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Os animais não são objetos

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A frase que dá título a este artigo parecerá, à maioria das pessoas, uma evidência. Mas a lei portuguesa não tem ainda esse entendimento. O nosso Código Civil continua a definir os animais como “coisas”. Soa estranho, mas é mesmo assim. Porque são “coisas”, os animais continuam a poder ser objeto de direito de propriedade. Ora, os proprietários das “coisas”, já se sabe, gozam na lei de três direitos clássicos sobre elas: o direito de as usar, o direito de as fruir e o direito de as abusar. Se isto é aceitável quando falamos de um livro, de um telefone ou de um sofá, é perturbante se aplicado a um animal. Mas é o que existe. Felizmente, ontem começou a mudar-se a lei.

A história da relação da humanidade com os animais e com a natureza é marcada pela ideia da dominação. Considerando-se superior, o ser humano atribui-se a condição de proprietário de toda a natureza e permitiu-se usar os restantes seres vivos como se de objetos se tratassem. A função dos animais seria servir-nos e pronto.

Felizmente, fomos evoluindo. Mas a instrumentalização de animais, causando-lhes sofrimento para nosso divertimento ou para a satisfação das nossas necessidades, continua. O abandono, a tortura, os maus-tratos e a morte são realidades frequentes e generalizadas.

Não cabe à lei, sozinha, mudar as práticas. Mas ajuda. A Declaração Universal dos Direitos Animais foi proclamada pela Unesco há quase quarenta anos, em 1978. Os direitos e princípios de proteção que ela definiu continuam a ser violados diariamente.

É evidente que os animais têm formas diferentes de inteligência, mas elas não devem justificar que se permita todo o tipo de desrespeito e de violência. Além disso, como é sabido, muitos animais não humanos são sencientes. Ou seja, partilham da capacidade de perceber conscientemente o que os rodeia e de receber e reagir conscientemente a estímulos, incluindo emoções positivas e negativas. Qualquer pessoa que tenha contacto com animais sabe do que estou a falar.

Em 2014, Portugal deu um passo positivo ao criminalizar os maus tratos a animais de companhia. Na sequência dessa lei, houve mais de 1300 participações às autoridades, revelando (uma parte) da dimensão desta realidade, mas também como o consenso social contra estas práticas se foi alargando no nosso país. Só que esta lei não chega. Como ir mais longe é o que está neste momento em discussão.

Em primeiro lugar, não faz sentido continuar a limitar o âmbito desta proteção legal a animais domésticos: os crimes relativos a maus-tratos devem abranger todos os animais sencientes cuja vivência está associada aos seres humanos, independentemente da função que desempenham. Em segundo lugar, o quadro penal pode ser agravado para quem comete estes crimes. Em terceiro lugar, as políticas e equipamentos públicos devem dar o exemplo: os canis e gatis municipais devem deixar de ser centros de morte em massa para passarem a ser centros de promoção do bem-estar animal. Por último, o Código Civil deve deixar de tratar os animais como “coisas”, passando estes a ser titulares de direitos.

Estas medidas não esgotam o que é preciso fazer nem o debate, de fundo, sobre a nossa relação com os animais. Mas tornam-nos, enquanto comunidade, mais decentes. Já não é pouco.

*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.

Fonte: Expresso

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Saiba por que coelhos não devem ser explorados como presentes de Páscoa

(da Redação)

A cada ano, milhares de coelhos, pintinhos e patinhos são comprados para servirem de presentes. Algumas semanas mais tarde são abandonados quando seus tutores percebem que têm animais vivos em suas mãos. Os sortudos acabam em abrigos – 80% dos coelhos de abrigos são abandonados em época de Páscoa. As informações são do The Dodo.

Trazer um animal para sua família pode ser muito gratificante, mas não é uma decisão a ser tomada rapidamente e de qualquer jeito. Animais nunca devem ser dados como presentes e a maioria das crianças não pode assumir a responsabilidade de cuidar de uma criatura viva e senciente.

