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Imagens de satélite de universidade podem explicar origem de óleo no Nordeste

A descoberta foi feita pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal)


Um estudo encontrou um padrão característico de manchas de óleo no oceano, nas proximidades das cidades de Tamaraju e Prado, na Bahia, que podem ajudar a identificar a origem do vazamento que atingiu o Nordeste. Os dados são resultados de uma pesquisa feita pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Foto: Reprodução/Jornal de Brasília

“Tivemos um grande impacto, pois, pela primeira vez, encontramos uma assinatura espacial diferenciada. Ela mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar. Com isso, levantamos a hipótese de que a poluição pode ter sido causada por um grande vazamento em minas de petróleo ou, pela sua localização, pode ter ocorrido até mesmo na região do Pré-Sal”, alertou o pesquisador Humberto Barbosa, do Lapis, em entrevista ao portal Gazeta Web.

De acordo com mapeamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), toda a região sedimentar observada pelo pesquisador está nas proximidades de áreas de exploração de petróleo.

Nos últimos 60 dias, o pesquisador já havia encontrado, por meio das imagens de satélite, manchas menores de óleo que não permitiam identificar um padrão de vazamento. A imagem que possibilitou maior precisão sobre o vazamento só foi registrada na segunda-feira (28).

Técnicas sofisticadas de processamento foram utilizadas no estudo. “É como a montagem de um quebra-cabeça, com peças muito dispersas, que são as manchas muito espalhadas pelas correntezas no Litoral do Nordeste do Brasil, principalmente nas faixas costeiras. De repente, você encontra uma peça-chave, mais lógica, foi o que ocorreu ontem ao encontrar essa imagem. Foi a primeira vez que observamos, para esse caso, uma imagem de satélite que detectou uma faixa da mancha de óleo original, ainda não fragmentada e ainda não carregada pelas correntezas”, explicou Barbosa.

Segundo ele, as imagens são registradas pelo satélite com um intervalo de seis dias. “Foi um trabalho exaustivo e desafiante, tendo que esperar seis dias para que o satélite voltasse a mesma área onde começou”, relatou Barbosa.

O satélite identificou ainda manchas de óleo no Sudeste, nas proximidades da costa do Espírito Santo, mas com um padrão diferente do que foi localizado perto do litoral baiano. “Essas imagens, capturadas pelo Sentinel-1A, mostram que há pequenas quantidades de óleo espalhadas pelo oceano, motivo porque o Brasil precisa estabelecer um monitoramento mais consistente do oceano. Mas a quantidade de petróleo identificada na imagem de ontem, próximo à Costa da Bahia, é de uma enorme extensão”, alertou Barbosa.

FOTO: REPRODUÇÃO/LAPIS

A localização do óleo indica, segundo o pesquisador, que se trata de algo muito maior que um derramamento acidental ou proposital de óleo feito por um navio e que esse é um vazamento resultante de uma perfuração abaixo da superfície do mar.

A Comissão do Senado que está acompanhando a questão do vazamento de óleo foi comunicada na terça-feira (29) pelo Laboratório sobre o resultado do estudo.

Ibama diz que mancha não é óleo

Uma nota técnica do Ibama, divulgada nesta quarta-feira (30), afirma que a mancha encontrada na Bahia não é óleo. O órgão vai contra resultados de estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que confirmavam a existência do óleo na região.

De acordo com o Ibama, a mancha é, provavelmente, uma célula meteorológica em condições de atividade intensa.

Não é plausível associar tal feição suspeita registrada na imagem de radar do Satélite Sennel como feição com caracteres de derramamento oleoso, pois suas características texturais e multiespectrais, mais ainda e principalmente as condições meteorológicas locais, apontam para a ocorrência de uma célula meteorológica de alta intensidade”, diz a nota técnica.

Segundo o Instituto, a mancha “encontra-se posicionada geograficamente próxima a uma região com condições meteoceanográficas inadequadas para fins de monitoramento de feições de poluição por óleo”.


