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Por pressão de entidades de defesa animal, cidades vetam passeios de charrete

Pressionadas por entidades de defesa animal, cidades paulistas têm proibido a circulação de carroças e charretes em áreas urbanas, mesmo em roteiros turísticos tradicionais. Em Aparecida, por exemplo, os passeios de charrete estão com os dias contados. O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com ação civil contra a prefeitura, alegando que os cavalos sofrem maus-tratos.

Foto: Andressa Canejo

Na sexta-feira (28), 38 charretes com tração animal têm licença para passeio turístico com passageiros. Os animais, diz a Promotoria, são obrigados a puxar veículos com até seis pessoas e excesso de peso, além de haver uso de chicotes. Como exemplo, é citado um cavalo que desmaiou no asfalto por esforço excessivo. O MPE pede que as licenças sejam revogadas e os cavalos doentes ou idosos sejam colocados sob cuidados da prefeitura ou de órgãos de defesa animal.

A prefeitura disse que vai pedir à Justiça mais prazo para atender ao pedido e vai estudar um modo de manter os passeios turísticos com veículos sem tração animal. Também promete discutir alternativas de renda aos charreteiros.

O passeio de charrete é um tradição centenária na cidade, na qual está o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Um dos principais destinos dos charreteiros é o Porto de Itaguaçu, no Rio Paraíba do Sul, erguido no ponto exato onde a imagem da padroeira foi achada em 1717. As charretes chegam à beira do rio e os turistas aproveitam para fazer um passeio de barco.

“Os cavalos ficam lá atrelados ao veículo o dia todo, quando deviam ser soltos para descanso e alimentação”, diz Rosangela Coelho, ativista do Santuário Filhos de Shanti.

Esse santuário é mantido por doações e atua em Taubaté, Pindamonhangaba, Tremembé e mais cidades do Vale do Paraíba. Já resgatou muitos cavalos doentes. Um deles, a égua Shanti, resgatada em 2015, deu nome ao santuário, que abriga 50 animais vítimas de maus-tratos.

Em Taubaté, cidade da região, foi sancionada lei proibindo veículos de tração animal em vias públicas urbanas. A medida começou a vigorar em janeiro de 2018, mas, nesse caso, o MPE se moveu contra o veto, que afetava cerca de 300 carroceiros. O Tribunal de Justiça acatou a alegação de inconstitucionalidade e suspendeu a lei. Conforme a prefeitura, nova lei foi aprovada, restringindo o tráfego de carroças só na região central.

Em Campos do Jordão, passeios de charrete com cavalos não são proibidos, mas parte desses veículos foi trocada por tuk-tuks asiáticos. Restam cerca de 15 charreteiros, levando até três turistas por vez às cachoeiras, como a Ducha de Prata e a Véu da Noiva.

O ativista e ex-vereador Luciano Honório (Solidariedade) chegou a apresentar projeto de lei, há dois anos, para abolir as charretes, mas não conseguiu os votos necessários na Câmara de Campos do Jordão. “Fizemos grande mobilização e conseguimos 20 mil assinaturas. O projeto não passou, mas a prefeitura foi sensibilizada e mudou as regras para os charreteiros. Agora, charrete só anda em via sem asfalto e há fiscalização sobre os cuidados sanitários e com a alimentação dos cavalos”, disse.

Em São Roque, a Entrada dos Carros de Lenha, realizada anualmente, em agosto, desde 1881, correu o risco de ser extinta diante da pressão dos defensores da causa da animal. A madeira, doada à igreja, era transportada da zona rural para a paróquia em carroças e carros de boi. Em 2013, ativistas criaram uma página em rede social acusando os organizadores de maltratar os animais. Os veículos de tração animal tiveram de ser substituídos por tratores e caminhões para que a festa fosse mantida. Em agosto, alguns carros de boi foram admitidos no desfile, mas sem a carga de lenha.

A cidade tem tradição em corridas de charretes, o que também incomodou ativistas. Em outubro, dois homens foram flagrados em um “racha” de charretes em plena rodovia Raposo Tavares, entre Mairinque e São Roque. Atiçados pelos competidores, os animais chegaram a atingir velocidade de 50 km por hora e um dos cavalos acabou caindo no asfalto, sofrendo ferimentos. Um vídeo mostrando a queda do animal repercutiu nacionalmente. Os competidores foram identificados e respondem a processo por maus-tratos.

Em Sorocaba, a Semana do Tropeiro, encerrada com um desfile de cavaleiros e charretistas, resiste à pressão e as charretes permanecem.

Outros Estados

Em outros Estados, iniciativas semelhantes proíbem ou restringem o uso de veículos puxados por animais. No Rio, a lei 7.194/2016, sancionada pelo então governador Luiz Fernando Pezão (MDB), proibiu o transporte de cargas e pessoas em carroças ou charretes nos grandes centros, mas abriu exceção para áreas rurais e atividades turísticas. Assim, os cavalos e charretes foram mantidos na Praça dos Cavalinhos, na Tijuca, bairro da zona norte da capital, e na Ilha do Paquetá.

