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Imagens de animais selvagens alertam para o risco de extinção

O premiado fotógrafo australiano de vida selvagem, Doug Gimesy, reuniu num ensaio animais que podem, brevemente, ser conhecidos apenas por meio de fotografia

Momento exato em que ornitorrinco é liberado na natureza. Foto Doug Gimesy

O esforço de Doug Gimesy em registrar inúmeros animais australianos que quase já não são mais vistos, tem como objetivo alertar a sociedade sobre o risco de extinção que diversas espécies enfrentam.

“Doug dedicou sua carreira à proteção e conservação de algumas das espécies mais vulneráveis da Austrália.  Ele chega bem perto de animais nativos para revelá-los com detalhes perfeitos. Todas as espécies fotografadas sofreram grandes perdas, especialmente depois de grandes secas, incêndios e inundações que assolaram a Austrália nos últimos tempos”, diz a reportagem do portal The Guardian que publicou o ensaio recentemente.

Uma das fotos que ganhou destaque foi de um ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) resgatado e depois liberado em um tronco no rio Little Yarra, no estado de Victoria. Os ornitorrincos, que possuem bico, pelos e botam ovos ao mesmo tempo em que são mamíferos, só existem na Austrália.

O potoroo tem um importante papel nas florestas australianas. Foto Doug Gimesy

Um potoroo de nariz comprido (Potidous tridactylus) comendo fungos é outra imagem importante porque a espécie está “quase ameaçada” de extinção. A maneira como eles usam suas garras longas e ligeiramente curvas para desenterrar alimentos ajuda a espalhar esporos de fungos que são benéficos para a saúde de árvores e arbustos em todo o ecossistema. A destruição de habitats por causa da exploração madeireira e expansão urban), incêndios florestais e secas levam a uma redução nas fontes de alimentos.

O Dragão da Floresta em foto de Doug Gimesy

O Dragão da Floresta de Boyd (Hypsilurus boydii) é um animal que ainda pode ser encontrado na natureza, mas a mudança climática e a destruição de habitat podem alterar essa situação em pouco tempo, segundo especialistas.

Um casal de pequenos pinguins azuis parece caminhar de mãos dadas em foto de Doug Gimesy

Pequenos pinguins azuis (Eudyptula minor), a menor espécie de pinguim do mundo, foram fotografados por Doug nas rochas do quebra-mar de St Kilda, em Melbourne. Todas as noites após o pôr do sol, os adultos retornam para suas tocas. Segundo o The Guardian, eles são ameaçados pelos plásticos e poluição que flui para a baía de Port Phillip.

O Dingo, uma espécie de cão selvagem, está numa situação vulnerável de sobrevivência. Foto Doug Gimesy

Doug captou também um dingo macho (Canis lupus dingo), chamado Snapple, aguardando o café da manhã antes do nascer do sol no Santuário de Dingos no Centro de Pesquisa em Victoria. Esse centro visa preservar e conservar o dingo australiano, educar o público sobre seu papel benéfico nos ecossistemas selvagens e, eventualmente, reintroduzi-lo em habitats seguros aprovados. Eles estão em situação vulnerável devido à destruição do habitat, caça, envenenamento e consanguinidade com cães domésticos.

 

Veja mais fotos desse ensaio AQUI

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Interferência humana ameaça população de ornitorrincos

Os ornitorrincos são uma espécie incomum – por fora, parecem uma mistura de pato, lontra e castor. Mas eles também são animais muito especiais na Austrália, podendo ser vistos na costa leste. Infelizmente, a população diminuiu drasticamente no estado de Queensland.

Um ornitorrinco nadando no rio
Foto: Martin Pelanek/Shutterstock

A espécie passa a maior parte do tempo em água doce. Infelizmente, os fluxos de água doce são alterados por atividades humanas – destruição do habitat, lixo, armadilhas, fragmentação dos rios etc. A devastação das florestas força os ornitorrincos a se deslocarem a pé, se tornando vulneráveis a predadores.

Para impedir o crescente declínio da população, que pode levar à extinção da espécie, é necessário um plano de conservação do governo. A Sociedade de Preservação da Vida Selvagem de Queensland afirma que, para salvar os ornitorrincos algumas medidas devem ser tomadas como a educação da população local, reabilitar vias fluviais apropriadas, criar estratégias de resgate para populações fragmentadas e em pequenos números.

