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Sempre ao seu lado?

Sempre ao seu lado!?!?! ou Cento e um abandonados?

É claro que a conta é mais alta, há muito mais que cento e um animais abandonados pelas ruas do País, aliás, da Terra, mas a verdade é que filmes, livros ou qualquer outra coisa com animais se “vende” sozinho, e os criadores oportunistas riem de orelha a orelha com a oportunidade. O problema é que essa imensa massa humana, cega, surda e na maior das vezes ignorante, não vê o que ela mesma, faz aos animais.

Muitas  vezes se ocupam em repassar emails bonitinhos de filhotinhos ou de animaizinhos, enquanto se deixam levar pelo próprio preconceito em relação aos animais não-humanos, aliás, elas nem sabem direito o que são animais não-humanos, pois em sua egoísta lista pessoal, animais são apenas cães e gatos. E os protetores de animais recebem emails com textos sugestivos como “Lição de Vida”, “Vitoriosos”, mas os “repassantes” se esquecem de enviar junto um auxílio para que o protetor possa cuidar do animal resgatado.

E vai crescendo o número de animais abandonados… Cento e um Dálmatas, a refilmagem saiu quando a raça Dálmata estava, vamos dizer “em baixa”, de repente nunca se vendeu tantos filhotes de Dálmata, depois tornou-se comum ver alguns deles vagando, solitários pelas ruas, afinal a febre “Dalmatiana” havia se acabado.

Então veio a “Marleymania”, ouvia-se a todo instante: “Eu comprei um Marley”, “Eu ganhei um Marley” , ninguém nem lembrava da raça, era , como era mesmo, “Lavrador?”, “Labador” , “La…..é o Marley”. Mas o Marley era o cachorro “deles”, não é o que as pessoas compram, é daí que vem a decepção e o provável abandono.

Agora mais um filme, e tremo de medo ao ver que AKITAS não são para donos preconceituosos que assistem um filme, choram e acham que encontraram o cão da sua vida.Ele não nasce para viver ao lado de qualquer pessoa e mesmo antes do filme já haviam dezenas de Akitas abandonados pelas ruas , só espero que não vejamos mais daqui há um, dois, cinco anos , quando a febre dos “AkitasGeres”for superada pelo próximo filme e pela próxima “raça”.


 Simone Nardi  ,escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.

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Construção e libertação da consciência

Certamente é doloroso arrancar a venda dos olhos,
deixar de viver na ficção que criamos dia a dia
para poder contemplar a realidade tal qual ela é,
além das fantasias comodistas. (N.Acrópole)

É fato que a maioria das pessoas vive dentro de uma prisão, e a essa prisão daremos o nome de ignorância. Vivemos presos a ignorância quando nos suprimimos da verdade, ou quando, acanhados por ela, ignoramos tudo que poderia nos libertar. Não queremos ouvir porque se ouvirmos saberemos, isso é Libertação. Não queremos ler ou ver porque isso também geraria uma Libertação. Estamos tão acostumados a carregar as pedras da inconsciência que não desejamos mais a Liberdade que nos soa como algo inseguro e diferente.

A chave que poderia nos libertar e que se chama Consciência, na verdade nos aterroriza, pois nos fará sair da posição confortável de vítimas, para a posição de seres de Responsabilidade. Esse o grande problema da humanidade hoje em dia em relação à Libertação Animal. Tornar-se consciente exige de nós responsabilidade para com aqueles seres que, até então, julgávamos inferiores. Ter consciência de seus sofrimentos nos força a uma transformação para da qual não há volta. Não adianta ouvirmos discursos batidos de pessoas que se diziam veganas/vegetarianas e que resolveram voltar a comer carne, essas não deixaram as grades da ignorância, apenas colocaram os olhos para fora por poucos minutos e ao notarem que a responsabilidade seria gigantesca, optaram pela cela fria da ignorância novamente.

Quando verdadeiramente conscientes dos prejuízos que causamos a outrem, torna-se impossível à volta a cela, à volta ao mal do qual escapamos através da razão consciente. Sabemos que a mudança ocorre de modo diferente em cada um, porém, se ocorrer de fato, não se pode abandonar a luz e retornar as trevas. Esse processo de mudança se inicia no momento em que nos encontramos com a Verdade, e a Verdade no campo da Libertação Animal é que a humanidade maltrata os animais de todas as formas possíveis e imagináveis, alicerçada apenas em antigas crenças mentirosas de que possui direitos sobre eles.

A construção de uma nova consciência não ocorre, muitas das vezes, individualmente, é necessário um auxilio mútuo, é necessário que mudemos e nos conscientizemos para, a partir daí, conscientizarmos o nosso próximo, e isso se desenvolve de modo diferente em cada pessoa. Existem aquelas que racionalmente conseguem perceber com maior nitidez e rapidez o engano no qual viviam até então, para elas trocar a cela da ignorância pela liberdade que lhe traz a conscientização é uma coisa que faz parte de sua existência, é um passo que é dado de forma natural, pois faz parte da sua vida, tal como ao caminhar se coloca um pé diante do outro. É fato, é o caminho real, sendo necessário prosseguir. Essa pessoa não teme as responsabilidade que advêm dessa mudança, ao contrário, aceita a mudança, pois sabe que faz parte da humanidade mudar e progredir. É lhe impossível não mudar.

Há outras, no entanto, que demoram em admitir essa transformação porque sabem que isso implica em grandes responsabilidades afinal, é bem mais fácil permanecer-se onde se está do que movimentar-se em qualquer direção. Outros ainda irão preferir permanecer nas celas de sua ignorância para sempre não se permitindo ouvir, ver ou ler algo que possa tirá-los de sua inanição mental.