Em Petrópolis, cidade da região serrana do Rio, veículos de tração animal foram vetados após plebiscito em 2018, com 68,5% dos votos. A prefeitura disse que os charreteiros terão veículos elétricos para trabalhar, mas a medida ainda está em estudo. As charretes eram adotadas desde 1940 e ganharam o apelido de “Vitórias”, em homenagem à rainha da Grã-Bretanha.

Em Natal, Belém e Fortaleza, também foram adotadas leis que restringem ou proíbem veículos com tração animal na área urbana.

Fonte: Estadão

Nota da Redação: a ANDA é veementemente contra a tração animal, independentemente do peso transportado pelo animal. Isso porque forçar um animal a puxar charretes e similares depõe contra o direitos animais, já que coloca o animal em condição de submissão, impedindo-o de realizar as ações que ele mesmo julga necessárias para obrigá-lo a agir em benefício humano. É urgente que a sociedade entenda que os animais existem por propósitos próprios e que, portanto, não estão no mundo para servir aos seres humanos.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


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Camelo sofrendo maus-tratos na Jordânia.
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Camelos e mulas são espancados e chicoteados na Jordânia

Um novo vídeo de testemunhas oculares da People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), em tradução livre “Pessoas Para o Tratamento Ético dos Animais”, revela que animais na Jordânia ainda estão sendo espancados, espetados e chicoteados para serem manipulados de forma cruel.

O Ministério de Turismo e Antiguidades da Jordânia prometeu acabar com a crueldade contra burros, camelos, mulas e cavalos expostos em uma investigação recente da PETA na Ásia sobre a indústria do turismo de Petra, mas nada mudou.

Camelo sofrendo maus-tratos na Jordânia.
Camelo sofrendo maus-tratos na Jordânia. (Foto: PETA)

Essa prática cruel deveria ter sido substituída pelo uso de veículos modernos e livres de animais há muito tempo.

Um relatório da PETA destacando a crueldade na indústria de turismo de Petra, juntamente com o novo vídeo, foi compartilhado com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e funcionários do governo. Esta mais recente denúncia mostra mais uma vez a necessidade de uma proibição de forçar animais a transportar turistas pela cidade histórica.

Os animais são acorrentados, espetados e espancados e sofrem com feridas pelo corpo.
Os animais são acorrentados, espetados e espancados e sofrem com feridas pelo corpo. (Foto: PETA)

Os animais continuam a sofrer em Petra, mulas e burros são forçados a subir os 900 degraus até o mosteiro e descer novamente com os visitantes nas costas, enquanto os cavalos são forçados a puxar carruagens em extenuantes caminhadas de nove quilômetros pela cidade antiga várias vezes por dia ao ano. E os camelos gritam de dor quando suas bocas são forçadas a se fecharem.

Veja o vídeo abaixo em inglês e sem legendas:

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Burros e camelos são chicoteados para transportar turistas

Porém, a “cidade perdida” tem um lado sombrio: mais de 1300 cavalos, burros, mulas e camelos são forçados a transportar turistas ou a puxar carruagens na cidade diariamente e enfrentam um sofrimento imenso.

Foto: PETA Asia

Os adestradores rotineiramente chicoteiam e espancam os animais enquanto eles transportam turistas por um trecho de 10 quilômetros debaixo de um calor sufocante, sem água ou sombra.

Os burros são obrigados a carregar as pessoas para o monastério icônico da cidade. Caso resistam ou hesitem, os espancamentos se intensificam. A falta de interesse das autoridades em ajudar os animais é flagrante: os turistas indignados são aconselhados pela Autoridade da Região de Desenvolvimento e Turismo de Petra a denunciar a crueldade contra os animais enviando uma mensagem para um endereço de email que não funciona.

Foto: PETA Asia

O veterinário Sameh Nabil explica: “Muitas pessoas chamam os burros de estúpidos. Porém, a realidade está longe disso, os burros têm autopreservação, se ficam cansados ou consideram uma situação muito perigosa, eles se tornam obstinados porque valorizam sua vida. Tudo o que eles querem é que sejamos bondosos com eles, que os tratemos com compaixão, dignidade e gentileza”.

Como mostra o vídeo da PETA Asia, os visitantes que são transportados pelos animais contribuem diretamente para sua dor e miséria.

Agressões

Os adestradores repetidamente atingem os animais cansados com qualquer coisa – incluindo tubos de plástico, cordas, correntes e chicotes – para mantê-los em movimento.

Até mesmo quando os animais estão muito exaustos para continuar, eles são continuamente espancados. Quando um burro se recusou a transportar mais turistas após fazer uma turnê, ele foi chutado no estômago com tanta força que até mesmo um espectador recuou e, apesar de tentar fugir do ataque, o animal estava preso e isso não seria possível.

