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Caçadores de animais selvagens no Quênia enfrentarão pena de morte

Durante um evento em homenagem a Sudão, o último rinoceronte branco do norte, que morreu em março de 2018, ficou nítida a crescente preocupação do governo do Quênia em criar leis mais severas de proteção aos animais.

Muito mobilizado em entrevista para o portal de notícias africanas Xinhuanet, Najib Balala, ministro de Turismo e Vida Selvagem do Quênia, revela que, em decorrência do episódio, eles votarão uma lei que ficará no lugar de outra aprovada em 2013, que está inativa.

Segundo essa lei, os infratores pegariam sentença de morte ou então pagariam uma fiança de 20.000 dólares. Mas como apontado pelo ministro, essas medidas não foram suficientes para impedir a caça.

Assim que as alterações forem aprovadas “quem cometer crimes contra a vida selvagem vão ter que enfrentar a pena de morte de acordo com cada lugar;” conta. A medida é extrema, mas foi a única solução encontrada para tentar acabar com o assassinato dos animais.

Uma das últimas rinocerontes fêmeas ainda vivas (Reprodução | Ol Pejeta Conservancy)

Quando Sudão morreu, ele estava vivendo na reserva ambiental Ol Pejeta Conservancy, protegido por homens armados. Richard Vigne, o CEO da organização sem fins lucrativos, observa que a trágica história do rinoceronte será guardada para sempre como um sinal ao mundo. Espécies de animais estão sendo extintas do planeta porque insistimos em explorá-las por pura ganância e egoísmo.

Em colaboração com a Postal Corporation of Kenya e a Kenya Wildlife Service, Ol Pejeta Conservancy lançou uma série de selos postais em homenagem aos rinocerontes brancos. A organização compartilhou no Facebook as imagens, e disse “Os selos trilharão um longo caminho para preservar as heranças do Quênia além de aumentar a consciência global sobre a difícil situação em que se encontra o rinoceronte branco.“

Vigne conta que ainda existem duas rinocerontes fêmeas vivas, e que a Ol Pejeta junto com a Kenya Wildlife Service estão trabalhando arduamente com a comunidade científica para salvar a espécie dos rinocerontes brancos, por meio de inseminação artificial.

No evento em homenagem a Sudão, foi anunciado também que os restos mortais do rinoceronte serão preservados em um museu de conservação nacional ainda a ser estabelecido pelo ministro de turismo do país.

 

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Rinoceronte entra no Tinder para salvar espécie de extinção

Por Sophia Portes | Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Sudan é o último rinoceronte vivo de sua espécie (Foto: Foto: Thomas Mukoya / Reuters)

Sudan é o último rinoceronte macho ainda vivo da espécie branco do norte. Por isso, para arranjar uma parceira e poder dar continuidade à espécie, ele entrou no aplicativo de relacionamentos Tinder. A ação faz parte da campanha “O solteiro mais cobiçado do mundo”, uma parceria do Tinder com a ONG Oi Pejeta Conservancy. O objetivo é também arrecadar a quantia de R$ 9 milhões para pagar os métodos de reprodução da espécie antes que entre em extinção.

Perfil de Sudan no aplicativo Tinder (Foto: reprodução / Tinder)

O perfil do rinoceronte traz algumas informações sobre Sudan, de 43 anos. Coisas como “funciono bem sob pressão” e “Não tenho intenção de ser atirado demais, mas o destino da espécie literalmente depende de mim”, descrevem o perfil do animal.

Assim, quando os usuários do aplicativo dão “match” com o animal, eles são redirecionados a uma página de doações.

A campanha tem como objetivo conseguir bancar métodos de reprodução artificiais, incluindo fertilização in-vitro, pois Sudan e as duas últimas fêmeas vivas da espécie não conseguem se reproduzir naturalmente por conta de problemas como idade avançada.

Essa é a última opção para salvar a espécie depois de todas as tentativas de reprodução se tornarem inúteis”, disse Richard Vigne, diretor executivo do projeto de conservação, ao “Daily Mail”.

