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Empresa portuguesa envolve-se com ações de proteção ao lince ibérico em estradas

Na Península Ibérica existem entre 84 e 143 linces ibéricos adultos.Foto: Reprodução/Ciência Hoje

A Associação para a Conservação do Lince-ibérico e desenvolvimento dos seus territórios (IBERLINX) conta agora com a parceria da Estradas de Portugal (EP), que pretende “contribuir para a reintrodução e conservação do lince ibérico e dos territórios onde se incluem os seus habitats e populações”, explicou ao Ciência Hoje Ana Cristina Martins, directora do Gabinete de Ambiente da empresa.

Segundo esta responsável, a integração da EP na IBERLINX vai dar oportunidade para o desenvolvimento de medidas que contribuam para a minimização da probabilidade de atropelamento de linces nas estradas e do efeito-barreira causado por estas infraestruturas.

Ana Cristina Martins admite que as estradas constituem uma barreira à mobilidade dos animais e que o atropelamento é um fator de mortalidade. No entanto, acredita que o estado de pré-extinção em que a espécie se encontra está relacionado principalmente com a perda de habitat e indisponibilidade de alimento devido à regressão, nas últimas décadas, das populações de coelho, a principal presa do lince, e não à presença da estrada.

A implementação de medidas de minimização e compensação de impactos provocados pelas estradas na fauna está contemplada na legislação e, de acordo com Ana Cristina Martins, “a EP tem vindo a cumpri-la nos seus projetos”. Contudo, com a integração na Associação IBERLINX, esta empresa pretende “ir mais além das medidas usualmente implementadas, participando em ações que visam à conservação da espécie em território nacional”.

“Não se trata de pôr a mão na consciência’”, diz a responsável, acrescentando que na sua atuação a EP sempre desenvolveu estudos de impacto ambiental, onde a componente biológica é uma das vertentes estudadas. Estes estudos permitem projetar as estradas em respeito pelos valores em presença ou, no caso de não ser possível evitar afetação de habitats e espécies em particular, implementar as medidas de minimização e compensação que são entendidas como necessárias pelos especialistas.

“A mobilidade é em si mesmo um valor a garantir, preservar e promover como garantia da própria sustentabilidade do território e preservação de valores ambientais, pois é garante de atividade econômica e sem esta não haverá recursos, por exemplo, para a reintrodução do lince”, frisou Ana Cristina Martins.

No âmbito da conservação da biodiversidade, a EP também já estabeleceu protocolos com universidades e fundações, para estudos de investigação e ações de conservação, tal como aconteceu com a Faculdade de Ciências de Lisboa, que realizou um estudo da mortalidade de vertebrados nas estradas para que se implementem medidas que permitam reduzir este fator.

Ana Cristina Martins destacou também a participação da EP na Fundação Floresta Unida com o objetivo de contribuir para a reflorestação de áreas afetadas por incêndios ou outras fontes de degradação.

Fonte: Ciência Hoje

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Plano de conservação envia primeiro lince-ibérico a Centro de Reprodução

Foto: Reprodução Barlavento Online
Foto: Reprodução Barlavento Online

Outros 15 linces vão chegar durante o mês de novembro, provenientes dos centros espanhóis de reprodução de Acebuche, no Parque Nacional de Donana, e de La Olivilla, anunciou hoje o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

Esta é uma etapa principal do Plano de Ação para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal, que tem como objetivo viabilizar a conservação da espécie em território nacional, invertendo o processo de declínio continuado das populações que conduziu à situação atual de pré-extinção.

No contexto ibérico, o Plano de Ação visa contribuir para assegurar a viabilidade da espécie enquanto elemento fundamental dos ecossistemas mediterrânicos.

O Plano de Ação procura, como meta final a longo prazo, possibilitar a reintrodução do lince-ibérico na sua área histórica de distribuição. O modelo estratégico de atuação assenta num conjunto de medidas que se complementam: o programa de reprodução em cativeiro, a recuperação e a manutenção do habitat favorável e a reintrodução de espécimes da espécie em territórios adequados.

Entre outros aspectos, ressalta a importância da gestão agrícola, florestal e cinegética para a criação das condições adequadas nos habitats potenciais de lince (para mais informação, consultar www.icnb.pt).

O programa desenvolvido no CNRLI vai procurar favorecer o estabelecimento de uma população cativa de lince-ibérico viável do ponto de vista sanitário, genético e demográfico.

O CNRLI integra a rede ibérica de centros de reprodução de lince. Foi construído expressamente para servir este plano e inaugurado em maio deste ano, resultando o seu financiamento de uma medida de sobrecompensação pela construção da barragem de Odelouca. A gestão é assegurada pelo ICNB.

Este primeiro lince é transportado em veículo especial desde o Zoobotânico de Jerez de la Frontera, na Espanha, e chega ao CNRLI na tarde desta segunda-feira.

O protocolo de biossegurança associado ao programa de cativeiro do lince obriga que não haja visitas aos centros de reprodução. Excepcionalmente, nesta segunda-feira, está previsto o acesso dos jornalistas interessados a uma sala de observação no centro.

Fonte: Barlavento Online

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