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Partido dos Animais de Portugal manifesta-se contra venda de animais

O PAN/M – Partido dos Animais, manifestou-se ontem contra a venda de animais em lojas, considerando que tal provoca “grande sofrimento” aos animais.

Segundo Lucília Ferreira, “muitas vezes as pessoas não pensam no sofrimento que está por detrás dos animais expostos, que por vezes não têm condições nenhumas, passando fome e sede”.

Lembrando que as “pessoas já foram vendidas em mercados de escravos”, Lucília Ferreira defende que as “mentalidades têm de evoluir”, pelo que “apelamos às pessoas para que não comprem animais em lojas, pois há muito sofrimento por detrás disso”.

Fonte: Jornal da Madeira

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12 Razões para participar da marcha-protesto contra a tauromaquia, em Portugal

Paulo Borges
via Partido Pelos Animais

No dia 10 de abril vou sair à rua e participar da marcha-protesto contra as touradas, em Portugal, porque:

1. Sinto ser fundamental dever de todo o ser humano ser solidário com todos os seres sencientes, em especial os que mais sofrem e os mais indefesos, humanos ou não humanos.

2. Considero o especismo – a discriminação, opressão e instrumentalização de seres de espécie diferente – tão repugnante e injustificável como o racismo, o esclavagismo e o sexismo. E estou farto de viver num mundo onde se considera normal que um número imenso de seres, iguais a mim na capacidade de sentirem dor, prazer e emoções, seja quotidiana, sistemática e desnecessariamente sacrificado para a alimentação, o vestuário e o divertimento cruel dos humanos. Estou farto de viver num mundo de holocausto encoberto e silenciado.

3. Considero que a luta pela libertação dos animais é inseparável da luta pela libertação dos homens de todas as formas de opressão e exploração e que podem e devem ser travadas em simultâneo.

4. Considero que lutar pelos direitos dos animais torna os homens melhores, mais conscientes, sensíveis e generosos, individual e coletivamente.

5. Considero que maltratar os animais ofende não só as vítimas mas também os agressores, no mínimo degradando-os enquanto seres humanos. Conforme vários estudos demonstram, violentar os animais predispõe para violentar os humanos. Saio portanto à rua pelo bem de todos, vítimas e agressores, num espírito não violento.

6. Quero melhorar o meu país e o mundo e lutar para que em Portugal os animais deixem de ser considerados objetos pelo Código Civil. Quero que o seu direito à vida e ao bem-estar seja reconhecido pela lei e que os atentados contra eles sejam efetivamente punidos.

7. Estou farto de viver num país onde, havendo tantas causas nobres e urgentes pelas quais lutar, humanitárias, animalistas e ecológicas, só vejo as multidões moverem-se para encher centros comerciais, estádios de futebol e ouvirem candidatos políticos que, mal eleitos, fazem precisamente o contrário do que prometeram. E estou farto de ver outras multidões aparvalharem-se em frente a programas de televisão medíocres ou distraírem-se das necessidades alheias com prazeres egoístas.

8. Estou farto de viver num país onde todos criticam tudo, mas poucos tomam a iniciativa de serem a diferença que desejam para o mundo. E respeito mas não aceito justificações espirituais e intelectuais para não se agir também no exterior, como se interior e exterior, ou conhecimento e ação, estivessem separados.

9. Acho inadmissível, enquanto cidadão, professor, escritor e agente cultural, que a tauromaquia seja promovida no Conselho Nacional de Cultura, com o dinheiro dos contribuintes, só porque a atual ministra é uma aficionada e leva os seus perniciosos gostos pessoais, bem como os interesses de um lobby minoritário, contrários à sensibilidade da maioria da população, para o exercício de um alto cargo público. Acho escandaloso e um autêntico insulto que a arte de torturar seres pacíficos e indefesos seja equiparada à atividade de todos aqueles que promovem a evolução das mentalidades criando beleza e aumentando a inteligibilidade do mundo.

10. Aprendi com Buda, São Francisco de Assis, Antero de Quental, Gandhi, Agostinho da Silva e o XIV Dalai Lama, entre muitos outros, que todos os seres são igualmente dignos de amor e compaixão e, também como membro e representante da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva, do Movimento Outro Portugal e do Partido pelos Animais, quero ser fiel ao que tão ilustres mestres e professores me ensinaram.

11. Reconheço a minha imperfeição e quero tornar-me um ser humano melhor, sabendo que não basta vir um dia para a rua, mas que isso é um testemunho fundamental para que o poder político, os órgãos de comunicação social e a opinião pública saibam que há quem não se conforme e que as vítimas mudas e indefesas têm uma voz que as defende.

12. Saio à rua no dia 10 de abril porque estou farto de viver num país e num mundo dominados por todos os tipos de lobbies, à excepção de um, que quero ajudar a criar: o lobby da consciência ética, da sensibilidade, do amor e da compaixão, que nos faça decidir sempre em prol do bem comum de todos os seres e do equilíbrio ecológico. E saio à rua no dia 10 de abril porque sei que estas e/ou outras são as tuas razões, amiga/amigo leitor(a), e que lá te encontrarei para caminharmos lado a lado por um mundo melhor para todos, humanos e não humanos. 

