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A fisiculturista vegana Magda Pinke desejou ser forte para defender os animais

A atleta tem um histórico de ativismo desde criança e é ainda personal trainer, quiropraxista, treinadora gaia e terapeuta holística

Magda Pinke é formada em Educação Física e tem pós-graduação em Nutrição Esportiva, além de vários outros cursos como de Fisiologia do Exercício, Artes Marciais, Quiropraxia, Pilates e Treino Gaia. É ainda fisiculturista e como personal trainer atua há 23 anos. Em Sorocaba (SP) tem sua própria academia. Mas todas essas práticas e conhecimentos têm uma razão maior na vida da atleta vegana: “Desde criança eu pensava em ficar bem forte para salvar os animais”.

Acompanhe nessa entrevista a fascinante trajetória de Magda Pinke, hoje com 40 anos mas que, aos 10 anos, já botava fogo em matadouro de bois e, ainda quando criança, derrubou e socou um homem que chicoteava um cavalo.

Infância cercada de violência

Magda conta que vem de uma família conturbada com episódios de violência doméstica. Ela passou boa parte da infância em bairros carentes onde a violência também era algo comum especialmente entre os jovens.

“Aprendi a lutar e me defender desde pequena morando num bairro pobre onde eram normais brigas de rua. Com ambiente violento dentro e fora de casa eu acabei ficando agressiva também e direcionei essa violência, desde cedo, na defesa dos animais”

Traumas com o sofrimento animal

Com desavenças entre os pais, Magda passou a ser criada por suas avó e bisavó. Mas outros traumas surgiram nessa convivência.

“Quando eu tinha por volta de quatro anos de idade, morava com minha bisavó que criava galinhas e depois as matava. Isso foi muito marcante para mim. As galinhas eram penduradas ainda vivas e eu tentava socorrer. Uma vez derrubei minha bisavó no chão para impedir que ela matasse uma galinha”

“Com seis anos de idade eu tinha mania de levar animais da rua para casa. Então fui morar com minha avó e levei para a casa dela um gato preto. Ela odiou e disse que ia me dar uma lição para nunca mais pegar nenhum animal na rua. Ela botou o gato num saco, fechou e o atirou no chão inúmeras vezes até matá-lo bem na minha frente”

Ataque ao matadouro de bois

No bairro em que Magda morava quando criança ainda um matadouro de boia que, embora ela não pudesse enxergar o interior por conta dos muros, conseguia ouvir o lamento dos animais.

“Eu passava por ali de bicicleta e entendia perfeitamente o choro deles, o que eles estavam sentindo. Nessa época eu tinha nove anos e me esforçava para subir no muro, mas mesmo não podendo ver os bois eu ficava perturbada com a angústia deles”

Ela explica que aquilo foi uma “descoberta” para ela que “parecia resumir todo o mal do mundo”. Então ela resolveu dar um jeito na situação.

“Num domingo sai com minha bicicletinha e peguei uma pedra, garrafa com álcool e fiz uma bomba caseira. Atirei contra o matadouro quebrando uma janela e gerando fogo no escritório. Mas tinha gente dentro do estabelecimento e o fogo foi logo controlado. Pouco tempo depois o matadouro fechou. Não sei se apenas mudou de lugar, mas de qualquer forma me senti realizada”.

A fúria contra um carroceiro cruel

Se com nove anos Magda já tinha atentado contra um matadouro, aos 10 anos nada a seguraria contra um carroceiro que judiava de um cavalo.

“Eu estava com meu irmão menor e no alto de uma ladeira vi um cavalo caído e uma carroça cheia de coisas. Fui subindo a ladeira e então vi um homem batendo no cavalo que espumava pela boca. Estava sangrando e dava para ver a coluna do cavalo cheia de pus e mosca”

Magda não saber dizer da onde brotou tanta força física, mas…

“O homem era grande e eu bem pequena e magrinha nessa época. Avisei pra ele não dar mais nenhuma chicotada, só que ele riu e deu mais uma chicotada bem na cara do cavalo. Então soquei o peito dele com as duas mãos e ele caiu de costas. Montei nele e comecei a socar a cara dele. Eu quebrei ossos da minha mão e ele o nariz. Então a polícia chegou. Foi a primeira vez que percebi que era muito forte e que precisava controlar essa minha força”

Essência vegana

Magda deixou de comer todo tipo de carne na vida adulta, massa acredita que ela já nasceu com uma “essência” vegana porque nunca gostou de comer animais e sempre foi contra qualquer tipo de exploração animal.

“Todo mundo que me criou, pais e avós, acreditava que criança tem que comer carne e aí, quando fui ficando anêmica e doentinha porque eu me recusava a comer, as pessoas não me ofereciam outras alternativas de alimento. Só melhorei quando passei a comer bastante feijão”

“Por volta dos 20 anos passei a comer só frango e depois de um tempo só peixe, mas queijo nunca gostei e sempre evitei. Por volta dos 30 anos aboli toda e qualquer proteína de origem animal, mas ainda não era vegana porque tomava suplementos com derivados de leite. Nessa época eu ainda acreditava que deveria ao menos ter a proteína do leite para exercer minha profissão”

“Foi só em 2019 que abandonei o suplemento de proteínas do leite de vez e comecei a pesquisar suplementos de arroz e ervilha. E hoje nem suplemento uso, pois, minha alimentação vegana já me dá o que preciso”

“É totalmente possível viver com muita saúde sem comer carne. Eu mesma não fico doente, nem cólica menstrual eu tenho e treino em alta performance. Nunca estou abaixo de um homem forte em certas competições. Não uso anabolizante. Tenho saúde física e mental”

Carreira multidisciplinar

Além de atuar como personal trainer, professora de educação física, ser fisiculturista e aplicar pilates, Magda tem um consultório de Quiropraxia e é adepta de terapias holísticas.

