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Cães da raça boxer têm mais chance de desenvolver neoplasias na velhice

Dr. Leandre Maciel examina as gengivas de um Boxer com cerca de 9 anos. O animal já apresenta quadro grave de neoplasia oral. Foto: Repridução/ DN

Algumas raças de cães têm predisposição para desenvolver determinadas enfermidades ao longo da vida. É o caso da raça boxer, uma das mais amadas pelas famílias. Porém, especialmente na fase idosa, a partir dos 8 anos de idade, o boxer tem tendência para desenvolver neoplasias (tumores). A mais comum é a neoplasia oral, onde as gengivas do cão aumentam consideravelmente, chegando a cobrir quase toda a arcada dentária, ficando expostos apenas os dentes maiores, as chamadas presas.

Segundo o médico veterinário Leandre Maciel Pessoa, a neoplasia oral consiste no crescimento das células que leva ao crescimento desordenado do tecido gengival, ao ponto de cobrir quase toda a arcada dentária. Neste caso, não adianta fazer a escovação dos dentes semanalmente, como é recomendado para os cães. Uma vez já existindo os tumores na gengiva, passar escova só vai causar mais inflamação e ferimentos.

Ele diz que os tumores se caracterizam pela alta vascularização, ou seja, alta irrigação de vasos sanguíneos na região afetada. Daí o risco de sangramento e até hemorragia durante uma escovação.

Mas ele admite que, se ainda não há tumores na gengiva do cão, a higiene oral é fundamental. Combate as placas, o tártaro e as cáries. “Porém, se o animal tiver a tendência para a doença, é quase certo apresentar a neoplasia oral, mesmo mantendo a escovação semanal.

Segundo explica, as causas prováveis para a raça boxer apresentar neoplasias estão nos diversos cruzamentos de linhagem para desenvolvimento da raça desde a sua origem. Isto acontece com outras enfermidades e raças caninas também. É o caso de cães Pastores Alemães ou Labradores em relação à displasia coxo-femoral.

Leandre Maciel cita pesquisa feita em 2002 no Paraná, sobre o mastocitoma, um tipo de tumor que se exterioriza na pele dos cães. 46,15% doa casos estudados eram animais da raça Boxer, e 53,86% das demais raças. “É uma porcentagem muita alta para o Boxer”, afirma ele.

Gengiva de cão idoso. Quase totalmente coberta por neoplasia. Foto: Reprodução/ DN

Nos casos mais graves, a neoplasia pode levar o animal à morte. Porém se o animal tiver a tendência, esta se manifesta mais na fase idosa, a partir dos 8 anos de idade. Quando os tumores são na gengiva, o cão apresenta perda da peso, salivação excessiva e queda nos dentes.

O diagnóstico é feito pelo exame clínico e pela retirada de parte da região inflamada para análise por biopsia. No caso do tumor ser benigno, pode ser feita cirurgia para retirada da área afetada. São recomendados antibióticos após o procedimento.

Para o acompanhamento no caso de diagnóstico da neoplasia maligna (câncer), Leandre Maciel diz desconhecer tratamentos com radioterapia ou quimioterapia para cães no Brasil. Uma vez diagnosticada a neoplasia, ele adverte que a chance é de 50% para ser maligna ou benigna. Sendo câncer, há o risco da metástase, quando as células afetadas atingem também outros órgãos do canino.

Alguns criadores podem decidir fazer a eutanásia no animal. Porém, o vínculo afetivo que se forma na maioria dos casos faz com que o cão seja preservado em casa até o final de seus dias.

Para prevenção, são recomendadas consultas regulares ao veterinário, especialmente quando o animal entra na fase idosa.

Hiperplasia oral

Porém, nem todo aumento da gengiva no Boxer pode ser por neoplasias. Há outros diagnostico possíveis. Conforme o veterinário Márcio Araújo, o aumento pode consistir numa hirperplasia gengival, ou seja, o crescimento da gengiva caracterizado por aumento gradual na sua espessura, sobretudo ao nível do bordo ou pela presença de massas firmes e não dolorosas. O crescimento também é conhecida por hiperplasia periodontal fibromatosa.

Ele explica que a causa é desconhecida, mas pensa-se que haja uma resposta exagerada das células epiteliais a uma estimulação antigênica crônica por parte dos componentes periodontais. Esta situação é mais comum em raças grandes a gigantes, tendo sido frequentemente diagnosticada em Boxers de meia idade e mais velhos, o que comprova a predisposição familiar e racial da patologia. Outras raças afetadas incluem o Dogue Alemão, o Collie e ainda o Dobermann, Pinscher e o Dálmata.

Também estão descritos casos de hiperplasia gengival secundária ao uso de determinados fármacos como, por exemplo, antibióticos da classe dos macrolídeos e antiinfeccioso da série dos nitroimidazóis.