É preciso construir uma Libertação da Consciência para, a partir daí, construirmos a Libertação Animal, é o trabalho de cada indivíduo que irá alicerçar e construir essa libertação, é por esse caminho que todos caminhamos, sabemos que sem isso não haverá mudança nem Libertação. Mas, infelizmente essa é uma das verdades da Libertação Animal, o fato de encontrarmos ainda hoje, apesar de todos os veículos de comunicação que temos ao nosso dispor, pessoas que preferem permanecer resguardadas do mundo real, com frases decoradas de que os animais são seres inferiores e são criados para o sofrimento. Dizem que lutam pelo Meio Ambiente, mas se esquecem que o hábito alimentar é um dos principais problemas que enfrentamos hoje , pois a agropecuária sozinha emite cerca de 18% dos gases que ajudam a produzir o efeito estufa. De dentro da cela de sua ignorância, cada pessoa dessa não consegue perceber que é o responsável pelo desequilíbrio planetário, ela não quer ver que mais de 200 milhões de bovinos antes de morrer serão responsáveis pelo aumento do metano no ar, ela quer permanecer acreditando que seu bife não faz parte dessa destruição. Ela se recusa a saber que mais de 100 milhões de animais são mortos todos os anos em experimentações laboratoriais, mas nas celas da sua ignorância essas pessoas preferem se exceder em seus vícios, no fumo, na bebida, na promiscuidade, acreditando que uma mera vacina irá sanar todos os problemas do mundo. Elas tapam seus ouvidos para o fato de que cerca de 38 milhões de animais são retirados da natureza de forma contrabandeada e que mais da metade desse total acaba morrendo antes de chegar às mãos do receptador, no entanto essas pessoas, as mesmas que adquirem animais silvestres como se fossem objetos, permanecem surdas a esses avisos.

E alguns ainda dizem que conhecimento é sinônimo de sofrimento, e é sofrimento a partir do momento em que você se encara como um ser capaz de cometer todas as atrocidades citadas acima e não luta para mudar isso. As pessoas preferem ignorar e se isentar de qualquer sofrimento apenas para não terem que lutar contra elas mesmas pois sabem que fazem parte de um sistema destrutivo, mortal e cruel e sentam-se em suas celas escuras procurando abafar os gemidos e ocultar as imagens de sua crueldade, arrumam desculpas, ironizam, ignoram que são elas que matam e que criam doenças.

E estes ainda esperam por um mundo melhor…

Simone Nardi
-Escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.


Fonte:
Pensata Animal

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Ética e Moral

A ética exige que extrapolemos o “eu” e o “você” e cheguemos à lei universal,
ao juízo universalizável, ao ponto de vista do espectador imparcial,
ao observador ideal, ou qualquer outro nome que lhe dermos.
(SINGER, 2002, p. 19-20).

 

Ethos e Mores.

Esses dois conceitos nos dias de hoje, se bem compreendidos, assustariam muitas pessoas que se dizem éticas em relação à vida animal. A teoria e a prática, a ética e a moral, ambas foram esquecidas e enterradas, por isso o declínio da humanidade nos dias atuais. Atualmente, inúmeros comitês de ética se dizem éticos por não compreenderem a essência do conceito de Ética, pois se esqueceram que, se fôssemos verdadeiramente Éticos não existiriam no mundo, um sem número de códigos de ética, um para cada ocasião, um para cada profissão; esqueceram que se fôssemos verdadeiramente Éticos, nossas ações por si mesmas, seriam Éticas, não havendo necessidade dos famosos “Comitês de ética” que dizem “regulamentar” o modo como devem ser conduzidos os experimentos em seres vivos e sencientes já que a ética humana, normalmente já perdida, extrapola em desumanidade diante dos mais fracos.

O maior problema foi a transformação da Ética Atemporal numa ética temporal, ou seja, aquela que muda conforme as nossas necessidades. Esse total abandono da Ética atemporal, que não nos permitiria cometer os crimes que cometemos hoje em relação aos animais e mesmo em relação a outros seres humanos, foi o que nos tornou desumanos e o que fez com que a Filosofia buscasse por uma Ética da qual ela mesmo se esqueceu ao aceitar a ética temporal, como realidade. Para talvez, coibir crimes mais atrozes, houve então a necessidade da criação desse Freio – que alguns costumam chamar de ética – como já dissemos, nas mais diversas profissões, nos mais diversos caminhos humanos, segundo alguns para moralizar aqueles que, em sua maioria, não fazem idéia do que é Moral ou Ética.

A verdadeira Ética nos impediria de cometermos qualquer atitude cruel para com os animais porém, tentamos ludibriá-la e criamos um código de ética para a nossa moral violenta e irracional, uma ética que nos permitisse “moralizar” a tortura, “moralizar” a morte e o sofrimento, “moralizar” o encarceramento de seres sencientes porque nossa moral e nossa ética faz de nós, seres intelectualmente superiores. Achamos, portanto, “ético” matar aqueles que estão em desvantagem intelectual, aqueles que, embora reconheçamos como sencientes, tiveram a má sorte de serem mais fracos que nós, seres éticos e morais. Precisamos desse freio que nos acostumamos a chamar de ética para não falar da doença de determinado paciente para com outra pessoa que não seja da área de medicina, precisamos desse freio para não cortar os animais vivos, porque eles sentem dor e não suportamos seus gemidos, precisamos desse freio para não falar mal de um colega nos emails da empresa, pois lá também há um código de ética a ser seguido, e precisamos desse freio para aumentar as jaulas dos seres sencientes que irão morrer nas mesas de vivissecção para salvar uma humanidade que chafurda em vícios e cria suas próprias doenças.

E criamos os “Comitês de ética” para o uso de animais durante experimentações que teria, como finalidade, frear o excesso e permitir a tortura que usa, dentro dessa nova ética, um nome diferente e que se chama “Progresso da Ciência”. Os comitês alegam que se baseiam em princípios éticos no campo da vivissecção, do encarceramento, da tortura pela privação de alimentação e água, pela ingestão de produtos tóxicos, pela indução de doenças , pela dor e pelo assassinato ao fim de tudo.