 

 

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Conheça a história de Sudan: o último rinoceronte-branco do norte

Foto: Revista Galileu
Foto: Revista Galileu

Aos 42 anos, Sudan não consegue dar uma volta no parque sem ter em sua cola a companhia de três guarda-costas armados com escopetas e rifles semiautomáticos. Equipados também com GPS, óculos de visão noturna e roupas camufladas, os seguranças não lhe dão sossego: ficam ao seu lado 24 horas por dia, sete dias por semana. Engana-se quem pensa que Sudan é um bilionário com medo de sequestro ou uma pessoa que vive num programa de proteção a testemunhas. Trata-se do último macho conhecido do rinoceronte-branco do norte.

Ele vive no Ol Pejeta Conservancy, área de proteção no Quênia, em companhia de duas fêmeas da mesma espécie, também protegidas por homens armados (além delas, só há mais duas fêmeas vivas, e ambas estão em zoológicos). Os seguranças têm como missão garantir que Sudan não seja morto por caçadores em busca de seu chifre, vendido em países como o Vietnã por até US$ 100 mil o quilo — mais valioso que ouro, por ter fama de curar doenças como o câncer. Caso os seguranças fracassem, o rinoceronte-branco do norte vai entrar para a infame lista de animais extintos.

A tentativa desesperada de salvar a vida de Sudan é apenas o mais recente capítulo do drama dos rinocerontes na África. No ano passado, o governo sul-africano informou que 1.215 animais (incluindo os rinocerontes-negros) foram mortos no Kruger, o maior parque nacional do continente, que encobre uma área de 20 mil quilômetros quadrados — quase o tamanho do País de Gales. É um aumento de 9.000% em apenas sete anos.

A situação é ainda mais dramática quando comparada ao passado. No início do século 20 existiam 500 mil rinocerontes na África e na Ásia. Na década de 1970 esse número caiu para pouco mais de um décimo disso e chegou a 29 mil rinocerontes este ano. No Vietnã, eles foram considerados extintos em 2010. “Dependendo da relação caça e nascimento, o número de mortes deve ultrapassar o de filhotes em algum momento entre 2015 e 2021, o que vai fazer a população diminuir”, disse Katherine Ellis, gerente do departamento de comunicações da ONG Save The Rhino, que tenta proteger a espécie. “Os rinocerontes podem ser extintos da natureza até 2026.”

Foto: Revista Galileu
Foto: Revista Galileu

O rinoceronte é considerado um dos cinco grandes animais da África, ao lado do leão, do elefante, do búfalo e do leopardo. Além das espécies rinoceronte-branco e rinoceronte-negro, existem também os rinocerontes-das-índias, rinocerontes-de-sumatra e rinocerontes-de-java. Eles vivem em média 40 anos, em pradarias ou savanas, e chegam a pesar 1,5 tonelada.

Uma de suas características mais marcantes é o que os transforma em presa fácil dos caçadores. Para demarcar território, os rinocerontes pisam nas próprias fezes — uma pessoa treinada consegue segui-los facilmente por causa do rastro que deixam.

Os caçadores, normalmente jovens pobres sem muita perspectiva de vida, atuam à noite, de preferência sem arma de fogo, para não chamar a atenção das autoridades. Usam tranquilizantes para deixar os animais apagados e machados e serrotes para arrancar o chifre, que pode pesar até quatro quilos. Os rinocerontes não morrem na hora, mas há relatos (e até um vídeo que circula na internet) de turistas que cruzaram em parques nacionais com um rinoceronte com o rosto totalmente desfigurado. Se não morrem mesmo depois de perder muito sangue ou de inanição, os animais são mortos pelos rangers, porque ao tirar o chifre os caçadores cortam nervos ligados à mandíbula e os rinocerontes não conseguem mais se alimentar. Quando finalmente sucumbem, sua carcaça vira alimento para urubus.

A atual onda de matança dos rinocerontes teve origem em 2010, quando um político vietnamita disse que havia se curado de um câncer com o pó do chifre desse animal. De lá para cá, o preço do produto no mercado negro disparou. Mas o uso do pó de chifre de rinoceronte para tratar doenças não é recente. Há pelo menos 2 mil anos a medicina tradicional asiática diz que ele é capaz de tratar uma miríade de enfermidades, entre elas febre, doença cardiovascular, impotência e até ressaca. Em geral, o pó do chifre é raspado, misturado com água e bebido pela pessoa. Dizem que não tem gosto muito marcante.

