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Partido pelos Animais de Portugal defende felicidade dos humanos e não humanos

O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) quer consagrar na Constituição a capacidade dos animais de sentirem dor ou prazer e bem-estar.

A felicidade, dos seres humanos e não humanos é uma preocupação central de Paulo Borges, um dos quatro fundadores do novo partido. Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa, Borges é presidente da Associação Agostinho da Silva, do Movimento Internacional Lusófono e da União Budista Portuguesa, além de ser um dos fundadores da Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões. O político tenciona candidatar-se à presidência do partido.

Por que considera necessário criar um partido pelos animais e pela natureza e não apenas um movimento?

Pensamos que em Portugal não existe um partido que coloque a relação do homem com os animais e com a natureza no centro das suas preocupações e é esse o objetivo do nosso partido. E, a partir daí, repensar toda a política, toda a organização social e todo o paradigma do desenvolvimento económico. Existem muitas associações de defesa dos animais e do ambiente, muitos movimentos ecológicos e tem havido uma intervenção cívica nesse sentido. Mas depois isso não se traduz em nada se não houver representação política no Parlamento.

Mas existem outros partidos com preocupações ecológicas, como o Partido Ecologista Os Verdes (PEV), com assento parlamentar.

O PEV lamentavelmente não tem tido essa ação. Nós respeitamos o trabalho deles, mas o PEV não tem tido um projeto alternativo, fora do próprio projecto do PCP e da coligação da CDU.

O programa do PAN inclui um programa de Governo ou pretendem focar-se apenas nas questões dos animais e da natureza?

Nós começamos por ser um partido de causas, a nossa ideia é criar uma força política que seja uma voz ativa em defesa dos seres mais oprimidos, sejam humanos ou não humanos, e em defesa do equilíbrio ecológico do qual todos nós dependemos. Mas um partido de causas que tenha esta abrangência tem que ter uma visão da sociedade global. Nesse sentido, nós temos já grupos de trabalho nas mais diversas áreas que estão a preparar um futuro programa político, que será um programa abrangente, onde podemos encontrar uma proposta para a sociedade no seu todo. E nesse sentido porque não assumi-lo como um programa de governo?

E quais seriam as bases desse programa?

No fundo, a assunção de um programa de governo em que se visasse ao bem-estar e a felicidade. Quer dos seres humanos, quer dos seres não humanos. Onde as pessoas não vivessem para trabalhar. Já se tem falado que talvez o mais importante não seja o produto interno bruto, mas a felicidade interna bruta. Foi o primeiro-ministro do Nepal que surgiu com esta ideia e nós achamos muito interessante.

Como pretendem alterar os hábitos alimentares dos portugueses?

O que nós propomos não é obviamente que todos os portugueses se tornem vegetarianos, mas que as pessoas reflitam sobre o impacto do excessivo consumo de carne. Nós propomos, por exemplo, um dia vegetariano por semana. Isto é assumido em muitas cidades da Europa. Geralmente, ou é à segunda ou à terça-feira. As pessoas abstêm-se voluntariamente de comer carne como contributo para o bem-estar dos animais e para o equilíbrio ecológico. Isto é uma coisa perfeitamente acessível aos portugueses, ninguém morre por ser vegetariano um dia por semana. E assim até pode descobrir que se sente melhor com esta alimentação e querer aumentar os dias em que não come carne.

Numa altura em que a tendência é para reduzir os apoios do Estado, como pretendem introduzir a possibilidade de dedução no IRS de medicamentos, cuidados veterinários e alimentação dos animais de estimação?

Nós estamos aqui para contrariar as tendências dominantes. E sabemos que vamos contra a política actual do Governo, mas vamos a favor de uma necessidade social existente: há muitas pessoas em Portugal que têm animais de estimação e para as quais eles são muito importantes, não são meros objetos, meros adereços, são uma companhia. E essas pessoas, muitas delas idosas, vivem muitas vezes com pensões irrisórias e ainda têm que suportar os gastos com os seus animais, que são fundamentais para elas. É da mais elementar justiça que essas pessoas possam ver os gastos que têm com os seus animais deduzidos no IRS.

A que eleições pretendem concorrer? E pensam fazer coligações?

Nós queremos concorrer a todos os actos eleitorais. As primeiras, em princípio, serão as legislativas. Se houver eleições antecipadas, estamos a organizar-nos para concorrermos no maior número possível de distritos. Neste momento, a nossa intenção é candidatarmo-nos sozinhos, até para testar a nossa força eleitoral. O futuro dirá acerca da oportunidade e viabilidade de coligações.

E que resultados esperam obter?

Nós queremos ter representação. Admitimos que, fazendo um bom trabalho, podemos ter entre um e três deputados.

Fonte: Indymedia

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Novo partido, em Portugal, quer incentivar população a excluir carne da sua alimentação

Foto: Reprodução/PAN

A alteração dos hábitos alimentares dos portugueses, nomeadamente da carne, a comparticipação de medicinas alternativas e a criação de uma polícia para as questões animais são propostas do futuro programa político do Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN).

Os responsáveis do PAN, constituído este mês, apresentaram hoje em Lisboa a sua declaração de princípios e objetivos, que servirá de base ao programa político do partido, a aprovar no primeiro congresso, que deverá decorrer dentro de três meses.

“O PAN é um partido de causas, que abraça as três grandes causas – humanitária, animal e ecológico-ambiental -, considerando-as inseparáveis”, anunciou Paulo Borges, da comissão coordenadora do partido, que assume como um dos objetivos a luta contra “todas as formas de discriminação e violência contra os animais, combatendo o especismo como parente próximo do escravagismo, racismo, sexismo e classicismo”.

O novo partido quer consagrar na Constituição da República a “senciência dos animais (capacidade deste sentirem) e o seu direito à vida e ao bem-estar” e alterar o Código Civil, “onde são reduzidos ao estatuto de coisas”, e defende, para já, “uma efetiva aplicação da lei existente e a punição dos seus infratores”, propondo a criação de uma “unidade policial especificamente voltada para as questões animais”.

O partido sugere a realização de uma campanha educativa “no sentido da progressiva alteração dos hábitos alimentares dos portugueses, em particular o consumo de carne “, alertando para o impacto negativo da pecuária intensiva sobre a saúde pública e o ambiente, nomeadamente na desflorestação e maior emissão de gases que contribuem para o aquecimento global.

“Os animais são as grandes vítimas dessa aberração chamada indústria da carne, mas também somos todos nós, porque os animais que nós comemos são animais doentes”, afirmou Paulo Borges, acrescentando que, segundo “estatísticas recentes feitas nos Estados Unidos”, todo “o investimento de energia, de trabalho, de riqueza, de cereais e água que é feito para alimentar o gado bastaria para alimentar diretamente 800 milhões de pessoas”.

A redução das taxas sobre os produtos de origem natural, o aumento das taxas sobre os produtos da agropecuária intensiva, a obrigatoriedade de existência de opções vegetarianas nas escolas, cantinas públicas e restaurantes são outras propostas do PAN.

A proibição de “todos os espetáculos que causem sofrimento físico e psicológico aos animais” e a “abolição total da experimentação” em animais são outros princípios defendidos pelo PAN, que pretende ainda a existência de hospitais veterinários comparticipados, a reestruturação dos canis e gatis.

Fonte: iOnline

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