Criam protocolos de pesquisa para que determinada Cobaia – eles evitam tal como Descartes o fazia, utilizar o termo animal pois isso os aproximaria da realidade de dor e sofrimento pela qual aqueles seres passam diariamente e isso os impediriam de agirem, pois há em todos os seres,sempre latente, o principio vital da verdadeira Ética, que acaba sendo ignorado aos poucos – não seja usada em experiências já realizadas por outras, ou que não repita ela própria, duas vezes a mesma experiência pela qual passou. Eles criam modos de dissecar, modos de induzir dor, modos de encarcerar , tudo dentro desse campo “ético” tempora,l e esse utilitarismo ético mata milhares de animais sencientes todos os anos em benefício de uma só espécie. Há como acreditar que possa realmente existir uma ética quando um Ser senciente é encarcerado, privado de alimentação e seu organismo é minado das forças pela indução de doenças que sequer fariam parte de sua vida?
Algumas normas dos comitês de ética pedem:

1- Respeito
2- Consciência e sensibilidade
3-Ética e responsabilidade moral

Mas, diante da indução da dor para observação sem que o animal seja aliviado de seu sofrimento, pode-se dizer que há uma Ética? Que tipo de Ética permitiria que um determinado Ser, somente por estar abaixo de outro intelectualmente, sofresse dores, doenças ou encarceramento? Somente uma ética que não estivesse fundamentada na verdadeira Ética. Por isso o nome correto seria “Freio”, pois os próprios cientistas reconhecem que existem inúmeros abusos entre as brancas paredes de um laboratório. Os agora, comitês de freio, seriam os responsáveis por coibir tais abusos sem, contudo, coibir os demais sofrimentos onde, somente o verdadeiro conceito de Ética é que poderia impedir de uma vez por todas qualquer tipo de sofrimento animal.

Em todos os princípios da experimentação animal, vamos notar que entre esse Freio ético e a verdadeira Ética há uma diferença substancial. Os artigos dizem que é primordial que as pessoas que irão manipular os animais – para eles meras cobaias – respeitem a cobaia/animal como um ser vivo dotado de senciência, de memória , que sofre dor exatamente por sua senciência, e sofre dor porque não lhe é possível reagir e fugir. Sabemos que senciência significa sensibilidade, capacidade de sentir dor, de sentir medo, angústia e de sofrer. Como é possível então, alegar-se que é ético proporcionar qualquer tipo de sofrimento a um ser em que reconhecemos tais sensibilidades? Seria mesmo possível chamar a isso de ética? Com certeza não, porque usamos da capacidade intelectual um pouco acima da deles para transformá-los em seres objetos e não há como dizer que se respeita um animal quando o tratamos como objeto, por melhor que afirmemos que tal objeto seja “carinhosamente” manipulado. Se tivermos mesmo consciência de que a dor no animal é similar a dor que sentimos, não podemos nos colocar como seres éticos ao infligirmos neles qualquer tipo de sofrimento, não se a essa ética da qual tratam os comitês de experimentação estiver mesmo ligada à verdadeira Ética, que nos obriga a respeitar qualquer ser vivente; como já foi colocado antes, essa ética nada mais é do que um Freio que tenta maquiar o que realmente acontece pode detrás das paredes de um laboratório, para fazer com que as pessoas leigas aceitem essa “regulamentação do sofrimento” como algo totalmente aceitável. Como dizer, éticamente, que o experimentador é responsável por suas escolhas e seus atos na utilização de um animal, se não for colocado nele um freio que o impeça de realizar verdadeiras barbaridades?

Muitos cientistas, na ânsia de defender sua posição vivisseccionista, também alegam que os animais são mantidos em condições de abrigo e alimentação bem melhores do que muitas pessoas da classe baixa, porém tal argumento lhes é tão contraditório quanto sua convicção de usar palavras como “melhor tratamento”, pois faz parte de um dos artigos dos comitês que as tais “cobaias” que serão utilizadas tenham a saúde perfeita, não para o Bem dos animais, como eles tantas vezes alegaram sobre as boas condições de tratamento, mas para o Bem das experimentações que eles escolherem fazer com determinadas cobaias. Há tantas contradições entre o que os comitês pedem e entre o que os cientistas alegam quando são questionados sobre a relevância dos testes em animais, que fica difícil compreendê-los.

Alguns artigos são claros ao solicitar aos experimentadores que os animais sejam utilizados de maneira adequada, de modo a evitar qualquer desconforto, qualquer angústia, qualquer dor, considerando-se mais uma vez que os animais sintam tal como nós. Por outro lado vemos nas TVs , rádios, nas revistas cientificas, imagens que nos chocam de camundongos com queimaduras enormes na pele para o teste de um novo medicamento e que não podem ser anestesiados para que não haja qualquer influência nos testes; vemos animais enjaulados sem água ou comida, para que sejam analisados seus sofrimentos em paralelo com os sofrimentos de alguns seres humanos, vemos estudos do grau da decorrência de uma determinada dor sem que sejam usados quaisquer analgésicos ,o que causa alto sofrimento e stress nos animais, tudo para que surjam novas drogas que irão concorrer com a quantidade enorme de medicamentos que já existem no mercado. Eles insistem em dizer que há um controle da dor, mas tal controle, e eles mesmos hão de concordar, causa sofrimento, angústia e stress, ou seja, nem mesmo o Freio consegue impedir que esse ou aquele animal senciente sofra, e qualquer Ser que se acredite intelectualmente superior, não pode dizer que a Ética permita o sofrimento de qualquer outro Ser nas mesmas Condições de Sensibilidade que ele. Fica demonstrado que, embora a senciência não possa ser considerada como o marco definitivo na separação das espécies existentes no Planeta, ainda assim demonstra claramente que os animais não-humanos possuem as mesmas Condições de Sensibilidade que os animais humanos, ou seja, a dor é idêntica, a fome é idêntica e o stress pode ser ainda maior pela dificuldade que os animais não-humanos têm de compreender o motivo do sofrimento pelo qual passam. Sendo as Condições de Sensibilidade idênticas, o sofrimento infligido a um animal não-humano é tão antiético quanto se fosse infligido a um animal humano, isso é fato.