Foto: PETA Asia

Apesar de trabalharem o dia inteiro no calor do deserto, os animais são privados de água até o final do dia quando voltam para os estábulos, onde fica a única fonte de água do Petra Archaeological Park.

Entre os passeios, eles são mantidos amarrados, sem nenhuma sombra ou alívio do calor. Alguns são presos com tanta força que nem sequer conseguem deitar e precisam aguardar o próximo cliente.

A investigação mostra que muitos dos animais tinham ferimentos causados pelas correntes e cordas. Uma testemunha ocular da PETA viu camelos serem obrigados a trabalhar, apesar de estarem cobertos de moscas e feridas abertas causadas por seus freios. Os burros tinham correntes ao redor dos pescoços manchados com o sangue dos ferimentos.

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Vereador quer que prefeitura dê animais para carroceiros, em Teresina (PI)

 

Na foto, o vereador Valdemir Virgino (PTC) (Foto: Reprodução/ CV)

Sob a justificativa de que os animais utilizados em veículos de tração animal seriam a “única fonte de renda dos carroceiros”, o vereador Valdemir Virgino (PTC) criou recentemente um projeto de lei para que a prefeitura de Teresina (PI) seja responsável por fornecer os animais aos carroceiros da região.

No entanto, para que essa medida retrógrada e contrária aos direitos animais seja concretizada, o projeto de lei precisa ser aprovado pelo poder executivo municipal.

Com informações do Cidade Verde

Nota da Redação: A atitude do político em questão é completamente retrógrada e só contribui para a perpetuação da exploração dos animais. Os carroceiros precisam de políticas públicas eficazes, que lhes ofereçam condições dignas e éticas de trabalho, sem a utilização de animais. O dinheiro investido na compra de animais para essas famílias deveria ser aplicado em bicicletas elétricas ou outros tipos de veículos motorizados, que otimizem o tempo e o esforço dessas pessoas, sem causar sofrimento aos animais e ao mesmo tempo valorizando a condição humana. Essa, sim, seria uma medida inteligente e solucionadora tanto para as famílias de trabalhadores quando para os animais.

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O cruel cotidiano dos animais de tração de Alagoas

Cavalos que puxam carroças são maltratados todos os dias,
muitos têm de ser sacrificados em AL

Sem água, sem alimento, cavalo aguarda carroceiro sob o sol intenso do meio-dia. Foto:Katherine Coutinho

Quem nunca viu uma carroça cheia de coisas, muitas vezes entulho, restos de construções ou mesmo com várias pessoas em cima? Além de ter que puxar todo aquele peso, o cavalo tinha que aguentar os maus-tratos do carroceiro que lhe chicoteava sem dó quando o pobre animal tentava diminuir o ritmo da corrida por não ter mais forças para correr puxando tanto peso?

A realidade dos cavalos de carroceiros em Alagoas é muito triste. Muitos ficam desnutridos ou mesmo morrem em acidentes de trânsito que poderiam ser facilmente evitados se seus donos, que dependem do trabalho deles para conseguir o seu sustento, fossem mais cuidadosos. “Eles precisam de cuidados especiais, alimentação balanceada e há um limite de peso para ser puxado pelo animal”, explica veterinário Paulo da Silva Marques Júnior, do Centro de Controle de Zoonoses. Alguns desses animais têm de ser sacrificados por causa da gravidade dos ferimentos. “Dependendo do estado do animal, ele não pode mais continuar vivo e têm de ser morto”, diz.

Para mudar essa realidade, alguns voluntários amantes de cavalos se reuniram e solicitaram ao Ministério Público Estadual (MPE) que uma delegacia especializada em crimes ambientais fosse aberta. “Existia uma delegacia voltada para esse tipo de trabalho antes, mas por falta de denúncias ela foi fechada”, conta Maria Umbelina Moreira, voluntária do Núcleo de Educação Ambiental São Francisco de Assis (Neafa). O projeto de Lei foi encaminhado à Assembléia Legislativa do Estado.

Em geral, os carroceiros soltam os animais nas ruas para que eles encontrem algo para pastar. A outra alternativa é a fome para os pobres animais. Foto:Bruno Soriano

A população deve fazer a sua parte denunciando. “As novas placas agilizam o processo na busca do carroceiro denunciado, uma vez que agora eles são cadastrados. Sem a denúncia, ficamos sem ponto de partida para a luta contra os maus-tratos”, afirma Umbelina. Quando é feito o flagrante de maus tratos o agressor é detido com base na Lei Federal Nº 9.605, de Crimes Ambientais.

Com informações da Gazetaweb

Nota da Redação: É vergonhoso constatar que o Brasil, com todos os seus avanços, não toma qualquer atitude para proibir o uso de animais como tração nas cidades.  Se a tração animal é uma prática legalizada, os maus-tratos constatados a olhos vistos são um crime previsto na Lei 9605. As autoridades estão prevaricando.

