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A difícil e sofrida vida dos bichos do Paraná



Foto: Henry Milleo


Não é nada fácil ser bicho no Paraná. Que piem, rosnem e fujam aqueles que foram maltratados e abandonados por seus ex-tutores, ou que foram caçados, traficados ou atropelados nas estradas que cortam o estado. Para os sobreviventes dessas “humanidades”, existe uma pequena estrutura de apoio aos animais feridos, insuficiente para a demanda: apenas um centro de referência.

Nesse contexto, o governo estadual aponta fazer sua parte aumentando a cobertura florestal, especialmente nas matas ciliares, e criando corredores de biodiversidade para ampliar os habitats e proteger a fauna. A Polícia Ambiental (Força Verde) trabalha na prevenção e repressão à caça, destinando os machucados e apreendidos que não podem ser soltos para tratamento nos poucos locais preparados.


Foto: Henry Milleo


Um deles é o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), mantido pela PUCPR em parceria com o Ibama, em Tijucas do Sul, 60 km ao sul de Curitiba. Para lá, são encaminhados animais apreendidos em várias re giões do Paraná. Entre os pacientes estão pumas, gatos-do-mato, macacos-prego, bugios, saguis, tamanduás, veados, entre outras espécies, além de inúmeros tipos de aves. Para lá foi levada a capivara que parou o bairro Batel, em novembro do ano passado – mas depois foi encaminhada a um criadouro.


Todos sofreram maus-tratos ou foram abandonados quando filhotes, presas fáceis na vida selvagem. Poucos são os que estão preparados para retornar à vida selvagem – a exemplo de um tucano, que teve a língua cortada e penas arrancadas. A falta da língua o impede de lavar o bico, que é acometido por fungos. Casos também como o de Ernesto, macaco-prego cego que vive no local, e de um bugio que ficou paralítico após um ataque de cães. A deficiência os exclui do convívio com os grupos. Provavelmente seriam mortos se ficassem com os demais.


Foto: Henry Milleo


“A maioria chega aqui bem debilitada e passa pelo tratamento para se recuperar. Mas são bem poucos os que têm condições para voltar (às matas). Não podemos soltar um animal que tenha alguma doença, por exemplo, ou que vai simplesmente morrer. A soltura tem que ser adequada para não causar impacto ambiental”, explica Grazielle Soresini, veterinária e coordenadora do Cetas. Outro ponto que impede as solturas é a redução dos habitats. “A tendência é recebermos cada vez mais bichos e fazermos menos solturas, até pela falta de locais. Então eles vão ficando aqui”, aponta.
Um outro Cetas seria instalado em Toledo e já consta entre os 42 no Brasil. No entanto, ainda não foi construído. O Ibama foi procurado, mas não retornou as ligações.

IAP

O espaço do Centro de Triagem vai então ficando cada vez menor para o número de animais silvestres. “Quem tem a estrutura hoje é o Cetas. Nós ainda não temos, mas fazemos o encaminhamento para eles. Temos projetos, mas ainda não foram concluídos”, conta Mauro Brito, da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP. Além da criação de corredores de biodiversidade nas matas do Paraná, o IAP tem planos para incentivar a preservação de alguns grupos de fauna. “São planos para conservação de aves e mamíferos ameaçados. É o ponto de partida para apoio a projetos e busca de recursos”, aponta Brito. Segundo ele, os planos para preservação de aves como o macuco, jacutinga, maracanã-verdadeira, araras vermelha e Canindé, além de mamíferos como o bugio ruivo, o gato-maracajá e a queixada, foram feitos em parceria com ONGs, universidades e o Exe cutivo. “Vamos em busca de recursos, tem muito trabalho pela frente”, diz. 

Serviço

Para denunciar ou avisar sobre animais feridos: 0800-643-0304 (Força Verde). 

Fonte: Gazeta do Povo


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