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Cavalos serão explorados em pesquisas sobre medicamento contra o coronavírus

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)va

Cavalos serão explorados em pesquisas semelhantes realizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. O objetivo dos pesquisadores é criar um soro hiperimune a partir dos anticorpos retirados do sangue de cavalos expostos, de maneira controlada, ao vírus inativo.

No Rio de Janeiro, a pesquisa será realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Instituto Vital Brazil (IVB), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com apoio da Faperj, do CNPq, da Capes e da Finep. Os dez primeiros cavalos terão o vírus injetado nesta semana.

Segundo informações do jornal GaúchaZH, caso o sistema de defesa dos cavalos produza anticorpos, eles serão analisados pelos cientistas do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ para que se descubra se esses anticorpos conseguirão impedir a multiplicação do coronavírus e se a quantidade de anticorpos produzida pelos cavalos é suficiente.

Não se sabe, porém, se a pesquisa obterá sucesso – caso obtenha, os anticorpos serão usados no medicamento contra a Covid-19. Essa incerteza, porém, expõe mais uma realidade da pesquisa científica: animais são explorados sem que sequer exista qualquer certeza sobre eficácia.

O médico norte-americano Ray Greek já alertou: “a pesquisa científica com animais é uma falácia”. Sem qualquer compromisso com a causa animal, o especialista milita contra os testes por acreditar que eles atrasam o desenvolvimento da ciência. “A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, explicou o médico, em entrevista à Veja.

Em Minas Gerais, um estudo semelhante será realizado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). A pesquisa foi aprovada pelo Programa Emergencial de Apoio a Ações de Enfrentamento da Pandemia Causada pelo Novo Coronavírus, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Cinco cavalos serão explorados num primeiro momento.

Nota da Redação: animais existem por propósitos próprios, não para atenderem às necessidades humanas. Submeter um animal a qualquer que seja o procedimento, havendo ou não sofrimento físico e psicológico, apenas para beneficiar as pessoas, é uma prática exploratória. Essas atividades não beneficiam os animais de nenhuma maneira. Sem condição de consentir, eles são forçados a participar de estudos para solucionarem problemas que são de responsabilidade da sociedade, não dos animais.


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Cientistas recebem R$ 20 mi para pesquisas em novas proteínas

O Good Food Institute (GFI) divulgou nesta segunda-feira (23) um investimento equivalente a R$ 20 milhões para fomentar pesquisas no campo de proteínas alternativas. Foram contemplados vinte e um cientistas de nove países: Brasil, Austrália, Holanda, Portugal, Sérvia, Suíça, Estados Unidos e Reino Unido.

“Se queremos ver produtos vegetais e carne cultivada se tornarem uma parte fundamental da cadeia global de alimentos, é preciso gerar conhecimento científico por meio de pesquisa” (Foto: Acervo/Lively Days)

Programa criado para apoiar conhecimento científico 

Viabilizado por meio de doações de filantropos visionários, o Programa de Incentivo à Pesquisa do GFI foi criado para apoiar pesquisas de acesso livre que desenvolvam o conhecimento científico nas áreas de proteínas vegetais e carne cultivada – tecnologias que vão revolucionar o sistema de alimentos e contribuir para solução de diversos desafios associados à produção convencional, segundo o instituto.

Irão receber o apoio bioquímicos, engenheiros de tecidos, especialistas em modelagem
computacional, geneticistas de plantas e engenheiros de alimentos cujos projetos buscam
soluções para barreiras técnicas encontradas nas indústrias de proteínas vegetais e carne
cultivada.

Soluções para melhorar sabor, textura e custos 

De acordo com o GFI, o foco é em pesquisas que buscam desenvolver soluções para melhoramento de sabor, textura, custo e escalabilidade de produtos nessas áreas.

Desde o início do Programa de Incentivo à Pesquisa do GFI, em 2019, foram concedidos mais de R$ 35 milhões em forma de financiamento para iniciativas de pesquisa de
acesso livre em todas as áreas da cadeia de produção de alimentos: desde melhoramento de safras, passando por formulação de produtos vegetais a desenvolvimento de cultura de células e bioprocessos para escalar a produção de carne cultivada.

“Se queremos ver produtos vegetais e carne cultivada se tornarem uma parte fundamental da cadeia global de alimentos, é preciso gerar conhecimento científico por meio de pesquisa”, diz Erin Rees Clayton, diretora-associada de Pesquisa e Tecnologia do GFI.

E acrescenta: “No trabalho para encontrar abordagens sustentáveis para atender à demanda global por carne, esse subsídio permitirá preencher lacunas críticas em pesquisa sobre proteínas alternativas, respondendo a questões em aberto e atendendo a necessidades tecnológicas.”

Transformação do sistema global de alimentos

“O sistema global de alimentos está prestes a passar por uma transformação, mas para isso é necessário que a indústria supere desafios tecnológicos significativos que ainda estão
presentes como preço comparável, escalabilidade e comercialização.” diz a Dra. Katherine de Matos, que lidera o Departamento de Ciência e Tecnologia do GFI no Brasil.

“Conhecimento científico robusto e de acesso livre é a base que permitirá o desenvolvimento do setor de proteínas alternativas como um todo. Isso trará as proteínas alternativas para a mesa dos consumidores de forma definitiva.”

Na edição de 2019, o GFI concedeu mais de R$ 15 milhões para 14 projetos de pesquisa de oito países: Canadá, China, Estônia, Israel, Noruega, Sérvia, Reino Unido e Estados Unidos. Essa primeira leva de pesquisas já fez progresso significativo nos últimos doze meses e o Brasil agora faz parte do time de países gerando conhecimento para transformar a produção de alimentos.

Cientistas brasileiras contempladas

Dra. Ana Carla Kawazoe Sato, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): neste
projeto, a pesquisadora estudará a produção de carne vegetal a partir de proteína extraída da folha da mandioca. Um dos potenciais impactos deste projeto está relacionado à
sustentabilidade e à redução de custos de ingredientes de carne vegetal, pois utiliza um
resíduo que seria descartado para a extração da proteína.

Dra. Ana Paula Dionisio, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa –
Agropecuária Tropical): o objetivo deste projeto é desenvolver uma tecnologia
economicamente viável para transformar os resíduos do caju em carne de origem vegetal.
Assim, como um dos benefícios, reduzirá os custos com ingredientes, obtendo valor a partir de um resíduo.

Dra. Caroline Mellinger Silva, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa –
Agroindústria de Alimentos): a pesquisa consistirá na obtenção de proteínas a partir de feijão que serão utilizadas no desenvolvimento de carnes vegetais. Um dos objetivos é otimizar a produção de concentrado e isolado proteico de feijão comum, contribuindo para acelerar o escalonamento de carnes vegetais a partir de um grão muito cultivado.

Para ver a lista completa dos contemplados pelo programa em 2019 e 2020, clique aqui.


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Justiça proíbe Universidade de Maringá (PR) de explorar animais em experimentos

O magistrado estabeleceu multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento


A Justiça proibiu o Departamento de Odontologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, de explorar cachorros e outros animais em experimentos.