Veja por que presentear as pessoas com animais na Páscoa não é uma boa ideia.

1. Então, você está pensando em comprar um coelho da Páscoa?

Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis
Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis

2. Você realmente pensou em tudo?

Reddit/DrumRobC
Reddit/DrumRobC

3. Será que você ainda me amará tanto assim depois de 10 anos?

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Reddit/TalyaD

4. Você realmente sabe o que nós comemos? Não é apenas grama e cenouras.

Facebook/Schopenhauer The Disapproving Rabbit
Facebook/Schopenhauer The Disapproving Rabbit

5. Você acha que eu sou uma boa alternativa? Será que eu não seria mais feliz com a minha mãe?

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Flickr/be-nn-y

6. Eu posso ter sido barato na loja de animais, mas eu vou ter um custo a cada ano, especialmente se eu ficar doente.

Reddit/allyfrazier
Reddit/allyfrazier

7. E eu não sou um brinquedo. Se você acha que eu vou ser feliz sendo forçado a usar roupas, repense sobre isso.

Reddit/slimspidey
Reddit/slimspidey

8. Será que você ainda me amará quando eu ficar maior do que você pensou?

Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis
Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis

9. E quando eu cavar um buraco no seu sofá?

Reddit/sneaky_dragon
Reddit/sneaky_dragon

10. Ou comer seus rodapés para o almoço?

Reddit/Lucky1289
Reddit/Lucky1289

11. Você terá tempo para passar horas por dia para cuidar e brincar comigo, levando em consideração os próximos 12 anos?

Reddit/NoirLapin
Reddit/NoirLapin

13. Isso tudo não soa bem para você? Então não dê um animal vivo como um presente de Páscoa.

Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis
Flickr/Carly Lesser & Art Drauglis

Os coelhos são animais maravilhosos, mas apenas para as pessoas preparadas, responsáveis e tutores maduros. Eles não são bons para crianças e podem até feri-las. Pintinhos e patinhos podem ser bonitos, mas eles também precisam de cuidados e crescem rapidamente.

Se você já fez sua pesquisa e tem certeza que você quer – e pode cuidar – de um novo animal, então ótimo! Mas espere até que as primeiras semanas após a Páscoa passem e as ondas de abandonado comecem a chegar, assim poderá adotar um animal.

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Designer faz campanha na rede social para achar cão sequestrado em Taubaté (SP)

Página no Facebook foi criada por designer há uma semana. (Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiano Rossi)
Página no Facebook foi criada por designer há uma semana. (Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiano Rossi)

Ubirajara, Bira ou Birinha. Por esses nomes atende um bulldog francês roubado em Taubaté, no interior de São Paulo, e que se tornou o protagonista de uma mobilização pelas redes sociais. A busca do tutor pelo cãozinho virou tema de uma página no Facebook que já conta com a participação de mais de 500 pessoas em apenas uma semana.

Bira – como é mais conhecido – tem um ano e seis meses e vivia com o designer Fabiano Rossi, de 28 anos, até a última quarta-feira (19), quando foi sequestrado de sua casa, no centro da cidade. “Fui almoçar, dei ração para ele e quando eu voltei no fim do dia, vi que ele não estava mais lá. Percebi que sequestraram porque levaram outras coisas do meu quintal e do quintal da minha vizinha”, afirma o designer.

Bira foi sequestrado no último dia 19 e busca pelo cão tem mobilizado internautas em Taubaté (Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiano Rossi)
Bira foi sequestrado no último dia 19 e a busca pelo cão
tem mobilizado internautas em Taubaté
(Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiano Rossi)

Após o caso, Rossi registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e começou a procurar pelo cachorro espalhando cartazes em Taubaté. As buscas se intensificaram dois depois, quando um amigo publicitário sugeriu que ele criasse uma página no Facebook para divulgar o sequestro e buscar ajuda para localizar Bira.