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Entrevistas

Partido dos Animais: experiência única que vem da Holanda

foto de Niko KoffemanCriado em 2002, o Partido dos Animais da Holanda reune pessoas que acreditam ser possível defender politicamente o interesse dos bichos. Inicialmente visto com descrença, o partido foi pouco a pouco se colocando como uma alternativa real para aqueles que se preocupavam com a forma como os animais são tratados. Para grande surpresa dos críticos, em 2006 o partido conquistou duas das 150 cadeiras do parlamento. Em 2007, nas eleições distritais da Holanda, foram mais nove cadeiras num total de oito províncias, e uma cadeira no senado. O cargo de senador pelo Partido dos Animais é hoje ocupado por Niko Koffeman, economista formado pela Universidade de Roterdam e um dos idealizadores do partido. Koffeman é desde a juventude ativista pelos Direitos dos Animais. Participou de campanhas contra o uso de animais em laboratório, contra esportes exploratórios e as caçadas promovidas pela família Real da Holanda. Antes de entrar para o Partido dos Animais, ele trabalhou como consultor em comunicação e estratégias de propaganda para o Partido Socialista. Durante este período, ajudou o partido a conquistar suas primeiras 25 cadeiras no congresso. Hoje Koffeman, além de senador, também atua em outras organizações, como a Fundação Nicolas G. Pierson (espécie de braço científico do Partido dos Animais). Ano passado, esta fundação produziu o DVD “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente). O filme é uma resposta ao filme de Al Gore, que vergonhosamente não fala sobre a questão da carne e da pecuária. Também é co-fundador da Wakker Dier, uma organização que luta pela abolição das fazendas industriais. Ele concedeu uma entrevista exclusiva à repórter da ANDA, Mariana Hoffmann, durante o 12º Festival Internacional Vegano realizado entre os dias 22 e 25 de julho no Rio de Janeiro, promovido pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

ANDA – Qual a importância de criar um partido para defender os animais?

Niko – Os grupos de ativismo animal normalmente entram na esfera política falando com políticos de suas questões, mas estes políticos logo os esquecem, pois estão mais preocupados com outras coisas. Já existindo um partido animal, a questão ganha visibilidade e relevância contínua. Outra vantagem é que, criando um partido político formal se afasta a ideia de que ativistas animais são “terroristas” (infelizmente esta ideia ainda é forte na Holanda, por conta do assassinato de um político holandês em 2002 cometido por um ativista dos direitos dos animais).

ANDA – O senhor falou que considera uma vergonha ter que existir um partido para defender os animais. Pode explicar?

Niko – É uma vergonha que tenha que existir um “Partido Animal”, esperamos que ele deixe de ser necessário no futuro. E isso pode acontecer se os outros partidos passarem a perceber a relevância das questões dos Direitos dos Animais e efetivamente incluam nos seus programas essas questões. Já há uma busca maior dos partidos tradicionais por tais temas devido a própria existência do Partido dos Animais. Mas quanto mais um tema é visto como fundamental, menos necessária é a sua defesa.

ANDA – Apesar de ter poucas cadeiras o Partido dos Animais é influente?

Niko – Sim, o Partido dos Animais é o partido que mais cresce na Holanda (começou há 7 anos com 3 pessoas e hoje inclui cerca de 10 mil, muitos sendo eleitores que antes não votavam sequer, por não se sentirem ouvidos). Nosso partido está por trás dos principais debates sobre os Direitos dos Animais e bem-estarismo no parlamento, temos uma força política maior que nossa dimensão no congresso (que hoje conta com 2 participantes). Os outros partidos temem tal crescimento, percebem que o povo considera importante as questões colocadas por nós, percebem a aplicação dos 4 princípios básicos do partido e buscam nossos congressistas para “desempatar” votações importantes.

ANDA – Quais são os princípios básicos do partido?

Niko – Nossos princípios são Compaixão, Sustentabilidade, Liberdade Pessoal e Responsabilidade Pessoal. Não somos de direita ou de esquerda, mas primamos por estes valores que são ou deveriam ser universais.

ANDA –  Imagino que muitas pessoas devem criticá-los por defender apenas os animais.

Niko – Sim, isso ocorre com frequência. Muitas pessoas nos dizem “como vocês podem estar preocupados com os animais se há tantas pessoas morrendo de fome no mundo?”. Então explicamos que a fome no mundo tem tudo a ver com a maneira com que nos relacionamos com os animais, que grande parte da produção agrícola vai para os rebanhos de gado ao invés de alimentarem populações inteiras. E isso porque damos preferência a uma dieta baseada no consumo de carne. Enfim, fazemos esta ponte, e muitos ficam surpresos com esta realidade.

ANDA – Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como ativista e político.

Niko – Antes de entrar para o Partido Animal eu trabalhava como consultor em comunicação e estratégias de propaganda para o Partido Socialista. Durante este período, auxiliei o partido a conquistar 25 cadeiras no congresso, partindo do zero. Também atuo em diversas organizações, uma delas é a Fundação Nicolas G. Pierson, que é uma espécie de braço científico do Partido dos Animais. Ano passado, esta fundação produziu o DVD “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente). O filme é uma resposta ao filme de Al Gore, que vergonhosamente não fala sobre a questão da carne e da pecuária. Como ativista, já fiz campanhas contra os esportes de caça e contra as caçadas promovidas pela família Royal. Também sou co-fundador da Wakker Dier, uma organização que luta pela abolição das fazendas industriais.

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