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ONGs assinam representação ao MPF contra queimadas no Pantanal

(Crédito: 12.09 2020/Mayke Toscano/Secom-MT)

Trinta e sete ONGs, incluindo a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), e inúmeros profissionais sensibilizados com a causa ambiental assinaram uma representação contra as queimadas que já destruíram quase 3 milhões de hectares no Pantanal. O documento foi protocolado no Ministério Público Federal no último sábado (19).

A representação foi elaborada pelos advogados Eliana Cristina Argolo Santos, Michele de Andrade Torres e Yuri Fernandes Lima. Dentre os pedidos feitos, constam a urgência do combate ao fogo, a punição dos responsáveis e o resgate de animais feridos.

No documento, os advogados solicitam “a propositura de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e/ou Ação Civil Pública (ACP) em face da União, do IBAMA, do ICMBio, dos Estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul e demais entes e órgãos responsáveis, bem como quaisquer outras medidas que se façam necessárias”.

Os juristas elencam uma série de motivos que justificam os pedidos feitos ao MPF. Dentre eles, a importância do Pantanal, maior planície alagável do planeta e patrimônio nacional; o recorde de incêndios criminosos, a grilagem e o desmatamento do bioma; a seca histórica “em razão da alteração do regime de chuvas causado pela devastação também igualmente condenável da floresta amazônica”; as “duras repressões, visivelmente agravadas no decorrer da atual gestão”, sofridas pela política ambiental brasileira que “denotam o favorecimento da destruição não só do Pantanal, mas também da Amazônia e do Cerrado”; as estimativas de que os recursos para combate às queimadas tenham sofrido redução de 38%, o que equivale a R$17,5 milhões no ano passado e o uso, em 2019, de “somente 52,49% do orçamento previsto”; a redução do “orçamento público em órgãos como Ibama e ICMBio na ordem de 69% só para a gestão sustentável da biodiversidade” e o corte de R$ 25 milhões dos recursos do Prevfogo, “principal núcleo atuante durante as queimadas”; a morte de milhares de animais nas queimadas e a destruição de terras indígenas.

“O governo federal tem atendido com sucesso aos interesses dos latifundiários e grileiros, que avançam sobre as terras do país e utilizam-nas para as atividades do agronegócio, destruindo nossa biodiversidade. Neste ano de 2020, apenas no primeiro trimestre foi registrado o aumento do desmatamento de 51% e as queimadas têm estreita relação com o desmatamento”, diz o documento.

“Nesse diapasão, todo o conjunto de ações e omissões dos gestores públicos, tanto nas instâncias federal como estaduais, levam a crer em um projeto de destruição do meio ambiente, em vistas de favorecer o agronegócio, do que se depreende que espontaneamente não enviarão o exército, nem destinarão recursos para combater as chamas, motivo pelo qual se faz urgente a atuação constitucional deste Ministério Público Federal!”, completa.

Os advogados citam ainda a Constituição Federal como garantidora da preservação ambiental e lembram que o que está previsto na lei fundamental e suprema do país não está sendo cumprido. “Depreende-se do texto constitucional o surgimento de diversos direitos e deveres à Administração e aos administrados. A priori, o meio ambiente, por ser de uso comum do povo, acarreta a responsabilidade de todos, quer cidadãos, quer pessoas jurídicas de direito público, ou mesmo de direito privado, em preservá-lo. E incumbe ao Poder Público preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas, e não destruí-los! A Constituição Federal está sendo queimada juntamente com nossa biodiversidade!”, diz a representação feita ao MPF.

Segundo os juristas, “cabe ao Ministério Público, ainda, investigar a atuação do Estado na prevenção e no combate às queimadas do Pantanal”.