Uma petição foi criada para pedir ao governo de Queensland que proteja o habitat dos ornitorrincos e cuida das populações locais. Você pode contribuir assinando aqui.


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Ornitorrinco é sacrificado após ser encontrado preso em elástico de cabelo

Foto: Staghorn Wildlife Shelter
Foto: Staghorn Wildlife Shelter

Um filhote de ornitorrinco do sexo feminino teve que ser sacrificada depois de ter sido encontrada presa e toda enrolada em elásticos de cabelo jogados no lixo.

Bushwalkers Gill e Steve Bennett viram o pequeno pássaro claramente em perigo enquanto caminhavam em Bright, Victoria (Austrália).

Acredita-se que ela só tenha deixado seu ninho há cerca de dois meses e estivesse “vivendo em agonia” desde que se envolveu nos quatro elásticos.

Foto: Staghorn Wildlife Shelter
Foto: Staghorn Wildlife Shelter

Eles se enrolaram e ficaram presos em torno de seu pequeno corpo frágil de forma tão apertada que seu pescoço e uma de suas pernas estavam feridas até o osso.

O abrigo Staghorn Wildlife Shelter e a ONG especializada em ornitorrincos Geoff Williams da Austalian Platypus Conservancy juntos decidiram que a recuperação das lesões seria impossível.

“Logo ficou claro que esse belo e pequeno animal, tão jovem teria que ser sacrificada”, disse Jo Mitlehner, do abrigo Staghorn Wildlife Shelter.

Um veterinário local abriu sua clínica em um sábado, apenas para “fornecer uma morte assistida rápida e humanitária”.

Foto: Staghorn Wildlife Shelter
Foto: Staghorn Wildlife Shelter

Mitlehner disse que o desfecho trágico para este ornitorrinco bebê destaca os perigos que as espécies enfrentam na vida cotidiana.

As principais ameaças ao ornitorrinco são a mudança de habitat, a poluição, a mudança dos fluxos do rio, as redes de pesca, o atropelamento nas margens dos rios e o emaranhamento no lixo”, disse ela.

Apesar de todos esses obstáculos, o ornitorrinco consegue sobreviver em cursos de água próximos aos humanos.

“É essencial aprendermos a parar de jogar lixo em nossos cursos d’água”.

Foto: Staghorn Wildlife Shelter
Foto: Staghorn Wildlife Shelter

A vítima mais recente é o terceiro ornitorrinco a ser retirado do rio Ovens, em Bright, com ferimentos que ameaçam sua vida, causados por lixo e elásticos de cabelos.

Talvez a sinalização que descreve essa questão seja apropriada em lugares especialmente onde os turistas se reúnem?

Ornitorrincos

O Ornitorrinco é um mamífero semiaquático natural da Austrália e Tasmânia, ele possui hábito crepuscular e/ou noturno. Preferencialmente carnívoro, a sua dieta baseia-se em crustáceos de água doce, insetos e vermes.

O animal que é um ícone e símbolo australiano possui diversas adaptações orgânicas para a vida em rios e lagoas, entre elas as membranas interdigitais, mais proeminentes nas patas dianteiras.

O ornitorrinco é uma animal ovíparo, cuja fêmea põe cerca de dois ovos, que incuba por aproximadamente dez dias num ninho especialmente construído. Os monotremados recém-eclodidos apresentam um dente similar ao das aves (um carúnculo), utilizado na abertura da casca; os adultos não têm dentes.

A fêmea não possui mamas, e o leite destinado aos filhotes é diretamente lambido dos poros e sulcos abdominais.

Os machos têm esporões venenosos nas patas, que são utilizados principalmente para defesa territorial e contra predadores. Os ornitorrincos possuem também uma cauda similar à de um castor.

É uma espécie pouco ameaçada de extinção. Em 2008 pesquisadores começaram a sequenciar o genoma do ornitorrinco e descobriram vários genes compartilhados tanto com os répteis como com as aves, mas cerca de 82% dos seus genes são compartilhados com outras espécies de mamíferos já sequenciadas, como o cão, a ratazana e até o homem.

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Ornitorrinco enfrenta futuro incerto na Austrália

GREG WOOD / AFP

A população de ornitorrincos na Austrália está em queda — uma consequência da pressão da agricultura e da poluição. Isso coloca em risco o futuro deste mamífero que coloca ovos, afirma um relatório divulgado na última quinta-feira (29) pela Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney. A informação foi divulgada pela agência de notícias France Presse.

