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Homem é multado em R$ 37,5 mil por aprisionar animais silvestres em cativeiro

Pacas e cutias que eram mantidas em cativeiro pelo homem foram resgatadas


Um homem foi multado em R$ 37,5 mil por aprisionar animais silvestres em cativeiro em Toledo, no interior do estado do Paraná.

Foto: Divulgação/Polícia Ambiental

Sete pacas e cinco cutias foram encontradas no local. Após a ação policial, elas foram resgatadas. As informações são do portal G1.

Manter animais em cativeiro sem licença ambiental configura crime que pode ser punido com detenção de até um ano, além de multa.

O homem foi levado para a delegacia, mas como a infração é considerada de menor potencial ofensivo, ele foi liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Infração Penal.

Os animais foram resgatados no sábado (8), mas o caso só foi divulgado pela Polícia Ambiental na terça-feira (11).

Foto: Divulgação/Polícia Ambiental

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Homem é detido com 20 pacas mortas dentro de caixa térmica em canoa em rio de MT

Um homem foi detido nesse sábado (15) ao ser flagrado transportando 20 pacas mortas em uma caixa térmica em uma canoa no Rio São Lourenço, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.

Reprodução

Segundo o Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Rondonópolis, o flagrante ocorreu no momento em que a equipe policial fazia um patrulhamento fluvial pela região.

O homem estava em uma canoa e carregava uma grande caixa térmica.

Durante a revista, os policiais constataram que se tratava de animais silvestres, adquiridos por meio de caça proibida. O homem acabou detido e encaminhado à Central de Flagrantes de Rondonópolis.

Fonte: G1

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Pacas e javali são libertos de cativeiro e soltos na natureza no RJ

Uma família de pacas que era mantida em cativeiro em São João do Paraíso, distrito de Cambuci, no Rio de Janeiro, foi resgatada e devolvida à natureza. A soltura foi feita por agentes da 3ª Unidade de Polícia Ambiental do Parque Estadual do Desengano (Upam).

Uma das pacas resgatadas do cativeiro (Foto: Polícia Ambiental)

Além das pacas, havia também um javali. Todos viviam em uma residência. A PM Ambiental tomou ciência do caso após receber denúncias.

No local, os agentes encontraram ainda um revólver, redes, materiais de caça e diversos cartuchos.

Uma das pacas no momento em que foi devolvida à natureza (Foto: Divulgação)

As pacas e o javali passaram por avaliação veterinária no Parque Estadual do Desengano. Após ser comprovado que estavam em condições de retornar à natureza, foram soltos. As informações são do portal SF Notícias.

Manter animais silvestres em cativeiro é uma prática cruel e criminosa que demonstra a grandeza da ganância humana, capaz de aprisionar animais, impedindo-os de viver em liberdade junto de sua família.

Denúncias de crimes ambientais no Norte e Noroeste Fluminense podem ser feitas na 3ª Unidade de Polícia Ambiental do Parque Estadual do Desengano através do telefone (21) 2561-3228.

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Polícias resgatam cães e pacas mantidos sob maus-tratos em MG

Cães mantidos sob condições precárias foram resgatados em Formiga (Foto: PM/Divulgação)
Cães mantidos sob condições precárias foram
resgatados em Formiga (Foto: PM/Divulgação)

Trinta e cinco cães e duas pacas foram resgatados durante uma operação das polícias Civil e Militar de Meio Ambiente em Formiga. Eles estavam submetidos a maus-tratos em uma casa no Bairro Ércio Rocha. O fato ocorreu na sexta-feira (28), mas, o boletim de ocorrência só foi registrado nessa segunda-feira (31).

De acordo com a PM ambiental, os animais estavam alojados em cinco baias e mantidos em condições precárias de higiene. “Eles eram mantidos sem alimentação e sem água potável, em um espaço com dimensão inferior a sete metros quadrados. Doze cães de grande porte estavam alojados”, informou.