A discrepância disso nos leva a crer que existem animais e animais dentro desse campo ao qual alguns chamam de ética: A Lei de Crimes Ambientais fala de maus-tratos e a questão que nos surge agora é: maus-tratos que são considerados “controláveis” deixam de ser vistos como maus-tratos, mesmo dentro do parâmetro das Condições de Sensibilidades entre animais humanos e animais não-humanos? O boi de rodeio; o cão morto no CCZ; o macaco que sofre no circo; algum deles possui maior sensibilidade do que um macaco ou que um cão usado em experimentação, por isso pode ter uma lei que o proteja de qualquer sofrimento enquanto que ao cão e ao macaco a dor é liberada por se tratar de uma dor diferenciada, realizada por doutores?  E, sendo as Condições de Sensibilidade iguais entre animais humanos e não-humanos o que permitiria proporcionar dor a um e não a outro? Pois dor é dor, seja humana ou animal, afinal é isso que está escrito em alguns artigos dos “Princípios éticos”:

 Artigo 1º – Todas as pessoas que praticam a experimentação biológica devem tomar consciência de que o animal é dotado de sensibilidade, de memória e que sofre sem poder escapar à dor; (Segundo o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal – CBEA )

Artigo 2º – Ter consciência de que a sensibilidade do animal é similar à humana no que se refere a dor, memória, angústia, instinto de sobrevivência, apenas lhe sendo impostas limitações para se salvaguardar das manobras experimentais e da dor que possam causar. (Comitê de conduta ética no uso de animais em experimentação – CEAE)

Eis novamente a contradição lógica da experimentação.

São contraditórias as palavras “Ética” e “Experimentação animal”, tal como é totalmente contraditório o uso da palavra “Respeito” com o ato de inflição de sofrimento,e voltamos a questionar : Se é sabido que eles sentem dor e que a dor é similar a dor humana, o que diferenciaria os maus-tratos entre um e outro?

Nada diferenciaria na verdade, é que os humanos, revestidos de sua alta intelectualidade conseguem perpetrar na ética, não na verdadeira Ética, uma falsa confiabilidade que os proteja e que garanta o uso de animais que são sencientes para experimentos. Embora muitos cientistas aleguem que a experimentação jamais irá terminar, o fato que esse é o mesmo discurso cartesiano de que não havia qualquer problema em se utilizar um animal em experimentos com altos graus de sofrimento afinal, os cientistas não acreditavam que os animais fossem dotados de alma e que sentissem qualquer tipo de dor. Sendo esse pensamento rebatido e comprovada então a verdade sobre o sofrimento animal, o discurso mudou rumo ao bem-estar, a necessidade, a falta de alternativas, o que demonstra apenas o que sabemos sobre os humanos: eles são resistentes a mudanças. Os cientistas que hoje dizem que a experimentação jamais irá acabar parecem não acompanhar o trabalho de outros colegas que se esforçam em criar novas alternativas que sejam melhores, mais seguras e que não utilizem mais animais sencientes para qualquer tipo de pesquisa.
Pedem soluções que eles mesmos não buscam, dizem e se contradizem, em determinado momento o animal não pode sentir dor, em determinado momento a dor é controlável, em determinado momento é preciso que se limite os movimentos do animal utilizado devido aos espasmos de dor que eles irão sentir, e fazem tudo isso mesmo sabendo que a dor neles é similar a nossa. A isso não se pode admitir que seja chamado de Ética.

Também ao contrário do que disse  Claude Bernard[1], nós não temos o direito total e absoluto de realizar experimentos em animais, porque ao contrário do que muitos afirmam, nós também não temos o direito de utilizar animais para a alimentação, divertimento, entre outros usos que a humanidade faz deles. Mais estranho do que as palavras de Bernard, é reconhecer que as pessoas que aprovam tal uso se proclamem como Éticas ao mesmo tempo em que dizem reconhecer que utilizam animais sencientes, com Condições de Sensibilidade similar a humana, para experimentos que causam angústia e que somente o fazem por se acharem Intelectualmente superiores. Esse discurso já é por demais contraditório.

Aceitem ou não, a Ciência só tem evoluído e encontrado alternativas, graças ao esforço e a luta dos ativistas que os cientistas tanto querem desprezar, se não fosse pela exigência ativista pelas mudanças, ainda estaríamos abrindo animais vivos e acenando para eles em ironia, ainda estaríamos comparando-os a molas de relógio e a seres que não merecem compaixão, outra palavra que assusta a ciência[2], que vê nas manifestações de Libertação Animal, apenas reclamações apaixonadas , ao invés de ver nelas uma oportunidade de inovação , superação e verdadeiro progresso. Nós não vamos parar até que a verdadeira Ética seja realmente compreendida, ao contrário deles nós não fechamos as portas para um futuro promissor dizendo que experimentação, bem como tudo que envolva o sofrimento de seres nas mesmas Condições de Sensibilidade que a nossa jamais irá acabar, nós exigimos mudanças e elas vão acontecer, pois em paralelo a esse pensamento estagnado há uma outra Ciência que está lutando para realmente se tornar realmente Ética, e é dessa Ciência, formada por doutores que acreditam e buscam por alternativas, que a Ética faz parte, porque eles não esperam, eles não duvidam, eles trabalham por um mundo realmente Ético.

Referências Bibliográficas

Homem virtual que quer revolucionar a Medicina

Colégio Brasileiro de Experimentação Animal CBEA / PRINCÍPIOS ÉTICOS NA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL

COMITÊ DE CONDUTA ÉTICA NO USO DE ANIMAIS EM EXPERIMENTAÇÃO – CEAE

 
1- Nós temos o direito de fazer experimentos animais e vivissecção? Eu penso que temos este direito, total e absolutamente. Seria estranho se reconhecêssemos o direito de usar os animais para serviços caseiros e alimentação, mas proibir o seu uso para o ensino de uma das ciências mais úteis para a humanidade.” (Claude Bernard, em 1865) em paralelo ao pensamento do filósofo Jeremy Bentham, que em 1789, já questionava: A questão não é podem eles raciocinar ?Ou então, podem eles falar ?Mas, podem eles sofrer?

2 – Somente claro, quando é colocada em cheque, pois quando necessita do apoio da população a ciência se coloca como grande mãe, cheia de compaixão apelativa a fim de conquistar terreno, aí sim ela muda seu discurso e passa a falar da mesma forma que acusa os ativistas, passa a falar com o coração.

Simone Nardi -Escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.