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Defensores de animais e OAB pedem fim do uso de jegues e cavalos da Lavagem do Bonfim

Defensores de animais e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) querem acabar com a participação de jegues, cavalos e outros animais na Lavagem do Bonfim na Bahia. As instituições ajuizam amanhã uma ação no Plantão Judiciário para tentar o que não conseguiram no ano passado: impedir o desfile dos animais na maior festa popular da Bahia depois do Carnaval.

O argumento é o mesmo de 2010. As ONGs Terra Verde Viva, Célula Mãe e Animal Viva, junto com a comissão de direitos dos animais da OAB, afirmam que, na festa, os bichos são submetidos a grande estresse, esforço físico desmedido, sons estridentes, açoites e temperatura escaldante.

A ação cautelar, baseada na Lei 9.605 (Crimes Ambientais), incide no processo aberto pela ação civil pública impetrada da outra vez e que tem como réus a prefeitura e a Empresa de Turismo S/A (Saltur).

Em 2010, a Justiça preferiu ficar em cima da cerca. O então juiz substituto da 8ª Vara da Fazenda Pública Mário Albiani Júnior acatou apenas parcialmente a ação. Pela liminar, concedida na véspera da Lavagem, a presença dos bichos foi liberada com a condição de a prefeitura fiscalizar e punir as situações de maus-tratos.

Imagens

Desta vez, porém, os ambientalistas acreditam ter um trunfo. O documentário Os Animais na Terra da Felicidade, produzido a partir de filmagens da festa do ano passado, foi anexado ao processo junto com fotografias. “Nessas imagens, provamos que não há qualquer fiscalização e os animais são mesmo submetidos a maus-tratos”, diz a coordenadora da Terra Verde Viva, Ana Rita Tavares.

“O documentário vai pesar. Uma prova robusta e inconteste”, concorda a representante da OAB, Alessandra Brandão. Na próxima quinta-feira, a Lavagem do Bonfim ocorre pela 266ª vez. As inscrições para o desfile terminam hoje. Caso a Justiça defira a liminar, a prefeitura terá que impedir o uso dos animais, mas ainda não se sabe sob qual pena. No ano passado, a multa era de R$ 50 mil.

Estresse em animal prenhe

Na briga entre tradição e meio ambiente, os ambientalistas têm ainda outra arma. Junto com a ação para proibir o uso cruel dos animais, vai a cópia de uma ocorrência registrada na 3ª DP (Bonfim), no ano passado.

O registro refere-se à prisão de um cavaleiro e a apreensão de dois adolescentes de 15 anos flagrados com um animal ferido na barriga, resultado de esporadas que o obrigaram a cavalgar por horas. Detidos pela PM, todos foram liberados após lavrados termos circunstanciados, para crimes de menor poder ofensivo.

Animais são feridos e continuam sendo explorados

Controle A Saltur, responsável pelo planejamento da festa, quer se responsabilizar apenas pelas entidades inscritas oficialmente. “É difícil controlar tudo. Os maus-tratos devem ser fiscalizados por órgãos de meio ambiente ou zoonoses”, apontou o presidente Cláudio Tinoco.

Enquanto isso, a intenção das ONGs e OAB é estender a ação a todas as festas populares da Bahia, inclusive o Carnaval. Ano passado, o bloco Mudança do Garcia chegou a assinar Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MP para diminuir o número das tradicionais carroças no desfile. “Atrocidades não podem continuar sendo autorizadas em nome da tradição”.

‘Isso é moral de jegue’

Para os proprietários de carroças e tutores dos animais levados ao Bonfim, a tentativa de impedir o desfile dos animais não passa de, como se diz em baianês, uma moral de jegue. Antigos carroceiros, como o fotógrafo Valter Lessa, estão revoltados.

Animal submetido a trabalho escravo. Obrigado a carregar peso nas costas e puxar carroça pesada com arreios inadequados.

Lessa, que contabiliza 40 participações na Lavagem, 37 delas com carroça, chegou a ganhar dois troféus de carruagem mais bem enfeitada, na época em que a prefeitura concedia o prêmio, suspenso há dois anos exatamente por conta de uma solicitação do Ibama.

“É um insulto ao folclore da Bahia. Nossa cultura vai sendo mutilada”, critica ele, que diz nunca ter visto maus-tratos que lhe chamasse a atenção. “Pelo contrário. A gente trata os animais com o maior carinho. Dá água fresca do gelo derretido para os bichos beberem. O percurso é pequeno perto das distâncias que eles costumam percorrer no dia a dia”.