De acordo com um estudo sobre o animal que durou três anos, a quantidade exemplares caiu 30% — a quase 200 mil — desde que os europeus chegaram à Austrália há dois séculos.

“Estamos muito preocupados com a futura sobrevivência desta espécie única”, disse Richard Kingsford, diretor do Centro de Ciência do Ecossistema da Universidade de Nova Gales do Sul.

Entre as ameaças para os habitats do ornitorrinco na Austrália estão o aumento do desmatamento de terras para a agricultura, a poluição, a construção represas e as redes de pesca, destacou Kingsford.

O pesquisador e sua equipe pediram às autoridades que aumentem o status de proteção do ornitorrinco de quase ameaçado para vulnerável.

Os cientistas apontaram que, apesar do tamanho da população variar entre as regiões da Austrália, os ornitorrincos já desapareceram em alguns pontos.

“O mundo não pode permitir, muito menos a Austrália, a extinção deste animal. E sabemos que em algumas áreas já está extinto”, disse Kingsford ao canal ABC.

O ornitorrinco, um animal semiaquático, e quatro espécies de equidnas, são os únicos mamíferos que colocam ovos. É um dos animais mais raros do mundo, com seu bico de pato, cauda de castor, patas de lontra e um esporão venenoso nas patas traseiras.

Fonte: G1

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Aquecimento global ameaça o ornitorrinco na Austrália

O aquecimento climático poderá diminuir em um terço as zonas habitadas pelo ornitorrinco na Austrália, que poderá desaparecer, alertaram nesta sexta-feira os investigadores.

Este mamífero semiaquático e de hábitos noturnos, que coloca ovos, tem rabo de castor, focinho em forma de bico de pato, é sé um animal estranho originário da Austrália.

Graças a sua espessa pele, consegue viver nas frias profundezas dos rios, mas atualmente sua pelagem pode ser fatal para ele devido ao aquecimento global, adverte um estudo da Universidade de Monash.

Foto: Divulgação

Os pesquisadores utilizaram dados sobre o clima e o habitat do ornitorrinco durante cem anos para estabelecer a diminuição do número desses animais, relacionada com as secas ou as ondas de calor.

A equipe de pesquisadores extrapolou estes resultados segundo várias alternativas climáticas, estabelecidas pela agência científica governamental (CSIRO), para determinar o impacto das mudanças climáticas sobre a população de ornitorrincos.

“Nosso resultado mais pessimista assinala a redução de um terço dos habitats deste animal”, declarou à AFP a pesquisadora Jenny Davis, cujos trabalhos foram publicados na revista Global Change Biology.

A pior hipótese dos cientistas assinala um desaparecimento do ornitorrinco na grande ilha da Austrália. Neste caso, esta espécie só continuará vivendo nas ilhas da Tasmânia, Kangaroo e King.

Fonte: Terra

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Filhote de ornitorrinco é encontrado flutuando em água salgada

Foto: Santuário de Ornitorrincos Healesville

Um filhote de ornitorrinco foi encontrado flutuando próximo a uma ilha na Austrália. A espécie, que vive em lagos e rios, nunca havia sido observado tão distante da água doce. O filhote foi capturado a cerca de 4 quilômetros de distância da foz do rio Mitchell, na Austrália.

A pequena Yamacoona (que na linguagem aborígene Wurundjeri significa “espírito da água”) pesava apenas 335 gramas, quando chegou ao Santuário de Ornitorrincos Healesville em estado muito crítico, há quatro semanas.

De acordo com comunicado do Santuário, nestas quatro semanas, ela tem recebido tratamento equivalente ao de um bebê prematuro, sendo atendidos por médicos de terapia intensiva neonatal.

Os veterinários do Santuário acreditam que o animal tenha sido levado por enchentes até o local onde foi capturado. Eles também acreditam que a mãe do pequeno ornitorrinco possa ter morrido nas inundações. Yamacoona tem cerca de três meses de vida e em condições normais não teria sido desmamado antes de completar dois meses de vida.

O ornitorrinco é um animal incomum, considerado por muitos estudiosos como uma espécie única, já que contém em seu genoma características de répteis, aves e mamíferos. Entre suas peculiaridades estão: corpo peludo, bico de pato com dentes, patas palmípedes e cauda achatada.