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Descartes – “A razão sem razão[1]” – Crítica ao automatismo animal

“O Homem não é o único animal que pensa!
É o único animal que pensa, que não é animal.”
(Pascal)

 

Penso, então existo – Je pense, donc je suis –  para pensar é preciso primeiro existir; este era o princípio de toda a filosofia racional de René Descartes. Para ele, o conhecimento era algo incontestável, e ele desenvolveu seu método baseado numa dúvida metodológica de onde se partia do duvidoso, para se atingir o “conhecimento” e a “verdade”. Em sua busca rumo à “sua verdade”, tanto em seu “Discurso do Método” como em “Meditações Metafísicas” ele, de certa forma, exige que abandonemos todo o conhecimento que obtivemos até então e sobre os quais poderíamos levantar qualquer questão ou qualquer dúvida, principalmente as que fossem ligadas a parte da sensibilidade – os sentidos nos enganam, pois podemos pensar as mesmas coisas, estejamos acordados ou dormindo -.

Desta forma, segundo Descartes, não podemos aceitar nada que não seja evidente, nada que nos traga qualquer sinal de dúvida, será preciso reanalisar os problemas, estudá-los como se fossem vistos pela primeira vez, partindo da parte mais simples para a mais complexa; essa toda a base que o filosofo defendia, uma base racionalista. Seu objetivo principal era encontrar fundamentos para todo o conhecimento, sendo que seu método buscava as causas primeiras, por isso a “reforma” do conhecimento a partir de bases, para ele, mais sólidas. Através dessa metodologia, Descartes chegaria ao cogito Penso, Logo existo, que lhe permitiu discernir as ideias verdadeiras das falsas:

(…) percebi que, enquanto eu queria pensar assim que tudo era falso, convinha necessariamente que eu,que pensava, fosse alguma coisa. Ao notar que essa verdade, penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de abalá-la, julguei que podia acatá-la sem escrúpulo como o primeiro princípio da filosofia que eu procurava. (Discurso do Método)

Após aceitar o cogito como ideia clara e irrefutável, Descartes necessitava de outra garantia, um “outro” alicerce onde pudesse construir e estruturar sua teoria, e encontrou esse alicerce na prova da existência de Deus. Todo o conhecimento de Descartes que o levou ao Cogito “Penso, logo existo”, ou seja, para poder existir como SER era necessário pensar, e desse racionalismo cartesiano, nasceu um problema que durante anos, e ainda hoje, tem causado inúmeros tormentos aos animais. Encontramos uma descrição desses problemas causados pela razão cartesiana no dicionário Descartes de John Cottingham:

“Com efeito, no século subseqüente ao da morte de Descartes, seus seguidores celebrizaram-se pelo tratamento cruel que davam aos animais no curso da pesquisa experimental em fisiologia; sabemos que o próprio Descartes praticava a vivissecção com aparente serenidade”.

Ao separar a alma do corpo, Descartes chegou a conclusão, segundo ele racional, de que o pensamento sim era a essência da alma, sua razão então o levou a dizer que tudo o que não possuísse alma e uma linguagem inteligível, seria autômato. Sendo estes corpos desprovidos de pensamentos racionais nada poderiam sentir, e essa linha de pensamento foi o que o fez dizer que os animais – para ele irracionais, desprovidos de uma alma e de linguagem intelegível – não passariam de máquinas, já que para o filósofo a linguagem era a prova de que um ser é capaz de pensar, ter uma alma e sentir ; podemos notar aqui seu inegável antropocentrismo, ao colocar que a linguagem utilizada pelos animais para se comunicarem é apenas um sistema “fechado”, o qual o homem não compreende e por não compreender o desconsidera, ou seja, mais uma vez é escolhido apenas o Ser social, aquele que se relaciona com outros iguais a ele através de palavras e gestos, mas que não consegue se relacionar bem com o Planeta onde vive nem com as criaturas com as quais divide esse pequeno espaço. Os animais, não fazendo parte desse pequeno círculo social da fala, na visão racionalista de Descartes, igualmente não pensavam e não pensando, não passavam de corpos mecânicos. Havia algo inconstante no pensamento cartesiano, pois ele alegava que apesar serem, seres não pensantes e desprovidos de linguagem, não deixavam, contudo, de ter “vida” e uma determinada “sensibilidade”, que ele equiparava com alguns fenômenos inteiramente físicos. Para ele os “movimentos” e “gestos” dos animais eram processos mecânicos, totalmente materiais e desprovidos, devido a isso, de qualquer sensibilidade e autoconsciência, para ele não importava o que fosse animal ou vegetal, todos eram seres autômatos.

Vejamos a razão de Descartes para onde o levou, e aos seus seguidores:

• 1-Os animais não possuem uma linguagem inteligível que seja universal

• 2-Os animais não possuem consciência de si mesmos nem do mundo que os cerca – nem tampouco faculdades cognitivas

• 3-Não pensam, sendo assim não possuem alma, seus corpos se movem de forma mecânica e eles buscam alimentos tal como a carroça necessita de graxa ou um relógio necessita de corda, sendo assim não são mais ou menos sensíveis que estes

• 4-Não há qualquer necessidade de ética para com eles

Muitos mergulharam nessa teoria deixando a verdadeira Razão e o Conhecimento de lado, pois não notaram que ela deixava muitas questões em aberto em relação à sensibilidade animal:

• 1-Qual a certeza que poderia levar alguém a atestar que um animal não possuía alma?

• 2-Como ele poderia explicar a diferença existente entre um ser vivo , ou seja o animal, de algo sem vida , que seria o relógio, para com o qual Descartes comparava os animais?

• 3-Como explicar que a sensibilidade – nesse caso corporal- provenha unicamente do ato de pensar?

• 4-Por que a linguagem deveria ser a linha divisória entre um ser senciente e outro, para ele, desprovido de senciência?

A serenidade com a qual tanto Descartes quanto seus seguidores abriram animais vivos sem qualquer preocupação com o que poderiam ou não sentir, demonstrou claramente que nosso ego sobre o nosso “conhecimento” torna-se algo muito perigoso quando usado sem a Razão; tal conhecimento ou pseudo-conhecimento, pode nos fazer enveredar por caminhos que acabem por causar mais mal do que bem, e temos que ter dentro de nós que a Filosofia aliada a Ciência, em meio a tudo que faz, precisa ser a condutora do Bem, jamais o contrário. Não importa apenas saber se o conhecimento é possível ou não, o importante é direcioná-lo bem, não importa apenas se o homem atingirá a plena Razão, mas sim o que fará com ela se porventura vier a atingi-la, por isso a necessidade do uso correto da Razão com o auxilio da sensibilidade e da ética, diante de qualquer conhecimento.