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Veganismo: é a hora!

Quando estava preparando uma palestra para o 12º Festival Vegano Internacional, no ano passado, chamada “Veganismo: um estilo de vida revolucionário”, pensei muito na questão e me indaguei: “é uma pessoa vegana um herói?” Gostaria de considerar que fosse.

Em uma aula com meu professor favorito no mundo, Dr. Lauro Mendes, estudei Macunaíma  e usei o trabalho de Joseph Campbell, o mitologista e escritor americano. Segundo Campbell, a mitologia universal sempre tem um elemento em comum, que ele chamou de “monomyth”: o padrão circular de um protagonista (o herói) que sai do seu mundo conhecido para um mundo desconhecido. Neste modelo, o protagonista  confronta o antagonista (o vilão), tem as batalhas, o vence, e volta ao mundo conhecido para compartilhar com os outros algum conhecimento que melhora aquela sociedade. O protagonista inspira os outros em função de ter sobrevivido a essas aventuras e experiências perigosas e, por isso, é transformado: “o herói”.

Fiz um trabalho em que comparei a ideia de Campbell com o livro de Mario de Andrade para ver se Macunaíma, o “herói nacional do Brasil”, também seguia o padrão do mito universal. Então, para me preparar antes da palestra, decidi fazer outra leitura de Macunaíma, pois queria mostrar que, usando esta comparação, o vegano é, sim, um herói.

Qualquer um pode perceber o paralelo entre o arquétipo do herói universal e um vegano. Seguimos o padrão porque, como o herói, saímos do mundo conhecido (onde consumíamos animais) e ingressamos no mundo desconhecido (de vegetarianismo/veganismo/ativismo).  Temos que batalhar contra os vilões  (como os da indústria de carne), os vencemos com as nossas novas armas (uma nova definição de comida, receitas, ONGs, livros sobre vegetarianismo etc.). E voltamos  ao mundo conhecido: nossa família ou  nossos amigos (ou qualquer outra pessoa) para compartilhar as experiências positivas e as vantagens que esta nova vida vegana nos dá. Na minha opinião, fazemos a jornada do herói e somos heróis!

Sempre gostei desse padrão do “monomyth” apresentado por Campbell, provavelmente porque é um círculo e fiz o meu mestrado com o título  “A imagem do círculo como um símbolo da perfeição na poesia bilaquiana”. O problema é quando seguimos este padrão circular na jornada e voltamos  ao lugar onde começamos.

O padrão universal do mito pode ser o nosso problema. Segundo o modelo que apresentou Campbell, o herói volta e o padrão faz uma “revolução”, mas não avança a um outro nível. Qual será, então, o problema  com a ideia de “revolução”?

Os Beatles chamaram o seu 7º álbum “Revolver”. A palavra “revolver” pode significar “voltar outra vez” (re-volver, como em espanhol “voltar”) ou pode ser o nome de uma arma. Mas tenho outra pergunta: estamos nós, veganos e ativistas, nesse círculo vicioso de “revolucão”? A palavra “revolucionário” tem uma conotação de violência. Se o veganismo é revolucionário, segundo a definição histôrica, tem um elemento violento de fundo. Pode ser, portanto,  que  isto esteja impedindo o nosso progresso com um movimento, em vez de realmente produzir mudanças positivas para a nossa espécie?

Estamos repetindo as mesmas jornadas antigas em que temos batalhas, em que lutamos contra um vilão? Estamos achando que lutamos contra o inimigo mas estamos sendo percebidos como o inimigo? Gastamos energia lutando de uma maneira em que só quem é o mais forte ganha? Gastamos energia nos debates com “os outros” que veem os animais como comida, roupa, entretenimento, produtos, coisas, tentando convencê-los a ver a nossa perspetiva?