Márcio Araújo diz que o diagnóstico faz-se essencialmente por exame físico a partir de um exame cuidadoso da cavidade bucal, havendo forte suspeita caso se tratem de lesões generalizadas num Boxer ou noutra das raças predispostas ao aparecimento de hiperplasia gengival. Os sinais clínicos mais comuns são os espessamentos e aumento de tamanho da gengiva e bordo gengival, por vezes cobrindo completamente a superfície dos dentes.

Padrão difuso

As lesões podem ser localizadas, mas geralmente o padrão é difuso. Pode haver halitose (mau hálito), salivação excessiva, disfagia (dificuldade em ingerir os alimentos) e sangramento nos casos mais severos.

Este sob recrescimento vai resultar na formação de pseudobolsas – há um aumento da profundidade do sulco gengival devido à proliferação de tecido e não a uma menor aderência, que não sendo tratada pode progredir para doença periodontal, visto que estas bolsas podem reter restos de alimentos.

Nas lesões localizadas pode haver desenvolvimento de áreas hiperplásicas, provocadas pelos traumatismos repetidos da mastigação ou sob a forma de uma massa protuberante no bordo gengival. Nestes casos a biópsia é recomendada para descartar neoplasia. Ele destaca que só a biópsia permite uma confirmação definitiva do diagnóstico.

Nos casos de hiperplasia gengival ligeira o tratamento raramente está indicado. Nos casos moderados a severos, em que as lesões interferem com a mastigação ou haja evidência de doença periodontal, o veterinário recomendam uma gengivoplastia (cirurgia na área afetada).

O objetivo da cirurgia é recuperar a espessura e contorno gengival normal.

A Raça

Boxer (em alemão: Deutscher Boxer) é uma raça canina oriunda da Alemanha. Aparentemente foram gerados por meio de cruzamentos entre os Brabants Bullenbeisser da Bélgica e cães semelhantes de Danzig, ainda que se considere o Buldogue Inglês como um de seus antecessores. Estes cães, os mais altos das raças de cara achatada, são considerados eternas crianças, embora desconfiados e cautelosos com estranhos. Segundo estudos, o Boxer é, em pensamento e atitudes, uma criança de três anos, sendo considerado a companhia perfeita para famílias ativas, apesar da aparência de cão de guarda. Mesmo aparentando força no alto de seus 32kg e 63cm, é um cão de saúde frágil, que ocasionam em uma expectativa de vida abaixo da média. O câncer vitima mais Boxers que qualquer outra raça canina.

Fonte: Diário do Nordeste

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Determinar causa de alergia em cães pode ser trabalhoso

Atualmente elas correspondem a cerca de 70% dos casos dermatológicos e, muitas vezes, o diagnóstico é trabalhoso. Não é possível diagnosticar alergia de forma confiável através de um exame laboratorial, como os veterinários fazem com tantas outras doenças dermatológicas, tais como as dermatites parasitárias (sarnas), as dermatites fúngicas (micoses), as neoplasias, as doenças autoimunes e tantas outras.

O que ocorre, na maioria das vezes é, que, muitos tutores saem frustrados da consulta com o especialista em dermatologia, comentando: “Mais um que não sabe o que meu cachorro tem”.

Um diagnóstico confiável é baseado na exclusão de demais dermatopatias pruriginosas – doenças que causam coceira – e, uma vez confirmado a alergia, deverá ser excluídas as diversas causas alérgicas. Isto, na maioria das vezes, gera frustração tanto ao tutor do cão quanto ao médico veterinário. Às vezes o tutor já consultou inúmeros profissionais da medicina veterinária antes de chegar a um especialista e quer uma resposta simples e objetiva que resolva o problema do seu amigo de 4 patas. Por outro lado, os especialistas, também se frustram ao perceber o semblante desanimador do responsável pelo animal, pois o mesmo terá que passar por várias etapas antes de descobrir o tipo de alergia que se desenvolve em seu cachorro e, em certos casos, ele terá que lidar com algo incurável por toda a vida.

A primeira etapa consiste na eliminação de pulgas, ectoparasitas, piolhos e carrapatos. Uma vez feito isso, deverá ser eliminado – em teste – os alimentos possivelmente envolvidos na alergia do cachorro e, isto, exige muita paciência e dedicação por parte dos tutores, pois terão que oferecer alimentos caseiros ao cão por um longo período, que varia entre 60 e 90 dias, e remover todos os alimentos industrializados da sua dieta, chamada de eliminação. Esta dieta é uma etapa fundamental para se excluir alergia alimentar, e não pode ser negligenciada. Os ingredientes são escolhidos pelo profissional veterinário com base naquilo que o animal nunca tenha ingerido anteriormente. A adesão a este protocolo é fundamental para ser concluída a  alergia que o ‘fiel amigo’ tem de fato.

Uma vez feito isto e não havendo melhora clínica terá a conclusão que se trata de uma dermatite atópica, também chamada de alergia a inalantes ambientais, pelo qual é incurável, exigindo um tratamento permanente no cachorro.