A decisão, proferida nesta quinta-feira (9) pelo juiz Fabiano Rodrigo de Souza, da 1ª Vara da Fazenda Pública, estabeleceu multa diária de R$ 1 mil caso a medida seja descumprida.

Foto: Somo_Photography/Pixabay

A proibição atende a um pedido do Ministério Público do Paranpa (MP-PR), feito em 2011. Cerca de 6 mil assinaturas contra os testes em animais foram colhidas na época. Na ocasião, a universidade foi proibida de continuar com os experimentos por uma liminar.

De acordo com o MP, os cães eram submetidos a sofrimento intenso antes e depois das cirurgias. Os procedimentos de morte induzida também eram feitos de maneira irregular e executados por um leigo. As informações são do portal GCM Online.

Em 2011, uma vistoria feita pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) identificou a presença de 14 cachorros no local, sendo dez cães da raça beagle e quatro de raça indefinida.

“Portanto, analisados todos pontos controvertidos e aplicando-se o princípio da proporcionalidade, temos que as pesquisas científicas em questão, além de não terem se mostrado adequadas, porque envolveram maus-tratos dos animais a elas submetidas, tampouco comprovação que a aplicação de suas conclusões em humanos apresente os mesmos efeitos do que nos cães […]”, afirmou o juiz.

Uma testemunha informou que beagles são explorados em testes pela UEM desde a década de 1980.

“Condeno-a na obrigação de não fazer de abster-se, por seu Departamento de Odontologia, de utilizar cães ou quaisquer outros animais em procedimentos experimentais que lhes causem lesões físicas, dor, sofrimento ou morte, ainda que anestesiados, bem como de criar cães de qualquer raça ou sem raça identificada ou de apanhá-los e mantê-los com a sua liberdade cerceada em seu biotério central […]”, concluiu o juiz.

Em setembro de 2019, a universidade foi multada em R$ 10 mil pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), do Ministério da Ciência e Tecnologia, após explorar cães em experimentos.

Em nota, a UEM afirmou que não explora cães em testes desde 2011. “Em resposta a notícia veiculada na imprensa acerca da determinação expedida pelo juiz Fabiano Rodrigo de Souza, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Maringá, proibindo a UEM de usar cachorros em seus experimentos no departamento de Odontologia, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) esclarece a comunidade que desde o ano de 2011 não utiliza cães em pesquisas”, diz a nota.

“Em julho de 2012, por determinação judicial, os animais foram transferidos para os cuidados de uma ONG e o canil foi definitivamente desativado”, completa.


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Atropelamentos de animais silvestres podem antecipar a extinção de espécies

Um levantamento concluiu que 1 milhão de espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção e muitas devem sumir por completo nas próximas décadas


Rodovias como a BR-262, que liga Vitória (ES) a Corumbá (MS), são o cenário onde diversos atropelamentos de animais silvestres, parte deles ameaçada de extinção, acontece. A situação é alarmante e pode antecipar o desaparecimento completo dessas espécies.

No caso da BR-262, o Pantanal, um dos biomas mais importantes do Brasil, é cortado pela rodovia, o que a torna ainda mais ameaçadora para os animais. Mas não só ela. Outras estradas, como a BR-163, a BR-267 e a MS-040, também registram atropelamentos frequentes, a maioria à noite, devido aos hábitos noturnos de algumas espécies e à falta de visibilidade dos motoristas.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

A gravidade da situação fica nítida no relatório publicado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, da ONU. Divulgado em maio de 2019, o documento estima que 1 milhão de espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção e muitas devem sumir por completo nas próximas décadas.

“Com certeza podemos dizer que o atropelamento de animais silvestres é a principal causa de perda crônica de fauna no Brasil, junto com a caça e o tráfico de animais”, disse a bióloga Fernanda Abra, em entrevista a National Geographic Brasil. A profissional ganhou o prêmio Future for Nature Awards 2019, considerado um dos mais importantes do mundo para ações voltadas à preservação de animais silvestres. As informações são da National Geographic Brasil.

A morte em grande quantidade de animais devido ao atropelamento prejudica ainda mais espécies ameaçadas de extinção, também aquelas que possuem reprodução lenta e não aguentam fortes pressões do meio externo, além das que são consideradas topo de cadeia, das quais outras são dependentes no quesito sobrevivência.

Em 1998, ecologista norte-americano Richard T. T. Forman cunhou o termo “ecologia de estradas/rodovias”. Anos antes, em 1970, os biólogos tinham começado a se preocupar com o impacto da malha viária sobre os animais silvestres.

No Brasil, um levantamento publicado em janeiro deste ano na revista científica Ecology concluiu que 21.512 animais foram atropelados nas rodovias. Os dados devem ser usados para construir políticas de proteção à vida selvagem. No entanto, a pesquisadora da Universidade de Lisboa e colaboradora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Clara Grilo, que é uma das líderes do levantamento, lembra que não é possível estabelecer uma relação direta entre o número de atropelamentos e o volume de tráfego dos veículos por falta de dados sobre toda a malha viária do país.

“A nível internacional, ainda não está clara a relação exata entre tráfego rodoviário e o número de atropelamentos de uma forma geral. Pensa-se que, à medida que o tráfego aumenta, o risco de mortalidade aumenta, mas até um certo nível. Há situações em que o tráfego é tão elevado que os indivíduos nem tentam atravessar e as taxas de mortalidade começam a decrescer”, explicou Grilo. De acordo com a pesquisadora, o comportamento diante do tráfego é particular de cada espécie.  “Cada uma responde de forma diferente ao perigo: umas ignoram o tráfego e morrem mais à medida que este aumenta, outras evitam infraestruturas humanas, portanto, têm baixas taxas de mortalidade”, completou.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Outro estudo, feito pelo pesquisador Alex Bager, do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da UFLA, documentou atropelamentos em estradas, rodovias e ferrovias em 20 estados do Brasil. Para isso, o pesquisador percorreu quase 30 mil km e passou por 93 parques nacionais e outras unidades de conservação. A pesquisa, feita entre agosto de 2018 e junho de 2019, encontrou 529 animais atropelados de médio e grande porte. O cachorro-do-mato foi o animal mais atropelado, seguido do tamanduá-mirim, o tatu, o tamanduá-bandeira e as capivaras. O pesquisador registrou ainda anta, lobo-guará e cachorro-vinagre como vítimas.

Segundo Bager, há muitos atropelamentos fora das unidades de conservação, em alguns casos em maior número. “Monitorei a região [Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul] por dois anos e encontrei dois exemplares de Leopardus geoffroy [nome científico do gato-do-mato-grande] atropelados dentro da área da unidade”, disse Bager. “E 19 nos 100 km no entorno. A conclusão é que os animais iam se alimentar da palha do arroz plantado nas proximidades, onde tinha muito rato. E, ao cruzar a rodovia, eram mortos”, completou.

Mamíferos ameaçados

Em um período de dois anos e meio, foram registrados 8.894 atropelamentos de animais silvestres em um trecho de 1.337 km de estradas no Mato Grosso do Sul. O resultado foi exposto por um levantamento feito por Arnaud Desbiez, coordenador do projeto Bandeiras e Rodovias e estudioso dos atropelamentos de mamíferos de médio e grande porte, especialmente tamanduás, em rodovias do estado.