Alguns dos animais estavam magros e tinham ferimentos e lesões graves, como sarnas, tumores, amputações de orelha, escaras e caquexia. Eles foram examinados por veterinários do Centro de Defesa à Vida Animal e do Centro Veterinário de Acolhimento e Guarda de Animais, da Universidade de Formiga. Em seguida remanejados, onde ficarão até que haja uma decisão judicial sobre o destino deles.

A PM tem uma pista sobre o possível tutor dos animais, mas ele não foi preso. “O autor é suspeito da prática de caça a animais silvestres, sendo responsável por treinamento e comércio de cães para o ato ilícito, inclusive com anúncios em sites de venda, de cães para caça. As pacas encontradas seriam utilizadas para treinamento dos animais”, acrescentou.

O boletim de ocorrência sobre o caso foi encaminhado à Polícia Civil e à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente locais.

Paca estava escondida em caixa de madeira (Foto: PM/Divulgação)
Paca estava escondida em caixa de madeira (Foto: PM/Divulgação)

Fonte: G1

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Pacas e cotias são encontradas vivendo em cativeiro em Canoinhas (SC)

Animais serão reintegrados ao habitat
Animais serão reintegrados ao habitat

A Polícia Militar Ambiental de Canoinhas encontrou um cativeiro de pacas e cotias em Major Vieira. Os policiais foram acionados no sábado, 22, para vistoriarem uma área de 11,5 hectares onde haveria desmatamento. A PM constatou a retirada da mata e encontrou um criatório com seis pacas e seis cotias. O responsável pela guarda e cativeiro dos animais silvestres foi notificado e autuado pelas infrações. Os animais ficaram no local e o guardião tornou-se fiel depositário dos animais até que eles sejam avaliados por profissional técnico para que aconteça a reintrodução deles no habitat.

Fonte: Correio do Norte

Nota da Redação: Como nós, os animais nasceram para viver livremente. Manter um animal engaiolado é um dos crimes mais cruéis do ponto de vista ético. Infelizmente as nossas leis ainda permitem que algumas espécies de aves sejam caçadas, comercializadas e aprisionadas apenas para satisfazer a ganância e os desejos inconscientes e cruéis de algumas pessoas. Não podemos mais aceitar calados este tipo de prática como também todas as outras que tratam os animais apenas como mercadoria ou objeto de decoração. As leis precisam avançar e proibir qualquer forma de manutenção de animais em cativeiro.

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Polícia encontra pacas e cutias mortas em Bujari (AC)

(Foto: Pelotão de Polícia Ambiental)
(Foto: Pelotão de Polícia Ambiental)

O Pelotão de Polícia Ambiental, da Polícia Militar do Acre,encontrou no último fim de semana, três pacas e uma cutia mortas devido a caça, no município do Bujari, distante 22 km de Rio Branco. Segundo o comandante da patrulha, sargento Sebastião Costa, quatro pessoas foram autuadas e conduzidas à delegacia.

O sargento conta que o pelotão recebeu denúncias de que um veículo estaria estacionado nas proximidades de um ramal no município. A polícia esperou os caçadores saírem da mata para realizarem a apreensão.

“A gente recebeu uma denúncia que tinha um veículo nas proximidades no ramal Bujari. Fomos fazer averiguação e quando chegamos, localizamos o veículo, escutamos alguns disparos de armas de fogo. Ficamos aguardando a saída dos caçadores na mata”, explica.

Costa afirma ainda que os envolvidos com a caça foram encaminhados à delegacia e autuados por crime ambiental e por porte ilegal de arma.

Fonte: G1

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Criminosos são presos por caçar animais a tiros em Varginha (MG)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Dois homens foram presos e um menor apreendido por caça de animais silvestres na região dos Tachos, zona rural de Varginha (MG), neste domingo (1º). Segundo a Polícia Militar Ambiental, os suspeitos foram flagrados assassinando pacas e capivaras com armas de fogo.

Os policiais apreenderam uma espingarda, munições e redes usadas para a captura dos animais. Um veículo dos caçadores também foi apreendido. Os suspeitos e os materiais apreendidos foram levados para a delegacia.