No espaço, os seguidores podem ajudar o designer a encontrar seu cãozinho e postar fotos com seus próprios cachorros acompanhadas da hashtag “VoltaBira”, que tem se popularizado nos últimos dias. “A ideia é bem simples, você tira foto do seu cachorro com a plaquinha e manda para a gente. O pessoal tem ajudado bastante na busca e compartilhado as fotos”, afirma Rossi.

Pela páginas, seguidores de diversas cidades têm enviado imagens dos seus respectivos animais em mobilização. Até mesmo usuários da rede social que vivem no Japão entraram na corrente. Segundo ele, alguns já entraram em contato com informações sobre o possível paradeiro do cão, mas até esta quarta-feira (26) o bulldog ainda não havia sido localizado.

Aqueles que tiverem informações sobre Bira ou interesse em conhecer a campanha podem acessar a página no Facebook ou entrar em contato com o tutor do cão pelo email voltabira@hotmail.com. Segundo Rossi, assim que o cão for encontrado, o espaço será utilizado para ajudar a encontrar outros animais desaparecidos. “Também continuo procurando pela cidade e espalhando cartazes. Assim que acharmos o Bira, e se Deus quiser nós vamos encontrar, a página vai continuar. Tenho fé que vou encontrar meu cachorro”, diz o designer.

Fonte: G1

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O papel das organizações não governamentais – parte 2

Dando continuidade à reflexão sobre o papel das ONGs em nossa sociedade, vamos começar recordando a provocação feita no final do texto anterior, trazendo o tema mais para perto de nós, referindo-nos agora diretamente ao papel das ONGs que têm em seus objetivos estatutários a defesa dos animais: em que estamos investindo historicamente? Na mobilização social, no controle social, na cobrança e fiscalização das políticas públicas ou na terceirização de serviços, que corre o risco de enfraquecer o papel do Estado em nosso país?

Lembrando que as ONGs devem atuar diretamente visando interesses coletivos, portanto não pessoais, não particulares, não empresariais; e que para sua melhor atuação devem buscar o apoio da população, mobilizando a opinião pública tendo como objetivo primário a melhoria de determinados aspectos da sociedade.

Quanto às ONGs de defesa dos animais, valem ainda mais algumas perguntas: qual é o aspecto da sociedade que buscamos melhorar ou modificar? A quem devemos estar a serviço? Quem pode mostrar interesse na defesa dos animais, além de nós?

Dependendo das respostas dadas às perguntas acima, nossas ações tomarão determinado rumo ou irão por outro caminho. E é aqui que se encontram as divergências na prática da defesa dos animais pelas organizações não governamentais, constituídas juridicamente ou não. Uma vez que um grupo que se organiza sem vínculos estatais ou empresariais pode ser considerado uma ONG, a diferença é que, enquanto as associações civis, constituídas juridicamente, possuem responsabilidades cíveis e criminais, as organizações informais não possuem.

Cabe considerar também que no Brasil as ONGs nasceram apoiando organizações populares, cujos objetivos eram a promoção da cidadania, defesa de direitos dos humanos e luta pela democracia política e social. Melhor dizendo, as ONGs nasceram num contexto antropocêntrico e especista. E não foi diferente em relação ao nascimento de grupos organizados em defesa dos animais, que, embora com objetivos mais específicos, voltados para a melhoria das condições de vida dos animais, tinham (e a grande maioria ainda tem) visão antropocêntrica, e pior, especista. Não mediam – e muitas ainda não medem – esforços para defender algumas espécies, embora se beneficiassem com a exploração de outras, principalmente na questão da produção da carne de animais para alimento humano.