Ainda hoje assistimos a uma imensa legião de seguidores cartesianos que acreditam que os animais, por não possuírem uma linguagem social compreensível a nossa, são inferiores e devam, segundo a razão deles, serem usados em experimentos sem qualquer escrúpulo, e vamos esclarecer aqui, que nem a analgesia é desculpa para que se permita o uso de animais em experimentos.. Hoje a própria ciência quebra seus paradigmas ao dizer que o número de neurônios do cérebro humano são compatíveis com os de um primata de nosso porte . O que isso prova? Prova que somos todos primatas, desde o animal que é ignorado e usado como cobaia, até o vivissector que se orgulha do que faz, não há como escapar, somos todos primatas, só que com uma diferença : nós, os primatas-humanos não somos capazes de nos respeitar como seres vivos.

Não importa aí se nosso cérebro tem um tamanho significativamente maior ou não, “o cérebro humano continua sendo o cérebro de um primata em escala maior”, diante disso demonstramos que não somos especiais, que não somos seres a parte na criação.

É preciso realmente que partamos da dúvida para alcançar a verdade, não podemos mais viver presos a antigos paradigmas que não se sustentam a não ser através de mentiras, pois a própria ciência hoje nos aproxima dos animais, exigindo que tomemos uma postura Ética diante de tanto sofrimento, se não o fazemos é somente por vaidade e orgulho:

Perguntem aos vivissectores por que fazem experiências em animais, e a resposta é: “Porque os animais são como nós”. Perguntem aos vivissectores por que é moralmente correto fazer experiências em animais, e a resposta é: “Porque os animais não são como nós”. A experimentação animal se assenta numa contradição lógica.
Charles R. Magel

Diante dessa anomalia lógica, criada pela própria incoerência humana, qualquer conhecimento a respeito da senciência animal que não leve em consideração seu sofrimento, é colocado em dúvida, e faz surgir daí, novas anomalias. Os animais sofrem?Somos ou não iguais aos animais?Poderíamos levantar uma centena de questões, mas vamos relembrar algumas palavras de Voltaire, um discurso longo, mas que se encaixa perfeitamente ainda hoje, dentro do campo cientifico e filosófico, e que nos mostra quantas anomalias a ciência de hoje ainda precisa investigar, repensar e mudar seus paradigmas:

” Os filósofos dizem-me: Não vos enganeis, o homem é inteiramente diferente dos outros animais, tem uma alma espiritual e imortal (…). Escuto esses mestres e lhes respondo, sempre desconfiando de mim mesmo, mas nem por isso confiando neles. Se o homem tem uma alma, tal como assegurais, devo crer que este cão e esta toupeira têm uma semelhante. Todos me juram que não. Pergunto-lhes qual a diferença que existe entre este cão e eles. Uns respondem este cão é uma forma substancial; outros me dizem: Não acrediteis nisso, as formas substanciais são quimeras; este cão é uma maquina como uma manivela. Pergunto ainda aos inventores das formas substanciais o que entendem por essa expressão, e como só me respondem com galimatias, volto-me para os inventores das manivelas e lhes digo: se estes animais são puras maquinas, certamente sereis em comparação com eles, apenas como um relógio de repetição em comparação com a manivela que falais; ou, se tendes a honra de possuir uma alma espiritual, os animais terão uma também, pois são tudo o que vós sois. Possuem os mesmos órgãos com os quais tendes sensações, e se não lhes servirem para a mesma finalidade, dando-lhes tais órgãos Deus terá feito uma obra inútil.”

E nos lembramos que Descartes apoiou seu cogito na ideia da existência de um ser perfeito que seria Deus, sendo assim como poderia Ele, errar tanto em relação aos animais?Mas Voltaire continua, trazendo um pouco mais de luz as mentes sem “razão”:

“Mas de acordo com vossa própria opinião, Deus nada faz em vão. Escolhei, portanto: ou atribuís uma alma espiritual a uma pulga, a um verme, a um bicho do queijo, ou sois autômato como eles. (…) Portanto, esses órgãos dos sentidos são dados apenas para o sentimento, donde se conclui que os animais sentem como nós e, assim, só um excesso de vaidade ridícula pode levar os homens a se atribuírem uma alma de uma espécie diferente daquela que anima os brutos.”

Só um excesso de vaidade ridícula pode permitir que a ciência permaneça acomodada onde está, nesse modelo atual de matar para conhecer, nessa ciência de morte e não de vida.

Partamos então do duvidoso e do que nos é já é mais do que evidente; Antes acreditávamos que os animais eram diferentes de nós, e que era “ético” usá-los em experimentações, porém, os inúmeros estudos, levantaram inúmeras anomalias que nos obrigaram a mudar esses antigos paradigmas e hoje, reconhecendo que os animais são iguais a nós, reconhecendo que sofrem, torna-se totalmente antiético qualquer método que lhes inflija sofrimento, qualquer método que a nós, primatas humanos cause desconforto, também não poderá ser exercido sobre eles. Temos o conhecimento de sua senciência, temos o reconhecimento de seus neurônios, de seu DNA e a cada conquista que a ciência faz em seu campo, mais e mais ela mesma nos aproxima desses animais, tantas anomalias assim obrigam a ciência a se revolucionar, a buscar e a encontrar outros caminhos, a realmente se humanizar. É impossível a continuidade dessa contradição lógica sobre o qual a ciência caminha, ela não pode mais se calar e fechar seus olhos para essas anomalias que surgem a cada dia, anomalias que ela mesmo levanta e tenta esconder .

A Filosofia não quer tomar o lugar da Ciência, seu trabalho é apenas o de contestar, o de apontar as anomalias, de mostrar que elas existem e que urge essa mudança de paradigma, o trabalho filosófico é o de criar um senso crítico de modo a levar os seres humanos a eticidade e a moralidade. Somente exercendo verdadeiramente seu papel, é que tanto a Filosofia quanto a Ciência encontrarão seus verdadeiros Ethos, um Ethos de vida e não mais de morte. As anomalias existem, cabe aos primatas humanos agora, no uso de sua Razão, encontrar caminhos que Revolucionem não apenas o campo científico, mas a Razão humana, no trato com os animais não-humanos.
 