“O espaço que mantenho em Sorocaba é principalmente voltado para avaliação física das pessoas que pretendem começar alguma atividade física. Faço prevenção de lesão do esporte e também atuo com Quiropraxia, que é uma ciência que cura por meio das mãos gerando saúde articular”

Ela explica como a Quiropraxia pode ajudar as pessoas:

“O fluxo neural de cura é produzido naturalmente, mas às vezes não chega até as partes do corpo que precisam ser curadas, cicatrizadas ou regeneradas. No meio do percurso esse fluxo pode estar interrompido e o quiropraxista procurar encontrar esses pontos que estão interrompendo o caminho natural do fluxo de cura”

“Também sou treinadora Gaia cujo lema é ser forte para ser útil. Só existem sete desses terapeutas em todo o mundo. Eu capacito novos profissionais nesse conceito de treino que ajuda muito as pessoas que estão estressadas e com pensamentos em desarmonia. Trabalho a bioenergia e a conexão com a Mãe Natureza”

O desejo de ser forte para salvar animais

Magda acredita que houve uma razão maior para ela ter crescido em meio à violência familiar e das ruas.

“Tudo que sofri foi parte de um treinamento para eu conseguir concretizar minha missão que é única e exclusivamente tentar elevar o nível de consciência das pessoas rumo à fraternidade, compaixão e amor. E eu sempre quis treinar muito e ser muito forte para salvar os animais e pessoas que estivessem precisando de ajuda”

“Quando eu falo que sou muito forte, não é porque tenho pernas e braços  musculosos, mas é porque realmente tenho muita força. Pego muito peso, tenho muita velocidade. Tenho um corpo perfeito para executar atividades atléticas como saltar distâncias. Meu corpo se transformou naquilo que meu sentimento tinha vontade de ser, ou seja, ser forte”

Transformando violência em estratégias de combate

Magda conta que já rolou no chão com pessoas para salvar animais, mas hoje evita violência e usa estratégias para conseguir a melhor solução em defesa dos animais.

“Fui crescendo e tentando limpar todos aqueles traumas relacionados a sofrimento animal. Fui controlando a emoção e aceitando que as pessoas fazem essas coisas terríveis. Então trabalhei a neutralidade. Não fico de braços cruzados, mas também não me deixo levar pela emoção. Eu penso antes de agir. Fui aprendendo a raciocinar para conseguir uma solução para determinadas situações envolvendo animais”

“Se eu puder dar um conselho, diria para os protetores de animais evitarem se emocionar demais porque isso afeta a saúde. Tem que agir, mas com certa frieza diante da situação. A gente adoece quando sente muita emoção negativa. Então eu sugiro esse caminho que estou seguindo: ficar neutro e não violento. Não podemos fazer coisas pela emoção porque podemos tomar uma decisão errada. Violência deve ser usada apenas em último caso, só se não tiver outra forma de resolver”

As novas gerações mais evoluídas

Muitas crianças estão nascendo com intolerância à lactose e Magda acredita que se trata de “uma marca evolutiva para a humanidade ir mudando sua conduta”.

“A Terra é muito primitiva ainda. A humanidade desenvolveu o intelecto em alguns planos, mas ainda está muito longe de um nível bem evoluído. Desenvolveu o intelecto, mas a moral ficou lá para trás. Estamos muito longe da fraternidade, mas sempre, em todas épocas, nasceram algumas crianças mais evoluídas que vieram com o intuito de transformar o mundo para melhor”

“Agora estamos precisando muito de leis para proteger os animais do mesmo jeito que existem leis para proteger as pessoas. Mas tem que tomar cuidado para não gerar uma bola de neve de ódio. É preciso conseguir isso com inteligência e dando bons exemplos. Ainda precisamos de guerreiros na linha de frente, mas isso tem que ser bem pensado para não gerar mais ódio e intolerância”

Compaixão pelos animais é contagiosa

Magda divide a casa com o marido, uma filha, os gatos Tutu e Nalu, e os cães Monstrinho, Bob e Ariel. Hoje ela se orgulha de dizer que até aquela avó que matou o gato preto passou a gostar de animais: “Ela incrivelmente mudou muito. Passou a ter cachorros e sofrer por eles”.

E o marido de Magda, que também nunca gostou de animais em casa, mudou de ideia: “Eu escondia dele minhas ações perigosas de resgates. Agora ele se preocupa bastante com nossos cães e gatos, todos resgatados das ruas. Quando damos um bom exemplo de compaixão é possível contagiar outras pessoas”.

Contato com Magda Pinke pelo Instagram @personalmagdapinke e na UP Unique Performance Brasil (15) 981127951.

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