Desbiez também monitorou mais de 40 tamanduás-bandeira, o que permitiu descobrir a extensão do habitat e das relações com as paisagens que circundam as rodovias, levando a estimativas de taxas de mortes, análises dos padrões temporais e espaciais do acidentes, além de ajudar no cálculo do risco de atropelamento para várias espécies e os prováveis impactos em populações. De acordo com o estudo, entre os animais mais atingidos estão o tatu-peba, o cachorro-do-mato, o tatu-galinha e o próprio tamanduá-bandeira.

Segundo o pesquisador, as rodovias cortam pela metade a taxa de crescimento dos tamanduás-bandeira. “Isso significa que eles têm mais dificuldade de se recuperar de outras ameaças, como perda de habitat, conflito com cachorros, fogo, entre outras”, explicou.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Desbiez lembrou ainda que “a MS-040 é a estrada em que temos a maior taxa de mortalidade de antas, o maior mamífero brasileiro terrestre. Isso é terrível porque o acidente com um carro pequeno e uma anta leva à morte dos passageiros. É muito perigoso”.

De acordo com a lei, o administrador rodoviário é o responsável por acidentes com animais. Entre 2003 e 2013, 28.724 casos foram registrados pela Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo – o que representa 3,3% do total das colisões.

Desde agosto de 2018, uma regra da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) determinou que corpos de animais devem ser retirados das estradas a cada 24 horas para serem incinerados, enterrados nas proximidades do acidente ou encaminhados a centros de pesquisa, obedecendo uma série de normas ambientais.

“É um avanço, já que se perdia muito material genético”, afirmou a bióloga Fernanda Abra.

Os animais que sobrevivem são levados para institutos de reabilitação. A Cetesb exige ainda que seja feito um registro de mortes por espécie para produção de políticas de conservação – o que fica difícil diante da necessidade de conhecimentos específicos para tal atividade e do estado de decomposição de muitos animais, o que dificulta a identificação.

O órgão exige também a construção de passagens de fauna associadas a cercas direcionadoras, adequação de pontes, túneis e galerias de drenagens para travessia, placas sinalizadoras e instalação de redutores e radares de velocidade – medidas que, na maior parte das vezes, não são aplicadas em sua totalidade.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Os resultados do primeiro semestre de análise dos atropelamentos estão nas mãos de profissionais como Renata Ramos Mendonça, assessora da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da Cetesb. “A gente ainda está no meio da análise, mas já começamos a perceber onde ocorre mais acidente. E aí vamos conseguir saber, por exemplo, se tem mais atropelamentos em época de colheita de cana ou em época de seca com fogo. A gente vai conseguir ter essa gestão, além de saber a ocorrência de animais, onde se achava que não tinha.”

“Os resultados ainda são muito preliminares, mas, por exemplo, a gente viu que atropelamento de onça-parda não se restringe as unidades de conservação (UC). A gente já pensa ‘tem essa UC aqui, tem que proteger’. Mas [o ponto com mais atropelamentos] está na área de cana”, disse o gerente da diretoria, Camilo Fragoso Giorgi.

Para Giovanni Pengue Filho, diretor geral da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a preocupação com a biodiversidade e a segurança nas rodovias está crescendo. “A gente percebe que nos novos contratos há um aparelhamento melhor com relação ao manejo de fauna. Nos contratos mais antigos, as condições e a legislação eram completamente diferentes”, explicou.

Isso também aconteceu em estradas federais, segundo o diretor de Planejamento e Pesquisa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Guilherme Rodrigues de Mello. Houve, ainda de acordo com o diretor, um investimento de R$ 60 milhões desde 2007 em ações de monitoramento e mitigação de atropelamento de animais silvestres, sendo R$ 55 milhões de 2014 em diante.

Proteção à biodiversidade

Fernanda Abra, pesquisadora reconhecida pelo Future for Nature Awards, trabalha com a redução do impacto das estradas na biodiversidade, coordenando mais de 30 projetos de ecologia de estrada. Ao ser reconhecida pelos jurados, ela recebeu 50 mil euros como premiação e promete usar o dinheiro para testar um sistema que detecta a entrada do animal na rodovia e avisa os motoristas.

“O que reduz atropelamento de fauna é cerca. É a cerca que barra a entrada do animal na rodovia”, afirmou Abra. Combinar cercas com passagens de fauna diminui, segundo Abra, em até 86% o número de atropelamentos.

É preciso, segundo ela, proteger os animais em todos os pontos das rodovias, e não só nos trechos conhecidos por terem mais acidentes. “O deslocamento da fauna acompanha a dinâmica da paisagem. Assim, uma passagem feita entre dois fragmentos de mata, que após algum tempo se transformam em um condomínio ou uma fazenda, não servirá mais como alternativa”, disse Abra. “A fauna migrará em busca de novos locais e novos ‘hot spots’ surgirão”, completou.

Além disso, há passagens específicas para cada espécie. “Temos a mania de acreditar que uma passagem pode ser boa para todas as espécies e isso está longe de ser verdade. Normalmente, um determinado ponto, um ‘hotspot’, abrange uma, no máximo duas espécies. Então, colocar uma medida de mitigação em um ponto pode proteger algumas espécies e deixar outras importantes, de fora”, explicou Bager.

O atropelamento, porém, não é o único problema. Isso porque o isolamento causado pelas rodovias – o chamado “efeito barreira” – também é preocupante. Macacos, por exemplo, não costumam arriscar a travessia e, com isso, não se conectam com outras populações, prejudicando a manutenção da biodiversidade.

Porém, representantes do Dnit e da Artesp afirmam que cercar totalmente as estradas é inviável, inclusive no aspecto financeiro. “Falar em colocar direcionamento em toda rodovia eu acho complexo, porque existem outros aspectos: segurança, travessia de pedestre, passarelas”, disse Filho, o diretor da Artesp. O coordenador de meio ambiente do Dnit, João Felipe Cunha, afirmou também “o orçamento público é comprimido e, às vezes, a gente se vê entre fazer a roçada na lateral pra dar segurança numa curva ou colocar a cerca”.

Répteis e anfíbios são maiores vítimas

Do total de animais atropelados, cerca de 90% são répteis e anfíbios. Além de difíceis de serem visualizados devido ao pequeno tamanho que possuem, a morte deles também não é contabilizada da maneira correta. Isso porque é difícil contabilizá-los, já que seus corpos são retirados do local, em média, em até 11 horas por animais carniceiros, chuva ou pelo fluxo de veículos.

Os anfíbios não percebem que estão em perigo diante dos veículos e precisam migrar, atravessando rodovias, para reproduzir ou interagir com outros animais, conforme explica a bióloga Júlia Beduschi, do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os répteis, por sua vez, são atraídos pelo calor das estradas para autorregular sua temperatura interna, como acontece com as tartarugas, que buscam locais quentes para desovar.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

“Muitas das tartarugas atropeladas que encontramos estavam cheias de ovos. É muito triste”, contou Beduschi.“Há muitos problemas em reduzir populações de anfíbios e répteis. Você pode, por exemplo, aumentar a quantidade de insetos que transmitem doenças ao homem por falta de predadores”, completou.

