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Estudo alerta que orcas podem desaparecer do planeta nas próximas décadas

Orcas tem sua existência ameaçada por uma conjunção de fatores | Foto: Natalya Zelenova/SHUTTERSTOCK
Orcas tem sua existência ameaçada por uma conjunção de fatores | Foto: Natalya Zelenova/SHUTTERSTOCK

As orcas carregam o estigma de baleias assassinas, porém, elas pertencem a família dos golfinhos. Esses mamíferos de dimensões gigantes são criaturas marinhas inteligentes e gentis, que vivem em estrutura de família, e se assemelham muito aos seres humanos quando se trata de inteligência emocional. Infelizmente, esses animais gigantes e indefesos estão em risco, graças às atividades humanas tanto no passado e como no presente.

Um novo estudo conduzido por Jean-Pierre Desforges e publicado na revista Science, mostra evidências que mais da metade das populações de orcas do mundo podem sofrer um completo colapso ou, no mínimo, um declínio severo nos próximos 30 a 50 anos. Das 19 populações de orcas selvagens que ainda restam no planeta, o último estudo prevê que 10 delas terão uma queda acentuada e significativa em seus números e até mesmo podem chegar a zero nas próximas décadas.

A principal ameaça responsável por essa massiva extinção de baleias é um grupo de produtos químicos tóxicos chamados bifenilos policlorados (PCBs). Esses perigosos compostos carcinogênicos foram proibidos nos Estados Unidos décadas atrás, em 1979. Mesmo assim, o estudo de Desforges revelou que eles ainda estão presentes em grandes quantidades nos oceanos ao redor do globo, particularmente no hemisfério norte.

Descobriu-se, de fato, que as populações de orcas nesta região apresentavam fortes sinais de contaminação por PCBs, e os efeitos contínuos dessas substâncias químicas ameaçam a sobrevivência desses majestosos animais. Especificamente, os PCBs estão interferindo na reprodução e no sistema imunológico das orcas, além de mudar seus comportamentos inatos de maneiras que podem ser mortais.

Desforges descreveu esta descoberta alarmante para a National Geographic como “Um grupo de produtos químicos que pensávamos não ser mais uma ameaça ainda está presente em concentrações tamanhas que continuam a representar um risco significativo”.

O cientista classifica os resultados como “assustadores”, especialmente considerando que os PCBs são apenas uma entre as muitas ameaças que as orcas enfrentam atualmente. Também é motivo de grande preocupação o fato de que as populações de salmão Chinook – a principal fonte de alimento das orcas residentes do Sul – vêm diminuindo rapidamente nos últimos anos devido ao excesso de pesca na região, à perda de habitat e à poluição. Como resultado, os cetáceos estão morrendo de fome e perdendo suas crias a um ritmo sem precedentes.

Para piorar a situação, o tráfego de embarcações nos oceanos está interferindo na capacidade das orcas de se comunicarem umas com as outras e usar a ecolocalização, dificultando ainda mais sua busca por alimentos.

Em última análise, a situação das orcas está sendo impulsionada por uma teia complicada de fatores, e todos eles apontam para um destino sombrio para estes animais num futuro próximo. A boa notícia é que ainda resta algum tempo para a tomada de ações urgentes e emergenciais e sólidas.

Reduzindo o consumo de frutos do mar, a demanda por peixes – dos quais muitas vezes as orcas dependem para sobreviver – tende a cair e a sobrepesca que ameça estes animais acompanha esse processo. Além disso, o abandono do uso de sacolas plásticas também tem impacto na redução da poluição oceânica, o que, por sua vez, beneficiará não só as orcas como tantas outras criaturas do mar.

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Poluente banido há 40 anos pode levar à morte metade das orcas do oceano em 50 anos

De acordo com cientistas, uma substância química tóxica que estava banida por quarenta anos poderia matar metade das orcas. Bifenilos policlorados (PCBs) foram banidos pela primeira vez em 1978 e são extremamente duráveis, permanecendo em ecossistemas até quatro décadas depois de serem proibidos.

A química perigosa se acumula no topo da cadeia alimentar e tem um impacto desastroso na fertilidade e no sistema imunológico de um animal. Cientistas descobriram níveis preocupantes de PCBs no tecido de orcas.

Eles acreditam que este poluente artificial de longa duração poderia levar ao desaparecimento de metade de sua população nos próximos 30 a 50 anos. Pesquisadores mediram a quantidade de PCBs em tecidos de orcas e encontraram até 1300 miligramas por quilo na gordura do animal.

Esse poluente acumula-se a cada passo da cadeia alimentar, tornando o principal predador o mais afetado pelos produtos químicos tóxicos.

Sobre o poluente

Bifenilos policlorados (PCBs) são compostos orgânicos produzidos pelo homem. Eles foram usados ​​como refrigerante no início do século 20, pois são difíceis de queimar.

Essa propriedade os tornou úteis como fluidos de resfriamento e isolamento para transformadores e capacitores. Também são extremamente duráveis ​​e não são biodegradáveis ​​com facilidade.

Durante as décadas de 1970 e 1980, os PCBs foram banidos em vários países. Em 2004, por meio da Convenção de Estocolmo, mais de 90 países se comprometeram a eliminar gradualmente os grandes estoques de PCBs.

O abandono da substância química mortal não a impediu de prejudicar os ecossistemas hoje, pois os PCBs são altamente duráveis ​​e demoram a se decompor no meio ambiente.

Estudos anteriores descobriram que animais com apenas 50 miligramas por quilo de PCB em seus tecidos podem ter sérios problemas de saúde, como infertilidade e enfraquecimento do sistema imunológico.

A pesquisa, publicada na revista Science, mediu a contaminação química em 351 baleias de 19 populações separadas de orcas. Descobriu-se que o número de orcas está diminuindo rapidamente em 10 desses grupos.

Animais com apenas 50 miligramas por quilo de PCB podem ter sérios problemas de saúde, como infertilidade e enfraquecimento do sistema imunológico (Foto: Daily Mail Online)

 

Ameaça aos animais

Os pesquisadores disseram que as orcas são particularmente ameaçadas em áreas altamente contaminadas, como as águas próximas ao Brasil, ao Estreito de Gibraltar e ao redor do Reino Unido.

O Dr. Jean-Pierre Desforges, da Universidade de Aarhus, disse que modelos matemáticos mostram que o número de orcas nessas áreas foi praticamente reduzido pela metade durante o meio século em que os PCBs estiveram presentes.

Ele disse: “Populações do animal que vivem na costa da Groenlândia também foram dizimadas, já que a maioria de sua dieta é composta de grandes mamíferos marinhos, como focas”.

A professora Ailsa Hall, que junto com Bernie McConnell desenvolveu os modelos usados ​​pela Sea Mammal Research Unit na Escócia, disse: “Nessas áreas, raramente observamos baleias assassinas de recém-nascidos”.

O alcance da baleia assassina selvagem é vasto, com vagens conhecidas por residir em todo o mundo, tornando o animal um dos mamíferos mais difundidos na Terra.

Os cientistas dizem que, apesar de conquistar todos os oceanos do mundo, os animais só prosperam em áreas com poluição mínima.

Como as orcas são mamíferos que alimentam seus filhotes com leite da mãe, isso infelizmente agravou a questão, pois permite que os PCB passem pelo leite rico em gordura da mãe para o bezerro.

A sobrepesca e a poluição sonora também estão afetando negativamente a saúde dos predadores do topo.

 

 

 

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