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Corretor de imóveis propaga o vegetarianismo e o respeito pelos animais nos EUA

Por Giovanna Chinellato (da Redação)

Fazendas de criação afetam a natureza e quase todos nós de alguma forma. Se você come carne, bebe leite ou consome ovos, sua comida provavelmente viu o interior de uma fazenda de criação em algum ponto. A fazenda de criação, onde animais são confinados, ovos são coletados e/ou vacas são ordenhadas da maneira mais barata e eficiente o possível, lembra uma linha de produção automobilística: a diferença é que os animais são explorados e torturados para fornecerem a matéria-prima.

imagem de porcos confinados para o consumo humano
Foto: Goveg.com

A maior parte das pessoas não se preocupa com o fato de que a maior parte de sua comida seja obtida do sofrimento, mas algumas sim. Uma dessas pessoas é Michael Rose.

Rose vive nos EUA e baseia suas ações na compaixão pelos animais. Ele é guiado pelo remorso de nunca ter feito mais pelos animais durante sua juventude, e agora sente necessidade de compensar o tempo perdido.

Um paraplégico que não come carne desde a época em que John Travolta causava suspiros, Rose atua como um verdadeiro corretor de imóveis apenas nas horas vagas, quando não está tentando semear a consciência sobre a cruel realidade das fazendas de criação de animais para o consumo humano.

Essa produção “funcionava mesmo para Henry Ford”, Rose disse. “Mas diferente de ver duas linhas de veículos com tinta fresca é ver dois olhos apavorados de animais inocentes pendurados pelas patas traseiras, seu comportamento dócil trocado por gritos de terror absoluto, tristemente culminando com suas gargantas fendidas para sangrar para a morte. Se o homem pode condenar o mais taciturno a implorar pela vida, a questão que fica é se somos a espécie certa para administrar esse planeta”.

Ele é um pouco como um estudante de Howard Lyman, um homem que passou uma grande porção da vida criando animais e, posteriormente, se tornou ativista pelos animais.

“Eu acho que as pessoas deveriam parar de comer carne. Se alguém não pode, ao menos que tente reduzir. Em alguns fatos da vida, você é parte ou do problema ou da solução. Este é definitivamente o caso da indústria de carne, ovos e laticínios.”

Dando uma entrevista a um jornal universitário, Rose diz que se sente mais responsável com o planeta. E, se vamos reconhecer as consequências de nosso mal comportamento, essa troca irá começar com estudantes.

Quando indagado sobre onde encontrar mais informações, ele disse: “o Google é a melhor fonte de informações. Existe uma tonelada de informações ali”.

Ele também mencionou usar o Google para pesquisar sobre Howard Lman, Tyson Foods e “Meat your Meat”.

Michael Rose: um bom exemplo para o caminho da defesa dos animais.

 

Com informações da USA Vanguard

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Colunistas, Eco Animal

A segunda vingança suína?

Ainda é cedo para a humanidade tirar conclusões a respeito dos possíveis estragos que a pandemia da gripe suína poderá causar ao mundo, porém o que mais tem de verídico e perceptível nesse momento é a incerteza das informações pertinentes ao tema. Em meio a tanto alarde, restrito ao mal físico que o vírus pode causar aos humanos e ao prejuízo econômico da indústria de carnes suína (inclusive rebatizaram o vírus de influenza A H1N1), pouco tem se falado das primeiras vítimas dessa cruel e fatídica história, que são os próprios suínos.

Desde que foram domesticados e trazidos à convivência humana há cerca de 9.000 anos, os porcos vivem, neste momento, a face mais triste e cruel de sua história. As modernas fazendas de produção industrial em larga escala, cujo processo de criação não leva em conta as características e necessidades naturais da espécie, são fatais para que ocorra toda a sorte de doenças, vírus e infecções. Os modernos criadouros suínos formam um ambiente completamente artificial e insalubre, sem ventilação e fétido, onde os pobres bichanos vivem enjaulados em pequenos recintos em que mal podem se mexer, pisando apenas num piso de cimento frio. Só veem a luz solar no momento em que são levados de caminhão ao matadouro. Nesse ambiente hostil, em que vários animais convivem em total confinamento, torna-se muito propícia a contaminação e proliferação de bactérias e outros microrganismos desencadeadores de patologias diversas.