Ações que visam proteger esses animais estão sendo testadas. Dentre elas, pequenos túneis climatizados seguindo os padrões de cada espécie, cercas inteiriças e passagens aéreas ligando copas de árvores para os arborícolas.

Normas não são aplicadas

As normas que regem o licenciamento de novas obras rodoviárias, no que se refere à proteção da fauna, têm aplicação insatisfatória, segundo pesquisadores. Nos mais de 60 mil quilômetros geridos pelo Dnit no Brasil, há apenas cerca de 500 passagens de fauna. Nas rodovias de responsabilidade da Artesp, são 327 passagens feitas desde 1998.

A única passagem do tipo viaduto criada para proteger os animais está no quilômetro 25,8 da Tamoios (SP-99), na cidade de Paraibuna (SP). No Rio de Janeiro, está sendo construído um viaduto vegetado em cima da BR-101, para proteger o mico-leão-dourado.

O cenário de horror das estradas brasileiras não impediu, porém, a tramitação no Congresso de dois projetos de lei – o PL 984/2019, de autoria do deputado federal Vermelho (PSD) e o PL 61/2013, do senador Álvaro Dias (Podemos) – que pretendem abrir a Estrada do Colono, no Paraná. Fechada em 2001, a estrada corta o Parque Nacional do Iguaçu e já sumiu completamente, tendo sido ocupada pela mata, que cresceu e ocupou o local. Reabri-la significa desmatar 20 hectares em uma unidade de proteção integral e, conforme alertam pesquisadores, colocar os animais que ali vivem em constante perigo, inclusive as onças-pintadas, que estão criticamente ameaçadas de extinção.

A reabertura da estrada seria um retrocesso diante dos esforços de conservação da onça-pintada, que tem dado frutos. Entre 2009 e 2016, o número de animais da espécie que vivem no parque quase dobrou, de acordo com o Projeto Onças do Iguaçu.

Com informações da National Geographic Brasil


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Relatório alerta que as baleias francas correm risco crítico de extinção

O relatório elaborado pela ONG Oceana alertam que restam apenas 400 delas, e menos de 25% são fêmeas reprodutoras responsáveis pela sobrevivência da espécie, sendo que pelo menos 28 morreram nos últimos dois anos


 

Foto: Anderson Cabot Center for Ocean Life
Foto: Anderson Cabot Center for Ocean Life

O futuro da cada vez mais rara baleia-franca-do-atlântico-norte (Eubalaena glacialis) está cada vez mais ameaçado pelos humanos.

Uma vez caçadas quase à extinção, sua população está em declínio acentuado novamente. Qualquer esperança de sobrevivência, dizem os pesquisadores, exige uma ação imediata.

Um novo relatório da Oceana, um ONG que atua em defesa do oceano, diz que, a menos que proteções sejam colocadas em prática, a espécie desaparecerá.

“Em algum momento, se as tendências continuarem nesse ritmo, a recuperação das baleias se tornará simplesmente impossível”, escreveram os pesquisadores.

Restam apenas 400 delas, e menos de 25% são fêmeas reprodutoras responsáveis pela sobrevivência da espécie. Pelo menos 28 morreram nos últimos dois anos, disse à CNN o diretor de campanha da Oceana, Whitney Webber.

O declínio acentuado é causado pela pesca, acidentes com barcos e impacto das mudanças climáticas que afetam seu suprimento de alimentos, de acordo com o relatório.

“Nós realmente não estamos mais vendo as baleias morrerem de causas naturais”, disse ela. “Eles estão morrendo em nossas mãos”.

O declínio é impulsionado pela atividade humana

As baleias-francas-do-atlântico-norte nadam perto da costa e flutuam quando são mortos por isso são o alvo preferido dos baleeiros.

Quando a caça às baleias foi banida em 1935, elas já tinham sido caçadas quase à extinção. Então, nas últimas décadas, essa espécie de baleia encontrou novos inimigos.
Pelo menos 100 baleias francas se enredam em linhas de pesca verticais a cada ano, segundo o relatório. A pesca usa armadilhas e “ancoras” no fundo do oceano com linhas verticais presas às boias para que elas possam ser puxadas para cima quando capturadas.

Mais de 1 milhão de linhas são colocadas nos caminhos de migração das baleias nos EUA e no Canadá, disse Webber. “É um campo minado para elas”, disse ela.

As linhas são extremamente fortes para suportar o peso das ancoras e das armadilhas; portanto, quando as baleias ficam presas nelas, elas costumam arrastá-las por meses, o que as atrasa e torna mais difícil para os mamíferos comerem, se reproduzirem e nadarem.

A linha também corta sua carne, causando infecções que pode matá-las.

Mas esses pescadores perseguem as baleias há anos. As coisas ficaram muito mais terríveis nos últimos dois anos, disse Webber.

Desde 2017, 8% de sua população – 28 baleias – morreram no que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) chamou de “evento incomum de mortalidade”.

Provavelmente porque sua fonte de alimento, um pequeno plâncton chamado copépode, está migrando para águas mais frias mais ao norte, disse Webber. No Canadá, as baleias enfrentam mais linhas de pesca na água e maior tráfego de navios, sem mencionar centenas de quilômetros adicionais em viagens.

Isso significa que a busca por uma refeição pode ser fatal.

Esses problemas causam a baixa taxa de natalidade da baleia. O mamífero não atinge a maturidade sexual até os 10 anos e as fêmeas normalmente dão à luz apenas um filhote a cada três a cinco anos. O estresse causado pelo emaranhamento nas redes de pesca aumentou o período entre os nascimentos para 10 anos, segundo o relatório.

As baleias tinham nomes e famílias

Por haver tão poucas baleias, os pesquisadores mantêm um catálogo delas. Todos têm números, mas algumas, como Punctuation, tinham nomes.

A equipe que os estuda há anos conhece sua linhagem e acompanhou filhotes crescerem se tornarem pais e, em alguns casos, avós.

Punctuation, uma baleia já avó batizada com esse nome por causa das manchas em forma de vírgula e hífen que ela tinha nas costas, foi morta em junho depois que um navio a atingiu, segundo o relatório.

Ela havia sobrevivido a duas colisões de navios anteriores e havia sido pega em linhas de pesca cinco vezes, mas esses ferimentos eram muito graves para sobreviver: seus órgãos começaram a cair por um corte de 1,8m deixado pela colisão em suas costas.

Ela teve oito filhotes entre 1986 e 2016, e dois deles tiveram seus próprios filhos. Muitos de seus bebês morreram em circunstâncias semelhantes.

Os pesquisadores acompanharam a matriarca por 38 anos. Sua morte foi um golpe doloroso, disse Webber.

“Eles conheciam essas baleias”, disse ela. “Eles são muito apegados a elas”.