Dentre os pedidos expressos na representação, estão: o emprego das Forças Armadas no combate aos incêndios, inclusive com uso de aviões da FAB – Força Aérea Brasileira; a elaboração de planos de contingenciamento de incêndios; a construção de hospitais de campanha para recebimento e tratamento dos animais resgatados; a construção de santuários onde esses animais possam morar daqui para frente, já que seu habitat natural foi destruído, não se admitindo o envio para zoológicos e afins; a construção de CETAS –  Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA; a investigação e responsabilização de todos os criminosos causadores dos incêndios; a elaboração de Projetos de Recuperação de Área Degradada – PRADs; uma indenização por dano moral coletivo; a abstenção, pelo Presidente da República e pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente, de atos e declarações públicas que incitem o descumprimento da lei voltada à proteção do meio ambiente e de quaisquer atos que impliquem desmonte da política brasileira de meio ambiente; e o envio de ofícios ao Tribunal Penal Internacional, para notícia do crime de Ecocídio pelo Estado Brasileiro no Pantanal Mato-Grossense, no Cerrado e na Amazônia, bem como a quaisquer outros órgãos internacionais que possam ajudar o Brasil.

Confira a íntegra do documento clicando aqui.


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Grupo questiona desvio na representatividade de ONGs no CONAMA

O Grupo de Ação Política de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (GAP Trafi), coletivo formado por 29 ONGs de 14 estados e do Distrito Federal, protocolou no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) uma solicitação para que seja restabelecida a proporcionalidade da representação das entidades ambientalistas no órgão.

O GAP Trafi considera que a participação do presidente da Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de
Animais Silvestres e Exóticos (Abrase), Luiz Paulo Amaral, como suplente da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), desequilibra o quadro de forças que compõem o CONAMA, favorecendo interesses comerciais.

(Foto: Divulgação / Imagem Ilustrativa)

O documento foi encaminhado para o ministro do Meio Ambiente, que também preside o CONAMA, Edson Duarte, e para o presidente da Câmara Técnica de Biodiversidade do Conselho, Marcelo Marcelino de Oliveira.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente integra o órgão do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), composto por entidades da sociedade civil, empresários, universidades e pelo governo, que assessora e propõe diretrizes de políticas para a área.

Apesar de ser o segundo suplente, Luiz Paulo Amaral participou como representante da Renctas em todas as reuniões da Câmara Técnica de Biodiversidade do Conama, na qual a organização não governamental tem uma das duas vagas destinadas para as ONGs ambientalistas. Sua frequência é maior até que a do titular, Raulff Ferraz Lima.

O GAP Trafi considera que, a partir do momento em que a vaga de uma ONG ambientalista, no caso específico a da Renctas, passa a ter como seu representante um ativo presidente de associação de criadores comerciais e lojistas, portanto, micros e pequenos empresários na maioria, configura-se um desvio da natureza da cadeira em questão. A proporcionalidade entre os entes componentes deste conselho passa, então, a ficar alterada.

A situação agrava-se pelo fato das ONGs ambientalistas disporem de apenas duas representações entre as dez existentes na Câmara Técnica de Biodiversidade. “Vale ressaltar que o setor empresarial possui duas cadeiras na mesma Câmara Técnica de Biodiversidade, onde, acreditamos, a Abrase e seus interesses devam estar representados”, afirmou o GAP Trafi.

O GAP Trafi solicitou uma criteriosa análise da situação e a tomada de medidas cabíveis visando a retomada da proporcionalidade na representação das ONGs ambientalistas que não podem, tanto no CONAMA como na Câmara Técnica de Biodiversidade do Conselho, atuar em defesa de interesses comerciais.

