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Marfrig nega denúncia sobre compra de bois oriundos de áreas desmatadas

A empresa afirma que, ao contrário do que foi divulgado, não compra bois criados em áreas desmatadas. Independentemente disso, a companhia trabalha em um ramo que condena milhares de animais ao sofrimento e à morte.


Após ser publicada na Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) uma matéria que afirmava que a empresa Marfrig compra bois advindos de áreas de desmatamento, a companhia enviou uma nota oficial à Redação da ANDA por meio da qual alega que os bois explorados e mortos pela empresa não são oriundos de áreas desmatadas (confira a nota na íntegra ao final da matéria).

Foto: Pixabay

A Marfrig afirmou que “não compra animais oriundos de áreas de desmatamento” e “que a companhia tem como um de seus pilares estratégicos o desenvolvimento sustentável”. No entanto, além da área de atuação da empresa ser pautada na exploração e no sofrimento de animais inocentes, que são covardemente mortos para que a Marfrig comercialize carne, não é possível que uma companhia desse setor tenha o desenvolvimento sustentável como um pilar estratégico.

Mesmo que os bois explorados pela empresa não sejam comprados de áreas desmatadas, a emissão de gases de efeito estufa por parte desses animais, a poluição da natureza pelos seus dejetos e a alta quantidade de água e grãos desperdiçados durante todo o processo de criação desses animais e de fabricação da carne são práticas totalmente contrárias à sustentabilidade.

O segmento adotado pela companhia não só é antiético e nocivo ao meio ambiente, como também está caminhando para se tornar ultrapassado, já que cada vez mais empresas investem na fabricação de “carne” vegana, apostando em uma tendência que tem tudo para ser a realidade da sociedade no futuro.

Nota da Marfrig

A Marfrig não compra animais oriundos de áreas de desmatamento. É importante ressaltar que a companhia tem como um de seus pilares estratégicos o desenvolvimento sustentável. Em todas as suas operações nos países onde está presente, há ações concretas para a redução do impacto das suas atividades no meio ambiente, além de manter o compromisso público com o “Desmatamento Zero” para o bioma Amazônia desde 2009.

Nesse sentido, a Marfrig estabeleceu diretrizes estratégicas e operacionais que são concretizadas em planos de ação para reforçar o controle da origem da matéria prima que compra, mitigando os riscos de serem provenientes de zonas críticas associadas a desmatamento e condições de trabalho degradantes.

Reconhecendo que o processo produtivo da carne bovina traz grandes desafios, a Marfrig mantém uma política rígida de compra de animais, bem como um protocolo com critérios e procedimentos que são pré-requisitos para a homologação de fornecedores e fornecimento. Para assegurar o cumprimento de todos os critérios de compra previstos na política e no protocolo, a Marfrig desenvolveu e mantém uma Plataforma de Monitoramento de fornecedores.

Nessa Plataforma, a companhia adota um sistema de geomonitoramento e georreferenciamento via satélite para monitorar os processos produtivos e práticas socioambientais de todos os seus fornecedores, atendendo rigorosamente aos critérios e boas práticas estabelecidos por esta política. O sistema cruza os dados georreferenciados e documentos das fazendas com informações oficiais públicas para identificar possíveis inconformidades, coibindo que a matéria prima seja oriunda de fazendas que produzam carne em áreas de desmatamento ou embargadas, unidades de conservação sem aptidão pecuária, terras indígenas ou mesmo com uso de trabalho escravo, de acordo com um protocolo de compra.

Os critérios adotados pelo protocolo são:

– Desmatamento: critério espacial do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgado anualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e também do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real ( DETER), que monitoram os desmatamentos na Amazônia Legal via satélite;

– Áreas embargadas: lista atualizada diariamente com as áreas embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) devido à prática de atividades ilegais;

– Unidades de conservação: critério espacial disponibilizado periodicamente pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que indica a localização exata e limites territoriais das unidades de conservação;

– Terras Indígenas: critério espacial disponibilizado periodicamente pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que indica a localização exata e limites territoriais das áreas indígenas protegidas por lei;

– Trabalho escravo: ‘Cadastro de Empregadores’, baseado na ‘Lista Suja do Trabalho Escravo’ publicada pelo Secretaria do Trabalho.