Existem maneiras de salvá-las

A “extinção funcional” é provável nas próximas décadas se as coisas não mudarem. Os defensores de baleias da Oceana estão trabalhando em uma proposta de remoção das linhas de pesca verticais do Atlântico, mas esse processo pode levar anos para passar pelo governo dos EUA, isso se alcançar as instâncias necessárias.

Enquanto isso, o relatório descreve várias recomendações que podem melhorar o número de baleias francas no Atlântico Norte. Dois são essenciais: interromper o uso das linhas de pesca vertical e aplicar restrições de velocidade no oceano (para embarcações).

A troca das linhas verticais manuais por algo mais de alta tecnologia, como um sistema automatizado, ainda está muito longe, disse Webber. Enquanto isso, a pesca pode ser proibida temporariamente nas áreas onde as linhas são colocadas enquanto as baleias estão nelas.

Nos Estados Unidos, muitas zonas com recomendações de velocidade mais lenta são exatamente isso – recomendações apenas, não restrições obrigatórias. Se os limites de velocidade no oceano forem cumpridos, as colisões de baleias podem cair 86%, disse ela.

Suas vidas impactam a vida do oceano

Ver as baleias extintas seria “horrível, embaraçoso, todo de pior que vc puder imaginar”, disse Webber.

“Toda criatura tem um papel a desempenhar no ecossistema”, disse ela.

Um ecossistema oceânico saudável se traduz em espécies equilibradas, quando um elo da cadeia alimentar desaparece, a perda perturba o equilíbrio do ecossistema, interrompendo o tamanho da população e a presença de predadores e presas naturais.

Se elas se fossem para sempre, o Oceano Atlântico perderia uma de suas maiores e mais raras baleias.

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Estudo revela que os jovens de 16 a 24 anos são os que menos consomem leite de origem animal

Foto: 123RF
Foto: 123RF

Uma pesquisa recentemente publicada, já havia revelado que até um quarto dos consumidores britânicos trocaram o leite de origem animal pelo leite à base de vegetais e, em no mundo todo, os consumidores estão dispostos a pagar o dobro por leites como os feitos de coco, aveia e amêndoa.

Os números mais recentes da empresa de consultoria e inteligência de mercado, Mintel, também descrevem as tendências em todas as faixas etárias e mostram que os jovens entre os 16 e os 24 anos no Reino Unido são os que menos consomem o leite de vaca.

A pesquisa da Mintel sobre o mercado de leite em mudança no Reino Unido levou as seguintes conclusões:

•26% das mulheres preferem leite à base de vegetais

•Um terço (33%) de 16-24s optam por essas variedades.

•O crescimento é em grande parte impulsionado por entrantes de categoria como aveia (vendas cresceram 71% 2017 a 2018), coco (até 16% entre 2017-18) e variantes de amêndoa (até 10% entre 2017-18).

•No entanto, o uso de leites não lácteos é mostrado para ser limitado para cozinhar e uso de bebidas quentes. Apenas 25% dos consumidores de leite à base de vegetais usam esses produtos na culinária. 65% dos usuários de leite à base de vegetais gostariam de receber conselhos sobre como usar as alternativas lácteas na culinária.

•O consumo de leite de vaca caiu de 79% em 2018 para 73% para jovens entre 16 e 24 anos entre 2017 e 2018. O uso de leite de vaca no Reino Unido está agora concentrado entre consumidores mais velhos, com 92% de pessoas acima de 45 anos opções de laticínios.

•Em termos de motivação: 37% dos 16-24s reduziram o consumo de leite de vaca nos últimos 12 meses por razões de saúde, e 16-24s foram mostrados como a faixa etária mais provável (36%) para concordar que a indústria de laticínios é prejudicial para o meio ambiente.

Mercado global de leite de coco em ascensão

De acordo com uma pesquisa realizada pela Market Research Future e divulgada em maio, o crescimento do veganismo está favorecendo o mercado global de leite de coco. Outros fatores que também têm contribuído é a conscientização sobre os benefícios do leite de coco para a saúde e também consumidores que estão abandonando o consumo de laticínios por motivos diversos.

Esses fatores combinados deram ao mercado de leite de coco uma projeção de taxa de crescimento anual composta de pelo menos 14,61% até 2023 – o que pode significar um crescimento de cerca de 2,35 bilhões de dólares nos próximos quatro anos.

“Um dos principais fatores que impulsionam o mercado global de leite de coco é a crescente popularidade do movimento vegano no mundo todo”, informa o relatório.

Foto: Liveorganic.ru
Foto: Liveorganic.ru

E acrescenta: “O leite de coco é uma das principais substâncias visadas pelos fabricantes de produtos veganos, já que os veganos não consomem leite animal e, portanto, dependem de alternativas vegetais, como leite de soja ou leite de coco.”

Embora a Market Research Future também tenha citado outros fatores, a empresa conclui que a popularidade do movimento vegano em áreas desenvolvidas do mundo provavelmente impulsionará o mercado global de leite de coco durante o período de previsão de crescimento.

Entre as empresas citadas como líderes nesse mercado e que devem investir ainda mais na produção de leite de coco está a brasileira DuCoco, que conta com mais de 1,5 mil funcionários, distribuídos em sete fazendas no Ceará, duas fábricas em Itapipoca (CE) e Linhares (ES), e três centros de distribuição e um escritório central em São Paulo.

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Alemanha investe US $780 mil dólares na produção de carne vegana

O governo alemão investiu US $ 780.000 em um projeto de pesquisa que examina novas maneiras de produzir carne vegana com uma textura mais parecida com carne de verdade.

Foto: Quorn

Chamado de Mecanismos de Texturização na Extrusão Molhada de Proteína de Soja e Ervilhao projeto permite que pesquisadores da alemã TU Berlin e do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT) inovem os métodos de produção de carne à base de plantas.

Atualmente, a indústria alimentícia usa um processo de extrusão no qual uma massa crua é misturada com água, aquecida e depois empurrada através de um bico resfriado. A interação entre a temperatura e a pressão é o que cria a textura do produto resultante.

O engenheiro de processo do KIT, Azad Emin, e seus colegas estão concentrando suas pesquisas nessas interações, usando medições precisas, simulações baseadas em computador e visualizações detalhadas da microestrutura da carne vegana, o que lhes permite desenvolver uma compreensão de como a mudança de parâmetros físicos criaria resultados diferentes.

“Desenvolvemos uma abordagem e um método que permitem que o processo seja examinado e controlado com o foco em mudanças na textura”, disse Emin para o ZME Science.

Em uma pesquisa mais aprofundada, Emin espera testar um novo processo que adiciona lipídios e componentes de proteína pré-texturizados à carne vegana para criar um produto que replique a textura fibrosa e mastigável de produtos de origem animal, como peito de frango e bifes.

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Instituto lança programa para premiar pesquisas sobre alimentos veganos

O Good Food Institute anunciou, na última quarta-feira, um programa que premiará até 3 milhões de dólares para projetos de pesquisa sobre comida de origem vegetal ou carne limpa (feita a partir de células animais, em laboratório).

