Notícias

Desaparecimento da cadela Papaya em Areia (PB) completa 40 dias

Foto: Anne-Hélène Berçon/Arquivo pessoal

Hoje completa 40 dias que a cadelinha Papaya desapareceu sem deixar vestígios na cidade de Areia, na Paraíba. O drama do casal de estrangeiros Hélène Berçon e Marco Cid Capo os fez cancelar a viagem, que já atravessou três países em uma kombi, para buscar respostas sobre o paradeiro da cachorra. Papaya não é vista desde o dia 27 de junho e cada dia sem notícias de seu destino angustia seus tutores.

Em uma entrevista exclusiva à ANDA, Hélène rememora o último momento em que a viu. “Nós queríamos dar um passeio com Papaya após um jogo da Copa da Mundo. Começamos a caminhar, os três saindo do posto, e o Marcos estava fechando a kombi, enquanto eu segurava a corrente com a Papaya. Ela começou a tirar a corrente e eu achei que ela queria ir ao banheiro e como ela sempre faz isso, sempre deixo ela solta para que faças suas coisas tranquila. Nesse momento ela correu muito e rápido e eu não prestei atenção porque é normal que ela faça isso. Eu fiquei esperando que ela voltasse e ela não voltou”, disse.

Papaya viaja com o casal há um ano e meio e foi adotada ainda bebê. A tutora conta que a cadelinha é especialmente importante para a continuação do projeto de viagem, que até agora já percorreu o Chile, e a Argentina, sendo o Brasil o terceiro destino. Hélène conta que a cachorra esteve presente desde o inicio da empreitada, em outubro de 2016, e cresceu enquanto pegavam a estrada.

Foto: Anne-Hélène Berçon/Arquivo pessoal

“Ela é nossa companheira de viagem, é como uma filha, é parte integrante da família. Na verdade tudo começou com ela também. Ela estava no começo desse projeto. Quando começamos a construir nossa casinha na kombi, ela estava sempre perto, era muito pequena, mas ela viu tudo isso, faz parte de tudo isso. Começamos a viagem com ela. Ela foi crescendo dentro desta kombi conosco. O último um ano e meio foi com a Papaya, desde pequenininha até adulta. Ela sempre morou nessa kombi. Ela não conhece o que é ter uma casa, ter um território. Para ela, sua casa é a kombi e sua vida normal é viajar”, afirma.

Hélène explica também que o desaparecimento da cadelinha alterou drasticamente a rotina do casal. Ele caminharam pela cidade, visitaram regiões de mata e conversaram com o máximo de pessoas possíveis. Após fazerem um vídeo de divulgação, muitos voluntários apareceram e se prontificaram a ajudá-los nas buscas. Infelizmente a maioria das pistas se mostraram infrutíferas, mas não tirou a esperança dos tutores de encontrá-la. Mesmo após um mês do desaparecimento, o casal continua espalhando cartazes e paralisam as buscas apenas às 19h, quando usam a kombi para vender pizzas, para arrecadar verba suficiente para mantê-los na cidade enquanto Papaya não é encontrada.

Até momento surgiram duas novas pistas que podem indicar ao menos os últimos locais em que a cadela foi vista. Segundo Hélène, uma família que mora perto do Campus II, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), afirma que no dia 27 de junho uma cadelinha muito assustada entrou em sua residência, tremendo, após estampidos de fogos de artifício. Uma jovem moradora do local levou a cadela de volta à rua e sem encontrar seus tutores, a deixou novamente à própria sorte. Uma segunda pista aponta que uma cadela com as características físicas de Papaya foi vista dentro do Campus tentando entrar em um ônibus e em alguns momentos chegando a deitar embaixo dele, um comportamento que a Papaya tinha em relação à kombi e pareceu fielmente reproduzido.

A tutora conta que a pior parte de tudo é não ter informações sobre o estado da cachorrinha, uma situação que está causando muita dor. “Estamos com muitas saudades, porque não é como uma cachorra que você deixa em casa e vai trabalhar e na volta você dá carinho. Essa cachorra esteve conosco há um ano e meio, a cada dia e a cada momento. Tudo era compartilhado com ela. Ela estava sempre conosco. Todo dia, toda noite. Viajamos, fizemos trilha, sempre juntos. Ela nunca esteve sozinha e nós nunca estivemos sozinhos sem ela. Então quando um membro da família desaparece. Há um desequilíbrio. Falta algo. Sentimos falta e também sentimos preocupação. ‘Onde ela está? está bem? Está com fome?’. Não sabemos nada. O pior é não saber como ela está. Acreditamos que ela está viva, pois não encontramos pistas de nenhum animal morto por aqui. Acreditamos que ela está vivaa, mas não sabemos em que condições. Não quero pensar que ela esteja presa com correntes, porque ela foi criada na liberdade. Ela gosta de correr, não gosta de correntes. Se ela está presa, deve estar muito triste. Deve estar chorando. Sentimos preocupação e saudade também”, disse.

O casal cogitou seguir viagem e eleger pessoas em Areia (PB) para serem responsáveis por filtrar informações caso Papaya fosse reencontrada, mas Hélène e Marco demoveram desta intenção e continuarão na cidade em busca da cadelinha amada. “Não podemos ir embora, não podemos desistir”, asseverou.

Foto: Anne-Hélène Berçon/Arquivo pessoal

Uma hipótese cogitada pelos tutores da cachorra é que ela tenha sido encontrada e adotada por pessoas humildes, sem acesso à internet ou que tenha sido levada para zonas mais rurais, com meios de comunicação limitados. Apesar da dificuldade de suportar os dias e noites sem notícias de Papaya, a chama da esperança ainda está acessa e eles não pretendem desistir tão cedo de dar um desfecho a esta comovente história.

Quem tiver qualquer informações sobre a cadelinha, contate o casal através do telefone (WhatsApp): 84 9124-5145.

​Read More