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Zoológico de Gaza reabre após escândalo de maus-tratos e descaso com os animais

Depois de aceitar a ajuda da ONG Four Paws que ofereceu mais de 44 mil libras (cerca de 226 mil reais) para o resgate dos animais e posterior fechamento do zoo, o local reabre com novos animais nas mesmas condições de abandono


 

O Zoológico Rafah, em Gaza, foi alvo de uma onda de críticas e revolta após imagens perturbadoras mostrando dezenas de leões, macacos e pavões desnutridos e maltratados vivendo em gaiolas apertadas e imundas em suas instalações.

O zoológico concordou em fechar e aceitar mais de 44 mil libras (cerca de 226 mil reais) da ONG Four Paws, sediada em Viena, para subsidiar comida e tratamento médico até que os animais pudessem ser transportados.

Em abril, os animais foram sedados e foram transferidos por 320 quilômetros para seu novo lar na Jordânia, via Israel, que deu permissão especial para a transferência dos animais por suas terras.

Foto: AsiaWire
Foto: AsiaWire

Mas agora, relatos apontam que o zoológico reabriu e manteve leões, avestruzes e macacos, novamente nas mesmas condições de descaso e maus-tratos.

A ONG Four Paws acusou o estabelecimento pois a entidade havia recebido garantias dos proprietários do zoológico de que eles fechariam as portas assim que a transferência dos animais fosse concluída.

Compromissos assumidos

Martin Bauer, porta-voz da instituição de caridade, disse ao Central European News: “É claro que estamos desapontados por eles terrem reaberto depois de prometerem fechar, e agora está nas mãos das autoridades locais agir porque, tanto quanto sabemos, o zoológico recém-inaugurado não tem licença para funcionar”.

“É claro que, se as autoridades locais autorizarem o resgate dos animais, estaríamos preparados para iniciar conversas sobre como ajudar na operação e transferi-los para um habitat mais apropriado para as espécies.

Foto: Alamy Live News
Foto: Alamy Live News

“Mas precisamos nos afastar do círculo vicioso de pagar cada vez para resgatar os animais que ficam em uma espécie de situação de reféns”.

Entre leões que estão sendo mantidos no zoológico, dois são adultos e três são filhotes.

Visitantes recentes do zoológico relatam ter visto funcionários tentando separar filhotes de leões de suas mães com varas, para que os clientes pudessem ser fotografados com eles.

Eles também disseram que os avestruzes estavam sendo mantidos em gaiolas minúsculas e foram vistos bicando constantemente as barras de suas jaulas. Macacos podiam ser vistos comendo lixo do chão, segundo relatos dos visitantes.

Foto: Bogdan Baraghin | FOUR PAWS
Foto: Bogdan Baraghin | FOUR PAWS

O novo gerente Ashraf Jumaa, que parece estar relacionado às pessoas que prometeram fechar o zoológico, negou que o local estivesse tentando chantagear instituições de caridade por mais dinheiro.

“Nosso principal objetivo não é o comércio, mas o entretenimento, e decidimos reabrir porque era isso que a população local queria”, disse ele.

Mas ele admitiu que o zoológico não conseguiria alimentar todos os seus leões quando os filhotes começassem a crescer.

Ele disse que os leões adultos precisariam de 22 a 30 kg de carne por dia e que eles não seriam capazes de suprir essa quantidade com o número atual de visitantes.

Foto: AsiaWire
Foto: AsiaWire

Gaza continua sofrendo economicamente sob um bloqueio de terra, ar e mar imposto por Israel depois que a organização militante Hamas assumiu o controle da faixa em 2007.

Estima-se que cerca de metade dos dois milhões de pessoas de Gaza vivam abaixo da linha da pobreza.

Um porta-voz do ministério da agricultura de Gaza disse que não havia discutido a reabertura com ninguém no zoológico e que havia pouca probabilidade de que a quantidade de terra necessária para que os animais pudessem ter mais espaço e melhor condição de vida, pudesse ser disponibilizada. Esse seria um dos requisitos mínimos para que o zoológico atenda aos padrões internacionais.

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Restaurante coreano que vendia carne de cachorro burla vigilância e reabre

Um dia após ter sua cozinha interditada pela Vigilância Sanitária, o restaurante coreano Por Que Chama, localizado na rua Guarani, no Bom Retiro, funcionou ontem (13) e uma de suas quatro mesas estava ocupada por clientes. Os donos do estabelecimento estão presos desde quinta-feira (12) sob a suspeita de comercializar pratos feitos com carne de cachorro.

Após a Folha constatar a reabertura do local, por volta das 12h de ontem, e entrar em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, fiscais da vigilância foram até o restaurante, mas não encontraram nenhum alimento sendo consumido, conforme a secretaria.

O estabelecimento estava proibido de vender alimentos porque sua cozinha estava em condições precárias de uso e não respeitava uma série de normas, segundo a vigilância.

No documento que oficializou a interdição, o órgão informou que medidas de higienização precisariam ser tomadas antes da reabertura e, conforme os fiscais, era isso que estava sendo feito ontem.

Procurados, os advogados de Tae Soon Choi e Mak Neachoi, donos do restaurante que foram presos acusados de formação de quadrilha, crimes contra o consumidor e maus-tratos contra animais, não foram encontrados. A reportagem conversou com uma funcionária do local, pediu para que um responsável entrasse em contato, mas não teve resposta.

O outro restaurante coreano investigado pela polícia por também vender comida de cachorro estava funcionando ontem. Porém apenas clientes selecionados tinham acesso a ele.

O estabelecimento não chegou a ser interditado. Ele foi autuado anteontem por irregularidades na cozinha.

Sem nenhuma identificação em sua entrada, o restaurante Ho Nan Park, mesmo nome de seu proprietário, só aceita clientes previamente identificados. Brasileiros não entram, segundo comerciantes coreanos da redondeza. Os advogados desse estabelecimento não foram encontrados. Park e o outro proprietário, Kun Ok Park Chung, continuavam presos, segundo a polícia.

Na quinta-feira (12), a polícia achou em Suzano (Grande SP), um abatedouro de cães e gatos na casa de Roberto Morais, 41, e Roseli Nascimento, 39. No local, foram apreendidos 60 quilos de carne canina e dois gatos mortos. O casal, segundo a polícia, tinha como clientes restaurantes do Bom Retiro. Os dois foram presos. O consumo de carne de cães e gatos é proibido no país. O advogado do casal, Fabrício Tsutsui, disse que não teve acesso ao processo e, por isso, não se manifestaria.

Fonte: Folha de São Paulo

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