A ideia é que os pesquisadores utilizem alimentos de origem vegetal. (Foto: Freepik)

O Instituto também divulgou uma lista de universidades que possuem o potencial para liderar as pesquisas a respeito do assunto. São 12 focadas em alimentos de origem vegetal e 12 para carne limpa. Na lista, constam universidades americanas, canadenses, chinesas, japonesas, australianas, entre outras.

“Existem tantas questões interessantes a serem respondidas”, defendeu o Diretor de Ciência do GFI, David Welch, ao portal de notícias VegNews. “Quais são os melhores tipos de células e métodos de cultura para produção de carne limpa? Qual cultivo produz a melhor carne de origem vegetal e qual é a melhor de acordo com a região do planeta? É o sonho de uma pessoa curiosa”, acrescentou.

Impacto mundial

O CEO da empresa de carne limpa Memphis Meats, Uma Valeti, que atuava como cardiologista, apoia a iniciativa do Good Food Institute. “Se eu continuasse atuando como cardiologista, poderia salvar umas 500 pessoas nos próximos 30 anos. Mas se eu for capaz de ajudar a mudar a forma com que a carne é feita, posso impactar positivamente a vida de bilhões de pessoas e trilhões de vidas animais”, contou ao VegNews.

As inscrições de pesquisas para o projeto do GFI estão abertas até o dia 21 de novembro. Podem se inscrever pesquisadores de qualquer setor: academia, governo, indústria e organizações não governamentais de todo o mundo. Os vencedores serão anunciados em janeiro.

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Consumo de carne esta ligado ao aumento do desgelo na Antártida

 O derretimento das calotas de gelo na Antártida causará a destruição do habitat de diversos animais como, por exemplo, os pinguins | Foto: Divulgação
O derretimento das calotas de gelo na Antártida causará a destruição do habitat de diversos animais como, por exemplo, os pinguins | Foto: Divulgação

Estudos recentes tem mostrado que a taxa de derretimento do gelo da Antártica triplicou desde 2007, fornecendo mais uma evidência do estado de constante deterioração em que o planeta se encontra.

A destruição do meio ambiente, o aquecimento global e o derretimento do gelo da Antártida parecem problemas imensos e insolúveis, problemas distantes do cotidiano comum. Mas eles são ocorrências iminentes, desastrosas e trágicas.

A Antártica tem vivido seus piores anos e as causas continuam a ser rastreadas até a atividade humana. “O derretimento do gelo e o aquecimento das águas foram todos impulsionados principalmente pelas emissões humanas de gases de efeito estufa”, informou o New York Times no mês passado. A National Geographic compartilhou uma advertência semelhante há quase uma década: “A única maneira de reduzir as temperaturas oceânicas é reduzir drasticamente nossa emissão de gases de efeito estufa”.

Devido a rápida elevação do aquecimento global, os especialistas agora acreditam que o nível do mar subirá 15 centímetros nos próximos 80 anos. Embora isso não pareça muito, é suficiente criar alterações perceptíveis e prejudiciais. “Nas redondezas do Brooklyn, temos inundações uma vez por ano, mas se o nível do mar se elevar em 15 centímetros, isso acontecerá 20 vezes por ano”, disse Andrew Shepherd, professor de Observação da Terra na Universidade de Leeds.

Altos níveis do mar não afetam apenas os habitats de humanos, animais e plantas. Eles afetam tambem a erosão da linha costeira e podem levar a tempestades mais fortes e mais frequentes, incluindo furacões e ciclones. Temperaturas mais quentes nos oceanos também levam à disseminação de espécies invasoras e doenças marinhas, assim como padrões de migração interrompidos e extinção de espécies. Se isso ocorre a partir de pequenas mudanças no nível do mar; imagine se todo o gelo da Antártida derretesse, elevaria o nível do mar do planeta em mais de 60 metros. As consequências de mudanças tão grandes são difíceis de prever.

Uma pesquisa publicada pelo Depto. de Agricultura e Alimentação da ONU revelou que a agricultura animal é responsável por mais emissões de gases de efeito estufa do que os escapamentos de todos os transportes do mundo, incluindo carros, caminhões, aviões e trens, combinados. Além do dióxido de carbono, as vacas produzem 150 bilhões de galões de metano por dia. O potencial de aquecimento global do metano é 86 vezes maior que o do CO2. Além disso, a pecuária é responsável por 65% de todas as emissões humanas de óxido nitroso – um gás que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global do que o dióxido de carbono e permanece na atmosfera por 150 anos.

Então, aposentar o bife e optar por uma alternativa vegana pode fazer a diferença. O derretimento das calotas de gelo e a destruição do habitat de animais como, por exemplo, os pinguins, são razões suficientes para uma mudança de atitude

No entanto, apesar das crescentes evidências comprovando os benefícios (para si mesmo e para o planeta) de se mudar para uma dieta vegana, alguns ainda questionam se essa mudança pode realmente fazer a diferença. Mas a pesquisa indica que essas decisões pessoais são importantes. Um estudo afirmou que, se cada pessoa na América fosse vegana, as emissões de gases de efeito estufa provocadas pela agricultura diminuiriam em 28%. Da mesma forma, pesquisas recentes da Universidade de Oxford apontam que tornar-se vegano é a “melhor e mais eficaz maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra”.

E em menor escala, a pesquisa descobriu cortar consumo de carne pode reduzir sua pegada de carbono pessoal pela metade. No início deste ano, um estudo comparou as emissões de CO2 produzidas por várias refeições, descobrindo que os alimentos à base de plantas têm uma pegada de carbono drasticamente menor do que carne e laticínios. A produção de uma única porção de carne bovina levou à emissão de 330 gramas de carbono, o equivalente a dirigir um carro três quilômetros em apenas uma refeição. Em última análise, são as emissões que impactam o planeta e agravam a crise do derretimento da Antártida.

Em contraste, a produção de alimentos como feijão e lentilhas produziu 1,9 gramas e 2 gramas de carbono, respectivamente. A pesquisadora Maya Almaraz, que trabalhou no estudo de carbono, disse: “Muitas pessoas se sentem realmente desamparadas quando se trata de mudança climática, como se elas não pudessem fazer a diferença. E o que nossa pesquisa está mostrando é que suas decisões pessoais realmente podem ter um grande impacto ”.

O número de consumidores que reconhece o estado de deterioração do planeta e a crescente urgência dos problemas, aumenta a cada dia. E não é só o derretimento do gelo que é tão impactante. A pecuária e seus subprodutos continuam sendo uma das principais causas de perda de água, uso da terra, desertificação, desperdício, desmatamento e a principal causa de extinção de espécies, zonas mortas nos oceanos e poluição da água.

Algumas correntes de opinião dizem que, se todos fossem veganos ou até vegetarianos, o sistema alimentar precisaria produzir mais alimentos à base de vegetais para aguentar o ritmo, o que levaria a um aumento das emissões de qualquer maneira. No entanto, a remoção do gado do sistema alimentar liberaria grandes quantidades de alimento baseado em vegetais para consumo humano. A maioria da aveia, milho, grão e alfafa produzidos, entre outros alimentos, são dados ao gado. Para simplificar, estamos alimentando o gado perfeitamente bem, com ótima comida, só para depois podermos comer esses animais.

