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Projeto Harpia na Mata Atlântica fará soltura da ave rara em área preservada

No dia 18 de agosto (terça-feira), será realizada a soltura da primeira harpia (Harpia harpyja) do mundo a retornar a seu habitat depois de viver 12 anos em cativeiro. É uma fêmea da maior ave de rapina das Américas, também conhecida como gavião-real, que vive desde 1997 em um ambiente construído especialmente para ela na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, em Porto Seguro (BA). Essa harpia também vai se tornar a segunda harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil.

A ave foi entregue em 1997 pelo proprietário da Fazenda Itaipe, Eloísio Sabadini, que a encontrou bastante debilitada e a encaminhou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os fiscais levaram a ave para a Estação Veracel, onde desde 2004 ela é objeto de estudos e esforços de uma equipe de pesquisadores, para reintegrá-la à natureza. Esse trabalho recebeu o nome de Projeto Harpia na Mata Atlântica.

Em março, o pesquisador Roberto Azeredo, presidente da Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre (Crax) esteve na Estação, para fazer a avaliação da harpia, e considerou que a ave está apta para a soltura. O Crax é uma fundação que trabalha na reprodução de aves da fauna, em especial da Mata Atlântica, para reintrodução na natureza. Azeredo se surpreendeu com a grandeza do projeto, e ressaltou que os resultados encontrados até agora são importantes subsídios para outros projetos ambientais.

Soltura – A soltura da harpia será feita na Fazenda Santa Maria, uma das Áreas de Alto Valor de Conservação da Veracel. O local foi escolhido por ficar próximo ao Parque Nacional do Pau-Brasil, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do extremo sul da Bahia.

A área possui 552,8 hectares, dos quais 471,3 hectares são de floresta ombrófila densa em estágio avançado de regeneração; 78,5 hectares de floresta em estágio médio de regeneração; e 2,9 hectares em estágio inicial. Nessa área, foram registradas 84 espécies da fauna local. Nove delas são endêmicas da Mata Atlântica, com algumas ameaçadas de extinção, como o patinho-gigante (Platyrinchus leucoryphus) e o fruxu-baiano (Neopelma aurifrons). Essa riqueza, mesmo em desenvolvimento, aliada à aproximação do Parque Nacional do Pau-Brasil, já tem condições de abrigar um animal de topo da cadeia alimentar como a harpia. Isso faz da ave um importante bioindicador de equilíbrio ambiental.

Hoje, a Veracel possui um total de 3.519,5 hectares de áreas inseridas na Mata Atlântica, reconhecidas como Áreas de Área de Alto Valor de Conservação (AAVC), entre as quais a fazenda onde será solta a harpia. São as principais características de uma AAVC: reunir concentração de biodiversidade, conter ecossistemas raros ou ameaçados de extinção e prestar serviços ambientais às comunidades.

O Projeto Harpia na Mata Atlântica é financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ibama, Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (Abfpar), SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

Estação Veracel – A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel foi criada há dez anos. São 6.069 hectares de mata nativa preservados, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro. A área foi reconhecida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como RPPN, ou seja, uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.

Além de ser uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica do Brasil, segundo o governo federal, a Estação Veracel foi considerada pelo Conselho de Manejo Florestal FSC (Forest Stewardship Council) como uma área de alto valor de conservação, por abrigar expressiva reserva de Mata Atlântica, com proteção a fontes de água e por ser hábitat de diversas espécies de animais e vegetais endêmicos e/ou ameaçados de extinção. Todas essas características também garantiram à reserva o reconhecimento como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, conferido pela Unesco.

Até o momento, já foram catalogadas na Estação Veracel 445 espécies de animais vertebrados, das quais 37 ameaçadas de extinção e 54 endêmicas da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na área, já foram vistos grandes mamíferos, como onça-parda (Puma concolor), jaguatirica (Leopardus pardalis), veado-mateiro (Mazama gouazoubira) e anta (Tapirus terrestris). Além de aves como a harpia (maior ave de rapina das Américas), o macuco (Tinamus solitarius), o beija-flor balança-rabo-canela (Glaucis dorhnii) e o papagaio chauá (Amazona rhodocorytha), espécie ameaçada de extinção.

A diversidade arbórea também é grande na Estação, que se destaca entre as 20 áreas de maior número de espécies de árvores do mundo. São 308 espécies, incluindo exemplares centenários de pau-brasil (Caesalpinia echinata), jacarandá (Dalbergia nigra), pequi-preto (Caryocar edule Cassaretoo) e jatobá (Hymenaea SP).

Fonte: Fator Brasil

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