Colunistas, Desobediência Vegana

Veganismo: não faça as coisas por mim

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Pintura de Mark Ryden

Uma das frases mais simples e admiráveis está no movimento punk: faça você mesmo. Não espere por ninguém. Não siga, não seja mais um. Invente, se não houver alternativas ao seu redor. Se estende para além da música. Não seja como aqueles que se deixam influenciar por qualquer suspiro e seguem a corrente, manipulados até os ossos.

Quando trabalhamos com a educação e direitos animais, é comum ouvirmos que somos fanáticos religiosos. Nascemos com a imposição de comer carne, mas temos que ouvir que estamos ‘impondo um modo de alimentação’.

O caso é que, como as perguntas são sempre as mesmas, as respostas acabam sendo sempre as mesmas e claro, há respostas para quem pergunta e argumento, se é o caso de precisar. Até mesmo a ciência que se considera isenta, tem lá seus dogmas, sobretudo os que nós tentamos derrubar. Como, por exemplo, a vivissecção, método ultrapassado, segue sendo defendido ferrenhamente por cientistas obsecados. Cada movimento pode ter seus fanáticos, seus loucos e os que tentam, através do convencimento, motivar pessoas e trazê-las para sua ideia.

Nossa iniciativa, no entanto, não é convencer, é ser. Através da informação, se o sujeito adulto não tomar consciência de tudo o que o cerca, não somos nós que iremos o submeter. A sociedade por demais já o submete.

A motivação aqui é ética e a motivação religiosa é outra. Por isso religião tenta convencer. Cada religião convence para seu dogma, independente dele ser coerente ou conectado com a prática. E, cá para nós, “É necessário mesmo pedir perdão?”. A pessoa motivada por ética não precisa convencer. O outro é que se contradiz nas próprias palavras. Nunca precisei dessa técnica, e acho que é isso que irrita muita gente…. Os vivisseccionistas saem da sala nos debates, se alteram visivelmente, e isso sim é um comportamento muito semelhante a quem tenta convencer pelo fanatismo.

Justamente na ciência, onde eles poderiam descobrir novas alternativas, além das que existem e evitam usar, para o já ultrapassado modelo animal.

O fato de eu não ser perfeita também não é o que faz uma pessoa se tornar vegana. Uma pessoa se torna vegana por que leu a respeito, por alteridade, por respeito ao outro, por uma série de fatores que vai além da pessoa que lhe transmitiu a informação.

Portanto, se uma pessoa deixou de ser vegana por que leu um artigo, por que não ‘concordou’ com uma ideia minha ou de qualquer outrém, é por que precisa amadurecer para o fato de que o veganismo não está nas pessoas, está em algo maior que isso. Todos que conheci que se tornaram veganos, o fizeram por si mesmos. Alguém pode ter feito a conexão, mas depois desta ligação, o voo é livre.

E, lembrando, estamos falando aqui de adultos. Quem deixa de ser vegano pela opinião de alguém, é por que não está bem certo do que deseja ou não consegue afirmar-se perante os demais.

Existem infinidades de pessoas escrevendo sobre este tema, e muitas delas são celebridades, outras são pessoas comuns. A maior parte inclusive, mais contribui para colocar mais confusão na cabeça das pessoas, mais espalha desinformação do que esclarecimento. Boa parte dos leitores apenas lê em redes sociais, um fenômeno atual, uma horda de analfabetos funcionais que mal sabem interpretar fotografias, e apenas se atém a memes.

O professor, o escritor, o jornalista, o sujeito que escreve, é fonte eterna de influência e precisa saber disso. Ele deve usar cada linha como uma arma e uma ferramenta de trabalho que irá transmitir o que deseja, mas do outro lado, espera-se que o leitor tenha cérebro para ler, maleabilidade para sacar e compreender as sutilezas de cada texto, sem que com isso, tenha um xilique cada vez que não gostar do que leu.