As ações de ativismo podem ser interpretadas como se fossem atos violentos. Na verdade, lutar é lutar e isto é um ato de violência. Será que temos o resultado que desejamos depois de gastar tanta energia? Se repetimos a mesma coisa e temos sempre o mesmo resultado, estamos seguindo este padrão circular (o círculo vicioso) e isto é a definição de loucura.

Outra razão do meu interesse em fazer um estudo do livro com a história de Macunaíma era para uma palestra de veganismo, em que eu queria elaborar a ideia de “antropofagia” (o consumo de carne humana), que se repete várias vezes no livro.

Segundo Campbell, é outro elemento comum que sempre vemos na mitologia. Há personagens que demonstravam este outro elemento comum na mitologia universal de antropofagia no livro Macunaíma, como nos seguintes exemplos: “Piaimã, o comedor de gente,” Mianiquê-Tiebe, “que vinha pra engolir o herói”, Ceiuci, que diz a Macunaíma “Te come, hein!,” e Pondê, “o bicho… que virava dente de noite e engolia os estradeiros”.  Essa ideia de comer um ao outro para ingerir e assimilar todas as suas forças e qualidades é comum através das culturas que são consideradas “primitivas” (e aparece na literatura e nas histórias folclóricas) .

Acho, também, que é a antropofagia a base do hábito que ainda existe hoje em dia de consumir os animais. A ideia que mobilizou as tribos primitivas a comerem seus inimigos é a mesma ideia que está de fundo na premissa que assumimos de que  “é preciso consumir carne de um animal para nos fortalecermos”.  É a mesma ideia antiga, só que desatualizada.

É hora de mudar essa ideologia que está nos mantendo como uma sociedade do passado. Precisamos, como uma sociedade, mudar qualquer pensamento arcaico e primitivo: que é preciso consumir animais ou que os animais estão aqui para nos servir. Se continuarmos tentando convencer as pessoas com argumentos (de ser vegano porque é bom para o meio ambiente, para a saúde, para os animais) usando aquela maneira antiga (de batalhas, com força, antagonista contra protagonista), continuamos a seguir esse mesmo círculo vicioso que aparece em toda a literatura das épocas antigas. Estamos avançando ou estamos voltando aos velhos hábitos?

Em vez de revolução, devemos vivenciar uma evolução — uma evolução de consciência. Tudo tem que evoluir, incluindo o nosso ativismo.  Quando sentimos que não estamos fazendo nenhuma diferença (especialmente considerando quantos animais estão morrendo e quão rapidamente), ou se não confiamos que o que fazemos vai ter um impacto bastante grande, é porque estamos usando métodos primitivos  e violentos: o conflito entre bom/mau, herói/vilão, nós/os outros.

Hoje (hoje mesmo, agora, neste momento) é o momento certo para termos uma nova ideia e um novo movimento. Como todos as outras ideias tiveram que mudar para que as pessoas aceitassem uma nova realidade (como nos anos antigos: escravidão, racismo, desigualdades etc.), agora mesmo é o momento em que temos que mudar a nossa ideologia para que possamos realmente nos modificar. A perspectiva  tem que mudar primeiro e temos que ter uma evolução da consciência antes de ter uma mudança de hábito ou estilo de vida. E a perspectiva só pode mudar quando percebemos que o que sente o nosso inimigo é o que também sentimos.  Entendemos que somos UM só e temos compaixão suficiente para entender a verdade universal de que o que eu faço ao meu inimigo vai voltar para mim. É o momento de sairmos desse padrão primitivo do “monomyth”.

Precisamos, como ativistas, apresentar uma ideia bem mais simples: precisamos ser veganos porque é a hora de viver uma evolução de consciência. Não precisamos de outra ideia, e não tem que ser um argumento  nem debate. Todas a informações que os ativistas transmitem, tal como as razões de serem veganos, para convencer  aos outros são realmente consequências e benefícios da escolha pelo veganismo. A nossa nova mensagem deve ser: É fundamental termos um mundo vegano para a nossa sobrevivência como sociedade e também para o futuro do nosso planeta. Precisamos ser veganos e precisamos ter um mundo vegano porque a hora de produzir um impacto positivo já chegou.

