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Denúncia de abusos sofridos por elefantes leva agência de turismo a banir os passeios de seus roteiros de viagem

Elefantes são torturados durante o "treinamento", que inclui anzóis enfiados debaixo de suas unhas e choques | Foto: Divulgação
Elefantes são torturados durante o “treinamento”, que inclui anzóis enfiados debaixo de suas unhas e choques | Foto: Divulgação

 

A Insight Guides, companhia de viagens internacional com quase 50 anos de existência e uma das maiores do mundo, tomou a decisão de não promover mais passeios de elefantes. A página que descrevia os passeios no site da empresa, já foi inclusive, retirada do ar.

A empresa juntou-se à TUI Group – a maior empresa de viagens e turismo do mundo, proprietária da TUI e da First Choice – bem como a Responsible Travel, a Intrepid Travel, a DK e a G Adventures, assumindo o compromisso de não promover mais os passeios.

Um recente inspeção – divulgada no vídeo abaixo pela PETA – em um dos pontos turísticos mais visitados da Índia, a fortaleza histórica Amber Fort em Jaipur, mostra os abusos sofridos pelos elefantes usados nesses passeios.

Os animais são separados à força de suas mães quando ainda bebês, amarrados cruelmente com cordas apertadas ao extremo e feridos com anzóis ou madeiras pontudas por baixo de suas unhas durante “o treinamento”.

Foi comprovado que os elefantes eram obrigados a fazer os passeios mesmo sofrendo abusos sérios e incapacitantes.

Um certificado de propriedade atesta (entre outros documentos) que os 102 elefantes inspecionados são mantidos ilegalmente. Vinte e oito elefantes já tem mais de 50 anos, pela idade avançada eles não poderiam executar esse tipo de trabalho (carregar turistas nas costas).

Dez deles tinham tuberculose, doença que pode ser transmitidas para humanos.

Foi constatado que dezenove elefantes estavam totalmente ou parcialmente cegos, o que representa um perigo para eles mesmos e para o público.

Muitos tinham machucados graves nas pernas que eram escondidos com tinta preta. Todos os elefantes tinham problemas nos pés, como rachaduras gigantes nas unhas e a sola das patas superutilizadas e por isso desgastadas e até parcialmente destruídas.

Movimentos repetitivos e balançar de cabeças compulsivo foram observados em todos os animais, o que indica severo stress psicológico e zoocose.

As presas de quarenta e sete elefantes foram cortadas o que representa uma violação ao Ato de Proteção da Vida Selvagem de 1972. Provavelmente elas foram usadas para abastecer o comércio (proibido) desse tipo de material.

E além de todos os abusos e danos causados a esses animais, o peso que os elefantes carregam ainda viola o limite permitido pelo governo, que é de de 200kg.

Exemplo de Compaixão

A diretora da PETA, Elisa Allen, chamou a Insight Guides de exemplo de compaixão. Segundo ela, são tradições arcaicas que forçam elefantes, animais extremamente sociais e altamente inteligentes a fazer passeios, que devem ser rejeitadas e excluídas dos guias de viagem imediatamente.

“A PETA exorta os viajantes a manterem exibições de animais de qualquer tipo fora de seus itinerários, e a decisão do Insight Guides ajudará a evitar que os turistas apóiem inadvertidamente a crueldade contra os animais”

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Destaques, Notícias

Morte de turista chama atenção para abusos no turismo animal

Por Oliver Holmes/The Guardian (Tradução: Dhamirah Hashim/ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais)

Elefante

A morte de um turista britânico que foi pisoteado por um elefante na Tailândia esta semana tem reenergizado campanhas para acabar com as práticas abusivas generalizadas no setor de turismo de animais no país.

Edwin Wiek, um proeminente ativista dos direitos animais, disse que vai pressionar os políticos tailandeses para regular a indústria, citando os perigos para os turistas que pagam para montar elefantes ou tirar fotografias com tigres em cativeiro.

Os elefantes podem ser dóceis, mas também são propensos a ataques de raiva se agitados. O treinamento brutal de elefantes de trekking pode torná-los ainda mais perigosos, dizem ambientalistas.

A ONG World Animal Protection diz que elefantes são treinados para se submeter a dar passeios quando são tirados de suas mães como bebês e forçados através de um processo selvagem de formação conhecido como “the crush”. Vídeos desta operação na Tailândia foram vazados, em que os elefantes são contidos em pequenas gaiolas e espancados.