Nesse contexto, que persiste até nossos dias, como apontar aos governos as suas falhas no que diz respeito à implantação de políticas que remeteriam diretamente aos interesses dos animais? Como avançar em ações pelos Direitos Animais, na pura visão abolicionista, se não conseguimos “ser em nós mesmos a mudança que queremos ver no mundo”, dito atribuído a Mahatma Gandhi, quando justificamos a nossa não mudança em virtude de acharmos que a humanidade não vai mudar?

Se a humanidade não vai mudar, qual é nosso papel enquanto uma ONG? A vida dos animais pode esperar a superação do nosso medo de parecermos ousados demais, num mundo voltado somente para o acúmulo de capital? Afinal de contas, a quem mesmo estamos a serviço? O que queremos transformar? Queremos transformar essa realidade? Se sim, que ações temos desenvolvido para isso, pensando em médio e longo prazos?

Então, podemos dizer que, enquanto as ONGs de defesa dos animais não tiverem plena consciência de seu papel, de seus objetivos claros, voltados única e exclusivamente para a defesa dos interesses dos animais e do interesse maior, que é da garantia da vida e da liberdade característica de cada espécie, não veremos os Direitos Animais serem implantados como política pública. Portanto, não estaremos mudando muita coisa ao nosso redor. Não estaremos provocando mudança de valores, de atitudes, de comportamentos. Estaremos dando voltas longas em torno daquilo que devíamos estar implantando, que são políticas voltadas para a convivência respeitosa entre todos os seres com os quais compartilhamos a existência em nosso planeta

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O papel das organizações não governamentais – parte 1

Temos conversado nos últimos artigos sobre o controle social exercido por meio da participação popular em Conselhos, Fóruns e Conferências, espaços de manifestação da cidadania realizada principalmente por intermédio das organizações não governamentais (ONGs). Temos também mostrado nossa preocupação quanto ao papel que as entidades, particularmente as que têm por objetivo a defesa dos Direitos Animais, devem exercer para o efetivo controle social. Entendido como o meio pelo qual a sociedade civil pode acompanhar a implantação das políticas públicas de interesse coletivo já existentes, o controle social também possui poder de propor novas medidas e acompanhar os recursos – humanos e/ou materiais – utilizados para sua execução.

Cabe discutirmos um pouco sobre o que é uma ONG, como deve ser constituída e qual o seu papel na sociedade.

As ONGs são associações do terceiro setor da sociedade civil que se organizam espontaneamente para a execução de certo tipo de atividade cujo caráter é de interesse público. Desenvolvem ações em diferentes áreas e mobilizam a opinião pública e o apoio da população para melhorar determinados aspectos da sociedade. A forma mais utilizada é a da associação civil – em contrapartida às organizações públicas e às organizações comerciais – com finalidade não econômica e não lucrativa. O que rege uma ONG é seu estatuto. Porém, como definição textual – aquilo que não é do governo – o termo é tão amplo que abrange qualquer organização de natureza não estatal.

Em âmbito mundial, a expressão foi usada pela primeira vez no Conselho Econômico e Social (ECOSOC)1 das Nações Unidas (ONU) nos anos 1960, pela denominação em inglês non-governmental organizations (NGOs), para designar as organizações que não foram estabelecidas por acordos intergovernamentais.

No Brasil, começaram a se formar nas décadas de 1970 e 1980, apoiando organizações populares que tinham por objetivos a promoção da cidadania, defesa de direitos e luta pela democracia política e social. Portanto, nasceram em sintonia com as demandas e dinâmicas dos movimentos sociais, com ênfase nos trabalhos de educação popular e de atuação na elaboração e controle social das políticas públicas.

Entende-se, então, que uma associação civil nasce da vontade autônoma de um grupo de pessoas que se reúnem em busca de um objetivo social ou com uma causa social em comum. De certo modo a criação de uma ONG é uma resposta que a sociedade encontra para apontar a incapacidade dos governos de realizar algumas funções. Porém seu surgimento jamais deve substituir o Estado, ou seja, as ONGs não podem ser comparadas ao poder público em suas ações sociais. Devem ser apenas um meio para impulsionar os governos para o sucesso de suas ações, e assim devem ser entendidas.