Conforme a Polícia Militar Ambiental, caçar animais silvestres é crime previsto no artigo 29 da Lei 9605, de 1998. A pena para este tipo de crime é de detenção de seis meses a um ano, mais multa. Os suspeitos presos em Varginha também vão responder pelo crime de porte ilegal de armas de fogo, cuja pena é de detenção de um a três anos, mais multa.

Fonte: G1

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Polícia Rodoviária apreende pacas mortas em estrada de Rondônia

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou, durante fiscalização de rotina da última quarta-feira (28), duas espingardas, munição inteira e deflagrada e três pacas assassinadas.

Após acompanhamento tático da PRF, a abordagem policial entendeu que os ocupantes do veiculo apresentavam “nervosismo” e quando questionados com relação a desobediência à ordem de parada, o motorista alegou “falta de CNH”. As pacas mortas e o armamento foram encontrados em um carro de passeio nas imediações do Km 522 da BR 364.

A PRF fez ação de busca pessoal e no veículo, onde foram encontradas 02 armas, tipo espingarda sem marca aparente, sendo uma calibre 20 e a outra calibre 28, 04 munições de calibre 20 intactas, 07 munições de calibre 28 intactas, 03 de calibre 28 deflagrados e 01 de calibre 20 deflagrada.

No porta-malas do veículo foram encontrados 03 pacas mortas, vítimas da caça.

Os dois ocupantes do veículo foram presos em flagrante e encaminhados junto com as armas, as munições e os animais para o Plantão da Polícia Judiciária civil de Ariquemes.

Fonte: Rondônia Agora 

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Polícia Federal apreende animais mortos por caçadores e armas na BR 425

Foto: Reprodução

Quando realizavam barreira policial na BR 425, no km 125, na entrada da Estrada que dá acesso ao ramal do Bom Sossego, em Rondônia, policiais da Polícia Rodoviária Federal apreenderam animais silvestres, além de munições e armamentos.

De acordo com relatos dos policiais, por volta das 22h40min abordaram um veículo que era conduzido por Gilberto Loterio Veda, de 42 anos, no veículo estava o passageiro Luiz da Silva Tiburcio, de 43 anos, e Osmar Ferreira da Silva, de 48 anos.

Na revista ao veículo foram encontrados: uma espingarda calibre 20 sem numeração visível, uma espingarda calibre 20, oito munições calibre 20 e uma paca abatida.

Nas proximidades os policiais da PRF localizaram um rifle calibre 22, duas pacas mortas e uma espingarda. Os animais, as armas e munições, além dos ocupantes do carro foram conduzidos a Delegacia de Polícia Civil de Guajará-Mirim onde o delegado plantonista tomou as providências.

Com informações do Ariquemes Online

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Operação apreende animais abatidos e vivos além de materiais usados para caça

Uma operação conjunta entre a Polícia Militar Ambiental e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), realizada no último sábado, resultou na apreensão de diversos animais abatidos. Foram quatro pacas e aproximadamente 70 kg de peixes de diversas espécies, e ainda cinco quelônios.

A fiscalização apreendeu os animais abatidos, os vivos e os materiais utilizados na caça e pesca dos animais, dentre eles: espingarda calibre 28, isopor e diversas malhadeiras.

Os policiais foram ao local atendendo denúncia  feita por indígenas da região da Resex Jaci-Paraná. O denunciante informou que havia caçadores no interior da aldeia Terra Indígena Karipuna e, de imediato, a ação dos Policiais Militares resultou na prisão de Jorge Reis Lopes.

Ele assumiu a responsabilidade pelo crime ambiental. O infrator foi encaminhado à Central de Polícia e os peixes foram doados para a Instituição Santa Marcelina, por se tratar de uma unidade filantrópica, atendendo ao que preceitua a legislação ambiental. 

Fonte: Rondonotícias


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Quatro homens são presos suspeitos de caça no Rio de Janeiro

Apontados pela polícia como caçadores de animais silvestres, quatro homens foram presos pela Polícia Militar na madrugada deste domingo (4). Eles foram encontrados na Serra do Bengala, em Cachoeira de Macacu, na Baixada Litorânea do estado do Rio de Janeiro.