E todo esse martírio começa com a dolorosa inseminação artificial das fêmeas, que logo em seguida permanecerão em minúsculas jaulas cercadas com barras de ferro onde sequer podem se virar. Ali aguardam sua gestação de quatro meses até serem conduzidas para a jaula de parir, onde, além de ficar em pé, conseguem apenas deitar para que suas tetas sejam alcançadas pelos filhotes. Estes, em menos de quatro semanas serão tirados da mãe, que após receber doses maciças de hormônios, entrará no cio e será inseminada, passando novamente por todo o ciclo de tortura. Devido a essas condições adversas, em que são violadas todas as relações afetivas e instintivas das mamães porcas, é que estas acabam ficando frustradas e entediadas. Completamente estressadas, mordem as barras de ferro que as cercam, além de ficar com o focinho em carne viva de tanto esfregar o chão de concreto à procura de terra e palha para construir o ninho que serviria para parir e proteger os filhotes. No mundo natural, as fêmeas chegam percorrer até 10 km  em busca de um lugar seguro para construir o seu ninho. Nas granjas de criação intensiva, devido ao peso e à falta de movimentação, começa a ocorrer pressão sobre os músculos e as articulações, ocasionando problemas graves de artrite.

Somam-se a isso, as feridas e a contaminação provocadas pela insalubridade de um local em que são obrigadas a deitar em cima das próprias fezes e urinas.

O calvário das porcas transformadas em máquinas de produzir carne se estende aos seus filhotes, que após duas semanas, serão retirados do calor e da segurança materna. Este e outros traumas os acompanharão pelos seus curtos 150 dias de vida. Já nos primeiros dias após o nascimento, os porquinhos têm seus dentes cortados sem qualquer procedimento que alivie a dor dos nervos expostos. Somente após 50 dias é que perderão aqueles dentinhos de leite. Mas antes disso, sem qualquer anestesia, terão também o corte do rabo, e os machos, os testículos arrancados. Nesses lugares não existe consideração e compaixão com a dor alheia, afinal o que importa é o lucro futuro com o bacon, a banha, o toucinho, a carne, a linguiça e tudo mais que possa ser feito com um porco esquartejado. 

Extremamente amedrontados, os porquinhos mutilados serão amontoados em pequenas jaulas imundas dentro de galpões com pouca ventilação, extremamente úmidos e sem nenhuma luz solar. Serão alimentados com ração, que além de hormônio, poderá ter em sua composição, farelo de peixe, o que já é uma aberração, pois na natureza os suínos não comem peixes. Como estão ali apenas para comer e engordar, é natural que os suínos defequem e urinem bastante, sendo obrigados a conviver em meio a esse ambiente insalubre e hostil a sua saúde. Cerca de 70% deles desenvolvem pneumonia e mais de um quarto sofrem com parasitas como a sarna. E dê-lhe antibióticos e antivirais! Devido a essas condições imundas, aliadas à manipulação genética, é que os porcos acabam por contrair doenças e ao mesmo tempo desenvolver resistência contra elas. É o que pode ter acontecido com o vírus da gripe suína, suspeito de conter genes de várias espécies, entre eles o da gripe humana e aviária.

Na localidade de La Glória, no México,onde ocorreu a primeira manifestação da epidemia, a responsabilidade recai na criação de porcos das granjas Carroll, subsidiária da norte-americana Smithfield Foods, instalada ali em 1994 depois de ter sido expulsa da Carolina do Norte e da Virgínia por danos ambientais. A empresa cria e abate quase um milhão de animais por ano e é acusada de contaminar os recursos hídricos da região com as fezes e urinas dos animais, depositados em tanques de oxidação a céu aberto e coberto de moscas.

No mundo natural e num ambiente saudável, não ocorre esse tipo de situação. Os porcos são animais extremamente higiênicos, sensíveis e sociais. Têm uma inteligência igual ou superior a algumas raças de cachorros; atendem pelo nome e podem reconhecer entre 20 e 30 indivíduos diferentes. Então, a natureza é sábia e não é à toa que surgem nesse meio epidemias como a suína. E quem é o principal responsável por essa situação senão o consumidor?  Quem sabe esta seja a segunda vingança contra seus algozes, já que a primeira decorre das inúmeras doenças desencadeadas pelo consumo de suínos sob a forma de gordura saturada.

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