Apesar de a ciência nunca ter comprovado essas propriedades todas, até hoje é possível encontrar em livros de medicina asiáticos referências ao seu poder de cura. O que poucos sabem é que o chifre de rinoceronte é feito de queratina, uma proteína fibrosa encontrada na unha e no cabelo humanos. Ou seja, supostamente comer cabelos ou unhas teria o mesmo efeito terapêutico de usar o pó do chifre de rinoceronte. Ou seja, nenhum.

Para tentar coibir a ação dos caçadores, os países estão testando alternativas. O governo da África do Sul contratou um ex-general para comandar as ações no Kruger, que incluem 400 rangers, 150 voluntários, dois helicópteros, aviões de pequeno porte e um contingente da política. “Uma estimativa conservadora diz que a qualquer hora do dia existem até 40 caçadores atuando no parque”, disse o general Johan Jooste.

Além da força militar, outras táticas têm sido usadas para tentar coibir a ação dos criminosos. Uma delas é colocar veneno no chifre, que não prejudica o animal, mas pode ser mortal para quem ingerir. Outra, mais radical, e que já aconteceu com Sudan, é arrancar o chifre para desestimular a matança. E há cientistas testando modelos de chifres produzidos em impressoras 3D para substituir os originais. Tudo isso é paliativo. “O problema tem apenas uma solução: acabar com a demanda”, diz o consultor de vida selvagem Daniel Stiles. “É preciso convencer os consumidores de que o chifre do rinoceronte não tem qualquer poder de cura.” Isso foi feito com sucesso no passado com o marfim do chifre de elefante, que já foi popular entre os japoneses. Espera-se que o mesmo aconteça com relação aos rinocerontes.

Fonte: Revista Galileu

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Operação “De volta à África” reintroduz rinocerontes-brancos no Quênia

Quatro rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum), que viviam em cativeiro na República Checa, foram levados para o Quênia, com a esperança de serem reintroduzidos. Os dois pares de machos e fêmeas, todos férteis, são quatro dos oito últimos espécimes da subespécie Ceratotherium cottoni, em cativeiro.

Foto: Ciência Hoje
Foto: Ciência Hoje

Os animais foram oferecidos pelo zoológico de Praga, da reserva de Ol Pejeta, no âmbito da operação “Back to África” (De volta à África) e os responsáveis esperam que eles possam se adaptar ao meio e procriar entre eles e também, especialmente, com os últimos rinocerontes selvagens da mesma subespécie que ainda sobrevivem na região.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, os últimos sobreviventes selvagens também são apenas quatro. O mercado oriental de afrodisíacos cobiça muito os chifres destes rinocerontes, um símbolo fálico de força. Por isso, centenas de animais ainda são massacrados na África e a intenção é sempre a mesma: retirar a pequena protuberância do corpo.

Os expatriados são protegidos dia e noite por estarem em vias de extinção e, segundo os responsáveis pela operação, ficarão separados dos restantes, já habitantes da savana, para poderem se ambientar aos poucos.

Operação de alto risco

Dados da organização apontam dois rinocerontes selvagens avistados no sul do Sudão – o que traz alguma esperança aos protetores da espécie. Das fêmeas em cativeiro, apenas uma tinha sido capaz de reproduzir – agora ela e a cria de nove meses se encontram no Quênia.

Esta operação é considerada de alto risco, já que um dos machos está bastante envelhecido e não se sabe se os animais poderão realmente se adaptar ao meio, procriar e viver em segurança. Os responsáveis consideram a fertilização in vitro, para assim assegurar a continuidade dos Ceratotherium cottoni.

Depois do elefante, este é o maior mamífero terrestre, com dois metros de altura, cinco de comprimento, podendo pesar por volta de quatro toneladas. Tem dois chifres, dos quais o anterior mede até 1,50 metro. O rinoceronte-branco (Ceratotherium simum) era o maior e mais numeroso da família de mamíferos perissodáctilos e não difere do negro pela cor (ambas as espécies são acinzentadas), mas sim pelo formato dos lábios. Outra subespécie é a Ceratotherium simum simun – o rinoceronte-branco do Norte.

Fonte: Ciência Hoje

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