O documento foi assinado pelas seguintes entidades integrantes do GAP Trafi: Associação Mata Ciliar (SP), Associação Mico-Leão-Dourado – AMLD (RJ), Associação Mineira de Defesa do Ambiente – AMDA (MG), Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – Apremavi (SC), Associação Protetora dos Animais Silvestres de Assis – APASS (SP), Centro Voluntário de Reabilitação de Animais Selvagens – Cevas (GO), Crescente Fértil (RJ), Fórum Carajás – Centro dos Direitos das Populações da Região de Carajás (MA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (Nacional), Fórum Permanente de Proteção e Defesa dos Direitos dos Animais do Pará (PA), Freeland Brasil (Nacional),  Grupo de Estudos de Ética e Direitos dos Animais (GEDA) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (SP),  Grupo de Pesquisa em Ética e Direitos dos Animais – Núcleo de Estudos das Diversidades Intolerâncias e Conflitos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo -Diversitas/FFLCH/ USP (SP), Instituto Amazônico da Cidadania – IACi (AM), Instituto ECOS do Cerrado – IECOS Brasil (TO), Instituto Esperança dos Anjos (SP), Instituto Curicaca (RS), Instituto Jurumi (DF), Instituto Pangea – Meio Ambiente, Cultura e Educação (SE), Instituto Mira-Serra (RS), Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais (PR), Movimento Popular Ecológico de Sergipe – Mopec (SE), Natureza Animal (SP), Profauna – Proteção à Fauna e Monitoramento Ambiental (SP), Proteção Animal Mundial (Nacional), Rede Ambiental do Piauí – REAPI (PI), Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil – SAVE Brasil (Nacional), SOS Fauna (SP).

Correção: INSTITUTO ARARA AZUL NÃO PARTICIPOU DE QUESTIONAMENTO DE DESVIO NA REPRESENTATIVIDADE DE ONGS NO CONAMA FEITO POR GRUPO AMBIENTALISTA

A ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais publicou, em 2 de outubro de 2018, a matéria “Grupo questiona
desvio na representatividade de ONGs no CONAMA” a partir de informações fornecidas pelo GAP Trafi – Grupo de
Ação Política de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. A notícia aborda a solicitação protocolada pelo grupo no
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), em 28 de setembro de 2018, para que seja restabelecida a proporcionalidade da representação das entidades ambientalistas no órgão.

O GAP Trafi esclarece que houve um erro na elaboração da listagem das entidades integrantes do grupo que enviou
a solicitação. O Instituto Arara Azul, presidido por Neiva Guedes, não assinou a solicitação. O documento conta,
portanto, com o apoio de 28 instituições e não 29, como noticiado.

São elas: Associação Mata Ciliar (SP), Associação Mico-Leão-Dourado – AMLD (RJ), Associação Mineira de Defesa do Ambiente – AMDA (MG), Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – Apremavi (SC), Associação Protetora dos Animais Silvestres de Assis – APASS (SP), Centro Voluntário de Reabilitação de Animais Selvagens – Cevas (GO), Crescente Fértil (RJ), Fórum Carajás – Centro dos Direitos das Populações da Região de Carajás (MA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (Nacional), Fórum Permanente de Proteção e Defesa dos Direitos dos Animais do Pará (PA), Freeland Brasil (Nacional), Grupo de Estudos de Ética e Direitos dos Animais (GEDA) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (SP), Grupo de Pesquisa em Ética e Direitos dos Animais – Núcleo de Estudos das Diversidades Intolerâncias e Conflitos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo -Diversitas/FFLCH/ USP (SP), Instituto Amazônico da Cidadania – IACi (AM), Instituto ECOS do Cerrado – IECOS Brasil (TO), Instituto Esperança dos Anjos (SP), Instituto Curicaca (RS), Instituto Jurumi (DF), Instituto Pangea – Meio Ambiente, Cultura e Educação (SE), Instituto Mira-Serra (RS), Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais (PR), Movimento Popular Ecológico de Sergipe – Mopec (SE), Natureza Animal (SP), Profauna – Proteção à Fauna e Monitoramento Ambiental (SP), Proteção Animal Mundial (Nacional), Rede Ambiental do Piauí – REAPI (PI), Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil – SAVE Brasil (Nacional), SOS Fauna (SP).

O GAP Trafi considera que a participação do presidente da Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos (Abrase), Luiz Paulo Amaral, como suplente da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), desequilibra o quadro de forças que compõem o CONAMA, favorecendo interesses comerciais.