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Notícias

Veg Fest reúne punk-rock e direitos animais em São Paulo

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Por Alex Avancini (da Redação)

Há uma juventude dentro do movimento punk que se importa com os direitos animais. Sempre muito estigmatizado, o que não sobra são conceitos na tentativa da mídia em classificá-lo. Mas desde o final dos anos 80 uma parte do movimento seguiu um caminho livre de drogas no qual os direitos animais e a alimentação vegetariana/vegana eram as bases principais da ideologia jovem.

No próximo dia 22 de fevereiro esta juventude – que também está presente na cidade de São Paulo – se reúne para organizar o Veg Fest, festival vegano com a causa animal como tema principal, trazendo apresentações de bandas, comida vegana e muita informação.

O Veg Fest é um evento totalmente independente com a presença de pequenos expositores de comidas veganas, 100% livres de crueldade animal e músicos do cenário underground.

Nesta edição a música fica por conta das bandas Live by the Fist, Days of Sunday e Mundo Movediço, além da discotecagem dos MC’s  Marcos Favela e KL Jay, lendário integrante do grupo de rap nacional Racionais MC’s.

Durante todo o evento expositores de produtos veganos e culinaristas veganos estarão presentes, oferecendo a possibilidade de consumir produtos e alimentos livres de crueldade animal. Acontecerá também uma oficina “faça você mesmo”, oferecida pelo Movimento Não Mate. Os participantes aprenderão a estampar suas camisetas e poderão levar pra casa estampas como “Animal Liberation” totalmente de graça. Para participar da oficina e da estampagem, basta levar 2 camisetas lisas, brancas ou de cor clara.

“Conheci o vegetarianismo e o veganismo dentro do cenário hardcore/punk em São Paulo, em eventos como a Verdurada, Encontro Vegetariano, Junk Food Vegano, entre outros. O envolvimento de algumas bandas com a divulgação do vegetarianismo, nas suas letras e discursos, sempre foi muito forte no meio. Com isso, desde a primeira edição do Veg Fest, decidimos mesclar a música com oficinas, palestras e vídeos para assim divulgar o vegetarianismo de uma forma interessante e que atingisse a todos”, comenta Edi Silva Prates, um dos organizadores do festival.

O rapper KL Jay marcará presença comandando a discotecagem durante o evento.
O rapper KL Jay marcará presença comandando a discotecagem durante o evento.

A organização do evento espera receber aproximadamente 400 pessoas no domingo(22), entre 14h e 18h. A entrada é gratuita.

“Os direitos animais estão cada vez mais em pauta, seja na mídia, nas redes sociais, nas rodas de amigos. Já não é uma luta isolada de uma pequena parte da sociedade, apesar de ainda ter muito para crescer. Esse tipo de evento é muito importante para reunir aqueles que já estão nessa luta e, ao mesmo tempo, conscientizar e trazer ainda mais pessoas para essa causa. A luta pelos direitos animais e o veganismo está muito presente no cenário hardcore/punk e isso atraiu, e ainda atrai, muita gente para o movimento. Misturar música a proposta dos direitos animais é unir o útil ao agradável, além de proporcionar uma identificação daqueles que curtem música com as questões animais. É isso que esperamos do evento, que todos saiam de lá com um novo pensamento sobre os direitos animais e sobre o que podemos fazer pelo meio-ambiente e pela nossa própria saúde”, acrescenta Edi.

Serviço:

Veg Fest (São Paulo)

Investimento: Entrada Franca
Data: 22/02/15
Horário: 14h às 18h
Endereço: Ação Educativa – Rua General Jardim, 660, Santa Cecília (próximo à estação República do Metrô)
Bandas: Live by the Fist, Days of Sunday, Mundo Movediço, MC Marcos favela e discotecagem com KL Jay (Racionais MC’s)
Contato: juventudexpositiva@gmail.com

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Desobediência Vegana

Eu é que sou punk

Foto: Marcio de Almeida Bueno
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Fui puk na minha juventude. Não, eu não usava aquelas roupas legais, por não ter dinheiro. Com amigas que também queriam revolucionar o mundo através de nossa personalidade, criavamos nossas próprias roupas. Trocávamos livros, e assim todos liam, e muitas vezes as minhas fitas K7 sumiam, enquanto livros acabavam ficando na minha casa, em uma troca sem muito apego.

