado em dezembro de 2010, o animal tinha uma ferida no quadril, causada por caçadores, além de apresentar sinais de estresse e desidratação.

Seis gorilas estão em Kinigi, em Ruanda, esperando transferência. (Foto: Reprodução)

Depois de um mês de quarentena em Goma, período no qual foi atendido por veterinários e tratadores, o jovem gorila recuperou a confiança. Depois de chegar em Grace, ele já é visto pendurado em árvores e tentando bater com as mãos no peito, como os adultos fazem.

Hoje, Grace já abriga cinco gorilas, enquanto seis outros estão em instalações temporárias na cidade de Kinigi, em Ruanda, onde passam por uma quarentena antes de ser transferidos.

Grace diz ser o único local do mundo que reabilita gorilas com a intenção de liberá-los para a vida selvagem. O processo pode levar muitos anos, já que não existe muito conhecimento a respeito dos gorilas de Grauer. Apenas dois espécimes vivem em zoológicos em todo o mundo – ambos em Antuérpia, na Bélgica.

Fonte: BBC Brasil

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Impunidade: caçadores de gorilas são hoje empresários de turismo em Ruanda

Foto: Reprodução/Revista Época

“Caçar animais sempre fez parte de minha vida e da herança familiar. Aprendi com meu pai e ele aprendeu com meu avô. Eu era um bom caçador e podia sustentar toda minha família. Na mata, eu armava armadilhas e laços para agarrar antílopes e búfalos. Algumas vezes, encontrávamos um gorila preso na armadilha. Eu ficava muito irritado, porque tínhamos capturado o animal errado. Não podíamos comer – pois ele parece muito com a gente – e nem vender o gorila. Eu tinha perdido meu tempo. Então, matávamos o gorila para armar novamente a armadilha e esperávamos ter mais sorte da próxima vez.”

Leonidas Barora matou dezenas de gorilas nas montanhas. Hoje é um microempresário. Foto: Reprodução/Revista Época

Esse relato franco e aterrorizante sai da boca de Leonidas Barora, um pigmeu de 66 anos que sempre viveu aos pés das montanhas no norte de Ruanda. Leonidas deve ter matado mais gorilas do que ele mesmo pode se lembrar! Mikael e eu não sabemos como reagir a esse depoimento e preferimos continuar tomando nota das histórias. Outros colegas de Leonidas contam fragmentos de suas vidas, sempre relacionados com o extermínio de um dos primatas mais ameaçados do planeta – os gorilas-de-montanha.

Hoje, esses vinte homens vivem no vilarejo Iby’Iwacu, criado por eles aos pés do vulcão Sabyinyo, há apenas alguns quilômetros da morada de vários grupos de gorilas. Graças a um trabalho eficiente de educação ambiental – liderado pelo ruandês Edwin Sabuhoro – os ex-caçadores transformaram-se em microempresários de ecoturismo. No vilarejo, eles recebem visitantes que querem pernoitar nas cabanas tradicionais e, assim, entender um pouco mais da vida rural nessa região cercada por vulcões.

Ex-caçadores recebem os visitantes ao som dos tambores.Foto: Reprodução/Revista Época

A música e a dança fazem parte do cotidiano africano e a estadia em Iby’Iwacu sempre começa com um espetáculo de guerreiros. A ideia do vilarejo – um conceito criado por Edwin – é mostrar aos estrangeiros (que pagam 500 dólares para ver os gorilas de perto) um pouco mais da cultura da região. “É o lugar ideal para que possam vivenciar nossas tradições e, ao mesmo tempo, contribuir com a economia local”, afirma Edwin . “Os 20 dólares (34 reais) que cada turista paga vão para um fundo administrado pelo próprio vilarejo.”

Fonte: Revista Época

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Morre Titus, o rei dos gorilas de Ruanda

Titus fotografado no Parque   Foto: Reprodução AP
Titus fotografado no Parque Foto: Reprodução AFP

O célebre gorila Titus, conhecido como o “rei dos gorilas” de Ruanda, morreu na segunda-feira no Parque Nacional dos Vulcões em consequência da idade avançada , anunciou a Agência Ruandesa de Turismo e Parques Naturais (ORTPN).  “Com grande tristeza, a ORTPN tomou conhecimento da morte do legendário Titus, conhecido como o rei dos gorilas”, afirma um comunicado.

Parte da tristeza do órgão parece ser atribuída ao status garantido pelo primata, já que parte da declaração do comunicado foi: “Não era apenas o mais poderoso dos ‘costas prateadas’ (macho alfa) do Parque Nacional dos Vulcões, também era um dos gorilas mais famosos do mundo”. Um gorila menos famoso não seria uma grande perda?

Titus, que nasceu no dia 24 de agosto de 1974, foi explorado durante toda a vida como objeto de várias pesquisas científicas. Ele morreu vítima da idade, aos 35 anos.

O primata, que em 2008 foi protagonista de um documentário da BBC britânica, “Titus, o rei dos gorilas”, teve uma grande descendência, segundo a ORTPN, para a qual o carismático gorila “é o melhor exemplo de uma espécie que sobreviveu contra todas as expectativas”.  “Sua morte é uma imensa perda para Ruanda”, acrescenta a nota.

“Dos 380 a 400 gorilas que vivem no Maciço das Virungas, entre Ruanda, República Democrática do Congo e Uganda, pelo menos 265 vivem em território ruandês, onde são observados todos os dias”, destaca a ORTPN.

A zoóloga americana Dian Fossey, que viveu na região de Virungas até seu violento assassinato em 1985, revelou ao mundo a difícil situação dos gorilas das montanhas africanas e é considerada por muitos a responsável por os animais não terem sido extintos.

A vida isolada de Fossey nas montanhas de Ruanda foi imortalizada no filme de 1988 Gorillas in the Mist (Na Montanha dos Gorilas), protagonizado por Sigourney Weaver, que foi indicada ao Oscar pelo papel.

Com informações da AFP

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