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Brasileiro planta sua própria floresta com 50 mil árvores

GIBBY ZOBEL

Antonio Vicente deixou um bonito legado às futuras gerações: plantou sua própria floresta. Em 1973, o idoso comprou uma propriedade de 30 hectares perto de São Francisco Xavier, a 200 km da capital de São paulo, e iniciou o plantio das mudas.

O altruísmo de Vicente foi bastante questionado por pessoas que não eram capazes de fazer o mesmo que ele e, por isso, não entendiam seu propósito. Mas ele não desistiu.

“Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: ‘você não viverá para comer as frutas, porque essas árvores vão demorar 20 anos para crescer'”, contou Vicente ao repórter Gibby Zobel, do programa Outlook, do Serviço Mundial da BBC.

“Eu respondia: ‘Vou plantar essas sementes, porque alguém plantou as que estou comendo agora. Vou plantá-las para que outros possam comê-las”, completou.

Preocupado com o desmatamento e a forma como a retirada de árvores interfere nos recursos hídricos, Vicente decidiu tomar uma atitude. “Quando era criança, os agricultores cortavam as árvores para criar pastagens e pelo carvão. A água secou e nunca voltou”, lamentou.

“Pensei comigo: ‘a água é o bem mais valioso, ninguém fabrica água e a população não para de crescer. O que vai acontecer? Ficaremos sem água”, acrescentou. Além de evitarem a erosão do solo, as árvores preservam a água quando absorvem e retém esse recurso natural em suas raízes.

Aos 14 anos, Vicente abandonou o campo e foi morar na cidade, onde trabalhou como ferreiro. A vida não foi fácil, mas tudo ficou melhor quando ele pôde comprar sua propriedade, com o dinheiro da venda de seu negócio, e plantar sua própria floresta em uma região de planície perto de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

“A vida na cidade não era fácil. Acabei tendo de viver debaixo de uma árvore porque não tinha dinheiro para o aluguel. Tomava banho no rio e vivia debaixo da árvore, cercado de raposas e ratos. Juntei muitas folhas e fiz uma cama, onde dormi”, contou. “Mas nunca passei fome. Comia sanduíches de banana no café da manhã, almoço e jantar”, completou.

Quando finalmente conseguiu retornar ao campo, Vicente passou a plantar mudas que deram origem a uma floresta úmida tropical com aproximadamente 50 mil árvores.

Na contramão da sociedade, enquanto Vicente plantava, outros desmatavam. Dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Inpe relevam que a cobertura de Mata Atlântica no estado de São Paulo, antes de 69%, caiu para 14%.

GIBBY ZOBEL

Apesar de tamanha destruição, Vicente não desiste de fazer o que está ao seu alcance: preservar o pedaço de terra que lhe pertence. Orgulhoso, ele mantém um quadro pendurado na parede de sua casa com uma foto da época em que sua “floresta particular” ainda não existia para lembrar a si mesmo da transformação que promoveu.

“Em 1973, não havia nada aqui, como você pode ver. Tudo era pastagem. Minha casa é a mais bonita de toda essa região, mas hoje não se pode tirar uma foto desse ângulo porque as árvores a encobrem, porque estão muito grandes”, disse.

E os efeitos do replantio de árvores já podem ser vistos. Quando a propriedade foi comprada, havia apenas uma fonte de água no local. Hoje, são aproximadamente 20. Os animais também se aproximaram e fizeram morada na região.

“Há tucanos, todo tipo de aves, pacas, esquilos, lagartos, gambás e, inclusive, javalis”, revelou. “Temos também uma onça pequena e uma jaguatirica, que come todas as galinhas”, concluiu.


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