Apesar de ser o segundo suplente, Luiz Paulo Amaral participou como representante da Renctas em todas as reuniões da Câmara Técnica de Biodiversidade do Conama, na qual a organização não governamental tem uma das duas vagas destinadas para as ONGs ambientalistas. Sua frequência é maior até que a do titular, Raulff Ferraz Lima.

Para o GAP Trafi, a partir do momento em que a vaga de uma ONG ambientalista, no caso específico a da Renctas,
passa a ter como seu representante um ativo presidente de associação de criadores comerciais e lojistas, configura-se
um desvio da natureza da cadeira em questão. A proporcionalidade entre os entes componentes deste conselho
passa, então, a ficar alterada.

O documento do GAP Trafi solicitou que o CONAMA tome medidas para a retomada da proporcionalidade na
representação das ONGs ambientalistas que não podem, tanto no CONAMA como na Câmara Técnica de
Biodiversidade do Conselho, atuar em defesa de interesses comerciais.

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Tribunal permite que animais maltratados tenham defesa em julgamentos

A medida foi implementada há pouco tempo e está tendo bastante sucesso. Até agora, são oito voluntários, entre sete advogado e um professor de advocacia, dispostos a defender aqueles que não podem se expressar.

Animais maltratados e explorados terão representante judicial
Medida que promover maiores direitos aos animais (Foto: Getty Images)

A lei estabelece que o juiz deve designar um advogado para o animal se achar necessário. Contudo, os próprios procuradores e advogados podem fazer o requerimento de defesa em certos casos.

De acordo com a Associated Press, seis advogados já foram incumbidos com um total de cinco casos de abusos, exploração ou maus-tratos a animais. A medida está sendo muito elogiada por quem estuda o estatuto dos animais.

“Todos os Estados têm problemas de tribunais sobrelotados e que, compreensivelmente, dão prioridade a casos de humanos em relação aos de animais, dada a falta de recursos, mas esta é uma maneira de ajudar a resolver a situação”, afirma Jessica Rubin, especialista em lei animal da Universidade de Connecticut.

 

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Índia proíbe representação de crueldade animal na TV

Dog TV
Divulgação

A Índia proibiu a representação de crueldade ou violência contra os animais em qualquer forma na televisão a cabo e em outras redes de radiodifusão.

Em uma notificação de 19 de agosto, o Ministério da Informação e Radiodifusão disse que as novas regras tinham sido incluídas na Cable Television Networks (Amendment) Rules de 2016. A cláusula proíbe a representação de crueldade ou violência contra animais em qualquer forma, ou a promoção de crenças não científicas que causem dano aos animais.

As novas regras não se aplicam a programas de notícias ou de educação, desde que estes não promovam violência para com os animais ou crueldade contra os animais mostrados em uma luz positiva ou de maneira não científica.

Fonte: Veggi&Tal com informações de The Hindu

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Vanguarda Abolicionista

Da Ilha do Dr. Moreau ou ‘Então é Natal’ no repeat

natal

Já está em todas as partes, no corre-corre das grandes cidades e na calma bovina dos pequenos municípios, no silêncio das multidões das pessoas que não se conhecem, e na confraternização da terra onde todos são amigos. O espírito natalino, manto que cobre a sociedade como os panos brancos do artista Javacheff Christo, aumenta o ritmo bate-estaca das necessidades de consumo. Já falei que o Natal é um 11 de Setembro para os animais, data que arrepia a espinha e outras partes que o decoro não me permite mencionar. Reduza tudo a Jesus, e as pessoas não vão ter como botar para fora um ano de tensão, de sorriso nervoso entre dentes, de medo da morte e da doença, da loucura que pode atingir qualquer um, da pobreza extrema, da perda de entes queridos ou da amputação social, financeira, profissional ou física.