Em 1929, Edwin Hubble descobriu que o universo está expandindo. No mesmo ano, Einstein viu que errou porque tinha considerado estático o universo (que ele chamou de “o constante cosmológico”) e admitiu que foi um dos maiores erros  na sua famosa teoria geral de relatividade. Estamos em 2010 e temos evoluído muito em algumas áreas desde então. Assim como o nosso universo, a nossa consciência está expandindo. Um dia, em breve, um mundo vegano vai ser uma realidade. Confio nisso porque, como tudo no universo, os pensamantos primitivos das pessoas não são estáticos. Vejo evidências por todo o globo de que os pensamentos estão expandindo e evoluindo. E continuo acreditando com todo o meu coração que os pensamentos criam a realidade, sabendo que os pensamentos das pessoas que ainda não são veganas vão continuar a expandir até chegarmos ao ponto na nossa história em que um animal existe porque existe, e não por causa de nenhuma outra razão.

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Carne culpada

A carne vermelha não foi absolvida como causadora de doenças: vegetarianos têm mais saúde.
 
Todos os estudos que compararam a saúde de vegetarianos com a de onívoros demonstraram claramente que vegetarianos apresentam menor incidência de todas as patologias comparadas.

A alegação de que isso é decorrente do estilo de vida dos vegetarianos não pode ser considerada como real, pois semi-vegetarianos (pessoas que ingerem carnes até três vezes por semana) demonstram ingestão de nutrientes muito parecida com a dos vegetarianos e, mesmo assim, apresentam maior prevalência de muitas patologias quando comparados com os vegetarianos.

Fato curioso é que em todos os estudos vegetarianos apresentam padrão de consumo de alimentos mais saudável e adequado do que onívoros. Poderíamos pensar que isso ocorreu, pois vegetarianos são mais preocupados com a própria saúde do que onívoros, mas não é verdade! Estudo (tese de mestrado da nutricionista Jussara Rorigues) realizado no Congresso Vegetariano Mundial em 2004 demonstrou que apenas 27,8% das pessoas se tornaram vegetarianas por razão de saúde, sendo o princípio ético o motivo que impulsionou 53% das pessoas a se tornarem vegetarianas.

Assim, não podemos considerar que é a saúde o principal motivo que leva as pessoas a se tornarem vegetarianas.

 O fato é que sempre os vegetarianos têm padrão alimentar melhor do que onívoros. Por quê? Não temos resposta exata para a constatação, mas ela é suficiente para que estimulemos as pessoas a não consumir carnes.

 A alegação de que o consumo de carne magra em pequenas porções (100 gramas por dia) e apenas cozida seja saudável é teoria sem comprovação científica. Não foram realizados estudos científicos que comprovaram que, utilizando a carne dessa forma, a incidência de doenças seja menor do que não utilizar carne de modo algum. Utilizar a carne em pequena quantidade e apenas cozida, apesar de ser menos nociva do que o seu uso como churrasco, frita, assada, ou como embutidos (salame, presunto) – formas comprovadamente promotoras de câncer – não é garantia de que isso seja mais saudável do que não comê-la. Caso você opte por essa escolha, saiba que está fazendo uma experiência com seu corpo.

A Pirâmide de Harvard, baseada nessas informações colocou a carne vermelha no topo da pirâmide, juntamente com óleos e doces. Isso significa: se comer, consuma o mínimo possível.
 
A Associação Dietética Americana e Nutricionistas do Canadá são muito claras na orientação de que profissionais da área da nutrição têm o dever de apoiar e encorajar os que desejam se tornar vegetarianos.
 

O Dr. Eric Slywitch é especialista em Nutrologia, Nutrição Clínica, Nutrição Enteral e Parenteral e coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira. É também coordenador da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital e Maternidade Santa Marina, em São Paulo.

FonteVida Integral

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