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Peixes e moreias aparecem mortos no litoral do Rio Grande do Norte

A análise das amostras dos animais mortos, de algas marinhas e das águas do Atlântico Sul coletadas por técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) da ONG Oceânica, neste domingo (7), é o ponto de partida para esclarecer as causas da mortandade de moreias e peixes,  ocorrida no fim de semana ao longo da costa ao norte de Natal.

Moreias são encontradas mortas no litoral Norte do Rio Grande do Norte. Foto: Canindé Soares

O superintendente regional adjunto do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha, disse que as amostras foram coletadas “para se tentar fazer um laudo preliminar” sobre o acidente ambiental ocorrido na fauna marinha no litoral que banha os municípios de  Extremoz, Ceará Mirim, Maxaranguape e Rio do Fogo.

Luiz Eduardo Bonilha disse que ainda não se podia apontar se foram causas artificiais ou naturais que provocaram a mortandade dos animais marinhos, embora ele falasse em algumas hipóteses, como o aumento da temperatura da água do mar ou até envenenamento por algas marinhas tóxicas, mas sem afastar a possibilidade da contaminação por derramamento de óleo na costa devido à atividade petrolífera.

Bonilha explicou que o acidente “não é associado à atividade pesqueira”, em virtude dos animais  mortos terem aparecido numa faixa muito extensa da costa. Segundo ele, quando isso ocorre, os peixes ou animais marinhos mortos se concentram mais numa determinada faixa do litoral.

Ele estima que a partir de amanhã  até o fim de semana, o Ibama poderá divulgar um laudo preliminar sobre o caso das moreias encontradas nas praias de Jacumã, Pitangui, Muriú, Jacumã, Maracajaú e Punaú. “As moréias são da espécie verde”, disse o superintende adjunto do Ibama

Moradores e pescadores dessas praias afirmaram que a situação começou a se agravar na manhã de domingo. “Eram apenas algumas mortas, mas na manhã de domingo a quantidade ficou assustadora. Enquanto caminhava pela beira da praia, contei 1.250 moreias mortas”, afirmou um morador da praia de Muriú, o aposentado Oton Osório, 72 anos.

Além de dificultar a caminhada matinal dos banhistas, os peixes mortos na areia também causam mau cheiro. “Os urubus não estão dando conta de tanta carniça. A noite, não há quem aguente o cheiro de peixe apodrecido”, afirmou Oton Osório.

As moreias não foram as únicas espécies encontradas mortas na praia. Em número bem menor, peixes de outras espécies, como bagres, baiacus e moriongos, também havia morrido e chegado às margens da praia de Muriu. “Em mais de 40 anos pescando nessa praia nunca vi nada do tipo, nem com moreias, nem com outros peixes. Não faço a menor ideia do que pode ter causado tantas mortes”, afirmou o pescador Sebastião da Silva, 65 anos.

Espécie

Peixes ósseos, anguiliformes, da família dos murenídeos. Têm como uma das suas principais características o corpo longo e cilíndrico. Há cerca de 200 espécies distribuídas por 15 gêneros, das quais a maior mede 4 metros de comprimento e pesa 15 quilos. As moreias habitam cavidades rochosas, preferencialmente, próximo a corais. Possuem hábitos noturnos e são animais carnívoros, se alimentando de polvos, crustáceos e peixes pequenos. Não têm escamas e, ao contrário do que se divulga, também não são venenosas.

Temperatura está mais alta

O chefe do Setor de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, explicou que, realmente, a temperatura da água do mar, desde a costa do Pará e até o sul do Brasil, “está acima do normal em até 1.5 e dois graus”.

“As temperaturas do mar estão mais altas, não resta a menor dúvida”, reforçou Bristot, a respeito de uma tendência que vem se apresentando nos últimos três anos, período em que as águas do Atlântico Sul “tem apresentado valores acima do normal”.

Segundo Bristot, nos anos de 2008, 2009 e agora em 2010, a média da temperatura oceânica na costa brasileira é de 27 graus: “Já é um valor considerável”.

Bristot também disse que este ano a temperatura “está até mais quente do que o normal”, lembrando que a última vez em que a temperatura do Atlântico Sul ficou abaixo do normal foi em outubro de 2007, quando chegou a 23.3 graus.

Ele afirmou que “não diria” se isso era causado pelo efeito estufa. “Não podemos argumentar de maneira clara porque esse aquecimento nos últimos anos,  pode ser cíclico”, disse ele, inclusive em relação à atividade solar.

“Na verdade as águas oceânicas do Atlântico Sul vêm apresentando temperaturas mais altas, resta saber qual a interferência disso na vida aquática”, finalizou ele.

 Já a Petrobras informa que não houve registro de vazamento de petróleo no litoral do Rio Grande do Norte decorrente de suas atividades de Exploração e Produção nos últimos dias, que pudesse justificar a morte das moreias e peixes.

Fonte:  Tribuna do Norte






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