Moisés Cafezeiro, tutor do simpático jegue Pagode e fundador do bloco Levada do Jegue, mais uma vez toma a frente nos protestos contra a proibição. Cafezeiro prometeu articular uma reunião com carroceiros e cavaleiros de todo o estado para reverter uma possível liminar que tire os animais da festa.

Desreipeitado. Animal usado para puxar carroça com pessoas em cima em meio ao barulho e música alta do trio elétrico

“Vamos elaborar um documento para o Ministério Público, OAB e as ONGs, informando de que forma tratamos os animais. Se for pra pegar no pé, proíba as carroças de carregarem tijolo e vergalhões por aí. Mas acabar com nossa tradição é moral de jegue”, encerrou.

Maus-tratos em vídeo Em quase 22 minutos de duração, o documentário Os Animais na Terra da Felicidade, filmado na Festa do Bonfim do ano passado, mostra uma série de maus-tratos sofridos por jegues, mulas e cavalos. As imagens exibem animais feridos, sem ferradura, excesso de peso em carroças abarrotadas, além de instrumentos musicais e caixas de som estridentes colocados bem próximo aos animais.

Pelo que revelam as imagens, até mesmo uma mula prenhe é utilizada na festa. No vídeo, depoimentos de juristas, advogados, veterinários, criadores de animais e da própria população endossam o argumento dos ambientalistas, que hoje contatam o Ministério Público para que esse também participe da ação, como fez ano passado. “Juntos, vamos conseguir a proibição total dessa crueldade”, diz Ana Rita Tavares.

Vejo o vídeo abaixo:

Fonte: Correio 24 Horas

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Proibição de carroças na Lavagem do Bonfim ainda não foi decidida

O juiz Mário Albiane Júnior, da 5ª Vara da Fazenda, ainda não decidiu sobre a presença de equinos que puxam as tradicionais carroças enfeitadas no cortejo da Lavagem do Bonfim, que acontecerá na próxima quinta-feira (14).

Uma ação civil pública da 2ª Promotoria do Meio Ambiente pede a proibição dos animais durante a festa porque eles estariam sendo sobrecarregados e sofrendo maus-tratos. Para a advogada Ana Rita Tavares (Associação Brasileira Terra Verde Viva), uma das entidades que ajuizaram a ação, a expectativa é que o juiz decida pela proibição: “Enviamos vídeo com maus-tratos. Tem até quem joga bebida nos olhos dos animais”.

Para o veterinário, especialista em equinos, Adriano Gordilho, os burros, mulas, jegues e cavalos são animais de tração e aguentam carga pesada. “Os animais têm capacidade para isso. Mas entendo que a questão dos maus-tratos deve ser corrigida”, diz. Segundo ele, o burro, animal híbrido e infértil, filho do jegue com a égua, é tão forte como o pai. Atrás dele em matéria de força, vem a irmã, a mula. “O burro e o jegue são os mais fortes dos equinos. Em fazendas, são submetidos a carregar muito mais peso”, acrescenta.

Com informações de A Tarde

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Ano novo, velhos números…

Sendo um físico teórico, um dos meus instrumentos de trabalho mais preciosos é a matemática. Por isso, com o tempo, apaixonei-me pelos números e, cada vez mais, enxergo neles uma beleza ímpar. Há ocasiões em que quase chego a duvidar de que sou um físico legítimo, pois a matemática envolvida nos problemas de pesquisa às vezes me fascina muito mais do que as questões físicas em si. Ao acompanharem meus trabalhos, alguns colegas, em tom de galhofa, dizem: “Olha, só posso parabenizá-lo por ter entrado para o time dos matemáticos puros.” Outros, mais austeros, aconselham: “Acho que você deveria perder menos tempo com a matemática e mais tempo com a física.” Mas eu sou teimoso e ainda acho que uma equação fala mais do que três bilhões e meio de palavras. A beleza dos números me seduz.

Todavia, sou um caso quase isolado: a maioria das pessoas detesta lidar com números, torce o nariz para fórmulas, sofre engulhos só de ver um gráfico. Mas sigo convicto da verdadeira maravilha que os números representam. Não é fantástico perceber, embora não se saiba a razão, que qualquer número par pode ser escrito como a soma de dois números primos? Não é simplesmente de cair o queixo que uma mesma proporção esteja presente em fenômenos tão distintos quanto a multiplicação de indivíduos nas sucessivas gerações de um casal de coelhos e também em diversas medidas do corpo humano (a altura total e a medida do umbigo até o chão; a altura do crânio e a medida da mandíbula até o alto da cabeça; a medida da cintura até a cabeça e o tamanho do tórax; etc.)? Ou, mais fundamentalmente, não é desconcertante o fato de que um mesmo conjunto de símbolos, uma mesma construção lógica, que é a matemática, sirva bem a propósitos tão prosaicos quanto contar conchinhas na beira da praia mas também nos permita calcular há quantos bilhões de anos nosso universo existe?