O reconhecimento do impacto do veganismo no meio ambiente é algo relativamente novo, mas vem ganhando popularidade. Uma em cada dez pessoas que se inscreveram no Veganuary deste ano o fez por motivos ambientais. O movimento vegano está evoluindo para um estilo de vida multifacetado que reconhece que os alimentos que escolhemos comer impactam no planeta em que vivemos, na nossa própria saúde, em comunidades em todo o mundo e, é claro, na vida do animal que ela custa.

A ligação entre a agricultura animal e o meio ambiente força a reconsideração de como decisões pessoais se estendem além do próprio indivíduo, cada escolha criando um efeito cascata sobre o planeta e seus habitantes. Mesmo escolhas aparentemente pequenas, como a comida que escolhemos comer, ajudam a criar e modelar o mundo ao nosso redor. Se a intenção é poupar vidas de animais, agir em prol da própria saúde ou pelo derretimento do gelo da Antártida, todas as refeições são importantes, e tudo começa com uma escolha compassiva. Como a ambientalista Jane Goodall disse: “Você não pode passar um único dia sem ter um impacto no mundo ao seu redor. Suas atitudes, escolhas, fazem a diferença, e você tem que decidir que tipo de diferença quer fazer.”

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Pesquisa revela novas oportunidades para salvar orangotangos da extinção

Um estudo recente da Universidade de Cardiff expôs novas oportunidades de conservação para os orangotangos, atualmente ameaçados de extinção. As respostas foram obtidas de pesquisas que analisaram os milhares de anos de impacto humano sobre a vida animal.

Um estudo recente da Universidade de Cardiff expôs novas oportunidades de conservação para os orangotangos, atualmente ameaçados de extinção.
Foto: Reprodução/Will Burrard-Lucas

Mike Bruford, professor da Universidade de Cardiff, disse: “Esta pesquisa oferece novas esperanças de como podemos salvar o orangotango da extinção.”

No entanto, ele explicou que o estudo continuado e uma abordagem multifacetada para os esforços de conservação estão em ordem.

O ponto central da pesquisa foi a observação de até 70.000 anos de impacto humano sobre os orangotangos, bem como análises genéticas e comportamentais.

A principal autora do estudo, a professora Stephanie Spehar, disse: “Nossa síntese de evidências fósseis, arqueológicas, genéticas e comportamentais indica que as interações de longo prazo com os seres humanos moldaram os orangotangos de maneiras bastante profundas”.

Anteriormente pensava-se que os animais era exclusivamente moradores de árvores, porém novas evidências sugerem mais flexibilidade.

A descoberta de restos mortais na China, Tailândia e Vietnã indica que os orangotangos já viveram, e ainda podem se adaptar, em ambientes muito além de seus habitats atuais de Bornéu e Sumatra.

Embora se acreditasse que fatores como a disponibilidade de frutas limitavam os animais a esses ambientes, as evidências atuais sugerem que os seres humanos foram mais responsáveis pela concentração geográfica.

A pesquisa também revelou que os orangotangos, que anteriormente eram considerados seres exclusivamente arborícolas, em alguns casos passam um tempo significativo na terra.

São dados como este que sugerem que ângulos alternativos devem ser tomados para proteger a espécie, como foi prescrito por Bruford.

O pesquisador disse: “Só levando essas novas descobertas em conta teremos uma chance de impedir que esse animal incrivelmente importante seja eliminado”.

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Governo submete animais à extrema crueldade em pesquisas nos EUA

Documentos do governo norte-americano revelaram que pesquisadores do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA) – agência similar ao Ministério da Agricultura do Brasil –  submeteram animais à extrema crueldade durante a realização de pesquisas.

(Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Os casos ocorreram em 12 laboratórios em 2017 e colocaram à prova o argumento do governo de que padrões de bem-estar animal são respeitados no país. As informações foram obtidas pelo projeto White Coat Waste (Desperdícios do Colarinho Branco, em tradução livre), que é encabeçado por um grupo de advogados.

Os relatórios registram, entre outras situações, a morte de 32 pintinhos em decorrência de altas temperaturas no ambiente em que eram mantidos – que alcançaram 54 graus Celsius -, segundo documentos obtidos pelo The Washington Post, além do contágio proposital de filhotes de gatos por toxoplasmose.

Em junho de 2017, no Centro de Pesquisa de Carnes (MARC), porcos foram encontrados com arranhões e ferimentos abertos após brigas causadas pela permanência no mesmo recinto de animais que deveriam ser mantidos separados. Nenhum deles recebeu tratamento veterinário. Além disso, no local havia porcos, cordeiros e bois em um cocho de comida que respiravam de forma rápida e ofegante, com a língua para fora, expondo sinais de desconforto com o calor.

(Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

“Nenhum desses animais estava em tratamento no momento da inspeção”, disse Debbie Cunningham, inspetor da USDA. “Feridas não tratadas podem ser dolorosas e levar ao sofrimento prolongados, além de infecções. Eles precisam ser examinados por um veterinário”, acrescentou.

O MARC está entre os laboratórios que foram autuados mais de uma vez em auditorias preliminares, antes mesmo de serem formalmente inspecionados, devido à irregularidades.

Os casos, entretanto, não tiveram início no ano passado. Uma investigação do New York Times expôs, em 2015, o sofrimento de animais abandonados para morrer por pesquisadores, sem cuidados médicos, após sofrerem ferimentos. Na época, o Congresso determinou que os laboratórios do USDA convocassem um comitê de cuidados animais e se submetessem periodicamente a inspeções, o que provocou mudanças mas não foi capaz de acabar com todas as irregularidades.

“Há várias mortes e incidentes horríveis com animais acontecendo no USDA”, lamentou Mimi Brody, diretora de assuntos governamentais na Humane Society. “Mesmo que esses casos sejam extremos, por que estão acontecendo?”, questionou. As informações são do portal Gazeta do Povo.

Além dos pintinhos mortos devido às altas temperaturas e dos gatos contaminados por toxoplasmose, os documentos registraram a morte de 15 patos no Laboratório de Oncologia e Doenças Aviárias, em Esat Lansing, no Michigan, e de 38 perus no Centro Nacional de Doenças Animais, em Ames. Os patos morreram após “dias sem acesso à água”, enquanto a morte dos perus, que ocorreu de forma inesperada, foi devido à fome, já que exames demonstraram que o sistema digestivo deles estava vazio e encolhido, o que significa que eles não receberam quantidades suficientes de alimento.

(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

O professor de medicina veterinária da Universidade de Nebraska, Dr. James Keen, saiu do MARC em 2014 após denunciar publicamente os maus-tratos impostos aos animais no laboratório. “Isso me dá nojo, francamente”, reforçou o professor. “A fome não acontece do dia para a noite, então isso indica negligencia crônica e crueldade com os animais. Essas descobertas indicam que os cuidados com a saúde e o bem-estar dos animais não são uma prioridade para o USDA”, completou.