Fonte: iG

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Na natureza: ornitorrinco

O ornitorrinco, nativo da Austrália, está entre os animais mais improváveis da natureza. Muitas vezes descrito como uma mistura de pato, castor e lontra, ele é um dos dois únicos mamíferos que põem ovos – o outro é a équidna. O ornitorrinco macho é venenoso. Os esporões de suas patas traseiras podem dar um golpe fortemente tóxico em qualquer adversário. O ornitorrinco pode ficar submerso por um minuto ou dois para se alimentar. (Com informações do Último Segundo /Foto: National Geographic)

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Ornitorrinco é resgatado de esgoto na Austrália

Um ornitorrinco foi resgatado de uma unidade de tratamento de esgoto em Penrith, na Austrália. Acredita-se que ele teria entrado em um cano à procura de uma parceira, com a chegada da temporada de acasalamento.

Especialistas levaram seis horas para resgatar o mamífero que ficou preso em um cano. Havia a preocupação de que o animal semiaquático pudesse estar sofrendo de hipotermia, por ter ficado tanto tempo na água gelada.

Após ser examinado rapidamente, os especialistas afirmaram que o ornitorrinco parecia estar bem. Ele será submetido a mais exames veterinários e, se estiver saudável, será solto ainda esta semana.

Fonte: O Estadão

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Pesquisa desvenda veneno do ornitorrinco

No livro The Nutmeg of Consolation, de Patrick O’Brian, o 14º de sua série de romances marítimos, a alegria escancarada do doutor Stephen Maturin por finalmente ver um ornitorrinco na Austrália é imediatamente diminuída pela dor incapacitante que ele sente quando é picado pelos esporões venenosos das patas traseiras do animal.

Maturin poderia ser perdoado se não soubesse que o ornitorrinco está entre os poucos mamíferos capazes de produzir veneno (no caso dos ornitorrincos, apenas os machos). Mesmo os que sabem sobre o veneno desse animal não conhecem muita coisa.

Agora, podem saber mais. Pesquisadores no Japão identificaram alguns dos elementos constituintes do veneno capazes de torná-lo tão doloroso.

Usando cromatografia líquida de alto desempenho e outras técnicas, Masaki Kita, da Universidade de Tsukuba, Daisuke Uemura, da Universidade de Nagoya, e colegas analisaram amostras de veneno e identificaram 12 peptídeos, pequenas cadeias de aminoácidos e elementos formadores das proteínas. Suas descobertas são relatadas no The Journal of the American Chemical Society.

Em estudos laboratoriais anteriores, os pesquisadores descobriram que o veneno bruto fazia com que células nervosas em cultura absorvessem íons de cálcio lenta e continuamente. Isso deu uma ideia sobre como age o veneno, pois o fluxo de cálcio em células nervosas está relacionado à sensação de dor. Um dos peptídeos identificados, chamado de heptapeptide-1, mostrou aumentar sozinho o fluxo de íon de cálcio. Isso sugere que esse talvez seja o principal componente responsável pelo efeito do veneno.

Fonte: Gazeta Web

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Os marsupiais brasileiros

Foto: Reprodução/EPTV.com
Foto: Reprodução/EPTV.com

O cheiro parece separar os gambás dos demais mamíferos. O mau cheiro, bem entendido. ‘Fedido como um gambá’ é a expressão máxima do ser indesejado, o qual não se quer ter por perto. O curioso é que o animal geralmente associado a tal expressão – preto ou marrom com listras brancas no dorso, de cauda peluda, e capaz de usar o mau cheiro como arma quando acuado – não é um gambá, mas um cangambá (Conepatus semistriatus e C. chinga).

Há uma certa confusão entre a imagem de gambá popularizada em livros, em histórias em quadrinhos e no cinema e as espécies assim nomeadas em português, aqui no Brasil. Popularmente se atribuem aos gambás – animais arborícolas, cinzentos, de cauda pelada, da família Didelphidae – as características do cangambá, carnívoro de uma família bem diversa, cuja classificação mudou recentemente de Mustelidae para Mephitidae.

É verdade que os gambás também têm lá seus ‘cheirinhos’, mas os usam mais como marcadores, para atrair parceiros. “Só numa condição de estresse muito grande, os gambás liberam odores fétidos das glândulas localizadas ao lado da cloaca, mas não têm mecanismos para fazê-lo em jatos, como o cangambá, que usa esse recurso com mais frequência”, observa José Carlos Nogueira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De qualquer modo, há uma clara linha divisória entre os gambás e a maioria dos outros mamíferos brasileiros, cangambás inclusive: não é só o cheiro, é a forma como se reproduzem. Junto com as quase desconhecidas cuícas e catitas, os gambás fazem parte do diferenciado grupo dos marsupiais.