Sim, os números estão repletos de beleza, mas também podem ser extremamente cruéis. Há contextos em que a beleza dos números se esvazia por completo; então, a matemática já não é capaz de provocar qualquer sensação de enlevo. Ao contrário, nesses casos, a matemática torna-se capaz de trazer à tona tudo que há de pior em nós, seres humanos: a desesperança, a revolta, o ódio. Os números que descrevem o holocausto animal constituem um desses casos.

Em 2003, com base nas estatísticas da FAO (Food and Agriculture Organization
of the United Nations) sobre agricultura, o Secretariado da União Vegetariana Europeia, apresentou o número de animais mortos no mundo para consumo humano durante aquele ano. Os números foram estabelecidos a partir de relatórios provenientes de mais de 210 países, mas devemos levar em conta que alguns países e territórios não fornecem dados. Os números foram os seguintes:

– Galinhas e frangos: 45 bilhões e 900 milhões

– Patos: 2 bilhões e 260 milhões

– Porcos: 1 bilhão e 240 milhões

– Coelhos: 857 milhões

– Perus: 691 milhões

– Gansos: 533 milhões

– Carneiros, ovelhas, cordeiros: 515 milhões

– Cabras: 345 milhões

– Bois, vacas, vitelos: 292 milhões

– Roedores: 65 milhões

– Pombos e outras aves: 63 milhões

– Búfalos: 23 milhões

– Cavalos: 4 milhões

– Asnos, mulas, machos: 3 milhões

– Camelos e outros camelídeos: 2 milhões

A matéria do Centro Vegetariano* sobre o tema alerta ainda que a soma de todos esses números fornece um total de mais de 50 bilhões de animais, sem ter em conta os animais aquáticos (peixes e crustáceos). Os números referem-se apenas aos animais abatidos nos matadouros. Excluem-se os animais de criação extensiva (geralmente para consumo doméstico), assim como os que são alvo da caça, difíceis de contabilizar por não haver qualquer tipo de controle. Certamente não estão incluídos nos números os desafortunados animais assassinados em rituais religiosos e tampouco os cães e gatos
exterminados em sua globalizada Auschwitz particular, os famosos centros de controle de zoonoses. De tudo isso, só podemos depreender que a realidade é muito pior.

Diante desses números, toda beleza se esvai, escorre feito o sangue dos inocentes animais mortos em nome de nossos vícios e de nossa ganância, restando, então, a carcaça exangue do puro horror. São dados antigos, mas basta olhar ao redor para perceber que as coisas não podem ter melhorado (e, nesse caso, mesmo que os números caíssem pela metade, a chacina ainda teria dimensões dantescas).

Em um trabalho publicado em 2001, Luiz Antonio Pinazza, redator de pecuária e política agrícola da Revista Agroanalysis**, da Fundação Getúlio Vargas, joga um balde de água fria no otimismo vegetariano:

*A formulação das tendências de consumo é investigada pelo The International Food Policy Research Institute (IFPRI), seguindo um modelo alimentar mundial em que se incluem dados originários de 37 países e grupos de países e 18 produtos. Conhecido como Impact (International Model for Policy Analysis of Agricultural Consumption), o cenário do início dos anos 90 até 2020 prevê um aumento do consumo da carne e do leite de respectivamente 1,8 e 3,3% nos países em vias de desenvolvimento e de 0,6 e 0,2% nos países desenvolvidos. Ou seja, até 2020, em toneladas métricas, os países em vias de desenvolvimento consumirão mais 100 milhões de toneladas de carne e mais 223 milhões de leite. *

Resumo da ópera: o número de animais mortos só vem crescendo e vai crescer ainda mais. Se, em 2003, as estatísticas mais modestas apontavam 50 bilhões de vítimas, hoje, no final de 2009, estamos, certamente, encerrando um ano em que tal número foi superado e vamos receber, de braços abertos, um novo ano em que, mais uma vez, o recorde será batido. Ano novo, vida nova? Infelizmente, penso que não: ano novo, velhos números; ano novo, idênticas atrocidades. Um interessante testemunho do século XIX pode ajudar a ilustrar a constância do banho de sangue em que vivemos imersos.

O romancista russo Leon Tolstói (1828-1910), por sua vez, levou a cabo a experiência à qual a maior parte de nós se recusa, aquela mesma experiência considerada pelo filósofo escocês John Oswald (1760-1793) como um alerta à sensibilidade natural do homem: Tolstói visitou um matadouro. O escritor, bem como qualquer vegetariano de qualquer outra época, estava acostumado a viver em uma sociedade erigida sobre a exploração animal. Já ouvira todas as razões antigas e conhecidas pelas quais, supostamente, matar animais para comer é aceitável e até natural, coisas como “Deus permite”, ou “todo mundo faz assim”. A respeito disso, escreveu ele:

“Não existe mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se acostumar a ponto de deixar de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o odor do mal.”