Como representantes de vigorosa mobilização da sociedade civil, organizam-se com o principal dever de cobrar do Estado o cumprimento de seu dever nas áreas às quais seus objetivos estatutários se afinam. Sendo assim, criar uma nova ONG só se justifica se essa nova organização for consequência de uma mobilização social que já existe, mas que precisa de ações mais ofensivas para mudar uma realidade. Pois, como nos chama a atenção o coordenador da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), em Brasília, o advogado Alexandre Ciconello, “atualmente, virou ‘moda’ fundar uma ONG e isso é ruim porque dá margem para a criação de entidades que estão preocupadas em conseguir dinheiro e não em fazer o bem”.

As ONGs conseguem, muito em função da credibilidade que conquistam na sociedade – que muitas vezes falta aos governos – e também da agilidade com que executam sua missão, provar que é possível mudar a sociedade para melhor com poucos recursos e em pouco tempo.

Resumindo, numa fala do antropólogo e escritor carioca, Rubem César Fernandes: “ONGs são grupos de pressão que buscam por um lado influenciar e democratizar políticas públicas governamentais, para que estas supram da maneira mais extensa possível as necessidades da sociedade e deem condições de vida iguais e justas no mundo todo e, por outro, movimentar a sociedade em que estão inseridas, utilizando-se de suas relações de solidariedade, na busca dessa democratização e influência política”.

Dessa forma, podemos fazer uma reflexão sobre o atual papel das ONGs voltadas à Defesa dos Direitos Animais no Brasil, ou seja, em que estamos investindo historicamente? Na mobilização social, no controle social, na cobrança e fiscalização das políticas públicas ou na terceirização de serviços, que corre o risco de enfraquecer o papel do estado em nosso país?

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1 Nos termos do parágrafo 7 da resolução 1296 (XLIV) do Conselho Econômico e Social (ECOSOC0, de 23 de maio de 1968, as ONGs são definidas como “organizações internacionais que não foram criadas pela via de acordos intergovernamentais” (In: Oliveira, Miguel Darci de. Cidadania e Globalização: a política externa brasileira e as ONGs, p. 19).

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Não existe rodeio sem crueldade

O Brasil está se tornando um pólo da indústria dos rodeios, que movimenta todos os anos cerca de 2 bilhões de dólares nas mais de 1,2 mil festas de peão nacionais. O maior evento, em Barretos, recebe em torno de um milhão de pessoas, perdendo apenas para o Carnaval do Rio de Janeiro. Os números estratosféricos refletem a bonança da atividade agropecuária no Brasil, além da forte influência da cultura country norte-americana. São hordas de pessoas consumindo calças apertadas, chapéu de couro e música sertaneja. Tudo já no formato adequado ao consumo da grande massa: pouco conteúdo e muito barulho. Isso, por si só, já seria degradante. Porém, a faceta mais cruel dos rodeios se esconde nos bretes, onde o espectador comum não tem acesso.
Aparentemente, o boi “bravo” está lutando para não ser montado. Mas a realidade é que a maior parte dos bovinos e equinos utilizados nos eventos são animais pacíficos. As reações de saltar e corcovear se devem ao uso de instrumentos que comprimem regiões sensíveis, como a virilha e os órgãos genitais do animal, fazendo-o se debater na tentativa de se livrar do “equipamento”. Um dos mais utilizados é o sedem: espécie de cinta que é amarrada na virilha e apertada com força minutos antes do animal entrar na arena , causando muita dor. Também são utilizadas esporas e outros objetos pontiagudos sob a sela, substâncias abrasivas (como pimenta e terebintina) são colocadas no corpo do animal para que ele fique irritado e salte, choques elétricos e mecânicos também são aplicados aos animais que estão no brete para aumentar o estresse e gerar agressividade. Os que defendem a prática costumam alegar que o animal “trabalha” apenas 8 segundos (tempo em que o peão deve permanecer montado). Porém, os treinos também são feitos com os equipamentos, e há relatos de peões que treinam de 6 a 8 horas por dia.