Fonte: Portal da Cinofilia

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Cães e gatos estão mais sujeitos a desenvolver tumores

As neoplasias são crescimentos anormais do tecido, ocorrendo um desenvolvimento mais rápido que os tecidos normais ao redor, de maneira desordenada e persistente.

A cada dia que passa os animais de estimação estão vivendo por mais tempo, comendo rações com conservantes e, também, estão expostos à poluição do meio ambiente. Devido à soma desses fatores, os animais estão mais sujeitos a desenvolverem neoplasias.

Os tumores mamários são muito comuns em cães e gatos. Há uma gama enorme de tipos histológicos que acometem os cães, porém na maioria dos casos são tumores benignos. Já nos gatos, a maior parte dos tumores são malignos e altamente agressivos.

O tumor de mama é o segundo mais comum em cães e o mais comum em cadelas. Acometem, em geral, animais mais velhos (com cerca de 10 anos de idade), de preferência em animais que possuem todo o seu aparelho reprodutivo (inteiros) e animais que foram castrados após numerosos cios. Não há uma preferência por raça, todas estão sujeitas a esta neoplasia.

Em gatos, ocorrem menos do que em cães, ficando em terceiro lugar. Animais velhos (cerca de 10 e 12 anos) e animais inteiros são geralmente os mais afetados, e gatos siameses podem ter maior risco que outras raças.

O aparecimento desta neoplasia está relacionada com a produção de hormônios femininos, como o estrógeno e a progesterona. Em cadelas, o risco para o desenvolvimento do tumor mamário está relacionado com o número de ciclos estrais da cadela, aumentando consideravelmente a cada ciclo estral. Já em gatas, esse risco aumenta em até sete vezes em fêmeas inteiras comparadas com fêmeas castradas na puberdade.

A administração de alguns progestágenos pode aumentar o risco de desenvolvimento de tumores mamários benignos em cães, enquanto em gatos o uso destes hormônios pode aumentar o desenvolvimento de tumores tanto benignos quanto malignos. Assim como nos seres humanos, os tumores de mama possuem receptores de estrógeno e/ou progesterona, e quanto maior o número destes receptores, menos maligno ele é.

Nos cães, cerca de 50% dos tumores mamários são malignos e, destes, ao redor de 90% são carcinomas. Nos gatos, prevalece também o carcinoma, mas em uma taxa muito superior, acima de 80%.

Os tumores benignos são classificados em:
* Adenoma simples
* Adenomas complexos (tumores benignos mistos) ou também chamado de tumores mesenquimais benignos
* Fibroadenoma, também conhecidos como tumores benignos mistos, os quais são o tipo mais comum de tumor benigno em cães

Aproximadamente 90% dos tumores mamários malignos são carcinomas, e estes são classificados da seguinte maneira:
* Sólidos: lençóis de células densas
* Túbulas ou lobular: proveniente de alvéolos
* Papilas: proveniente do epitélio ductal e ocorrendo como ramificações papilares ou císticas
* Anaplásicos: muito pleomórficos e com ausência de padrão definido

Os tumores benignos não sofrem metástase, mas há a tendência de cadelas em desenvolver tumores múltiplos. Entretanto, os tumores malignos podem se comportar de maneira benigna ou muito maligna, sofrendo metástase rapidamente para linfonodos locais e pulmões.

Estas neoplasias podem ser múltiplas ou única, sendo palpáveis como nódulos ou massas dentro das glândulas mamárias. Alguns carcinomas inflamatórios agressivos podem apresentar aumento mamário difuso, edema e ulceração. É rara em cães e comum em gatos dificuldade de respirar devido à metástase pulmonar.

O diagnóstico pode ser feito pelo exame clínico e palpação, mas deve ser feita a confirmação com o auxílio de algumas técnicas de diagnóstico, como exames de sangue, raios X, aspiração com agulha fina (FNA) e biópsia do tumor.

Na maior parte dos casos, o tratamento para o tumor mamário é a retirada dele cirurgicamente. No caso dos cães, as primeiras três glândulas drenam cranialmente e as glândulas quatro e cinco drenam caudalmente, embora possa haver comunicação linfática entre as glândulas adjacentes. Portanto, é necessário que seja feita a remoção das glândulas adjacentes para a maior parte dos tumores uma remoção mais abrangente para tumores em ramificações glandulares. Nos gatos a comunicação entre as glândulas não é tão clara, entretanto o tratamento radical é recomendado.

Existem também outras técnicas de tratamento, como a radioterapia, que mostrou ser pouco efetiva no tratamento destes tumores, assim como a quimioterapia.

O melhor método para prevenir o aparecimento de tumores mamários é  a castração e, de preferência, precocemente (antes do primeiro cio do animal), pois após esse período a taxa percentual de prevenção cai muito, podendo chegar a ser nula.

Fonte: InfoEscola

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