Tal convicção reforçou-se ainda mais com sua visita ao matadouro, descrita por ele nas seguintes palavras:

“ (…) na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastado de sangue, fumava um cigarro torto. (…) Depois de mim entrou um homem, aparentemente um ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas, como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitia ir embora. O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali deitado, tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a cabeça levantada; o açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu, e o rabinho endureceu e parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria, e o carneiro começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era horrivelmente revoltante.”

Para nós, hoje, seria um alívio (ainda que um alívio questionável) descobrir que os matadouros de agora são menos “revoltantes” do que aquele que Tolstoi descreve. A verdade é bem outra. A frieza com que os animais são mortos é exatamente a mesma. São diferentes apenas duas coisas: hoje, os animais são mortos em escala industrial, no que poderíamos de chamar de verdadeiras “linhas de desmontagem”, que contam com as mais bizarras tecnologias (esteiras com ganchos para suspender as vítimas, serras elétricas, tonéis de escalda etc.); além disso, os matadouros não param mais nos feriados – funcionam noite e dia, ininterruptamente, para atender a imensa e crescente demanda por carne. O que mudou, em suma, foram os números, muito mais grandiloquentes do que seria capaz de imaginar o mais megalomaníaco dos genocidas.

Abro uma revista que assino e que acabo de receber em casa, uma publicação da comunidade judaica, e encontro mais uma matéria sobre os horrores perpetrados pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Descubro que, apesar de o número exato de pessoas exterminadas pelos nazistas nos campos de concentração ainda ser objeto de pesquisa e debate, as estimativas mais avantajadas apontam para 3.5 milhões de poloneses não-judeus, 3.5 milhões de poloneses judeus, 2.5 milhões de judeus de outras  racionalidades, 6 milhões de civis eslavos, 4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, 1.5 milhões de dissidentes políticos, 800 000 ciganos, 300 000 deficientes, 25 000 homossexuais, 5000 Testemunhas de Jeová, fornecendo um total de 22.130000 pessoas (sim, mais de 22 milhões). Faço mais um rápido cálculo mental e começo a rir: esse número representa mirrados 0,04% em comparação com os tais de 50 bilhões de animais mortos a cada ano. Súbito, a imensa tragédia do holocausto adquire contornos de brincadeira de criança. Olho para a televisão e vejo uma repórter alarmada informar que, apesar da constante queda nos números, mais de 2 milhões de pessoas ainda morrem em decorrência da AIDS todos os anos. Faço uma ágil regra-de-três, descubro que esse número – 2 milhões – é o número de animais oficialmente assassinados em apenas 20
minutos e caio na gargalhada. Aprimorando o ensaiado olhar de luto, a repórter passa à nova manchete, a qual ela própria define como “uma carnificina”: 38 mortos no feriado de Natal nas estradas federais de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Recuso-me a fazer qualquer conta sobre isso; naquele momento, a notícia soa-me completamente ridícula, algo que nem merece ser computado.

Como disse, em certos casos, a matemática torna-se capaz de trazer à tona tudo que há de pior em nós, seres humanos, inclusive a frieza perante a desgraça. É quase  impossível não ser sufocado por tal número – 50 bilhões! –, frente ao qual todas as misérias humanas parecem ínfimas, desprezíveis, negligenciáveis, assim como aqueles centésimos e milésimos após a vírgula que são dispensados quando, em um problema matemático, enunciamos a resposta final. Não acho bonito, não é isso o que desejo, mas a frieza dos números toma conta de mim. Viro um cubo de gelo. Insensível.

É claro que a maneira mais decente de encarar esses funestos eventos, a matança de animais humanos e não-humanos, é pensar sobre o drama individual, sobre a experiência dolorosa de cada um deles, sobre a tortura física e mental que cada qual, intimamente, teve de suportar antes da morte. Quando resumimos (ou ocultamos) tudo isso através de números, deixamos de lado a real dimensão do drama e corremos o risco da insensibilização. É, de fato, uma pena que sejamos obrigados a conviver com estatísticas tão berrantes e macabras. E é ainda mais lastimável que, ao que tudo indica, essas estatísticas, no ano que se inicia, venham a ser ainda mais berrantes e mais macabras. Recuso-me, portanto, a festejar mais um ciclo de matança que se inicia. Enquanto todos estiverem fazendo a tradicional contagem regressiva para a chegada do novo ano, permanecerei calado. Minha contagem particular começará à meia-noite em ponto: um, dois, três, quatro, cinco… e vou contabilizando, em tempo real, os animais mortos nesse recém-nascido 2010. Mas a matemática, nessas horas, é implacável, e eu logo descubro ser impossível a tarefa: são mais de 38 000 assassinatos a cada segundo.