Os abusos e maus-tratos são tão evidentes que já existe uma extensa literatura médica e legal condenando o uso dos apetrechos de rodeio. O site  www.odeiorodeio.com mostra uma série de laudos e pareceres, como o da professora Júlia Matera, presidente da Comissão de Ética da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo: “A utilização de sedem, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas, gera estímulos que produzem dor física nos animais, em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais, uma vez que eles tem capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”. Uma vez evidenciados os maus-tratos, conclui-se que os rodeios são totalmente inconstitucionais. Mesmo assim, recebem a bênção do poder público e de diversas empresas que atuam como patrocinadoras.

Prova do laço: atrocidade

Não é incomum que bezerros fiquem paralíticos devido ao tranco dado pelo laço em seu pescoço. Muitos sofrem lesões na coluna vertebral e traquéia.
“Testemunhei a morte instantânea de bezerros após a ruptura da medula espinhal. Também cuidei de bezerros que ficaram paralíticos e cujas traquéias foram total ou parcialmente rompidas. Ser atirado violentamente ao chão tem causado a ruptura de diversos órgãos internos, resultando em uma morte lenta e agonizante”.  Relato do médico veterinário E. J. Finocchio, publicado na revista “The Animals Agenda”

Está na Lei!

Lei dos Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/98), Art. 32: é crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Alerta!

O vice-prefeito de Curitiba Luciano Ducci se mostrou simpático a prática dos rodeios, uma reivindicação do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Durante cerimônia no Parque dos Tropeiros, após obra de revitalização, ele declarou: “Vamos trabalhar para que no ano que em 2009 se realize aqui no Parque dos Tropeiros o 1º Rodeio de Curitiba”.

Precisamos ficar alertas e mostrar nosso repúdio ao rodeio antes que eventos como esse se tornem rotina.

Bons exemplos

Ao contrário de Curitiba, outras cidades do país estão dando bons exemplos de cidadania e respeito aos animais. Através de leis municipais, São Paulo e Rio de Janeiro já proibiram os rodeios, touradas e afins. O mesmo foi feito em Sorocaba, Guarulhos e Jundiaí. Por decisão judicial, outras cidades também proibiram a realização do evento. São elas: Ribeirão Preto, Ribeirão Bonito, Itu, São Pedro, Bauru, Arealva, Avaí, Itupeva, Cabreuva, Américo Brasiliense, Rincão, Santa Lúcia, Boa Esperança do Sul e Cravinhos.

Boicote as empresas patrocinadoras de rodeios: Veja a lista completa no site: www.ativismo.com – click no link “boicote quem patrocina rodeios” e tenha acesso aos sites de cada empresa.

Mariana Hoffmann – É jornalista, educadora, vegana e ativista pela causa animal. Em 2008 deu início a um projeto de mídia independente – o fanzine  bimestral “Informe Vegano”, uma publicação de cunho abolicionista.

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Não vote em políticos que são contra animais

(Da Redação)

Liberação da briga de galo, caça ao pombo, farra do boi e vaquejada. Estas são apenas algumas das intenções que figuram da macabra lista que o site SRZD preparou de políticos especistas do legislativo e executivo brasileiro. Eles insistem em ir na contramão da tendência política no mundo inteiro ao atuar pelo retrocesso da proteção legal aos animais, com medidas que viriam contrariar seus interesses mais elementares. Contrariam com isso também, queremos crer, parte significativa de seu eleitorado. Leia, passe adiante e vote consciente.