A diferenciação é antiga – cerca de 130 milhões de anos – e diz respeito ao desenvolvimento do feto. Os marsupiais nascem pelados e cegos – incompletos seria o termo – após uma curta gestação, de uma ou duas semanas. Instintivamente se arrastam até as mamas da mãe, onde permanecerão agarrados até completar seu desenvolvimento, em 2 ou 3 meses. Em várias espécies, as glândulas mamárias, no ventre da fêmea, são protegidas por uma bolsa ou prega de pele chamada marsúpio.

A maioria dos demais mamíferos é placentária, ou seja, após uma gestação mais longa, de meses, os filhotes nascem bem mais desenvolvidos, praticamente prontos para ‘enfrentar o mundo’. Há um terceiro tipo de sistema reprodutivo entre os mamíferos: os que põem ovos, caso dos ornitorrincos e das équidnas. Mas isso já é outra história.

Existem 272 espécies conhecidas de marsupiais no mundo, das quais cerca de 200 – incluindo cangurus e coalas – ocorrem na Austrália e países-ilhas vizinhos. Em torno de 70 espécies são nativas das Américas do Sul e Central e uma – Didelphis virginianus – é da América do Norte, vivendo até na zona temperada do Canadá.

No Brasil são conhecidas 44 espécies, e, por enquanto, apenas uma – a cuíca-de-colete (Caluromysiops irrupta), natural de Rondônia – está na lista oficial de ameaçadas de extinção, na categoria criticamente ameaçada. Mas ainda há muitas lacunas de conhecimento sobre o estado de conservação das espécies já registradas, e estima-se que existam várias outras ainda por serem descritas.

Mesmo as espécies catalogadas passam atualmente por uma reclassificação, com base em novas pesquisas genéticas indicativas dos parentescos entre elas.

Uma das dificuldades é o número reduzido de especialistas. Outra é a observação direta, pois boa parte dos nossos marsupiais é de tamanho reduzido, tem hábito noturno e grande habilidade para se esconder e escapar às armadilhas de coleta.

Os marsupiais mais comuns, distribuídos por quase todo o território nacional, são o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e o gambá-de-orelha-preta (D. marsupialis). Com distribuição um pouco mais restrita – às áreas com remanescentes de florestas primárias e secundárias da Mata Atlântica e da Mata de Araucária – também é nativo do Brasil o gambá-comum (Didelphis aurita).

Os três são abundantes, embora caçados para consumo de subsistência e por invadirem galinheiros e viveiros. Na realidade, eles se beneficiam do ambiente alterado pelo homem, que significa oferta concentrada de alimentos e abrigo. Os gambás são onívoros – comem ovos, filhotes de aves, invertebrados, frutas, lixo e o que mais encontrarem à disposição – e se entocam em qualquer espaço vago, sobretudo em tetos, lajes e muros.

Em média, os gambás têm 35 cm e 1,5 kg. A cauda é longa e preênsil, isto é, serve como uma ‘mão’ a mais nas escaladas de árvores ou de edifícações. Chegam aos 7 anos em cativeiro, mas a vida livre é bem mais difícil – e curta – por volta de 2 anos. Não são muito rápidos, nem para fugir, uma dificuldade associada ao seu sistema de termorregulação pouco eficiente.

São predados por corujas, mamíferos carnívoros e serpentes. De hábitos solitários, orientam-se pelo cheiro para encontrar parceiros. Por isso fazem ‘trilhas’ de odores nos locais por onde passam, usando saliva e substâncias secretadas pelas glândulas das axilas. As ‘trilhas’ são mais fortes nas épocas de acasalamento, que podem ocorrer duas vezes por ano.

As ninhadas são grandes, de 7 até 10 ou 12 filhotes. E, se encontram tetas, ficam todos pendurados na mãe por pelo menos 60 dias, quando então começam a viajar também no dorso. Os mais fracos caem e viram presas, cumprindo um importante papel na cadeia alimentar. Os mais fortes crescem até se tornarem independentes, cerca de 100 dias após o nascimento.

