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Líder da matilha: você ou o seu cão?

“Os bichos de estimação nos colocam em contato com a natureza animal, uma dimensão elementar que a sociedade e nosso estilo de vida se empenham em suprimir”
(Marty Becker , médico veterinário, autor de “O poder curativo dos bichos”)

Os primeiros animais a serem domesticados pelo homem foram os lobos, ancestrais dos cães. Hoje, sabe-se que os cães domésticos descendem dos lobos, porque  lobos e  cães podem cruzar, gerando descendência fértil. Essa ancestralidade está comprovada: o pesquisador Peter Savolainen, do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, Suécia, analisou o DNA de cães do mundo inteiro e lobos da Eurásia e encontrou semelhanças genéticas que atestam que os cães domesticados descendem dos lobos.

Os lobos sempre caçaram em bandos, assim como os homens, e desde um estágio muito primitivo foram usados pelos hominídeos tanto para caçar quanto para proteger povoados. Os lobos ajudavam os humanos e comiam as carcaças do que os homens caçavam. Sua domesticação antecede o desenvolvimento da agricultura – ocorreu entre dez mil e vinte mil anos atrás.

Os lobos vivem em alcateias, onde sua força aumenta. A maioria das alcateias tem de quatro a sete  membros, e é considerada o mais complexo grupo, na sua forma de organização social entre animais não primatas. Compõe-se de um casal líder de reprodutores, chamados de alfa. Há uma hierarquia própria para machos e fêmeas. Os lobos têm a capacidade de estabelecer ligações afetivas. E isso, talvez, tenha feito com que seus descendentes fossem os melhores amigos do homem.

Os cães são predadores que herdaram esse comportamento social, de grupo. Para os cães, o ser humano faz parte do seu grupo. A matilha necessita de um líder, que pode ser um cão ou um humano. Esse líder impõe regras de convívio, e os cães podem reconhecer um humano como seu líder, e irão segui-lo.

O líder é aquele que protege os demais e impõe limites para que a matilha prospere. Na Natureza, o líder come primeiro, decide a hora de atacar, escolhe e demarca o território. O líder indica o rumo caminhando à frente, e também vai manter a ordem e a paz da matilha.

Para os cães a hierarquia é obrigatória e cada um sabe exatamente o lugar que ocupa dentro do grupo. Os cães se testam continuamente para saber quem é o lider.

Há duas classes na hierarquia canina: o submisso e o dominante. E essa hierarquia começa a se formar nas brincadeiras dos filhotes. O cãozinho que fica por cima demonstra que é mais forte (dominante), enquanto o mais fraco (submisso) expõe o pescoço e a barriga.

O comportamento submisso

Um cão submisso sabe qual é o seu papel na família/matilha. Ele não é “inferior” ao dominante, e vive feliz, pois os cães vivem tranquilos quando sabem qual é o seu lugar na hierarquia.

Atitudes que o tutor deve ter, desde cedo, com o cão:

– mexer em sua comida;
– escová-lo;
– etc.

O comportamento dominante

Para o cão, a família humana é a matilha, seu grupo social, e ele tentará ser o membro dominante – mesmo que seja uma fêmea. O cão irá testar todas as pessoas que vivem com ele, exibindo comportamentos dominantes que muitas vezes não são percebidos. O tutor tem que fazer a sua parte, agindo com firmeza, para que a matilha viva em paz.

Existe a seguinte hierarquia: primeiro o tutor, depois todas as pessoas da família, o cão mais dominante e por último o cão mais submisso. O tutor sempre será o líder da matilha, não permitindo desafios. Nunca deve  deixar que o cão ganhe disputas, especialmente as físicas. Cedendo uma vez, o tutor certamente terá muitos aborrecimentos. Estudos de comportamento dos lobos e cães selvagens indicam que a agressão e a violência são exceções; brigas acontecem somente em último caso. Porém, brigas por liderança podem machucar seriamente.

Comportamentos que o tutor não deve permitir no cão:

– que o cão, em passeios, ande na frente dele;
– que “puxe” a guia, em passeios:
– que coloque as duas patas dianteiras sobre o tutor – isso não é um “abraço”, é um desafio: na matilha – subir em outro cão com as patas da frente é um sinal de desafio;
– rosnar para o tutor ou para os outros membros da família/matilha;
– ficar deitado e impedir que o tutor passe;
– apoiar-se ou colocar a pata sobre o tutor;
– qualquer atitude agressiva: rosnados ou latidos para o tutor ou para qualquer membro da família/matilha;
– desobedecer a comandos;
– disputar  liderança com outro cão.

Além da posição firme do tutor, há tratamentos para um cão excessivamente dominante:

– adestramento;
– florais de Bach;
– aromaterapia, cromoterapia etc.;
– combinação dessas técnicas.

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