– Se há algum controle, porque foi realizada a compra?

A cada aquisição de animais, a Marfrig realiza consultas a respeito de todos os critérios acima mencionados e, para todas elas, inclusive para a consulta ao IBAMA (objeto do presente questionamento) o produtor e propriedade estavam em total conformidade. Na data da compra, dia 16/02/2019, como faz para para todos os processos de compra, a Marfrig consultou a base oficial de consulta do Ibama para empresas que constam no cadastro de áreas embargadas. Nessa data, esse produtor específico, não constava como incluso no cadastro de áreas embargadas conforme certidão negativa oficial demostra. É importante mencionar, que todas essas consultas são mantidas arquivadas para efeito de auditorias que a Marfrig realiza periodicamente de modo a poder verificar a eficiência e aderência de seus processos quanto ao compromisso público da pecuária na Amazônia.


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Vendas de ingressos para atrações em que animais sejam explorados não serão mais realizadas pelo TripAdvisor (Foto: Ana Gremard)
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TripAdvisor para de vender ingressos para atrações que exploram animais

O famoso e reconhecido site de turismo e viagens TripAdvisor se posicionou contra a exploração animal e anunciou que não venderá mais ingressos para atrações que envolvam contato pago entre humanos e animais selvagens. Tal posicionamento deve ser aplicado com nova política interna da empresa.

Vendas de ingressos para atrações em que animais sejam explorados não serão mais realizadas pelo TripAdvisor (Foto: Ana Gremard)
Vendas de ingressos para atrações em que animais sejam explorados não serão mais realizadas pelo TripAdvisor (Foto: Ana Gremard)

As mudanças, que entram em vigor imediatamente, foram projetadas para melhor explicar as diversas maneiras pelas quais as interações turísticas impactam os animais selvagens em todo o mundo, além de adicionar mais clareza à política que foi introduzida pela primeira vez em outubro de 2016.

As novas diretrizes do TripAdvisor incluem a proibição da venda de ingressos para atrações que envolvam o manejo de animais em cativeiro, selvagens ou em perigo de extinção, além de aplicar política que proíbe com que humanos toquem nos animais silvestres.

Se encaixam dentro das descrições acimas atrações turísticas requisitadas pelo ramo do entretenimento que explora animais, como nadar com golfinhos, acariciar tigres dopados e montar em elefantes explorados. A política se aplica tanto a animais marinhos quanto animais terrestres.

De acordo com o World Animal News, Sally Davey, chefe de Relações da TripAdvisor, explicou: “Esperamos que, deixando mais claro quais tipos de experiências estamos dispostas a vender no TripAdvisor e quais não são, podemos forçar os fornecedores a adotarem melhores práticas de bem-estar animal nas experiências que oferecem”.

“As mudanças que anunciamos refletem nosso compromisso contínuo de ajudar a impulsionar mudanças positivas no setor de turismo. As atividades turísticas têm um enorme impacto sobre os animais selvagens em todo o mundo e, embora esse impacto possa ser positivo, como ajudar a financiar importantes esforços de conservação, também pode ser negativo”, reforçou Sally.

Vendas de ingressos para atrações que proporcionem o contato pago entre humanos e animais selvagens não serão mais realizadas pelo TripAdvisor (Foto: Shutterstock)
Vendas de ingressos para atrações que proporcionem o contato pago entre humanos e animais selvagens explorados não serão mais realizadas pelo TripAdvisor (Foto: Shutterstock)

O posicionamento foi bem recebido por membros de organizações a favor dos direitos animais e do bem-estar animal. Conforme o Plant Based News, a representante da PETA, Stephanie Shaw, comentou: “Aplaudimos o TripAdvisor por assumir essa postura, ajudando a aumentar a conscientização. O treinamento de elefantes, por exemplo, é brutal e cruel”.

Outros ativistas contra a crueldade animal, no entanto, apontaram que a nova política não é o suficiente, já que há uma brecha que ainda permite a exploração animal em nome do entretenimento.

Conforme explicado por Danny Groves, da Sociedade de Conservação de Baleias e Golfinhos, ao Plant Based News: “Este é um passo positivo, mas não aborda a questão de promover viagens para ver baleias e golfinhos mantidos em cativeiro. Seria ótimo ver o TripAdvisor agir nesse sentido”.

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