Menores do que os gambás e muito graciosas, as cuícas também são quase todas arborícolas, movimentando-se discretamente pela vegetação, com ajuda das mãos bem articuladas e da cauda preênsil. Ainda que tenham pouca carne, algumas são caçadas como alimento na Amazônia, caso da mucura ou mucura-chichica (Caluromys philander).

Conforme a espécie, a coloração varia em tons de marrom e cinza, com partes pretas e brancas, eventualmente servindo como ‘marca registrada’ como as duas manchinhas brancas na testa da cuíca-quatro-olhos (Philander opossum) e da cuíca-quatro-olhos-cinza (Philander frenatus).

Uma única espécie – a cuíca-d’água (Chironectes minimum) – vive junto a cursos d’água e alimenta-se preferencialmente de peixes. Ela tem uma particularidade, indicativa de sua adaptação ao ambiente e ao meio de vida, conforme explica o pesquisador José Carlos Nascimento: a bolsa no ventre das fêmeas tem a abertura voltada para baixo e elas conseguem fechá-la voluntariamente. Assim, quando mergulham para pescar, mantêm um pouco de ar para os filhotes, que, protegidos, não se molham, nem se afogam.

As demais cuícas não têm exatamente uma bolsa, têm pregas de pele laterais, que ajudam os filhotes a se manterem agarrados às glândulas mamárias, cujos músculos são reforçados para suportar seu peso. As menores cuícas, como as do gênero Gracilinanus, pesam meros 20 a 30 gramas quando adultas. E mesmo assim chegam a ter ninhadas de 12 filhotes!

Na região Nordeste, conforme lembra o zoólogo Ivan Sazima, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os pequenos marsupiais do gênero Monodelphis são chamados genericamente de catitas, mesmo nome comum atribuído aos camundongos. As catitas também vivem no solo, alimentando-se de invertebrados e frutinhas caídas na serapilheira, como os roedores.

Arborícolas ou terrícolas, abundantes ou raros, os marsupiais brasileiros estão na mira de novos grupos de pesquisa, preocupados em avaliar os efeitos da fragmentação florestal sobre suas populações. Uma dessas pesquisadoras é Flávia Rocha, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), que transformou esses animaizinhos em pequenos detetives ecológicos, no Pontal do Paranapanema, extremo Oeste de São Paulo.

Durante 2 anos, Flávia armou 23 mil armadilhas, sempre à noite, nas quais caíram 799 animais de 9 espécies. Destas, 5 são marsupiais. Cada animalzinho capturado foi medido, ‘doou’ um pouco de sangue para pesquisas, recebeu um brinco de identificação, e foi solto novamente. Vários foram recapturados, de 3 a 10 vezes.

Com todos os dados – mais um estudo da paisagem da região, feito por Alexandre Uezu, também do IPÊ, com base em imagens de satélite, mapas e fotos aéreas – a pesquisadora pôde avaliar a diversidade de pequenos mamíferos nos diversos fragmentos florestais do Pontal e a resposta de cada espécie ao isolamento decorrente da fragmentação (quando as matinhas deixadas em pé são cercadas de pastagens ou áreas agrícolas ou cortadas por estradas).

Segundo Flávia, o Parque Estadual Morro do Diabo, com 34 mil hectares, é o único fragmento que suporta uma alta diversidade de pequenos mamíferos, sendo que lá os animais apresentavam-se mais saudáveis, com tamanho e peso maiores. Também foram observadas ninhadas mais numerosas, de 9 a 10 filhotes por fêmea, enquanto nas matinhas menores e isoladas, fora do parque, 90% das ninhadas eram de 5 filhotes ou menos.

“O gambá-de-orelha-branca, por ser generalista, parece ter se beneficiado da fragmentação, mostrando-se dominante em todos os fragmentos, exceto no parque”, observa. “Para as cuícas, distâncias superiores a 750 metros, entre um fragmento e outro, são intransponíveis, enquanto para o gambá o isolamento ocorre acima de 1,5 km”.

A situação é particularmente crítica para espécies que circulam exclusivamente pelo alto das árvores. Elas podem até se movimentar entre os fragmentos, se a mata é secundária e há árvores pioneiras, como as embaúbas. Mas se a vegetação é mais esparsa, o fragmento se transforma numa verdadeira ilha. “E descobrimos que as cuícas-de-quatro-olhos (gênero Philander) parecem ser particularmente sensíveis à falta de água”, continua a pesquisadora. “Mesmo que não sejam semiaquáticas, como a cuíca d’água, elas se ressentem do ambiente mais seco dos fragmentos florestais, tanto que só as capturamos no parque e sempre em trilhas mais úmidas”.