Além das violações registradas durante as inspeções oficiais, o MARC, o Laboratório de Pesquisa de Plantas Venenosas – onde os pintinhos foram mortos -, o Laboratório de Oncologia e Doenças Aviárias e o Centro Nacional de Doenças Animais também foram citados nos relatórios por descumprir regras de bem-estar animal durante as auditorias pré-inspeção, sendo que o MARC foi citado em 33 violações e os outros três laboratórios, em sete cada.

Os relatórios, que passaram a ser obrigatórios em 2016, preocupam alguns congressistas. “Há mais de um ano, a Unidade Geral de Inspeção Departamento de Agricultura afirmou publicamente que o Serviço de Pesquisa da Agricultura admitia que não priorizou suas próprias políticas de bem-estar animal”, disse a republicana Nita Lowel. “Esses relatórios demonstram que esse padrão perturbador e terrível continua, o que é inaceitável. A gestão da agência precisa tomar atitudes para resolver esses fracassos”, acrescentou.

Gatos com toxoplasmose

O caso dos gatos infectados com toxoplasmose foi registrado de forma separada, sem relação com os relatórios de inspeção. Os animais foram contaminados no Laboratório de Doenças Parasitárias de Beltsville, em Maryland. Pesquisadores alimentaram os filhotes com carne infectada e coletaram parasitas nos excrementos deles para estudo, segundo documentos de protocolos. Depois, os gatos foram sacrificados e incinerados.

A forma do laboratório agir com os gatos foi duramente criticada por pessoas que acreditam que os animais deveriam ser tratados para serem encaminhados para adoção, não sacrificados, já que a toxoplasmose em gatos tem cura.

“Os gatos são perfeitamente saudáveis, e o USDA admite isso em seus relatórios”, disse o vice-presidente de defesa de políticas públicas do White Coat Waste, Justin Goodman.

Críticos das pesquisas afirmam que há questões que precisam ser respondidas pelo USDA, entre elas: por que a supervisão e os novos recursos não bastaram pra a correção das ações contra o bem-estar animal já que, segundo o ex-veterinário do MARC, Dr. James Keen, tais ações não apenas feriram animais, como podem ter invalidado e distorcido experimentos.

Um porta-voz do USDA, que preferiu não se identificar, defendeu os experimentos cruéis feitos em gatos e afirmou que os animais não são destinados à adoção porque eles podem ter o parasita no organismo. O argumento, entretanto, é rebatido por Goodman, que lembra que o “CDC afirma que é perfeitamente possível manter gatos tratados de toxoplasmose como animais domésticos”, mas que “o Departamento de Agricultura continua matando-os de qualquer forma”.

O USDA, por sua vez, posicionou-se dizendo que possui 41 laboratórios e que eles estão em “conformidade com as melhores práticas de gestão em pesquisa animal”. No entanto, os relatórios, que mostram as crueldades impostas aos animais, mostram uma versão contrária à apresentada pelo órgão, o que, inclusive, fez com que grupos de proteção animal contatassem o Congresso para solicitar o aumento da supervisão aos laboratórios.

A Humane Society também se posicionou e solicitou ao Departamento da Agricultura que mais relatórios de inspeção sejam publicados para que medidas públicas possam ser tomadas para corrigir as irregularidades. De acordo com Mimi Brody, a entidade teme que os maus-tratos continuem ocorrendo.

“Quando você observa problemas dessa seriedade, é preciso tomar medidas para resolvê-los, e não apenas tomar notas”, afirmou Brody. “Essa perspectiva é uma tendência alarmante”, acrescentou.

Outra medida tomada foi a apresentação de um projeto, de autoria dos deputados republicanos Mije Bishop e Jimmy Panetta, para proibir a USDA de explorar gatos em qualquer experimento que cause dor ou estresse.

Nota da Redação: a ANDA se posiciona veementemente contra qualquer experimento com animais. Isso porque não se pode admitir que animais sejam covardemente explorados como se fossem objetos descartáveis que são infectados com doenças, sentem dor e estresse e, na maior parte das vezes, acabam mortos. Os animais existem para viver de acordo com propósitos próprios e, portanto, não devem ser vítimas de experimentos para atender às necessidades humanas. 

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O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor (Foto: AGERSENS)
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Estudo propõe alterar geneticamente animais alegando prezar pelo ‘bem-estar’ animal

Um estudo da Universidade de Oxford foi premiado recentemente em Ética Prática, cuja temática era: “Por que ‘devemos’ alterar geneticamente animais ‘usados em fazendas de fábrica’, e defendia alterações genéticas em animais que são explorados pela indústria da agricultura em prol de ‘sentirem menos dor’ e ‘reduzir o sofrimento dos animais, propondo o que chamou de ‘agricultura industrial mais ética’.

Sem cogitar a possibilidade de retirar os animais dessas situações antiéticas, em primeiro lugar, são comuns propostas como esta, realizada pelo estudante Jonathan Latimer. O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor, e enquadra a proposta como uma resposta às preocupações com o bem-estar dos animais de criação.

O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor (Foto: AGERSENS)
O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor (Foto: AGERSENS)

Conforme defendido pelo Ecorazzi, realizar tais alterações no gene dos animais seria, puramente, alterar princípios básicos de liberdade de suas vidas. Modificar funções corporais não os isenta do trauma psicológico gravíssimo que são expostos durante a vida de exploração que sofrem.

Peter Singer é filósofo e professor australiano, que foi citado por Latimer, já que argumentou que os animais se interessam em evitar o sofrimento, portanto, eticamente, tais alterações deveriam ser consideradas. Singer também defende que, se os animais vivem ‘boas vidas em condições naturais para suas espécies e são, então, humanamente mortos na fazenda’, não é antiético matar e usá-los.

Tal raciocínio se demonstra falho quando, em primeira instância, sequer questiona-se se os humanos têm ou não o direito de utilizar os animais, em primeiro lugar. E embora as práticas do estudo de Latimer ainda não tenham ocorrido, a alteração genética de animais na indústria de agricultura animal não seria novidade.

Práticas como acelerar o crescimento de frangos para tamanhos anormais e projetar vacas, ovelhas e cabras de forma a aumentar a produção de proteínas específicas em seu leite são apenas alguns exemplos que vêm ocorrendo há décadas.

A modificação genética pode até fazer sentido no que se trata à economia dos proprietários de fazendas, cujo objetivo principal é criar os animais de forma eficiente para a obtenção de lucro.

A consideração pela vida dos animais em locais de exploração para indústria da agricultura é quase nula, e geralmente não valeria o investimento para os investidores, que venderiam os animais ao mesmo preço.

Porém, é possível, sim, que Latimer tenha prezado o bem-estar animal em sua pesquisa. Mas é provável que seja mais fácil criar animais que não sejam resistentes a práticas dolorosas, e a verdadeira questão a ser levada em consideração é que os animais estão sendo, mais uma vez, privados do direito à liberdade de suas vidas.

Latimer falhou em não considerar, também, a dor não física. O sofrimento e traumas psicológicos sofridos por animais são inúmeros, e criar ‘soluções’ para tornar os problemas mais éticos não aborda o problema em questão. A não exploração animal em nenhuma instância do consumo humano, sim.

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