Cabe celebrar uma suposta e longínqua data com a repetição, repetição transformada em tradição-papel-carbono, com as obrigatórias nozes e carne assada – e justamente a carne que o vizinho também come, e que cabe na bandeja da familia, como um peru, leitãozinho ou aves vindas da Ilha do Dr. Moreau, como tender, bruster e chester. E as pessoas aindam acham que comem galinha-do-sítio-da-vó.

Pouco me importa a farsa vermelha do Papai Noel, das árvores e duendes copiados do Primeiro Mundo tal como índio de relógio. Dança quem quer essa música, ou é fraco o suficiente para ser levado pelo Niágara invisível de imposições sociais – mas não se você for não-humano. E mesmo dentre os não-humanos, o azar natalino é se você for comestível – ‘ai que nojo, uma mosca na minha sopa’ – e, pior, se foi eleito por ______________ para ser o sacrifício aos deuses obrigatório para todo 24 de dezembro. Como a loira para o King Kong, mas estamos nós pintados, de bunda de fora e dizendo ‘uga-uga’, só que pelo celular.

Aceito sugestões para o preenchimento da lacuna acima.

Mais consumo, mais vendas, e um pega-trouxa chamado desenvolvimento, que é eufemismo para um maior número de cilindros no motor que tritura natureza e animais, para fornecer pacotes de salgadinhos e embalagens coloridas aos bilhões de humanos. Mas somente aos que dão ‘feliz Natal e boas festas’ ao zelador, ao porteiro e aos demais ‘colaboradores’.

Esses são os que sabem das coisas e têm um coração bom, então vou parar de ser ácido e louvar até o que, por papel-carbono, come carne ‘em Jesus’, como já ouvi dizerem. Comprar uma bobagem embalada em papel metalizado para presentear alguém pois está aberta a temporada de demonstrações de afeto é tão espontâneo como segurar o tesão porque há fila de carros na porta do motel… mas agora liberou uma vaga, volta a espontaneidade do ponto onde parou.

Não, não levo a sério quem ignora escravidão, sofrimento e morte de animais para minutos de prazer gastronômico embalado na ideia de que ‘é gostoso, pronto’ ou ‘o porco fuça para a frente, a galinha cisca para trás’ e demais crendices que recebem polegar para cima da maioria.

Falar de paz e esperança em cartões comprados em papelaria e ser insensível aos Morlocks demonstra mais a necessidade própria de aplacar o remorso, do que alterar a realidade para que no ano seguinte não seja impositivo dizer a mesma coisa, com a repetição de ‘Então é Natal’ na voz da cantora Simone, a lágrima da vó, o Autorama/Playstation para as crianças, e algum animal da Ilha do Dr. Moreau com arroz à grega.

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Vanguarda Abolicionista

Da Ilha do Dr. Moreau ou 'Então é Natal' no repeat

natal

Já está em todas as partes, no corre-corre das grandes cidades e na calma bovina dos pequenos municípios, no silêncio das multidões das pessoas que não se conhecem, e na confraternização da terra onde todos são amigos. O espírito natalino, manto que cobre a sociedade como os panos brancos do artista Javacheff Christo, aumenta o ritmo bate-estaca das necessidades de consumo. Já falei que o Natal é um 11 de Setembro para os animais, data que arrepia a espinha e outras partes que o decoro não me permite mencionar. Reduza tudo a Jesus, e as pessoas não vão ter como botar para fora um ano de tensão, de sorriso nervoso entre dentes, de medo da morte e da doença, da loucura que pode atingir qualquer um, da pobreza extrema, da perda de entes queridos ou da amputação social, financeira, profissional ou física.

Cabe celebrar uma suposta e longínqua data com a repetição, repetição transformada em tradição-papel-carbono, com as obrigatórias nozes e carne assada – e justamente a carne que o vizinho também come, e que cabe na bandeja da familia, como um peru, leitãozinho ou aves vindas da Ilha do Dr. Moreau, como tender, bruster e chester. E as pessoas aindam acham que comem galinha-do-sítio-da-vó.