Imagem: Reprodução/G1

O grupo foi localizado em um rancho que, segundo os PMs, fica numa área de proteção ambiental, onde existem animais como pacas, cotias e aves.

Com os quatro homens foram apreendidas três espingardas e três armadilhas, além de fardas camufladas, lanternas e munição.

Fonte: G1

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Anta, com muito orgulho

Foto: Reprodução/EPTV.com
Foto: Reprodução/EPTV.com

O costume brasileiro de chamar pessoas atrapalhadas de ‘anta’ atrapalha mesmo é a conservação do animal. Quantos se importam com a extinção de uma espécie que é sinônimo de estupidez? E quem doa recursos para pesquisas com um ser considerado imprestável? Não se sabe bem ao certo de onde vem todo esse preconceito contra as antas. Mas dá um trabalhão consertar o estrago causado pela injusta difamação. 

Que o diga a brasileira Patrícia Médici, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e presidente, desde 2000, do Tapir Specialist Group, um grupo internacional de especialistas nas quatro espécies de anta existentes no mundo, ligado à respeitada União para a Conservação Mundial (IUCN). “Só no Brasil se associa a anta com estupidez. O animal não tem nada de estúpido, é dócil e inteligente e, em cativeiro, é facilmente treinado, inclusive nos procedimentos para coleta de sangue”. comenta Patrícia.
 
No Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do Estado de São Paulo, onde fica uma das bases de pesquisas do IPÊ, o esforço conjunto dos pesquisadores e educadores ambientais começa a reverter a má imagem das antas, sobretudo junto às crianças, que já a incluem em seus desenhos. Mas ainda é uma área muito restrita, se comparada à imensa região de ocorrência da espécie, cientificamente conhecida como Tapirus terrestris (todo o Brasil e a maioria dos países sul-americanos).
 
E olhe que a anta é o maior mamífero terrestre nativo da América do Sul. Alcança um metro de altura, dois de comprimento e até 250 kg. Possui hábitos preferencialmente noturnos e é flexível quanto ao hábitat, adaptando-se tanto a florestas densas, como matas secundárias ou mesmo cerrados e áreas de vegetação mais aberta, contanto que consiga estar sempre perto de rios, lagos, ou lagoas. Além de nadar e mergulhar com maestria, a anta faz da água seu refúgio, seja contra o excesso de calor (termorregulação) ou em caso de perigo. Seus predadores naturais são as onças, pintada e parda. Mas a maior pressão vem mesmo do homem, com a caça para consumo da carne e uso do couro, e os desmatamentos e a fragmentação das matas, provocando perda de hábitat. No Brasil, a pressão de caça se restringe a áreas mais isoladas, sobretudo na Amazônia, pois a atividade é ilegal e é difícil carregar uma anta abatida sem ‘dar na vista’.
 
No Pantanal, a preferência generalizada pela caça do chamado porco monteiro – porcos domésticos castrados e liberados para ‘engorda’ em capões de mata – livra a anta da mira dos caçadores. Mas em alguns países vizinhos, como Peru e Guiana Francesa, a carne de anta é vendida abertamente nos mercados, portanto a caça comercial sujeita aquelas populações a extinções locais.
Diferente das capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris), com as quais costuma ser confundida, a anta tem uma gestação longa, de 300 a 400 dias, e produz um único filhote. Os gêmeos são muito, muito raros. O filhote, quando nasce, apresenta listras claras no meio do pêlo castanho, o que serve de camuflagem em meio à sombra-e-luz das matas. Ele anda ao lado da mãe o tempo todo, durante cerca de um ano. A mesma fêmea pode dar à luz em intervalos de 18 meses.  
 