 

Simone Nardi -Escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.

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Ensaio sobre a cegueira

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Citado no “Livro dos conselhos”,
de El-Rei Dom Duarte.

 

A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos “cegos”, em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria “miséria moral”. Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.

“O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.[…] Quantos cegos serão preciso para fazer uma cegueira, Ninguém soube responder.” (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os “cegos da ética” notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: “Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo”. Já estamos caindo no “abismo” a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

“Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem” (J. Saramago)
Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.

“Por que cegamos?”

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.

Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” (J. Saramago)
O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.

A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira.

Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”1

Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?

Nota

1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

 Simone Nardi, escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da ANDA.

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A difícil arte da não violência

Falar sobre não violência é algo muito fácil; difícil, porém, é compreender seu significado e colocá-lo em prática. Falamos a todo o momento em não violência e a todo o momento violamos vidas. Falamos a todo o momento de respeito e a todo o momento desrespeitamos vidas.

Patch Adams, aquele doutor que usaram como inspiração para o filme; “Patch Adams, O Amor é Contagioso”, numa entrevista cedida à TV Cultura disse, tal qual como Nietzsche já o fizera um dia, que nós nos enganamos constantemente. Que vivemos numa sociedade de mentiras, nas quais somos fingidos e mentirosos por acomodação. Achamos que precisamos de um relógio de 2 mil dólares porque a sociedade acha bonito, porém não precisamos e sabemos disso, mas também nos enganamos tanto a respeito do relógio quanto de outras coisas. Achamos que praticamos a não violência quando não matamos ninguém, quando não ofendemos ninguém. Mas nos enganamos e enganamos a sociedade quando acreditamos que somos realmente não violentos.
 
Nessa mesma entrevista, Patch Adams fala sobre as pessoas que se vestem de palhaço e seguem para os hospitais para divertir as crianças. Chegam, trocam de roupa e às vezes sequer brincam ou conversam com enfermeiros e médicos, fazem lá suas palhaçadas, alegram as crianças, depois tiram a roupa e voltam para suas casas; não olham no rosto do cara dentro do elevador, não agradecem o rapaz que segurou a porta giratória, não olham na cara do idoso que estacionou seu carro. E acham que não são violentos por alegrarem as crianças dentro do Hospital. E Adams vai mais longe e diz que “eles realmente se enganam achando que levam a alegria ao Mundo”. Eles se enganam, e isso sou eu quem diz, quando se acham não violentos.
 
Vivemos mesmo numa sociedade enganadora, em que não desejamos ver o que realmente somos. Mentimos para nós mesmos para nos adaptar ao Mundo e, “ai” daquele infeliz que tentar ser diferente. Chacotas, ridicularização, escárnio, o pobre coitado ou é louco, ou tem problemas cármicos, decididamente, não se encaixa no perfil da sociedade perfeita.
 
E nossa sociedade é perfeita, correto?
 
Somos mesmo não violentos, só porque não matamos ninguém?
Moralmente, somos não violentos?
 
Tom Regan, em seu livro “Jaulas Vazias”, conta que fez uma reunião em sua casa para montar uma base que objetivava o fim do envolvimento americano na guerra do Vietnã que estava tirando os filhos de tantas famílias, e transformando-os em soldados, soldados/filhos que morriam nos campos de batalha. O grupo buscava por uma solução pacífica para aquele conflito através da não violência. Aquela era uma guerra desnecessária. Para tanto, assou um cordeiro inteiro para o grande dia da reunião, depois, segundo ele, foi Gandhi em sua autobiografia, que o fez abrir os olhos ao “perguntar” que tipo de homem, movido pela não violência, violava uma vida numa guerra desnecessária entre homens e animais?
 
Para lutar pela paz, ele havia feito a sua pequena guerra e tirado uma vida; cometera, ao assar o cordeiro, a mesma violência que pensava tentar impedir. Como salvar uma vida tirando outra? Nem é preciso dizer que Regan tornou-se outro homem depois disso, tornou-se vegetariano, porque ser vegetariano é praticar a não violência de forma mais racional.
 
Mas nós nos dizemos adeptos da não violência, afinal não matamos ninguém, não discutimos no trânsito, não…não….tantas coisas simples de se fazer.
 
Cultuamos a violência de uma forma enganosa , para a qual fechamos nossos olhos por puro comodismo. Diariamente matamos milhões de animais porque nos fizeram acreditar que precisávamos deles para nos manter vivos. Olhe para seu prato de comida e veja se não houve qualquer violência cometida contra aquele ser que está ali. Deixe de ver aquele pedaço de bife apenas como carne, mas tente vê-lo como uma vida que sofreu para estar ali, e tente dizer a você mesmo: Eu sou adepto da não violência, do Ahimsa, esse amor Universal capaz de abarcar todos os seres da Criação.
 
Você acha que consegue? Acredita mesmo no que diz?
 
Faz idéia de como aquele pedaço de carne chegou até seu prato? Ah não, a maioria nem deseja saber, quanto mais falar sobre isso. Tem duas atitudes, ou pede ao interlocutor que se cale, ou tenta ridicularizar a morte, tentando banalizá-la, pois assim pode continuar se enganando dia após dia.
 
Como é difícil praticar a não violência não é? Mas por que fazemos isso?
 
Vamos nos descobrir um pouco mais, pois os ventos não param de soprar e vão, de qualquer maneira, nos impulsionar adiante, queiramos ou não, aceitemos ou não. “Eu sou adepto da não violência”. Falemos isso bem alto. Conseguimos acreditar nisso?Como conseguimos crer que somos bons apenas porque alimentamos os pobres e vestimos os que passam frio? Mas aí lembramos que alguém nos disse um dia “Fora da Caridade Não Há Salvação”…
 
Por que nos enganamos, nos fazendo acreditar que ser violento é apenas agredir nosso igual; não contamos como não violência a morte de outros seres que dividem conosco esse espaço de Mundo chamado Terra. Não, isso não conta, porque mentimos constantemente para nós mesmos. E a coisa não muda muito quando falamos sobre o pensamento de algumas religiões.
 