Ainda falta analisar o material genético dos animais capturados para ver o nível de consanguinidade e outros parâmetros indicativos dos impactos do isolamento sobre as populações. E armar uma nova leva de armadilhas, no próximo ano, para complementar os dados obtidos, ampliando os estudos. Porém, conforme conta Flávia Rocha, já foi possível verificar que “mesmo que tenham alimento suficiente, as populações isoladas sofrem com mais competição. Entre elas, encontramos mais animais machucados e doentes, filhotes com malformações, filhotes cegos, e com mais parasitas”.

Um pouco de (pré) história

Por Evaristo Eduardo de Miranda, doutor em Ecologia, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite

“Um novo animal como que monstruoso, que tinha o corpo e focinho de raposa, a garupa e os pés de trás de macaco e os da frente quase como de homem, as orelhas como de morcego. E sob o ventre um outro ventre de fora como uma bolsa, onde esconde seus filhotes depois de nascidos; nunca os deixa sair, até quando eles mesmos estejam aptos a nutrir-se, exceto quando querem mamar”. Essa descrição de uma aparente aberração, feita em 1507, pelo cronista italiano Giovanni da Empoli, refere-se simplesmente a um gambá, coletado na embocadura do rio Amazonas pelo navegador castelhano Vicente Pinzon. A Europa encontrava um marsupial, cerca de 60 milhões de anos após a extinção do grupo naquele continente.

A principal diversificação dos marsupiais começou no que hoje é América do Sul e espalhou-se pelo mundo. Ao longo de milhões de anos, no entanto, as espécies foram desaparecendo da Europa, Ásia e América do Norte. Subsistiram apenas na Austrália, onde não há placentários endêmicos, e também na América do Sul. Os mamíferos marsupiais e os placentários competem pelos mesmos nichos ecológicos. Os segundos são mais especializados, atingem maiores tamanhos e têm levado a melhor nessa disputa.

Após separar-se da África, o continente sul-americano permaneceu como uma grande ilha isolada no meio do oceano. Os marsupiais proliferaram. Ainda não existiam felinos, nem leões, nem gatinhos. Os mamíferos carnívoros eram apenas os marsupiais. Um deles – Thylacosmilus –, então muito comum, parecia um tigre-dente-de-sabre. Era um parente distante do tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), extinto no século 20. Viveu entre 5,3 e 1,6 milhões de anos atrás e media mais de um metro. Restaram grandes quantidades de fósseis, dispostos de forma a sugerir que a espécie caçava em grupo.

Com a formação do istmo do Panamá, unindo as Américas, há cerca de 3 milhões de anos, criou-se uma ponte terrestre, por onde se deu uma invasão dos mamíferos placentários vindos da América do Norte, dentre os quais os felinos. Muitos marsupiais sul-americanos se extinguiram, por competição e predação. Sobrou a família Didelphidae. Alguns gêneros dessa linhagem conseguiram cruzar a ponte no caminho inverso, colonizando com sucesso a América Central. E pelo menos uma espécie de gambá chegou a se estabelecer na zona temperada dos Estados Unidos e Canadá: Didelphis virginianus.

Gambás X Cangambás

Nomes comuns: gambá, saruê, mucura, micura, micurê sariguê, sariguéia, timbu, cassaco.

Nomes científicos: Didelphis albiventris, D. aurita e D. marsupialis.

Características: marsupiais; arborícolas; de hábitos noturnos e solitários; em média 35 cm e 1,5 kg; pelos esparsos e desiguais no corpo, de cor acinzentada; orelhas grandes; cauda preênsil e pelada; não usam odor como ‘arma’.

 

Nomes comuns: cangambá, zorrilho, jaritacaca, jaguaritaca, iritataca, tacaca

Nomes científicos: Conepatus semistriatus no Nordeste e Sudeste, e C. chinga no Rio Grande do Sul.

Características: mamíferos placentários; terrícolas; de hábitos noturnos e solitários; em média 40 cm e 2 a 3,5 kg; pelagem densa, preta com duas listras brancas em todo o dorso; orelhas pequenas; cauda peluda; usam jatos de odor fétido como verdadeiras ‘bombas químicas’.

Fonte: EPTV

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