Notícias

Aves são mortas com ratoeiras em Joinville (SC)

(Foto: Reprodução/Defensor da Natureza)
(Foto: Reprodução/Defensor da Natureza)

O crime abominável contra a natureza presenciada pela Elza na manhã deste sábado (25) nos deixou profundamente abalados.

Ela parou para comprar banana num daqueles pontos tradicionais na rodovia SC-301, da Serra Dona Francisca, em Pirabeiraba, Joinville (SC), onde os pequenos produtores (população tradicional), sempre muito simpáticos, costumam vender sua produção de bananas às margens daquela rodovia que corta a Serra do Mar. Nesta região, a Mata Atlântica é uma das mais bem preservadas de Santa Catarina.

Para atrair compradores os cachos maduros de banana são pendurados na parte da frente das barraquinhas. Ao se aproximar da barraquinha, a Elza observou uma linda saíra-de-sete-cores sobre o muro, se deslocando em direção a uma fonte de comida. De repente, ao bicar a comida oferecida sobre o muro… Pleft! UMA RATOREIRA desarmou e ceifou instantaneamente a vida da saíra.

Ao desarmar, com força da mola, a ratoeira saltou de cima do muro com saíra presa pelo pescoço. De longe, a Elza não havia percebido a ratoeira armada sobre o muro, que tinha como isca uma rodela de banana.

Ela ficou em estado de choque com a cena tão cruel e covarde. Em questão de segundos a agradável e motivadora imagem da saíra-de-sete-cores saltitando sobre o muro transformou-se em horror, algo muito repugnante de se presenciar.

Gaturamo (Euphonia violacea) (Foto: Reprodução/Defensores da Natureza)
Gaturamo (Euphonia violacea) (Foto: Reprodução/Defensores da Natureza)

 
A um metro de distância desta que matou a saíra havia uma segunda ratoeira armada com mais uma vítima se aproximando, desta vez um gaturamo.

Então, a Elza começou a chorar muito com a atitude deste senhor e implorou desesperadamente para que retirasse esta segunda ratoeira. Ele atendeu aos apelos e o gaturamo foi salvo por um triz (a mesma sorte não teve os que foram mortos antes da Elza chegar, como a própria saíra).

No balcão da barraquinha havia uma tigela cheia de rodelas de bananas, estoque de iscas para algumas horas. O que dá idéia de quantas das mais belas aves da Mata Atlântica são mortas ali todos os dias.

Enquanto retirava a saíra morta da ratoeira, ele justificou que não joga fora suas vítimas. Servem de petisco. Em seguida, entregou a saíra para a sua mulher que rapitadamente a levou para a cozinha, para ser preparada.

Nesta época do ano, quando chove e faz muito frio, diminui muito a oferta de comida nas áreas preservadas, especialmente nas matas secundárias, então as aves ficam muito famintas. Elas se arriscam e atacam os cachos de bananas maduras, bicando algumas bananas (e os fregueses podem rejeitar o cacho). Então, esta é a maneira que este senhor encontrou para resolver o problema. Certamente, não deve ser o único a fazer isso.

Fonte: Defensores da Natureza

​Read More