Nietzsche, sempre inspirado, escreveu que Deus havia morrido. Sim, e é verdade, deus está morto para o homem a partir do momento em que nos “O” moldamos as nossas necessidades: “O homem molda Deus as suas necessidades, e não as Suas Leis”.(Nietzsche)
 
Segundo o filósofo alemão, em todas as épocas da humanidade houve um Deus diferente, e assim ainda o é, dependendo do que necessitemos. Ora criamos um deus egoísta, outra hora um deus vingativo e punitivo, ora um deus adorável que tudo permite apenas para que possamos dormir em paz, porque na verdade não queremos ouvir o que o Deus vivo realmente tem para nos dizer; e se Ele disser que teremos todos que ser adeptos praticantes da não violência? Que será de nós? Simples! Apelaremos àquele deus piedoso que criamos,  ou àquele que perdoa tudo, até nossa inesgotável falta de vontade de mudar, afinal esse é um planeta de expiação e provas ainda, é um planeta em transição, um planeta de aprendizagem e erros…
 
E por que chegamos às religiões? Porque são elas, ao menos teoricamente e sem fanatismos,  os caminhos que levarão o homem a Deus e ao Ahimsa.
 
Conversando com diversas pessoas de diversas religiões, ouvi de todos eles a mesma explicação. Somos adeptos da não violência contra os animais, até somos a favor de respeitá-los como irmãos, porém não pregamos o vegetarianismo/veganismo (?). Como se ambas as coisas não tivessem ligação uma com a outra.
 
Falar sobre vegetarianismo/veganismo realmente assusta algumas religiões, porque vai fazer com que as pessoas comecem a se mexer, a mudar de atitude a realmente praticar a não violência com uma classe de seres que são sempre esquecidos e marginalizados, os animais, que alguns insistem em dizer que foram criados para o abate. Outra criação “divina” que nos pertence.Criamos um deus sob o pretexto de podermos nos alimentar de vidas e dizemos a mesma coisa há séculos: deus os criou para nos servir, o Nosso deus, não o Deus de verdade.
 
Falar sobre não violência é fácil, não é?
 
Mas, e mostrar que as pessoas cometem uma ação violenta com um animal todos os dias, duas ou até três vezes ao dia? Isso amedronta apenas aqueles que não possuem fé o suficiente no Deus vivo, não aquele moldável, mas no Deus Criador, e isso realmente é tarefa para poucos, pois tirar do radicalismo uma sociedade milenar que explora os animais é algo realmente dificílimo.
Isso ocorre em muitas religiões, prega-se a não violência e violenta-se vidas diariamente. Por que não esclarecer? Por que não mostrar a verdade? Alguns dizem que ao se falar  a verdade, incorre-se no risco de perder adeptos, de confundir, de criar conflitos. Mas então por que dizer-se não-violento então?
Não violência é não matar, não prejudicar? E não matar ou prejudicar significa o quê? Não matar apenas humanos? É claro que não, não ser violento se traduz em “não ser violento em nenhuma de suas ações”, nenhuma. A ação humana mais simples, o ato de comer, é talvez uma das mais violentas de todas, e é ignorada porque somos condicionados desde pequenos a acreditar que “deus” fez os animais para virarem comida.
 
Então não importa mais se eles possuem alma, se são nossos irmãos, se voltam a reencarnar em nossa família, se existe ou não a metempsicose, acreditamos e nos dessensibilizamos a respeito de suas vidas. Num único parágrafo já criamos inúmeros deuses e os moldados às nossas necessidades; deus cruel, deus piedoso, deus dessesibilizado da dor de seus filhos, deus que pede o Himsa ao invés do Ahimsa.
 
Ser não violento com os animais não é apenas não abandonar gatinhos indefesos, não mutilá-los. Não significa apenas salvar as baleias porque são grandes e bonitas, não é apenas lutar contra a morte das focas ou dos golfinhos, ser não violento é não permitir que bois, suínos, entre outros, sejam assassinados (pois essa é a palavra correta) para que tenhamos em nosso prato um pedaço de carne da qual não precisamos mais, embora haja aqueles que desejam acreditar que exista ainda tal necessidade. Ser não violento é não vivisseccionar, é não permitir a dor, é não explorar, não confinar em jaulas para exposição ou para divertimento, isso é ser não violento, ignorar isso é ignorar o ato de ser não violento.
 
Se Jesus, Krishna, Gandhi e tantos outros pregavam a não violência, é porque também viviam o que falavam, porque se não vivenciassem, suas palavras de nada valeriam e não teriam eco no Mundo de hoje. Não há regras para o amor, regras são coisas utilitaristas, que fazem bem somente àqueles que se valem delas para viver.
 
Por isso repito: Nós moldamos Deus às nossas necessidades, criamos regras que nos facilitem a vida para que entendamos a nosso modo e pratiquemos, a nosso modo, Sua Lei de Amor. Temos preguiça de amar de verdade simplesmente porque somos acomodados. E se praticássemos a não violência da qual nos utilizamos todos os dias, para com aquelas  pessoas que achamos que são diferentes de nós, assim como fazemos quando se trata de animais? O que seria delas se as deixássemos marginalizadas ao lado da sociedade? Estaríamos mesmo praticando a não violência? A coisa muda de figura quando pensamos assim, não é?Por que esse medo de unir o que nasceu unido e que nós, a nosso bel prazer, separamos?
 
Não violência, Ahimsa = não ser violento, não matar, não prejudicar.
 
Não violência não significa “Matar”, embora nós fechemos os olhos para isso por puro comodismo social.
 
É preciso que despertemos para essa violência diária que praticamos, falar sobre não violência não é mais tão importante, o importante é colocá-la em prática, não somente com os da mesma espécie, mas com todas as demais que o verdadeiro Deus criou.
 
O Ahimsa é Universal, o amor é Universal, basta nos vermos agora, como seres pertencentes ao Universo. 
 
 
Simone Nardi, escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da ANDA.

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