Foto: Reprodução/ EPTV.com
Foto: Reprodução/ EPTV.com

Mesmo assim não é uma taxa de natalidade capaz de fazer frente às perdas, e, apesar de sua imensa distribuição original, a espécie está na lista vermelha da IUCN como vulnerável ao risco de extinção. Após 10 anos coletando amostras de sangue para análises genéticas e epidemiológicas e monitorando os deslocamentos de antas no Parque Estadual Morro do Diabo, localizado no Pontal, Patrícia Médici consegue ter uma noção da estrutura da população e dos impactos da fragmentação de hábitat. E espera usar esse conhecimento na elaboração de um plano de conservação, com recomendações de pesquisas para preencher lacunas de conhecimento, criação de mais áreas protegidas, estabelecimento de um programa de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e outras medidas. 

“As antas estão presentes em todos os ecossistemas brasileiros com exceção da caatinga nordestina e toleram até vegetação degradada, desde que consigam se locomover pela paisagem”, explica. “Porém são muito sensíveis a pequenas áreas e restringem a circulação quando há mais estradas, mais cercas, mais barulho e mais gente”. Em outras palavras, a pesquisadora acredita que as antas podem se manter mesmo em áreas fragmentadas ou de vegetação secundária se houver espaço para livre circulação, como corredores ecológicos, ou matas ciliares recompostas, ou mesmo reflorestamentos com nativas.
 
Até agora o monitoramento foi feito com telemetria, ou seja, colocando rádios-colares nas antas e as seguindo com o auxílio de antenas. Mas um novo método, em fase de testes, promete facilitar a vida dos pesquisadores, baratear custos e aumentar a quantidade de dados coletados: o rastreamento de pegadas. O rastreamento vai muito além daquele feito por caçadores, apenas para achar o bicho: permite identificar cada indivíduo e, a partir daí, fazer estatísticas de população, estimativas de taxa reprodutiva, alimentação, uso de área, etc.
 
Uma das expectativas, ao colocar o plano de conservação em prática, dentro de uns dois anos, é experimentar a reintrodução de antas de cativeiro em áreas de vegetação restaurada ou reservas dentro de propriedades privadas (as RPPNs). “Tem uma grande população de antas cativas no Brasil, em zôos e em criadouros conservacionistas. Hoje o grande papel desses animais de cativeiro é educativo, mas eu gostaria de começar a trabalhar com reintrodução”, sonha a pesquisadora.
 
Ela tem até duas sérias candidatas: uma anta do zôo de Sorocaba e outra de um criadouro conservacionista, localizado em Corumbaíba, em Goiás, de propriedade de Juscelino Martins. Mas, antes, há uma porção de detalhes a acertar, num protocolo feito com o rigor científico que a situação exige, pois trata-se de um animal de grande porte e a soltura tem muitas implicações, tanto para o animal a ser introduzido, como para os animais silvestres da área e para o ambiente.

Foto: Reprodução/EPTV.com
Foto: Reprodução/EPTV.com

Enquanto aguarda a chance de contribuir para um experimento desse porte, Martins investe recursos e tempo no criadouro. Em uma fazenda de 5 mil hectares, ele é tutor de queixadas, pacas, emas, veados. Mas as antas são, visivelmente, as preferidas: “elas são dóceis, todas têm nomes próprios e atendem quando chamadas. É um animal muito especial”, diz, sem esconder o entusiasmo com o nascimento de 3 filhotes, só no primeiro semestre desse ano, totalizando 7, nos últimos 4 anos. 

São 14 antas adultas. Cada uma consome de 7 a 8 kg de frutas por dia, sem contar a ração, preparada ali mesmo, na fazenda. Os recintos são grandes, dotados de tanques com água, e o cuidado constante pede um tratador exclusivo. Cláudio Machado Filho cuidava de bois em Abadia dos Dourados, em Minas Gerais, mas logo acostumou com o novo tipo de ‘gado’, que vem quando ele assobia e anda atrás dele, farejando comida. “Não adianta ir na bruta com elas. Tem que ter um relacionamento”, recomenda, transmitindo admiração e respeito. Dois sentimentos que, popularizados, seriam meio caminho andado na direção da conservação das antas no País.
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Cardápio variado e divertido
 