Ao redor do mundo, o ano já se inicia com a tétrica ceia, repleta de corpos chamuscados sobre as mesas, modesto prenúncio de tudo que está por vir. Paradoxalmente, as pessoas desejam paz umas às outras, com as bocas cheias de nacos de carne. Tenho vontade de repreendê-las, “Tirem o cadáver da boca para falar!”, mas fico quieto. Penso novamente em Tolstói, que há muito já alertava sobre quão vãos serão todos nossos anseios de paz enquanto a violência fizer parte de nossos atos corriqueiros. Dizia ele: “Enquanto houver matadouros, haverá campos de guerra”. Haverá mesmo.

Mais uma vez, os galináceos se salvarão, afinal ciscam para trás e, portanto, não é de bom agouro devorá-los em noite  réveillon; os porcos, no entanto, fuçam para a frente, e, por isso, tornam-se os defuntos mais cobiçados. O leitão da ceia é apenas um infeliz que se adiantou às estatísticas. Enquanto o porco fuça para a frente, fica para trás, bem para trás, perdendo-se na poeira da distância, qualquer sinal de escrúpulo ético.
Um novo ano se anuncia. Vai começar tudo de novo…

Referências Bibliográficas

* Centro Vegetariano
**Planeta Orgânico  


Rafael Jacobsen
é coordenador do Grupo Porto Alegre da SVB.

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Muares são explorados em viagem de 44 quilômetros

Por Carol Keppler (da Redação)

As celebrações em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, atraem cerca de 10 mil fiéis ao Santuário de Aparecidinha no dia da Padroeira (12 de outubro). Alguns dos devotos preferem antecipar as homenagens à santa e visitam o santuário antes da data.

Mas a justificativa religiosa mais uma vez encobre os maus-tratos a animais, explorados em trabalhos forçados. “Muladeiros”, de uma estância que comercializa jumentos e muares, seguem em comitiva e realizam uma viagem de 44 quilômetros montados em mulas consideradas apenas fonte de lucro e objetos de transporte. A viagem de Votorantim a Aparecidinha leva seis horas e é realizada para cumprir promessas dos participantes.

Os homens recebem lanches e bebidas ao longo da viagem que já é realizada há oito anos. Segundo os exploradores, o cansaço não faz com que se sintam sacrificados com a viagem porque consideram prazeroso fazer as orações ao chegar ao destino – e talvez porque não sejam os reais sacrificados por essa comitiva.

Absolutamente desconsideradas, as mulas carregam o peso dos homens – e mulheres que os acompanham para servi-los – sob sol ou chuva, sem poder escolher quando devem parar para descansar, beber água ou comer. Os animais acabam pagando uma penitência injustificável e os verdadeiros responsáveis pela escolha são reverenciados por uma promessa que deveria ser “paga” a pé.

Com Informações do Jornal Cruzeiro do Sul

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Doença que está matando cavalos e mulas no Pará e Tocantins ainda é um mistério

Uma doença ainda não identificada matou mais de cem cavalos e mulas nos últimos meses no norte do Tocantins. No estado do Pará, desde 2001 até agora já foram mais de três mil animais mortos.  Exames estão sendo feitos para encontrar a causa do problema.

Numa fazenda mais de 20 animais ficaram doentes. Oito morreram. “Esses animais foram medicados com sedativos. Aqueles que foram, onde foi possível, nós caminhamos com eles, fizemos os animais levantarem e não se movimentarem para poder ver se aliviava aqueles sintomas de gases presos. Em alguns aliviou, mas em outros não aliviaram. E foram a óbito no dia seguinte”, contou seu Epaminondas.

Assim que os primeiros sintomas começaram a aparecer nos animais, como o abdômen inchado e cólicas, a principal suspeita recaiu sobre alguns tipos de capim que alimentavam equinos e muares, como maçai, o mombaça e tanzânia. Outra constatação foi de que a maioria das mortes aconteceu, principalmente, durante o período chuvoso.

Até então os únicos casos parecidos que se tinha notícia pela região ocorreram no Pará. Os órgãos de saúde animal ainda não sabem qual a causa da morte dos cavalos.

Na Universidade Federal do Tocantins, uma junta de professores e alunos analisa amostras de dez animais. Boa parte deles morreu 36 horas depois do aparecimento dos sintomas.

Amostras de órgãos também foram recolhidas para uma pesquisa em conjunto com a Universidade Federal do Pará. A principal dúvida é relacionar as lesões internas com o agente causador nas pastagens.

“A hipótese mais concreta é a de que esteja relacionada com o capim da espécie pânico, o mombaça, o maçai e o tanzânia. Agora, qual a correlação da pastagem com o agente causador ou se é a própria pastagem retirando algo do solo ainda não se sabe concretamente”, falou Marcos Giannoccar, professor da Universidade Federal do Tocantins.

O laboratório do ministério da agricultura de Minas Gerais, para onde foi enviado o material para exame, informou que vai precisar de mais amostras para emitir um parecer conclusivo.

 *Com informações do Globo Rural

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