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Aprendendo o que querem

Em defesa dos animais muitos são, poucos, bem poucos o fazem. Porque isto acontece??

Por razões de impossibilidade, por sermos poucos e “loucos”?

Em defesa sim…. de espécies animais que são tão ou mais superiores do que os seres humanos. Defendo a ideia de que o tempo nos levou muito do jeito animal que éramos, e nos trouxe a escuridão interior em que vivemos.

Um evento que me chamou a atenção sobre como nos privamos de nosso meio maternal, como não entendemos mais os sinais da mãe natureza foi, o tsunami ocorrido na Indonésia em dezembro de 2004, todos os animais do parque ecológico do Sri Lanka, fugiram antes da chegada das ondas, não se foi registrada a morte de animais selvagens, tendo em vista que milhares de seres humanos morreram neste dia; o que será que os animais possuem e o ser humano não?? Ou o que será que o ser humano não tem e os animais sim?

Creio que a pergunta correta seria: O que será que o ser humano perdeu ao longo do tempo, e os animais não?

Com a modernidade veio a ganância, o ser humano deixou de se considerar animal, agora nos achamos semi-deuses, que tudo o que existe em nosso planeta foi nos dado, para que dele tiremos o máximo de tesouros possíveis.

Tiramos dos índios que aqui viviam, o que de mais precioso possuíam, a terra, os escravizamos e os usamos como bem entendemos, não importava então o que eles sentiam, afinal de contas, quem eram eles?? Não sabiam falar a língua dos estrangeiros, não tinham modos sociáveis, não deviam sentir dor, sentimentos, com certeza “humana” também não, demos nomes e se tinham alguma cultura ou sociedade, não nos importamos em saber, tiramos deles tudo o que podíamos e o que não devíamos. Hoje em dia o engraçado, se não fosse triste é que continuamos a forçá-los com nossa maneira de sobreviver, afinal de conta, quem são eles?

Da mesma maneira como fizemos com os índios, que são seres humanos também, fazemos com os animais, principalmente para o nosso bel prazer, os escravizamos, colocando-os em jaulas, zoológicos, gaiolas, laboratórios, e este último, grande causador de disputas éticas por aqueles que se negam a aceitar tamanha ignorância de pessoas ditas “sábias”, e pessoas ditas “sábias” que se negam a mudar seu modo de agir por pura conveniência; animais não podem se defender, assim como os índios, também não sabem falar a língua dos seres humanos, por causa disso são e sempre foram explorados de forma a garantir o sucesso de uma única espécie (a raça humana).

Sempre foi assim, o homem com o passar do tempo se afastou do principal e partiu em busca do irreal, nessa busca perdeu valores e tirou das futuras gerações o direito de terem , de serem realmente animais humanos.

Saibamos antes de mais nada, que tudo é tudo, e nada é nada, PARA TODOS!!

 
Anderson Pacheco, estudante de Ciências Biológicas

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Tao do Bicho

Todos querem ser livres

No artigo anterior discorri um pouco sobre a privação da liberdade daqueles que nasceram com asas para voar. Mas não só os pássaros anseiam pela liberdade, é claro. Todos os animais, humanos ou não, querem ser livres: cães acorrentados; cavalos atrelados a carroças, ou aprisionados em baias; felinos enjaulados; suínos, aves, mamíferos, como bezerrinhos, encarcerados em cercados minúsculos… Trabalhos de diversos etólogos – que estudaram diferentes animais nas mais variadas situações de privação da liberdade, desde a parcial, até a total – evidenciaram o sofrimento que lhes é provocado não apenas no plano físico, mas também psicológico. E o pior deles – o mais sutil, porque mais “invisível” – talvez seja o dano decorrente da monotonia, uma consequência inevitável de todo e qualquer tipo de confinamento. Os animais não-humanos, assim como nós, procuram a diversidade de sons, sabores, cores, ambientes e atividades.

Gostaria de ter incluído, na coluna passada, um primoroso poema abolicionista do nosso colossal poeta e jornalista Olavo Bilac. Transcrevo agora o poema, lembrando que não apenas os pássaros querem “saudar as pompas do arrebol”, como diz Bilac, se embevecer com a cor afogueada da aurora, ou do pôr-do-sol. Todos querem a diversidade e a liberdade. Todos nós temos esse direito.

O Pássaro Cativo *

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Por que é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
“Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi …
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas …
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade …
Quero voar! voar! …”
Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão…

(*) Olavo Bilac. Do livro Poesias Infantis. Rio de Janeiro: Ed. Francisco Alves, 1929.

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