Uma das principais ideias do movimento punk, resumidamente, é ‘faça você mesmo’. Essa autonomia foi o começo de uma estética visual-musical criativa e independente, em que qualquer um poderia criar o seu som e, com isso, sua identidade. Dentro desse movimento houve símbolos como Ramones e Sex Pistols, entre outros. Aqui no Brasil tivemos, por exemplo, o Aborto Elétrico, liderado pelo meu ídolo eterno Renato Russo. Com ele aprendi muitas coisas, além de ouvir sua voz. Também a banda Ratos de Porão, com vegetarianos e veganos entre os integrantes. Há ramificações, subculturas e estilos dentro de estilos.

Nem todo mundo é santo, nem todos são demônios, se é que ainda preciso explicar o óbvio. A ideia trouxe manifestações culturais como os fanzines, as atitudes e as roupas de Vivienne Westwood, o ‘som de fita’ – em que cada um levava sua fita K7 para as festas, e dançavam juntos, se jogando no chão, chocando-se de maneira agressiva, para quem via de fora, mas extremamente catártica. Em festas punks a gente podia dançar no meio de meninos e nunca houve grosserias ou falta de respeito.

Hoje, enquanto muitos de meus amigos se tornaram parte da máquina social, não por maldade, mas muitas vezes por necessidade, eu estou aqui. Punk ainda, com ideias que eu mesma crio e com meu próprio fazer, querendo transformar a realidade.

Dentro do movimento punk existe o straight edge, uma subcultura, se esta é a melhor palavra, onde o faça você mesmo passa pelo veganismo e pelo sexo somente com sentimento e respeito. Há também as feministas punks veganas, tal como me sonsidero, mas prefiro não pertencer a nada.

Quando olho para o mundo, vejo pseudos-‘qualquer coisa’, vejo pessoas grosseiras, fofoqueiras ou maldosas no falar, que jamais buscam saber mais, apenas impondo o pouco que sabem aos outros. Vejo ativistas se rendendo ao sistema que os quer consumindo seus produtos fabricados destinados a não-veganos, vejo mulheres se submetendo à hegemonia machista por medo da solidão. Percebo que sou ‘esquecida’ em determinados contextos – se fosse lembrada, não gostaria de estar lá – por ser justamente uma mulher de opinião e por saber que essa opinião incomoda.

Quando assisto a tudo isso, me lembro dessa minha máxima – pois eu crio minhas próprias expressões: eu é que sou punk!

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Notícias

Músicos levam a mensagem dos direitos animais para o público jovem

Por Marcela Couto (da Redação)

Um show realizado no anfiteatro Mesa na terça-feira passada foi uma oportunidade perfeita para divulgar os benefícios do veganismo para o público jovem. A banda de punk rock Rise Against, de Chicago, estava em tour promovendo seu quinto álbum, Appeal to Reason. Nem todos os fãs da banda sabem que os quatro membros são defensores dos direitos animais e vegetarianos estritos (dois são veganos).

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No ano passado, o Rise Against foi eleito a melhor banda “Animal-Friendly” pelo PETA. O grupo declarou que o vídeo “Ready to Fall” é o mais importante da carreira. O clipe mostra imagens de uma fazenda industrial, caçadas e rodeios, entre outras questões ambientais.

Através da música, o Rise Against está levando sua mensagem em defesa dos animais aos fãs. Atualmente a banda está discursando conta a matança anual de focas no Canadá. Eles encorajaram pessoas a assinar petições para impedir o massacre, oferecendo ingressos gratuitos para quem coletasse mais assinaturas.

“Nós quatro juntos salvamos 400 animais todos os anos, apenas por escolher não comê-los. Nós não conseguimos pensar em um motivo melhor para ser vegetariano – você consegue?” – Rise Against

Ouça músicas do Rise Against gratuitamente no Myspace da banda.

Com informações de Examiner.com / Foto por Examiner.com

 

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