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Cães que tiveram ração e medicamentos confiscados são abrigados em SP

Dois dos três cachorros que, segundo denúncia da ONG Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), tiveram ração, petiscos, brinquedos, barraca, roupas, medicamentos e colares pós-cirúrgicos confiscados pela Prefeitura de São Paulo, foram abrigados. O terceiro cachorro permanece na rua com a tutora que, de acordo com a entidade, “assumiu os riscos por não conseguir se desgrudar dele”. No entanto, um veterinário contratado pela MRSC fará visitas ao cão.

(Foto: Reprodução / Facebook / Moradores de Rua e Seus Cães)

Minie e Nilo permanecerão sob os cuidados de Helton Okada até que se recuperem da cirurgia. Os dois, assim como Pingo, haviam sido castrados um dia antes de terem seus itens de alimentação, abrigo e cuidados veterinários retirados. De acordo com publicação da ONG no Facebook, “a família está recebendo nossa atenção e doações”.

Decreto autoriza retirada de pertences

A denúncia da ONG que indica que os cachorros e a família que os tutela foi prejudicada pela ação da Prefeitura – que, inclusive, colocou a vida dos animais em risco, já que os itens retirados eram necessários para proteção deles nos dias seguintes à castração – pode ter relação com um decreto assinado durante a gestão Doria.

Em 21 de janeiro de 2017, o então prefeito João Doria (PSDB) assinou um decreto que altera o anterior, de autoria do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), e abre margem para que Guardas Civis Metropolitanos retirem objetos de pessoas em situação de rua, segundo informações da Revista Fórum.

O novo decreto suprimiu um trecho do anterior no qual era determinada a proibição da retirada de “itens portáteis de sobrevivência” de pessoas nessa situação, como “papelões, colchões, colchonetes, cobertores, mantas, travesseiros, lençóis e barracas desmontáveis”. O decreto assinado por Doria autoriza ainda que sejam retirados “objetos que caracterizem estabelecimento permanente em local público, principalmente quando impedirem a livre circulação de pedestres e veículos”, como camas, sofás e barracas.

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Prefeitura de SP confisca ração, medicamentos, roupas e barraca de cães em situação de rua

A Prefeitura de São Paulo confiscou ontem (17) todos os objetos, inclusive itens de alimentação e medicamentos, de três cachorros recém-operados e da tutora deles, uma mulher que vive em situação de rua nas proximidades do Ceasa, Zona Oeste da cidade.

(Foto: Reprodução / Facebook / Moradores de Rua e Seus Cães)

Nilo, Pingo e Minnie tinham passado por uma cirurgia de castração no dia anterior e estavam ainda sob observação. A ação da Prefeitura expôs os animais a mais risco, já que a caminha e a barraca utilizadas para aquecer os cachorros, os medicamentos para o pós-operatório e a alimentação necessária foram sumariamente retirados pela administração municipal.

Além da ração, foram levados os petiscos, os brinquedos e até mesmo as roupinhas e os colares pós-cirúrgicos que os animais ganharam da ONG Moradores de Rua e Seus Cães, que também foi responsável por castrá-los.

No Facebook, a entidade fez uma denúncia e divulgou um vídeo (veja abaixo) sobre o caso. “Vejam as lágrimas e o desespero de uma mãe jogada fora de sua única moradia! Uma barraca!”, disse a ONG. “A Prefeitura de São Paulo, sob administração do Sr @brunocovas fez o que ninguém esperava!!! Levou barraca, cobertores, ração, remédios, roupa cirúrgica e até os colares elizabetano”, completou.

Na publicação, a ONG relata que a mulher “implorou para não levar a barraca” e que está desesperada por não ter “onde abrigar e proteger do frio e da chuva os cães recém-operados”.

Diante da situação, a Moradores de Rua e Seus Cães divulgou dados bancários e propôs a realização de uma “vaquinha” para arcar com os custos da internação dos três cachorros em uma clínica veterinária até que eles estejam saudáveis e aptos a voltar para a tutora.

Resposta da Prefeitura de São Paulo sobre o caso (Foto: Reprodução / Facebook da Prefeitura de São Paulo)

“É assim, com violência e descaso que a administração ‘pública’ trata os animais e seus tutores na condição de moradores de rua!”, finalizou a entidade.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras afirmou, por meio de nota, “que não houve nenhum tipo de irregularidade durante a ação de zeladoria ocorrida próximo ao Ceasa, Zona Oeste da capital”, mas não informou onde estariam os itens que a ONG denuncia terem sido levados por agentes municipais.

Nota de repúdio

O presidente da ONG Moradores de Rua e Seus Cães, Eduardo Leporo, enviou à ANDA uma nota oficial sobre o posicionamento da organização. Leia abaixo na íntegra:

“Não é de hoje que presenciamos as ações de zeladoria e limpeza que a Prefeitura de SP executa com tanto êxito e firmeza! Vai mudar a gestão mas infelizmente a forma de se olhar os “invisíveis” não mudará!

Adiantamos que nós do Projeto Moradores de rua e seus cães, não somos contra essa “limpeza” na cidade! De forma alguma! Mas somos contra a truculência, ignorância e falta de respeito que os funcionários públicos protegidos pela GCM ou PM, dedicam a essas ações!

Eu, Edu Leporo, já fui até ameaçado e convidado a desligar meu celular e parar de registrar tais ações!

Mas dessa vez eles foram além!

Na segunda feira, dia 17, confiscaram itens e pertences de 3 cães que se recuperavam de cirurgias de castração feitas um dia antes!
Debilitados, foram tirados de suas caminhas, mantas e barracas para ficaram expostos ao frio e mau tempo!

Sua tutora, Patricia, foi encontrada aos prantos agarrada ao menorzinho que quase não se mexia!

Já tentamos, inúmeras vezes, nos aproximar da Prefeitura, tentar aliar forças e boa vontade para enxergar a melhor maneira de ajudar esse pessoal e seus cães na condição de moradores de rua!

Mas na unica vez em que fomos recebidos pela Subprefeitura da Sé, foi para sugerir que nossas ações mensais que levam doações e dignidade às ruas, estavam atrapalhando o projeto dos CTAs! Que por conta de ações de ONGs e afins, eles, os MR, deixam de procurar tais instalações!

E que nos CTAs, homens e cães encontram todos os atendimentos, carinho e respeito necessarios!

O que não foi constatado por nós em uma visita feita em um CTAs, onde cães passavam fome, infestados de sarna, pulgas, dormindo em uma garagem subterrânea úmida e sem luz natural. Aguardavam uma visita de veterinários há 10 meses.

Nosso projeto realiza mensalmente uma grande ação voluntária com diversos serviços e doações aos animais como: ‘pet móvel’ para banho quente, atendimento veterinário, ração, guias e coleiras, brinquedos, caminhas e roupinhas no inverno. Não deixando o seu tutor de lado, oferecemos a eles: um café da manha, kits de higiene pessoal, Banho quente e atenção!

Para conhecer melhor, acesse nosso site”.

Nota da Redação: apesar da prefeitura ter negado irregularidades, ações como a denunciada pela ONG Moradores de Rua e Seus Cães são absolutamente violentas do ponto de vista dos direitos humanos e animais e devem ser veementemente repudiadas. Manter a cidade limpa é dever do poder público, mas é necessário entender que a limpeza deve ter apenas o lixo como foco, jamais itens utilizados por aqueles que vivem em situação de rua – humanos ou não humanos. Pedimos que o eleitor paulista que respeita os animais preste atenção em quem irá votar e que os governantes tratem pessoas e animais com respeito e promovam políticas públicas que os beneficiem.

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