*Dep. Fed. Jose Thomaz Nono, do PFL de Alagoas – Autor do PL 4.548/98 que RETIRA proteção aos animais domésticos e domesticados, da Lei de crimes ambientais, para poder legalizar crueldade nos rodeios.

*Esperidião Amin – Governador de Santa Catarina – Vem violando frontalmente a decisão do Supremo Tribunal Federal ( STF), que proíbe a Farra do Boi. Faz vistas grossas porque políticos da região dão bois para os farristas, em troca de votos. A farra do boi é uma das formas mais violentas e cruéis de tortura.

*Deputado Antonio Ebling PL 4790/98 – pretende isentar das penalidades do artigo 32 as atividades culturais, recreativas e desportivas, segundo ele, como briga-de-galo, tiro-ao-pombo, etc.

*Deputado Ronaldo Vasconcellos (PFL/MG) PL 1695/99 – pretende liberar a caça amadora e de subsistência em todo o país.

*Deputado Adelor Vieira (PFL) – apresentou projeto de lei pra derrubar a decisão do STF, regulamentando a Farra do Boi (inconstitucionalmente).

*Deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) – autor de projeto de Lei que atenta contra as reservas legais da Amazônia, que podem ser reduzidas de 80% para 50%,podendo chegar a apenas 20% na elaboração do zoneamento ecológico-econômico.

*Dep. Xico Graziano – Relator do PROJETO DE LEI Nº 4.495-A/98, do Deputado Jair Meneguelli. Deu parecer FAVORÁVEL, defende os rodeios e chama de ignorantes os que defendem os animais.

*Deputado Roberto Pessoa -(PFL – CE) PROJETO DE LEI 167/99 – Considera a vaquejada como prática desportiva formal.

*Deputado Paulo Lima (PFL – SP) PL 249/99 – Considera prática desportiva formal o rodeio completo.

*Dep. Milton Monti (PMDB – SP) PL. 388/99 – Regulamenta a realização de rodeios e similares e dá outras providências correlatas.

*Dep. JAIR MENEGUELLI (PT – SP) PL. 3456/97 – Institui normas gerais relativas a atividade de peão de rodeio.

*Ex Ministro dos Esportes, Rafael Grecca – A favor da regulamentação da profissão de peões como atletas.

*Senador Roberto Freire – ficou famoso entre os defensores dos animais após ter a seguinte frase publicada: “Detesto cachorros. Por mim, exterminaria todos” (PPS-PE).

*Governador Jayme Lerner, do Paraná – Legalizou a caça no seu estado, sancionando o projeto de lei de número 12.603, de autoria do Deputado Estadual Aníbal Khoury (já falecido), apoiando os lobbistas fabricantes de armas na região Sul do Brasil.

*Victor Hugo Ribeiro Burko, Prefeito de Guarapuava , Paraná – Instituio 1º FESTIVAL DE CAÇA E CARNES EXÓTICAS DE ANIMAIS SILVESTRES DE GUARAPUAVA. Apoiou o projeto de lei que legalizou a caçano Paraná, do falecido Dep. Anybal Coury.

*Deputado Estadual Sivuca do Rio de Janeiro Lei 3.207/99 (não foi regulamentada) proíbe permanência de animais ferozes em locais públicos, sendo que os animais ferozes desta Lei são cães que podem ser de pequeno, médio e grande porte que tem índole de fera e o animal deverá ser apreendido por órgão competente. (detalhe: os animais ferozes, para ele, são quaisquer cães que latem e/ou mordem quando provocados)

*Vereador Gilberto Palmares (RJ) – projeto de lei 8555/98 que proíbe a criação e circulação de pit-bulls. Todos os pit-bulls seriam levados para acautelamento e lá permaneceriam até o fim da vida.