Pouco me importa a farsa vermelha do Papai Noel, das árvores e duendes copiados do Primeiro Mundo tal como índio de relógio. Dança quem quer essa música, ou é fraco o suficiente para ser levado pelo Niágara invisível de imposições sociais – mas não se você for não-humano. E mesmo dentre os não-humanos, o azar natalino é se você for comestível – ‘ai que nojo, uma mosca na minha sopa’ – e, pior, se foi eleito por ______________ para ser o sacrifício aos deuses obrigatório para todo 24 de dezembro. Como a loira para o King Kong, mas estamos nós pintados, de bunda de fora e dizendo ‘uga-uga’, só que pelo celular.

Aceito sugestões para o preenchimento da lacuna acima.

Mais consumo, mais vendas, e um pega-trouxa chamado desenvolvimento, que é eufemismo para um maior número de cilindros no motor que tritura natureza e animais, para fornecer pacotes de salgadinhos e embalagens coloridas aos bilhões de humanos. Mas somente aos que dão ‘feliz Natal e boas festas’ ao zelador, ao porteiro e aos demais ‘colaboradores’.

Esses são os que sabem das coisas e têm um coração bom, então vou parar de ser ácido e louvar até o que, por papel-carbono, come carne ‘em Jesus’, como já ouvi dizerem. Comprar uma bobagem embalada em papel metalizado para presentear alguém pois está aberta a temporada de demonstrações de afeto é tão espontâneo como segurar o tesão porque há fila de carros na porta do motel… mas agora liberou uma vaga, volta a espontaneidade do ponto onde parou.

Não, não levo a sério quem ignora escravidão, sofrimento e morte de animais para minutos de prazer gastronômico embalado na ideia de que ‘é gostoso, pronto’ ou ‘o porco fuça para a frente, a galinha cisca para trás’ e demais crendices que recebem polegar para cima da maioria.

Falar de paz e esperança em cartões comprados em papelaria e ser insensível aos Morlocks demonstra mais a necessidade própria de aplacar o remorso, do que alterar a realidade para que no ano seguinte não seja impositivo dizer a mesma coisa, com a repetição de ‘Então é Natal’ na voz da cantora Simone, a lágrima da vó, o Autorama/Playstation para as crianças, e algum animal da Ilha do Dr. Moreau com arroz à grega.

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Maior mamífero da Europa em risco de extinção

Tem três metros de largura, dois de altura e pesa 900kg. O bisonte europeu, maior mamífero do continente, corre sérios riscos de desaparecer da superfície terrestre.

Durante centenas de anos, esta foi uma espécie protegida em diversas regiões da Europa por vários monarcas, que consideravam parte dos seus deveres zelar pela sobrevivência dos mamíferos. Porém, no início do século XX os bisontes tornaram-se alvo de caçadores furtivos, interessados na sua carne e pele. Segundo o diário espanhol El País, no ano de 1919 já não restava nenhum em liberdade.

Apesar dos esforços de biólogos da época, que tentaram reconstruir as manadas com alguns animais que tinham sobrevivido em jardins zoológicos e coleções privadas, conseguiram recuperar apenas quatro machos e três fêmeas para multiplicar os exemplares da espécie, disse à BBC Malgorzata Tokarska, do Instituto de Investigação de Mamíferos da Academia Polaca de Ciências em Bialowieza, na Polônia. É precisamente aqui, em Bialowieza, na fronteira entre a Polónia e a Bielorrúsia, que se encontra a reserva onde atualmente restam apenas duas manadas selvagens de bisontes europeus.

O número de animais em liberdade ascende aos 800, mas todos estes bisontes descendem de um mesmo macho, o que levanta graves problemas genéticos: mais de 90% dos genes foram herdados de dois únicos exemplares que se reproduziram na década de 1920, o que reduz a população efetiva desta espécie a 25 bisontes e coloca em riscos graves a sua sobrevivência. Os investigadores procuram agora soluções para contornar este problema.

Fonte: DN

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