Na segunda-feira, Gareth Crowe, de 36 anos, da Escócia, foi morto por um elefante durante um passeio com a sua enteada Eilidh, de 16, na ilha de férias de Koh Samui. O treinador do elefante, ou mahout, havia desmontado para tirar uma fotografia da dupla quando o animal, chamado Golf, o atacou.

Crowe foi jogado para baixo, pisado e ferido após o manipulador tentar sem sucesso controlar o animal com uma lança.

Gareth Crowe morreu após ser atacado por um elefante durante um passeio
Gareth Crowe morreu após ser atacado por um elefante durante um passeio

Embora seja impossível dizer o que causou o elefante a matar Crowe, Wiek disse que o macho adulto podia estar no cio, uma condição periódica caracterizada por um aumento nos hormônios reprodutivos que podem fazer elefantes machos violentos. “Eles se tornam muito imprevisíveis,” disse ele. “Imagine 6.000 quilos de carne com tesão.”

Samattapong Uttama, diretor-assistente da Island Safari, a empresa de turismo que possui Golf, disse que o elefante estava sendo rigorosamente monitorado após o ataque. “Suspendemos todas as operações por 10 a 15 dias enquanto revemos nossos procedimentos,” disse Samattapong por telefone.

Samattapong disse que seus mahouts foram “estritamente ditos que não deviam usar a ponta afiada da lança”, que a empresa não era cruel com seus nove elefantes em trabalho, e que seguem de perto as leis de direitos animais da Tailândia.

Wiek, fundador da Wildlife Friends Foundation of Thailand, disse que, além de documentos que provam a guarda dos animais, os 80 campos de elefante na Tailândia, que em conjunto detêm 2.800 elefantes, não estão devidamente regulamentados.

A peça principal de legislatura do reino para evitar o abuso animal, aprovado por 188 a 1 em um voto parlamentar de 2014, protege “animais de shows”, mas na maior parte das vezes tem sido interpretado para cobrir negligência de cães e gatos domésticos.

Sek Wannamethee, um porta-voz do Ministério do Exterior, disse que a Tailândia tinha outras regulamentações específicas que promovem o bem-estar dos elefantes. “A execução, acompanhamento e avaliação dessas leis e regulamentos são constantemente realizadas em todo o país,” disse Sek, acrescentando que o governo tailandês “leva a questão da crueldade contra os animais a sério.”

Ativistas dizem que mais legalização e aumento da fiscalização é necessária. Em um zoológico na periferia da capital, orangotangos são treinados para boxear uns aos outros para o entretenimento dos espectadores.

O abuso também tem sido relatado em parques de tigres da Tailândia, onde os turistas podem tirar fotos com filhotes e adultos. No mês passado, um vídeo mostrou um manipulador socando um tigre no rosto, e em 2014 um turista australiano foi ferido gravemente. A World Animal Protection diz que 614 tigres estão sendo mantidos em tais locais.

Atrações animais são um grande negócio na Tailândia, e o setor do turismo como um todo responde por cerca de 10% do PIB. Em uma indicação do dinheiro que os elefantes podem gerar, uma fêmea bebê é estimada no valor de até £ 35.000.

A Freeland, uma organização que aborda o tráfico de animais selvagens, disse que na maioria das vezes os elefantes foram retirados do meio natural, muitas vezes do vizinho Myanmar. Há uma estimativa de 3.000 elefantes selvagens na Tailândia, e algumas dezenas de elefantes ainda são utilizados em operações florestais.

A Tiger Temple da Tailândia, onde cerca de 150 tigres vivem, tem enfrentado acusações de envolvimento no comércio ilegal de animais silvestres. O porta-voz do Ministério do Exterior Sek disse que o governo começou a mover alguns tigres para unidades de conservação da vida selvagem na semana passada.

Mas o setor é resiliente, mesmo quando os turistas são atacados. Houveram seis ataques fatais de elefantes ao longo dos últimos seis meses na Tailândia, de acordo com Wiek. “Eu acho que devemos explorar este momento no sentido positivo, dizendo ao governo tailandês para começar a pensar em legislatura real”, disse ele.

Vários santuários de elefantes foram criados na Tailândia, onde não são permitidos passeios, mas os visitantes podem ver os animais – muitas vezes elefantes mais velhos que foram resgatados de campos de elefantes – em áreas abertas.

A Elephant Nature Park, na província de Chiang Mai, no norte da Tailândia, permite que os visitantes alimentem, caminhem ao lado e banhem elefantes. Seu fundador Sangduen Chailert viaja para campos de elefantes para treinar mahouts em cuidados básicos de saúde, dieta e tratamento adequado. Os turistas também estão autorizados a voluntariar no acampamento, embora o seguro privado é obrigatório.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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