*Vereador Gerson Bergher (Thereza Bergher – sua esposa – “prefeitinha” de Copacabana ) – retira animais dos mendigos e chama a carrocinha (detalhe: nunca fizeram nada para ajudar os mendigos)

*Leila Malwee ( Leila do Flamengo ) – perseguia e chamava carrocinha para os gatos do Parque do Flamengo. Elaborou o projeto de lei 1441/99 que determinava o extermínio dos pit-bulls e rotweillers e proibia que andassem na rua, mesmo na coleira.

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Veganismo não é moda culinária

Sempre leio as crônicas de Walcyr Carrasco publicadas pela Veja São Paulo. São, geralmente, bem-humoradas e interessantes. Porém, confesso que na edição de 19 de novembro, o texto não foi o primeiro a me decepcionar, mas o primeiro a mexer comigo diretamente.

Um cronista não tem certos deveres de um jornalista. Ele não precisa, por exemplo, ser imparcial. Também não precisa ouvir “o outro lado”. A crônica expressa seu pensamento e ponto. Porém, quando se trata de uma revista nacional, com grande tiragem, muita repercussão e um cronista famoso, devemos nos preocupar com que sua opinião seja ponto de partida ou, quem sabe, um incentivo para formar outras opiniões.

O texto em questão, intitulado “Os gastrochatos” fala de modas culinárias, pratos tidos como requintados que não passam de comidas simples e até cruas, e dietas diferentes do arroz, feijão, bife e batata frita. Para minha surpresa, lá pelas tantas, ao falar de pessoas radicais e extremamente preocupadas com a saúde, isso mesmo, S-A-Ú-D-E, ele cita os vegans:

“Também existem os gastrochatos da saúde. Os mais extremos são os da linha vegan. É o vegetarianismo radical. Uma conhecida jamais usa em vegetais uma faca que tenha cortado carne, porque está “impura”. Os vegans não desfrutam nenhum derivado de animais. Nem mel.”

Walcyr não sabe que quem adota o veganismo está preocupado com animais? Pelo menos eu não conheço ninguém que abdicou do paraíso da ignorância por saúde. Pelo contrário, quem se torna vegetariano pela saúde, logo vai comer a absurda carne orgânica. Aquela que, entre outras coisas, vem de animais criados em pastos orgânicos e tratados com medicamentos homeopáticos antes de serem assassinados, sabe?

Voltando à crônica, seu texto continua da seguinte forma:

“Um amigo natureba adora cozinhar para as filhas: tofu frito com cebolinha e arroz integral. Comentou, espantado:
– Descobri que elas comem bife escondido na casa das amigas!
– Você está criando duas carnívoras – expliquei. – Quem cresce comendo tofu vai se esbaldar na primeira churrascaria até antes de aprender a dirigir!”

Estranho ler isso. Eu, quando estava com 17 anos, depois de ser criada com carne a vida toda, resolvi virar vegetariana e assim permaneço até hoje. Ah, e tem um detalhe, aprendi a dirigir com 18 anos.

Qualquer pesquisa rápida com vegetarianos mostra que a maioria opta pelo veganismo quando adulta.

Quando se trata de comunicar, a desinformação pode ser muito grave.

Eu já passei por situações constrangedoras com jornalistas. Constrangedoras para eles. Uma vez a repórter de um telejornal me perguntou se vegan era um apelido para vegetariano. Minha vontade era responder: www.google.com.br.

Tanto nesse caso quanto no texto em questão, uma pesquisa para se inteirar sobre o assunto é indispensável. Principalmente para saber que o veganismo existe pelos animais e, cada vez mais, se fortalece pelo meio ambiente e pela vida humana também.

A entrevista seria mais rica, assim como Walcyr Carrasco não teria encontrado motivos para citar o veganismo como uma moda culinária em seu artigo.

Mais difícil que encontrar opções veganas é saber que os meios de comunicação, ao invés de ajudar, atrapalham. Se metade das pessoas que já usaram seu talento para escrever baboseiras sobre o veganismo o tivesse usado para conscientizar pessoas, o mundo seria muito melhor.

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