Estudos da dieta das antas indicam o consumo de uma grande quantidade de frutos, além de fibras (capim e, sobretudo, brotos de folhas). Num levantamento realizado no Pontal do Paranapanema, Cristina Tofoli, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), identificou seus petiscos preferidos: coquinhos de jerivá (Syagrus romanzoffiana), vagens de jatobá (Hymenaea courbaril), frutos – mesmo espinhosos – de caraguatás (gêneros Ananas e Bromelia) e frutos em forma de coração do araticum-cagão (Annona cacans). Entre os brotos, uma das espécies consumidas com freqüência é a erva-mate (Ilex paraguaiensis).
 
Em cativeiro, as antas precisam dessa variedade, mesmo que isso implique incluir itens novos ao cardápio silvestre, como hortaliças. Sobretudo se a intenção é assegurar a reprodução, pois antas mal nutridas não criam. E a forma de oferecer o alimento também deve ser diversificada, pois os animais precisam de estímulo para ‘abrir o apetite’. Brincar com uma melancia inteira até conseguir quebrar a casca e saborear a polpa suculenta, por exemplo, é um passatempo apreciado por mães e filhotes. Lamber troncos com mel ou procurar pedaços de cenouras, cana-de-açúcar, maçãs e até mesmo pequenas passas penduradas e galhos ou escondidas no capim são alternativas recomendadas a criadores pelo Tapir Specialist Group.
 
A intenção não é apenas quebrar a monotonia, mas também suprir as necessidades de um animal que tem volume estomacal limitado e, em vida livre, adaptou-se à disponibilidade de alimento do
ambiente. Ou seja: come diversas vezes por dia, em pequenas quantidades, os frutos de muitas espécies de plantas diferentes, incluindo coquinhos e favas.

Foto: Reprodução/EPTV.com
Foto: Reprodução/EPTV.com

No rastro da renovação
 
Ao consumir uma grande variedade de frutos, a anta assume um papel importante para os ecossistemas por onde circula: ela é dispersora de sementes. Conforme explicam Paulo R Guimarães Jr e Mauro Galetti, do Grupo de Fenologia e Dispersão de Sementes da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Rio Claro), a dispersão de sementes é a fase mais crítica de uma planta, pois é preciso levar as plantas-filhas para longe da planta-mãe, evitando a competição entre elas por luz, nutrientes e água. Como não podem andar, entre outras estratégias as plantas desenvolveram frutos de formas, cores e composição química atraentes para animais. Assim os estimulam a fazer o ‘favor’ de comer os frutos e carregar as sementes para elas, espalhando-as por onde quer que andem (em geral, devidamente adubadas).
 
Segundo os dois pesquisadores, os frutos dispersados por mamíferos, por exemplo, costumam ser grandes, amarelos, marrons ou verdes, e aromáticos. Ocorre que alguns deles são grandes demais para a maioria dos mamíferos brasileiros atuais. Acredita-se que eram frutos dispersos, no passado, pela chamada megafauna – preguiças terrestres, gonfotérios (parecidos com elefantes), gliptodontes (semelhantes a tatus) e toxodontes (próximos dos hipopótamos) -, que tinha representantes de até 4 toneladas.
 
Mas hoje existem apenas 13 dos 60 gêneros de mamíferos com mais de 44 kg que viviam na América do Sul há 10 mil anos, lembra Galetti. E só sobraram o cervo-do-pantanal (Blastocerus odontocetus) e a anta com mais de 100 kg. Como o cervo alimenta-se preferencialmente de capim, sobra para a anta à tarefa de dispersar uma boa variedade de frutos, cujas sementes são grandes demais para passarem intactas através do trato digestivo de outros mamíferos. Primatas e roedores podem até apreciar tais frutas, mas sua maneira de comer é diferente, quebrando ou roendo as sementes, o que impede que elas germinem.

Uma mata sem antas, portanto, não se renovaria naturalmente, já que as árvores cujos frutos são grandes perderiam seu último dispersor ainda vivo.

Fonte: EPTV.com

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